Robert De Niro Invoca Abraham Lincoln no Carnegie Hall e Lança Aviso Sobre Violência e Intolerância

Robert De Niro é conhecido por interpretar algumas das personagens mais intensas da história do cinema — de mafiosos implacáveis a figuras atormentadas. Mas numa noite especial no Carnegie Hall, em Nova Iorque, o actor subiu ao palco para fazer algo bem diferente: dar voz a um dos discursos mais famosos de Abraham Lincoln, numa intervenção carregada de significado político e histórico.

ler também :Nem as Nomeações aos Emmys Salvaram a Série: Apple TV+ Cancela “Palm Royale” Após Duas Temporadas

A aparição aconteceu durante o 39.º concerto anual de beneficência da organização cultural e educativa Tibet House US, um evento que reuniu músicos, artistas e activistas numa celebração da arte, da liberdade cultural e da reflexão social.

Um discurso de 1838 com ecos no presente

De Niro surgiu inesperadamente no palco, sendo recebido com fortes aplausos do público presente. Ao contrário do que muitos poderiam esperar, não apresentou um discurso próprio. Em vez disso, leu excertos do famoso “Lyceum Address”, um discurso proferido por Abraham Lincoln em 1838, muito antes de se tornar Presidente dos Estados Unidos.

Nesse texto, Lincoln alertava para os perigos da violência colectiva e da erosão das instituições democráticas. Numa leitura pausada, que começou hesitante mas rapidamente ganhou força, De Niro deu vida às palavras do futuro presidente:

“A razão, fria, calculista e desapaixonada, deve fornecer todos os materiais para o nosso futuro apoio e defesa.”

O actor continuou a leitura sublinhando outro princípio central do discurso: a necessidade de uma sociedade baseada na inteligência colectiva, na moralidade e, sobretudo, no respeito pela Constituição e pelas leis.

Embora não tenha mencionado directamente acontecimentos actuais ou figuras políticas, a escolha do texto foi amplamente interpretada como uma mensagem dirigida ao clima político contemporâneo nos Estados Unidos.

Um concerto com forte carga simbólica

O evento de beneficência reuniu um elenco artístico diversificado. Entre os participantes estavam nomes como Laurie AndersonElvis CostelloMaya Hawke e Allison Russell, num espectáculo que se estendeu por quase três horas.

A noite começou com uma invocação espiritual dos monges tibetanos Drepung Gomang, seguindo-se um percurso musical que atravessou vários estilos e tradições — desde composições experimentais até folk, gospel e canções de protesto.

Um dos momentos mais marcantes esteve ligado ao compositor Philip Glass, co-director artístico do evento. Glass inspirou-se precisamente no discurso de Lincoln para criar a sua Sinfonia n.º 15, “Lincoln”. A obra estava inicialmente prevista para estrear no Kennedy Center, em Washington, mas o compositor cancelou a apresentação após mudanças na liderança da instituição que geraram controvérsia no meio cultural.

Música, protesto e reflexão

Apesar de o nome do presidente Donald Trump ter sido raramente mencionado durante o espectáculo, várias intervenções artísticas reflectiram preocupações políticas contemporâneas. Alguns artistas criticaram a guerra contra o Irão, as políticas de imigração e o que descreveram como um clima crescente de violência e indiferença social.

Elvis Costello protagonizou um dos momentos mais participativos da noite ao interpretar “(What’s So Funny ’Bout) Peace, Love, and Understanding”, clássico escrito por Nick Lowe há mais de meio século, mas cuja mensagem continua surpreendentemente actual.

Também houve espaço para momentos mais íntimos e inesperados. A actriz e cantora Maya Hawke, filha de Ethan Hawke e Uma Thurman, participou num dueto com o músico Christian Lee Hutson, com quem se casou recentemente. O seu avô, o académico budista Robert Thurman, cofundador da Tibet House US, abriu o evento com uma reflexão sobre a importância da felicidade e da compaixão.

O poder das palavras — mesmo 186 anos depois

Ao recuperar um discurso de 1838 para um palco do século XXI, Robert De Niro demonstrou como certas advertências históricas continuam surpreendentemente actuais. Lincoln alertava para os perigos da violência popular e da perda de respeito pelas instituições — um tema que, quase dois séculos depois, continua a provocar debate.

ler também : Bruce Campbell Revela Diagnóstico de Cancro Incurável e Deixa Fãs em Choque

Num evento dedicado à arte e à liberdade cultural, a leitura do actor funcionou como um momento de pausa e reflexão. Afinal, mesmo numa noite repleta de música e espectáculo, foram as palavras escritas há 186 anos que acabaram por ecoar com mais força.

Nem as Nomeações aos Emmys Salvaram a Série: Apple TV+ Cancela “Palm Royale” Após Duas Temporadas

Nem sempre o glamour, um elenco cheio de estrelas e uma mão cheia de nomeações aos prémios mais importantes da televisão são suficientes para garantir vida longa a uma série. Foi exactamente isso que aconteceu com “Palm Royale”, a comédia dramática de época da Apple TV+, que foi oficialmente cancelada após apenas duas temporadas.

ler também : Bruce Campbell Revela Diagnóstico de Cancro Incurável e Deixa Fãs em Choque

A notícia apanhou muitos espectadores de surpresa, especialmente tendo em conta o investimento da plataforma e a recepção relativamente positiva que a série teve junto de críticos e fãs.

Uma história de ambição no coração da alta sociedade

Estreada em Março de 2024, “Palm Royale” transportava os espectadores para o luxuoso e competitivo mundo da alta sociedade de Palm Beach, Florida, no final da década de 1960.

A história seguia Maxine Dellacorte-Simmons, interpretada por Kristen Wiig, uma mulher determinada a entrar no exclusivo círculo social de um prestigiado clube da elite local. Maxine é uma outsider que faz de tudo para subir na hierarquia social — e é precisamente essa mistura de ambição, ingenuidade e obsessão pelo estatuto que alimenta grande parte do humor e do drama da série.

O projecto destacou-se desde o início pelo impressionante elenco. Além de Kristen Wiig, a série contava com nomes bem conhecidos de Hollywood, incluindo Laura DernAllison JanneyCarol BurnettRicky MartinJosh LucasLeslie BibbKaia Gerber e Amber Chardae Robinson.

Reconhecimento crítico… mas audiência incerta

Apesar de não se ter tornado um fenómeno cultural comparável a outras produções da plataforma, “Palm Royale” conseguiu conquistar reconhecimento na indústria televisiva. A primeira temporada recebeu 11 nomeações aos Emmy, incluindo categorias importantes como Melhor Série de Comédia, Melhor Actriz em Série de Comédia para Kristen Wiig e Melhor Actriz Secundária para Carol Burnett.

Ainda assim, o sucesso crítico não garantiu a continuidade.

Curiosamente, alguns críticos consideraram que a segunda temporada — lançada em Novembro de 2025 — superou claramente a primeira. O site The A.V. Club descreveu-a como “mais deliciosa”, argumentando que os argumentistas finalmente abraçaram o lado absurdo e exagerado da série. Já a crítica Cristina Escobar, do RogerEbert.com, escreveu que a nova temporada era “muito, muito melhor” do que a inicial.

Mas nem essas avaliações positivas conseguiram evitar o cancelamento.

Reacções divididas entre os fãs

A decisão da Apple TV+ gerou reacções mistas nas redes sociais. Alguns espectadores consideraram que a série acabou num ponto narrativo satisfatório.

Um utilizador do Reddit destacou que a revelação final da segunda temporada — de que a personagem de Laura Dern era filha ilegítima de Norma, interpretada por Carol Burnett — deu ao episódio final um ar de conclusão definitiva.

Outros, porém, ficaram frustrados com a notícia.

Alguns fãs afirmaram que tinham começado recentemente a ver a série e estavam a descobrir o seu humor excêntrico apenas agora. Outros defenderam que Kristen Wiig merece um projecto de comédia mais forte que explore melhor o seu talento.

Uma adaptação literária que não chegou longe

“Palm Royale” foi criada por Abe Sylvia e inspirada no romance “Mr. & Mrs. American Pie”, de Juliet McDaniel. A série procurava misturar sátira social, drama e humor absurdo, explorando o mundo artificial e competitivo da elite americana no final dos anos 60.

Apesar do potencial do conceito e do prestígio do elenco, a produção nunca conseguiu tornar-se um verdadeiro fenómeno de audiência.

ler também : Flores Perfeitas, Segredos Mortais: “O Mistério de Grosse Pointe” Chega ao TVCine com um Thriller Suburbano Cheio de Ironia

Assim termina a curta vida de “Palm Royale”: duas temporadas, várias nomeações aos Emmys, críticas que melhoraram com o tempo… e a inevitável conclusão de que, no mundo das plataformas de streaming, nem sempre a qualidade ou o prestígio são suficientes para garantir sobrevivência.

Bruce Campbell Revela Diagnóstico de Cancro Incurável e Deixa Fãs em Choque

Bruce Campbell, um dos nomes mais icónicos do cinema de terror das últimas décadas, revelou que foi diagnosticado com uma forma de cancro considerada tratável, mas não curável. A notícia foi anunciada pelo próprio actor numa mensagem dirigida aos fãs, deixando claro que terá de ajustar os seus compromissos profissionais nos próximos meses para se concentrar no tratamento.

Guerra, Ciência e Soldados Impossíveis: “Sentinelas” Chega ao TVCine com uma História que Mistura História e Ficção Científica

A revelação apanhou muitos admiradores de surpresa, sobretudo porque Campbell continua activo no cinema, na televisão e no circuito internacional de convenções dedicadas à cultura pop.

Um anúncio directo aos fãs

Na declaração divulgada na segunda-feira, Campbell explicou que enfrenta um problema de saúde que o obrigará a reduzir a sua agenda.

“Tenho um tipo de cancro que é ‘tratável’, mas não ‘curável’. Peço desculpa se isto é um choque — também foi para mim”, escreveu o actor.

Com 67 anos, Campbell não revelou publicamente qual é o tipo específico de cancro, mas afirmou que decidiu tornar a informação pública para evitar especulação ou rumores que pudessem surgir nas redes sociais.

O actor acrescentou que precisará de fazer uma pausa em várias aparições públicas, incluindo presenças em convenções de fãs e alguns compromissos profissionais ligados à representação.

“Tenho grandes arrependimentos. As necessidades do tratamento e as obrigações profissionais nem sempre andam de mãos dadas”, explicou.

Esperança de regressar ainda este ano

Apesar da gravidade da situação, Bruce Campbell mostrou-se optimista quanto ao futuro. Segundo o actor, espera voltar à vida pública ainda este ano, nomeadamente no outono, quando deverá promover o seu novo filme “Ernie & Emma”, projecto no qual não só actua como também assume funções de argumentista e realizador.

Campbell deixou também uma mensagem clara aos fãs, sublinhando que não pretende gerar pena ou conselhos médicos.

“Não estou à procura de simpatia — nem de conselhos. Só quero antecipar-me a possíveis informações falsas que inevitavelmente irão surgir”, afirmou.

Com o humor que sempre caracterizou a sua personalidade pública, acrescentou ainda:

“Não tenham medo. Sou um velho filho da mãe resistente e tenho um grande apoio à minha volta, por isso conto continuar por aqui durante bastante tempo.”

Uma carreira inseparável do terror

Bruce Campbell tornou-se uma verdadeira lenda do cinema de terror graças ao seu papel como Ash Williams na saga “Evil Dead”, iniciada nos anos 80 pelo realizador Sam Raimi.

O personagem — um herói sarcástico que combate demónios com uma espingarda e uma motosserra no lugar da mão — tornou-se um dos protagonistas mais reconhecíveis da história do género. Campbell regressou ao papel décadas mais tarde na série televisiva “Ash vs. Evil Dead”, consolidando ainda mais o estatuto cult da personagem.

Nos últimos anos, o actor tem continuado ligado ao universo Evil Dead, assumindo funções de produtor executivo em novos projectos da franquia, incluindo sequelas do filme “Evil Dead Rise”, lançado em 2023.

Uma filmografia gigantesca

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Bruce Campbell acumulou mais de 170 participações em filmes e séries, tornando-se uma figura omnipresente na cultura pop.

Entre os seus trabalhos mais conhecidos encontram-se séries como “Burn Notice”“The Adventures of Brisco County Jr.”“Xena: Warrior Princess” e “Fargo”, bem como participações em filmes como “Spider-Man”“Doctor Strange in the Multiverse of Madness”“Bubba Ho-Tep”“Cars 2” e “Oz the Great and Powerful”.

Apoio da comunidade do terror

Após o anúncio, várias figuras da indústria manifestaram apoio ao actor nas redes sociais. Dana DeLorenzo, colega de Campbell em “Ash vs. Evil Dead”, deixou uma mensagem de encorajamento no Instagram, afirmando que o actor tem o apoio total dos fãs e amigos.

Também a actriz Barbara Crampton, outra figura respeitada do cinema de terror, partilhou palavras de carinho e incentivo, elogiando a coragem de Campbell por ter decidido falar abertamente sobre o diagnóstico.

Flores Perfeitas, Segredos Mortais: “O Mistério de Grosse Pointe” Chega ao TVCine com um Thriller

A reacção da comunidade demonstra o impacto duradouro que o actor teve no género. Para milhões de fãs de terror, Bruce Campbell não é apenas um actor — é um símbolo de uma era em que criatividade, humor negro e demónios possuídos por motosserras definiram um dos universos mais cult do cinema.

E, se depender do próprio Campbell, a luta ainda agora começou.

Philip Seymour Hoffman: O Actor Que Escavou a Alma Humana

Recordar um intérprete que transformou fragilidade em grandeza

Philip Seymour Hoffman não representava personagens — desmontava-as, estudava-as, escavava-as até ao osso. Num percurso artístico marcado por uma entrega absoluta à verdade emocional, tornou-se uma espécie de garantia silenciosa do cinema contemporâneo: quando aparecia no ecrã, sabíamos que algo real ia acontecer.

ler também : Shia LaBeouf reage após detenção em Nova Orleães e fala em “complexo de homem pequeno”

Nunca foi um actor de vaidades. Nunca procurou ser “o mais bonito”, “o mais carismático” ou “o mais heroico”. Procurou, isso sim, o conflito interior, a frustração, o desejo não correspondido, a ferida aberta. Disse uma vez que se interessava por personagens que tivessem “uma luta para enfrentar”. E lutou por cada uma delas como se fosse a última.

A Arte de Desaparecer

Em Boogie Nights, como o vulnerável Scotty J., ofereceu-nos um retrato dolorosamente humano do desejo e da rejeição. Em Capote, papel que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor, construiu uma composição minuciosa, fria na superfície e inquietante por dentro, captando as ambiguidades morais do escritor Truman Capote sem recorrer a caricaturas.

Mas a sua grandeza não se esgota aí. Em Almost Famous, como o crítico musical Lester Bangs, transformou um papel secundário numa presença inesquecível. Em The Master, deu vida a Lancaster Dodd com uma intensidade magnética, equilibrando carisma e manipulação numa interpretação de enorme complexidade.

Hoffman tinha uma capacidade rara: desaparecer. Era um camaleão emocional. A sua presença nunca parecia um exercício técnico, mas uma vivência. Não “interpretava” sofrimento — fazia-nos sentir o peso dele.

Vulnerabilidade Como Força

Num mundo cinematográfico frequentemente dominado por espectáculo e superfície, Philip Seymour Hoffman lembrava-nos que a vulnerabilidade é uma forma de coragem. A sua filmografia é um arquivo de fragilidades humanas: solidão, dependência, obsessão, insegurança, ambição desmedida.

Nunca procurou glamourizar as falhas das suas personagens. Pelo contrário, mostrava-as com uma honestidade quase desconfortável. Talvez por isso fosse tão credível — porque não tinha medo de parecer pequeno, falível, imperfeito.

Um Legado Que Permanece

A sua morte prematura, em 2014, deixou uma ausência que ainda hoje se sente. Não apenas pela qualidade do actor que perdemos, mas pela sensibilidade que ele trazia ao ecrã. Hoffman representava um certo tipo de cinema — atento às margens, aos excluídos, aos que não cabem nos arquétipos convencionais.

Recordá-lo é revisitar uma obra marcada por uma busca constante de verdade. É lembrar que a grandeza artística nem sempre se impõe com estrondo; às vezes manifesta-se em silêncio, num olhar hesitante, numa frase dita com peso.

ler também : Quando Richard Pryor Entrou no Universo de “Superman” — Por Amor, Dinheiro e Alguma Desilusão

Philip Seymour Hoffman foi um titã do seu ofício. Não pelo volume da sua presença, mas pela profundidade da sua entrega. E essa profundidade continua a ecoar cada vez que revemos um dos seus filmes.

Shia LaBeouf reage após detenção em Nova Orleães e fala em “complexo de homem pequeno”

Actor admite comportamento “errado”, mas rejeita nova ida para reabilitação

Shia LaBeouf voltou a estar no centro da polémica depois de ter sido detido em Nova Orleães, acusado de agressão e de ter proferido insultos homofóbicos num bar durante as celebrações do Mardi Gras. O actor, conhecido por protagonizar a saga Transformers, abordou o caso numa entrevista publicada no YouTube pelo canal Channel 5, onde assumiu que o seu comportamento foi inadequado, mas afirmou não acreditar que precise de regressar à reabilitação por abuso de substâncias.

ler também : Quando Richard Pryor Entrou no Universo de “Superman” — Por Amor, Dinheiro e Alguma Desilusão

A detenção ocorreu na madrugada de 17 de Fevereiro, no R Bar, no bairro de Marigny. Segundo relatos policiais, LaBeouf terá sido convidado a abandonar o estabelecimento por volta das 00h45 e, alegadamente, agredido dois homens com murros e um terceiro com uma cabeçada, ao mesmo tempo que lhes dirigia insultos anti-gay. Dois dos alegados ofendidos identificam-se como membros da comunidade LGBTQ+, tendo afirmado que o actor utilizou termos ofensivos contra eles.

Inicialmente libertado sob compromisso de honra, LaBeouf voltou a enfrentar nova ordem de detenção dias depois, relacionada com a alegada agressão ao terceiro homem. Em audiências preliminares, um juiz determinou uma fiança total superior a 100 mil dólares, além de testes obrigatórios a drogas e álcool e a inscrição em tratamento para dependência.

“Tenho de lidar com o meu ego e a minha raiva”

Na entrevista ao Channel 5, conduzida por Andrew Callaghan, o actor de 39 anos reconheceu que precisa de resolver o que descreveu como um “complexo de homem pequeno”, que associa a problemas de ego e raiva. “O meu comportamento foi errado. Tenho de lidar com isso”, afirmou, acrescentando que não acredita que uma nova passagem por um programa de reabilitação seja a resposta.

LaBeouf sugeriu que o incidente terá começado após se sentir desconfortável com o contacto físico de outras pessoas. Ainda assim, declarou: “Estou errado por tocar em alguém, ponto final.” Em determinado momento, admitiu também que “pessoas gays grandes” o intimidam, comentário que gerou forte reacção nas redes sociais.

O actor mencionou igualmente a sua fé católica, sublinhando que aceitará as consequências legais do caso. “Viverei com o que acontecer”, afirmou.

Histórico de conflitos legais

Este episódio junta-se a outros confrontos com a justiça ao longo da carreira de LaBeouf. Em 2014, foi detido em Nova Iorque por alegadamente perturbar um espectáculo na Broadway, tendo sido acusado de insultar um agente policial com termos homofóbicos. Em 2017, uma nova detenção na Geórgia levou-o a cumprir tratamento obrigatório por abuso de álcool.

A advogada de defesa de LaBeouf, Sarah Chervinsky, sustentou que o actor está a ser tratado de forma excessivamente severa devido à sua notoriedade pública, defendendo que não deve ser alvo de tratamento preferencial nem mais duro do que qualquer outro cidadão.

ler também : Quando as Câmaras Rodam… Mas os Actores Não Se Podem Ver

O caso continua a decorrer nos tribunais de Nova Orleães, podendo ainda resultar na aplicação de agravantes ao abrigo da legislação estadual sobre crimes motivados por preconceito.

“God of War”: Prime Video Revela Primeira Imagem da Série Inspirada no Jogo da PlayStation

Ryan Hurst e Callum Vinson lideram a adaptação live-action como Kratos e Atreus

A produção da série God of War já está oficialmente em curso. A Sony Pictures Television e a Amazon MGM Studios anunciaram o arranque das filmagens da aguardada adaptação para o Prime Video, revelando também a primeira imagem de Ryan Hurst e Callum Vinson caracterizados como Kratos e Atreus.

ler também : De “Tubarão” a “Guerra das Estrelas”: Hollywood Vai a Leilão com Peças Avaliadas em 9 Milhões

A série live-action adapta o popular videojogo da PlayStation, ambientado na mitologia antiga, e acompanha a jornada emocional e física de pai e filho. Kratos, um guerreiro marcado pelo passado, parte com Atreus numa missão profundamente simbólica: espalhar as cinzas de Faye, esposa de Kratos e mãe de Atreus, no topo da montanha mais alta dos reinos nórdicos.

Uma Jornada Entre Deuses e Humanidade

A narrativa centra-se na relação entre Kratos e Atreus, explorando o contraste entre força e vulnerabilidade. Ao longo da viagem, Kratos tenta ensinar o filho a tornar-se um deus mais justo e consciente, enquanto Atreus desafia o pai a recuperar a sua humanidade.

A adaptação promete manter o equilíbrio entre acção épica e desenvolvimento emocional que marcou o jogo lançado pela PlayStation, considerado um dos títulos mais influentes da última década.

Elenco e Equipa Criativa

O elenco inclui Ryan Hurst como Kratos e Callum Vinson como Atreus, acompanhados por Mandy Patinkin no papel de Odin, Ed Skrein como Baldur, Max Parker como Heimdall, Ólafur Darri Ólafsson como Thor, Teresa Palmer como Sif, Alastair Duncan como Mimir, Jeff Gulka como Sindri e Danny Woodburn como Brok.

A série tem como showrunner, produtor executivo e argumentista Ronald D. Moore, conhecido pelo seu trabalho em Battlestar Galactica e Outlander. A realização dos dois primeiros episódios estará a cargo de Frederick E.O. Toye, vencedor de um Emmy, que já trabalhou em séries como ShōgunThe Boys e Fallout.

Estreia Ainda por Confirmar

Para já, não foram divulgados detalhes sobre o número de episódios nem sobre a data de estreia no Prime Video. No entanto, o anúncio do início das filmagens indica que a produção avança dentro do calendário previsto.

ler também : Aposta Total da Marvel? Executivos da Disney Já Viram “Vingadores: Doutor Destino” — E Há Sinais Positivos

Com uma base de fãs sólida e uma narrativa que conjuga mitologia, drama familiar e combate visceral, God of Warposiciona-se como uma das adaptações televisivas mais ambiciosas do universo dos videojogos.

De “Tubarão” a “Guerra das Estrelas”: Hollywood Vai a Leilão com Peças Avaliadas em 9 Milhões

Arpões, sabres de luz e a cabeça original de C-3PO estão entre os objectos mais cobiçados

Alguns dos objectos mais icónicos da história do cinema vão mudar de mãos em Março, num leilão que promete atrair coleccionadores de todo o mundo. Um arpão de Tubarão, um blusão de Exterminador Implacável, um sabre de luz e a cabeça de C-3PO de Guerra das Estrelas fazem parte das 1550 peças históricas que serão leiloadas em Los Angeles.

ler também: Aposta Total da Marvel? Executivos da Disney Já Viram “Vingadores: Doutor Destino” — E Há Sinais Positivos

O evento, organizado pela Propstore, decorre ao longo de três dias a partir de 25 de Março, com licitações presenciais no primeiro dia no Petersen Automotive Museum. Antes disso, uma selecção dos artigos estará exposta a 11 de Março no Hotel Maybourne, em Beverly Hills.

O valor estimado total dos lotes ronda os 9 milhões de dólares, sublinhando a dimensão do mercado de memorabilia cinematográfica.

C-3PO e o Peso da História

Entre os itens mais valiosos encontra-se a cabeça de fibra de vidro de C-3PO utilizada por Anthony Daniels em O Império Contra-Ataca (1980). Avaliada entre 350 mil e 700 mil dólares, esta peça apresenta características únicas, incluindo uma antena na testa e olhos luminosos.

Segundo Ibrahim Faraj, executivo da Propstore, trata-se de um objecto raro no mercado. A importância histórica do adereço, associado a uma das sagas mais influentes do cinema, deverá garantir forte competição entre licitantes.

Também ligado ao universo de Guerra das Estrelas, estará em leilão o cabo do sabre de luz utilizado por Luke Skywalker e Rey em O Despertar da Força. O valor estimado pode atingir os 100 mil dólares, sendo descrito como um dos objectos mais relevantes da franquia.

O Arpão de “Tubarão” e o Casaco do Exterminador

Os fãs do cinema de Steven Spielberg terão oportunidade de disputar a arma de arpão utilizada por Quint e Matt Hooper em Tubarão (1975). O conjunto inclui ainda a cana e o carreto de pesca Fenwick usados nas primeiras cenas do confronto com o tubarão. A estimativa aponta para valores até 500 mil dólares, sendo considerados os objectos mais significativos alguma vez leiloados do filme.

Já no universo da ficção científica dos anos 80, estará disponível o blusão usado por Arnold Schwarzenegger em Exterminador Implacável (1984). Com gola de couro, correntes metálicas e marcas de batalha — manchas de sangue falsas, rasgões, perfurações simuladas — a peça está avaliada entre 75 mil e 150 mil dólares.

Um Mercado em Crescimento

O leilão inclui ainda artigos como o Mapa do Maroto dos filmes de Harry Potter, reforçando a diversidade de franquias representadas. O interesse por memorabilia cinematográfica tem vindo a crescer, alimentado pela combinação de nostalgia, investimento e culto cultural.

ler também : Uma Estrela de Hollywood em Alvalade — e Ninguém Ficou Indiferente

Mais do que simples objectos, estas peças representam momentos específicos da história do cinema. E em Março, algumas delas poderão ganhar um novo proprietário — por valores que confirmam que a magia de Hollywood continua a ter um preço elevado.

Aposta Total da Marvel? Executivos da Disney Já Viram “Vingadores: Doutor Destino” — E Há Sinais Positivos

Internamente o entusiasmo é evidente, mas o futuro do MCU não depende apenas deste filme

A expectativa em torno de Vingadores: Doutor Destino acaba de ganhar novo fôlego. Segundo um relatório publicado pela Variety, executivos da Disney já tiveram acesso a imagens do filme agendado para Dezembro — e a reacção interna terá sido claramente positiva.

ler também : Demorou 12 Anos a Nascer — e Apenas 15 Dias a Ser Filmado: “Blue Moon” Chega Finalmente às Salas Portuguesas

Num momento em que o Universo Cinematográfico da Marvel atravessa uma fase de ajustamento estratégico, a antecipação de exibições para a cúpula do estúdio revela a importância atribuída ao projecto. O filme é encarado como peça central na recta final da chamada Saga do Multiverso, arco narrativo que tem vindo a interligar múltiplas realidades e equipas sob uma nova ameaça de escala global.

De acordo com a publicação, os executivos estão satisfeitos com o que viram até agora. Paralelamente, líderes de estúdios concorrentes acreditam que Doutor Destino poderá tornar-se o maior êxito de bilheteira do ano.

Um Momento Decisivo para o MCU

Embora alguns analistas defendam que o futuro da franquia poderá depender do desempenho deste filme, fontes internas da divisão cinematográfica da Disney sublinham que a saúde do MCU não está condicionada a um único lançamento. O estúdio tem vindo a reorganizar o calendário e a reduzir o volume de projectos, procurando reforçar a coesão narrativa e a qualidade das produções.

A comparação com a Saga do Infinito é inevitável. Se essa etapa culminou num confronto progressivo com Thanos, o actual arco sofreu alterações estruturais, incluindo a redefinição do antagonista central. Nesse contexto, Vingadores: Doutor Destino surge como momento de convergência e possível reequilíbrio da narrativa.

O regresso de Joe e Anthony Russo à realização reforça o simbolismo da aposta. A dupla esteve associada a alguns dos maiores sucessos comerciais da Marvel e enfrenta agora o desafio de integrar múltiplas personagens e linhas temporais numa trama coesa.

Estratégia de Lançamento e Expectativas de Mercado

A Disney e a Marvel têm vindo a intensificar as acções promocionais, incluindo a divulgação antecipada de materiais para alimentar o envolvimento do público. O calendário competitivo de Dezembro exige uma campanha sólida e coordenada, sobretudo quando se trata de um filme com dimensão coral e forte carga simbólica dentro da marca.

Nos bastidores da indústria, o título já surge com destaque em análises de mercado que monitorizam tendências de bilheteira e impacto cultural. A percepção generalizada é a de que o filme poderá marcar uma nova etapa para o estúdio — seja como consolidação da Saga do Multiverso, seja como ponto de transição para o que se segue.

O Que Vem Depois

Independentemente do desempenho de Doutor Destino, o planeamento da Marvel Studios estende-se além deste capítulo. Entre os projectos em desenvolvimento encontram-se um reboot de X-MenPantera Negra 3 e Vingadores: Guerras Secretas, descrito como um possível “soft reset” dentro da cronologia do universo partilhado.

A mensagem interna parece clara: continuidade estratégica, mas com maior foco narrativo. Menos dispersão, mais integração.

ler também : Uma Estrela de Hollywood em Alvalade — e Ninguém Ficou Indiferente

Com estreia marcada para Dezembro, Vingadores: Doutor Destino consolida-se como um dos eventos cinematográficos mais aguardados do ano — e como um teste relevante para a capacidade da Marvel em reinventar o seu próprio modelo de sucesso.

Uma Estrela de Hollywood em Alvalade — e Ninguém Ficou Indiferente

Sydney Sweeney assistiu ao Sporting-Estoril num camarote e tornou-se o inesperado centro das atenções

O jogo entre Sporting e Estoril, relativo à 24.ª jornada da I Liga, teve um protagonista inesperado fora das quatro linhas. As câmaras de televisão captaram a presença de Sydney Sweeney num dos camarotes do Estádio de Alvalade, imagem que rapidamente começou a circular nas redes sociais e a gerar reacções entre adeptos e curiosos.

A actriz norte-americana, de 28 anos, assistiu à partida acompanhada pelos também actores Leo Woodall e Matthew Goode. A presença do trio surpreendeu muitos dos presentes no estádio e acabou por se tornar um dos momentos mais comentados da noite, desviando por instantes o foco da competição desportiva para o camarote onde se encontravam.

ler também : Três Dias, 24 Óscares e Uma Maratona de Cinema: O TVCine Prepara a Passadeira Vermelha

De fenómeno televisivo a nome forte de Hollywood

Sydney Sweeney consolidou nos últimos anos um estatuto de grande visibilidade internacional. Ganhou projecção junto do público global com participações em séries de enorme impacto mediático como “Euphoria” e “The White Lotus”, afirmando-se como uma das figuras mais reconhecíveis da nova geração de actores norte-americanos.

A sua carreira tem vindo a expandir-se também no cinema, com projectos que reforçam a sua presença no grande ecrã e consolidam o seu nome junto de audiências mais vastas. Essa exposição ajuda a explicar o impacto imediato da sua aparição em Lisboa, sobretudo num contexto inesperado como um jogo da I Liga portuguesa.

Lisboa no radar internacional

A razão concreta da presença da actriz na capital portuguesa não foi oficialmente divulgada. No entanto, a visita surge num momento em que Portugal tem sido cada vez mais escolhido como destino para filmagens, eventos promocionais e estadias de figuras ligadas à indústria do entretenimento.

Lisboa, em particular, tem ganho visibilidade internacional, não apenas pelo turismo, mas também como cenário atractivo para produções estrangeiras. A presença de nomes conhecidos em eventos públicos acaba por reforçar essa percepção.

Dentro de campo, o Sporting procurava pontos importantes na luta pelo campeonato. Fora dele, porém, a noite ficou marcada por um cruzamento pouco habitual entre futebol e cultura pop. A presença de figuras internacionais em estádios portugueses não é inédita, mas continua a gerar impacto — sobretudo quando se trata de nomes associados a produções de alcance global.

Fica a curiosidade sobre se se tratou de uma visita casual ou se haverá algum contexto profissional associado à passagem por Lisboa. Para já, o certo é que Alvalade viveu um momento que uniu, ainda que por instantes, o universo do desporto ao de Hollywood.

ler também : A Noite Mais Esperada do Cinema Está de Volta — E Vai Poder Vê-la em Direto

Cansado da Big Tech? Há Alternativas — E o Cinema Europeu Pode Ganhar com Isso

Da Google à Amazon, passando pela Apple e Meta: porque é que a dependência tecnológica também afecta o futuro do audiovisual

Falamos muitas vezes de streaming, de bilheteiras e de Hollywood. Mas raramente paramos para pensar numa questão estrutural: quem controla a infraestrutura digital onde o cinema hoje vive? Motores de busca, sistemas operativos, cloud, redes sociais, lojas de aplicações, inteligência artificial — um punhado de gigantes norte-americanos domina quase tudo. E essa concentração de poder não é apenas um tema tecnológico. É também cultural.

ler também : A Verdade Por Trás de “Indiana Jones e o Marcador do Destino”: Porque Spielberg Saiu e Mangold Mudou Tudo

Google, Apple, Amazon, Meta e Microsoft tornaram-se intermediários quase obrigatórios na distribuição, promoção e monetização de conteúdos audiovisuais. Controlam os algoritmos que decidem o que vemos, as plataformas onde os trailers circulam, os sistemas de pagamento, os dados dos utilizadores e até as ferramentas de produção baseadas em inteligência artificial. A indústria do cinema depende delas mais do que gosta de admitir.

Nos últimos anos, críticas à chamada “enshittificação” — termo popularizado pelo escritor Cory Doctorow para descrever a degradação progressiva de plataformas digitais em favor da rentabilização agressiva — tornaram-se comuns. Motores de busca menos fiáveis, redes sociais saturadas de conteúdos patrocinados, algoritmos opacos que privilegiam retenção em vez de qualidade. Tudo isto tem impacto directo na forma como o cinema é descoberto e consumido.

A Europa Procura Autonomia — E o Cinema Pode Beneficiar

Na Europa, cresce a consciência de que depender quase exclusivamente de infraestruturas digitais norte-americanas é um risco estratégico. Não apenas económico, mas também cultural. Quando plataformas e serviços estão sujeitos a decisões políticas externas ou a interesses corporativos globais, a soberania tecnológica passa a ser um tema inevitável.

Há alternativas. No campo dos motores de busca, surgem soluções europeias focadas em privacidade e sustentabilidade. No email e cloud, serviços sediados na Suíça, Alemanha ou França apostam em encriptação e menor exploração de dados. Em software de produtividade, soluções open source como LibreOffice estão a ganhar terreno em administrações públicas. E no domínio da inteligência artificial, empresas como a francesa Mistral apresentam-se como resposta europeia ao domínio da OpenAI ou da Google.

Isto pode parecer distante do cinema, mas não é. A IA já está a entrar nos processos de escrita, pós-produção e marketing. A cloud é essencial para armazenamento e distribuição. As redes sociais são decisivas para a promoção de filmes. E os sistemas operativos móveis controlam as lojas de apps onde plataformas de streaming operam — cobrando comissões significativas.

Quanto mais diversificado for o ecossistema tecnológico, maior será a margem de manobra para produtores independentes, festivais e distribuidores europeus.

E o Público? Também Tem Poder

Há uma dimensão individual nesta discussão. Escolher motores de busca mais éticos, navegadores focados em privacidade ou lojas alternativas não é apenas uma decisão ideológica — é também uma forma de reduzir a concentração de dados nas mesmas empresas que dominam o entretenimento global.

No universo do streaming, por exemplo, a dependência de lojas de aplicações controladas por Apple e Google significa que parte significativa das receitas de plataformas passa por esses intermediários. A discussão sobre taxas, comissões e regulação tem impacto directo nos modelos de negócio das plataformas de cinema e séries.

Nada disto implica abandonar tecnologia ou regressar a uma era pré-digital. Significa, antes, reconhecer que o cinema contemporâneo não vive isolado das grandes infraestruturas tecnológicas. A batalha pela diversidade cultural passa também pela diversidade digital.

Num momento em que a inteligência artificial, os algoritmos e as plataformas moldam o que vemos e como vemos, a questão já não é apenas “que filmes estão a ser feitos?”. É também “quem controla as ferramentas que determinam quais chegam até nós?”.

ler também : Crispin Glover Processado por Ex-Companheira: Actor Nega “Alegações Sem Fundamento”

E essa é uma discussão que o mundo do cinema não pode ignorar.

Crispin Glover Processado por Ex-Companheira: Actor Nega “Alegações Sem Fundamento”

Estrela de “Back to the Future” enfrenta acusações de agressão, fraude e danos emocionais

Crispin Glover, conhecido do grande público pelo papel de George McFly em Back to the Future, foi processado por uma ex-namorada, que o acusa de agressão, fraude, despejo ilegal e de causar sofrimento emocional intencional.

De acordo com a queixa judicial divulgada pela imprensa norte-americana, a mulher — identificada como “Jane Doe” — alega ter sido alvo de uma série de comportamentos abusivos por parte do actor, incluindo agressão física e controlo coercivo. O processo inclui ainda alegadas violações da legislação de direitos civis do estado da Califórnia.

ler também : Ghostface Está de Volta — E Desta Vez a Ameaça é Pessoal

A representação legal de Glover rejeitou categoricamente as acusações, classificando-as como “alegações sem fundamento”.

As Alegações

Segundo a queixa, Jane Doe, descrita como modelo britânica, afirma ter conhecido Glover através das redes sociais em 2015. Alega que o actor a terá incentivado a mudar-se para Los Angeles, prometendo apoio profissional e oportunidades na indústria do entretenimento.

A mulher afirma que, em 2024, aceitou mudar-se do Reino Unido para trabalhar como assistente de Glover em Los Angeles, sob promessa de habitação e emprego. Contudo, sustenta que, após a mudança, se encontrou numa situação que descreve como perturbadora, alegando que o actor pretendia controlar os seus movimentos e dependência financeira.

No processo, Jane Doe afirma ainda que foi despejada sem aviso prévio da residência de Glover e que, quando tentou regressar para recolher os seus pertences e os seus gatos, terá sido agredida. Entre as alegações, consta que o actor a terá agarrado pelo pescoço, deixando marcas físicas.

A queixosa acusa também Glover de ter apresentado um relatório policial falso, descrevendo-a como intrusa ilegal na propriedade, e de ter solicitado uma ordem de restrição que, segundo ela, terá prejudicado a sua reputação profissional.

A Resposta de Crispin Glover

Através do seu representante, Glover apresentou uma versão distinta dos acontecimentos. Segundo a declaração enviada ao TMZ, o actor afirma que, a 2 de Março de 2024, foi ele a vítima de uma agressão grave não provocada na sua residência em Los Angeles.

De acordo com essa versão, a polícia de Los Angeles (LAPD) terá sido chamada ao local, conduzido uma investigação e procedido à detenção de Jane Doe. A equipa de Glover sustenta que os registos policiais e a ordem de restrição requerida pelo actor documentam esses factos.

A representação legal acrescentou que Glover tenciona defender-se vigorosamente em tribunal e está confiante de que o processo judicial demonstrará que as acusações são infundadas.

Processo Segue para Tribunal

Jane Doe solicita julgamento por júri para determinar eventuais indemnizações por danos materiais e morais, bem como custas judiciais e honorários legais.

Até ao momento, não foram tornadas públicas decisões judiciais sobre o caso. O processo deverá seguir os trâmites normais no sistema judicial da Califórnia.

ler também : Uma Assassina em Fuga e um Elenco de Luxo: “Ava” Passa Hoje no Cinemundo

Crispin Glover, actualmente com 61 anos, construiu uma carreira que inclui cinema independente, papéis excêntricos e projectos autorais, mantendo ao longo das décadas uma imagem singular em Hollywood. O desfecho deste caso dependerá agora da apreciação do tribunal.

Facadas nos Bastidores: A Queda e o Regresso de “Scream 7” ao Topo


Demissões polémicas, reescrita milionária e um cachet de 7 milhões para Neve Campbell marcam o novo capítulo

Quando Ghostface regressar aos cinemas, tudo indica que o fará em grande estilo. Scream 7 está a ser apontado para uma estreia entre 45 e 50 milhões de dólares na América do Norte — números que poderão representar a melhor abertura da longa saga de terror iniciada em 1996.

Mas o caminho até aqui esteve longe de ser tranquilo. Entre despedimentos polémicos, saídas de peso no elenco e uma reescrita significativa do argumento, o sétimo capítulo da franquia passou por uma verdadeira montanha-russa nos bastidores.

ler também : Uma América Sob o Domínio Nazi? A Série Distópica Que Vai Chegar à Netflix

Uma Demissão Que Abalou a Produção

No final de 2023, Melissa Barrera, protagonista do reboot de 2022 e de Scream VI, foi afastada do projecto pela Spyglass devido a publicações nas redes sociais consideradas anti-semitas pela produtora. A decisão gerou reacções intensas entre fãs e dividiu opiniões online.

Pouco depois, Jenna Ortega anunciou que não regressaria para o novo filme, alegando conflitos de agenda com a série Wednesday. A saída das duas actrizes — que tinham assumido o protagonismo nos capítulos mais recentes — deixou o projecto num impasse criativo.

Como se não bastasse, o realizador inicialmente associado ao filme, Christopher Landon, abandonou a produção após receber ameaças online relacionadas com a polémica.

Recomeçar do Zero (Quase)

Perante o cenário turbulento, os produtores recorreram a um veterano da casa: Kevin Williamson, argumentista do filme original, assumiu a realização. Em conjunto com Guy Busick, trabalhou numa reconfiguração substancial do guião, processo que terá custado cerca de 500 mil dólares.

A mudança foi necessária porque as personagens de Barrera e Ortega eram centrais na narrativa anterior, sobretudo após a ausência de Neve Campbell em “Scream VI”, motivada por divergências salariais.

O Regresso de Sidney Prescott — e um Cachet de Peso

Sem Ortega no elenco, a Paramount e a Spyglass sabiam que precisavam de um trunfo forte para manter o interesse do público. Esse trunfo chama-se Sidney Prescott.

Neve Campbell regressa à saga com um acordo que ronda os 7 milhões de dólares — um valor significativo para o género de terror. Já Courteney Cox, presença constante desde o original de Scream, terá assegurado cerca de 2 milhões.

A aposta na nostalgia é clara. Tal como Jamie Lee Curtis se tornou sinónimo de “Halloween”, Campbell continua a ser vista como o coração da saga “Scream”.

Orçamento em Alta, Expectativas Também

O orçamento de “Scream 7” terá subido para 45 milhões de dólares, acima dos 35 milhões do capítulo anterior, em parte devido a atrasos e ao aumento geral dos custos de produção. Ainda assim, o desempenho robusto de “Scream VI” — que arrecadou 161 milhões globalmente — reforçou a confiança do estúdio.

Apesar das polémicas, analistas acreditam que a curiosidade em torno das mudanças e o regresso de personagens clássicas estão a alimentar o interesse do público. O pêndulo, que parecia inclinar-se para a incerteza, começa agora a oscilar a favor da expectativa.

E, ao que tudo indica, Ghostface poderá não ficar por aqui. Fontes próximas da produção sugerem que planos para um oitavo filme já estarão em cima da mesa.

ler também : “Não Fazia Ideia Quem Ela Era”: Actor de 83 Anos Surpreende em Vídeo de Taylor Swift

Para já, os sobreviventes que se preparem. A máscara branca e a lâmina afiada continuam prontas para mais um reinado de terror.

“Não Fazia Ideia Quem Ela Era”: Actor de 83 Anos Surpreende em Vídeo de Taylor Swift

Barrie Reynolds participa em “Opalite” mas só descobriu a dimensão da estrela depois

Um dos rostos inesperados no mais recente videoclipe de Taylor Swift revelou que, até ao dia das filmagens, não fazia ideia de quem era a cantora. Barrie Reynolds, de 83 anos, natural de Capel-le-Ferne, em Kent, participa no vídeo de “Opalite”, o segundo single do álbum The Life Of A Showgirl, mas garante que só percebeu a dimensão da artista depois de ler sobre a sua digressão no jornal.

ler também : “Um Aspirante a Rei Tresloucado”: Late Night Arrasa Discurso de Trump

“Receio não fazer ideia de quem ela era”, contou à BBC Radio Kent, recordando a reacção incrédula das netas, Millie e Francesca, quando souberam que o avô iria aparecer num vídeo de uma das maiores estrelas do planeta

De Kent para um Set em Londres

Reynolds actua regularmente com o grupo St Nicholas Players, em Ringwold, mas foi através de uma agência de representação que surgiu o convite para o projecto. Recebeu instruções para estar no norte de Londres às 07h00 — e como não havia comboios disponíveis, a produção enviou-lhe um táxi.

No final das filmagens, conseguiu tirar uma fotografia com a cantora. E não resistiu a uma brincadeira: chamou-lhe “Niftie Swiftie”, numa alusão bem-humorada à agilidade da artista enquanto dançava.

Um Vídeo Surreal com Toque Oitocentista

“Opalite” apresenta uma estética surreal inspirada nos anos 80. A narrativa acompanha uma mulher solitária que utiliza um spray mágico para transformar a sua vida e encontrar romance — papel interpretado por Domhnall Gleeson. A história culmina numa competição de dança, onde Reynolds surge como um dos jurados.

Apesar de ter atribuído à cantora uma pontuação de zero na competição fictícia, Reynolds descreveu a música como “muito cativante” e elogiou Swift pela simpatia e disponibilidade para conversar com todos os envolvidos. Ainda assim, notou que “a segurança era muito apertada”.

O vídeo reúne também Lewis Capaldi e o apresentador Graham Norton, que participaram com Swift no programa The Graham Norton Show em Outubro. Inclui ainda uma breve narração de Cillian Murphy.

Um Sucesso Confirmado

“Opalite” é o segundo single do 12.º álbum de Taylor Swift, The Life Of A Showgirl, que foi o disco mais vendido no Reino Unido no último ano. Parte das filmagens decorreu no Whitgift Centre, em Croydon.

ler também : Mudança Radical no Universo “Tulsa King”: Série com Samuel L. Jackson Ganha Novo Nome e Novo Estado

Para Barrie Reynolds, a experiência foi sobretudo uma aventura inesperada — e uma história que certamente ficará para contar nas próximas reuniões familiares.

Martin Short de Luto: Filha do Actor Morre aos 42 Anos

Katherine Short era assistente social e a mais velha dos três filhos adoptados

Martin Short confirmou a morte da filha, Katherine Hartley Short, aos 42 anos. A informação foi divulgada através de um comunicado enviado à BBC News pelo representante do actor, no qual a família pede respeito pela sua privacidade neste momento.

ler também : Mudança Radical no Universo “Tulsa King”: Série com Samuel L. Jackson Ganha Novo Nome e Novo Estado

“É com profunda tristeza que confirmamos o falecimento de Katherine Hartley Short. A família Short está devastada com esta perda e pede privacidade neste momento”, refere a nota oficial.

Segundo a imprensa norte-americana, Katherine trabalhava como assistente social e era a mais velha dos três filhos adoptados por Martin Short e pela actriz e cantora Nancy Dolman, que morreu em 2010, vítima de cancro do ovário.

Fontes policiais citadas pelo Los Angeles Times e pelo TMZ indicam que a morte terá sido um aparente suicídio. A família não prestou mais declarações públicas sobre as circunstâncias.

Espectáculos Adiados

Na sequência da morte da filha, Martin Short adiou vários espectáculos que tinha agendados com o seu parceiro artístico de longa data, Steve Martin. O espectáculo previsto para 27 de Fevereiro, em Milwaukee, foi adiado por “circunstâncias imprevistas”, segundo comunicado da sala que iria receber o evento. Uma actuação marcada para Minneapolis, no dia seguinte, também foi adiada.

O actor encontra-se actualmente nomeado para Melhor Actor numa Série de Comédia nos Actor Awards deste fim-de-semana, pela sua interpretação de Oliver Putnam na série Only Murders in the Building.

Uma Carreira de Décadas

Com uma carreira consolidada no cinema e na televisão, Martin Short tornou-se conhecido do grande público por participações em filmes como The Three AmigosFather of the Bride e Innerspace. Nos últimos anos, voltou a ganhar destaque com o sucesso da série Only Murders in the Building, onde contracena com Steve Martin e Selena Gomez.

ler também : Um Trio de Ouro com Reforço Britânico: Jared Harris Junta-se a DiCaprio e Jennifer Lawrence no Novo Filme de Scorsese

A família solicitou respeito pela sua privacidade neste momento.


Se estiver em Portugal e precisar de apoio emocional, pode contactar o SNS 24 através do número 808 24 24 24. No Brasil, está disponível o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, com atendimento gratuito e confidencial.

Um Novo Pistoleiro no Oeste: Matt Dillon Vai Liderar a Série “The Magnificent Seven”

MGM+ aposta numa reinvenção televisiva do clássico western com produção de peso

O Oeste volta a chamar — e desta vez em formato de série. Matt Dillon foi confirmado como protagonista e produtor executivo da nova adaptação televisiva de The Magnificent Seven, uma reinterpretação do clássico western de 1960. O projecto será desenvolvido para o canal e serviço de streaming MGM+ e contará com oito episódios.

ler também : Hollywood Despede-se de Robert Carradine: Uma Vida Entre Rebeldes, Nerds e Família

A série nasce da mente de Tim Kring, criador de Heroes, que assume a escrita e produção executiva. A produção deverá arrancar em Junho de 2026, em Calgary, no Canadá.

Chris Adams Regressa — Com Novo Rosto

Matt Dillon dará vida a Chris Adams, o líder de sete pistoleiros contratados para proteger uma aldeia indefesa de um poderoso barão da terra determinado a expulsar os seus habitantes. A personagem foi imortalizada por Yul Brynner no filme original de 1960 e teve uma espécie de sucessor espiritual interpretado por Denzel Washington na versão realizada por Antoine Fuqua em 2016.

Nesta nova abordagem, Chris Adams é descrito como estóico, firme sob pressão e guiado por um código moral silencioso mas inabalável. Não tolera hipocrisia nem crueldade, e é esse sentido de justiça que o leva a aceitar uma missão moralmente complexa.

Violência, Fé e Moralidade no Centro da Narrativa

Ambientada no turbulento Oeste americano da década de 1880, a série acompanha sete mercenários talentosos mas imperfeitos, contratados para defender uma aldeia quaker devastada por homens ao serviço de um impiedoso latifundiário. À medida que se preparam para enfrentar probabilidades esmagadoras, surge uma questão central: será legítimo recorrer à violência para proteger uma comunidade cuja fé se baseia na não-violência?

A série promete aprofundar o passado de cada um dos sete protagonistas, explorando temas como honra, redenção, sacrifício, moralidade e fé. Trata-se de um western que ambiciona ir além do confronto armado, mergulhando nos dilemas éticos que moldam as decisões das personagens.

Um Elenco e uma Estratégia com Ambição Cinematográfica

A aposta faz parte da estratégia da MGM+ de desenvolver séries com ADN cinematográfico — tanto no visual como na ambição narrativa. Michael Wright, responsável global da plataforma, elogiou a escolha de Dillon, destacando a sua capacidade de interpretar personagens complexas e moralmente ambíguas.

Matt Dillon, nomeado ao Óscar por Crash, tem construído uma carreira sólida e versátil. Recentemente participou na série High Desert e prepara-se para integrar o elenco de I Play Rocky, produção da Amazon MGM Studios realizada por Peter Farrelly. Ao longo das décadas, destacou-se em títulos como The Outsiders, Drugstore Cowboy, There’s Something About Mary e Asteroid City.

Um Clássico com Nova Vida

“The Magnificent Seven” é um dos westerns mais emblemáticos da história do cinema, ele próprio inspirado em Seven Samurai, de Akira Kurosawa. A nova versão televisiva terá o desafio de honrar esse legado enquanto encontra uma voz própria.

Num momento em que o género western conhece um renascimento em televisão, esta aposta da MGM+ (em Portugal deve ser a Prime Video ) pode marcar um ponto de viragem — especialmente se conseguir equilibrar espectáculo, densidade dramática e relevância contemporânea.

ler também . Pressão Política em Hollywood: Procuradores Republicanos Querem Travar Negócio Bilionário da Netflix

O Oeste regressa. E desta vez, promete discutir não apenas quem dispara mais rápido, mas quem carrega o peso moral do gatilho.

Hollywood Despede-se de Robert Carradine: Uma Vida Entre Rebeldes, Nerds e Família

Actor de “The Long Riders”, “Revenge of the Nerds” e “Lizzie McGuire” morreu aos 71 anos

Robert Carradine morreu aos 71 anos. O actor, conhecido por papéis marcantes em várias décadas de cinema e televisão, pôs termo à própria vida na passada segunda-feira, segundo confirmou a família. A notícia abalou Hollywood e reacendeu a conversa sobre saúde mental no meio artístico.

ler também : Pressão Política em Hollywood: Procuradores Republicanos Querem Travar Negócio Bilionário da Netflix

Membro de uma das famílias mais emblemáticas do cinema norte-americano, Carradine era descrito pelo irmão mais velho, Keith Carradine, como “a base” da família. No entanto, enfrentou durante quase duas décadas uma batalha contra a perturbação bipolar — luta que, segundo os familiares, acabou por se revelar devastadora.

Uma declaração com propósito

Num comunicado enviado à imprensa, a família sublinhou a importância de falar abertamente sobre a doença mental. Destacaram a “valente luta” de Carradine contra a perturbação bipolar e expressaram a esperança de que o seu percurso ajude a combater o estigma associado à saúde mental.

Keith Carradine afirmou que não há vergonha na doença, classificando-a como “uma enfermidade que levou a melhor”. Preferiu celebrar o talento, o humor e a generosidade do irmão mais novo, lembrando-o como alguém sábio, tolerante e incapaz de guardar ressentimentos.

A família pediu privacidade neste momento de luto.

De John Wayne a Scorsese: O Início de Uma Carreira Promissora

Nascido a 24 de Março de 1954, Robert era o filho mais novo do lendário John Carradine e irmão de David Carradine e Keith Carradine. Estreou-se no grande ecrã em The Cowboys, ao lado de John Wayne — uma audição incentivada pelo irmão David.

Seguiram-se participações em Mean Streets, de Martin Scorsese, e em Coming Home, de Hal Ashby, ao lado de Jane Fonda e Jon Voight. A intensidade da sua prestação levou alguns críticos a sugerir que poderia ser o actor mais talentoso da família.

Cannes, Irmãos e Westerns

Em 1980, dois filmes seus marcaram presença no Festival de Cannes: The Big Red One e The Long Riders. Este último reuniu vários irmãos reais para interpretar irmãos fora-da-lei históricos — uma decisão ousada do realizador Walter Hill.

As histórias de bastidores tornaram-se lendárias. Durante as filmagens, David Carradine apaixonou-se pelo cavalo que montava e acabou por o comprar. O animal viveu depois na propriedade de Robert em Hollywood Hills, tornando-se parte do folclore familiar.

O Nerd Que Marcou Uma Geração

O maior êxito comercial da carreira chegou em 1984 com Revenge of the Nerds. No papel de Lewis Skolnick, Carradine deu rosto ao arquétipo do “nerd” inteligente e resiliente, transformando o filme numa das comédias mais icónicas da década. A franquia consolidou-o na cultura popular.

Anos mais tarde, conquistou uma nova geração como o pai compreensivo na série Lizzie McGuire, mostrando versatilidade e capacidade de reinvenção.

Música, Velocidade e Família

Fora do ecrã, Robert Carradine cultivava paixões intensas. Tocava guitarra com os irmãos, apesar de nunca ter tido formação musical formal. Actuou com artistas como Peter Yarrow e Ramblin’ Jack Elliott.

Outra grande paixão era o automobilismo. Competiu ao nível do Grande Prémio e integrou a equipa Lotus ao lado de Paul Newman. Dizia frequentemente que correr era o seu verdadeiro amor, porque vencer uma corrida significava que ninguém fora melhor naquele momento.

Mas acima de tudo, era um homem de família. Pai da actriz Ever Carradine, avô dedicado e tio querido — descrito pela sobrinha Martha Plimpton como o “tio favorito” de todos.

Um Legado de Talento e Humanidade

Robert Carradine deixa filhos, netos, irmãos, sobrinhos e uma comunidade artística que o recorda como generoso, bem-disposto e genuinamente bondoso. A sua carreira atravessou westerns, dramas de autor, comédias juvenis e séries familiares, provando uma rara capacidade de adaptação.

A sua morte relembra, com dolorosa clareza, que o sucesso e o talento não imunizam ninguém contra batalhas invisíveis.

ler também : Espiões, Explosões e Churchill: O Novo Filme de Guy Ritchie Que Leva a Guerra a Outro Nível

Se estiver a atravessar um momento difícil, procure ajuda junto de profissionais de saúde ou linhas de apoio especializadas. Falar pode fazer a diferença.

0% no Rotten Tomatoes: O Novo Thriller de Terror Que Está a Ser Massacrado Pela Crítica

Um arranque desastroso para “Psycho Killer”

Há estreias que dividem opiniões. E depois há casos como Psycho Killer, que conseguiu algo raro — e nada invejável. Com 15 críticas publicadas até ao momento, o thriller abriu com 0% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Saiu de Cartaz em Apenas Uma Semana: O Documentário Sobre a Influencer Que Recebeu 40 Mil Euros do Estado

Sim, leu bem: zero. Nem uma avaliação positiva.

O filme marca a estreia na realização de Gavin Polone, com argumento assinado por Andrew Kevin Walker, conhecido por trabalhos anteriores no género. No elenco encontramos Georgina Campbell — que muitos reconhecerão de Barbarian (Noites Brutais, em Portugal) — além de James Preston Rogers, Grace Dove, Logan Miller e Malcolm McDowell.

Mas, apesar do pedigree envolvido, a recepção crítica tem sido implacável.

“Um amontoado de clichés” e “nenhum suspense palpável”

O consenso entre os críticos é duro e directo: Psycho Killer falha praticamente em todos os aspectos essenciais de um bom thriller de terror.

Várias publicações apontam a ausência de tensão, a previsibilidade do enredo e um vilão descrito como uma mistura pálida de assassinos mais memoráveis do cinema. A acusação mais recorrente? Falta de originalidade.

Algumas críticas classificam o filme como uma colecção de clichés gastos, com escolhas narrativas consideradas ridículas e um antagonista sem carisma ou presença ameaçadora. Outras destacam diálogos forçados, interpretações pouco convincentes e uma montagem confusa que compromete o ritmo da narrativa.

Há ainda quem considere que o filme é demasiado simples para funcionar como thriller policial, mas simultaneamente demasiado aborrecido para resultar como filme de terror. Um limbo pouco favorável para qualquer produção que se proponha assustar o público.

Uma premissa promissora que não convenceu

A história acompanha uma agente da polícia rodoviária do Kansas que, após o brutal assassinato do marido, inicia uma perseguição ao responsável. À medida que a investigação avança, descobre que está perante um serial killer sádico, cujos planos revelam uma mente profundamente perturbada.

Em teoria, a premissa reúne todos os ingredientes para um thriller intenso: trauma pessoal, perseguição implacável e um antagonista perverso. No entanto, segundo os críticos, a execução não consegue transformar essa base narrativa em algo envolvente ou assustador.

Algumas análises sugerem mesmo que o filme parece indeciso quanto ao tom, oscilando entre o policial sombrio e o terror satânico sem nunca abraçar totalmente nenhum dos registos.

E o público?

Para já, Psycho Killer encontra-se em exibição nos cinemas norte-americanos, mas ainda não tem data prevista de estreia em Portugal.

Resta saber se o público terá uma reacção diferente da crítica — algo que não seria inédito no género. Afinal, o terror sempre viveu de divisões e surpresas.

Ninguém Estava à Espera Disto: Robert Aramayo Choca os BAFTA e Deixa DiCaprio e Chalamet Para Trás

Mas começar com 0% no Rotten Tomatoes não é apenas um tropeço: é um cartão de visita difícil de ignorar.

Ninguém Estava à Espera Disto: Robert Aramayo Choca os BAFTA e Deixa DiCaprio e Chalamet Para Trás

Uma vitória que ninguém viu chegar

Foi um daqueles momentos que fazem a história dos prémios — e que deixam meia plateia de boca aberta. No passado domingo, nos BAFTA Film Awards, Robert Aramayo protagonizou uma das maiores surpresas de sempre ao conquistar o prémio de Melhor Actor, superando um alinhamento de peso que incluía Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet, Ethan Hawke, Jesse Plemons e Michael B. Jordan.

Um Triunfo Arrasador e uma Surpresa Monumental: A Noite em que os BAFTA Renderam-se a Paul Thomas Anderson

O actor britânico foi distinguido pela sua interpretação de John Davidson, activista real com síndrome de Tourette, no drama britânico I Swear, realizado por Kirk Jones. E, pelas suas próprias palavras, nem ele estava preparado para ouvir o seu nome.

“Eu não consigo acreditar”, repetiu, visivelmente emocionado, dirigindo-se aos colegas nomeados. “Estar na mesma categoria que vocês já era inacreditável. Estar aqui em cima… ainda mais.”

Um discurso emocionado e uma memória de Juilliard

Aramayo, conhecido do grande público pelo papel de Elrond na série The Lord of the Rings: The Rings of Power, aproveitou o momento para agradecer ao realizador, ao argumentista e, claro, ao próprio John Davidson.

Num dos momentos mais tocantes da noite, recordou uma visita de Ethan Hawke à escola Juilliard, onde o actor norte-americano falou sobre longevidade na carreira e a importância de proteger “o instrumento” que é o actor. “Teve um impacto enorme em todos nós”, confessou Aramayo. “Estar aqui ao teu lado esta noite é incrível.”

Ainda em choque, terminou o discurso com um simples e honesto: “Vou parar de falar agora. Muito, muito obrigado.”

“I Swear”: Um retrato poderoso e necessário

Ambientado na Escócia dos anos 80, I Swear acompanha John Davidson, um jovem com síndrome de Tourette severa, numa época em que a condição era pouco compreendida e frequentemente alvo de preconceito. Entre tiques, explosões verbais involuntárias e rejeição social, o filme segue o percurso de Davidson até se tornar um defensor nacional da causa.

A produção destacou-se por fugir ao sensacionalismo. Antes da cerimónia, Emma McNally, CEO da organização Tourettes Action, sublinhou que o filme evita reduzir a síndrome ao choque ou à caricatura, optando antes por um retrato humano, resiliente e compassivo.

Durante a gala, o próprio Davidson marcou presença na primeira metade da cerimónia — que contou com a assistência do Príncipe e da Princesa de Gales — mas acabou por sair após alguns episódios involuntários. O anfitrião da noite, Alan Cumming, pediu desculpa a quem se pudesse ter sentido desconfortável e agradeceu a compreensão do público.

Uma noite em grande para Aramayo

A vitória de Melhor Actor não foi o único destaque. Aramayo arrecadou também o EE Rising Star Award, enquanto a directora de casting Lauren Evans venceu na sua categoria. O filme esteve ainda nomeado para Melhor Filme Britânico, mas acabou por perder para Hamnet.

Este foi o primeiro BAFTA de Aramayo, mas o actor já vinha acumulando reconhecimento: venceu o British Independent Film Award para Melhor Interpretação Principal e foi distinguido como Breakthrough Performer of the Year pelo London Critics Circle.

Com estreia no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) no passado Setembro e lançamento no Reino Unido em Outubro de 2025, I Swear prepara-se agora para disputar os Óscares do próximo ano, após uma recente estreia nos Estados Unidos.

O Mago do Kremlin: Um Thriller Político Que Nos Leva ao Centro do Poder Russo

Se havia dúvidas sobre o talento de Robert Aramayo, a noite dos BAFTA tratou de as dissipar. E, convenhamos, há algo de deliciosamente cinematográfico quando o “underdog” sobe ao palco e deixa as superestrelas para trás.

Um Triunfo Arrasador e uma Surpresa Monumental: A Noite em que os BAFTA Renderam-se a Paul Thomas Anderson

“One Battle After Another” conquista tudo — e muda o jogo

A cerimónia dos BAFTA 2026 ficou marcada por um domínio claro e inequívoco: One Battle After Another, o mais recente filme de Paul Thomas Anderson, saiu da gala com seis prémios — incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador — confirmando o estatuto da obra como uma das grandes forças desta temporada.

ler também :O Mago do Kremlin: Um Thriller Político Que Nos Leva ao Centro do Poder Russo

Inspirado no romance Vineland, de Thomas Pynchon, o filme acompanha um revolucionário em fim de linha que tenta proteger a filha de um implacável oficial militar. Uma comédia de contracultura com nervo político e energia anárquica, que conquistou ainda os prémios de Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Actor Secundário e Melhor Argumento Adaptado.

Com 14 nomeações à partida — mais do que qualquer outro concorrente — a produção contou com interpretações de nomes como Leonardo DiCaprio, Sean Penn e Benicio del Toro. Penn acabaria mesmo por vencer o prémio de Melhor Actor Secundário, pela sua composição do arrepiante coronel Steven J. Lockjaw.

No discurso de aceitação, Anderson não poupou palavras: “Quem diz que os filmes já não são bons pode ir dar uma volta. Este é um ano extraordinário.” Citando Nina Simone — cuja frase “I know what freedom is, it’s no fear” ecoa no filme — o realizador apelou à criação sem medo, numa noite carregada de simbolismo.

O cineasta prestou ainda homenagem ao produtor Adam Somner, falecido em 2024, recordando a sua força durante a produção do filme, mesmo após descobrir que estava gravemente doente.

Surpresas, emoções e marcos históricos

Se houve um domínio claro, também houve espaço para surpresas. Uma das maiores da noite foi a vitória de Robert Aramayo como Melhor Actor por I Swear, batendo favoritos como Timothée Chalamet, Ethan Hawke e Michael B. Jordan.

Visivelmente emocionado, Aramayo confessou não acreditar que estivesse sequer nomeado ao lado de tais nomes, quanto mais vencedor. O filme, um biopic sobre o activista John Davidson e a sua luta contra o preconceito associado à síndrome de Tourette, venceu também o prémio de Melhor Casting.

Noutra nota histórica, Jessie Buckley tornou-se a primeira actriz irlandesa a vencer o BAFTA de Melhor Actriz, graças à sua interpretação devastadora em Hamnet, realizado por Chloé Zhao. A actriz agradeceu à filha e celebrou o poder das histórias contadas por mulheres, num dos discursos mais tocantes da noite.

Sinners, o thriller vampírico de Ryan Coogler sobre apagamento racial e cultural, arrecadou três prémios: Melhor Argumento Original, Melhor Banda Sonora Original e Melhor Actriz Secundária, distinção entregue à britânico-nigeriana Wunmi Mosaku.

Cinema político, discursos inflamados e humor mordaz

A noite teve também forte carga política e social. Coogler tornou-se o primeiro realizador negro a vencer o BAFTA de Melhor Argumento Original, sublinhando a importância da comunidade e da empatia. Akinola Davies Jr venceu o prémio de Melhor Estreia Britânica por My Father’s Shadow, deixando uma mensagem sobre memória, identidade e liberdade.

Guillermo del Toro’s Frankenstein conquistou três prémios técnicos, enquanto Sentimental Value venceu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa — a primeira vez que uma produção norueguesa arrecada tal distinção.

A cerimónia foi conduzida por Alan Cumming, que não resistiu a uma abertura carregada de ironia política. Num dos momentos mais comentados, brincou com o enredo de Zootropolis 2, ironizando que até os filmes de animação parecem agora reflectir as tensões do mundo real.

Entre discursos emocionados, críticas subtis e humor certeiro, os BAFTA 2026 confirmaram que o cinema continua a ser um espelho do nosso tempo — inquieto, vibrante e profundamente humano.

ler também : Afinal, não é ele: os rumores mais entusiasmantes sobre James Bond e Mission: Impossible foram desmentidos

Veja a Lista completa:
Melhores Efeitos Visuais Especiais

Avatar: Fire and Ash – VENCEDOR

F1

Frankenstein

How to Train Your Dragon

The Lost Bus

Melhor Actriz Secundária

Odessa A’zion – Marty Supreme

Inga Ibsdotter Lilleaas – Sentimental Value

Wunmi Mosaku – Sinners – VENCEDORA

Carey Mulligan – The Ballad of Wallis Island

Teyana Taylor – One Battle After Another

Emily Watson – Hamnet

Melhor Actor Secundário

Benicio del Toro – One Battle After Another

Jacob Elordi – Frankenstein

Paul Mescal – Hamnet

Peter Mullan – I Swear

Sean Penn – One Battle After Another – VENCEDOR

Stellan Skarsgård – Sentimental Value

Melhor Filme para Crianças e Família

Arco

Boong – VENCEDOR

Lilo & Stitch

Zootropolis 2

Melhor Direcção Artística

Frankenstein – VENCEDOR

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another

Sinners

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Frankenstein – VENCEDOR

Hamnet

Marty Supreme

Sinners

Wicked: For Good

Melhor Documentário

2000 Meters to Andriivka

Apocalypse in the Tropics

Cover-Up

Mr Nobody Against Putin – VENCEDOR

The Perfect Neighbor

Melhor Curta-Metragem Britânica

Magid/Zafar

Nostalgie

Terence

This Is Endometriosis – VENCEDOR

Welcome Home Freckles

Melhor Curta-Metragem de Animação Britânica

Cardboard

Solstice

Two Black Boys in Paradise – VENCEDOR

Melhor Argumento Original

I Swear – Kirk Jones

Marty Supreme – Ronald Bronstein, Josh Safdie

The Secret Agent – Kleber Mendonça Filho

Sentimental Value – Eskil Vogt, Joachim Trier

Sinners – Ryan Coogler – VENCEDOR

Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico

The Ceremony – Jack King (realizador, argumentista), Hollie Bryan (produtora), Lucy Meer (produtora)

My Father’s Shadow – Akinola Davies Jr (realizador), Wale Davies (argumentista) – VENCEDOR

Pillion – Harry Lighton (realizador, argumentista)

A Want in Her – Myrid Carten (realizadora)

Wasteman – Cal McMau (realizador), Hunter Andrews (argumentista), Eoin Doran (argumentista)

Melhor Casting

I Swear – VENCEDOR

Marty Supreme

One Battle After Another

Sentimental Value

Sinners

Melhor Montagem

F1

A House of Dynamite

Marty Supreme

One Battle After Another – VENCEDOR

Sinners

Melhor Filme de Animação

Elio

Little Amélie

Zootropolis 2 – VENCEDOR

Melhor Fotografia

Frankenstein

Marty Supreme

One Battle After Another – VENCEDOR

Sinners

Train Dreams

Melhor Som

F1 – VENCEDOR

Frankenstein

One Battle After Another

Sinners

Warfare

Melhor Banda Sonora Original

Bugonia

Frankenstein

Hamnet

One Battle After Another

Sinners – VENCEDOR

Melhor Argumento Adaptado

The Ballad of Wallis Island – Tom Basden, Tim Key

Bugonia – Will Tracy

Hamnet – Chloé Zhao, Maggie O’Farrell

One Battle After Another – Paul Thomas Anderson – VENCEDOR

Pillion – Harry Lighton

Melhor Guarda-Roupa

Frankenstein – VENCEDOR

Hamnet

Marty Supreme

Sinners

Wicked: For Good

Melhor Filme em Língua Não Inglesa

It Was Just an Accident

The Secret Agent

Sentimental Value – VENCEDOR

Sirāt

The Voice of Hind Rajab

Melhor Filme Britânico

28 Years Later

The Ballad of Wallis Island

Bridget Jones: Mad About the Boy

Die My Love

H Is for Hawk

Hamnet – VENCEDOR

I Swear

Mr Burton

Pillion

Steve

EE Rising Star Award

Robert Aramayo – VENCEDOR

Miles Caton

Chase Infiniti

Archie Madekwe

Posy Sterling

Melhor Realizador

Bugonia – Yorgos Lanthimos

Hamnet – Chloé Zhao

Marty Supreme – Josh Safdie

One Battle After Another – Paul Thomas Anderson – VENCEDOR

Sentimental Value – Joachim Trier

Sinners – Ryan Coogler

Melhor Actor Principal

Robert Aramayo – I Swear – VENCEDOR

Timothée Chalamet – Marty Supreme

Leonardo DiCaprio – One Battle After Another

Ethan Hawke – Blue Moon

Michael B. Jordan – Sinners

Jesse Plemons – Bugonia

Melhor Actriz Principal

Jessie Buckley – Hamnet – VENCEDORA

Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You

Kate Hudson – Song Sung Blue

Chase Infiniti – One Battle After Another

Renate Reinsve – Sentimental Value

Emma Stone – Bugonia

Melhor Filme

Hamnet

Marty Supreme

One Battle After Another – VENCEDOR

Sentimental Value

Sinners

Prémio para Contribuição Britânica de Excelência para o Cinema

Clare Binns

BAFTA Fellowship

Donna Langley

O Mago do Kremlin: Um Thriller Político Que Nos Leva ao Centro do Poder Russo

Paul Dano e Jude Law protagonizam o novo filme de Olivier Assayas, que estreia a 12 de Março

Há filmes que chegam às salas como entretenimento. E há outros que chegam como radiografias de uma época. O Mago do Kremlin, realizado por Olivier Assayas, pertence claramente à segunda categoria. Inspirado no romance homónimo de Giuliano da Empoli, o filme estreia nos cinemas portugueses a 12 de Março, prometendo um mergulho vertiginoso nos bastidores do poder russo  .

ler também : Afinal, não é ele: os rumores mais entusiasmantes sobre James Bond e Mission: Impossible foram desmentidos

Assayas, vencedor do Prémio de Melhor Realização em Cannes e autor de obras como Wasp Network e Personal Shopper, adapta aqui um dos romances políticos mais relevantes dos últimos anos. O argumento, escrito em parceria com Emmanuel Carrère, transforma reflexão histórica e análise geopolítica num thriller denso, onde cada diálogo carrega implicações estratégicas.

A ascensão silenciosa de um estratega

A narrativa começa na Rússia do início dos anos 90, após o colapso da URSS. No meio do caos de um país em reconstrução surge Vadim Baranov, interpretado por Paul Dano, num registo contido mas profundamente magnético. Primeiro artista de vanguarda, depois produtor de um reality show, Baranov revela-se um estratega brilhante, capaz de compreender o poder da narrativa num mundo onde a política já não se faz apenas nos gabinetes, mas também nos ecrãs.

O seu percurso leva-o a tornar-se conselheiro informal de um ex-agente do KGB destinado a ascender ao poder absoluto — Vladimir Putin. É aqui que Jude Law assume uma das interpretações mais desafiantes da sua carreira, construindo um líder contido, quase impenetrável, cuja ambição se insinua mais nos silêncios do que nas palavras.

Entre os dois estabelece-se uma relação complexa, feita de cálculo, cumplicidade e tensão latente. Baranov torna-se o arquitecto da propaganda da nova Rússia, moldando discursos, percepções e fantasias colectivas. Mas à medida que o poder se consolida em torno do Kremlin, também se adensa a sensação de clausura.

Entre propaganda e humanidade

No contraponto surge Ksenia, interpretada por Alicia Vikander, figura que introduz uma dimensão humana e emocional num universo dominado por estratégia e manipulação. Representa a possibilidade de fuga — não apenas geográfica, mas moral. É através dela que o filme questiona até que ponto a proximidade do poder corrói as convicções individuais.

Tom Sturridge e Jeffrey Wright completam um elenco sólido que sustenta esta engrenagem política, onde desejo, ambição e desilusão coexistem num equilíbrio frágil  .

Filmado em CinemaScope, o filme utiliza o espaço e a arquitectura como elementos dramáticos. Corredores amplos, salas imponentes e ambientes austeros reflectem visualmente a lógica de um poder que se expande e se fecha sobre si próprio. A escala histórica — três décadas decisivas da Rússia moderna — convive com uma abordagem intimista, focada nas fissuras psicológicas das personagens.

Um retrato inquietante da política contemporânea

Mais do que uma biografia encapotada, O Mago do Kremlin é uma reflexão sobre o papel da narrativa na construção da autoridade. O filme mostra como meios de comunicação social, propaganda e, mais recentemente, algoritmos, se tornam instrumentos essenciais na consolidação de regimes e na modelação da opinião pública  .

Assayas não procura respostas fáceis. Em vez disso, conduz o espectador por uma descida aos corredores obscuros do poder, onde a verdade se confunde com estratégia e onde cada palavra serve um objectivo maior. Quinze anos depois dos acontecimentos centrais, Baranov decide falar — mas o que revela apenas torna mais turva a fronteira entre ficção e realidade.

Num momento em que a política internacional continua a ser marcada por narrativas cuidadosamente construídas, o filme ganha uma pertinência inquietante.

ler também : Netflix promete respeitar a janela de cinema da Warner — mas Hollywood continua desconfiada

A 12 de Março, as salas portuguesas recebem um thriller político que não se limita a contar uma história: convida a reflectir sobre os mecanismos invisíveis que moldam o mundo contemporâneo.