Dacre Montgomery afastou-se de Hollywood no auge de Stranger Things. Agora regressa nos seus próprios termos

Do estrelato súbito ao silêncio voluntário

Quando a segunda temporada de Stranger Things estreou em 2017, Dacre Montgomery tinha apenas 22 anos e via o seu nome espalhar-se a uma velocidade vertiginosa. A interpretação intensa de Billy Hargrove transformou-o num dos rostos mais comentados da série e num novo “vilão de culto” da cultura pop televisiva. Tudo indicava que Hollywood tinha encontrado mais uma estrela pronta a ser explorada até à exaustão. Mas Montgomery fez precisamente o contrário do esperado: saiu de cena.

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O actor australiano regressou a Perth, a sua cidade natal, e recusou praticamente todos os convites que lhe surgiram durante quase quatro anos. Um afastamento consciente, motivado por um desconforto profundo com a exposição súbita. Segundo o próprio, a fama trouxe uma fragilidade emocional para a qual não estava preparado, tornando necessário proteger-se antes que o sucesso o consumisse por completo.

Um telefonema inesperado de Gus Van Sant

Há nomes, porém, capazes de quebrar silêncios autoimpostos. Um deles é Gus Van Sant. Sete anos após o seu último filme, o realizador decidiu regressar com Dead Man’s Wire e escolheu Montgomery para um dos papéis principais, depois de ter visto — e ficado impressionado — com o famoso self-tape de audição do actor para Stranger Things, já lendário entre profissionais da indústria.

No filme, Montgomery contracena com Bill Skarsgård, num thriller inspirado num caso real de 1977, centrado no rapto de um poderoso banqueiro e no impasse mediático que se seguiu. Dead Man’s Wire estreia em salas seleccionadas e aposta num tom contido, desconfortável e deliberadamente provocador — características que o tornam um ponto de regresso simbólico para um actor que reaprendeu a ter paciência.

Um regresso feito de aprendizagem e limites

Trabalhar com Skarsgård revelou-se, para Montgomery, tão desafiante fora de cena como dentro dela. Conhecido pela sua intensidade quase obsessiva em preparação, o actor admite que tende a isolar-se durante as filmagens. O colega sueco forçou-o a quebrar essa barreira, lembrando-lhe que a acessibilidade emocional também faz parte do trabalho de actor. Uma lição inesperada, mas transformadora.

O afastamento de Hollywood permitiu-lhe redefinir prioridades. Longe do ruído mediático, Montgomery percebeu que não queria aceitar projectos por impulso, dinheiro ou visibilidade. Queria trabalhar com realizadores e personagens que justificassem o investimento pessoal total que coloca em cada papel. E isso mudou tudo.

O futuro longe da obsessão pela fama

Apesar do impacto que Stranger Things teve na sua vida, Montgomery olha para a série com gratidão e não com arrependimento, reconhecendo-a como um período formativo essencial. Ainda assim, deixa claro que a fama não é, nem nunca foi, o motor da sua carreira.

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Recentemente, deu outro passo decisivo ao concluir as filmagens da sua primeira longa-metragem como realizador, um projecto preparado ao longo de uma década. Para ele, cada trabalho é encarado como se fosse o último — uma filosofia radical, mas libertadora. Se um dia se retirar definitivamente, fá-lo-á em paz, sabendo que nunca esteve ali por vaidade, mas por entrega total.

Não encontrámos data de estreia de Dead Man’s Wire confirmada para Portugal, mas sabemos que vai passar no LEFFEST em Lisboa algures entre os dias 6 e 15 de Novembro em Lisboa,

Callum Turner como James Bond? Quatro pistas sobre como o novo 007 pode mudar tudo

Ainda não há confirmação oficial, mas os rumores sobre o próximo James Bond ganharam força no arranque de 2026. Tudo indica que Callum Turner poderá ser o escolhido para vestir o fato de 007, numa altura em que a saga procura redefinir-se após a compra da MGM pela Amazon e várias mudanças ao nível da produção. Desta vez, não se trata apenas de especulação: há sinais claros de que o projecto está finalmente a avançar.

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Uma das novidades mais entusiasmantes é a escolha de Denis Villeneuve como realizador. Conhecido pelo seu trabalho em filmes como Dune, Arrival e Blade Runner 2049, Villeneuve traz um cinema elegante, contido e profundamente humano. Um estilo que poderá encaixar bem com a presença clássica e algo introspectiva de Callum Turner, apontando para um Bond mais cerebral e menos dependente do espectáculo puro.

A comparação com Bonds anteriores é inevitável. Será Turner mais próximo do charme de Sean Connery ou da fisicalidade austera de Daniel Craig? A resposta poderá estar algures entre os dois. O actor britânico já demonstrou versatilidade em vários projectos, revelando uma sobriedade clássica aliada a uma vulnerabilidade moderna. Um Bond menos invencível, mais humano, capaz de pensar e sentir.

James Bond sempre funcionou como um reflexo do seu tempo. Nos anos 90, Pierce Brosnan representava sofisticação e gadgets. Com Daniel Craig, o início do século XXI pediu realismo, trauma e cinismo. Em 2026, o contexto é outro. Entre debates sobre masculinidade e um certo regresso a valores conservadores, a indústria parece apostar num equilíbrio mais neutro. Turner, com 35 anos, encaixa nessa visão: tem presença física, carisma clássico e uma imagem suficientemente contemporânea para agradar a várias gerações.

Por fim, há a sugestão inevitável e assumidamente divertida. Callum Turner é noivo de Dua Lipa, uma das maiores estrelas pop da actualidade. E se fosse ela a cantar o próximo tema de Bond? A sua voz grave, o glamour moderno e um historial de êxitos tornam a ideia surpreendentemente plausível. Não seria a primeira vez que a saga 007 aposta numa artista contemporânea para marcar uma nova era.

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Seja Callum Turner o próximo Bond ou não, uma coisa é certa: o futuro de James Bond começa finalmente a ganhar forma. E, desta vez, há motivos reais para ficar curioso.

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Sucesso inesperado na Turquia reacende a força de um clássico moderno

Mais de uma década depois de ter emocionado o mundo, Intocáveis continua a demonstrar uma vitalidade notável nas salas de cinema. O quarto remake internacional do filme francês de 2011 acaba de alcançar um feito impressionante nas bilheteiras, provando que a história original mantém um apelo transversal a culturas, línguas e geografias distintas.

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O filme em causa é Yan Yana, adaptação turca de Intocáveis, protagonizada por Haluk Bilginer e Feyyaz Yiğit. Segundo dados avançados pela Variety, o filme estreou a 14 de Novembro e já vendeu mais de dois milhões de bilhetes, arrecadando cerca de 12,4 milhões de dólares. Um valor que, à escala global, pode parecer modesto, mas que o torna no filme mais lucrativo de 2025 na Turquia.

Um clássico moderno com impacto global

Inspirado numa história verídica, Intocáveis acompanha a improvável amizade entre um homem rico com tetraplegia e um jovem de origem humilde com um passado problemático, contratado para ser seu cuidador. No original francês, estes papéis foram interpretados por François Cluzet e Omar Sy, numa dupla que conquistou crítica e público.

O sucesso foi avassalador: 426,6 milhões de dólares de receita mundial para um orçamento de apenas 10,8 milhões, oito nomeações para os Prémios César — com vitória de Omar Sy — e ainda indicações aos BAFTA e aos Globos de Ouro. Um verdadeiro fenómeno que rapidamente despertou o interesse de outros mercados.

Turquia supera grandes blockbusters

O triunfo de Yan Yana torna-se ainda mais impressionante quando comparado com outros gigantes recentes da indústria. O remake turco superou confortavelmente filmes como A Minecraft Movie, que arrecadou cerca de 5,2 milhões de dólares no país, e Zootopia 2, que ficou pelos 4,1 milhões no mesmo território.

Apesar de estar já programada a estreia do filme em vários mercados europeus — incluindo Alemanha, Suécia e França —, é pouco provável que Yan Yana consiga ultrapassar os dois maiores sucessos da franquia. Ainda assim, o resultado confirma que o conceito original continua a ter uma extraordinária capacidade de comunicação emocional.

De França a Hollywood… e além

Antes desta versão turca, Intocáveis já tinha sido adaptado na Índia (Oopiri) e na Argentina (Inseparables). No entanto, o remake mais mediático até agora foi The Upside, lançado em 2019, com Bryan Cranston e Kevin Hart. O filme tornou-se um inesperado sucesso comercial, arrecadando 125,9 milhões de dólares face a um orçamento de 37,5 milhões.

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O desempenho de Yan Yana pode não atingir essas cifras, mas deixa uma mensagem clara: há histórias que resistem ao tempo, reinventam-se e continuam a emocionar novas gerações. E Intocáveis é, cada vez mais, uma delas.

Montanha Pico Festival arranca com noite dedicada ao cinema feito nos Açores

A 12.ª edição do Montanha Pico Festival tem início esta quinta-feira, 8 de Janeiro, às 21h, no Auditório Municipal das Lajes do Pico, com uma sessão de abertura inteiramente dedicada a obras produzidas nos Açores. A iniciativa, promovida pela associação MiratecArts, volta a afirmar o festival como um dos principais espaços de exibição e reflexão cinematográfica no arquipélago.

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Segundo Terry Costa, director artístico da MiratecArts, esta edição reforça a ligação entre o cinema e o território. “São dez noites de cinema em três grandes ecrãs da nossa ilha”, sublinha, explicando que, para além das habituais sessões em cenários montanhosos ou ligadas à cultura da montanha, o festival passa também a destacar longas-metragens portuguesas de relevo. Ainda assim, a abertura mantém-se fiel ao espírito local, com um programa dedicado exclusivamente aos Açores.

A sessão inaugural reúne um conjunto diversificado de curtas-metragens que levam ao grande ecrã paisagens e histórias das ilhas do Pico, Faial, Corvo e São Miguel. O público poderá assistir a First Date, de Luís Filipe Borges, Calhau, de Paulo Abreu, ilhoa, de Margarida Saramago, Reviralha, de Sara Massa, e Reflexos, de Francisco Rosas.

O programa inclui ainda ainda (não) em casa, de Kateryna Kondratieva, um filme que aborda a experiência de mulheres ucranianas que, devido à guerra, encontraram nos Açores um novo lugar para viver. A noite fica completa com a exibição da média-longa Alice: Mulher Moderna, de Tiago Rosas, produzida pela Palco Ilusões.

Alice: Mulher Moderna é um documentário dedicado à vida e ao legado de Alice Moderno, uma das personalidades mais marcantes da história açoriana. O filme constrói-se como uma visita guiada pelos locais onde viveu e trabalhou, conduzida pelo Professor Teófilo Braga, e enriquecida pelos comentários das investigadoras Cristina Pimentel e Isolina Medeiros. A actriz Margarida Benevides dá voz aos textos e pensamentos de Alice Moderno, revelando uma mulher escritora, jornalista, empresária, feminista e republicana, num contexto histórico profundamente conservador.

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A sessão de abertura é aberta ao público e de entrada livre. O Montanha Pico Festival prossegue ao longo do mês, com sessões às quintas-feiras no Auditório Municipal das Lajes do Pico até 29 de Janeiro. Às terças-feiras, o festival passa pelo Auditório do Museu dos Baleeiros e, entre 23 e 25 de Janeiro, ocupa também o Auditório da Madalena. Mais informações estão disponíveis em www.picofestival.com e nas redes sociais da MiratecArts.

Do estrelato ao risco de despejo: Mickey Rourke pede ajuda para evitar perder a casa

Dívidas acumuladas colocam o actor numa situação delicada

Aos 73 anos, Mickey Rourke, um dos rostos mais icónicos do cinema norte-americano das últimas décadas, enfrenta uma situação dramática fora do grande ecrã. O actor está em risco iminente de ser despejado da casa onde vive em Los Angeles, depois de acumular dezenas de milhares de dólares em rendas em atraso, o que levou amigos próximos a lançar uma campanha pública de angariação de fundos para o ajudar a manter um tecto sobre a cabeça.

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Segundo avança o Los Angeles Times, Rourke deverá mais de 59 mil dólares ao senhorio, um valor que corresponde a vários meses de renda não paga. A situação tornou-se suficientemente grave para que, no passado dia 18 de Dezembro, o actor tenha recebido um aviso formal de despejo, acompanhado ainda de exigências adicionais por alegados danos na propriedade e despesas judiciais.

Uma renda elevada e uma dívida que não pára de crescer

Mickey Rourke assinou o contrato de arrendamento da habitação — uma casa com três quartos e duas casas de banho — em Março de 2025. Inicialmente, a renda mensal fixava-se nos 5.200 dólares, mas acabou por ser aumentada para 7.000 dólares por mês, um valor difícil de sustentar mesmo para alguém com um currículo recheado de sucessos em Hollywood.

Para tentar travar o despejo, foi criada uma página na plataforma GoFundMe, por iniciativa de Liya-Joelle Jones, amiga próxima do actor, com o seu consentimento. Em menos de 24 horas, a campanha conseguiu angariar mais de metade do montante necessário, revelando que, apesar de tudo, Rourke continua a contar com o apoio de fãs e amigos.

“A fama não protege contra as dificuldades”

No texto que acompanha o apelo aos donativos, a organizadora da campanha lembra que “a fama não protege contra as dificuldades, e o talento não garante estabilidade”. Uma frase que resume de forma crua a trajectória irregular de Mickey Rourke, marcada tanto por grandes momentos de glória como por quedas abruptas.

Depois de se tornar uma estrela nos anos 1980, com filmes como Nove Semanas e Meia, o actor afastou-se progressivamente do cinema para se dedicar ao boxe profissional. Essa decisão teve um custo elevado: múltiplas lesões graves obrigaram-no a submeter-se a várias cirurgias de reconstrução facial, alterando de forma significativa a sua aparência e, em certa medida, a sua carreira.

Um regresso aplaudido… mas insuficiente

O regresso ao cinema deu-se de forma triunfal com O Wrestler, papel que lhe valeu um Globo de Ouro e uma nomeação ao Óscar, seguido de participações em títulos como Sin City. Ainda assim, esses sucessos não foram suficientes para garantir uma estabilidade financeira duradoura.

Na página de angariação de fundos, fala-se de “anos difíceis”, marcados por problemas de saúde, fragilidades económicas e “o preço silencioso de ser deixado para trás”. Um retrato duro de um actor que conheceu o auge de Hollywood, mas que hoje enfrenta uma realidade bem mais frágil.

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A campanha continua activa e pretende dar a Mickey Rourke tempo e espaço para “se reerguer”. Um lembrete desconfortável de que, mesmo no cinema, os finais felizes nem sempre acontecem fora do ecrã.

As Figuras Que Perdemos em 2025: Um Ano de Despedidas no Cinema, na Televisão e na Cultura Popular

De ícones de Hollywood a gigantes do teatro e do cinema europeu, 2025 ficou marcado por perdas profundas

O ano de 2025 ficará para sempre associado a uma sucessão de despedidas marcantes no mundo da cultura. Cinema, televisão, teatro e música perderam algumas das suas figuras mais reconhecidas, artistas cuja obra atravessou décadas, moldou gerações e ajudou a definir aquilo que hoje entendemos como património cultural contemporâneo.

Entre os nomes que nos deixaram estão actores lendários de Hollywood, realizadores influentes, intérpretes que marcaram a televisão britânica e figuras centrais do cinema europeu. Alguns eram sinónimo de glamour, outros de ousadia artística, outros ainda de humor e humanidade. Todos, sem excepção, deixaram uma marca duradoura.

Hollywood despede-se de alguns dos seus rostos mais icónicos

Robert Redford foi um dos nomes mais sonantes a desaparecer em 2025. Actor e realizador premiado, protagonizou dezenas de filmes essenciais e construiu uma imagem que se tornou sinónimo do próprio ideal de estrela de cinema americana. Para lá dos papéis memoráveis, deixou um legado duradouro com a criação do Festival de Sundance, espaço fundamental para o cinema independente.

Diane Keaton, vencedora de um Óscar e presença incontornável do cinema das décadas de 70 e 80, foi outra das perdas sentidas. O seu trabalho em dramas e comédias, aliado a uma personalidade artística singular, fez dela uma figura única no panorama cinematográfico.

Gene Hackman, um dos grandes actores da sua geração, deixou igualmente um vazio difícil de preencher. Capaz de alternar entre dureza e ironia, venceu dois Óscares e construiu uma filmografia onde cabem alguns dos personagens mais complexos e humanos do cinema americano.

Val Kilmer, por muitos considerado “o grande protagonista subestimado da sua geração”, teve uma carreira marcada por escolhas ousadas e por uma relação difícil com a indústria. A sua despedida emocionou particularmente o público após o seu regresso simbólico a Top Gun, já profundamente afectado pela doença.

Actor Val Kilmer visits the United Nations headquarters in New York City, New York to promote the 17 Sustainable Development Goals (SDGs) initiative, July 20, 2019. (Photo by EuropaNewswire/Gado/Getty Images)

A televisão perde vozes e presenças irrepetíveis

No universo da televisão, a morte de Isiah Whitlock Jr. marcou profundamente os fãs de séries de culto. O actor ficou para sempre ligado a The Wire, onde deu vida a uma das personagens mais carismáticas da série, equilibrando corrupção, humor e humanidade com rara precisão.

Malcolm-Jamal Warner, eternamente associado a The Cosby Show, representou para muitos espectadores uma infância televisiva inteira. A sua carreira estendeu-se muito para lá dessa série, mas foi ali que se tornou um rosto familiar em milhões de lares.

Na televisão britânica, o desaparecimento de Prunella Scales e de Dame Patricia Routledge significou o fim de uma era. Ambas se tornaram imortais através de personagens cómicas que continuam a ser repetidas e celebradas, mas as suas carreiras estenderam-se muito além desses papéis mais populares.

Cinema europeu e internacional de luto

David Lynch foi, talvez, a perda artística mais singular do ano. Realizador de visão única, trouxe o surrealismo e o inconsciente para o centro do cinema mainstream. Filmes e séries como Twin Peaks mudaram definitivamente a linguagem audiovisual e continuam a influenciar criadores em todo o mundo.

Claudia Cardinale, uma das grandes musas do cinema italiano, representou o esplendor da idade de ouro europeia. A sua carreira atravessou mais de seis décadas e ligou-se a alguns dos maiores realizadores do século XX.

Brigitte Bardot, figura central da libertação feminina no cinema dos anos 50 e 60, teve uma vida pública tão intensa quanto controversa. Se a sua imagem mudou ao longo dos anos, o impacto cultural do seu percurso permanece incontornável.

Teatro, comédia e cultura popular

Dame Joan Plowright, uma das grandes damas do teatro britânico, deixou um legado que atravessou palco e ecrã, sempre com uma elegância rara. Pauline Collins, celebrizada por Shirley Valentine, foi outra actriz cuja carreira conciliou popularidade e reconhecimento crítico.

Terence Stamp, rosto marcante do cinema britânico desde os anos 60, teve uma carreira feita de reinvenções, passando de símbolo de “Swinging London” a vilão de grandes produções internacionais.

Stanley Baxter, mestre da comédia televisiva escocesa, encerrou uma carreira longa e extremamente popular, marcada pela versatilidade e pelo humor físico.

Graham Greene, actor canadiano de origem indígena, trouxe uma presença digna e profunda ao cinema americano, deixando personagens memoráveis em filmes de grande impacto emocional.

O adeus a um realizador que marcou gerações

Rob Reiner foi um dos cineastas mais queridos do grande público. Da comédia ao drama, construiu uma filmografia onde cabem alguns dos filmes mais acarinhados de sempre. A sua morte, envolta numa tragédia familiar de enorme violência, abalou profundamente Hollywood e abriu um debate que ultrapassou o cinema.

Um ano para recordar — e agradecer

2025 ficará registado como um ano de despedidas difíceis. Mas também como um momento de balanço e gratidão. As figuras que partiram deixaram obras que continuam vivas, revisitadas e transmitidas de geração em geração.

A morte fecha percursos, mas o cinema, a televisão e o teatro continuam a fazer aquilo que sempre fizeram melhor: lembrar-nos que estas vozes nunca desaparecem por completo.


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“A Vida é Dor Sem Ti”: Cary Elwes e Martin Scorsese Prestam Tributo a Rob Reiner Enquanto Autópsias Permanecem Sob Sigilo

Homenagens multiplicam-se ao realizador, num caso marcado pela tragédia familiar, polémica política e comoção em Hollywood

Mais de duas semanas após a morte violenta do realizador Rob Reiner e da sua mulher, a fotógrafa Michele Reiner, continuam a chegar homenagens sentidas de colegas, amigos e colaboradores que com eles trabalharam ao longo de décadas. Num momento em que o caso permanece envolto em forte tensão judicial e mediática, as palavras de quem conviveu de perto com Reiner ajudam a recentrar o foco na dimensão humana e artística do cineasta.

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Entre os tributos mais emocionados está o de Cary Elwes, protagonista de The Princess Bride, clássico absoluto da filmografia de Reiner. O actor explicou que só agora conseguiu encontrar forças para escrever publicamente sobre a perda.

“Passou tempo suficiente para conseguir finalmente pôr o meu luto em palavras”, escreveu Elwes, recordando o primeiro encontro com Reiner, quando tinha apenas 24 anos. Disse que se “apaixonou” de imediato pela sua energia, humanidade e sentido de humor, acrescentando que o realizador lhe deu, ao escolhê-lo para o filme, “as chaves do castelo”.

Um set marcado pelo riso — e pela empatia

Elwes partilhou imagens de bastidores de The Princess Bride e sublinhou que não se lembra “de um único dia sem gargalhadas”. Para o actor, o filme reflecte valores que Rob Reiner carregava consigo: amor, lealdade e sacrifício.

“Se eu conseguisse fazê-lo rir de volta, sentia que tinha ganho a lotaria”, escreveu, descrevendo a gargalhada de Reiner como um som que ainda ecoa na sua memória. “Era um homem que sentia profundamente, cheio de amor e compaixão. Não lhe interessava o dinheiro ou a origem social — só queria saber se eras uma boa pessoa.”

Elwes não esqueceu Michele Reiner, sublinhando que o casal formava uma equipa rara. “O meu coração continua a doer sempre que penso em vocês. Sei que esta dor não vai desaparecer.”

Concluiu com uma das frases mais icónicas de The Princess Bride:

“Claro que a morte não pode parar o verdadeiro amor… mas a vida é dor sem ti.”

Martin Scorsese recorda um amigo discreto e livre

Martin Scorsese também prestou homenagem a Rob Reiner, num texto onde recorda o primeiro contacto entre ambos, ainda nos anos 70. Scorsese descreveu uma afinidade imediata, sublinhando que Reiner era hilariante e mordaz quando queria, mas nunca alguém que precisasse de dominar a sala.

Tinha, segundo Scorsese, “um sentido de liberdade desinibido”, uma alegria genuína de viver o momento e uma gargalhada contagiante. Reiner trabalhou com Scorsese em The Wolf of Wall Street, onde interpretou o pai da personagem de Leonardo DiCaprio.

“Ele conseguia improvisar com os melhores”, escreveu Scorsese, elogiando o seu domínio da comédia e a compreensão profunda da condição humana da personagem: um pai orgulhoso do sucesso do filho, mas consciente de que a queda era inevitável.

Um caso sob forte controlo judicial

Enquanto as homenagens se sucedem, o processo judicial segue um rumo cada vez mais reservado. Um juiz do Tribunal Superior de Los Angeles determinou que os relatórios de autópsia de Rob e Michele Reiner fiquem sob sigilo, a pedido da polícia de Los Angeles. A ordem impede a divulgação pública de qualquer informação investigativa, notas, relatórios ou imagens relacionadas com o caso.

As autoridades já tinham confirmado que as mortes resultaram de homicídio, com referência a múltiplos ferimentos provocados por objectos cortantes. O filho do casal, Nick Reiner, foi acusado de dois crimes de homicídio em primeiro grau e encontra-se detido sem direito a fiança.

Polémica política agrava o luto

O caso ganhou ainda maior dimensão mediática após declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu a morte de Rob Reiner à sua postura crítica em relação a si. As palavras foram amplamente condenadas, incluindo por Joe Rogan, que considerou as declarações “decepcionantes” e desprovidas de empatia.

Rogan sublinhou que comentários desse género, sobretudo vindos de um presidente, revelam uma forma de pensar perigosa e desumanizante, defendendo que alguém deveria ter impedido Trump de se pronunciar publicamente naquele tom.

O legado permanece

No meio da violência, da polémica e do ruído político, as homenagens de Cary Elwes e Martin Scorsese funcionam como um contraponto essencial. Recordam Rob Reiner não apenas como um realizador de enorme importância para o cinema americano, mas como alguém cuja presença tornava os outros melhores — mais leves, mais humanos, mais vivos.

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Num momento em que a tragédia ameaça engolir tudo, é esse legado que muitos escolhem preservar.

Frank Herbert Não Foi Meigo: O Autor de Dune Acreditava que Star Wars lhe Devia Demasiado

Quando a galáxia muito, muito distante pareceu demasiado familiar

Quando Frank Herbert publicou Dune em 1965, criou algo que poucos romances de ficção científica tinham ousado antes: um universo político, religioso e social de tal forma denso que exigia glossários, árvores genealógicas e uma atenção quase académica por parte do leitor. Ambientada dezenas de milhares de anos no futuro, a saga de Duneapresentava um império galáctico governado por casas nobres, ordens místicas, profecias perigosas e uma substância central — a especiaria — essencial tanto para a expansão da consciência como para a navegação espacial.

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Durante anos, Dune foi um fenómeno sobretudo entre leitores dedicados, aqueles dispostos a mergulhar numa space opera complexa, filosófica e deliberadamente exigente. Em 1977, porém, o panorama da ficção científica no cinema mudou para sempre com a estreia de Star Wars: A New Hope. O impacto foi imediato e avassalador. Hollywood virou-se de repente para o espaço, os efeitos especiais tornaram-se prioridade e uma nova mitologia pop nasceu diante dos olhos do mundo.

Nem todos ficaram encantados.

“Isto soa-me demasiado familiar”

Na altura da estreia de Star Wars, Frank Herbert já tinha publicado Dune Messiah e Children of Dune, expandindo ainda mais o seu universo literário. Foi neste contexto que o autor deu uma entrevista onde deixou clara a sua irritação. Para Herbert, o filme de George Lucas não era apenas outra história espacial — parecia-lhe um conjunto de ideias demasiado próximas das suas.

Herbert chegou mesmo a ponderar avançar com um processo judicial. Numa entrevista de 1977, afirmou que tentaria “com afinco não processar”, mas não escondeu a suspeita de que Dune poderia estar na origem de várias semelhanças. Apontou, por exemplo, a coincidência entre os nomes Princesa Alia e Princesa Leia, a presença de desertos habitados por povos encapuzados e até restos de criaturas gigantes semelhantes aos vermes de areia de Arrakis.

O processo nunca avançou, mas a animosidade ficou no ar.

Lucas minimizou… e seguiu caminho

Questionado sobre as semelhanças, George Lucas foi seco: para ele, Star Wars e Dune tinham apenas uma coisa em comum — desertos. Lucas sempre foi transparente quanto às suas influências, citando repetidamente os serials de ficção científica como Flash Gordon, o cinema de Akira Kurosawa e até filmes de guerra britânicos dos anos 50. Duneraramente surgiu nas suas referências públicas.

Para muitos críticos, se houve influência, terá sido indirecta ou inconsciente. Dune já fazia parte do imaginário colectivo da ficção científica muito antes de 1977, e é plausível que algumas ideias tenham sido absorvidas sem intenção deliberada.

Afinal… as semelhanças existem?

Mesmo admitindo diferenças profundas de tom — Star Wars é uma fábula acessível e optimista, Dune uma tragédia política e religiosa —, as semelhanças estruturais são difíceis de ignorar. Ambas as histórias assentam em impérios galácticos, linhagens nobres, desertos hostis, forças místicas e protagonistas que se tornam peças centrais de profecias maiores do que eles próprios.

A comparação entre Leia e Alia é particularmente curiosa. Ambas são de sangue nobre, ambas irmãs dos heróis centrais das respectivas sagas e ambas sensíveis a forças extraordinárias: a Força, no caso de Leia; capacidades psíquicas induzidas pela Água da Vida, no caso de Alia.

Será isso suficiente para sustentar um processo judicial? Provavelmente não. Mas ajuda a perceber porque Frank Herbert sentiu que o seu território criativo estava a ser invadido.

Dois mitos, dois caminhos diferentes

O mais interessante é que, com o passar do tempo, Dune e Star Wars seguiram trajectórias muito distintas. Star Warstornou-se um fenómeno global, moldando gerações e definindo o blockbuster moderno. Dune, por seu lado, manteve-se como uma obra de culto respeitada, cuja influência se sente mais no cinema de autor e na ficção científica filosófica — algo bem visível nas adaptações recentes de Denis Villeneuve.

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Frank Herbert nunca processou George Lucas, mas nunca escondeu o desconforto. A sua reacção serve hoje como um lembrete curioso: mesmo na ficção científica, onde tudo parece possível, as ideias têm memória — e os seus criadores também.

Chevy Chase Sem Filtros: O Documentário Que Mostra o Comediante Tal Como Ele É — e Ele Aceita

Um retrato cru, incómodo e inesperadamente humano de uma lenda da comédia

Insultar a realizadora que está a fazer um documentário sobre a nossa vida não parece, à partida, a melhor forma de começar. Mas Chevy Chase nunca foi conhecido pela diplomacia. E é precisamente essa frontalidade — por vezes cruel, por vezes desconcertante — que dá o tom a I’m Chevy Chase and You’re Not, o novo documentário que coloca o comediante sob os holofotes, com todas as verrugas incluídas.

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Logo no primeiro encontro com a realizadora Marina Zenovich, Chase deixa claro que não será fácil de decifrar. Quando ela lhe pergunta porquê, a resposta surge sem rodeios: “Porque não és suficientemente inteligente.” O facto de esta troca ter ficado no filme diz tanto sobre Zenovich como sobre o próprio Chase — um humorista brilhante, mas profundamente difícil.

Um percurso brilhante… e cheio de fricção

O documentário percorre toda a vida e carreira de Chevy Chase, desde uma infância marcada por episódios de violência emocional e física, até à explosão de popularidade nos anos 70 e 80, com filmes hoje considerados clássicos como CaddyshackFletchThree Amigos e a saga National Lampoon’s Vacation. Pelo caminho, passa ainda pela sua relação complicada com Saturday Night Live e pelo período conturbado na série Community.

Ao longo do filme, surgem testemunhos de colegas, amigos e familiares, incluindo Dan Aykroyd, Goldie Hawn, Beverly D’Angelo, Martin Short, Lorne Michaels, Ryan Reynolds, a mulher Jayni Chase e as três filhas do actor. O retrato que emerge é o de um homem afiado, frequentemente mordaz, com um enorme grupo de fãs — mas também com uma longa lista de pessoas que se sentiram magoadas pelo seu comportamento.

Humor como mecanismo de sobrevivência

Zenovich, que já realizou documentários sobre figuras complexas como Roman Polanski, Richard Pryor, Robin Williams e Lance Armstrong, aponta para a infância de Chase como chave para compreender a sua personalidade. Em criança, foi fechado durante dias numa cave, castigado de forma severa e humilhado pelo padrasto e pela mãe.

Segundo a realizadora, o humor tornou-se a sua forma de lidar com esse passado. Uma arma defensiva que, com o tempo, passou a ferir também quem estava à sua volta. O filme não foge às polémicas: os conflitos com Bill Murray, John Belushi, Joel McHale ou Dan Harmon, nem os episódios que levaram à sua saída de Community, incluindo acusações de comentários racistas.

Um homem consciente… até certo ponto

Hoje com 82 anos, Chevy Chase diz saber que há muitas pessoas que não o suportam — mas garante que isso nunca o incomodou verdadeiramente. “É apenas Hollywood”, afirma. Ainda assim, o documentário revela momentos de fragilidade, como a mágoa por não ter sido convidado a subir ao palco na celebração dos 50 anos de Saturday Night Live.

Há também espaço para imagens inesperadamente ternurentas: Chase a brincar com um gato, a tocar piano, a ler cartas de fãs, a jogar xadrez ou a receber o carinho do público numa exibição recente de National Lampoon’s Christmas Vacation. E, talvez o mais surpreendente, o filme mostra uma relação próxima e saudável com as filhas — algo que a própria Zenovich considera uma vitória sobre o trauma geracional.

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Um retrato que dói… mas vale a pena

O maior crítico do documentário acaba por ser o próprio Chevy Chase — e ele aprova. Compara a experiência a uma massagem: agradável, mesmo quando dói. I’m Chevy Chase and You’re Not não tenta redimir nem condenar. Limita-se a observar, com honestidade desconfortável, um homem que fez rir milhões, mas que nunca foi fácil de amar.

Daredevil nos Avengers? Charlie Cox Dá a Resposta Mais Sensata (e Inesperada)


O herói de Hell’s Kitchen pode juntar-se à maior equipa da Marvel… mas faz mesmo sentido?

Com 2025 a abrir caminho para uma nova formação dos Avengers e com Avengers: Doomsday já no horizonte, as especulações sobre quem poderá integrar — ou regressar — à mítica equipa de super-heróis não param de crescer. Entre regressos históricos, novas versões de personagens clássicas e a ameaça de um vilão de peso, há um nome que surge repetidamente nas conversas dos fãs: Daredevil.

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A questão foi colocada directamente a Charlie Cox durante uma convenção recente. Poderá Matt Murdock, o vigilante de Hell’s Kitchen, tornar-se oficialmente um Avenger? A resposta do actor foi tão honesta quanto inesperadamente coerente com a essência da personagem.

“Matt Murdock não é propriamente um homem de equipa”

Segundo Charlie Cox, a ideia é apelativa… mas complicada. Não para o actor, que admitiu que ficaria absolutamente entusiasmado com a oportunidade, mas para a personagem. Na sua leitura, Matt Murdock é um solitário por natureza, alguém que prefere operar sozinho e manter controlo total sobre o que faz.

O actor comparou-o mesmo a Frank Castle, sublinhando que ambos partilham essa resistência instintiva a integrar grandes equipas organizadas. Daredevil não é um herói de discursos épicos nem de batalhas globais — é uma figura moldada por becos escuros, dilemas morais íntimos e uma relação constante com a culpa e a fé.

É um argumento difícil de contrariar. Ao contrário de outros heróis mais simbólicos, Matt Murdock nunca foi pensado como estandarte. É um homem quebrado, movido por princípios muito pessoais e por uma ideia de justiça que raramente encaixa em estruturas formais.

A integração no MCU não foi por acaso

Ainda assim, a Marvel tem vindo a posicionar cuidadosamente a personagem dentro do seu universo cinematográfico. As aparições recentes de Matt Murdock em diferentes projectos deixam claro que o Demolidor deixou definitivamente de existir num canto isolado da televisão.

A nova fase de Daredevil: Born Again, com estreia marcada para 4 de Março, reforça a ideia de que o personagem terá um papel relevante nos próximos anos. A grande dúvida é saber se esse caminho passa por uma integração oficial nos Avengers ou por algo mais subtil.

Participar sem vestir a camisola

Há uma solução intermédia que parece agradar tanto a fãs como a quem pensa a narrativa a longo prazo: Daredevil pode participar nos acontecimentos de Avengers: Doomsday sem nunca se tornar, formalmente, um Avenger.

Não seria algo inédito. Ao longo da história da Marvel, vários heróis cruzaram caminhos com a equipa sem fazer parte do núcleo oficial. E, sendo realistas, Matt Murdock não compete em termos de escala com deuses, super-soldados ou entidades cósmicas.

No entanto, isso nunca foi um obstáculo absoluto. Personagens sem super-poderes evidentes, como Black Widow ou Hawkeye, estiveram presentes desde o início. Daredevil pode não ter força descomunal, mas compensa com uma eficácia brutal em combate corpo-a-corpo, inteligência táctica e uma resistência quase inumana.

Um papel pequeno… mas com peso simbólico

Mesmo que venha a surgir em Avengers: Doomsday, é pouco provável que Charlie Cox tenha um papel central. O filme promete reunir um número impressionante de personagens de várias gerações, o que inevitavelmente limita o tempo de ecrã disponível para cada um.

Ainda assim, uma participação especial — mesmo que breve — teria um enorme impacto simbólico. Para muitos fãs de longa data, seria a confirmação definitiva de que Daredevil pertence, finalmente, ao coração do universo cinematográfico da Marvel.

Prudência antes de tudo

Como é habitual neste tipo de projectos, Charlie Cox foi claro num ponto: não esperem confirmações antecipadas. Se Daredevil tiver um papel em Avengers: Doomsday, essa informação só será tornada pública quando a Marvel assim o decidir — possivelmente mais perto da estreia ou durante a exibição da nova temporada de Daredevil: Born Again.

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Até lá, a resposta do actor deixa uma ideia forte: mais importante do que saber se Daredevil será um Avenger é perceber se esse passo respeita quem Matt Murdock sempre foi. E, nesse ponto, Charlie Cox mostrou conhecer o seu personagem melhor do que ninguém.

35 anos depois, os fãs de Sozinho em Casa descobriram o detalhe que explica tudo

Há filmes que resistem ao tempo não apenas pela nostalgia, mas porque continuam a revelar pequenos segredos a cada nova revisão. Sozinho em Casa é um desses casos. Trinta e cinco anos após a sua estreia, um detalhe aparentemente insignificante passou despercebido a milhões de espectadores — até agora. E, curiosamente, ajuda a esclarecer uma das maiores “falhas” narrativas do filme.

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Durante uma reposição natalícia do clássico realizado por Chris Columbus, fãs mais atentos repararam numa cena do início do filme que muda a forma como olhamos para toda a confusão que leva Kevin McCallister a ficar sozinho em casa. Na famosa sequência do jantar caótico da família McCallister, Kevin e o irmão Buzz provocam uma discussão que termina com a mesa virada e leite entornado sobre documentos importantes — incluindo os bilhetes de avião para Paris.

No meio dessa confusão, o pai, Peter McCallister, apressa-se a limpar a mesa com guardanapos. Sem se aperceber, atira para o lixo o cartão de embarque de Kevin, que estava colado aos restantes documentos molhados. É um gesto rápido, quase invisível, mas com consequências decisivas: Kevin nunca chegou sequer a ter um bilhete válido para embarcar.

Um “erro” que afinal não é erro nenhum

Esta descoberta tornou-se viral nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações e reacções de espanto. De repente, uma das perguntas mais recorrentes dos fãs — “como é que ninguém deu pela falta de uma criança no avião?” — passou a ter uma resposta simples e lógica. O bilhete de Kevin nunca foi apresentado, nunca foi verificado, nunca foi contado.

Ou seja, mesmo que alguém tivesse reparado na ausência de Kevin, tecnicamente ele não fazia parte da lista de passageiros embarcados. Um pormenor de guião discretíssimo que demonstra o cuidado narrativo do filme e desmonta, com elegância, uma crítica repetida durante décadas.

As obsessões natalícias continuam

Como acontece todos os anos, Sozinho em Casa volta a ser escrutinado plano a plano. Além do mistério do bilhete, há outras curiosidades que continuam a alimentar debates. Uma delas é a rapidez com que Kevin se desloca entre a igreja, onde conversa com o temido (e afinal bondoso) Old Man Marley, e a casa da família — uma distância considerável para uma criança, especialmente em plena noite de inverno. Táxi? Corte de montagem conveniente? O filme nunca responde.

Outra questão eterna prende-se com o nível de vida dos McCallister. Como é que uma família numerosa consegue sustentar uma mansão nos subúrbios de Chicago e viagens internacionais em primeira classe? A explicação oficial nunca foi dada, mas teorias não faltam — desde empregos altamente lucrativos até ajudas familiares discretas.

Um clássico que continua vivo

Estes detalhes são precisamente o que mantém Sozinho em Casa relevante geração após geração. Mais do que um simples filme de Natal, tornou-se um objecto de análise colectiva, um ritual anual e um exemplo raro de cinema popular com um nível de construção narrativa mais sólido do que aparenta à primeira vista.

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E agora que este mistério foi finalmente resolvido, fica a pergunta inevitável, repetida todos os anos à mesa de Natal: prefere Sozinho em Casa ou Sozinho em Casa 2?

Jamie Lee Curtis agradece decisão da mãe: “Ainda bem que não me deixou fazer O Exorcista aos 12 anos”

Muito antes de se tornar um dos rostos mais icónicos do cinema de terror, Jamie Lee Curtis esteve a um passo de entrar num dos filmes mais perturbadores da história do cinema — e hoje não podia estar mais agradecida por isso não ter acontecido.

Cinco anos antes de alcançar a fama mundial com Halloween (1978), Jamie Lee Curtis quase teve a sua estreia cinematográfica em O Exorcista, realizado por William Friedkin. Tinha apenas 12 anos quando o produtor Ray Stark, amigo próximo da família, sugeriu que a jovem atriz fizesse audições para o papel de Regan MacNeil — a criança possuída que viria a traumatizar gerações.

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Foi Janet Leigh, a sua mãe e eterna estrela de Psycho, quem travou tudo de imediato.

“A minha mãe disse simplesmente ‘não’”

Em conversa recente no The Drew Barrymore Show, Jamie Lee Curtis recordou o episódio com humor e enorme gratidão. Segundo a atriz, Ray Stark ligou directamente a Janet Leigh a perguntar se autorizava a audição da filha para O Exorcista. A resposta foi curta e definitiva: não.

Curtis explicou que, na altura, era “uma miúda gira, espirituosa, com personalidade” e que provavelmente Stark a tinha visto numa festa e achado que poderia resultar no papel. Mas a mãe tinha outros planos. Janet Leigh queria, acima de tudo, que a filha tivesse algo raro em Hollywood: uma infância normal.

Hoje, olhando para trás, Curtis reconhece que essa decisão foi fundamental. Não apenas para a sua saúde emocional, mas para o percurso artístico que viria a construir com tempo, maturidade e escolhas conscientes.

Uma protecção que nem todos tiveram

Durante a conversa, Curtis fez questão de sublinhar que nem todas as crianças-actoras tiveram essa protecção. A observação foi particularmente sensível por estar a falar com Drew Barrymore, cuja infância em Hollywood foi tudo menos tranquila.

Segundo Curtis, a mãe sempre acreditou que a experiência de vida devia vir antes da exposição mediática. E isso permitiu-lhe chegar ao cinema já adulta, preparada para lidar com a pressão, o escrutínio e os riscos da indústria.

O papel que marcou outra carreira

O papel de Regan acabou por ir para Linda Blair, que tinha apenas 14 anos quando protagonizou O Exorcista. A performance tornou-se lendária, mas também trouxe consigo uma carga psicológica pesada, frequentemente associada à intensidade do filme e à forma como o público passou a olhar para a atriz.

Blair regressaria à personagem na sequela Exorcist II: The Heretic (1977) e, anos mais tarde, brincaria com a fama do papel numa paródia com Leslie Nielsen. Ainda assim, a marca deixada por Regan nunca desapareceu totalmente da sua carreira.

Um “e se” que correu pelo melhor

No caso de Jamie Lee Curtis, a recusa de Janet Leigh acabou por empurrá-la para outro destino dentro do mesmo género. Em Halloween, Curtis redefiniu o conceito de “final girl”, tornando-se um símbolo do cinema de terror moderno — mas já adulta, consciente e dona do seu percurso.

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Hoje, vencedora de um Óscar e com uma carreira que atravessa décadas e géneros, Curtis olha para trás e não tem dúvidas: começar a carreira com O Exorcista aos 12 anos poderia ter mudado tudo. E não necessariamente para melhor.

Às vezes, em Hollywood, o maior acto de amor é mesmo saber dizer não.

Quando Roger Moore Mudou de Ideias — e Tirou James Brolin do Caminho de James Bond

A história de James Bond está cheia de curiosidades, decisões de última hora e jogos de bastidores dignos do próprio MI6. Mas poucas são tão cruéis — e tão pouco conhecidas — como aquela que envolveu James Brolin e que acabou por mantê-lo fora de Octopussy. Um caso raro em que um actor chegou a ser escolhido, começou a preparar-se… e foi afastado simplesmente porque o titular decidiu regressar.

No início da década de 1980, a continuidade de Roger Moore como 007 estava longe de ser garantida. Após For Your Eyes Only (1981), tudo indicava que Moore iria finalmente despedir-se do papel que já interpretava desde Live and Let Die. Os produtores Albert R. Broccoli e Michael G. Wilson começaram, discretamente, a procurar um sucessor.

E foi aí que James Brolin entrou em cena.

Um Bond improvável… mas quase oficial

À primeira vista, a escolha parecia improvável. Brolin era americano — algo que sempre causou resistência dentro da saga — mas vinha embalado pelo enorme sucesso de The Amityville Horror (1979). Tinha presença física, carisma e um perfil mais duro que agradava à equipa criativa, que pretendia manter um tom mais sério após o registo mais leve de Moore.

Segundo o próprio Brolin, em entrevista à People em 2025, o processo avançou de forma surpreendentemente concreta. Voou para Londres, reuniu-se com os produtores, foi integrado em treinos com duplos, recebeu alojamento… e foi, nas suas palavras, escolhido informalmente para o papel. Faltava apenas assinar o contrato.

Chegou mesmo a realizar um teste de câmara com Maud Adams, que viria a protagonizar Octopussy. O realizador John Glen descreveu o ensaio como “excelente”, sublinhando que Brolin levava o papel muito a sério e tinha entendido o tom pretendido para o novo Bond.

O telefonema que mudou tudo

Convencido de que iria passar um ano em Inglaterra, Brolin regressou a Los Angeles para organizar a sua vida. Foi então que recebeu o telefonema fatídico: Roger Moore tinha mudado de ideias.

Após negociações de bastidores — financeiras, criativas e estratégicas — Moore aceitou regressar para mais um filme. A decisão foi imediata e definitiva. Brolin estava fora. Sem contrato assinado, sem margem para contestação, sem direito a segunda oportunidade.

Como o próprio recorda, tudo terminou tão depressa como começou.

Porque é que Moore regressou?

Moore já tinha ultrapassado o número de filmes inicialmente previstos no seu contrato. Depois de The Spy Who Loved Me, passou a negociar filme a filme. Moonraker e For Your Eyes Only foram feitos nessas condições, e Octopussy surgiu num momento particularmente sensível para a franquia.

Em 1983, a saga enfrentava concorrência directa de Never Say Never Again, que marcava o regresso de Sean Connery ao papel, fora da continuidade oficial. Para a MGM, manter Moore era uma forma de assegurar estabilidade e reconhecimento imediato junto do público.

Além disso, como John Glen admitiu mais tarde, Cubby Broccoli nunca esteve totalmente confortável com a ideia de um Bond americano. Mesmo que Brolin tivesse convencido em câmara, a tradição acabou por pesar mais.

Um sucesso… e uma oportunidade perdida

Octopussy não é hoje lembrado como um dos grandes clássicos da saga, mas foi um enorme sucesso comercial e superou o rival protagonizado por Connery. Para Roger Moore, foi mais uma vitória. Para James Brolin, ficou a sensação agridoce de ter estado a centímetros da imortalidade cinematográfica.

É um daqueles casos em que o destino de Hollywood se decide num simples “vou fazer mais um”. Um gesto aparentemente banal que alterou carreiras, histórias e até a memória colectiva de uma das maiores franquias do cinema.

E deixa uma pergunta inevitável: como teria sido James Bond se James Brolin tivesse realmente vestido o smoking?

Quando a Televisão Era “Um Passo Atrás” — e um Actor Aceitou a Contragosto um Papel Que Mudou Tudo

Hoje parece impensável, mas houve um tempo em que aceitar protagonizar uma série de televisão era visto como um retrocesso na carreira de qualquer actor com ambições sérias. Nos anos 80, o pequeno ecrã ainda carregava o estigma de ser território menor, longe do prestígio artístico e cultural do cinema e do teatro. Foi nesse contexto que Edward James Olmos quase disse “não” a um dos papéis mais marcantes da história da televisão.

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Quando Michael Mann estava a montar o elenco de Miami Vice, a sua série revolucionária sobre polícias infiltrados em Miami, Olmos não era exactamente uma estrela de cinema, mas era altamente respeitado no meio artístico. Vinha do teatro — com nomeações para os Tony Awards — e já tinha deixado marca em filmes como Wolfen e Blade Runner. Acima de tudo, era um actor que levava o ofício muito a sério.

Quando Mann o abordou pela primeira vez para interpretar o tenente Martin Castillo, chefe da unidade de narcóticos da polícia de Miami-Dade, Olmos recusou. Televisão? Não, obrigado. Para um actor com formação teatral, aquilo era visto como um compromisso artístico difícil de justificar.

O destino, no entanto, tinha outros planos. Seis episódios depois do arranque da primeira temporada, o actor inicialmente escolhido para o papel saiu abruptamente da série. Mann ficou com um problema sério em mãos — e voltou a bater à porta de Olmos. Segundo relatos feitos mais tarde em documentários sobre a série, o criador de Miami Vice praticamente implorou para que o actor reconsiderasse. Foi a esposa de Olmos quem acabou por o convencer a aceitar.

O acordo, porém, não foi convencional. Olmos exigiu — e obteve — um nível de controlo raríssimo para a televisão da época. Decidia o guarda-roupa de Castillo, ajustava os diálogos, moldava o comportamento da personagem e até a organização da secretária no seu gabinete tinha de reflectir a psicologia do tenente. Nada era arbitrário.

Quando Martin Castillo entrou finalmente em cena, tudo mudou. Silencioso, intimidante, contido e profundamente introspectivo, o personagem contrastava com o estilo mais exuberante de Sonny Crockett e Ricardo Tubbs. Era uma figura quase trágica, carregada de passado e de moral rígida, que elevou imediatamente o tom dramático da série.

Miami Vice explodiu em popularidade e influência cultural, redefinindo a linguagem visual da televisão, a forma como a música era usada nas narrativas e a própria ideia de série policial. E Edward James Olmos tornou-se um dos pilares desse sucesso, provando que a televisão podia ser tão séria, complexa e artisticamente exigente quanto o cinema.

O que começou como uma decisão tomada a contragosto acabou por se transformar num dos maiores acertos da sua carreira. Mais do que isso, ajudou a mudar para sempre a percepção do pequeno ecrã junto dos actores e do público.

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Às vezes, aceitar um papel “errado” no momento certo é tudo o que é preciso para fazer história.

Quando um Papel Secundário Rouba o Filme Inteiro — e Obriga Hollywood a Reescrever o Guião

Há histórias de bastidores que explicam melhor do que qualquer manual como nascem as estrelas de cinema. Uma delas aconteceu em 1992, durante as filmagens de Dazed and Confused, o hoje lendário retrato geracional de Richard Linklater sobre adolescentes texanos nos anos 70. Um filme coral, sem protagonista óbvio, mas que acabou por lançar uma carreira… quase por acidente.

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Na altura, Matthew McConaughey era um completo desconhecido. Tinha 23 anos, nenhuma carreira relevante no cinema e foi contratado para um papel mínimo: David Wooderson, o tipo mais velho que continua a sair com miúdos do secundário, conduz carros vistosos e vive numa adolescência eterna. O personagem estava pensado como uma presença episódica, quase decorativa.

Quem deveria brilhar era Kevin Pickford, o hippie descontraído interpretado por Shawn Andrews, concebido como uma figura central no grupo de amigos do protagonista Pink (Jason London). Só que a realidade no set começou rapidamente a afastar-se do plano original.

Andrews revelou-se problemático. Tinha dificuldades em relacionar-se com o resto do elenco, criava tensão constante e chegou mesmo a envolver-se numa luta física com Jason London, obrigando Linklater a intervir para separar os dois. O ambiente tornou-se tão tóxico que, mesmo nas cenas em que Pickford e Pink surgem juntos no filme final, quase não interagem — um detalhe curioso que salta à vista quando revisto com este contexto em mente.

Do outro lado estava McConaughey. Carismático, bem-disposto, perfeitamente integrado no espírito descontraído das filmagens e, acima de tudo, dono de uma presença magnética. As poucas falas que tinha destacavam-se imediatamente. Linklater percebeu o que estava ali a acontecer e tomou uma decisão rara, mas decisiva: começou a escrever mais cenas para Wooderson durante as filmagens.

Mais do que isso, incentivou McConaughey a improvisar. Foi assim que nasceu, quase por acaso, o icónico “alright, alright, alright”, hoje inseparável da persona pública do actor. Enquanto isso, o papel de Pickford foi sendo progressivamente reduzido na montagem, arrastando consigo a personagem de Michelle, interpretada por Milla Jovovich, cujas cenas estavam quase todas ligadas a ele.

O resultado é um daqueles casos clássicos em que o cinema se adapta à química real dos actores. Wooderson tornou-se uma das figuras mais memoráveis do filme, apesar de nunca ser o centro da narrativa. E para McConaughey, foi o início de tudo: a performance que lhe abriu portas, chamou a atenção da indústria e lançou uma carreira que acabaria por passar por blockbusters, reinvenções dramáticas e até um Óscar.

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Às vezes, Hollywood não escolhe as estrelas. Elas simplesmente impõem-se. E neste caso, McConaughey fez exactamente isso — à sua maneira.

A casa mais doce do cinema de Natal: Sozinho em Casa inspira a maior casa de gengibre do mundo

Trinta e cinco anos depois da sua estreia, Sozinho em Casa continua a provar que é muito mais do que um simples clássico natalício. É um verdadeiro fenómeno cultural, capaz de atravessar gerações, plataformas e… agora também recordes do Guinness. Para assinalar o aniversário redondo do filme, a Disney+ e a Hulu decidiram subir a parada e construíram a maior casa de gengibre do mundo, inspirada na icónica casa da família McCallister.

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A estrutura monumental, certificada oficialmente pelo Guinness World Records, recria a famosa moradia suburbana onde Kevin McCallister enfrentou, sozinho, os inesquecíveis “Wet Bandits”. Com 34 pés de comprimento, 58 de largura e 22 de altura (mais de 10 metros de comprimento e quase 7 metros de altura), a casa não é apenas decorativa: é uma verdadeira obra de engenharia açucarada.

A construção demorou oito dias intensivos e envolveu números absolutamente impressionantes. Foram utilizados cerca de 3.300 quilos de farinha, mais de 6.600 ovos, 75 litros de “cola” comestível e cerca de 4,5 quilos de fondant. Tudo isto para erguer uma réplica doce de uma das casas mais famosas da história do cinema, agora transformada num postal natalício em escala real.

A casa de gengibre encontra-se em exibição em Hollywood e funciona como uma poderosa acção promocional, mas também como uma declaração de amor a um filme que nunca saiu verdadeiramente de cena. Realizado por Chris Columbus e protagonizado por Macaulay CulkinSozinho em Casa estreou em 1990 e tornou-se rapidamente num sucesso global, redefinindo o cinema familiar de Natal e criando um herói improvável que marcou toda uma geração.

Mais do que celebrar um aniversário, esta iniciativa sublinha a longevidade do filme num panorama mediático cada vez mais volátil. Poucos títulos conseguem manter-se relevantes durante três décadas e meia, atravessando VHS, DVD, televisão por cabo e, agora, plataformas de streaming, sem perder o estatuto de ritual natalício obrigatório.

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Entre armadilhas engenhosas, gargalhadas garantidas e uma casa que agora bate recordes mundiais… fica claro que Kevin McCallister continua a proteger muito bem o seu território no imaginário colectivo. Desta vez, coberto de açúcar, farinha e nostalgia.

Quando Rambo deixou de ser vítima para virar super-herói: a guerra criativa entre James Cameron e Sylvester Stallone

Poucos filmes ilustram tão bem a transformação do cinema de acção dos anos 80 como Rambo: First Blood Part II. Aquilo que começou, em First Blood, como um retrato amargo de um veterano traumatizado pelo Vietname acabou por se tornar um desfile musculado de explosões, frases lapidares e contagens de cadáveres dignas de banda desenhada. E, ao contrário do que muitos pensam, essa mudança não foi apenas estética — foi também o resultado de um verdadeiro braço-de-ferro criativo entre James Cameron e Sylvester Stallone.

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Quando Cameron foi contratado pela Carolco para escrever o argumento da sequela, o realizador ainda não era o nome lendário que viria a ser. Aceitou o trabalho “pelo dinheiro”, como admitiria mais tarde, mas tentou manter viva a dimensão psicológica que tornara First Blood especial. O seu guião, intitulado First Blood II: The Mission, mergulhava novamente no trauma de John J. Rambo, explorando o stress pós-traumático e o peso emocional da guerra, mesmo num contexto de missão de resgate em território vietnamita.

O problema é que Stallone tinha outra visão. Depois de, no primeiro filme, ter sido ele próprio a suavizar o argumento original — retirando mortes e tornando Rambo mais humano e vulnerável —, o actor decidiu que a sequela precisava de algo diferente. O público dos anos 80 queria heróis maiores do que a vida, e Stallone percebeu isso antes de muitos. O resultado foi uma revisão profunda do texto de Cameron, ao ponto de o próprio realizador admitir que apenas cerca de metade do seu guião chegou ao ecrã.

A versão final do filme mantém a premissa básica — Rambo regressa ao Vietname para resgatar prisioneiros de guerra —, mas abandona grande parte da introspecção psicológica em favor da acção pura. O Rambo pacifista, que no primeiro filme não matava ninguém, transforma-se aqui numa máquina de combate que elimina dezenas de inimigos. A mudança é tão radical que redefine a personagem para sempre, empurrando a saga para um território cada vez mais exagerado, que atingiria o auge em Rambo III.

As diferenças entre os dois argumentos são reveladoras. No guião de Cameron, Rambo surge internado num hospital de veteranos, isolado, claramente marcado pela guerra. Há mais atenção aos prisioneiros que ele vai salvar, com histórias pessoais e humanidade próprias. Existe até uma personagem secundária pensada como alívio cómico e apoio técnico — alegadamente escrita a pensar em John Travolta — que desapareceu completamente na versão final. Stallone optou por simplificar tudo isso, introduzindo antes a personagem interpretada por Julia Nickson e acelerando o ritmo rumo à carnificina.

Curiosamente, Cameron nunca renegou totalmente o trabalho feito. Pelo contrário: reconheceu que a experiência lhe permitiu reciclar ideias. Alguns dos temas rejeitados em Rambo: First Blood Part II acabariam por ressurgir em Aliens, nomeadamente a ideia de personagens que regressam a cenários traumáticos e lidam com as cicatrizes psicológicas da violência extrema. Onde Rambo se tornou super-herói, Ellen Ripley manteve-se humana.

Este choque de visões diz muito sobre a evolução do cinema comercial da época. Cameron queria complexidade emocional; Stallone queria impacto imediato. Ambos tinham razão à sua maneira. Rambo: First Blood Part II foi um sucesso estrondoso e ajudou a definir o cinema de acção musculado dos anos 80. Mas também marcou o ponto em que a saga deixou definitivamente para trás o comentário social que estivera na sua génese.

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Hoje, visto à distância, o filme funciona quase como um estudo de caso sobre como as estrelas de Hollywood podem moldar narrativas à sua imagem — e como um personagem pode ser completamente reescrito não por um realizador ou argumentista, mas pelo actor que o encarna. Rambo deixou de ser apenas um homem quebrado pela guerra para se tornar um ícone pop global. E essa transformação nasceu, em grande parte, das tesouradas de Stallone no argumento de James Cameron.

O carrinho mais famoso do cinema de Natal: quanto custaria hoje a ida às compras de Kevin McCallister?

Há cenas de cinema que ficam gravadas na memória colectiva como se fossem rituais de época. Uma delas acontece em Sozinho em Casa, quando Kevin McCallister, o miúdo esquecido pela família no Natal, atravessa orgulhoso as portas de um supermercado carregado de sacos. Interpretado por Macaulay Culkin, Kevin sai dali com leite, sumo de laranja, pão, refeições congeladas, detergente, papel higiénico e até soldados de brincar… tudo por apenas 19 dólares e 83 cêntimos. Uma pechincha cinematográfica que, 35 anos depois, se tornou quase ficção científica.

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Nos últimos anos, o valor daquela compra voltou a circular nas redes sociais como símbolo de um tempo em que o dinheiro “esticava” mais. E não é apenas nostalgia: refazer exactamente o mesmo carrinho em 2025 dá um resultado bem diferente. Usando preços actuais de um supermercado próximo da zona suburbana de Chicago onde vive a família McCallister, o total chegaria hoje aos 53,95 dólares — ou 52,95 com o famoso cupão de desconto que Kevin apresenta com ar triunfante. Um aumento de cerca de 167% em pouco mais de três décadas.

O carrinho original incluía meia-garrafa de leite, meia-garrafa de sumo de laranja, um pão branco grande, um jantar de micro-ondas, massa com queijo congelada, detergente líquido Tide, película aderente, folhas para a máquina de secar, papel higiénico e um saco de soldados de brinquedo. Nada de luxos, nada de produtos gourmet. Ainda assim, o choque de preços diz muito sobre a evolução do custo de vida — e ajuda a explicar porque é que aquela cena hoje provoca tanto espanto.

Entre 2019 e 2024, os preços dos alimentos para consumo em casa nos Estados Unidos subiram mais de 27%, segundo o índice de preços ao consumidor. O período mais agressivo coincidiu com a pandemia, quando rupturas nas cadeias de abastecimento, aumento dos custos energéticos, falta de mão-de-obra e instabilidade global empurraram os preços para cima. O ritmo da inflação abrandou, mas os valores nunca regressaram ao ponto de partida.

Alguns produtos tornaram-se símbolos desse aumento. Os ovos mais do que duplicaram de preço em certos momentos, o pão encareceu devido aos custos do trigo e do combustível, e o café sofreu com fenómenos climáticos que afectaram grandes produtores mundiais. A carne seguiu o mesmo caminho, com secas e redução dos efectivos de gado a pressionarem a oferta. Até o leite, presença constante no cinema familiar americano, subiu de forma consistente.

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Visto à distância, Sozinho em Casa ganha uma camada inesperada de leitura: além de clássico natalício, tornou-se uma cápsula do tempo económica. A ingenuidade daquela ida às compras — com um miúdo de oito anos a gerir sozinho a despensa — hoje parece quase tão improvável quanto as armadilhas caseiras que Kevin monta para travar os ladrões. Talvez por isso o filme continue a regressar todos os Natais: não apenas pela comédia e pelo coração, mas porque nos lembra um mundo que, para muitos, já parece pertencer a outro século.

O trailer que correu tudo… menos o som: quando Tom Cruise virou meme e afundou um universo inteiro

Há nove anos, Tom Cruise protagonizou um dos momentos mais involuntariamente cómicos da história recente de Hollywood. Não foi num filme, nem numa entrevista, mas num trailer. Um trailer “partido”, sem música nem efeitos sonoros, que acabou por se tornar a coisa mais memorável — e, ironicamente, mais divertida — de toda uma franquia que nasceu morta: o ambicioso Dark Universe da Universal.

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Em 2017, a Universal Pictures apostava forte em The Mummy, uma nova versão do clássico protagonizada por Cruise, com a missão clara de lançar um universo partilhado inspirado nos lendários monstros do estúdio. A ideia era simples no papel: repetir a fórmula da Marvel com múmias, vampiros, lobisomens e afins. O problema? Tudo começou a descarrilar ainda antes da estreia… graças a um trailer IMAX lançado com um erro técnico absolutamente surreal.

O vídeo chegou às salas praticamente sem banda sonora. Não havia música épica, não havia efeitos especiais sonoros, não havia qualquer tipo de mistura final. O que sobrava? Diálogos soltos… e Tom Cruise a gritar. Muito. Durante quase dois minutos. O resultado era tão estranho quanto hilariante: perseguições aéreas acompanhadas apenas por gritos humanos em eco, sem qualquer enquadramento dramático.

A internet, como seria de esperar, fez o resto. O trailer foi rapidamente retirado pela Universal, mas já era tarde demais. Cópias começaram a circular e o vídeo transformou-se num meme global. Os gritos de Cruise passaram a ser sobrepostos a cenas icónicas do cinema: Darth Vader em Revenge of the Sith, Superman em Man of Steel, ou até a lendária cena de voleibol de Top Gun. Para muitos, essa versão “sem som” tornou-se mais marcante do que o próprio filme.

O mais cruel é que The Mummy precisava desesperadamente de uma boa primeira impressão. O Dark Universe já vinha coxo desde The Wolfman e Dracula Untold, dois ensaios falhados que não convenceram nem público nem crítica. Este reboot com Cruise era visto como o último cartucho. O trailer-meme não ajudou — antes pelo contrário, tornou o filme alvo de chacota antes mesmo de chegar aos cinemas.

Quando finalmente estreou, The Mummy confirmou os receios: uma narrativa confusa, excesso de exposição, personagens mal definidas e um tom indeciso entre terror, aventura e blockbuster genérico. O Dark Universe foi silenciosamente enterrado pouco depois, com projectos como Bride of Frankenstein ou Invisible Man a serem cancelados ou repensados (este último só ressuscitaria anos mais tarde, noutra abordagem).

Hoje, passados nove anos, o legado dessa tentativa falhada resume-se a um vídeo viral. Um erro técnico transformado em fenómeno cultural. Um lembrete de que, mesmo em Hollywood, bastam dois minutos sem música para destruir anos de planeamento estratégico.

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E talvez seja esse o maior paradoxo: o Dark Universe falhou redondamente, mas ofereceu ao mundo algo inesquecível. Não um novo universo cinematográfico — mas um Tom Cruise a gritar no vazio, eternizado na memória colectiva da internet.

O Filme Que Quase Enlouqueceu Uma Actriz: Os Bastidores Perturbadores de The Shining

Poucos filmes conseguiram atravessar décadas com a mesma aura de mistério, desconforto e fascínio obsessivo que The Shining. Realizado por Stanley Kubrick, o clássico de terror de 1980 não é apenas um marco do género — é também um dos casos mais discutidos, analisados e polémicos da história do cinema quando se fala de bastidores. E há uma razão simples para isso: The Shining não foi apenas um filme sobre a loucura. Foi um filme feito à beira dela.

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Ao longo dos anos, surgiram livros, documentários, entrevistas e testemunhos que revelam um processo de produção tão extenuante quanto perturbador, especialmente para Shelley Duvall, a actriz que interpretou Wendy Torrance. Para muitos, o que aconteceu no plateau levanta uma pergunta desconfortável: até onde pode ir um realizador em nome da arte?

Stanley Kubrick: o génio que não aceitava limites

Kubrick já tinha fama de perfeccionista obsessivo antes de The Shining. Era conhecido por repetir cenas dezenas — por vezes centenas — de vezes, não por capricho, mas por acreditar que a verdade emocional surgia apenas quando o actor estava completamente exausto, desarmado e incapaz de “interpretar”.

No caso de The Shining, essa filosofia atingiu um extremo raramente visto. A rodagem decorreu maioritariamente nos estúdios Elstree, em Inglaterra, onde foi construída uma réplica gigantesca do hotel Overlook. O ambiente era controlado ao milímetro por Kubrick, que alterava luzes, cenários e movimentos de câmara constantemente, muitas vezes sem avisar os actores.

Com Jack Nicholson, Kubrick encontrou um cúmplice criativo. Nicholson compreendia o método e até parecia divertir-se com ele. Já com Shelley Duvall, a história foi muito diferente.

Shelley Duvall: quando a personagem se confunde com a pessoa

O caso de Shelley Duvall tornou-se lendário — e profundamente desconfortável. Durante toda a rodagem, Kubrick isolou deliberadamente a actriz do resto da equipa. Criticava-a em público, desvalorizava o seu trabalho e instruía técnicos e colegas a não lhe darem apoio emocional. O objectivo, segundo o próprio realizador, era simples: quebrar a actriz psicologicamente para que o medo em cena fosse real.

A famosa cena da escada, em que Wendy enfrenta Jack com um taco de basebol, foi filmada 127 vezes, um recorde na época. No final, Duvall estava fisicamente esgotada, com as mãos a sangrar e à beira de um colapso nervoso. Começou a perder cabelo devido ao stress, desenvolveu ansiedade crónica e admitiria mais tarde que nunca mais recuperou totalmente daquela experiência.

Anos depois, Duvall diria que The Shining lhe custou “uma grande parte da sua saúde mental”. A pergunta impõe-se: valeu a pena?

Um ambiente de terror real — dentro e fora do ecrã

O mais inquietante é que o clima de medo não se limitava à actriz principal. A equipa técnica descreveu a rodagem como fria, silenciosa e opressiva. Kubrick comunicava muitas vezes através de bilhetes, evitava contacto directo e mantinha um controlo absoluto sobre tudo. Não havia improviso emocional — apenas desgaste progressivo.

Curiosamente, muitos elementos hoje considerados geniais no filme nasceram de acidentes ou problemas técnicos. O famoso labirinto final surgiu porque o realizador queria um clímax físico e psicológico que não existia no romance de Stephen King, autor que, aliás, detestou a adaptação e nunca escondeu o seu desagrado com a visão de Kubrick.

Arte imortal, custo humano incalculável

O resultado final é indiscutível: The Shining é uma obra-prima. A fotografia hipnótica, o uso revolucionário da steadicam, a banda sonora inquietante e a interpretação icónica de Nicholson tornaram o filme eterno. Mas esse estatuto veio com um preço.

Hoje, à luz de debates contemporâneos sobre saúde mental, ética no trabalho e abuso de poder na indústria criativa, The Shining é também um caso de estudo sobre os limites da autoria artística. Kubrick criou algo imortal — mas fê-lo à custa de pessoas reais, com consequências reais.

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Talvez seja por isso que o filme continua a inquietar tanto. Porque, no fundo, o terror mais perturbador de The Shining não está no hotel Overlook. Está nos seus bastidores.