Em Dupla Perigosa: Jason Momoa e Dave Bautista dominam a acção na nova comédia policial da Prime Video

A receita clássica do “buddy cop” com dupla explosiva

O cinema gosta de fórmulas testadas e aprovadas — e poucas são tão divertidas como a comédia de acção em que dois protagonistas completamente diferentes têm de trabalhar em conjunto. É essa a proposta de Em Dupla Perigosa, título em português de The Wrecking Crew, que estreia em exclusivo na Prime Video no dia 28 de Janeiro de 2026.  

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Realizado por Angel Manuel Soto, o filme junta duas figuras emblemáticas do cinema de acção — Jason Momoa e Dave Bautista — numa aventura que combina humor ácido, sequências de pancadaria bem coreografadas e uma conspiração que remete para o passado familiar dos protagonistas.  

Mistério familiar, Yakuza e muita acção

A história centra-se em dois meio-irmãos muito diferentes: Jonny, um polícia imprevisível e sem filtros, e James Hale, um ex-Navy SEAL disciplinado e reservado. Quando o pai deles, um investigador privado afastado da família, aparece morto numa rua de Chinatown pouco depois de enviar um pacote misterioso, os irmãos vêem-se arrastados para uma teia de perigos e segredos que os obriga a confrontar tanto criminosos implacáveis como as suas próprias feridas do passado.  

A investigação leva-os a enfrentar uma facção da Yakuza, a confrontar inimigos mortais e a navegar por uma série de reviravoltas que, apesar de nem sempre surpreenderem pelo plot twist mais sofisticado, mantêm o ritmo elevado e entretêm com eficácia.  

Momoa e Bautista: química de cinema

O grande trunfo de Em Dupla Perigosa está na energia que Momoa e Bautista trazem para o ecrã. Momoa personifica Jonny com a mesma intensidade descontrolada que tem caracterizado muitos dos seus papéis mais icónicos — uma mistura de força bruta, irreverência e carisma natural. Bautista, por seu turno, equilibra a balança como o irmão mais sério e contido, capaz de açoar qualquer plano com a sua presença física imponente e timing cómico surpreendentemente eficaz.  

A dinâmica entre ambos funciona como motor emocional e cómico para o filme, e mesmo quando a narrativa tropeça em determinados momentos — nomeadamente ao aprofundar os motivos por trás do pai e da conspiração — a presença da dupla mantém o interesse e gera momentos genuinamente divertidos.

Acompanhamento de personagens e acção cinematográfica

O elenco de apoio inclui Morena Baccarin, que empresta carisma e presença à personagem de Valentina, a parceira de Jonny. As cenas de acção foram concebidas para tirar partido do cenário luminoso e tropical do Havai, com combates físicos intensos e sequências de luta que equilibram realismo e espectáculo, sem recorrer ao exagero gráfico de filmes de terror mais extremos.  

Quando ver em Portugal

Em Dupla Perigosa estreia em Portugal na Prime Video no dia 28 de Janeiro de 2026, disponível para todos os subscritores da plataforma.  

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Com humor, adrenalina e personagens maiores-que-a-vida, o filme promete agradar aos fãs de acção e comédias com “buddy cop” no currículo — e deixa a porta aberta para um possível regresso desta dupla no futuro.

Judd Apatow, Mel Brooks e a Comédia em Perigo: Uma Conversa Sobre Legado, Risco e o Futuro de Hollywood

O documentário sobre Mel Brooks, a crise das comédias de estúdio e um apelo pouco habitual: desligar a televisão e sair à rua

Quando Judd Apatow aceitou o convite da HBO para realizar um documentário sobre Mel Brooks, achava que conhecia tudo sobre o homem que ajudou a definir a comédia moderna. Estava enganado. O resultado desse reencontro — Mel Brooks: The 99 Year Old Man! — é um mergulho raro e profundamente humano na vida de um criador que, aos 99 anos, continua a ser uma referência absoluta… e um espelho incómodo para o presente de Hollywood.

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Dividido em duas partes, o documentário não se limita a alinhar anedotas ou sucessos. Apatow quis ir mais fundo: falar da II Guerra Mundial, das perdas, dos casamentos, das inseguranças e do que fica depois de uma vida inteira dedicada a fazer rir. Mel Brooks aceitou — e isso faz toda a diferença.

Quando Mel Brooks era “a Beyoncé” da comédia

Apatow recorda o impacto de Brooks nos anos 70 com uma comparação improvável, mas certeira: Mel Brooks era, na altura, “a Beyoncé da comédia”. Blazing Saddles e Young Frankenstein estrearam no mesmo ano, algo impensável hoje, e dominaram completamente a cultura popular.

Era um tempo em que o país inteiro parecia concordar sobre o que importava. Se alguém surgia na capa da Time, isso significava alguma coisa. Brooks fazia filmes escandalosos, politicamente incorrectos, cheios de sátira racial e sexual — e mesmo assim chegava ao centro do sistema. Ou talvez precisamente por isso.

Curiosamente, The Producers, hoje considerado um clássico absoluto, foi inicialmente um fracasso comercial. O reconhecimento veio mais tarde, incluindo um Óscar de Argumento Original que Mel Brooks ganhou… batendo Stanley Kubrick e 2001: Odisseia no Espaço. Um daqueles momentos que hoje parecem impossíveis.

O lado íntimo por detrás do humor

Uma das grandes forças do documentário está na forma como Apatow consegue afastar Brooks do registo de “contador de histórias profissionais”. O realizador admite que muitas das anedotas já tinham sido contadas dezenas de vezes. O desafio foi outro: perceber o que existe por baixo da persona.

Brooks perdeu o pai aos dois anos de idade, cresceu em dificuldades económicas profundas e construiu o humor como uma forma de sobrevivência. Apatow insiste nessas feridas antigas, não por voyeurismo, mas porque elas explicam a urgência, a agressividade e a coragem do seu cinema.

Rob Reiner, Carl Reiner e uma amizade irrepetível

Um dos momentos mais emocionantes do documentário envolve Rob Reiner, que surge numa das suas últimas entrevistas antes de morrer tragicamente, juntamente com a mulher. A sua presença é essencial não só pelo seu próprio percurso, mas porque funciona como ponte para o pai, Carl Reiner, um dos amigos mais próximos e colaboradores de Mel Brooks durante mais de 70 anos.

A relação entre Brooks e Carl Reiner é descrita como algo quase impossível de repetir: uma amizade criativa baseada em admiração mútua, generosidade e respeito. Brooks, figura explosiva e dominadora, via em Carl uma espécie de figura paterna — alta, calma, protectora. Uma revelação que muda completamente a leitura pública do comediante.

A comédia de estúdio está em vias de extinção?

A entrevista de Apatow aborda também um tema que lhe é particularmente caro: o colapso da comédia nos grandes estúdios. Segundo o realizador, o fim do mercado de DVDs destruiu o modelo económico que sustentava este tipo de filmes. Metade das receitas vinha das salas, metade do mercado doméstico. O streaming nunca compensou essa perda.

O resultado foi uma indústria cada vez mais avessa ao risco. Filmes de terror baratos tornaram-se apostas “seguras”, enquanto a comédia passou a ser vista como pouco exportável. O problema? Sem comédias, não surgem novos talentos. Não há novos Adam Sandler, Kristen Wiig ou Jim Carrey. O público continua a consumir humor — mas fora das salas, no TikTok ou no YouTube.

O paradoxo Apatow: cinema, activismo e desconforto

Talvez o momento mais inesperado da conversa surja quando Apatow, em plena promoção do documentário, faz um apelo frontal: desliguem a televisão e protestem contra o ICE. Para ele, a normalização do caos político e social nos Estados Unidos é tão perigosa quanto a estagnação criativa de Hollywood.

É uma posição desconfortável, até contraditória — pedir que não vejam o seu próprio trabalho — mas profundamente coerente com o espírito de Mel Brooks: usar a visibilidade para dizer algo que incomoda.

Um legado que desafia o presente

Mel Brooks: The 99 Year Old Man! não é apenas um retrato de um génio da comédia. É um lembrete de que Hollywood já foi um espaço onde o risco, a provocação e o mau gosto inteligente tinham lugar no centro do sistema. E que talvez seja isso que mais falta hoje.

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Aos 99 anos, Mel Brooks continua a rir-se da morte, do poder e do medo. E Judd Apatow, ao escutá-lo com atenção rara, deixa uma pergunta no ar: será que ainda há espaço para este tipo de coragem no cinema contemporâneo? 🎬

“Wonder Man” Surpreende Tudo e Todos: A Série da Marvel Que Já Está no Topo da Crítica

Com 96% no Rotten Tomatoes, a nova aposta do MCU torna-se um caso sério… apesar do silêncio promocional

Quando parecia que o Marvel Cinematic Universe já não conseguia voltar a surpreender pela positiva, surge Wonder Man — discretamente, quase às escondidas — para baralhar as contas. Estreada a 27 de Janeiro, sem grande campanha de promoção e lançada em formato binge, a série está a conquistar a crítica de forma esmagadora, ao ponto de já ostentar o segundo melhor resultado de sempre do MCU no Rotten Tomatoes.

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À data de escrita deste artigo, Wonder Man soma 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Um número impressionante por si só, mas ainda mais relevante se tivermos em conta o contexto: uma fase recente do universo Marvel marcada por recepção morna, desgaste criativo e divisões claras entre fãs e críticos.

Um resultado histórico para uma série “esquecida” no lançamento

O mais curioso é que Wonder Man não chegou com o peso mediático habitual das grandes produções da Marvel. Sem trailers omnipresentes, sem tapetes vermelhos mediáticos e sem semanas de antecipação nas redes sociais, a série parecia destinada a passar despercebida. A ironia? É precisamente esse projecto “menor” que agora surge empatado como segundo melhor avaliado de sempre em todo o universo cinematográfico e televisivo da Marvel.

Neste momento, o ranking histórico de pontuações no Rotten Tomatoes coloca Wonder Man ao lado de pesos-pesados absolutamente consagrados:

  • Ms. Marvel – 98%
  • Wonder Man – 96%
  • Black Panther – 96%
  • Agents of S.H.I.E.L.D. – 95%
  • Avengers: Endgame – 94%
  • Iron Man – 94%
  • Thor: Ragnarok – 93%
  • Spider-Man: No Way Home – 93%
  • Spider-Man: Homecoming – 92%
  • Shang-Chi – 92%
  • WandaVision – 92%

O facto de Wonder Man surgir neste grupo diz muito sobre a qualidade da série — e talvez ainda mais sobre as expectativas surpreendentemente baixas com que foi recebida.

O que está a funcionar em “Wonder Man”?

Sem entrar em território de spoilers, a recepção crítica tem destacado uma abordagem mais fresca, autoconsciente e segura de si própria. Wonder Man parece saber exactamente o que quer ser: uma série que dialoga com o legado do MCU, mas que não se deixa esmagar por ele.

Num período em que várias produções recentes da Marvel foram acusadas de excesso de fórmulas recicladas, Wonder Man destaca-se pela clareza narrativa, pelo tom consistente e por personagens que funcionam para lá da simples função de “peças” num universo maior. É uma série que não parece desesperada por preparar o próximo grande evento — e talvez seja isso que a torna tão eficaz.

Um sinal de esperança para o futuro do MCU?

O sucesso crítico de Wonder Man surge num momento delicado para a Marvel. A fadiga do público é real, os resultados de bilheteira já não são garantidos e a crítica tem sido cada vez menos indulgente. Neste contexto, o triunfo silencioso da série pode funcionar como um aviso interno: talvez menos ruído promocional e mais foco criativo seja o caminho.

Se esta pontuação se mantiver — e tudo indica que sim — Wonder Man poderá tornar-se um caso de estudo dentro do próprio estúdio. Uma série lançada quase sem alarido que acaba por conquistar um lugar cimeiro na história crítica do MCU não é coisa pequena.

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Resta agora saber se o público acompanhará a crítica… ou se Wonder Man ficará como aquele segredo bem guardado que merecia ter sido descoberto mais cedo 🎬.

“Empatia” — A Série Canadiana Que Entra Onde Dói (E Não Desvia o Olhar)

Fragilidade humana, saúde mental e dilemas morais no centro de um retrato íntimo e perturbador

Estreia segunda-feira, 26 de Janeiro, às 22h10, no TVCine Edition, a primeira temporada de Empatia, uma série canadiana que mergulha de forma frontal e profundamente humana no interior de um serviço psiquiátrico. Longe de clichés televisivos e soluções fáceis, Empatia propõe um olhar atento sobre a dor, a escuta e os limites da própria empatia — essa palavra tantas vezes usada, mas raramente explorada com esta densidade.  

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Criada, escrita e protagonizada por Florence Longpré, a série acompanha Suzanne Bien-Aimé, uma ex-criminologista que decide mudar radicalmente de percurso e ingressar como psiquiatra no Instituto Mont-Royal. O que começa como uma transição profissional transforma-se rapidamente num confronto intenso com histórias de violência, perda e instabilidade emocional que desafiam tudo aquilo que Suzanne julgava saber sobre saúde mental — e sobre si própria.

Um quotidiano onde cada caso deixa marcas

No dia a dia do instituto psiquiátrico, Suzanne acompanha pacientes internados com percursos profundamente marcados pelo trauma. São histórias duras, muitas vezes desconfortáveis, que a série nunca suaviza nem transforma em espectáculo. Pelo contrário, Empatia constrói-se a partir do detalhe, do silêncio e da observação paciente, revelando um sistema onde cada decisão clínica carrega consequências humanas reais.

Entre consultas, intervenções de emergência e reuniões de equipa, Suzanne estabelece uma relação próxima com Mortimer, um agente de intervenção que conhece como poucos os bastidores da instituição e as suas zonas cinzentas. Esta ligação torna-se um dos eixos emocionais da narrativa, ajudando a série a explorar o contraste entre teoria, prática e desgaste psicológico dos profissionais que ali trabalham.

O passado que insiste em regressar

À medida que os episódios avançam, Empatia revela que Suzanne não é apenas uma observadora. O seu passado traumático começa a emergir, influenciando decisões clínicas, relações profissionais e escolhas pessoais. A série recusa a ideia de neutralidade absoluta: aqui, quem cuida também carrega feridas, e a fronteira entre empatia e envolvimento excessivo é perigosamente ténue.

Esta abordagem confere à série uma honestidade rara. Empatia não procura respostas definitivas nem moralismos fáceis. Prefere levantar perguntas incómodas: até onde deve ir a empatia? Quando é que compreender o outro começa a destruir quem cuida?

Uma realização contida e um elenco sólido

Com realização de Guillaume Lonergan, a série aposta numa linguagem visual discreta, quase clínica, que reforça a sensação de intimidade e realismo. Não há música invasiva nem dramatização excessiva — tudo serve a verdade emocional das personagens.

Além de Florence Longpré, o elenco conta com Thomas NgijolAdrien Bletton e Malube Uhindu-Gingala, compondo um conjunto de interpretações contidas, humanas e profundamente credíveis.

Um drama que não se esquece facilmente

Empatia não é uma série confortável — e é precisamente aí que reside a sua força. Ao retratar o interior de um serviço psiquiátrico com respeito, rigor e sensibilidade, recusa simplificar a dor humana ou transformar o sofrimento em entretenimento ligeiro. É uma série que exige atenção, disponibilidade emocional e vontade de escutar.

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A primeira temporada estreia 26 de Janeiro, às 22h10, no TVCine Edition, com novos episódios todas as segundas-feiras, estando também disponível no TVCine+. Uma proposta forte, adulta e necessária para quem acredita que a televisão pode — e deve — ser mais do que distracção 📺🧠

“Landman”, Identidade de Género e o Debate Que Chegou Onde Ninguém Esperava

A personagem não-binária que dividiu os fãs da série e a resposta serena de Bobbi Salvör Menuez

A segunda temporada de Landman acabou por gerar uma das discussões mais intensas da televisão recente — e não foi por causa de petróleo, poder ou conflitos empresariais. A polémica surgiu com a introdução de Paigyn Meester, uma personagem não-binária interpretada por Bobbi Salvör Menuez, que rapidamente se tornou um dos pontos mais debatidos da série criada por Taylor Sheridan.

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Menuez entra na narrativa já na recta final da temporada, como colega de casa de Ainsley Norris (Michelle Randolph), e admite que não estava totalmente preparado para a dimensão da reacção do público. Curiosamente, o actor revela que aceitou o papel sem conhecer profundamente o universo da série. Tinha visto cartazes, conhecia o nome, mas só percebeu o verdadeiro impacto de Landman quando começou a receber mensagens de agentes e contactos profissionais que raramente se manifestavam — todos conscientes de que aquela participação não passaria despercebida.

Uma personagem num terreno cultural sensível

Depois de mergulhar na série, Menuez percebeu rapidamente que Landman fala para um público vasto e ideologicamente diverso. Inserida num retrato muito específico da América rural e industrial, a introdução de uma personagem não-binária tornava inevitável uma reacção polarizada. O próprio actor reconhece que a identidade de género continua a ser um tema sensível, especialmente num contexto cultural como o da série.

A estreia de Paigyn, no episódio Plans, Tears & Sirens, não facilitou a aceitação imediata. A personagem surge inicialmente como rígida, inflexível e pouco tolerante à confusão em torno de pronomes, levando Ainsley às lágrimas numa das cenas mais comentadas da temporada. Para alguns espectadores, foi um exemplo de provocação deliberada; para outros, um passo importante na representação LGBTQ+ num território televisivo onde raramente existe espaço para esse tipo de personagens.

Uma evolução que muda a leitura

No entanto, o episódio final da temporada, Tragedy & Flies, acrescenta camadas importantes à personagem. Paigyn acaba por salvar Ainsley de um acidente durante um treino de cheerleading e, mais tarde, é Ainsley quem a defende perante ataques homofóbicos. Esta viragem narrativa complexificou a leitura inicial e mostrou que a personagem não se resume a um gesto simbólico ou a uma provocação cultural.

Menuez afirma que não acompanha comentários nem críticas online, sublinhando que o seu trabalho passa por interpretar a personagem de forma honesta e coerente com a história. Para o actor, a existência de personagens queer não é uma agenda nem um manifesto, mas um reflexo simples da realidade contemporânea.

Onde ver e o que vem a seguir

Em Portugal, Landman está disponível em streaming no SkyShowtime, plataforma que acolhe várias produções do universo de Taylor Sheridan no mercado europeu. A terceira temporada já tem produção confirmada para ainda este ano, prometendo continuar a explorar um mundo onde tradição, mudança e choque cultural convivem de forma cada vez mais explícita.

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Gostem ou não, Paigyn Meester provou uma coisa: mesmo nas séries mais improváveis, a representação continua a ser capaz de gerar desconforto, debate — e televisão relevante 📺.

Quando a Maternidade Uiva no Escuro: “Canina” e o Instinto Que Ninguém Quer Nomear

Amy Adams protagoniza uma comédia negra inquietante sobre identidade, cansaço e transformação

No próximo dia 25 de Janeiro, às 21h50, o TVCine Top estreia Canina, uma das propostas mais provocadoras e desconfortáveis do cinema recente. Conhecido internacionalmente pelo título original Nightbitch, o filme aposta numa mistura ousada de comédia negra e terror psicológico para explorar um tema raramente tratado com esta frontalidade: a maternidade enquanto experiência profundamente transformadora, exaustiva e, por vezes, alienante.  

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Protagonizado por Amy Adams, que assume também funções de produtora, Canina acompanha uma artista que decide interromper a sua carreira para se dedicar em exclusivo ao filho pequeno. O cenário é o clássico subúrbio calmo, quase asséptico, onde os dias se repetem entre rotinas domésticas, solidão e um silêncio que começa a pesar mais do que devia. O marido passa a maior parte do tempo fora, e a protagonista vê-se gradualmente engolida por uma sensação de perda de identidade que o filme transforma em algo literal — e perturbador.

Entre a sátira e o horror psicológico

À medida que o cansaço e a frustração se acumulam, o quotidiano da personagem começa a ganhar contornos estranhos. Sons nocturnos inexplicáveis, manchas invulgares no cabelo, impulsos primários difíceis de controlar. A pergunta instala-se de forma tão absurda quanto inquietante: estará ela a transformar-se num cão? O filme nunca oferece respostas fáceis e joga deliberadamente com a ambiguidade entre realidade e imaginação, convidando o espectador a entrar na mente de uma mulher à beira do colapso.

Realizado por Marielle Heller, responsável por filmes como O Diário de Uma Rapariga Adolescente e Um Amigo ExtraordinárioCanina adapta o romance homónimo de Nightbitch, mantendo o tom satírico e provocador da obra original. O resultado é um retrato desconcertante das pressões impostas à maternidade moderna, onde o instinto animal surge como metáfora para a necessidade de liberdade, autonomia e sobrevivência emocional.

Uma estreia a não perder no pequeno ecrã

Com uma interpretação intensa e sem filtros de Amy Adams, Canina recusa qualquer visão romantizada da maternidade. Pelo contrário, abraça o desconforto, o grotesco e o absurdo como ferramentas narrativas para falar de temas reais e profundamente humanos. É um filme que provoca, divide opiniões e, acima de tudo, fica na cabeça muito depois de terminar.

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A estreia acontece em exclusivo no TVCine Top, no domingo, 25 de Janeiro, às 21h50, estando também disponível na plataforma TVCine+. Uma proposta perfeita para quem procura cinema diferente, arriscado e disposto a morder onde dói 🐕🌕.

Sophie Turner Eleva Steal: Um Thriller Elegante que Sobrevive aos Próprios Clichés

A nova série da Prime Video estreia a 21 de Janeiro e prova que uma grande actriz pode carregar uma história imperfeita

À primeira vista, Steal parece seguir um manual demasiado familiar. A série da Prime Video abre com um assalto estilizado em Londres que parece um “best of” do género: planos aéreos da cidade, música electrónica pulsante, criminosos vestidos de preto e cinzento, armas automáticas, bloqueadores de sinal e a inevitável ameaça calma mas sinistra — “se fizerem exactamente o que digo, ninguém se magoa”. Naturalmente, alguém não faz o que lhe é pedido e acaba com a coronha de uma arma na cara.

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É o ponto de partida de uma minissérie de seis episódios que vai inevitavelmente lembrar títulos como The Night ManagerLa Casa de PapelSlow Horses ou The Terminal List. Um assalto que parece simples, investigadores confusos, teorias sobre ex-militares ou operações encobertas do Estado e, claro, uma conspiração que “vai até ao topo”. Nada de particularmente original — mas nem sempre é isso que interessa.

Um assalto que nunca é só um assalto

O alvo do golpe é a Lochmill Capital, uma gestora de fundos de pensões, e o roubo envolve mais de 4 mil milhões de libras pertencentes a trabalhadores da classe média e operária. É aqui que Steal começa a ganhar peso moral. Não se trata apenas de dinheiro abstracto, mas de vidas reais que ficam em risco.

Após o assalto, a narrativa fragmenta-se em vários caminhos: flashbacks que explicam como tudo foi planeado, sequências de espionagem bem coreografadas, reviravoltas constantes — algumas eficazes, outras forçadas — e longas explicações sobre esquemas financeiros, “cold wallets” e subterfúgios digitais que raramente são tão excitantes quanto a série gostaria de acreditar.

A realização e a montagem são competentes, o ritmo raramente abranda em demasia, mas o argumento tropeça quando se perde em exposição excessiva e traições que surgem mais por conveniência narrativa do que por verdadeira evolução das personagens.

Sophie Turner: o coração imperfeito da série

O grande trunfo de Steal chama-se Sophie Turner. A actriz interpreta Zara, uma funcionária da área de processamento de transacções da Lochmill Capital. À superfície, Zara parece uma jovem londrina segura, moderna e impecavelmente vestida. Mas rapidamente percebemos que é uma personagem em desequilíbrio: álcool em excesso, um emprego sem futuro, relações pessoais praticamente inexistentes e uma relação tensa com a mãe.

A primeira cena em que conhecemos Zara diz tudo: presa numa casa de banho do escritório com uma hemorragia nasal causada por ressaca. Turner constrói-a como alguém profundamente humana, cheia de falhas, irritante por vezes, mas sempre empática. Quando o assalto acontece e Zara é forçada, juntamente com o seu melhor amigo Luke (interpretado por Archie Madekwe), a autorizar transacções criminosas, a série ganha uma âncora emocional sólida.

É também Zara quem decide investigar o que realmente aconteceu, num percurso perigoso e clandestino que sustenta grande parte do interesse da narrativa.

Um mundo moralmente cinzento

O elenco de apoio cumpre, com destaque para Jacob Fortune-Lloyd, como o detective Rhys Covac, um polícia competente mas emocionalmente fragilizado, que acaba por se tornar um aliado improvável de Zara. À medida que a investigação avança, entram em cena um bilionário corrupto, os serviços secretos britânicos e outros actores de bastidores, tornando cada vez mais difícil distinguir heróis de vilões.

Nem tudo funciona. A equipa do assalto é particularmente fraca em carisma e profundidade, reduzida a arquétipos genéricos. O cérebro do golpe (Jonathan Slinger) perde protagonismo, enquanto o violento “Sniper” (Andrew Howard) parece saído de um manual de clichés. O grande “revelar” do último episódio, apesar de ambicioso, soa excessivamente mecânico e pouco orgânico.

Imperfeita, mas com potencial

Apesar dos seus tropeços, Steal é uma série eficaz, bem produzida e sustentada por uma performance central de alto nível. Sophie Turner prova que está mais do que pronta para liderar thrillers adultos e complexos, longe da fantasia épica que a tornou famosa.

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A Prime Video deixa claramente a porta aberta para uma segunda temporada. Se isso acontecer, a receita é simples: menos exposição, vilões mais interessantes e uma história à altura de Zara. Com Sophie Turner ao leme, muitos espectadores estarão dispostos a voltar.

Steal estreia a 21 de Janeiro, com a temporada completa disponível na Prime Video

Beleza à Beira do Abismo: The Beauty é Excessiva, Perturbadora… e Difícil de Largar

A nova série de Ryan Murphy estreia em Portugal no Disney+ e transforma a obsessão estética num pesadelo visceral

“Beleza é dor” deixou há muito de ser apenas um cliché repetido em passerelles e salões de estética. Em The Beauty, a nova série criada por Ryan Murphy e Matt Hodgson, essa frase ganha contornos literais, sangrentos e profundamente desconfortáveis. Produzida pelo FX, a série estreia em Portugal no Disney+ a 22 de Janeiro, com três episódios disponíveis no lançamento e novos capítulos a chegarem semanalmente à plataforma.

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Adaptada da banda desenhada homónima de Jeremy Haun e Jason A. HurleyThe Beauty cruza horror corporal, thriller conspirativo e sátira social para explorar o preço real da perfeição num mundo dominado pela ganância, pela aparência e pelo lucro a qualquer custo.

Um desfile de moda que termina em carnificina

A série arranca com uma das sequências mais desconcertantes do ano televisivo. Num desfile de alta-costura em Paris, Ruby — interpretada por Bella Hadid — entra na passerelle visivelmente desorientada, suada e fora de controlo. Minutos depois, o glamour dissolve-se numa explosão de violência gráfica que choca o público e inaugura o tom da série.

Rapidamente percebemos que este não é um caso isolado. Incidentes semelhantes começam a surgir entre supermodelos por todo o mundo, levando os agentes do FBI Cooper Madsen (Evan Peters) e Jordan Bennett (Rebecca Hall) a investigar a origem deste fenómeno aparentemente inexplicável.

A perfeição como vírus — literalmente

A investigação conduz a uma revelação tão absurda quanto aterradora: um “milagre” biotecnológico que começa como uma injecção estética e evolui para um vírus sexualmente transmissível. O efeito? Transformar qualquer pessoa na versão fisicamente perfeita de si mesma. O processo, no entanto, é tudo menos bonito: prolongado, doloroso e grotesco, com o corpo a rasgar-se, reconstruir-se e sangrar em nome da perfeição.

Ryan Murphy aproveita este conceito para levar o horror corporal ao limite, numa sucessão de imagens que incluem cirurgias falhadas, “nascimentos de beleza” e mutações que farão muitos espectadores desviar o olhar.

Capitalismo, poder e a mercantilização do corpo

Como não poderia deixar de ser, a origem do problema está no dinheiro. O cérebro por detrás desta “cura” é The Corporation, um bilionário delirante interpretado por Ashton Kutcher, claramente inspirado nas figuras reais que dominam o sector tecnológico global. Obcecado com lucros e expansão, vê no vírus da beleza uma oportunidade de negócio sem precedentes.

Para proteger o império, recorre a The Assassin, um matador profissional vivido por Anthony Ramos, encarregado de silenciar qualquer investigação antes que ganhe tração. Pelo caminho, a série ainda acompanha personagens secundárias, como Jeremy (Jeremy Pope), um jovem isolado que encontra neste “milagre” uma porta perigosa para a validação pessoal.

Quando o excesso começa a pesar

Durante os primeiros episódios, The Beauty é um espectáculo perturbador, provocador e, por vezes, brilhante. No entanto, a partir do episódio oito, a narrativa começa a fragmentar-se. Subtramas multiplicam-se, o ritmo acelera em excesso e a série perde algum do controlo que inicialmente parecia fazer parte do plano.

É também nesta fase que o tom satírico descamba ocasionalmente para o absurdo, com decisões narrativas que enfraquecem o comentário social. Questões como padrões de beleza branca e identidade racial são tocadas de forma superficial, apesar de um elenco diverso e de uma premissa que pedia maior profundidade.

Imperfeita, mas estranhamente viciante

Apesar dos seus tropeços, The Beauty continua a ser uma experiência televisiva envolvente. Os 11 episódios, com durações entre os 24 e os 50 minutos, são fáceis de consumir e mantêm um nível de tensão constante. A série aborda temas extremamente actuais — desde a obsessão com a aparência e o privilégio da beleza até ao uso de “drogas milagrosas”, redes sociais e educação sexual deficiente — envoltos num pacote visualmente chocante.

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The Beauty não é subtil, não é equilibrada e nem sempre sabe quando parar. Mas é ousada, incómoda e consciente o suficiente para nos fazer reflectir enquanto nos perturba. Uma série longe da perfeição — o que, ironicamente, acaba por reforçar a sua mensagem.

Uma Nova Lenda Nasce no Dojo: Karate Kid: Os Campeões Chega ao TVCine TopUma Nova Lenda Nasce no Dojo: Karate Kid: Os Campeões

O legado continua… agora com novos golpes e um novo herói

O universo Karate Kid prepara-se para escrever mais um capítulo da sua longa história, desta vez com Karate Kid: Os Campeões, o sexto filme da saga que marcou várias gerações de espectadores. A estreia acontece já sexta-feira, 23 de Janeiro, às 21h30, no TVCine Top e também disponível no TVCine+, prometendo juntar nostalgia, emoção e uma nova abordagem ao eterno conflito entre disciplina, superação e identidade  .

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Depois de décadas a ensinar-nos que “cera, encera” pode ser uma filosofia de vida, a saga regressa com uma história que cruza passado e futuro, tradição e reinvenção, mantendo intactos os valores que sempre definiram Karate Kid.

Li Fong: do trauma à superação

No centro da narrativa está Li Fong, interpretado por Ben Wang, um jovem prodígio do kung fu que, após uma tragédia pessoal, deixa Pequim e muda-se para Nova Iorque. A mudança não é apenas geográfica: é emocional, cultural e profundamente transformadora. Entre a dificuldade de integração numa nova realidade e o peso do passado, Li encontra no treino e na disciplina um caminho para reconstruir a sua identidade.

É aqui que entram duas figuras absolutamente icónicas do universo Karate Kid.

Dois mestres, um caminho

Li Fong passa a ser orientado por Mr. Han, novamente interpretado por Jackie Chan, que regressa como mentor sereno e paciente, trazendo consigo a filosofia do kung fu. Em paralelo, surge Daniel LaRusso, vivido outra vez por Ralph Macchio, agora como símbolo da herança do karaté e da experiência adquirida ao longo dos anos.

Sob a orientação destes dois mestres, Li aprende a unir estilos, técnicas e formas de estar na vida. O kung fu e o karaté deixam de ser opostos e passam a complementar-se, criando uma abordagem única que será posta à prova num torneio decisivo — um momento onde cada combate vale tanto pelo resultado como pelo crescimento pessoal.

Um novo filme, o mesmo espírito

Com realização de Jonathan EntwistleKarate Kid: Os Campeões aposta em coreografias de luta impressionantes, personagens carismáticas e uma narrativa pensada tanto para os fãs de longa data como para uma nova geração. O filme honra o legado da saga, mas não vive apenas do passado: introduz novos conflitos, novos heróis e uma sensibilidade contemporânea que reforça temas como amizade, resiliência e coragem.

Mais do que um simples filme de artes marciais, esta é uma história sobre crescer, falhar, aprender e voltar a levantar-se — exactamente aquilo que sempre fez de Karate Kid uma referência no cinema popular.

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Uma estreia a não perder

Karate Kid: Os Campeões promete ser um reencontro emocionante com um universo que nunca saiu verdadeiramente do coração dos espectadores. Sexta-feira, 23 de Janeiro, às 21h30, o dojo abre portas no TVCine Top.

O novo mistério de Agatha Christie da Netflix transforma o oeste de Inglaterra num palco de crime elegante

De Bath a Somerset, uma produção de época com impacto real

A Netflix voltou a apostar forte no universo de Agatha Christie e escolheu o oeste de Inglaterra como cenário privilegiado para The Seven Dials Mystery, um novo thriller de época que já está a dar que falar — não só pelo elenco e pedigree criativo, mas também pelo impacto económico e cultural deixado nas regiões onde foi filmado.

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A série, escrita por Chris Chibnall (criador de Broadchurch), centra-se num homicídio ocorrido numa luxuosa casa de campo, recuperando todo o charme, tensão e elegância associados às melhores adaptações da autora britânica. Para dar vida a este mistério, a produção passou por locais emblemáticos como Bristol, a West Somerset Railway e a icónica Great Pulteney Street, em Bath.

Um elenco de luxo para um crime clássico

À frente do elenco estão Martin Freeman e Helena Bonham Carter, dois nomes que dispensam apresentações e que prometem dar profundidade e ambiguidade moral a uma história onde nada é exactamente o que parece. A combinação de um argumento de Chibnall com este duo de actores eleva imediatamente as expectativas, sobretudo entre os fãs de mistérios clássicos com um toque moderno.

Comboios históricos, hotéis do século XV e cenários “limpos” de modernidade

Um dos destaques da rodagem foi a escolha da West Somerset Railway, uma linha ferroviária histórica que serpenteia junto à costa, passando por paisagens de cortar a respiração. Segundo a responsável de locais, Dee Gregson, a equipa procurava um cenário rural e visualmente marcante onde o comboio pudesse parar num ponto “verdadeiramente cinematográfico”. A solução surgiu junto à baía de Blue Anchor, com vista para o mar e o campo — uma escolha que promete resultar em imagens memoráveis.

Durante as filmagens, elenco e equipa ficaram alojados no Luttrell Arms Hotel, em Dunster, uma unidade do século XV. A proprietária, Anne Way, revelou que os actores foram “encantadores”, destacando o interesse particular de Helena Bonham Carter pelos interiores históricos do edifício.

Em Bath, o trabalho foi igualmente minucioso. Durante dois dias de filmagens, as equipas locais passaram semanas a remover qualquer vestígio de vida moderna: paragens de autocarro, caixotes do lixo, iluminação contemporânea e sinalética actual desapareceram temporariamente para devolver à cidade o seu ar de época.

Um mistério que deixa marcas fora do ecrã

Para além do valor artístico, The Seven Dials Mystery teve um impacto económico significativo. O Conselho de Bath e North East Somerset confirmou a geração de receitas directas, bem como benefícios claros para hotéis, restauração e outras áreas ligadas à hospitalidade. Houve ainda donativos feitos pela produção a organizações locais, reforçando a relação positiva entre a indústria audiovisual e a região.

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Com um cenário deslumbrante, uma equipa criativa sólida e um elenco de primeira linha, esta nova adaptação de Agatha Christie promete ser mais um trunfo da Netflix no campo do crime elegante. E, pelo caminho, ajudou a mostrar que o oeste de Inglaterra continua a ser um segredo bem guardado… agora com cadáver incluído.

O primeiro filme imperdível de 2026 já está na Netflix — e junta Damon e Affleck num jogo perigoso

Quando dois velhos amigos trocam a comédia pela tensão máxima

Há duplas que o cinema aprendeu a respeitar com o passar das décadas, e a de Matt Damon e Ben Affleck pertence claramente a esse clube restrito. Amigos desde a adolescência em Boston, parceiros criativos há quase 30 anos e vencedores de Óscares, os dois regressam agora lado a lado em The Rip, um thriller de acção duro, sombrio e surpreendentemente diferente do que habitualmente associamos a esta dupla.

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Disponível na NetflixThe Rip assume-se já como o primeiro filme verdadeiramente obrigatório de 2026 no streaming, apostando numa narrativa seca, sem filtros, e num ambiente onde a confiança é tão escassa quanto a moralidade.

Polícias corruptos, dinheiro sujo e desconfiança total

No centro da história estão dois agentes da polícia envolvidos numa investigação sensível sobre colegas corruptos que desviam dinheiro de casas de droga durante rusgas. Damon interpreta o tenente Dane Dumars, enquanto Affleck dá vida ao sargento-detetive JD Byrne. O que começa como mais um caso incómodo rapidamente se transforma num jogo psicológico perigoso quando Byrne começa a suspeitar que o próprio parceiro pode não ser tão íntegro quanto aparenta.

A partir daí, The Rip constrói-se como um duelo silencioso entre duas personagens que se conhecem demasiado bem — um detalhe que ganha uma camada extra de interesse quando sabemos que Damon e Affleck são amigos inseparáveis fora do ecrã. Essa proximidade real é usada de forma inteligente pelo filme, transformando cumplicidade em ameaça e confiança em potencial sentença de morte.

Joe Carnahan e a herança de Tony Scott

A realização está a cargo de Joe Carnahan, conhecido por Smokin’ Aces e The Grey, que aqui assume sem pudor a influência do cinema de Tony Scott. O ritmo intenso, a atmosfera crua e o lado quase “B-movie” do projecto são escolhas conscientes, pensadas para servir uma história directa, agressiva e sem grandes concessões ao conforto do espectador.

Carnahan revelou que quis explorar precisamente a relação real entre Damon e Affleck para reforçar o conflito dramático: dois homens que, no ecrã, são obrigados a confiar um no outro quando tudo à sua volta indica que isso pode ser um erro fatal.

Recepção crítica e reacções do público

Apesar de algumas críticas apontarem um tom excessivamente sombrio, The Rip tem sido bem recebido no geral. O filme apresenta actualmente uma pontuação de 84% no Rotten Tomatoes, com elogios frequentes à química entre os protagonistas e à sua energia de thriller clássico, quase artesanal, num panorama cada vez mais dominado por fórmulas previsíveis.

É também refrescante ver Damon e Affleck longe da comédia ou de projectos mais auto-referenciais. Aqui, ambos apostam num registo contido, tenso e adulto, lembrando porque continuam a ser duas das figuras mais interessantes do cinema americano contemporâneo.

Um regresso que vale mesmo a pena

The Rip pode não ser um filme para todos os gostos, mas é exactamente esse risco que o torna relevante. Num catálogo saturado de apostas seguras, esta colaboração entre Damon, Affleck e Carnahan destaca-se como uma proposta diferente, madura e sem medo de incomodar.

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Se 2026 precisava de um ponto de partida forte no streaming, a Netflix encontrou-o com dois velhos amigos a jogarem um jogo onde perder não é opção.

The White Lotus reforça elenco da 4.ª temporada com Steve Coogan e uma aposta inesperada

A sátira de luxo da HBO prepara-se para mudar de cenário

A quarta temporada de The White Lotus continua a ganhar forma e promete manter — ou até elevar — o estatuto de uma das séries mais comentadas da última década. A HBO confirmou a entrada de Steve Coogan e de Caleb Jonte Edwardsno elenco da nova temporada, juntando-se a um conjunto de nomes que mistura estrelas consagradas e rostos ainda pouco conhecidos do grande público.

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Como já é tradição na série criada por Mike White, os detalhes sobre as personagens permanecem em absoluto segredo, assim como a linha narrativa específica da temporada. A única certeza é que voltaremos a acompanhar, ao longo de uma semana, um novo grupo de hóspedes e funcionários de um hotel White Lotus, com todas as tensões sociais, hipocrisias e conflitos morais que isso inevitavelmente implica.

De Saint-Tropez para o mundo: a nova localização

Depois de passar pelo Havai, Itália e Tailândia, a quarta temporada de The White Lotus muda-se para França, tendo como epicentro o luxuoso Château de la Messardière, em Saint-Tropez. A escolha do local encaixa na perfeição no ADN da série: riqueza ostensiva, paisagens idílicas e um ambiente onde os privilégios se cruzam com frustrações mal disfarçadas.

A França, com o seu imaginário associado ao glamour, à decadência elegante e às tensões de classe, surge como um terreno fértil para a abordagem mordaz que Mike White tem vindo a afinar desde a primeira temporada.

Steve Coogan: humor ácido num contexto perfeito

A entrada de Steve Coogan é particularmente interessante. O actor britânico, duas vezes nomeado aos Óscares, é mundialmente conhecido pela personagem Alan Partridge, um ícone da comédia desconfortável e socialmente embaraçosa. A sua presença sugere uma personagem potencialmente deliciosa num universo onde o ridículo das elites é constantemente exposto.

Nos últimos anos, Coogan tem alternado entre televisão e cinema, com participações em séries como The Sandman, e prepara-se ainda para integrar o thriller Legends, da Netflix, bem como Love Is Not the Answer, a estreia na realização de Michael Cera.

Um nome novo num palco de luxo

Já Caleb Jonte Edwards representa o outro lado da moeda. Praticamente desconhecido, o actor australiano tem como principal crédito uma participação na série Black Snow. A sua contratação confirma uma tendência recorrente em The White Lotus: colocar actores emergentes ao lado de estrelas estabelecidas, criando dinâmicas inesperadas tanto dentro como fora do ecrã.

Além de Coogan e Edwards, a temporada contará ainda com Alexander Ludwig e AJ Michalka. Há também negociações em curso com Helena Bonham Carter e conversas preliminares com Chris Messina, embora nenhuma destas participações esteja ainda confirmada oficialmente.

Expectativas elevadas para mais uma temporada

Criada, escrita e realizada por Mike White, com produção executiva de David Bernad e Mark KamineThe White Lotustornou-se um raro fenómeno de crítica e público. Cada nova temporada traz um novo começo, mas mantém uma identidade tão forte que o simples anúncio de elenco já é suficiente para gerar expectativa.

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Com França como pano de fundo e um elenco que cruza experiência, risco e curiosidade, a quarta temporada promete continuar a dissecar, com humor negro e precisão cirúrgica, os vícios e contradições de quem pode pagar o luxo… mas não escapar a si próprio.

Ladybug Está de Volta: Fevereiro Traz Novas Aventuras da Heroína Que Conquistou o Mundo

Marinette, segredos e super-vilões: o universo Miraculous continua a crescer

Fevereiro promete ser um mês especial para os fãs de animação no Disney Channel, com a estreia de novos episódios de Miraculous – As Aventuras de Ladybug. A partir de sábado, dia 7, a icónica heroína parisiense regressa ao pequeno ecrã com histórias inéditas, novos desafios e emoções à flor da pele, numa fase em que as relações entre personagens se tornam cada vez mais complexas.  

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Criada por Thomas AstrucMiraculous tornou-se um fenómeno global ao combinar super-heróis, drama adolescente e uma mitologia própria que não pára de evoluir. No centro da narrativa continua Marinette Dupain-Cheng, uma jovem aparentemente comum que, ao transformar-se em Ladybug, assume a responsabilidade de proteger Paris ao lado de Gato Noir.

Amor, segredos e decisões difíceis

Os novos episódios prometem aprofundar ainda mais o lado emocional da série. Marinette e Adrien encontram-se cada vez mais próximos, mas continuam presos a segredos que não podem revelar — um jogo delicado entre identidade, confiança e responsabilidade. Esta tensão é um dos grandes trunfos de Miraculous, permitindo que a série cresça com o seu público e aborde temas como maturidade emocional, perda e escolhas difíceis.

Entre os momentos mais marcantes dos novos episódios está o dilema de Adrien perante a construção de uma estátua em memória do seu pai, situação que coloca Marinette numa posição particularmente desconfortável. Incapaz de revelar toda a verdade, a jovem heroína vê-se dividida entre aquilo que sente e aquilo que deve fazer. Paralelamente, surgem histórias mais leves e próximas do quotidiano adolescente, como a tentativa de Ondine de viver o seu primeiro beijo, com a habitual ajuda — bem-intencionada, mas nem sempre eficaz — de Marinette.

Um universo que não pára de se reinventar

Para além das estreias regulares ao longo dos fins de semana, o Disney Channel prepara ainda um momento especial para os fãs da série. No fim de semana de 28 de Fevereiro, chega o especial “Cities of Secrets”, uma celebração do universo Miraculous que destaca alianças épicas, episódios marcantes e os heróis que mantêm a Cidade das Luzes a salvo. Uma excelente oportunidade para revisitar momentos-chave e reforçar porque Ladybug continua a ser uma das heroínas mais carismáticas da animação contemporânea.

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Com a sua mistura única de acção, romance, humor e drama, Miraculous – As Aventuras de Ladybug mantém-se como uma das séries mais consistentes e queridas do Disney Channel. Fevereiro confirma que a jornada de Marinette está longe de terminar — e que cada novo episódio continua a deixar marca.

Quem Será a Nova Lisbeth Salander? As Actrizes Que Podem Marcar a Série de “Millennium”

Sky prepara nova adaptação televisiva e a escolha da protagonista é tudo menos um detalhe

A Sky confirmou esta semana aquilo que muitos fãs da saga Millennium esperavam — e outros temiam: The Girl With the Dragon Tattoo vai ganhar uma nova adaptação, desta vez sob a forma de uma série televisiva de oito episódios. A obra seminal de Stieg Larsson, publicada em 2005, regressa agora num formato que promete aprofundar ainda mais o seu universo sombrio, contemporâneo e profundamente político.

Sabe-se, para já, que a série será passada nos dias de hoje e terá argumento de Steve Lightfoot e Angela LaManna. As filmagens arrancam na Primavera, o que indica que a decisão mais sensível de todas — a escolha da nova Lisbeth Salander — estará já tomada. Ainda assim, isso não impede o exercício favorito de qualquer cinéfilo: especular.

Uma personagem que cria estrelas (e expectativas altíssimas)

Lisbeth Salander não é apenas a protagonista de Millennium — é um teste de fogo para qualquer actriz. Em 2009, Noomi Rapace tornou-se uma revelação internacional na adaptação sueca, garantindo uma nomeação para os BAFTA. Dois anos depois, Rooney Mara recebeu uma nomeação para os Óscares sob a direcção de David Fincher. Já em 2018, Claire Foyassumiu a personagem em The Girl in the Spider’s Web, com uma abordagem diferente, mas igualmente intensa.

Ou seja: quem quer que venha a ser a nova Salander será imediatamente comparada a interpretações que entraram para a história do cinema recente.

Emma Corrin: intensidade fora do comum

Entre os nomes mais consensuais surge Emma Corrin. A sua interpretação de Diana em The Crown revelou uma actriz com magnetismo estranho, imprevisível e profundamente emocional — características que encaixam de forma quase inquietante em Lisbeth Salander. Acresce ainda o facto de a série ser produzida pela Left Bank Pictures, a mesma produtora de The Crown, o que torna esta hipótese particularmente sedutora.

Jodie Comer: versatilidade ao serviço do caos

Outra candidata de peso é Jodie Comer. O seu trabalho em Killing Eve demonstrou uma capacidade rara para oscilar entre vulnerabilidade, violência e humor negro. Comer sabe desaparecer dentro das personagens e lidar com complexidade psicológica extrema — algo essencial para uma Lisbeth credível.

Anya Taylor-Joy: tempo e terror psicológico

Apesar de mais associada ao cinema nos últimos anos, Anya Taylor-Joy continua a ser lembrada pelo impacto de The Queen’s Gambit. Lisbeth Salander beneficiaria claramente de uma actriz capaz de explorar o silêncio, o desconforto e a intensidade ao longo de vários episódios — e Taylor-Joy fá-lo como poucas.

Alba August… ou o regresso inesperado?

Há ainda quem defenda uma escolha mais fiel à origem escandinava da saga, como Alba August, vista em The Rain. E, numa hipótese mais ousada, porque não trazer de volta Noomi Rapace, agora numa versão mais velha e endurecida da personagem? Seria um risco criativo — mas também um gesto narrativo fascinante.

Independentemente de quem tenha sido escolhida, uma coisa é certa: Lisbeth Salander continua a ser uma das personagens femininas mais desafiantes e icónicas da ficção contemporânea. E a nova série da Sky terá muito a provar.

Prime Video Revela Primeira Imagem de Sophie Turner como Lara Croft no Novo “Tomb Raider”

Uma nova era para a heroína mais icónica dos videojogos

A Prime Video acaba de levantar o véu sobre uma das suas apostas mais ambiciosas no universo das adaptações de videojogos. A plataforma divulgou a primeira imagem oficial da nova série Tomb Raider, confirmando Sophie Turnercomo a nova encarnação de Lara Croft. As filmagens já estão em andamento e o reboot promete dar uma nova vida à arqueóloga aventureira que marcou gerações.

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Anunciada oficialmente em Maio de 2024, a série adapta o clássico franchise de videojogos criado nos anos 90 e marca a primeira grande série televisiva em imagem real dedicada a Lara Croft. A escolha de Sophie Turner, tornada pública em Novembro, confirma a intenção da Prime Video de apostar numa abordagem mais serializada e aprofundada da personagem.

Uma heroína com legado pesado — e grandes expectativas

Sophie Turner junta-se assim a uma linhagem de actrizes de peso que já deram corpo à icónica aventureira. Angelina Jolie interpretou Lara Croft em dois filmes no início dos anos 2000, enquanto Alicia Vikander assumiu o papel no reboot cinematográfico de 2018. Agora, cabe a Turner reinventar a personagem para uma nova geração, num formato que permite explorar melhor a sua psicologia, fragilidades e evolução.

A série surge numa altura em que as adaptações de videojogos vivem um momento particularmente positivo, e Tomb Raider pretende capitalizar essa onda, apostando numa narrativa mais madura e consistente.

Um elenco de luxo e uma criadora de peso

Além de Sophie Turner, o elenco inclui nomes como Sigourney WeaverJason Isaacs, Martin Bobb-Semple, Jack Bannon, John Heffernan, Bill Paterson, Paterson Joseph, Sasha Luss, Juliette Motamed, Celia Imrie e August Wittgenstein. Um conjunto diversificado que aponta para uma narrativa global e ambiciosa.

À frente do projecto está Phoebe Waller-Bridge, que assume os papéis de criadora, argumentista principal e produtora executiva. Conhecida pela sua escrita afiada e personagens complexas, Waller-Bridge promete trazer uma nova camada emocional e narrativa ao universo Tomb Raider. Chad Hodge actua como produtor executivo e co-showrunner, enquanto Jonathan van Tulleken será realizador e produtor executivo.

De ícone dos anos 90 a franchise do futuro

O primeiro Tomb Raider chegou aos videojogos em 1996, transformando Lara Croft num verdadeiro ícone da cultura pop. O jogo mais recente, Shadow of the Tomb Raider, foi lançado em 2018, com vários títulos clássicos a receberem remasterizações. O futuro da saga continua garantido, com Tomb Raider: Legacy of Atlantis e Tomb Raider: Catalystprevistos para 2026 e 2027.

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Produzida pela Story Kitchen, Crystal Dynamics e Amazon MGM Studios, esta nova série faz parte de um acordo mais vasto para expandir o universo Tomb Raider no cinema e na televisão. Se a primeira imagem servir de indicação, a aventura está apenas a começar — e promete ser tudo menos conservadora.

Uma Paixão Escrita na Pele: “Almas Marcadas” Estreia no TVCine Top


O amor improvável entre dois mundos que nunca deviam cruzar-se

Há histórias de amor que nascem da previsibilidade. E depois há aquelas que surgem do choque frontal entre dois universos opostos. Almas Marcadas pertence claramente ao segundo grupo e promete deixar marca em quem se sentar no sofá no domingo, 18 de Janeiro, às 21h25, no TVCine Top e no TVCine+. O filme, realizado por Nick Cassavetes, aposta num romance intenso, emocionalmente carregado e assumidamente provocador.  

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Quando a rotina perfeita se cruza com o caos emocional

Shaw é o retrato da jovem que sempre fez tudo “como deve ser”. Estudante aplicada, vinda de uma família rica e com um futuro cuidadosamente planeado, vive rodeada de regras, expectativas e estabilidade. Tudo muda quando, numa noite fora da rotina, conhece Rule. Ele é tatuador, rebelde, carismático e vive segundo as suas próprias leis. À superfície parece livre e confiante, mas carrega cicatrizes emocionais profundas que moldaram a sua forma de ver o mundo.

A ligação entre ambos é imediata, intensa e desconfortável. O desejo mistura-se com a dor, a atração com o medo, e a paixão surge como um território desconhecido para os dois. À medida que a relação se aprofunda, Shaw e Rule são obrigados a enfrentar segredos do passado, diferenças sociais difíceis de ignorar e a inevitável questão: será o amor suficiente para ultrapassar tudo aquilo que os separa?

Um romance “new adult” com assinatura emocional

Baseado no livro Rule: A Marked Men Novel, da escritora Jay CrownoverAlmas Marcadas insere-se claramente no universo do romance “new adult”, explorando emoções cruas, personagens imperfeitas e relações intensas. Nick Cassavetes, conhecido por filmes como O Diário da Nossa Paixão, volta a demonstrar a sua predilecção por histórias onde o amor surge como força transformadora, mas nunca sem dor pelo caminho.

Com uma atmosfera urbana, uma abordagem directa às relações humanas e um tom emocionalmente carregado, Almas Marcadas não tenta ser um conto de fadas. É, acima de tudo, uma história sobre vulnerabilidade, segundas oportunidades e a coragem necessária para amar quando tudo parece estar contra isso.

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No domingo à noite, o TVCine Top convida os espectadores a mergulhar numa paixão que não pede licença, não segue regras e deixa marcas que não se apagam facilmente.

Bill Skarsgård Quase Disse Não a It: Welcome to Derry — e o Motivo Faz Todo o Sentido


O regresso de Pennywise esteve longe de ser um dado adquirido

Depois do impacto colossal de It (2017) e It: Capítulo Dois (2019), o regresso de Pennywise parecia inevitável. No entanto, afinal não foi assim tão simples. Bill Skarsgård admitiu recentemente que esteve bastante relutante em aceitar regressar ao papel do palhaço mais perturbador do cinema contemporâneo na série It: Welcome to Derry.

Em entrevista ao Screen Rant, o actor revelou que o seu principal receio era óbvio — e legítimo: o medo de que a série fosse apenas uma tentativa de “espremer” o sucesso dos filmes, sem acrescentar nada de verdadeiramente relevante ao universo criado a partir do clássico de It.

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Medo de desgaste… e respeito pela personagem

Skarsgård confessou que, após dois filmes extremamente bem recebidos, receava que a transição para o formato televisivo pudesse diluir a força de Pennywise. “Tinha medo que fosse uma tentativa de esticar isto com uma série que não estivesse à altura do que já tinha sido feito”, explicou o actor.

Este tipo de preocupação não é comum em franquias de terror, onde personagens icónicas regressam vezes sem conta sem grande critério criativo. Aqui, curiosamente, o receio partiu do próprio intérprete — um sinal claro do respeito que Skarsgård tem pela personagem e pelo impacto que ela teve no público.

Andy Muschietti foi decisivo

O factor-chave para o convencer acabou por ser, uma vez mais, Andy Muschietti. O realizador, que assinou os dois filmes, mantém-se profundamente envolvido na série como produtor executivo e realizou quatro dos nove episódios da primeira temporada.

Segundo Skarsgård, a confiança criativa entre ambos foi essencial. O actor acabou por perceber que Welcome to Derrynão queria repetir fórmulas, mas explorar novas facetas de Pennywise — cenas mais íntimas, mais estranhas e, em alguns casos, ainda mais desconfortáveis. “Havia momentos em que sentia que estávamos a mostrar algo que nunca tinha sido visto antes”, revelou.

Uma série que mergulha no passado de Derry

Criada por Brad Caleb Kane e Jason Fuchs, a série funciona como uma prequela directa dos filmes e aposta numa estrutura ambiciosa: três temporadas, cada uma situada numa época diferente do passado de Derry.

A primeira decorre em 1962, a segunda deverá recuar até 1935 e a terceira até 1908, aprofundando a natureza cíclica do mal que assombra a cidade. Esta abordagem permite que Pennywise não seja apenas um monstro recorrente, mas uma presença ancestral, quase mitológica.

Um elenco forte e planos de continuidade

Além de Skarsgård, o elenco inclui nomes como Taylour PaigeJovan AdepoJames Remar e Madeleine Stowe, entre muitos outros. A Warner Bros. estará satisfeita com a recepção da primeira temporada e pretende avançar rapidamente para a segunda.

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No fim de contas, a relutância inicial de Bill Skarsgård acabou por resultar numa escolha acertada. It: Welcome to Derrynão só expande o universo de Stephen King, como justifica artisticamente o regresso de Pennywise — provando que, às vezes, dizer “talvez não” é o primeiro passo para fazer algo melhor.

O Final de Stranger Things Não Estava Pronto Quando as Câmaras Começaram a Rodar — e Isso Diz Muito Sobre a Série

Um adeus difícil a Hawkins… até para quem o estava a escrever

Dez anos depois da estreia, Stranger Things despediu-se dos espectadores com uma quinta temporada que carregava um peso raro na televisão contemporânea. Não era apenas o final de uma série popular — era o encerramento de um fenómeno cultural que atravessou gerações, lançou carreiras e redefiniu o que uma produção televisiva podia ambicionar em termos de escala, ambição e impacto emocional.

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Agora, o documentário One Last Adventure: The Making of Stranger Things 5 levanta o véu sobre esse adeus e revela um detalhe que apanhou muitos fãs de surpresa: o argumento do episódio final ainda estava a ser escrito quando as gravações já tinham começado. Uma revelação que, longe de diminuir a série, ajuda a perceber porque Stranger Thingssempre foi tão particular.

Escrever enquanto se filma: caos controlado ou método criativo?

No centro do documentário está o processo criativo dos irmãos Matt Duffer e Ross Duffer, confrontados com a tarefa ingrata de fechar uma história com quase vinte personagens principais, múltiplas dimensões, monstros icónicos e expectativas colossais por parte do público.

A realizadora Martina Radwan acompanha de perto a sala de argumentistas e mostra algo raramente visto: dúvidas, debates acesos, impasses criativos e decisões adiadas até ao último momento. A ideia romântica de um guião fechado, imutável e perfeito cai por terra. O que vemos é um processo vivo, em constante adaptação, onde escrever é também reagir ao que está a acontecer no plateau.

Para quem consome séries como produto final, esta é uma revelação fascinante. Para quem gosta de cinema e televisão enquanto ofício, é quase uma aula prática sobre criação sob pressão.

O peso de decidir destinos definitivos

Um dos pontos mais interessantes do documentário passa pelas discussões em torno das escolhas finais. Devem ou não surgir criaturas na batalha derradeira? Até onde deve ir o confronto com Vecna e o Mind Flayer? E, sobretudo, qual é o destino certo para Eleven, a personagem interpretada por Millie Bobby Brown, que sempre foi o coração emocional da série?

Nada é tratado de forma leviana. Cada decisão narrativa carrega consequências emocionais, temáticas e simbólicas. O documentário deixa claro que o maior medo dos criadores não era chocar ou surpreender, mas trair o crescimento das personagens ao longo de uma década. O final precisava de ser coerente com tudo o que veio antes — mesmo que isso implicasse reescrever, cortar ou refazer ideias em cima da hora.

Crescer diante das câmaras (e com elas)

Outro dos grandes trunfos de One Last Adventure é a forma como contextualiza a evolução do elenco. As imagens de audições e cenas da primeira temporada, exibida em 2016, contrastam com a maturidade evidente dos actores na quinta temporada. Não é apenas nostalgia: é a prova de que Stranger Things foi uma série que cresceu em tempo real, com os seus intérpretes e com o público.

O documentário sublinha como essa ligação foi essencial para o sucesso da série. A química do grupo, a confiança mútua e a consciência de que aquele era um último esforço colectivo tornam-se visíveis em cada plano dos bastidores.

Uma produção de escala quase cinematográfica

Os números revelados por Ross Duffer no discurso final impressionam até os mais habituados a grandes produções: 237 dias de rodagem6.725 set-ups e 630 horas de material filmado, reduzidas a cerca de 10 horas de episódios finais. Hawkins, o Upside Down e o Abyss foram construídos com um nível de detalhe que rivaliza com superproduções de cinema.

Tudo isto foi feito, em vários momentos, sem um guião totalmente fechado. O documentário mostra como departamentos inteiros — cenários, efeitos visuais, guarda-roupa, maquilhagem — tiveram de confiar numa visão que ainda estava a ganhar forma. É aqui que Stranger Things se assume definitivamente como um projecto de risco… e não apenas como uma aposta segura da Netflix.

Muito mais do que um “making of”

Mais do que explicar decisões concretas, One Last Adventure funciona como um retrato apaixonado da criação artística a longo prazo. Mostra como os irmãos Duffer começaram a fazer filmes em criança, inspirados por making ofs de clássicos como O Senhor dos Anéis, e como essa obsessão pelo cinema os levou, décadas depois, a criar uma das séries mais influentes do século XXI.

Não é um documentário auto-elogioso. Pelo contrário, é honesto sobre o cansaço, o medo de falhar e a sensação constante de estar a tentar fazer o impossível. Talvez seja precisamente isso que o torna tão interessante para quem gosta de histórias — dentro e fora do ecrã.

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One Last Adventure: The Making of Stranger Things 5 já está disponível na Netflix e é, muito provavelmente, a melhor forma de dizer adeus a Hawkins sem recorrer a teorias mirabolantes ou finais secretos.

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O que dizem lá fora sobre o regresso da série mais viciante da Apple TV+

Quem viveu o Verão de 2023 lembra-se bem: Idris Elba entrou num avião… e aquilo correu tudo menos bem. Durante sete episódios tensos, Hijack transformou um simples voo num exercício de suspense quase em tempo real, tornando-se uma das séries mais fáceis — e compulsivas — de devorar numa assentada. Agora, “no que dizem lá fora”, a segunda temporada regressa com a mesma fórmula, mas troca o avião por um cenário igualmente claustrofóbico: o metro de Berlim.

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Sam Nelson, o improvável herói especialista em negociações empresariais (e não, não é polícia, agente secreto nem piloto), está de volta. E, como seria de esperar, mal se senta, o caos instala-se. Desta vez, a acção desenrola-se nos túneis subterrâneos da capital alemã, onde nada parece acontecer… até acontecer tudo ao mesmo tempo.

Menos lógica, mais adrenalina — e isso é parte do charme

A crítica internacional é clara: Hijack continua a ser um monumento ao absurdo deliciosamente eficaz. Sam Nelson resolve crises globais com intuição, autoridade moral e uma calma inabalável que só Idris Elba consegue tornar credível. Tal como na primeira temporada, os vilões surgem em camadas, os planos são mais complexos do que aparentam e os passageiros são, na verdade, peças narrativas à espera de cumprir o seu destino dramático.

Há estudantes barulhentos, professores stressados, um polícia aparentemente banal (o que nunca é bom sinal), uma médica voluntária, um condutor visivelmente à beira de um colapso e, claro, uma mochila vermelha que grita “isto vai correr mal”. Tudo ingredientes cuidadosamente escolhidos para manter o espectador colado ao ecrã.

Personagens familiares e regressos aguardados

Fora do metro, a série continua a cruzar múltiplas frentes narrativas. Regressa Marsha, a mulher de Sam, agora isolada nas Highlands escocesas, pronta para voltar a servir de contraponto emocional quando a tensão atinge níveis máximos. No centro de controlo do metro, surgem novas figuras, enquanto o enredo recupera fios soltos da primeira temporada, prometendo ligações diretas ao passado recente da série.

Para os fãs mais atentos, há ainda o regresso de nomes bem conhecidos do elenco original, incluindo Archie PanjabiMax Beesley e Toby Jones, reforçando a ideia de que esta segunda temporada não é apenas uma repetição, mas uma expansão do universo criado.

Um binge garantido

As primeiras reacções são unânimes: basta um episódio para ficar preso até ao fim. Hijack não pede verosimilhança absoluta; pede entrega. E, em troca, oferece ritmo, tensão constante e um protagonista carismático capaz de sustentar até as reviravoltas mais improváveis.

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No fundo, é isso que faz desta série um fenómeno. Pode não fazer sentido… mas funciona. E funciona muito bem.

Hijack já está disponível na Apple TV+.

Um Refúgio Que Se Torna Armadilha: Alarum – Código Mortal Chega ao TVCine Top

Amor, espionagem e um disco rígido que vale uma sentença de morte

À primeira vista, tudo parece simples: dois ex-espiões, cansados de uma vida feita de mentiras, armas e segredos, decidem desaparecer do mapa para viver em paz. Mas como o cinema de espionagem tantas vezes nos ensinou, o passado raramente aceita ser esquecido. É precisamente nesse território instável que se move Alarum: Código Mortal, thriller de acção que estreia no sábado, 17 de Janeiro, às 21h30, no TVCine Top e no TVCine+ .

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Quando fugir não é suficiente

Lara e Joe Travers são dois antigos agentes secretos que, depois de anos como rivais em lados opostos, acabam por se apaixonar. Determinados a deixar tudo para trás, refugiam-se numa cabana isolada, longe de tudo e de todos. O objectivo é claro: uma vida tranquila, longe das conspirações e da violência que definiram o seu passado.

Mas o destino tem outros planos. Um avião despenha-se nas imediações e, entre os destroços, o casal encontra um disco rígido com informação altamente confidencial. A partir desse momento, a cabana transforma-se num alvo e o casal passa a estar no centro de uma perseguição global, envolvendo múltiplas organizações secretas. Aquilo que era um refúgio torna-se uma armadilha mortal, obrigando Lara e Joe a regressar ao único mundo que conhecem verdadeiramente: o da espionagem.

Um elenco que aposta na fisicalidade da acção

O filme é protagonizado por Scott Eastwood e Willa Fitzgerald, numa dupla que combina intensidade emocional com presença física, essencial para um thriller deste género. A eles junta-se Sylvester Stallone, cuja presença reforça o lado mais musculado do filme e acrescenta peso a uma narrativa que vive de confrontos diretos e tensão constante.

Na realização está Michael Polish, conhecido por trabalhos como A Força da Natureza e Big Sur. Aqui, Polish aposta numa abordagem directa e contemporânea à espionagem, privilegiando o ritmo acelerado, perseguições intensas e uma sensação permanente de ameaça. Não há grandes espaços para respirar: a narrativa empurra as personagens de situação em situação, testando não apenas as suas capacidades como agentes, mas também a confiança que têm um no outro.

Espionagem com coração… e balas a sério

Mais do que um simples filme de acção, Alarum – Código Mortal cruza o suspense com uma história de lealdade e sobrevivência. À medida que o cerco aperta, Lara e Joe percebem que o maior perigo pode não vir apenas dos inimigos que os perseguem, mas também dos segredos que ainda escondem um do outro.

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Para quem procura um serão de sábado marcado por adrenalina, tensão e um toque de romance em território hostil, esta estreia no TVCine Top promete cumprir. Porque no mundo da espionagem, desligar nunca é tão simples quanto parece.