Kristen Welker viajou até Wisconsin para entrevistar o presidente dos Estados Unidos. Trump saiu da entrevista a meio, tirou o microfone e disse “obrigado, querida”. Welker ficou sentada e disse simplesmente: “Viajámos até Wisconsin para esta entrevista.”
A entrevista, emitida ontem no Meet the Press da NBC, começou com Trump a defender um fundo de 1,8 mil milhões de dólares criado pelo Departamento de Justiça para compensar pessoas que consideram ter sido vítimas de “weaponization” governamental — incluindo, potencialmente, pessoas condenadas por assalto a agentes policiais no ataque ao Capitólio de 6 de Janeiro de 2021. Quando Welker perguntou directamente se Trump achava aceitável que pessoas que agrediram polícias recebessem dinheiro dos contribuintes, o presidente respondeu que “170 pessoas que se declararam culpadas fizeram-no porque estavam com medo” — sem provas para a afirmação. Welker assinalou isso. Trump insistiu que havia provas “tremendas”. Welker voltou a pedir provas. O padrão repetiu-se.
Quando a conversa chegou às eleições de 2020 e às alegações de fraude eleitoral na Califórnia, onde os votos por correio continuam a ser contados de acordo com a lei do estado, Trump disse: “Tudo o que tenho de fazer é olhar.” Welker respondeu: “Mas senhor, isso não é prova.” Trump chamou-lhe “torta”, chamou “torta” ao Meet the Press, chamou “torta” à NBC, disse “vamos terminar porque já chega”, tirou o microfone e acrescentou “obrigado, querida” antes de se levantar.
É a terceira vez este ano que Trump abandona ou corta uma entrevista quando confrontado com factos que contradizem as suas afirmações — depois dos episódios com a Fox News em Fevereiro e com a CNN em Abril. O que torna o momento desta semana diferente é a serenidade de Welker. Não perdeu o fio, não elevou o tom, não perseguiu Trump quando ele se levantou. Disse apenas que tinham viajado até Wisconsin para a entrevista. É o tipo de jornalismo que não precisa de ser dramático para ser eficaz.
