The Boys: O Criador Revela Por Que a Morte que Abre a Temporada Final Foi “Uma Decisão Muito Difícil”

Atenção: este artigo contém spoilers da estreia da quinta temporada de The Boys.

A quinta e última temporada de The Boys chegou ontem à Prime Video — e começou exactamente como a série sempre prometeu terminar: sem piedade, sem aviso e sem rede de segurança. A morte que abre o primeiro episódio — que já está a fazer circular a internet em modo de choque colectivo — foi descrita pelo criador Eric Kripke como “uma decisão realmente difícil” que demorou muito tempo a tomar.

“Foi uma decisão muito difícil”, disse Kripke numa entrevista ao Deadline. “Mas queríamos que a temporada final tivesse peso real desde o primeiro minuto. Que as pessoas percebessem, logo no arranque, que desta vez ninguém está a salvo.” A frase resume seis anos de uma série que nunca tratou as suas personagens como propriedade protegida — e que sempre esteve disposta a destruir o que construiu para provar um ponto sobre o mundo em que vivemos.

Kripke revelou também que há conversas internas activas sobre um possível spin-off centrado num dos membros do elenco principal, cujo nome não quis revelar por razões óbvias de spoiler. A franquia The Boys já tem o spin-off Gen V, centrado numa universidade de super-heróis em formação, e o The Boys: Mexico, em desenvolvimento. A hipótese de expandir ainda mais o universo com uma série centrada numa personagem da série-mãe é um sinal de que a Amazon não tenciona deixar este mundo morrer com a temporada final.

A série, criada por Kripke e produzida por Seth Rogen e Evan Goldberg a partir das BD de Garth Ennis, foi ao longo de cinco temporadas muito mais do que uma paródia de super-heróis. Foi um comentário político em tempo real, um espelho desconfortável da América contemporânea e, paradoxalmente, uma série com um coração enorme escondido sob litros de sangue artificial e cinismo bem calibrado. Karl Urban como Butcher, Antony Starr como Homelander, Jack Quaid como Hughie e todo o elenco souberam sempre que estavam a fazer algo diferente — e isso vê-se em cada episódio.

Para os fãs portugueses, que acompanharam a série desde o início e que fizeram de Homelander uma das referências culturais da sua geração, este é o fim de uma era. Os episódios são lançados semanalmente na Prime Video. Bom é saber que ainda há algumas semanas de The Boys pela frente — mesmo que a conta decrescente já tenha começado.

Soderbergh Vai Usar “Muita IA” no Próximo Filme — com Wagner Moura e uma Guerra que Ninguém Filmou

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Soderbergh Vai Usar “Muita IA” no Próximo Filme — com Wagner Moura e uma Guerra que Ninguém Filmou

Há realizadores que resistem à inteligência artificial como se fosse uma ameaça existencial. Steven Soderbergh não é um deles. Numa entrevista à Filmmaker Magazine, o realizador de TrafficErin Brockovich e Contágio revelou que o seu próximo filme de ficção — sobre a Guerra Hispano-Americana de 1898, com Wagner Moura no papel principal — vai recorrer extensivamente à IA para recriar batalhas navais, cenários históricos e toda a logística visual de um conflito do séc. XIX que nunca foi filmado com esta ambição.

“É uma história muito boa e ninguém a fez ainda”, disse Soderbergh. “Todos os dias que passam ela torna-se mais oportuna.” A afirmação não é despropositada: a Guerra Hispano-Americana foi o conflito que transformou os Estados Unidos numa potência imperial — a guerra em que Cuba ganhou a independência de Espanha com ajuda americana, e em que as Filipinas, Porto Rico e Guam passaram para soberania dos EUA em circunstâncias que continuam a ser discutidas. Num momento em que o debate sobre imperialismo, poder e influência americana está mais activo do que nunca, a escolha do tema tem uma camada política que Soderbergh claramente reconhece.

Wagner Moura está confirmado no elenco. O actor brasileiro, conhecido internacionalmente pelo papel de Pablo Escobar em Narcos e mais recentemente pela sua nomeação ao Óscar de Melhor Actor pelo papel em The Secret Agent, traz ao projecto exatamente o tipo de gravidade e ambiguidade moral que uma história destas exige. Soderbergh ainda está a montar o elenco — “preciso de mais algumas pessoas” — e tem dois estúdios interessados, mas diz que o orçamento final depende de quem mais consegue atrair. “Se conseguir juntar o elenco certo, isso vai torná-lo num evento, e as pessoas vão sentir que têm de o ver no cinema em vez de esperar dois meses até chegar ao streaming.”

A frase é, em si mesma, um diagnóstico da indústria. Soderbergh, que conhece Hollywood melhor do que a maioria, está a descrever exactamente o problema central do cinema comercial em 2026: a única razão pela qual as pessoas ainda saem de casa para ir ao cinema é o sentido de urgência — e esse sentido de urgência só existe quando o elenco é suficientemente poderoso para criar o momento.

A IA, neste contexto, não é uma substituição do talento humano mas uma ferramenta de produção que permite a Soderbergh fazer um filme de guerra de grande escala com um orçamento controlado. Está a usar a mesma tecnologia no seu documentário sobre John Lennon e Yoko Ono — John Lennon: The Last Interview, que será exibido em Cannes este mês como sessão especial —, para criar “imagens surrealistas que ocupam um espaço onírico, não um espaço literal.” “Precisas de um doutoramento em literatura para lhe dizer o que fazer”, admite. “Mas como qualquer outra ferramenta tecnológica, exige supervisão humana muito próxima.”

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James Gunn Procura a Vilã do Próximo Superman — e Adria Arjona é a Favorita

O universo DC de James Gunn está a ganhar velocidade. Com o primeiro Superman a ter faturado 618 milhões de dólares globalmente em 2025, a sequela — Superman: Man of Tomorrow, prevista para Julho de 2027 — está em preparação activa em Atlanta, e esta semana realizaram-se os testes para a personagem feminina mais disputada do filme: Maxima, uma rainha alienígena de Almerac que nos BD já foi vilã, aliada e interesse amoroso do Homem de Aço.

As finalistas são quatro, segundo o Hollywood Reporter: Adria Arjona, Eva De Dominici, Sydney Chandler e Grace Van Patten. Testes foram realizados esta semana em Atlanta, e Arjona é apontada como a favorita. A actriz guatemalteca-porto-riquenha tornou-se num dos nomes mais solicitados da indústria após o seu trabalho em Andor — a série de Star Wars da Disney+ onde interpretou Bix Caleen com uma mestria que deixou muita gente com vontade de ver mais. Tem também um papel de destaque em Hit Man, o filme de Glen Powell que foi um dos êxitos de crítica de 2024. Entraria no universo DC com o tipo de personagem que ela própria escolheria: poderosa, moralmente ambígua e com uma história que vai muito além do estereótipo de “vilã alienígena”.

As restantes finalistas têm currículos igualmente interessantes. Sydney Chandler destacou-se como protagonista de Alien: Earth, a série da Disney+ que foi uma das estreias mais elogiadas do ano passado. Grace Van Patten construiu uma reputação de actriz de séries de culto com Tell Me Lies. Eva De Dominici tem um papel na comédia Balls Up, de Peter Farrelly, que estreia na Prime Video este mês.

A selecção final não foi ainda anunciada, mas o próprio Gunn entrou em cena nas redes sociais para desmentir uma lista anterior publicada pelo Deadline, que incluía nomes que a DC Studios considerou incorrectos — um episódio que transformou o que seria um rumor de casting numa notícia de topo durante algumas horas. Gunn escreveu no Threads que se a Deadline tivesse confirmado os nomes com o seu estúdio, “teríamos dito que era disparate” — uma forma de dizer que a sua equipa não é fonte, mas também não se cala quando os factos são errados.

Man of Tomorrow traz de volta David Corenswet como Superman, Rachel Brosnahan como Lois Lane, Nicholas Hoult como Lex Luthor e Lars Eidinger como Brainiac. Sara Sampaio — actriz e modelo portuguesa — mantém o papel de Eve Teschmacher que estreou no primeiro filme. O universo DC de Gunn está a ser construído peça a peça, com uma consistência e uma visão editorial que a maioria dos fãs reconhece como muito diferente do caos que marcou os anos anteriores sob Zack Snyder.

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O Filme Que Mudou o Cinema Está no Streaming — e Continua a Ser uma Experiência Única

Há filmes que marcam uma época… e depois há aqueles raros que redefinem completamente a forma como o cinema é feito. Avatar, de James Cameron, pertence claramente à segunda categoria. Mais de uma década após a sua estreia original, continua a ser uma obra de referência — e está disponível no Disney+ para uma nova geração (e para quem quiser redescobrir tudo de novo).

Um mundo que parecia impossível… até existir

Quando Avatar chegou aos cinemas em 2009, o impacto foi imediato. Pandora não era apenas um cenário — era um mundo vivo, respirável, quase tangível. As florestas bioluminescentes, as montanhas flutuantes e as criaturas exóticas criaram um universo visual que rapidamente se tornou icónico.

A história segue Jake Sully, um ex-marine que, através de um programa científico, passa a habitar um corpo Na’vi — os habitantes nativos de Pandora. Aquilo que começa como uma missão transforma-se numa jornada de descoberta, conflito e, inevitavelmente, escolha.

Revolução técnica… mas também emocional

Muito se falou — e com razão — da revolução tecnológica que Avatar trouxe. O uso avançado de captura de movimento e o 3D imersivo elevaram o cinema a um novo patamar. Mas reduzir o filme apenas à tecnologia é ignorar o que realmente o sustenta.

No centro da narrativa está um conflito clássico, mas eficaz: natureza versus exploração, identidade versus dever, pertença versus poder. Jake, interpretado por Sam Worthington, é o veículo através do qual o espectador entra neste mundo — mas é Neytiri, vivida por Zoe Saldaña, que lhe dá alma.

Há também uma clara dimensão política e ambiental que continua, hoje, mais актуal do que nunca. A exploração de recursos, a destruição de ecossistemas e o choque entre culturas são temas que ressoam muito para além da ficção.

O fenómeno que dominou o mundo

Durante anos, Avatar foi o filme mais visto de sempre, dominando o box office global com números históricos. Mais do que um sucesso comercial, tornou-se um verdadeiro fenómeno cultural.

O seu impacto foi tal que influenciou não só o cinema, mas também a forma como os estúdios passaram a olhar para o potencial das grandes produções. Pandora abriu caminho para uma nova era de blockbusters — mais ambiciosos, mais imersivos e tecnologicamente mais avançados.

Ver hoje… continua a valer a pena?

A resposta curta: sim, sem qualquer dúvida.

Mesmo passados tantos anos, Avatar mantém uma capacidade rara de deslumbrar. Em casa, perde-se inevitavelmente alguma da escala da experiência cinematográfica original — mas ganha-se a possibilidade de revisitar detalhes, emoções e nuances que talvez tenham passado despercebidos.

E com as sequelas já a expandirem este universo, regressar ao primeiro filme é quase essencial para compreender a dimensão total da história que James Cameron começou a contar.

No fim, Avatar continua a ser aquilo que sempre foi: um espectáculo visual impressionante… mas também uma história surpreendentemente humana.


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Contagem de palavras: 612

Extraction 3 é Oficial: Hemsworth, Idris Elba e Golshifteh Farahani Regressam — Rodagens em Junho

Tyler Rake não morre. É uma regra não escrita do universo Extraction — e a Netflix confirmou ontem, de forma oficial e sem rodeios, que a regra se mantém. Extraction 3 está confirmado, com Chris Hemsworth de volta ao papel do mercenário mais resistente do streaming, Idris Elba e Golshifteh Farahani de regresso ao elenco, e rodagens previstas para arrancar em Junho na Austrália e em vários locais da Europa.

A saga começou em 2020 com um timing perfeito e inesperado: o primeiro Extraction estreou durante o confinamento pandémico e tornou-se o filme mais visto da história da Netflix naquele momento, com mais de 99 milhões de visualizações nas primeiras quatro semanas. Hemsworth interpretava Tyler Rake, um mercenário australiano contratado para resgatar o filho sequestrado de um senhor do crime em Bangladesh — e a missão corria, previsível e magnificamente, muito mal. O filme foi um fenómeno global precisamente porque chegou quando toda a gente estava em casa e precisava de adrenalina pura. O segundo filme, em 2023, confirmou que não foi sorte: Extraction 2 foi ainda melhor recebido pela crítica, mais ambicioso no alcance, e voltou ao topo das tabelas da plataforma em todo o mundo, incluindo em Portugal.

Sam Hargrave, o antigo coordenador de acrobacias que se tornou realizador e que assinou os dois primeiros filmes, regressa à cadeira de realizador para o terceiro. É uma escolha que diz tudo sobre a confiança da Netflix e da AGBO — a produtora dos irmãos Russo — no que está a ser construído. A principal novidade nos bastidores é o guionista: David Weil, conhecido por Hunters (Prime Video) e pela série Citadel (Prime Video), substitui Joe Russo, que escreveu os dois primeiros filmes mas se mantém como produtor. A mudança de pena pode trazer uma camada narrativa diferente — Weil tem uma voz mais literária e mais orientada para personagens do que para pura mecânica de acção.

O enredo é mantido em segredo. O que se sabe é que Idris Elba, que fez um cameo no final de Extraction 2 como o misterioso Alcott — o homem que tira Rake da prisão em troca de um favor —, tem agora um papel mais substancial. A pergunta que ficou no ar no final do segundo filme — quem é o chefe de Alcott, e o que quer ele de Tyler Rake? — deverá ser respondida neste terceiro capítulo. Golshifteh Farahani, a actriz iraniana que interpreta Nik Khan, parceira e aliada de Rake, foi dos pontos altos do segundo filme e regressa de forma confirmada.

As rodagens arrancam em Junho, maioritariamente em Sydney, na Austrália — onde Hemsworth vive —, com produção adicional em locais europeus ainda não revelados. O actor termina primeiro o thriller policial Kockroach, com Taron Egerton e Zazie Beetz, que começa a rodar este mês. Extraction 3 deverá estrear na Netflix em 2027.

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Cannes 2026 Revela a Selecção: Almodóvar, Farhadi, Koreeda e Hamaguchi em Competição — Hollywood Quase Ausente

Todos os anos, em Abril, Paris para durante uma manhã para ouvir Thierry Frémaux anunciar os nomes que vão disputar a Palma de Ouro. É um ritual que define o calendário do cinema de autor para o resto do ano — e a edição de 2026, revelada hoje, tem uma característica que vai gerar conversa durante semanas: Hollywood está praticamente ausente da competição. O cinema internacional tomou a Croisette.

A 79.ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de Maio, tem em competição alguns dos nomes mais respeitados do cinema mundial contemporâneo. Pedro Almodóvar leva Bitter Christmas — já exibido em Espanha, agora em estreia internacional —, numa nova incursão num universo de emoções intensas que o manchego domina como ninguém. Asghar Farhadi, o realizador iraniano de A Separação e O Vendedor, apresenta Parallel Tales, filmado em francês. Hirokazu Koreeda, o japonês que ganhou a Palma de Ouro em 2018 com Assunto de Família, está em competição com Sheep in the Box, descrito como um drama de ficção científica próxima sobre um casal que acolhe um androide como filho — uma escolha que, vindo de Koreeda, promete ser muito mais sobre amor e solidão do que sobre tecnologia. Ryûsuke Hamaguchi, cujo Drive My Car ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional em 2022, regressa à Croisette com All of a Sudden, uma co-produção franco-japonesa com Virginie Efira como directora de um lar de idosos que vê a vida transformada pelo encontro com um dramaturgo japonês em fase terminal, interpretado por Tao Okamoto.

A lista não fica por aqui. Cristian Mungiu, o romeno que ganhou a Palma de Ouro em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, apresenta Fjord, o seu primeiro filme em inglês, com Sebastian Stan e Renate Reinsve — a actriz norueguesa de A Pior Pessoa do Mundo — como um casal religioso que se muda para uma aldeia remota na Noruega. O belga Lukas Dhont, que revelou ao mundo o prodígio emocional de Close em 2022, está em competição com Coward, um drama passado na Primeira Guerra Mundial sobre o que significa ser herói ou cobarde — filmado parcialmente nos campos de batalha reais perto de Ypres, na Bélgica, e entregue à organização do festival apenas ontem à noite, segundo Frémaux. O polaco Paweł Pawlikowski, realizador de Ida e Cold War, apresenta Fatherland, com Sandra Hüller. O sul-coreano Na Hong-jin, cujo The Wailing se tornou um clássico instantâneo do terror asiático em 2016, regressa a Cannes pela primeira vez em dez anos com Hope, um thriller com Michael Fassbender, Alicia Vikander, Hoyeon e Taylor Russell — um elenco de fazer dobrar os joelhos.

A presença americana é, por contraste, quase simbólica. Ira Sachs é o único realizador dos Estados Unidos em competição, com The Man I Love, uma fantasia musical passada no Nova Iorque dos anos 80 durante a crise da SIDA, com Rami Makel no papel principal. É um filme deliberadamente contra-corrente — pequeno, íntimo, político — numa selecção que claramente decidiu ignorar o calendário de Hollywood e apostar no cinema que não chega às multisalas.

Fora de competição, há presença assinalável: Steven Soderbergh apresenta John Lennon: The Last Interview, o seu documentário sobre o casal mais icónico do rock, que usa inteligência artificial para criar imagens surrealistas a partir de uma entrevista de três horas gravada poucas horas antes do assassinato de Lennon em 1980. Ron Howard apresenta Avedon, um documentário sobre o fotógrafo Richard Avedon. Nicolas Winding Refn regressa com Her Private Hell, com Charles Melton e Sophie Thatcher. Quentin Dupieux, o realizador de Rubber e Mandibules, traz Full Phil com Kristen Stewart e Woody Harrelson às sessões de meia-noite. A cerimónia de abertura, a 12 de Maio, fica a cargo de The Electric Kiss de Pierre Salvadori. O júri é presidido por Park Chan-wook, realizador de Oldboy e A Criada.

Como prémios honorários, Barbra Streisand e Peter Jackson recebem cada um uma Palma de Ouro honorária — duas personalidades que raramente são associadas ao mesmo festival, o que diz muito sobre a vontade de Cannes em celebrar o cinema em toda a sua diversidade.

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Há Um Dia em Abril em Que o Cinema Vai Ter Assinatura — e Não Vais Querer Perdê-lo

O Fim de um Canal Jovem… e o Nascimento de Uma Nova Nostalgia na Televisão Portuguesa

Há decisões no universo televisivo que dizem mais sobre o presente do que sobre o futuro. A substituição do canal Biggs pela nova VinTV é uma delas — e revela, sem rodeios, uma mudança profunda nos hábitos de consumo de várias gerações.

A Dreamia, joint-venture entre a NOS e a AMC Networks International Southern Europe, decidiu encerrar um dos seus canais mais associados ao público jovem. No lugar do Biggs surge agora a VinTV, um canal assumidamente dirigido a espectadores com mais de 45 anos, numa aposta clara na nostalgia e na fidelidade à televisão tradicional.

A decisão, já aprovada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, não surge do nada. O Biggs tem vindo a perder relevância de forma consistente ao longo dos últimos anos. Aquilo que começou, em 2009, como Panda Biggs — um canal pensado para crianças — foi evoluindo, adaptando-se a diferentes faixas etárias, numa tentativa contínua de acompanhar o crescimento do seu público.

Mas o problema não estava apenas no posicionamento. Estava no próprio público.

Nos últimos anos, a migração dos mais jovens para plataformas de streaming tornou-se inevitável. O consumo deixou de estar preso à grelha televisiva e passou a ser imediato, personalizado e, acima de tudo, digital. A televisão linear perdeu terreno — e o Biggs sentiu isso de forma particularmente dura.

Os números ajudam a perceber a dimensão da mudança: menos de 7% da audiência do canal corresponde a espectadores com menos de 14 anos. No segmento dos 15 aos 24 anos, a presença também é residual. Em contraste, mais de 40% da audiência já tem mais de 45 anos.

Ou seja, o canal já não era, na prática, aquilo que dizia ser.

É neste contexto que surge a VinTV — não como uma reinvenção, mas como uma formalização de uma realidade que já existia. A aposta passa por conteúdos clássicos, com forte carga nostálgica, centrados sobretudo nas décadas de 80 e 90. Séries como O Príncipe de Bel-AirBeverly Hills 90210ER – Serviço de Urgência ou até produções nacionais como Morangos com Açúcar prometem ocupar a grelha e recuperar memórias de uma geração que cresceu com estes títulos.

Mas há aqui um detalhe interessante: a Dreamia não quer apenas falar para um público mais velho. Quer também captar uma audiência mais jovem através do chamado “vintage-cool” — essa tendência crescente de redescoberta cultural por parte de millennials e até da Geração Z.

É uma estratégia que mistura pragmatismo com alguma ambição. Por um lado, aposta-se num público que ainda vê televisão de forma tradicional. Por outro, tenta-se transformar a nostalgia em produto transversal.

A VinTV não é, aliás, um conceito totalmente novo. O canal já existe em Espanha desde 2025, integrado no portefólio da AMC Networks, o que demonstra que esta mudança faz parte de uma estratégia mais ampla e não de uma decisão isolada para o mercado português.

No fundo, o desaparecimento do Biggs simboliza algo maior: o fim de uma era em que a televisão conseguia falar directamente com os mais jovens. Hoje, essa batalha foi perdida para o streaming.

E talvez a verdadeira questão seja esta: não é a televisão que está a mudar de público — é o público que deixou de ver televisão.

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Num panorama dominado por blockbusters e fórmulas repetidas, há momentos raros em que o cinema regressa à sua essência mais pura: a visão de um autor. É precisamente isso que o TVCine propõe com o especial Cineastas em Foco, uma programação que reúne alguns dos nomes mais marcantes do cinema contemporâneo e que chega no dia 11 de Abril ao TVCine Edition.

Mais do que uma simples selecção de filmes, este especial é uma viagem por diferentes linguagens cinematográficas, todas unidas por um elemento comum: uma assinatura inconfundível. De Costa-Gavras a Paul Thomas Anderson, passando por Hal Hartley, Sharunas Bartas e Christian Petzold, estamos perante cineastas que recusam o óbvio e que continuam a explorar o cinema como forma de pensamento.  

A programação arranca com O Último Suspiro (2024), de Costa-Gavras, um realizador cuja carreira está profundamente ligada ao cinema político europeu. Aqui, o foco desloca-se para o fim da vida, num filme que evita respostas fáceis e prefere mergulhar nas ambiguidades éticas e emocionais de um tema universal. É um cinema de confronto — não com o espectador, mas com as suas próprias certezas.

Segue-se Punch-Drunk Love – Embriagado de Amor (2002), uma das obras mais singulares de Paul Thomas Anderson. Num registo inesperado, o realizador constrói uma história de amor atravessada pela ansiedade e pelo isolamento, oferecendo a Adam Sandler um dos papéis mais surpreendentes da sua carreira. O resultado é um filme delicado, desconcertante e emocionalmente preciso, que confirma Anderson como um dos grandes autores do cinema contemporâneo.  

Com Onde Aterrar (2025), Hal Hartley regressa ao seu território habitual: personagens deslocadas, diálogos carregados de ironia e uma abordagem minimalista que transforma o quotidiano em reflexão. É um cinema que exige atenção e que recompensa o espectador disposto a entrar no seu ritmo particular.

Mais tarde, Laguna (2025), de Sharunas Bartas, leva-nos para um registo ainda mais contemplativo. Quase sem palavras, o filme acompanha uma viagem de pai e filha ao longo da costa mexicana, onde o silêncio e a paisagem ganham protagonismo. É um exercício de cinema puro, onde o tempo e o espaço substituem a narrativa tradicional, convidando a uma experiência mais sensorial do que narrativa.

A fechar, Miroirs No. 3 (2025), de Christian Petzold, confirma a elegância e subtileza de um dos nomes mais consistentes do cinema europeu actual. Com uma abordagem contida, o realizador explora temas como memória e identidade, construindo um filme que se revela aos poucos e que permanece muito depois de terminar.  

O que une todos estes filmes não é o género, nem o orçamento, nem sequer o público-alvo. É algo mais raro: uma visão. Num tempo em que o cinema muitas vezes se dilui em tendências, este especial reafirma a importância do olhar individual — aquele que transforma histórias em experiências e imagens em pensamento.

No dia 11 de Abril, o TVCine Edition propõe assim algo mais do que entretenimento. Propõe cinema com assinatura. E isso, hoje, é cada vez mais valioso.

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Estreias da semana

Hei-las a pedido de várias famílias … bom, pelo menos das nossas … aqui vai o nosso apontamento para as estreias da semana.
Sabemos encaixar uma crítica, pelo que não se acanhem a deixar as vossas sugestões.