Bonfire of the Vanities Vai Ser Série na Apple TV+ — Com o Realizador do Batman e uma Sátira Mais Actual do que Nunca

Tom Wolfe escreveu A Fogueira das Vaidades em 1987, mas poderia tê-la escrito ontem. A história de Sherman McCoy — um banqueiro de Wall Street que se considera o dono do mundo até que um acidente de carro em Harlem o destrói em câmara lenta, expondo a hipocrisia de toda uma classe social —, continua a ser uma das críticas mais certeiras e implacáveis ao capitalismo selvagem, ao racismo estrutural e à vaidade que alimenta ambos. Quase quarenta anos depois, o romance vai ter uma segunda oportunidade no écran — e desta vez com as armas certas.

A Apple TV+ fechou acordo para adaptar a obra de Wolfe numa série escrita por David E. Kelley e produzida por Matt Reeves — o realizador da aclamada trilogia do Batman com Robert Pattinson. São dois nomes que, sozinhos, já justificam atenção. Juntos, numa história desta envergadura, são uma combinação que faz a indústria endireitar-se na cadeira.

Kelley é provavelmente o showrunner com o melhor historial em retratos de poder, dinheiro e hipocrisia na televisão norte-americana. De Big Little Lies a The Undoing, passando por Boston Legal e Ally McBeal, tem uma capacidade rara de transformar crítica social em entretenimento compulsivo — sem sacrificar um pela outra. Reeves, por seu lado, trouxe ao Batman uma seriedade e uma visão cinematográfica que muito poucos esperavam de um filme de super-heróis. A sua capacidade de criar atmosfera e de construir personagens com camadas é exactamente o que A Fogueira das Vaidadesexige.

A adaptação anterior — o filme de Brian De Palma de 1990, com Tom Hanks e Melanie Griffith — foi um dos maiores desastres de Hollywood nessa década: um orçamento enorme, expectativas enormes e um resultado que desapontou toda a gente, incluindo o próprio Wolfe. Esta série tem a vantagem do formato televisivo, que permite a profundidade que o romance de quase 700 páginas exige, e chega num momento em que a conversa sobre desigualdade, poder e impunidade nos Estados Unidos nunca foi tão intensa nem tão necessária.

Data de estreia ainda não confirmada, com o projecto em desenvolvimento activo. Mas com Kelley e Reeves a trabalhar juntos, a Apple TV+ tem entre mãos um dos projectos mais promissores do próximo ciclo televisivo. Vale a pena ficar de olho.

Os Guionistas de Hollywood Fecharam Acordo com os Estúdios — e Desta Vez Sem Greve à Vista

Quem se lembra do Verão de 2023 sabe exactamente o que acontece quando os guionistas de Hollywood cruzam os braços: a televisão para, os filmes atrasam meses ou anos, as plataformas ficam a olhar para catálogos vazios e o mundo percebe de repente, com algum espanto, o quanto depende de pessoas que se sentam à frente de um computador a inventar histórias. Desta vez não vai ser assim — pelo menos por enquanto.

O sindicato dos guionistas norte-americanos (WGA) chegou a um acordo provisório de quatro anos com os estúdios e plataformas de streaming, tornando-se o primeiro sindicato acima da linha a fechar contrato neste novo ciclo negocial. O acordo foi alcançado surpreendentemente cedo, bem antes do prazo de expiração do contrato a 1 de Maio, numa atmosfera que os envolvidos descrevem como substancialmente mais colaborativa do que em 2023 — quando as negociações se arrastaram por 148 dias de greve e deixaram a indústria em cacos.

O novo contrato tem quatro anos de duração — um ano a mais do que o habitual — e inclui protecções relativas ao uso de inteligência artificial, um aumento nos residuais de streaming e medidas concretas para reforçar o fundo de saúde dos guionistas, que acumulava um défice crescente e preocupante. A questão da inteligência artificial era, de longe, o ponto mais sensível das negociações: os guionistas queriam garantias de que os seus guiões não seriam usados para treinar sistemas de IA sem consentimento nem compensação. Aparentemente, conseguiram avanços significativos nessa frente — embora os detalhes completos só sejam conhecidos após a ratificação pelos membros do sindicato.

O tom diferente nas negociações é atribuído, em grande parte, à chegada de Greg Hessinger à liderança da AMPTP — a aliança que representa os grandes estúdios — em substituição de Carol Lombardini, cuja relação com os sindicatos era notoriamente difícil. Hessinger chegou com uma postura declaradamente diferente, e pelos resultados, parece ter funcionado.

As atenções voltam-se agora para a SAG-AFTRA — o sindicato dos actores — e para a DGA — o sindicato dos realizadores —, cujos contratos expiram a 30 de Junho. O precedente criado pela WGA facilita o caminho, mas não o garante: os actores têm as suas próprias exigências específicas, nomeadamente em torno da questão dos chamados “actores digitais” e da replicação de imagem e voz por IA. O Verão de 2026 pode ainda trazer surpresas. Mas por agora, Hollywood pode respirar — e os espectadores também.

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Durante quase quatro décadas, Spaceballs 2 foi uma piada interna de Hollywood. O próprio Mel Brooks prometia fazê-lo quando Star Wars acabasse — e entretanto chegaram mais três trilogias, séries, spin-offsspin-offs dos spin-offs e pelo menos duas crises existenciais da Lucasfilm. Bem, parece que o momento finalmente chegou. E Rick Moranis também.

A notícia da semana para os fãs do cinema de comédia clássico: o sequel do culto de 1987 tem estreia marcada para 23 de Abril de 2027, mesmo a tempo de celebrar o 40.º aniversário do original. A Amazon MGM confirmou a data, e com ela confirmou também aquilo que muitos tinham deixado de acreditar que seria possível: Rick Moranis regressa ao cinema pela primeira vez em 30 anos, de volta ao papel de Lord Dark Helmet — a viseira gigante, a voz, o absurdo completo e delicioso.

Moranis retirou-se discretamente da indústria em meados dos anos 90, depois da morte da mulher, para se dedicar à família e aos filhos. Foi uma decisão que Hollywood respeitou — mesmo que não tenha conseguido deixar de especular, durante três décadas, sobre um possível regresso. Que esse regresso aconteça numa paródia galáctica de Mel Brooks é, de certa forma, a opção mais Moranis possível: sem pompa, sem conferência de imprensa emocional, apenas de volta ao trabalho com o amigo de sempre.

O filme é realizado por Josh Greenbaum e escrito por Josh Gad — que também integra o elenco —, Benji Samit e Dan Hernandez. Mel Brooks regressa como Yogurt, Bill Pullman como Lone Starr, Daphne Zuniga como Princesa Vespa e George Wyner como Coronel Sandurz. Os novos rostos incluem Keke Palmer, Lewis Pullman — filho de Bill, o que tem uma poesia própria — e Anthony Carrigan. A produção esteve em rodagem em Sydney durante o último trimestre de 2025 e ficou concluída em Dezembro.

O enredo é mantido em segredo, mas a lógica da paródia é clara: em 40 anos, Star Wars multiplicou-se de forma praticamente incontrolável, Alien teve uma ressurreição, Jurassic Park nunca mais parou, Avatar voltou e Harry Potter vai ter uma série. Há material de sobra para ridicularizar. E se há alguém com credenciais para o fazer, é Mel Brooks — que aos 99 anos continua com mais energia criativa do que a maioria dos realizadores com metade da sua idade. A Schwartz está definitivamente de regresso.

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