Um bairro desaparece… e o que surge no seu lugar é tudo menos normal

Há filmes que revelam demasiado nos primeiros trailers. The End of Oak Street faz exactamente o contrário: mostra o suficiente para intrigar, mas guarda o essencial — e é precisamente isso que o torna um dos projectos mais curiosos do momento.

O novo filme protagonizado por Anne Hathaway e Ewan McGregor apresenta-se como um thriller de ficção científica com elementos de mistério, centrado numa família que vê a sua realidade desmoronar-se de forma inesperada. Tudo começa num cenário aparentemente banal: um bairro suburbano tranquilo, onde nada parece fora do lugar.

Até deixar de estar.

Segundo a sinopse divulgada, um evento cósmico inexplicável arranca literalmente a rua onde vivem e transporta-a para um local desconhecido. A partir desse momento, o quotidiano transforma-se numa luta pela sobrevivência, num ambiente que deixa de obedecer a qualquer lógica familiar.

O trailer sugere essa ruptura de forma visualmente marcante. Há ruas interrompidas abruptamente, carros suspensos sobre um vazio que revela uma floresta densa e desconhecida, e uma sensação constante de deslocação. A própria personagem de Hathaway é quem verbaliza o que o espectador começa a perceber: algo aconteceu, e não há forma simples de o explicar.

Mas o elemento mais inesperado surge pouco depois.

Entre os sinais de que aquele novo mundo não segue as regras habituais está a presença de criaturas pré-históricas. Num dos momentos mais impactantes do teaser, um dinossauro persegue membros da família, introduzindo uma dimensão de perigo imediato que contrasta com o ambiente suburbano onde tudo começou.

O filme acompanha a família Platt, interpretada por Hathaway e McGregor, juntamente com os actores mais jovens Christian Convery e Maisy Stella. A dinâmica familiar surge como peça central da narrativa, sugerindo que a sobrevivência dependerá não apenas da compreensão daquele novo espaço, mas da capacidade de se manterem unidos perante o desconhecido.

A realização está a cargo de David Robert Mitchell, responsável por It Follows, um dos thrillers mais marcantes da última década. O seu envolvimento aponta para uma abordagem menos convencional ao género, privilegiando atmosfera e inquietação em detrimento de explicações imediatas.

Na produção surge também o nome de J.J. Abrams, associado a projectos que combinam mistério, espectáculo e narrativa fragmentada, reforçando a ideia de que The End of Oak Street poderá jogar com várias camadas de interpretação.

O filme chega numa fase particularmente activa da carreira de Anne Hathaway, que tem vários projectos previstos para o mesmo ano, incluindo novas produções de grande visibilidade. Ainda assim, este destaca-se pelo conceito invulgar e pela forma como mistura elementos aparentemente incompatíveis — o quotidiano suburbano, ficção científica e criaturas pré-históricas — num único cenário.

A estreia está marcada para 14 de Agosto, e embora o trailer levante mais perguntas do que respostas, há uma coisa que fica clara: este não é um filme interessado em seguir caminhos previsíveis.

E talvez seja precisamente isso que o torna tão difícil de ignorar.

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Depois de anos de especulação e tentativas falhadas de revitalizar a saga, The Mummy prepara-se finalmente para regressar — e desta vez com uma decisão que poderá fazer toda a diferença: reunir novamente o núcleo original que conquistou o público no final dos anos 90.

John Hannah vai voltar a interpretar Jonathan Carnahan, juntando-se a Brendan Fraser e Rachel Weisz, que retomam os papéis de Rick e Evelyn O’Connell. A reunião do trio central é, por si só, um sinal claro de que o novo filme pretende recuperar o espírito que tornou o original num fenómeno global.

O projecto, ainda sem título oficial, tem estreia marcada para 19 de Maio de 2028 e deverá entrar em produção já em Agosto, com filmagens previstas entre Londres e Marrocos. A escolha destes locais aponta para uma tentativa de manter a identidade visual e o ambiente exótico que sempre caracterizaram a saga.

Ao contrário de outras abordagens recentes ao universo da Universal, esta nova entrada parece optar por uma estratégia mais directa: ignorar os acontecimentos do terceiro filme, The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (2008), e regressar à linha narrativa associada aos dois primeiros capítulos.

A realização ficará a cargo da dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, conhecidos colectivamente como Radio Silence, responsáveis por títulos como Ready or Not e os mais recentes filmes da saga Scream. O argumento será assinado por David Coggeshall, num projecto que procura equilibrar aventura, humor e elementos de terror — a combinação que definiu o ADN da série.

Para já, os detalhes da história permanecem em segredo. Ainda assim, os primeiros comentários da equipa criativa apontam para um filme que mantém a escala e o tom épico dos anteriores, sem perder o lado emocional que ajudou a criar ligação com o público.

Na produção, regressa Sean Daniel, responsável pelos filmes originais, garantindo uma continuidade criativa importante. A ele juntam-se nomes ligados à Project X Entertainment, numa estrutura que combina experiência com uma nova abordagem ao material.

Lançado em 1999, The Mummy arrecadou mais de 400 milhões de dólares em todo o mundo e tornou-se rapidamente num dos grandes sucessos comerciais da sua década. A mistura de aventura clássica, humor e efeitos especiais marcou uma geração e consolidou Brendan Fraser como um dos rostos mais reconhecidos do cinema de entretenimento da época.

As sequelas que se seguiram tiveram recepção mais irregular, e tentativas posteriores de reiniciar a franquia não conseguiram replicar o impacto do original. É precisamente esse contexto que torna este novo projecto particularmente relevante.

Ao apostar no regresso dos actores principais e ao recuperar o tom que definiu os primeiros filmes, The Mummy 4posiciona-se como uma tentativa de reconciliação com o público que fez da saga um sucesso.

Resta agora perceber se essa nostalgia será suficiente para sustentar um novo capítulo — ou se, mais do que olhar para trás, a série conseguirá encontrar uma nova forma de avançar.

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Antonio Banderas construiu uma carreira marcada pela versatilidade e por personagens que atravessam diferentes géneros e públicos. No entanto, o percurso que o levou até esse reconhecimento esteve longe de ser linear. No início da sua presença em Hollywood, o actor espanhol foi confrontado com uma realidade que durante décadas moldou a indústria: a limitação de papéis com base na origem étnica.

Numa recente entrevista ao The Times, Antonio Banderas recordou que lhe foi dito, de forma directa, que actores hispânicos — tal como actores negros — estavam destinados a interpretar vilões. Não se tratava de uma percepção isolada, mas de uma lógica instalada na indústria, que condicionava oportunidades e restringia o tipo de personagens disponíveis.

Apesar desse enquadramento, Banderas acabou por construir um percurso que contrariou essa expectativa. Um dos momentos decisivos dessa mudança surgiu com o papel em The Mask of Zorro, onde interpretou um herói clássico, rompendo com o estereótipo que lhe havia sido imposto. O contraste era evidente: enquanto lhe diziam que estaria limitado a papéis de antagonista, foi precisamente um herói de capa e espada que consolidou a sua posição junto do grande público.

Essa transformação ganhou uma dimensão ainda mais relevante com a entrada no universo da animação. A personagem do Gato das Botas, introduzida em Shrek 2, tornou-se rapidamente uma das figuras mais populares da saga. Com um sotaque assumidamente espanhol e uma personalidade que mistura charme e humor, o personagem afirmou-se como um herói acessível a públicos mais jovens, afastando-se por completo dos estereótipos iniciais que marcaram a carreira do actor.

Ao longo dos anos, Banderas deu continuidade a essa personagem em várias produções do universo Shrek, incluindo filmes próprios como Puss in Boots e Puss in Boots: The Last Wish, este último com reconhecimento crítico significativo, incluindo uma nomeação para os Óscares.

Apesar do sucesso, o actor revelou recentemente que, até ao momento, não foi contactado para regressar em Shrek 5, cuja estreia está prevista para 2027. Ainda assim, mostrou-se satisfeito com o percurso da personagem e com o impacto que teve junto do público.

A ligação entre o Gato das Botas e Zorro não é apenas simbólica. O próprio Banderas reconhece que a construção da personagem animada foi influenciada pelo espírito do lendário herói que interpretou no cinema, criando uma continuidade subtil entre dois momentos distintos da sua carreira.

O trajecto de Antonio Banderas reflecte uma mudança gradual na indústria, mas também evidencia as dificuldades enfrentadas por actores que, durante anos, viram as suas oportunidades condicionadas por critérios que pouco tinham a ver com talento. Ao longo das últimas décadas, o actor não só ultrapassou essas limitações como ajudou a redefinir o espaço que lhe era inicialmente destinado.

Hoje, o seu percurso é frequentemente apontado como exemplo de como é possível transformar um enquadramento restritivo numa carreira construída com liberdade criativa e reconhecimento internacional.

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James Tolkan, actor norte-americano conhecido por interpretar algumas das figuras de autoridade mais marcantes do cinema dos anos 80, morreu no passado dia 26 de Março de 2026, aos 94 anos, em Saranac Lake, no estado de Nova Iorque.

Para muitos espectadores, o seu nome pode não soar imediato, mas o seu rosto — e sobretudo a sua voz firme — são imediatamente reconhecíveis. Tolkan ficou para sempre associado ao papel do rigoroso director Strickland na saga Back to the Future, uma personagem que se tornou parte integrante do imaginário colectivo de várias gerações. Foi também o implacável “Stinger”, superior hierárquico da personagem de Tom Cruise em Top Gun, consolidando uma carreira marcada por figuras duras, exigentes e difíceis de esquecer.

Nascido em 1931, em Calumet, no estado do Michigan, James Tolkan teve um percurso pouco convencional antes de chegar ao cinema. Ainda adolescente, atravessou momentos difíceis após o divórcio dos pais, tendo acabado por se estabelecer no Arizona, onde concluiu os estudos secundários. Serviu na Marinha durante a Guerra da Coreia e, depois de passar por várias instituições de ensino superior sem se fixar, decidiu mudar-se para Nova Iorque com apenas 75 dólares no bolso.

Foi nessa cidade que começou verdadeiramente o seu percurso artístico. Trabalhou nas docas enquanto estudava representação com duas figuras centrais do teatro americano, Stella Adler e Lee Strasberg. Durante cerca de 25 anos, construiu uma carreira sólida no teatro, passando por produções off-off Broadway até chegar aos palcos mais importantes, incluindo a participação no elenco original de Glengarry Glen Ross.

O cinema surgiu de forma gradual. Ainda baseado em Nova Iorque, participou em filmes como Prince of the City (1981), realizado por Sidney Lumet, mas foi a mudança para a costa oeste, no início da década de 80, que abriu novas oportunidades. O papel em WarGames marcou essa transição, antecedendo os dois trabalhos que definiriam definitivamente a sua imagem junto do grande público.

Em Back to the Future, realizado por Robert Zemeckis, Tolkan criou uma figura autoritária que, apesar da rigidez, acabou por conquistar o público pela sua consistência e presença. Já em Top Gun, a sua interpretação contribuiu para o ambiente disciplinado e competitivo que caracteriza o filme.

Ao longo das décadas seguintes, participou em diversos projectos de cinema e televisão, mantendo-se activo até 2011. Embora raramente tenha assumido papéis de protagonista, construiu uma carreira baseada em personagens secundárias fortes, capazes de marcar uma história mesmo com tempo limitado de ecrã.

Fora da representação, Tolkan manteve uma vida discreta. Era casado há 54 anos com Parmelee Tolkan e tinha uma ligação especial aos animais, sendo essa uma das causas que mais valorizava. A família indicou que, em sua memória, poderão ser feitas doações a associações de protecção animal.

A sua morte marca o desaparecimento de um actor que, sem recorrer a protagonismos evidentes, conseguiu deixar uma marca duradoura no cinema. Há intérpretes que se destacam pelo número de papéis principais; outros, como James Tolkan, distinguem-se pela forma como tornam cada aparição memorável.

E, nesse campo, poucos foram tão eficazes.

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Há actores que passam a carreira inteira a aperfeiçoar uma imagem. No caso de Paul Newman, essa imagem era clara: carisma natural, presença magnética e uma facilidade quase desconcertante em dominar qualquer cena. Durante anos, esse estilo funcionou — e definiu-o como uma das grandes figuras de Hollywood.

Mas em The Sting, tudo mudou.

Quando aceitou interpretar Henry Gondorff, Newman achava que sabia exactamente como abordar o papel. À primeira vista, tratava-se de um território familiar: um vigarista elegante, confiante e sempre um passo à frente dos outros. No entanto, rapidamente percebeu que este personagem não funcionava com brilho exterior ou improviso. Gondorff exigia outra coisa — contenção.

Essa mudança não foi imediata nem confortável. Newman estava habituado a deixar o ritmo surgir naturalmente, a brincar com os diálogos e a explorar o momento. Era assim que tinha trabalhado, por exemplo, em Butch Cassidy and the Sundance Kid, onde a química com Robert Redford se alimentava dessa leveza.

Mas em The Sting, essa abordagem revelou-se um problema.

Durante uma das filmagens, Newman improvisou algumas falas, esperando que a cena ganhasse vida como habitualmente. Em vez disso, quebrou o equilíbrio. O timing deixou de encaixar, a dinâmica com Redford perdeu precisão, e o realizador George Roy Hill interrompeu a cena sem hesitar. Não havia espaço para desvios. Cada gesto tinha de estar no sítio certo, no momento certo.

Foi aí que Newman percebeu o verdadeiro desafio do filme.

Henry Gondorff não era um personagem que se impunha — era um personagem que se escondia. O seu poder vinha da subtileza, da forma como manipulava o ambiente sem chamar a atenção. Para o interpretar, Newman teve de fazer algo raro: retirar em vez de acrescentar.

Essa filosofia tornou-se especialmente evidente na icónica cena de poker no comboio. À superfície, Gondorff aparenta estar completamente embriagado. Mas por baixo desse caos, há um controlo absoluto da situação. Newman teve de construir uma performance em duas camadas — uma visível, outra invisível.

Para garantir autenticidade, preparou-se de forma meticulosa. Trabalhou com um especialista em cartas, aprendendo técnicas reais de manipulação e distracção. Não para as exibir, mas para que os movimentos surgissem com naturalidade. Cada gesto tinha de parecer instintivo, mesmo quando era cuidadosamente ensaiado.

Durante as filmagens dessa sequência, chegou a consumir grandes quantidades de líquidos entre takes para recriar o desconforto físico da embriaguez. As repetições foram exaustivas, e a exigência do realizador mantinha-se constante: mais precisão, mais controlo, mais detalhe.

Nem uma lesão no tornozelo durante os ensaios o fez abrandar. Havia também uma dimensão silenciosa de competição — trabalhar ao lado de Redford implicava manter um nível altíssimo, sem nunca quebrar a ilusão de naturalidade.

Com o tempo, Newman ajustou-se. E mais do que isso — evoluiu.

Percebeu que não precisava de dominar a cena para ser memorável. Bastava encaixar nela com exactidão. Deixar espaço, confiar no ritmo e permitir que o público descobrisse a personagem por si.

Quando The Sting se tornou um enorme sucesso e conquistou vários Óscares, Newman não destacou prémios nem reconhecimento. O que lhe ficou foi outra coisa: a certeza de que o equilíbrio tinha sido alcançado.

Que tudo tinha funcionado como devia.

Porque, no fundo, aquela performance ensinou-lhe algo que poucos actores dominam verdadeiramente — que o momento mais poderoso nem sempre é aquele em que se brilha.

É aquele em que se sabe exactamente quando recuar.

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A nova adaptação televisiva de Harry Potter and the Philosopher’s Stone ainda está longe de estrear, mas já conseguiu aquilo que muitas produções só atingem depois de chegarem ao público: tornar-se um fenómeno global.

O primeiro trailer da série, divulgado pela HBO, ultrapassou os 277 milhões de visualizações nas primeiras 48 horas, estabelecendo um novo recorde absoluto para a plataforma e para a HBO Max. Mais do que um número impressionante, este arranque confirma que o universo criado por J.K. Rowling continua a mobilizar uma audiência transversal, capaz de atravessar gerações e formatos.

Num contexto em que reboots e novas adaptações são frequentemente recebidos com desconfiança, a reacção inicial a este projecto sugere um cenário diferente. Em vez de fadiga, há curiosidade — e, em muitos casos, entusiasmo.

A série propõe uma abordagem mais próxima dos livros, com cada temporada dedicada a um dos sete volumes da saga. A primeira temporada irá revisitar os acontecimentos do primeiro livro, acompanhando a descoberta do mundo mágico por parte de Harry e o início da sua ligação a Hogwarts.

O trailer deixa antever vários momentos familiares, mas tratados com um novo olhar. A chegada à escola, o primeiro contacto com Ron e Hermione, o chapéu seleccionador ou as aulas iniciais surgem como pontos de reencontro com uma história que o público conhece bem, mas que aqui ganha espaço para respirar de outra forma. Há também sinais de uma maior atenção ao lado emocional da narrativa, particularmente na forma como a história de Harry e dos seus pais é abordada.

Naturalmente, uma das maiores mudanças está no elenco. A série apresenta uma nova geração de actores, afastando-se das interpretações que marcaram os filmes iniciados em 2001. Entre os nomes confirmados estão John Lithgow no papel de Albus Dumbledore, Janet McTeer como Minerva McGonagall, Paapa Essiedu como Severus Snape e Nick Frost como Hagrid.

A responsabilidade é significativa. Estas personagens fazem parte do imaginário colectivo há mais de duas décadas, e qualquer nova interpretação será inevitavelmente comparada com o passado. Ainda assim, a opção por um elenco renovado reforça a intenção de construir algo com identidade própria, em vez de replicar o que já foi feito.

Do ponto de vista criativo, a HBO reuniu uma equipa experiente. Francesca Gardiner, conhecida pelo seu trabalho em Succession, assume a coordenação da série, enquanto Mark Mylod, que também passou por Game of Thrones, ficará responsável por vários episódios. É uma combinação que aponta para uma produção com ambição clara e um cuidado particular na construção narrativa.

A estreia está marcada para o Natal de 2026, uma escolha que não parece inocente. A saga sempre teve uma forte ligação a esse período, tanto pelo calendário de lançamento dos filmes como pelo seu carácter familiar.

Resta agora perceber se esta nova versão conseguirá equilibrar fidelidade e renovação. Os primeiros sinais são encorajadores, mas o verdadeiro teste só chegará quando a série estiver completa.

Para já, há uma certeza difícil de ignorar: mais de duas décadas depois, Hogwarts continua a ser um destino ao qual o público quer regressar.

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Uma tradução feita para rir acabou em tribunal — e levanta questões bem mais sérias do que parece

Esta é daquelas que faz as discussões dos jantares de convívio da família parecerem casos de vida ou de morte e importância universal. Há histórias que parecem saídas de um argumento de comédia… até deixarem de ter graça. Foi precisamente isso que aconteceu com uma piada aparentemente inofensiva que acabou por escalar para um processo judicial de milhões.

O protagonista involuntário desta polémica é Lebo M, o compositor sul-africano responsável pelo icónico cântico de abertura de The Lion King. Do outro lado está Learnmore Jonasi, um humorista zimbabueano que, num podcast, decidiu brincar com aquilo que para muitos é simplesmente uma sequência memorável — mas que, para outros, carrega um peso cultural muito mais profundo.

E foi aí que tudo começou a complicar-se.

A origem do conflito remonta a uma participação de Jonasi num podcast onde, depois de interpretar o famoso cântico inicial, apresentou uma tradução deliberadamente simplificada e humorística: “Olhem, está ali um leão. Meu Deus.” A frase foi recebida como aquilo que era — uma piada — e rapidamente se tornou viral. Milhares de partilhas, reacções entusiásticas e aquele tipo de exposição que, hoje em dia, transforma um momento isolado num fenómeno global em poucas horas.

Mas nem todos se riram.

Para Lebo M, o problema nunca foi o humor em si, mas sim o enquadramento. O cântico “Nants’ingonyama bagithi Baba”, tal como é utilizado em The Lion King, não corresponde a uma tradução literal, mas a uma expressão simbólica profundamente enraizada na tradição sul-africana. A leitura mais próxima do seu significado será algo como “Todos saudamos o rei”, uma evocação de autoridade, respeito e comunidade — muito distante da imagem quase caricatural sugerida pela piada.

É verdade que a palavra “ingonyama” pode ser traduzida como “leão”. Mas, neste contexto, funciona como metáfora de liderança e poder. E é precisamente essa nuance que está no centro do processo. A acusação sustenta que Jonasi não apresentou a sua versão como uma interpretação humorística evidente, mas como uma explicação factual, contribuindo para uma percepção errada de um elemento cultural relevante.

O caso ganhou contornos ainda mais invulgares quando o comediante foi formalmente notificado durante um espectáculo ao vivo. Em pleno palco, um envelope foi-lhe entregue — um momento que rapidamente circulou nas redes sociais e que o próprio partilhou, entre o choque e a ironia. “Estou a ser processado por contar uma piada”, escreveu, resumindo em poucas palavras o absurdo da situação… pelo menos do seu ponto de vista.

A partir daí, o conflito saiu do palco e instalou-se no espaço público. Jonasi pediu desculpa, explicou que a sua intenção era abrir uma conversa sobre identidade africana através do humor e admitiu desconhecer o significado mais profundo do cântico. Já Lebo M respondeu com menos indulgência, acusando-o de banalizar uma expressão cultural importante e de procurar visibilidade à custa de desinformação.

Apesar do tom inicial, há sinais de que o caso poderá não chegar a um confronto prolongado em tribunal. A equipa do compositor já demonstrou abertura para negociar um acordo, num gesto que sugere vontade de encerrar o episódio sem prolongar o desgaste público.

Ainda assim, a questão de fundo permanece.

Até onde pode ir o humor quando entra em territórios culturais que não são universais? A comédia vive da distorção, do exagero e da liberdade criativa — mas essa liberdade encontra, por vezes, limites difíceis de definir, sobretudo quando colide com identidades, tradições e significados que não são imediatamente visíveis para todos.

Entre uma piada viral e um processo de 27 milhões de dólares, a distância parece enorme. Mas este caso mostra como, no actual ecossistema mediático, pode ser percorrida mais depressa do que se imagina.

E, como tantas vezes acontece, a realidade acabou por ultrapassar a ficção — com um detalhe curioso: tudo começou com uma simples tentativa de fazer rir.

… e na modesta opinião do vosso escriba… Esta malta não deve ter mesmo nada melhor para fazer

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Há um filme que já conquistou Portugal… e agora regressa para provar porquê

“Gabriela” volta à televisão e continua tão provocadora, livre e irresistível como sempre

Há histórias que não envelhecem — apenas ganham mais sabor com o tempo. Gabriela é uma delas. E não é preciso muito para perceber porquê: basta regressar à Ilhéus dos anos 20, onde o calor, o cacau e os desejos mal escondidos se misturam numa combinação que continua a funcionar décadas depois.

Realizado por Bruno Barreto e baseado no universo literário de Jorge Amado, este clássico de 1983 regressa agora à televisão portuguesa numa exibição especial no TVCine Edition, no dia 29 de março às 22h00  . E sim, continua a ser daqueles filmes que se vêem como quem abre uma garrafa de vinho — sem pressa, mas com prazer.

No centro de tudo está Gabriela, interpretada por Sônia Braga num daqueles papéis que não se esquecem. Não porque seja apenas sensual — isso seria redutor — mas porque é livre. Radicalmente livre. Chega à cidade sem passado que a prenda nem futuro que a limite, e isso, num lugar governado por regras não escritas e homens com demasiado poder, é quase um acto revolucionário.

Quando começa a trabalhar para Nacib, vivido por Marcello Mastroianni, o que parecia ser apenas mais uma história de atração transforma-se lentamente em algo mais desconfortável — e muito mais interessante. Porque o problema nunca foi a paixão. Foi tudo o que vem com ela.

Nacib quer Gabriela, mas também quer moldá-la. Quer o encanto… mas dentro de limites. E é aí que o filme encontra a sua verdadeira força: no confronto entre o desejo de posse e a impossibilidade de controlar alguém que simplesmente não nasceu para obedecer.

À volta desta relação, desenha-se um retrato mais amplo de uma sociedade em transformação. Ilhéus não é apenas um cenário exótico — é um campo de batalha subtil, onde tradição, poder económico e mudança social colidem constantemente. Há coronéis, intrigas políticas, jogos de influência… mas, no meio de tudo isso, é uma mulher que desorganiza o sistema.

E fá-lo sem discursos. Sem grandes gestos. Apenas sendo quem é.

É precisamente essa naturalidade que faz de Gabriela um filme tão eficaz ainda hoje. Não tenta impor uma mensagem — deixa-a emergir. E talvez por isso continue a ser relevante: porque fala de liberdade, de identidade e de desejo de uma forma que não precisa de ser explicada.

Para o público português, há ainda uma camada extra de nostalgia. Antes deste filme, Gabriela, Cravo e Canela já tinha sido um fenómeno televisivo em 1977, tornando-se a primeira telenovela exibida em Portugal e marcando uma geração inteira  . Esta versão cinematográfica não substitui essa memória — mas dialoga com ela.

E isso torna este regresso ainda mais interessante.

Porque no fim de contas, Gabriela não é apenas uma história sobre amor ou sensualidade. É uma história sobre aquilo que acontece quando alguém recusa jogar pelas regras — e, sem pedir licença, muda tudo à sua volta.

E há poucas coisas mais perigosas — ou mais fascinantes — do que isso.

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Andou pelo mundo… mas só agora tem o seu verdadeiro “primeiro encontro” com Lisboa

A curta portuguesa que conquistou festivais internacionais chega finalmente à capital — e traz o Pico consigo

Há qualquer coisa de deliciosamente irónico no percurso de First Date. Uma curta-metragem portuguesa que já passou por mais de 50 cidades, atravessou seis continentes, acumulou prémios e aplausos… e só agora chega a Lisboa, como quem regressa a casa depois de uma longa viagem.

A estreia na capital acontece a 7 de abril, às 21h, no Cossoul, integrada no ShortCutz Lisboa, com entrada livre e presença confirmada de Luís Filipe Borges — o homem que decidiu, pela primeira vez, trocar as palavras pelo cinema.

E talvez isso ajude a explicar o tom do filme: há humor, claro, mas também há um certo encanto despretensioso, como quem conta uma história sem querer impressionar — e acaba por o fazer na mesma.

Depois de mais de um ano a circular pelo mundo, esta estreia “alfacinha” tem um peso especial. Não apenas porque marca o regresso a casa, mas porque coloca o filme perante um público diferente: aquele que reconhece os códigos, os sotaques e as pequenas ironias que muitas vezes passam despercebidas lá fora.

First Date acompanha o encontro entre Santiago e Melissa, interpretados por Cristóvão Campos e Ana Lopes. Ele é lisboeta — mas decide fingir que não é. Ela é americana e chega aos Açores com uma ideia muito clara: quer conhecer o Pico, aquele lugar que parece existir algures entre o postal e o mito.

O que se segue não é apenas um romance. É também um jogo de identidades, pequenas mentiras e expectativas, onde o cenário acaba por ter tanto peso quanto as personagens.

E que cenário.

O Pico não é aqui apenas pano de fundo — é quase um personagem. A paisagem, o ritmo, a forma como o espaço influencia o comportamento… tudo contribui para dar ao filme uma textura muito própria. Não é um cenário “bonito” no sentido turístico da palavra; é um cenário vivido, que condiciona e molda aquilo que acontece.

Talvez seja isso que explique a recepção internacional tão positiva. Segundo o produtor Terry Costa, têm chegado reacções de todo o mundo — das Filipinas à Nova Zelândia — muitas vezes com perguntas que vão além do filme: querem saber mais sobre a ilha, sobre as pessoas, sobre aquele ambiente que parece simultaneamente real e quase cinematográfico por natureza.

Mas o mais curioso é que, apesar desse percurso global, First Date nunca perde o seu carácter íntimo. Não tenta ser maior do que é. Não procura grandes discursos. Funciona precisamente porque observa — com humor, com alguma ironia e com uma certa ternura — aquilo que acontece quando duas pessoas se encontram… e não são exactamente quem dizem ser.

Há também um lado quase meta nesta estreia em Lisboa. Um filme sobre encontros chega finalmente ao sítio onde, de certa forma, tudo começou. E fá-lo depois de já ter sido testado, validado e celebrado lá fora.

Agora, resta saber como será recebido em casa.

Mas se há coisa que este percurso já provou, é que First Date sabe muito bem como causar uma boa primeira impressão.

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“Gigante” traz à tela a vida intensa de um dos boxeurs mais carismáticos de sempre

Há histórias que parecem feitas para o cinema — e depois há aquelas que o cinema tenta acompanhar.

Gigante é uma dessas histórias. Inspirado na vida de Prince Naseem “Naz” Hamed, um dos nomes mais marcantes do boxe mundial, o filme chega às salas portuguesas a 9 de Abril com a promessa de mostrar não apenas o atleta, mas o homem por trás do fenómeno  .

Um talento fora do comum — dentro e fora do ringue

Interpretado por Amir El-Masry, Naz Hamed não era um boxeur convencional. O seu estilo irreverente, quase teatral, transformava cada combate num espectáculo. Mas por detrás dessa confiança havia um percurso difícil, marcado por preconceito e adversidade.

Crescido em Sheffield, no norte de Inglaterra, Hamed destacou-se não apenas pelo talento, mas pela forma como enfrentou o racismo e a islamofobia nas décadas de 80 e 90 — elementos que o filme integra na sua narrativa  .

Uma relação improvável que mudou tudo

No centro de Gigante está também a ligação entre o jovem pugilista e o seu treinador, Brendan Ingle, interpretado por Pierce Brosnan.

Longe dos clichés habituais, Ingle não era uma figura clássica do mundo do boxe. Trabalhador da indústria do aço, geria um modesto ginásio num salão paroquial — um espaço improvável onde nasceu uma das maiores carreiras do desporto.

Foi essa relação, construída com base na confiança e na persistência, que ajudou a moldar o talento de Naz e a levá-lo até ao topo  .

Muito mais do que um filme de desporto

Realizado por Rowan Athale e produzido por Sylvester Stallone, Gigante não se limita às sequências de combate.

O filme alterna entre a intensidade do ringue e momentos mais íntimos, explorando o impacto emocional e social da ascensão de Hamed. Ao fazê-lo, constrói um retrato mais completo — não apenas de um campeão, mas de uma figura que desafiou expectativas e redefiniu o que significava ser uma estrela no boxe  .

Um biopic com impacto

A história de Prince Naseem Hamed é, por si só, cinematográfica: talento precoce, personalidade explosiva, sucesso global e um contexto social complexo.

Gigante pega nesses elementos e transforma-os num biopic que combina espectáculo, emoção e reflexão — uma abordagem que pode conquistar tanto fãs de desporto como espectadores à procura de uma boa história.

Estreia em Portugal

Gigante estreia nas salas de cinema portuguesas a 9 de Abril, trazendo consigo uma narrativa inspiradora sobre coragem, identidade e superação  .

Porque, no fim, esta não é apenas a história de um lutador.

É a história de alguém que recusou encaixar — e, por isso mesmo, se tornou impossível de ignorar.

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