Antes do mito existiu o homem: o novo filme que revela o passado desconhecido de Cervantes

Alejandro Amenábar regressa com uma história real que moldou o autor de “Dom Quixote”

Há figuras tão grandes na história da literatura que acabam por se tornar quase míticas. Miguel de Cervantes é uma delas. Mas antes de escrever Dom Quixote, houve um homem real — ferido, capturado e colocado à prova em circunstâncias extremas.

É precisamente esse capítulo menos conhecido que Cervantes: Antes de Dom Quixote leva agora ao cinema, com estreia marcada para 9 de Abril em Portugal  .

Uma história real digna de ficção

O filme transporta-nos até 1575, num momento decisivo da vida de Cervantes. Após uma batalha naval, o jovem soldado é capturado por corsários otomanos e levado para Argel, onde permanece prisioneiro.

Longe de qualquer ideia romantizada, este é um cenário de dor, incerteza e sobrevivência. Ferido e à espera de resgate, Cervantes encontra uma forma improvável de resistir: começa a contar histórias.

Histórias de aventura, de coragem, de mundos maiores do que as paredes da prisão.

E, pouco a pouco, essas narrativas tornam-se mais do que entretenimento — tornam-se um acto de resistência.

A imaginação como fuga — e como arma

Interpretado por Julio Peña, este jovem Cervantes ainda está longe de ser o nome que a história consagraria. Mas já carrega algo essencial: a capacidade de transformar sofrimento em narrativa.

As histórias que conta não só mantêm viva a esperança entre os companheiros de cativeiro, como acabam por chamar a atenção de Alessandro Borghi, que interpreta Hasan Paxá, o poderoso governante de Argel.

Este detalhe acrescenta uma camada inesperada ao filme: a palavra como ponte entre mundos opostos — e, simultaneamente, como instrumento de sobrevivência.

O regresso de um nome maior do cinema europeu

À frente do projecto está Alejandro Amenábar, vencedor do Óscar por Mar Adentro e responsável por obras como The Others e Agora.

Com Cervantes: Antes de Dom Quixote, Amenábar regressa a um território que domina bem: histórias intimistas com forte contexto histórico, onde o espectáculo nunca se sobrepõe à dimensão humana.

Aqui, o foco não está apenas na reconstituição de época, mas na construção de um retrato emocional — o momento em que um homem começa, sem saber, a tornar-se um autor.

Entre épico e intimidade

O filme equilibra dois registos distintos.

Por um lado, há a escala histórica: batalhas, capturas, o ambiente político e cultural do século XVI. Por outro, há um olhar mais próximo, quase silencioso, sobre o impacto psicológico do cativeiro e sobre a necessidade de criar para sobreviver.

Essa dualidade é, aliás, o grande trunfo da narrativa.

Porque, no fundo, esta não é apenas a história de um prisioneiro.

É a história de como nasce uma voz.

Uma origem que redefine o mito

Sabemos o que Cervantes viria a escrever. Sabemos a importância de Dom Quixote na literatura mundial.

Mas este filme propõe algo diferente: olhar para trás e perceber como essas ideias começaram a ganhar forma.

Como a adversidade molda a criatividade.

Como a imaginação pode ser um refúgio — e, ao mesmo tempo, um acto de resistência.

Estreia em Portugal

Distribuído pela NOS Audiovisuais, Cervantes: Antes de Dom Quixote chega às salas portuguesas a 9 de Abril, trazendo consigo uma história real que parece saída de um romance — e que ajuda a compreender melhor um dos maiores escritores de sempre  .

Porque antes do cavaleiro da triste figura…

houve um homem a lutar para não desaparecer.

Um erro, um milhão e uma noite para resolver tudo: a comédia francesa que chega aos cinemas na altura certa
De crítico feroz a tom conciliador? Bill Maher surpreende após polémica com Trump
Estreias da Semana 26 de Março
Um dos filmes mais ignorados dos últimos anos está no streaming — e merece mesmo ser visto

De crítico feroz a tom conciliador? Bill Maher surpreende após polémica com Trump

Depois de anos a construir a sua imagem como um dos críticos mais persistentes de Donald Trump, Bill Maher voltou a surpreender — desta vez não por um ataque mordaz, mas por um inesperado tom de conciliação.

A mudança tornou-se evidente na mais recente emissão de Real Time with Bill Maher, onde o apresentador abordou a polémica em torno do Prémio Mark Twain para Humor Americano, uma das distinções mais prestigiadas da comédia nos Estados Unidos. Durante dias, a atribuição do prémio esteve envolta em controvérsia, com relatos de que a Casa Branca teria tentado impedir que Maher fosse distinguido.

O episódio ganhou ainda mais dimensão quando Karoline Leavitt veio a público classificar a notícia como “fake news”, negando qualquer interferência da administração. No entanto, informações de bastidores apontavam precisamente no sentido contrário, sugerindo pressões junto do Kennedy Center para travar a decisão.

Apesar do ruído mediático, o desfecho acabou por ser claro: Maher irá receber o prémio.

E é aqui que a história se torna mais inesperada.

Em vez de aproveitar o momento para atacar Trump — algo que seria perfeitamente consistente com o seu historial — Maher optou por um registo mais moderado, quase conciliador. No seu monólogo, admitiu não guardar ressentimentos e até mostrou algum respeito pela tentativa de bloqueio.

“Não estou à procura de conflito”, afirmou, acrescentando que a sua relação com o actual Presidente é “complicada” e já longa. Mais surpreendente ainda foi o convite que deixou no ar: Maher disse que Trump seria bem-vindo na cerimónia, sugerindo até que poderia agradecê-lo pessoalmente.

A frase não passou despercebida, sobretudo quando o humorista se descreveu como “um dos poucos à esquerda” que apoiaram a recente acção militar dos Estados Unidos contra o Irão — uma posição que o aproxima, ainda que pontualmente, do discurso da administração.

Este tom contrasta fortemente com anos de confronto público entre ambos.

A relação entre Bill Maher e Donald Trump tem sido marcada por ataques mútuos, processos judiciais e críticas constantes em televisão. Ainda assim, houve momentos de aproximação inesperados, como o jantar na Casa Branca no ano passado, que Maher descreveu como cordial — uma avaliação que lhe valeu críticas dentro do próprio meio humorístico.

Mais recentemente, Trump voltou a atacá-lo na sua rede social, classificando-o como um comentador “sobrevalorizado” e acusando-o de sofrer de “Trump Derangement Syndrome”. Comentários que, até aqui, teriam gerado uma resposta à altura.

Desta vez, não.

Maher parece adoptar uma estratégia diferente — menos confrontacional, mais pragmática. “O afastamento não leva a lado nenhum”, afirmou no programa, deixando implícita uma ideia de diálogo, ou pelo menos de coexistência.

Se se trata de uma mudança genuína ou apenas de um momento pontual, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa é certa: depois de anos de confronto directo, este episódio soa mais a tréguas do que a batalha.

E isso, no universo político-mediático norte-americano, é por si só notícia.

Estreias da Semana 26 de Março
Um dos filmes mais ignorados dos últimos anos está no streaming — e merece mesmo ser visto
“Vai ser mesmo especial”: reboot de Ficheiros Secretos já entusiasma Gillian Anderson
De lenda do hip-hop a protagonista de cinema: Snoop Dogg prepara o seu papel mais inesperado

Um erro, um milhão e uma noite para resolver tudo: a comédia francesa que chega aos cinemas na altura certa

Há filmes que partem de uma premissa simples e a levam até às últimas consequências — e Ladrões da Treta é exactamente isso. Uma comédia que começa com uma decisão impulsiva e rapidamente se transforma numa espiral de acontecimentos cada vez mais difíceis de controlar.

A história centra-se em Stan, um jovem engenheiro ambicioso que acredita que a sua carreira estagnou. Convencido de que foi ultrapassado e de que nunca receberá a promoção que deseja, toma uma decisão desesperada: roubar uma mala com um milhão de euros do cofre do patrão. O plano parece, na sua cabeça, uma espécie de justiça pessoal — uma forma de compensar aquilo que considera ser uma injustiça profissional.

O problema surge quando, já a caminho do aeroporto e pronto para desaparecer com o dinheiro, descobre que estava completamente enganado. A promoção foi, afinal, atribuída. Aquilo que parecia perdido estava garantido — e, num instante, o golpe transforma-se num erro colossal.

É a partir daqui que o filme ganha o seu verdadeiro ritmo.

Percebendo que precisa de devolver o dinheiro antes que seja tarde demais, Stan vê-se obrigado a voltar atrás e a tentar corrigir uma situação que, a cada minuto, se torna mais caótica. Para isso, conta com a ajuda de Hippolyte, um serralheiro pouco fiável, cuja capacidade para complicar ainda mais o que já é complicado se revela quase impressionante.

Interpretado por Christian Clavier, Hippolyte traz ao filme aquele tipo de energia imprevisível que funciona como motor da comédia. A dinâmica entre ele e Stan — vivido por Rayane Bensetti — assenta precisamente nesse contraste: de um lado, alguém que tenta manter o controlo; do outro, alguém que parece viver confortavelmente no caos.

O resultado é uma narrativa construída em torno de uma única noite, onde tudo acontece a um ritmo acelerado e onde cada tentativa de resolver o problema acaba, inevitavelmente, por criar outro ainda maior.

Sem procurar reinventar o género, Ladrões da Treta aposta numa fórmula eficaz: personagens bem definidas, situações em escalada e um sentido de timing que privilegia o absurdo sem perder o fio condutor da história. Há aqui elementos de filme de assalto, mas tratados sempre com leveza, num registo claramente orientado para o entretenimento.

Distribuído pela NOS Audiovisuais, o filme chega aos cinemas portugueses a 2 de Abril, posicionando-se como uma proposta ideal para quem procura uma comédia acessível e descontraída nesta altura do calendário.

No fundo, é uma história sobre decisões precipitadas — e sobre como, por vezes, o mais difícil não é cometer o erro, mas tentar corrigi-lo.

Afinal era verdade: James Marsden mentiu — e está mesmo em “Avengers: Doomsday”
BAFTA TV Awards 2026: As nomeações completas que estão a dar que falar 
De lenda do hip-hop a protagonista de cinema: Snoop Dogg prepara o seu papel mais inesperado