Há 21 Anos, “Million Dollar Baby” Conquistava Hollywood — e Dividia Opiniões

O drama de Clint Eastwood venceu quatro Óscares, superou anos de bloqueio em produção e gerou um debate intenso

Foi a 27 de Fevereiro de 2005, na 77.ª edição dos Óscares, que Million Dollar Baby se afirmou como o grande vencedor da noite. O filme arrecadou quatro estatuetas: Melhor Filme, Melhor Realizador para Clint Eastwood, Melhor Actriz para Hilary Swank e Melhor Actor Secundário para Morgan Freeman. No total, somou sete nomeações, confirmando-se como um dos títulos mais marcantes do ano cinematográfico de 2004.

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Mas o caminho até à consagração esteve longe de ser simples.

Anos em “Development Hell” e um Orçamento em Risco

Antes de chegar às salas, o projecto passou anos em bloqueio. Vários estúdios recusaram avançar com o filme, mesmo depois de Clint Eastwood assumir a realização e o papel principal. Nem sequer a Warner Bros., estúdio historicamente associado ao realizador, quis comprometer-se com um orçamento de 30 milhões de dólares.

A solução surgiu através de Tom Rosenberg, da Lakeshore Entertainment, que financiou metade do orçamento e assumiu a distribuição internacional, enquanto a Warner contribuiu com a restante fatia. As filmagens decorreram em Los Angeles e nos estúdios da Warner, tendo sido concluídas em menos de 40 dias, entre Junho e Julho de 2004 — um ritmo particularmente rápido para um drama desta dimensão.

A Transformação de Hilary Swank

Clint Eastwood acreditava no talento de Hilary Swank, mas tinha reservas quanto à sua estrutura física. A actriz parecia-lhe demasiado leve para interpretar uma pugilista credível. A resposta foi um compromisso físico extremo.

Swank treinou cerca de cinco horas por dia, combinando sessões de boxe com treino de musculação, sob orientação do preparador físico Grant L. Roberts. Ganhou cerca de 8,6 quilos de músculo para o papel. Durante o processo, desenvolveu uma infecção grave provocada por uma bolha no pé, mas decidiu não informar Eastwood, por considerar que isso não seria coerente com a determinação da personagem.

O esforço traduziu-se numa interpretação intensa, que lhe valeu o segundo Óscar da carreira.

Polémica e Debate Público

No início de 2005, o desfecho do filme gerou contestação por parte de activistas ligados aos direitos das pessoas com deficiência. Organizações como o Disability Rights Education Fund criticaram aquilo que consideravam ser uma mensagem problemática sobre qualidade de vida.

Clint Eastwood respondeu sublinhando que o filme abordava o sonho americano e que as acções das personagens não representavam necessariamente a sua posição pessoal. Recordou, numa entrevista ao Los Angeles Times, que já interpretara personagens violentas no passado sem que isso significasse concordância com esses actos.

O debate público não diminuiu o impacto crítico do filme. Roger Ebert descreveu-o como um drama clássico, elogiando a clareza narrativa e o forte impacto emocional.

Um Drama Que Resiste ao Tempo

Duas décadas depois, Million Dollar Baby mantém-se como uma das obras mais respeitadas da carreira de Clint Eastwood. Entre a simplicidade formal e a intensidade emocional, o filme provou que histórias contidas, centradas em personagens, continuam a ter força numa indústria frequentemente dominada por grandes produções.

A 77.ª cerimónia dos Óscares ficará para sempre associada a essa noite em que um drama sobre perseverança, fracasso e escolhas difíceis conquistou Hollywood — depois de quase não ter chegado às salas.

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Million dollar baby pode ser visto hoje no HBO MAX em Portugal para os detentores da subscrição, está a passar no Star Channel ocasionalmente e está disponível para aluguer ou venda nas lojas da a Apple, Google e Prime Video.

“God of War”: Prime Video Revela Primeira Imagem da Série Inspirada no Jogo da PlayStation

Ryan Hurst e Callum Vinson lideram a adaptação live-action como Kratos e Atreus

A produção da série God of War já está oficialmente em curso. A Sony Pictures Television e a Amazon MGM Studios anunciaram o arranque das filmagens da aguardada adaptação para o Prime Video, revelando também a primeira imagem de Ryan Hurst e Callum Vinson caracterizados como Kratos e Atreus.

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A série live-action adapta o popular videojogo da PlayStation, ambientado na mitologia antiga, e acompanha a jornada emocional e física de pai e filho. Kratos, um guerreiro marcado pelo passado, parte com Atreus numa missão profundamente simbólica: espalhar as cinzas de Faye, esposa de Kratos e mãe de Atreus, no topo da montanha mais alta dos reinos nórdicos.

Uma Jornada Entre Deuses e Humanidade

A narrativa centra-se na relação entre Kratos e Atreus, explorando o contraste entre força e vulnerabilidade. Ao longo da viagem, Kratos tenta ensinar o filho a tornar-se um deus mais justo e consciente, enquanto Atreus desafia o pai a recuperar a sua humanidade.

A adaptação promete manter o equilíbrio entre acção épica e desenvolvimento emocional que marcou o jogo lançado pela PlayStation, considerado um dos títulos mais influentes da última década.

Elenco e Equipa Criativa

O elenco inclui Ryan Hurst como Kratos e Callum Vinson como Atreus, acompanhados por Mandy Patinkin no papel de Odin, Ed Skrein como Baldur, Max Parker como Heimdall, Ólafur Darri Ólafsson como Thor, Teresa Palmer como Sif, Alastair Duncan como Mimir, Jeff Gulka como Sindri e Danny Woodburn como Brok.

A série tem como showrunner, produtor executivo e argumentista Ronald D. Moore, conhecido pelo seu trabalho em Battlestar Galactica e Outlander. A realização dos dois primeiros episódios estará a cargo de Frederick E.O. Toye, vencedor de um Emmy, que já trabalhou em séries como ShōgunThe Boys e Fallout.

Estreia Ainda por Confirmar

Para já, não foram divulgados detalhes sobre o número de episódios nem sobre a data de estreia no Prime Video. No entanto, o anúncio do início das filmagens indica que a produção avança dentro do calendário previsto.

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Com uma base de fãs sólida e uma narrativa que conjuga mitologia, drama familiar e combate visceral, God of Warposiciona-se como uma das adaptações televisivas mais ambiciosas do universo dos videojogos.

De “Tubarão” a “Guerra das Estrelas”: Hollywood Vai a Leilão com Peças Avaliadas em 9 Milhões

Arpões, sabres de luz e a cabeça original de C-3PO estão entre os objectos mais cobiçados

Alguns dos objectos mais icónicos da história do cinema vão mudar de mãos em Março, num leilão que promete atrair coleccionadores de todo o mundo. Um arpão de Tubarão, um blusão de Exterminador Implacável, um sabre de luz e a cabeça de C-3PO de Guerra das Estrelas fazem parte das 1550 peças históricas que serão leiloadas em Los Angeles.

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O evento, organizado pela Propstore, decorre ao longo de três dias a partir de 25 de Março, com licitações presenciais no primeiro dia no Petersen Automotive Museum. Antes disso, uma selecção dos artigos estará exposta a 11 de Março no Hotel Maybourne, em Beverly Hills.

O valor estimado total dos lotes ronda os 9 milhões de dólares, sublinhando a dimensão do mercado de memorabilia cinematográfica.

C-3PO e o Peso da História

Entre os itens mais valiosos encontra-se a cabeça de fibra de vidro de C-3PO utilizada por Anthony Daniels em O Império Contra-Ataca (1980). Avaliada entre 350 mil e 700 mil dólares, esta peça apresenta características únicas, incluindo uma antena na testa e olhos luminosos.

Segundo Ibrahim Faraj, executivo da Propstore, trata-se de um objecto raro no mercado. A importância histórica do adereço, associado a uma das sagas mais influentes do cinema, deverá garantir forte competição entre licitantes.

Também ligado ao universo de Guerra das Estrelas, estará em leilão o cabo do sabre de luz utilizado por Luke Skywalker e Rey em O Despertar da Força. O valor estimado pode atingir os 100 mil dólares, sendo descrito como um dos objectos mais relevantes da franquia.

O Arpão de “Tubarão” e o Casaco do Exterminador

Os fãs do cinema de Steven Spielberg terão oportunidade de disputar a arma de arpão utilizada por Quint e Matt Hooper em Tubarão (1975). O conjunto inclui ainda a cana e o carreto de pesca Fenwick usados nas primeiras cenas do confronto com o tubarão. A estimativa aponta para valores até 500 mil dólares, sendo considerados os objectos mais significativos alguma vez leiloados do filme.

Já no universo da ficção científica dos anos 80, estará disponível o blusão usado por Arnold Schwarzenegger em Exterminador Implacável (1984). Com gola de couro, correntes metálicas e marcas de batalha — manchas de sangue falsas, rasgões, perfurações simuladas — a peça está avaliada entre 75 mil e 150 mil dólares.

Um Mercado em Crescimento

O leilão inclui ainda artigos como o Mapa do Maroto dos filmes de Harry Potter, reforçando a diversidade de franquias representadas. O interesse por memorabilia cinematográfica tem vindo a crescer, alimentado pela combinação de nostalgia, investimento e culto cultural.

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Mais do que simples objectos, estas peças representam momentos específicos da história do cinema. E em Março, algumas delas poderão ganhar um novo proprietário — por valores que confirmam que a magia de Hollywood continua a ter um preço elevado.

Aposta Total da Marvel? Executivos da Disney Já Viram “Vingadores: Doutor Destino” — E Há Sinais Positivos

Internamente o entusiasmo é evidente, mas o futuro do MCU não depende apenas deste filme

A expectativa em torno de Vingadores: Doutor Destino acaba de ganhar novo fôlego. Segundo um relatório publicado pela Variety, executivos da Disney já tiveram acesso a imagens do filme agendado para Dezembro — e a reacção interna terá sido claramente positiva.

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Num momento em que o Universo Cinematográfico da Marvel atravessa uma fase de ajustamento estratégico, a antecipação de exibições para a cúpula do estúdio revela a importância atribuída ao projecto. O filme é encarado como peça central na recta final da chamada Saga do Multiverso, arco narrativo que tem vindo a interligar múltiplas realidades e equipas sob uma nova ameaça de escala global.

De acordo com a publicação, os executivos estão satisfeitos com o que viram até agora. Paralelamente, líderes de estúdios concorrentes acreditam que Doutor Destino poderá tornar-se o maior êxito de bilheteira do ano.

Um Momento Decisivo para o MCU

Embora alguns analistas defendam que o futuro da franquia poderá depender do desempenho deste filme, fontes internas da divisão cinematográfica da Disney sublinham que a saúde do MCU não está condicionada a um único lançamento. O estúdio tem vindo a reorganizar o calendário e a reduzir o volume de projectos, procurando reforçar a coesão narrativa e a qualidade das produções.

A comparação com a Saga do Infinito é inevitável. Se essa etapa culminou num confronto progressivo com Thanos, o actual arco sofreu alterações estruturais, incluindo a redefinição do antagonista central. Nesse contexto, Vingadores: Doutor Destino surge como momento de convergência e possível reequilíbrio da narrativa.

O regresso de Joe e Anthony Russo à realização reforça o simbolismo da aposta. A dupla esteve associada a alguns dos maiores sucessos comerciais da Marvel e enfrenta agora o desafio de integrar múltiplas personagens e linhas temporais numa trama coesa.

Estratégia de Lançamento e Expectativas de Mercado

A Disney e a Marvel têm vindo a intensificar as acções promocionais, incluindo a divulgação antecipada de materiais para alimentar o envolvimento do público. O calendário competitivo de Dezembro exige uma campanha sólida e coordenada, sobretudo quando se trata de um filme com dimensão coral e forte carga simbólica dentro da marca.

Nos bastidores da indústria, o título já surge com destaque em análises de mercado que monitorizam tendências de bilheteira e impacto cultural. A percepção generalizada é a de que o filme poderá marcar uma nova etapa para o estúdio — seja como consolidação da Saga do Multiverso, seja como ponto de transição para o que se segue.

O Que Vem Depois

Independentemente do desempenho de Doutor Destino, o planeamento da Marvel Studios estende-se além deste capítulo. Entre os projectos em desenvolvimento encontram-se um reboot de X-MenPantera Negra 3 e Vingadores: Guerras Secretas, descrito como um possível “soft reset” dentro da cronologia do universo partilhado.

A mensagem interna parece clara: continuidade estratégica, mas com maior foco narrativo. Menos dispersão, mais integração.

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Com estreia marcada para Dezembro, Vingadores: Doutor Destino consolida-se como um dos eventos cinematográficos mais aguardados do ano — e como um teste relevante para a capacidade da Marvel em reinventar o seu próprio modelo de sucesso.

Mega-Fusão em Hollywood: Paramount Fecha Acordo de 110 Mil Milhões e Afasta Netflix da Corrida

Warner Bros. Discovery muda de mãos e nasce um novo gigante global do entretenimento

Depois de meses de especulação e de uma disputa intensa entre alguns dos maiores protagonistas da indústria, a corrida à Warner Bros. Discovery chegou ao fim. A Paramount Global venceu a batalha e garantiu a aquisição da WBD por 110 mil milhões de dólares, num negócio que promete redesenhar o mapa do entretenimento mundial.

O acordo, que deverá ficar concluído no terceiro trimestre deste ano, prevê o pagamento de 31 dólares por cada acção da Warner Bros. Discovery. Caso a operação não esteja finalizada até 30 de Setembro, os accionistas da WBD receberão uma compensação adicional de 0,25 dólares por acção por cada trimestre de atraso até à conclusão do negócio.

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Com esta fusão, nasce uma nova empresa global de media e entretenimento com presença em mais de 200 países, combinando catálogos, estúdios, direitos desportivos e plataformas de distribuição numa escala sem precedentes.

Compromisso Reforçado com as Salas de Cinema

Num momento em que o modelo de exibição continua a ser debatido, a nova entidade assume um compromisso claro com as salas de cinema. Está prevista a produção de pelo menos 30 filmes por ano, todos com estreia garantida em grande ecrã.

A janela mínima de exibição será de 45 dias antes da passagem para vídeo a pedido (VOD), podendo estender-se até 60 ou 90 dias nos títulos de maior dimensão comercial. Trata-se de um sinal relevante para exibidores e para o mercado internacional, numa altura em que o equilíbrio entre streaming e cinema continua em redefinição.

Os estúdios manterão ainda a política de licenciamento de conteúdos a outras plataformas e continuarão a adquirir produções independentes para posterior distribuição nos mercados onde operam, incluindo França, onde as regras de cronologia de media são particularmente exigentes.

Um Portefólio com Peso Histórico

A fusão junta um catálogo impressionante: mais de 15 mil filmes e milhares de horas de séries televisivas. Entre as franquias sob o mesmo guarda-chuva passam a estar universos como Harry PotterMission: ImpossibleO Senhor dos AnéisGame of Thrones, o Universo DC, Transformers e SpongeBob SquarePants.

Para além do entretenimento ficcional, a nova empresa reunirá um vasto conjunto de direitos desportivos, incluindo NFL, Jogos Olímpicos, UFC, PGA Tour, NHL, competições universitárias da NCAA e Liga dos Campeões, consolidando uma oferta transversal que vai muito além do cinema.

Netflix Sai de Cena

O desfecho surge um dia depois de a Netflix se ter retirado oficialmente da disputa, recusando aumentar a sua proposta. A plataforma tinha apresentado inicialmente uma oferta avaliada em 27,75 dólares por acção, o que atribuía à WBD um valor total de 82,7 mil milhões de dólares, incluindo dívida.

Perante essa proposta, a Paramount avançou com uma oferta revista e, posteriormente, com uma abordagem hostil dirigida directamente aos accionistas da Warner Bros. Discovery. A estratégia acabou por prevalecer.

A disputa teve início formal a 5 de Dezembro do ano passado, quando Netflix e WBD anunciaram um acordo preliminar. Desde então, sucederam-se propostas, revisões e pressões regulatórias até à decisão final.

Um Novo Equilíbrio na Indústria

Com esta operação, consolida-se ainda mais a concentração no sector do entretenimento global. A integração de estúdios históricos, plataformas de distribuição, canais pagos e gratuitos e direitos desportivos cria um conglomerado com influência transversal em cinema, televisão e streaming.

Resta agora acompanhar o processo regulatório e perceber como esta fusão poderá impactar a concorrência, a circulação internacional de conteúdos e o futuro do modelo de distribuição cinematográfica.

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Para já, uma coisa é certa: Hollywood acaba de assistir a uma das maiores operações financeiras da sua história recente.

Demorou 12 Anos a Nascer — e Apenas 15 Dias a Ser Filmado: “Blue Moon” Chega Finalmente às Salas Portuguesas

Richard Linklater filma o ocaso de um génio num drama íntimo com Ethan Hawke nomeado ao Óscar

Há projectos que exigem tempo. Não apenas financiamento ou logística, mas maturidade. Blue Moon, o mais recente filme de Richard Linklater, estreia finalmente nas salas portuguesas depois de um percurso invulgar: levou 12 anos a amadurecer e foi filmado em apenas 15 dias.

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O argumento, assinado por Robert Kaplow, chegou às mãos de Linklater há mais de uma década. O realizador enviou-o de imediato a Ethan Hawke, mas sentiu que ainda não era o momento certo. Hawke era, nas suas palavras, “demasiado jovem e bem-parecido” para interpretar Lorenz Hart nos seus últimos dias. Em vez de recorrer a maquilhagem ou truques de caracterização, decidiu esperar. Ao longo de anos, realizaram leituras regulares do texto, afinando personagens e deixando que o tempo marcasse naturalmente o rosto do actor.

Quando finalmente avançaram para a rodagem, o processo foi fulgurante: 15 dias bastaram para filmar uma história concentrada quase inteiramente numa única noite — 31 de Março de 1943, a estreia do musical Oklahoma!.

O Génio e o Declínio

Blue Moon centra-se em Lorenz Hart, metade da lendária dupla Rodgers & Hart. Enquanto Richard Rodgers era disciplinado e metódico, Hart era um poeta brilhante, mas profundamente instável. Sofria de depressão, lutava com a sua sexualidade num tempo em que esta era clandestina e enfrentava um alcoolismo que se tornava cada vez mais devastador.

O filme acompanha o momento em que Rodgers decide avançar com Oscar Hammerstein II para criar um novo tipo de musical, em que as canções fazem avançar a narrativa — revolução que culminaria em Oklahoma!. Hart, incapaz de acompanhar essa viragem criativa, assiste à estreia como um homem deixado para trás. Pouco depois, desaparece numa espiral autodestrutiva que o levaria à morte aos 48 anos.

Linklater evita o biopic tradicional. Em vez de percorrer toda a vida do compositor, concentra-se num recorte temporal preciso, fiel ao seu gosto por narrativas contidas. Como explicou numa entrevista, trata-se de um filme sobre vulnerabilidade: “São 100 minutos em que sentimos que somos todos vulneráveis.”

Um Filme de Palavra e Presença

Rodado integralmente em estúdio, com uma recriação minuciosa do restaurante Sardi’s, em Nova Iorque, o filme respira teatro e diálogo. Andrew Scott interpreta Richard Rodgers, Margaret Qualley surge como a jovem Elizabeth Weiland e Bobby Cannavale encarna o barman Eddie, o último confidente de Hart.

Mas é Ethan Hawke quem sustenta o filme. A sua interpretação valeu-lhe nomeações ao Globo de Ouro e ao Óscar de Melhor Actor, a quinta colaboração de peso com Linklater. Hawke descreveu o papel como algo que “exige uma vida inteira para lá chegar”, uma personagem simultaneamente insegura e excessivamente confiante, genial e autodestrutiva.

Linklater optou por gravar vários momentos musicais ao vivo no set, privilegiando a crueza da interpretação sobre a perfeição técnica de estúdio. O resultado é um retrato íntimo e melancólico de um artista à beira do abismo.

De Berlim às Salas Portuguesas

Apresentado na Berlinale 2025, onde recebeu elogios consistentes, Blue Moon enfrentou inicialmente dificuldades na distribuição internacional. Em Portugal, chega agora às salas numa estreia tardia mas significativa, impulsionada pela visibilidade das nomeações de Hawke.

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O filme funciona como contraponto a Me and Orson Welles, também de Linklater. Se esse celebrava o entusiasmo juvenil da criação, Blue Moon é o filme do “depois”: quando o génio já brilhou e resta apenas o eco.

O título não é casual. “Blue Moon”, uma das canções mais célebres da dupla, simboliza algo raro e belo — mas também melancólico. Como o próprio Hart, cujo talento extraordinário foi inseparável da sua fragilidade.

Uma Estrela de Hollywood em Alvalade — e Ninguém Ficou Indiferente

Sydney Sweeney assistiu ao Sporting-Estoril num camarote e tornou-se o inesperado centro das atenções

O jogo entre Sporting e Estoril, relativo à 24.ª jornada da I Liga, teve um protagonista inesperado fora das quatro linhas. As câmaras de televisão captaram a presença de Sydney Sweeney num dos camarotes do Estádio de Alvalade, imagem que rapidamente começou a circular nas redes sociais e a gerar reacções entre adeptos e curiosos.

A actriz norte-americana, de 28 anos, assistiu à partida acompanhada pelos também actores Leo Woodall e Matthew Goode. A presença do trio surpreendeu muitos dos presentes no estádio e acabou por se tornar um dos momentos mais comentados da noite, desviando por instantes o foco da competição desportiva para o camarote onde se encontravam.

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De fenómeno televisivo a nome forte de Hollywood

Sydney Sweeney consolidou nos últimos anos um estatuto de grande visibilidade internacional. Ganhou projecção junto do público global com participações em séries de enorme impacto mediático como “Euphoria” e “The White Lotus”, afirmando-se como uma das figuras mais reconhecíveis da nova geração de actores norte-americanos.

A sua carreira tem vindo a expandir-se também no cinema, com projectos que reforçam a sua presença no grande ecrã e consolidam o seu nome junto de audiências mais vastas. Essa exposição ajuda a explicar o impacto imediato da sua aparição em Lisboa, sobretudo num contexto inesperado como um jogo da I Liga portuguesa.

Lisboa no radar internacional

A razão concreta da presença da actriz na capital portuguesa não foi oficialmente divulgada. No entanto, a visita surge num momento em que Portugal tem sido cada vez mais escolhido como destino para filmagens, eventos promocionais e estadias de figuras ligadas à indústria do entretenimento.

Lisboa, em particular, tem ganho visibilidade internacional, não apenas pelo turismo, mas também como cenário atractivo para produções estrangeiras. A presença de nomes conhecidos em eventos públicos acaba por reforçar essa percepção.

Dentro de campo, o Sporting procurava pontos importantes na luta pelo campeonato. Fora dele, porém, a noite ficou marcada por um cruzamento pouco habitual entre futebol e cultura pop. A presença de figuras internacionais em estádios portugueses não é inédita, mas continua a gerar impacto — sobretudo quando se trata de nomes associados a produções de alcance global.

Fica a curiosidade sobre se se tratou de uma visita casual ou se haverá algum contexto profissional associado à passagem por Lisboa. Para já, o certo é que Alvalade viveu um momento que uniu, ainda que por instantes, o universo do desporto ao de Hollywood.

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Três Dias, 24 Óscares e Uma Maratona de Cinema: O TVCine Prepara a Passadeira Vermelha

De “Funny Girl” a “Dune: Parte Dois”, o especial “Rumo aos Óscares” invade o TVCine Edition a 1, 8 e 15 de Março

A contagem decrescente para a cerimónia dos Óscares 2026 já começou e o TVCine Edition decidiu antecipar a festa com uma maratona dedicada aos filmes que marcaram a história da Academia. O especial “Rumo aos Óscares” decorre nos dias 1, 8 e 15 de Março, reunindo 24 filmes distinguidos com estatuetas douradas em várias categorias — da representação à realização, passando por prémios técnicos  .

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Durante três sábados, o canal transforma-se numa verdadeira sala de exibição dedicada aos grandes vencedores de diferentes décadas, cruzando clássicos intemporais com títulos recentes ainda frescos na memória do público.

1 de Março: Clássicos, Grandes Interpretações e Cinema de Culto

O primeiro dia aposta em desempenhos individuais que ficaram para a história. “Funny Girl – Uma Rapariga Endiabrada” valeu a Barbra Streisand o Óscar de Melhor Atriz, enquanto “Capote” distinguiu Philip Seymour Hoffman como Melhor Ator  . Jeremy Irons brilhou em “Reveses da Fortuna” e Dustin Hoffman arrecadou também a estatueta com “Encontro de Irmãos”.

O épico “Tempo de Glória” conquistou três Óscares, incluindo o de Melhor Ator Secundário para Denzel Washington  , e “Era Uma Vez em… Hollywood” premiou Brad Pitt na mesma categoria. A fechar a noite, “Aliens, o Recontro Final” recorda como o cinema de género também sabe conquistar a Academia.

8 de Março: Histórias Reais e Retratos de Poder

O segundo sábado destaca personagens intensas e narrativas inspiradas em factos reais. “Erin Brockovich” valeu o Óscar a Julia Roberts e “Um Sonho Possível” distinguiu Sandra Bullock  . “Assim Nasce Uma Estrela” conquistou a estatueta de Melhor Canção Original com “Shallow”.

Entre os grandes vencedores da noite está “The Departed: Entre Inimigos”, que arrecadou o Óscar de Melhor Filme, enquanto “Joker” consagrou Joaquin Phoenix como Melhor Ator  . A programação inclui ainda “20 Dias em Mariupol”, distinguido como Melhor Documentário.

15 de Março: Os Vencedores Mais Recentes

O último dia da maratona reúne alguns dos títulos mais comentados da temporada. “Flow – À Deriva” venceu o Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação, enquanto “Dune – Duna: Parte Dois” reforçou o domínio técnico da saga ao conquistar prémios de Som e Efeitos Visuais  .

“Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, fez história ao vencer o Óscar de Melhor Filme Internacional  , e “Conclave” destacou-se com o prémio de Melhor Argumento Adaptado. “Emilia Pérez” e “Babylon” completam uma programação que atravessa géneros e estilos, da animação ao drama político.

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Ao longo destes três dias, o TVCine Edition propõe uma viagem pela memória recente e clássica da sétima arte, celebrando filmes que resistiram ao teste do tempo e outros que acabaram de conquistar o seu lugar na história.

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