Keanu Reeves Acelera na Fórmula 1: O Novo Documentário Que Vai Mostrar os Bastidores da Cadillac

“Tudo muito intenso”: actor mergulha no nascimento da nova equipa norte-americana

Keanu Reeves está de regresso ao universo da Fórmula 1 — mas desta vez não como mero fã apaixonado. O actor encontra-se a produzir um novo documentário centrado nos bastidores da equipa Cadillac Formula 1 Team, a mais recente formação a juntar-se à grelha do campeonato mundial.

O projecto, anunciado em Julho de 2025, promete acompanhar de perto todo o processo de criação da estrutura norte-americana: desde a candidatura à entrada na competição até à preparação para a primeira corrida da temporada, marcada para Março.

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Falando à F1 TV durante os testes de pré-temporada no Bahrain, Reeves confirmou o seu envolvimento directo: “Sim, faço parte do documentário sobre a equipa Cadillac na Fórmula 1. O trabalho na criação da equipa, o trabalho na candidatura e o seu percurso até à primeira corrida em Março.”

Dos milagres da Brawn ao desafio Cadillac

Não é a primeira incursão de Reeves no mundo das corridas. Em 2023, foi o rosto e narrador de Brawn: The Impossible Formula 1 Story, série documental lançada na Disney+ e na BBC que contou a história improvável da equipa Brawn GP, campeã do mundo em 2009.

A experiência parece ter despertado um interesse ainda mais profundo pelo funcionamento interno do desporto automóvel.

“É incrível o quão profundos são estes processos”, afirmou o actor. “De fora, parece tudo muito intenso. Se olharmos para o carro de corrida, para a pista, para o lado técnico, a formação de uma equipa, o que é preciso para ter o carro, todos os elementos, a mudança nas regras… é impressionante.”

A intensidade de que fala não é apenas mecânica — é também estratégica, política e financeira. Criar uma equipa de Fórmula 1 é um exercício de precisão industrial e visão empresarial.

Uma história de ambição americana

A nova estrutura é liderada pela TWG Motorsports, em parceria com a General Motors, que traz a marca Cadillac para o palco máximo do automobilismo.

Dan Towriss (frequentemente referido como Dan Tauris em alguns contextos), CEO da TWG Motorsports e da equipa Cadillac, descreveu o documentário como “uma história de ambição audaciosa e de busca implacável”.

“É uma honra trabalhar com Keanu, cuja paixão e conhecimento sobre corridas são profundos, e estamos orgulhosos de fazer parceria com a General Motors nesta história incrível”, afirmou.

O objectivo passa também por captar uma nova geração de fãs para a Fórmula 1, aproveitando o alcance global e o carisma de Reeves para dar dimensão humana a um projecto eminentemente técnico.

Hollywood encontra a velocidade máxima

Nos últimos anos, a Fórmula 1 tornou-se um fenómeno mediático cada vez mais forte, impulsionado por séries documentais e pelo crescente interesse do público norte-americano na modalidade.

Com Keanu Reeves ao leme criativo, o documentário da Cadillac promete combinar o rigor dos bastidores com uma narrativa cinematográfica envolvente.

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Se a pista é palco de décimos de segundo, fora dela cada decisão pode definir anos de trabalho. E Reeves parece determinado a mostrar exactamente isso: que por trás de cada carro existe uma máquina muito maior — feita de pessoas, risco e ambição.

Para já, uma coisa é certa: a temporada ainda nem começou e já há um documentário que promete acelerar corações.

Do YouTube para a Eurovisão: Look Mum No Computer Vai Representar o Reino Unido em Viena

Artista electrónico promete “algo diferente” para inverter maus resultados britânicos

O Reino Unido decidiu arriscar — e arriscar a sério. O artista electrónico e criador digital Look Mum No Computer foi escolhido para representar o país na 70.ª edição do Eurovision Song Contest, que terá lugar em Viena, anunciou a BBC.

Conhecido fora dos palcos como Sam Battle, o músico construiu uma carreira singular que mistura electrónica, engenharia e espectáculo. Para além de cantor e compositor, é também uma estrela do YouTube, onde documenta a criação de máquinas musicais improváveis — de órgãos feitos com bonecos Furby a sintetizadores montados em bicicletas e teclados que disparam chamas.

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“É completamente louco estar a embarcar nesta jornada maravilhosa e selvagem”, afirmou o artista, confessando ser fã assumido da Eurovisão. “É uma honra enorme representar o Reino Unido.”

De Glastonbury à maior montra da pop europeia

Sam Battle surgiu na cena musical em 2014 como vocalista da banda indie Zibra, que actuou no Festival de Glastonbury em 2015 através do BBC Introducing. Desde então, reinventou-se como projecto a solo sob o nome Look Mum No Computer, apostando numa identidade visual e sonora muito própria.

Com cerca de 1,4 milhões de seguidores combinados nas redes sociais, tornou-se uma figura de culto no universo da electrónica experimental. A BBC destacou precisamente essa originalidade na escolha.

Kalpna Patel-Knight, responsável pelo entretenimento da estação pública britânica, elogiou a “visão ousada, som único e estilo eléctrico” do artista, sublinhando que ele representa criatividade, ambição e um humor tipicamente britânico.

“Vamos tentar algo diferente”

A canção que levará a Viena ainda não foi revelada, mas o radialista Scott Mills, da BBC Radio 2, já a ouviu — e garante que não será uma aposta segura.

“O Reino Unido é muitas vezes criticado por jogar pelo seguro na Eurovisão. Este ano vamos tentar algo diferente. Porque não?”, disse.

Segundo Mills, a música mistura referências improváveis: um toque de “Now You’re Gone” de Basshunter, ecos de “Parklife” dos Blur, sintetizadores à Pet Shop Boys e The Human League, uma pitada de Verka Serduchka e até um leve espírito punk à Sex Pistols. Tudo misturado num “grande hino” pensado para incendiar a arena.

A estreia radiofónica acontecerá nas próximas semanas no programa matinal de Mills.

Reino Unido quer quebrar ciclo de resultados modestos

O concurso deste ano realiza-se em Viena após a vitória do cantor austríaco JJ na edição anterior. A final está marcada para 16 de Maio, numa edição já marcada por polémica, depois de cinco países terem desistido na sequência da confirmação da participação de Israel.

Para o Reino Unido, o objectivo é claro: inverter uma série de resultados pouco animadores. Depois do segundo lugar de Sam Ryder em 2022, o país voltou a tropeçar. Mae Muller ficou em penúltimo lugar, Olly Alexander terminou em 18.º e Remember Monday ficou em 19.º.

Com Look Mum No Computer, Londres aposta agora numa identidade marcadamente alternativa, tecnológica e imprevisível.

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Se a Eurovisão é palco de extravagância, criatividade e espectáculo, talvez este seja mesmo o ano certo para um inventor de sintetizadores flamejantes subir ao palco europeu.

Anderson Cooper Sai de “60 Minutes” Após Duas Décadas em Meio a Turbulência na CBS News

Fim de uma era nos domingos à noite da televisão norte-americana

Anderson Cooper anunciou esta segunda-feira que vai deixar o prestigiado programa de jornalismo investigativo 60 Minutes, da CBS News, depois de quase 20 anos como correspondente. A sua saída ocorre num momento de mudanças profundas no canal, sob a liderança da nova editora-chefe Bari Weiss — uma fase que tem sido descrita como turbulenta para o icónico programa dominical.  

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Cooper, que também é âncora no canal CNN — onde apresenta o seu próprio programa de notícias desde 2003 — fez saber que tomou esta decisão para passar mais tempo com os seus filhos pequenos, um motivo que destacou oficialmente. Na sua declaração, considerou que trabalhar em 60 Minutes foi “uma das grandes honras” da sua carreira, recordando as histórias marcantes que contou e os profissionais com quem colaborou ao longo de tantos anos.  

Mudanças internas e dúvidas sobre a independência editorial

O anúncio da saída de Cooper chega no contexto de alterações significativas na direcção editorial da CBS News desde que David Ellison, proprietário da cadeia, nomeou Bari Weiss como editora-chefe em Outubro de 2025. A escolha de Weiss — uma jornalista de opinião sem experiência prévia em televisão — tem suscitado críticas e levantado questões sobre a independência jornalística da empresa.  

Um dos episódios mais polémicos sob a nova liderança ocorreu em Dezembro, quando a direção de 60 Minutes reteve um report sobre o centro penitenciário Cecot em El Salvador — uma investigação que examinava a detenção de imigrantes venezuelanos enviada pela administração Trump — alegando que faltava a perspectiva do próprio governo norte-americano, apesar de este ter recusado pedidos de comentário. Esse caso contribuiu para as dúvidas sobre interferências editoriais no programa.  

Além disso, relatórios recentes indicam que a saída de Cooper acontece em paralelo com outras mudanças de bastidores e despedimentos planeados para reforçar a chamada “mentalidade de streaming” da rede, numa tentativa de melhorar audiências que têm ficado atrás de rivais como ABC e NBC.  

Uma carreira marcada por reportagens globais e impacto jornalístico

Cooper começou a colaborar com 60 Minutes na temporada de 2006–2007, num acordo único que lhe permitiu continuar a trabalhar para a CNN ao mesmo tempo. Ao longo desses anos, fez reportagens sobre temas tão variados como as consequências de infecções prolongadas pós-Covid, respostas a desastres naturais e a descoberta de um que se crê ser o último navio negreiro a chegar aos Estados Unidos.  

Antes disso, a sua carreira no jornalismo já o tinha levado a cobrir eventos de grande impacto internacional, incluindo a guerra no Iraque, o furacão Katrina e o derramamento de petróleo no Golfo do México, consolidando-o como uma das vozes mais conhecidas e respeitadas da televisão americana ao longo das últimas duas décadas.  

CBS News manifestou o seu agradecimento pelo contributo de Cooper ao longo dos anos e deixou a porta aberta para uma possível colaboração futura, caso ele deseje regressar.  

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A sua saída marca o fim de um capítulo importante na história de 60 Minutes, e reflecte tanto escolhas profissionais e pessoais como um período de transição para o jornalismo televisivo tradicional num mundo mediático em rápida evolução

11% vs 98%: O Documentário de Melania Está a Dividir a América (E o Rotten Tomatoes Nunca Viu Nada Assim)

A maior diferença de sempre entre críticos e público levanta suspeitas e revela um país fracturado

Se alguém precisava de uma metáfora perfeita para o actual clima cultural e político dos Estados Unidos, ela está ali, bem visível, na página do Rotten Tomatoes do documentário sobre Melania Trump.

Os números parecem saídos de realidades paralelas. A pontuação oficial dos críticos — agregada a partir de recensões profissionais — está nos 11%. Já a classificação do público, limitada a “verified ticket buyers”, atinge uns impressionantes 98%. Uma diferença de 87 pontos percentuais que não só é rara, como já entrou para a história do agregador.

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Estamos perante um caso clássico de críticos elitistas a desdenharem de um filme popular? Ou será antes um exemplo de “review bombing” ideologicamente motivado? A resposta, como quase tudo hoje em dia, depende do lado da barricada onde se está.

Críticos implacáveis, público entusiasmado

As críticas especializadas foram duras. O conhecido crítico Mark Kermode descreveu a experiência como “a mais deprimente que alguma vez tive no cinema”. Já entre o público verificado, abundam elogios exaltados à “graça” e “sofisticação” da antiga primeira-dama.

Não é novidade que exista um fosso entre opinião crítica e gosto popular. Ainda recentemente, o filme mais premiado nos Óscares foi um drama intimista de baixo orçamento, enquanto um fenómeno inspirado em Minecraft dominava as bilheteiras. Mas a diferença aqui é quase caricatural.

Para comparação, Five Nights at Freddy’s 2 detinha até agora o recorde de maior disparidade: 16% para os críticos, 84% para o público. Antes disso, Emilia Pérez registara um fosso de 53 pontos percentuais, apesar de ter sido premiado em Cannes.

O padrão repete-se?

Há dois fenómenos que parecem repetir-se nestes casos.

Primeiro, os filmes que agradam mais ao público tendem a ser fórmulas familiares, acessíveis, concebidas para entretenimento imediato — como Red Notice ou Jigsaw. São produções que os críticos frequentemente consideram previsíveis ou pouco ambiciosas.

Segundo, vários filmes que sofreram quebras acentuadas na avaliação do público partilham outro elemento: protagonistas femininas ou temas considerados progressistas. Captain Marvel, o “remake” de Ghostbusters realizado por Paul Feig, The Last Jedi ou The Little Mermaid foram alvo de campanhas organizadas de avaliações negativas.

No caso de Emilia Pérez, protagonizado por Karla Sofía Gascón, o contraste também levantou suspeitas de reacções ideologicamente motivadas.

A questão que agora se coloca é inevitável: será que o documentário sobre Melania está a beneficiar de um fenómeno semelhante, mas no sentido inverso?

A era das pontuações polarizadas

Convém lembrar que tanto críticos como público têm os seus enviesamentos. A crítica tende a valorizar inovação e risco artístico; o público online inclui desde cinéfilos dedicados a militantes digitais dispostos a transformar cada estreia num campo de batalha cultural.

O que parece inegável é que o fosso está a crescer. Se Emilia Pérez apresentou uma diferença de 53%, e Five Nights at Freddy’s 2 subiu para 68%, o salto para 87% com Melania sugere que algo estrutural mudou.

Talvez estejamos simplesmente a assistir à extensão da polarização política para o terreno do entretenimento. Ou talvez o Rotten Tomatoes se tenha transformado num barómetro involuntário das guerras culturais contemporâneas.

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Uma coisa é certa: a ideia de consenso crítico parece cada vez mais distante. E, neste novo cenário, um simples número pode dizer muito mais sobre o estado do mundo do que sobre a qualidade de um filme.

Casamento Surpresa no Dia dos Namorados: Maya Hawke Diz “Sim” em Nova Iorque

Estrela de “Stranger Things” reuniu elenco da série numa cerimónia íntima em Manhattan

O amor esteve no ar — e em Manhattan. Maya Hawke casou-se com o músico Christian Lee Hutson numa cerimónia surpresa realizada no Dia dos Namorados, em Nova Iorque.

A actriz de Stranger Things e o cantor, que mantinham uma relação há vários anos, optaram por um casamento íntimo, mas repleto de rostos bem conhecidos. Entre os convidados estiveram vários colegas da série da Netflix, incluindo Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Sadie Sink, Natalia Dyer, Charlie Heaton e Joe Keery.

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A família também marcou presença: os actores Uma Thurman e Ethan Hawke, pais da noiva, estiveram no evento, tal como o irmão, Levon Roan Thurman-Hawke.

Uma cerimónia clássica com espírito boémio

Segundo a revista Hello!, a cerimónia decorreu na St. George’s Episcopal Church, em Stuyvesant Square, Manhattan. Depois do enlace, os convidados seguiram a pé até ao exclusivo clube privado The Players, em Gramercy Park, onde decorreu a celebração.

O casal tinha sido associado publicamente desde 2023, tendo Hutson confirmado o noivado no ano passado. A relação nasceu da colaboração musical entre ambos — uma parceria que, ao que tudo indica, rapidamente ultrapassou o estúdio.

Em 2024, numa entrevista ao Zach Sang Show, Maya Hawke falou com entusiasmo sobre namorar um amigo. “É fantástico. Recomendo vivamente que namorem os vossos amigos”, afirmou, defendendo a importância de uma ligação construída com base no conhecimento mútuo e na autenticidade.

Música, cinema e novos capítulos

Para além da carreira como actriz — que terminou recentemente a sua participação como Robin Buckley após cinco temporadas de Stranger Things — Maya Hawke tem vindo a afirmar-se como cantora e compositora. Lançou três álbuns: Blush (2020), Moss (2022) e Chaos Angel (2024), este último produzido pelo agora marido.

Christian Lee Hutson, por sua vez, soma cinco álbuns na sua discografia, incluindo Paradise Pop. 10, editado em 2024.

Após o final da série da Netflix, Ethan Hawke chegou a sugerir publicamente que a filha deveria “seguir em frente” e abraçar novos desafios, aconselhando-a a não viver à sombra do fenómeno televisivo.

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Entretanto, o universo de Stranger Things prepara-se para continuar com a série animada Stranger Things: Tales From ’85, com estreia prevista na Netflix em Abril.

Mas, para já, a celebração é pessoal. Entre música, amizade e cumplicidade criativa, Maya Hawke inicia um novo capítulo — desta vez longe do Mundo Invertido, mas rodeada das pessoas que a acompanharam na sua ascensão.

Morreu Frederick Wiseman: O Cineasta Que Transformou Instituições em Monumentos Humanos

Um olhar imersivo e sem concessões sobre a vida real

O cinema documental perdeu uma das suas vozes mais singulares. Morreu Frederick Wiseman, aos 96 anos, deixando uma obra monumental que redefiniu a forma como olhamos para as instituições e, através delas, para nós próprios.

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Ao longo de mais de cinco décadas, Wiseman construiu um corpo de trabalho que recusava atalhos narrativos, explicações fáceis ou comentários em “off”. Nos seus filmes não há narrador, não há entrevistas conduzidas pelo realizador, não há legendas orientadoras. Há apenas o mundo — cru, complexo, desconfortável — diante da câmara.

Se muitos documentários assentam num conceito claro e numa tese evidente, os de Wiseman eram o oposto: vastos, imersivos, exigentes. Não cabiam num “elevator pitch”. Eram o edifício inteiro.

O maximalismo aplicado ao quotidiano

Tradicionalmente, associamos filmes de duração épica a acontecimentos históricos extraordinários — como Shoah, de Claude Lanzmann, ou The Sorrow and the Pity, de Marcel Ophüls. Wiseman fez algo diferente: aplicou essa escala monumental a temas aparentemente banais.

Em Titicut Follies (1967), mergulhou na vida quotidiana de um hospital psiquiátrico para criminosos no Massachusetts. Em Welfare (1975), realizou um retrato devastador da burocracia da assistência social em Nova Iorque. Em Near Death(1989), com cerca de seis horas de duração, acompanhou decisões clínicas numa unidade de cuidados intensivos.

O seu método era paciente e observacional. Filmava longamente, montava com rigor extremo e deixava que as estruturas institucionais se revelassem através das interacções humanas. O resultado eram obras densas, sem música manipuladora nem explicações didácticas, mas cheias de humanidade.

“Welfare”: o labirinto kafkiano da assistência social

Entre os seus muitos trabalhos, Welfare é frequentemente apontado como obra-prima. O filme acompanha funcionários exaustos, seguranças e cidadãos desesperados dentro de um sistema que parece simultaneamente indispensável e impenetrável.

O título encerra uma ironia amarga: o “bem-estar” prometido transforma-se num labirinto burocrático onde ninguém parece verdadeiramente vencer. Como num romance de Kafka, os protagonistas tentam aceder a algo que está sempre fora de alcance.

Wiseman não julga. Observa. E é nessa ausência de comentário explícito que reside a força — e também a exigência — do seu cinema.

Um arquivo vivo da condição humana

Assistir a um documentário de Wiseman é como ter acesso a um arquivo gigantesco, uma base de dados audiovisual onde o espectador é convidado a construir as suas próprias conclusões. É um gesto profundamente democrático: a interpretação não é imposta, é partilhada.

Alguns críticos consideraram que essa abordagem poderia diluir o impacto político imediato. Outros — como o crítico Peter Bradshaw — viram nela algo raro: uma forma de empoderamento intelectual do espectador.

Entre os seus trabalhos mais recentes, destaca-se In Jackson Heights (2015), um retrato vibrante de uma comunidade nova-iorquina diversa sob pressão da gentrificação. O título não engana: sentimos verdadeiramente que estamos “em” Jackson Heights, vivendo o tempo e o espaço daquele lugar.

Frederick Wiseman filmou o sofrimento humano, os desafios colectivos e as possibilidades de mudança sem nunca recorrer ao espectáculo. As suas obras são monumentos silenciosos à complexidade da vida social.

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Num tempo de consumo rápido e narrativas simplificadas, o seu cinema lembrava-nos que compreender o mundo exige tempo, atenção e escuta.

E essa talvez seja a sua maior herança.

Hollywood Declara Guerra à IA: ByteDance Promete Travar “Seedance 2.0” Após Acusações de Pirataria

Gigantes do cinema acusam ferramenta chinesa de usar personagens protegidas sem autorização

A batalha entre Hollywood e a inteligência artificial ganhou um novo capítulo — e promete não ficar por aqui. A gigante tecnológica chinesa ByteDance anunciou que vai reforçar os mecanismos de protecção da sua nova ferramenta de criação de vídeo por IA, o Seedance 2.0, depois de uma onda de críticas vindas da indústria do entretenimento norte-americana.

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O Seedance 2.0 permite gerar vídeos realistas a partir de simples descrições em texto. O problema? Diversos vídeos que se tornaram virais nas redes sociais parecem incluir personagens protegidas por direitos de autor e até recriações de celebridades — sem qualquer autorização formal.

Num comunicado citado pela CNBC, a ByteDance afirmou respeitar os direitos de propriedade intelectual e garantiu estar a “tomar medidas para reforçar as salvaguardas existentes”, de forma a impedir o uso não autorizado de conteúdos protegidos.

Mas, para Hollywood, a resposta pode chegar tarde.

A Motion Picture Association exige acção imediata

A reacção mais contundente veio da Motion Picture Association (MPA), que representa os maiores estúdios de cinema norte-americanos, incluindo Netflix, Paramount Skydance, Sony Pictures, Universal Pictures, Warner Bros. Discovery e Disney.

Num comunicado público divulgado no final da semana passada, o presidente e CEO da MPA, Charles Rivkin, acusou directamente a empresa chinesa de permitir “uso não autorizado de obras protegidas em larga escala”.

Segundo Rivkin, ao lançar um serviço “sem salvaguardas significativas contra infrações”, a ByteDance estaria a ignorar leis de direitos de autor que sustentam milhões de empregos na indústria criativa dos Estados Unidos.

Disney avança com carta de cessação imediata

De acordo com a Axios, a Disney terá enviado uma carta formal de “cease-and-desist” à ByteDance, exigindo a interrupção imediata da utilização das suas propriedades intelectuais.

A acusação é particularmente grave: a empresa alega que o Seedance 2.0 foi disponibilizado já com uma espécie de biblioteca pirateada de personagens protegidas, apresentadas como se fossem imagens de domínio público.

Não é a primeira vez que a Disney enfrenta empresas de IA. Em Setembro, enviou um aviso semelhante à startup Character.AI por uso indevido das suas personagens. Curiosamente, enquanto combate algumas plataformas, a empresa tem vindo a investir noutras: celebrou recentemente um acordo de licenciamento com a OpenAI, permitindo o uso oficial de personagens das franquias Star Wars, Pixar e Marvel no gerador de vídeo Sora.

Já a Paramount Skydance também terá avançado com medidas legais semelhantes, segundo a Variety.

Um novo campo de batalha na era da IA

O caso Seedance 2.0 expõe uma tensão crescente entre inovação tecnológica e protecção da propriedade intelectual. As ferramentas de geração automática de imagem e vídeo evoluem a uma velocidade impressionante, mas a legislação continua a correr atrás dos acontecimentos.

A grande questão é simples, mas complexa na prática: como impedir que utilizadores criem conteúdos que reproduzam personagens protegidas sem bloquear totalmente o potencial criativo destas tecnologias?

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Para já, a ByteDance promete reforçar os seus filtros. Hollywood, por sua vez, promete não abrandar.

E no meio desta disputa está o futuro da criação digital — onde cada linha de código pode valer milhões.

Stephen Colbert Enfrenta a CBS em Directo e Publica Entrevista Proibida no YouTube

A polémica que agitou o “The Late Show” e reacendeu o debate sobre liberdade editorial

A televisão norte-americana voltou a entrar em território turbulento. Stephen Colbert revelou, em pleno monólogo do The Late Show with Stephen Colbert, que foi impedido pela CBS de entrevistar o deputado texano James Talarico.

O momento aconteceu no arranque do programa. Depois de apresentar a banda e anunciar a actriz Jennifer Garner como convidada da noite, Colbert perguntou ao público: “Sabem quem não é um dos meus convidados esta noite?” E respondeu de imediato: James Talarico.

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Segundo o apresentador, os advogados da cadeia televisiva contactaram directamente a produção para impedir a presença do político na emissão. Mais do que isso: terá sido também instruído a não mencionar publicamente que a entrevista tinha sido cancelada.

Naturalmente, fez exactamente o contrário.

A regra do “tempo de antena igual” volta ao centro da discussão

Colbert explicou que a decisão da CBS surge na sequência de novas orientações da Comissão Federal de Comunicações (FCC) sobre a chamada regra do “equal time”. Esta norma determina que, caso um candidato político qualificado apareça numa emissão, as estações de televisão devem conceder tempo equivalente aos seus adversários, caso estes o solicitem.

Historicamente, programas de informação têm estado isentos dessa obrigação ao abrigo da chamada “bonafide news exemption”. E, durante décadas, talk shows diurnos e nocturnos — como The View ou Jimmy Kimmel Live! — assumiram que também beneficiavam dessa excepção, mesmo quando recebiam figuras políticas como Joe Biden ou Kamala Harris.

Contudo, o presidente da FCC, Brendan Carr, indicou recentemente que essa interpretação poderá deixar de ser automática. Segundo Carr, a qualificação de um programa como “noticiário legítimo” dependerá de vários factores, incluindo a eventual “motivação partidária” por trás da escolha de convidados. Numa declaração particularmente polémica, afirmou: “Se forem ‘fake news’, não se qualificam para a excepção.”

Colbert comentou com ironia: “Não é surpresa que duas das pessoas mais afectadas por esta ameaça sejamos eu e o meu amigo Jimmy Kimmel.”

Da televisão para o YouTube

Numa reviravolta previsível — e estrategicamente moderna — Colbert anunciou que iria seguir o “conselho” implícito de Carr: publicou a entrevista completa com James Talarico no YouTube.

Se a televisão aberta impõe limites, as plataformas digitais oferecem margem de manobra. O gesto não é apenas uma provocação; é também um sinal dos tempos. A linha entre entretenimento e comentário político está cada vez mais ténue, e os late night hosts tornaram-se figuras influentes no debate público norte-americano.

A CBS ainda não comentou oficialmente o caso, mas a situação levanta questões delicadas sobre liberdade editorial, responsabilidade regulatória e o papel do humor político num cenário mediático altamente polarizado.

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No meio da tensão, Colbert fez aquilo que melhor sabe: transformou a controvérsia num espectáculo — e, ao mesmo tempo, numa declaração de princípios.

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“Prazer Procura-se” estreia em Fevereiro e promete abalar tabus

Há séries que entretêm. Outras provocam. E depois há aquelas que fazem as duas coisas ao mesmo tempo — com frontalidade, humor e zero pudor. É o caso de Killjoy, que chega a Portugal com o título Prazer Procura-se.

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A estreia está marcada para 19 de Fevereiro, às 22h10, no TVCine Edition, com disponibilização também no TVCine+  . Uma proposta ousada que promete abrir conversas — e talvez algumas feridas — sobre sexualidade feminina e expectativas sociais.

Quando a “vida perfeita” começa a desmoronar

Nanna parece ter tudo controlado. Frequenta uma boa escola, mantém uma relação estável com um namorado carinhoso e aparenta equilíbrio emocional. Mas há um detalhe que muda tudo: percebe que nunca teve um orgasmo verdadeiro.

Esse momento de lucidez desencadeia uma crise profunda. Sentindo-se isolada e envergonhada por acreditar que é a única a fingir prazer no seu círculo social, Nanna começa a questionar não apenas a sua relação, mas também a imagem que construiu de si própria  .

Ao longo de seis episódios, acompanhamos esta busca crua e honesta pelo prazer — mas também pela verdade e autoaceitação. A série desmonta mitos, expõe inseguranças e enfrenta de frente as pressões invisíveis de uma sociedade obcecada com desempenho sexual e felicidade encenada  .

Humor mordaz e desconforto necessário

Produzida na Dinamarca, Prazer Procura-se equilibra comédia e drama numa narrativa intimista e contemporânea. A realização está a cargo de Jennifer Vedsted Christiansen e Emma Sehested Høeg, que assume também o papel principal e participa criativamente no projecto  .

A interpretação de Emma Sehested Høeg foi amplamente elogiada pela autenticidade e coragem com que dá voz a uma experiência feminina frequentemente silenciada. O reconhecimento não tardou: a série conquistou o prémio de Melhor Série TV de Curta Duração nos Danish Film Awards 2024  .

Com diálogos acutilantes, situações desconfortáveis e humor mordaz, a produção assume-se como um retrato geracional que não tem medo de ser explícito quando necessário.

Uma estreia que promete dar que falar

Com seis episódios, Prazer Procura-se estreia a 19 de Fevereiro e segue depois para exibição nas quintas-feiras seguintes no TVCine Edition  .

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Num panorama televisivo ainda reticente em abordar a sexualidade feminina com frontalidade, esta série dinamarquesa surge como uma lufada de ar fresco — ou talvez como um abanão necessário.

Porque, às vezes, procurar prazer é também procurar verdade.