Park City Perde Sundance e a Fatura é Pesada: Menos 180 Milhões de Euros na Economia Local

A despedida do Sundance Film Festival deixa um vazio económico — e cultural — no Utah

Depois de mais de 40 anos a transformar Park City, no Utah, num dos epicentros mundiais do cinema independente, o Sundance Film Festival despediu-se definitivamente da cidade. A partir de 2027, o festival muda-se para Boulder, no Colorado, deixando para trás não apenas memórias cinéfilas, mas também um impacto económico difícil de ignorar: cerca de 196 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 180 milhões de euros, que deixaram de entrar anualmente na economia local.

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Em 2025, a última edição completa em Park City atraiu 85.472 visitantes, um crescimento de 17% face ao ano anterior. Durante cerca de dez dias, hotéis, restaurantes, bares, transportes e comércio local funcionavam em modo de sobrecarga máxima. A partir de agora, esse fluxo económico seguirá para outro destino.

Uma decisão polémica… mas não inesperada

A decisão de abandonar Park City foi tomada após um processo competitivo de candidaturas, no qual uma proposta conjunta entre Park City e Salt Lake City chegou à fase final, juntamente com Cincinnati. Ainda assim, o festival acabou por escolher Boulder, decisão que caiu como um choque para muitos residentes.

Apesar disso, o presidente da câmara de Park City, Ryan Dickey, tenta desdramatizar o impacto imediato.

“Não diria que isto é esmagador. Fizemos tudo para manter o festival, mas também conhecemos bem os desafios que o Sundance enfrentava aqui”, afirmou ao SFGATE.

Mesmo que o festival tivesse permanecido no Utah, o plano do estado previa deslocar o centro de gravidade para Salt Lake City, mantendo Park City apenas como pólo secundário para eventos especiais.

Incentivos: Utah perdeu para o Colorado

O Utah apresentou uma proposta robusta: mais de 11 milhões de euros por ano em incentivos financeiros e apoios em espécie, acrescidos de cerca de 9 milhões de euros em donativos privados. No entanto, parte significativa desses apoios dependia de candidaturas a fundos e processos burocráticos.

O Colorado foi mais directo e agressivo: um pacote de cerca de 63 milhões de euros em incentivos ao longo de 10 anos, incluindo créditos fiscais, transportes gratuitos, passes para bicicletas eléctricas, estacionamento, segurança pública e apoio municipal garantido. Para Boulder, o dinheiro foi apenas parte do argumento.

Segundo Cris Jones, director de parcerias estratégicas da cidade, o Sundance “já tinha ultrapassado há muito a escala física de Park City”.

Trânsito, alojamento e frustração local

Para muitos residentes, o festival sempre foi uma relação de amor-ódio. Durante quatro ou cinco dias, a pequena cidade de montanha entrava em colapso total de trânsito, com SUVs pretos, estrelas de cinema e equipas de imprensa a dominar as ruas.

Além disso, 88% da força laboral de Park City vive fora da cidade, o que agravava ainda mais os constrangimentos diários. O alojamento era outro problema crónico: preços médios de cerca de 630 euros por noite, levando muitos participantes a dividir quartos, dormir em sofás ou até no chão.

“Se pensarmos nos jovens cineastas que frequentam festivais, muitos simplesmente não conseguiam pagar para ficar em Park City”, reconheceu Dickey.

Park City continua a ser… uma estância de ski

Apesar da associação mediática ao Sundance, a verdadeira espinha dorsal económica da região continua a ser o ski. Na temporada 2024-2025, a indústria do ski gerou cerca de 2,3 mil milhões de euros no Utah, sendo 1,2 mil milhões apenas no condado de Summit, onde se localiza Park City.

As grandes operadoras — Vail Resorts e Alterra Mountain Company — continuam a investir fortemente, com novas pistas, infra-estruturas e teleféricos. A esperança da autarquia é que dois fins-de-semana extra de ski possam compensar parte da ausência do festival.

Ainda assim, as contas não fecham totalmente: 10 dias fortes de ski geram cerca de 80 milhões de euros, bem abaixo do impacto anual do Sundance.

Restaurantes cheios… mas sem pânico

Negócios locais como o bar O’Shucks White House confirmam que o festival representa os 10 dias mais lucrativos do ano, com aumentos de faturação entre 200% e 400%. Ainda assim, o gerente Manny Luna acredita que o impacto será amortecido com mais visitantes locais e esquiadores.

“O que assusta mesmo é não haver neve. Se não houver neve, não vem ninguém — isso sim é preocupante.”

Um vazio cultural difícil de substituir

Mais difícil de quantificar é o impacto cultural. O histórico Egyptian Theatre, berço original do Sundance, tornou-se um símbolo do festival. Recebeu figuras como Robert Redford, Bill Gates e até Bill e Hillary Clinton, tudo no pequeno átrio de um teatro de montanha.

Apesar da saída do festival, o proprietário garante que não haverá despedimentos e aponta vantagens para os residentes, como preços mais acessíveis e menos filas.

“É como ver um amigo partir”

Para os cinéfilos de longa data, nada substitui o Sundance. Sean Baker, voluntário durante 20 anos e espectador de mais de 850 filmes no festival, resume o sentimento:

“É incrível ver realizadores começarem aqui e tornarem-se gigantes do cinema. Ver o festival sair de Park City é, honestamente, de partir o coração.”

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Baker irá seguir o Sundance até Boulder, mas admite: não será a mesma coisa.

Estes São Mesmo os 8 Melhores Filmes do Sundance 2026 Segundo a Rotten Tomatoes

Do horror corporal à comédia romântica reconfortante, um festival em grande forma

Sundance Film Festival 2026 despediu-se de Park City, no Utah, com emoção à flor da pele. Houve homenagens sentidas — como o tributo a Robert Redford, fundador do festival —, gargalhadas nostálgicas na sessão de aniversário de Little Miss Sunshine e, acima de tudo, cinema de alto nível. Muito cinema.

Apesar da incerteza sobre o futuro do festival na nova localização em Boulder, no Colorado, a edição de 2026 confirmou algo essencial: o Sundance continua a ser um dos grandes termómetros do cinema independente mundial. E segundo a Rotten Tomatoes, estes foram os oito melhores filmes exibidos no festival — uma selecção que atravessa géneros, tons e sensibilidades, mas que partilha um denominador comum: qualidade acima da média.

🎬 Os 8 filmes que marcaram o Sundance 2026

Ha-Chan, Shake Your Booty! (2026)

Uma comédia dramática vibrante sobre Haru, uma bailarina a recuperar de uma tragédia pessoal que encontra um novo impulso artístico — e emocional — graças a uma paixão inesperada. Com Rinko Kikuchi em grande forma e Alberto Guerra como instrutor carismático, o filme conquistou público e crítica pelo seu visual exuberante e pelo tom entre o delírio e a melancolia.

Josephine (2026)

Vencedor do Prémio do Público e do Grande Prémio do JúriJosephine foi um dos títulos mais comentados do festival. A história acompanha uma criança que testemunha uma agressão sexual, filmada de forma a colocar o espectador dentro da mente traumatizada da protagonista. A interpretação de Mason Reeves foi amplamente elogiada, tal como o trabalho de Channing Tatum e Gemma Chan.

Mum, I’m Alien Pregnant (2026)

O título chama a atenção — e o filme corresponde. Esta comédia de horror corporal mistura gravidez alienígena, tentáculos e muito humor grotesco, num híbrido improvável entre mumblecore e gross-out horror. Estranho, encantador e surpreendentemente eficaz, tornou-se rapidamente um favorito cult do festival.

The Incomer (2026)

Uma comédia negra sobre isolamento distópico e choque cultural. Dois irmãos vivem numa ilha remota segundo regras rígidas deixadas pelo pai falecido, até à chegada de um funcionário público socialmente desajustado. O resultado é uma sátira deliciosa sobre integração social, identidade e crescimento pessoal, com gargalhadas desconfortáveis pelo meio.

The Invite (2026)

Uma das grandes sensações do Sundance. Realizado e protagonizado por Olivia Wilde, este dramedy farsesco acompanha um casal em crise forçado a engolir os seus problemas quando recebe vizinhos ainda mais caóticos para jantar. O guião de Will McCormack e Rashida Jones foi amplamente elogiado e o filme desencadeou uma guerra de licitações entre estúdios.

The Moment (2026)

O mockumentary de Charli XCX foi o bilhete mais disputado do festival. Inspirado em This Is Spinal Tap, o filme satiriza a indústria da música, a mercantilização da arte e a construção de marcas pessoais. Dividiu opiniões, mas conquistou críticos que elogiaram o humor afiado e a leitura certeira do conflito entre arte e comércio.

The Weight (2026)

Um drama histórico intenso protagonizado por Ethan Hawke. Ambientado durante a Grande Depressão, o filme segue um homem enviado para um campo de trabalho forçado e confrontado com uma proposta moralmente devastadora: contrabandear ouro para conquistar a liberdade. Um filme duro, exigente e amplamente elogiado pela interpretação física e emocional de Hawke.

Carousel (2026)

O título mais “confortável” da lista, mas não menos digno. Esta comédia romântica delicada acompanha um médico divorciado que reencontra um amor do passado. Com Chris Pine e Jenny Slate, Carousel conquistou críticos pela sua sensibilidade, paciência narrativa e charme clássico, evocando romances cinematográficos de outra era.

Sundance continua a ditar tendências

A selecção da Rotten Tomatoes confirma que o Sundance 2026 foi tudo menos tímido: houve risco, diversidade e propostas que vão do desconforto absoluto ao puro aconchego emocional. Se este é o prenúncio do cinema que aí vem, então o futuro continua — felizmente — muito independente.

Muito Barulho Mediático, Poucos Bilhetes Vendidos: Melania  Falha Estreia no Reino Unido

O documentário sobre a primeira-dama americana passa quase despercebido nas salas britânicas

Apesar de toda a polémica, curiosidade mediática e ruído político que antecederam a sua estreia, Melania revelou-se um verdadeiro fiasco comercial no Reino Unido. O documentário centrado na primeira-dama dos Estados Unidos arrecadou apenas cerca de 38.600 euros no seu primeiro fim-de-semana em cartaz, valor que o colocou num discreto 29.º lugar do box office britânico — muito longe de qualquer impacto relevante junto do público.

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Exibido em 155 salas, o filme registou uma média de apenas cerca de 249 euros por cinema, um número que ajuda a explicar o cenário descrito por vários jornalistas: sessões quase vazias e, nalguns casos, totalmente desertas.

Um investimento milionário… com retorno mínimo

O desempenho fraco torna-se ainda mais embaraçoso quando comparado com o investimento envolvido. A Amazon terá desembolsado aproximadamente 33,9 milhões de euros apenas para adquirir os direitos de distribuição e assegurar a promoção do documentário. O custo total do projecto — produção incluída — é estimado em cerca de 69 milhões de euros.

Um contraste brutal com a realidade das salas britânicas, onde Melania mal conseguiu justificar a sua presença em cartaz.

Sessões vazias… e jornalistas em maioria

Antes da estreia, os sinais já eram preocupantes. Tim Richards, director executivo da cadeia de cinemas Vue, descreveu as vendas antecipadas como “fracas”. No dia de estreia, essa previsão confirmou-se: várias sessões decorreram com menos de meia dúzia de espectadores.

Em Londres, uma projecção no Vue Westfield Stratford contou com apenas cinco pessoas na sala — duas das quais jornalistas. Algumas exibições, como no Vue Islington, estiveram mais compostas, mas quase exclusivamente por membros da imprensa, depois de a Amazon ter decidido não realizar sessões de antevisão.

Enquanto 

Melania

 cai, outros filmes sobem

O contraste com outros títulos em exibição é particularmente revelador. No topo do box office britânico da semana surge Hamnet, realizado por Chloé Zhao, que liderou com cerca de 1,64 milhões de euros no fim-de-semana, elevando o seu total acumulado para aproximadamente 17,3 milhões de euros.

Outro caso que sublinha o embaraço de Melania é Iron Lung, um filme de terror independente financiado pelo YouTuber Mark Fischbach (Markiplier). Produzido com um orçamento modesto de cerca de 2,8 milhões de euros, o filme já arrecadou mais de 19 milhões de euros a nível global. No Reino Unido, alcançou o 4.º lugar, com receitas na ordem dos 1,11 milhões de euros, superando inclusivamente Shelter, protagonizado por Jason Statham.

Crítica demolidora, apoio ideológico

A recepção crítica a Melania tem sido amplamente negativa, com avaliações a rondar os 10% de aprovação da críticaem plataformas especializadas. Curiosamente, o público apresenta uma taxa de aprovação próxima dos 99%, algo interpretado por muitos analistas como um gesto político de apoio a Donald Trump, mais do que uma apreciação cinematográfica genuína.

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Numa crítica particularmente dura, o jornalista Nick Hilton descreveu o filme como “algo entre reality show encenado e ficção deliberada”, afirmando que Melania “não é, na verdade, um documentário”.

Muito ruído, pouco cinema

No final de contas, Melania confirma um fenómeno cada vez mais comum: a polémica gera cliques, mas não garante espectadores. No Reino Unido, o filme fez muito barulho fora das salas — mas dentro delas, o silêncio foi quase total.

Cinema Independente vs. Gigante de Hollywood: Amazon Impede Exibição de Melania num Cinema de Portland

Um cartaz provocador, um telefonema inesperado e uma decisão polémica

Um pequeno cinema independente na área de Portland está no centro de uma nova controvérsia que cruza cinema, política e liberdade de programação. O Lake Theater & Cafe, uma sala conhecida pelo seu tom irreverente e provocador, revelou ter sido impedido pela Amazon MGM Studios de continuar a exibir o documentário Melania, centrado na actual primeira-dama dos Estados Unidos. A decisão terá sido comunicada por telefone no início da semana e, segundo o cinema, prende-se não com o filme em si, mas com a forma como foi promovido.

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O documentário acompanha Melania Trump durante os 20 dias que antecederam a tomada de posse presidencial de Donald Trump e chegou às salas norte-americanas a 30 de Janeiro, com uma estreia comercial que rondou os sete milhões de dólares no primeiro fim-de-semana — um valor significativo para um documentário, ainda que longe de consensual junto da crítica.

Frases no letreiro que não agradaram à Amazon

De acordo com Jordan Perry, gerente-geral do Lake Theater & Cafe, o contacto da Amazon surgiu após a exibição de mensagens provocatórias no letreiro exterior da sala. Entre elas estavam frases como “Para derrotar o inimigo, é preciso conhecê-lo” e “A Melania veste Prada?”, uma referência óbvia ao filme The Devil Wears Prada. Para a distribuidora, este tom foi considerado inadequado, levando à retirada imediata do filme da programação.

Perry defende, no entanto, que a intenção nunca foi partidária nem propagandística. Pelo contrário: o cinema encara a exibição de filmes como um acto cultural, não como um endosso político. “Mostrar Melania não é apoiar Melania, nem esta administração, nem as suas políticas”, escreveu o responsável numa publicação no site oficial do cinema. “Para mim, não existe uma linha divisória entre querer ver um filme e querer mostrá-lo aqui.”

Um filme caro, polémico e divisivo

Produzido e promovido com um orçamento estimado em 75 milhões de dólares, Melania tem sido alvo de críticas severas, com alguns analistas a descrevê-lo como uma “viagem ao vazio”. Ainda assim, conseguiu despertar curiosidade suficiente para gerar receitas consideráveis e reacções intensas, tanto de apoio como de rejeição.

No caso do Lake Theater, a exibição do documentário já tinha provocado uma onda de críticas e mensagens negativas por parte de clientes habituais, que associavam a projecção do filme a uma posição política. Perry rejeita essa leitura e sublinha que o cinema não classifica os seus filmes como “políticos”, mas sim como obras que merecem ser vistas e debatidas.

Entre a programação e a sobrevivência

O responsável acrescenta ainda que as alternativas disponíveis naquele período — como o thriller classificado para adultos Send Help ou The Bone Temple — dificilmente teriam o mesmo impacto junto do público local. Para um cinema independente, a escolha de programação é também uma questão de sobrevivência económica.

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Até ao momento, a Amazon MGM Studios não respondeu aos pedidos de esclarecimento feitos pela estação local KOIN 6. O episódio levanta, mais uma vez, a questão do equilíbrio de poder entre grandes estúdios e salas independentes — e até que ponto a liberdade de exibição resiste quando entra em conflito com a imagem de um produto altamente sensível.

Paixão, Vento e Carne Viva: As Primeiras Reacções a Wuthering Heights de Emerald Fennell

Um clássico literário regressa… mais intenso do que nunca

A nova adaptação de Wuthering Heights ainda nem chegou oficialmente às salas de cinema e já está a incendiar as redes sociais. O filme realizado por Emerald Fennell teve esta semana as suas primeiras exibições para a imprensa e, apesar do embargo às críticas completas se manter até mais perto da estreia, marcada para 13 de Fevereiro, a Warner Bros. Picturesautorizou a divulgação de reacções nas redes sociais. O veredicto inicial parece consensual: esta versão de Wuthering Heights é intensa, visceral… e assumidamente ardente.

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Baseado no romance publicado em 1847 por Emily Brontë, o filme transporta-nos para os ventosos e inóspitos páramos de West Yorkshire, cenário de uma das histórias de amor mais tóxicas, obsessivas e trágicas da literatura inglesa. No centro da narrativa estão Catherine Earnshaw e Heathcliff, duas figuras condenadas a amar-se de forma destrutiva.

Margot Robbie e Jacob Elordi no olho do furacão

Nesta nova leitura cinematográfica, Catherine é interpretada por Margot Robbie, enquanto Heathcliff ganha corpo através de Jacob Elordi. As primeiras reacções destacam a química explosiva entre os dois protagonistas, sublinhando uma abordagem física, crua e emocionalmente intensa à relação central do filme — algo que parece alinhar-se perfeitamente com o estilo provocador de Fennell.

O elenco conta ainda com Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes e Ewan Mitchell, compondo um conjunto que promete dar profundidade e tensão a um universo já de si carregado de conflito.

Um clássico revisitado… outra vez, mas com nova ferocidade

Wuthering Heights é, provavelmente, um dos romances mais adaptados da história do cinema. Desde a versão clássica de 1939 realizada por William Wyler, com Laurence Olivier, passando pela interpretação de Ralph Fiennes em 1992, até à leitura mais austera e naturalista de Andrea Arnold em 2011, o material de Brontë tem sido constantemente reinterpretado à luz de diferentes sensibilidades.

A expectativa em torno desta nova versão nasce precisamente do histórico recente de Emerald Fennell. Depois do impacto crítico e político de Promising Young Woman, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original, e do fenómeno cultural Saltburn, a realizadora construiu uma reputação assente na provocação, no desconforto e na exploração de dinâmicas de poder.

Expectativa elevada antes da estreia

Sem críticas formais ainda disponíveis, as reacções iniciais apontam para uma adaptação que não suaviza o material original — pelo contrário, parece amplificar a sua natureza obsessiva e carnal. Se Wuthering Heights sempre foi uma história de amor que dói, a versão de Fennell promete fazê-lo com ainda mais intensidade.

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A estreia acontece a 13 de Fevereiro. Até lá, o vento já começou a uivar… que mais não sejam as campanhas de vá ao cinema no dia dos namorados.

Pergunta Demais? SmartLess Entra em Terreno Escorregadio com Charli XCX

Um momento desconfortável que incendiou as redes sociais

O popular podcast SmartLess está no centro de uma polémica depois de um momento considerado desconfortável por muitos ouvintes durante uma conversa entre Jason Bateman e a cantora Charli XCX. O episódio, emitido esta semana, tinha como objectivo promover o novo filme da artista, The Moment, mas acabou por gerar reacções negativas devido a uma troca de palavras sobre maternidade.

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Durante a conversa, Charli XCX falou abertamente sobre a sua infância como filha única e sobre a forma como os pais sempre apoiaram a sua carreira musical, chegando a acompanhá-la em actuações ainda adolescente. A artista explicou que essa experiência moldou a sua relação com o conflito e a maturidade emocional. Foi nesse contexto que Bateman lhe perguntou se pensava ter um filho — ou vários.

“Na verdade, não quero ter filhos”

A resposta da cantora foi directa e honesta: não sente vontade de ser mãe. Admitiu que a ideia pode mudar, mas reconheceu que o fascínio pela “fantasia” de ter um filho — como escolher um nome — lhe parece um sinal de que talvez ainda não esteja preparada. Uma reflexão pessoal, dita com leveza, que acabou por ganhar outro peso quando Bateman respondeu com uma história pessoal, sugerindo que Charli poderia “encontrar alguém” que a fizesse mudar de ideias.

A reacção da artista foi imediata: “Eu sou casada.” Bateman riu-se e respondeu que precisava de “ler um jornal de vez em quando”, assumindo o desconhecimento. O tom manteve-se cordial, mas nas redes sociais muitos fãs interpretaram o momento como pressão desnecessária sobre uma mulher em relação à maternidade, além de criticarem a falta de preparação do actor.

A filosofia do improviso… com riscos

O episódio reacendeu o debate em torno do formato do podcast, apresentado também por Will Arnett e Sean Hayes. Em SmartLess, apenas um dos anfitriões sabe quem será o convidado, enquanto os outros improvisam perguntas no momento. Esta abordagem espontânea é parte do charme do programa — e uma das razões do seu sucesso estrondoso, incluindo um contrato multimilionário com a SiriusXM.

No entanto, como ficou claro neste episódio, a improvisação também pode conduzir a momentos menos felizes. Ao longo da conversa, Bateman demonstrou desconhecer vários aspectos básicos da carreira de Charli XCX, incluindo o facto de a cantora ter popularizado o termo “brat”, algo que voltou a ser apontado como sinal de falta de pesquisa.

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Sucesso, críticas e uma lição aprendida

Apesar da controvérsia, Charli XCX lidou com a situação com humor e serenidade, mostrando que aprendeu, ao longo dos anos, a gerir momentos de desconforto — mesmo sem irmãos para treinar em casa. Para SmartLess, fica o aviso: a informalidade pode ser uma virtude, mas nem sempre é inofensiva.

Nada Volta a Ser Igual: The Last of Us Mexe no Elenco e Redefine o Rumo da Série

Mudanças cirúrgicas numa das séries mais debatidas da HBO

The Last of Us continua a provar que não é apenas uma adaptação de videojogo bem-sucedida, mas também uma série disposta a correr riscos — mesmo quando isso significa enfrentar a ira de parte dos fãs. A produção da HBO prepara-se para a terceira temporada com alterações significativas no elenco e uma reconfiguração narrativa que promete dividir opiniões, tal como aconteceu com o material original.

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Baseada no aclamado jogo da Naughty Dog, a série transporta-nos para um mundo pós-apocalíptico devastado pelo vírus cordyceps, que transforma humanos em criaturas violentas e descontroladas. No centro da história estão Joel e Ellie, duas figuras marcadas pela perda, pela sobrevivência e por decisões moralmente ambíguas que continuam a ecoar muito para lá do ecrã.

Abby assume o centro da narrativa

A terceira temporada irá aprofundar a adaptação de The Last of Us Part II, mudando deliberadamente o foco da história. Desta vez, a narrativa será contada sobretudo a partir da perspectiva de Abby, interpretada por Kaitlyn Dever. A personagem lidera uma jornada de vingança em Seattle contra Joel, vivido por Pedro Pascal, numa abordagem que já no videojogo original se revelou tão ousada quanto polémica.

Ao seu lado surge Manny Alvarez, um soldado leal do grupo WLF e amigo próximo de Abby, agora interpretado por Jorge Lendeborg Jr.. A escolha marca uma mudança importante, já que o actor substitui Danny Ramirez, que não regressa para a nova temporada depois de ter participado em quatro dos sete episódios da segunda.

Novas personagens, novas leituras

Outra novidade no elenco é a entrada de Clea DuVall, que dará vida a uma personagem associada aos Seraphites — o culto religioso rival dos WLF. Curiosamente, esta figura parece ser uma criação original da série, já que no jogo não existe nenhuma personagem adulta com grande peso narrativo dentro deste grupo. Um sinal claro de que a adaptação televisiva continua a expandir e reinterpretar o universo criado para as consolas.

Um capítulo final já traçado

Com Craig Mazin a assumir sozinho o papel de showrunner, após a saída de Neil Druckmann, as filmagens arrancam em Março, em Vancouver, no Canadá. A HBO já confirmou que a terceira temporada será o capítulo final da série, decisão tomada ainda antes da estreia da segunda temporada, prevista para Abril de 2025.

Mesmo com uma recepção mais fria por parte de alguns fãs — especialmente devido às alterações introduzidas em relação ao jogo — The Last of Us mantém-se fiel à sua essência: uma história desconfortável, emocionalmente exigente e sem medo de quebrar expectativas.

Jimmy Kimmel promete “invadir” os Óscares se documentário sobre Melania Trump for nomeado 🎭

Uma piada que virou ameaça… ou promessa solene

Jimmy Kimmel voltou a apontar baterias à política americana — e aos seus satélites mediáticos — durante o monólogo de 2 de Fevereiro do Jimmy Kimmel Live. O alvo desta vez foi a reacção entusiasmada da Fox News ao documentário Melania, centrado na antiga Primeira-Dama dos Estados Unidos. Segundo uma comentadora do canal, o filme “deveria ser nomeado para os Óscares”. Kimmel não deixou passar.

“Se Melania for nomeado para um Óscar, eu vou apresentar essa cerimónia”, garantiu o humorista, entre aplausos do público. “Quer me convidem ou não. Eu vou insistir.” Uma frase que, no universo de Kimmel, soa menos a bravata e mais a aviso formal.

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Rotten Tomatoes vs. Fox News: dois mundos, dois termómetros

O comediante sublinhou o contraste entre a recepção crítica e o entusiasmo televisivo: enquanto o documentário soma uns modestos 7% no Rotten Tomatoes, na Fox News atinge uns imaculados 100%. Para Kimmel, trata-se apenas de uma diferença de critérios… e de realidade.

Já antes da estreia, o apresentador tinha classificado o filme como “um suborno de 75 milhões de dólares pago pela Amazon”, acusando o projecto de ser um exercício de vaidade com produção corporativa musculada. Após a estreia, voltou à carga, descrevendo os sete milhões arrecadados no primeiro fim-de-semana como “o maior sucesso de sempre para um projecto de vaidade não musical com aroma a suborno empresarial”.

Uma velha guerra com novos episódios

A relação de Kimmel com Donald Trump está longe de ser pacífica e já teve momentos memoráveis na cerimónia dos Óscares. Em 2024, enquanto apresentava a gala, Kimmel interrompeu o espectáculo para ler em voz alta um ataque pessoal publicado por Trump nas redes sociais.

A resposta foi instantânea, cruel e eficaz, com uma piada que terminou numa referência directa ao sistema prisional. Um daqueles momentos em que Hollywood pareceu esquecer o guião e lembrar-se de que, às vezes, a comédia é a arma mais afiada.

Óscares, sátira e um documentário improvável

Em 2026, a cerimónia será novamente apresentada por Conan O’Brien, mas Kimmel já deixou claro que está disponível para regressar — especialmente se Melania entrar na corrida dourada. Quanto ao documentário, que acompanha a antiga Primeira-Dama nas semanas que antecederam uma nova tomada de posse presidencial, continua a dividir opiniões, gargalhadas e canais de televisão.

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Se chegar aos Óscares, uma coisa é certa: Jimmy Kimmel não vai ficar calado.

Três Documentários, Três Mundos: Fevereiro é Mês de Olhar Portugal no TVCine Edition

O documentário nacional em destaque nas noites de sexta-feira

Fevereiro traz um convite especial para quem gosta de cinema que pensa, questiona e observa o mundo com atenção. O TVCine Edition dedica os fins de tarde e as noites de sexta-feira ao documentário português, reunindo três obras muito distintas entre si, mas unidas por um olhar inquieto e profundamente contemporâneo sobre identidade, território, memória e criação. O especial Documentários: Olhar Portugal decorre nos dias 6, 13 e 27 de Fevereiro, com exibição exclusiva no TVCine Edition e disponibilidade no TVCine+.  

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Da memória revolucionária à criação colectiva

O ciclo arranca a 6 de Fevereiro com Espiral em Ressonância, realizado por Filipa César e Marinho de Pina. O documentário acompanha a construção de uma mediateca comunitária em Malafo, na Guiné-Bissau, pensada como espaço de preservação e activação da memória do cinema militante guineense. Entre arquivos, gestos colectivos e reflexão política, o filme questiona a forma como se guarda o passado sem o cristalizar, criando antes condições para o futuro. Distinguido no Cinéma du Réel e no Porto/Post/Doc, é uma obra que cruza cinema, história e resistência cultural.

A Trafaria como mapa sensorial e humano

No dia 13 de FevereiroNa Trafaria propõe um exercício radicalmente diferente. Desenvolvido no âmbito de um projecto participativo da NOVA FCSH e realizado por Pedro Florêncio, o filme utiliza o cinema como ferramenta de mapeamento alternativo de um território muitas vezes esquecido. A Trafaria surge aqui como um organismo vivo, feito de fragmentos, memórias, vozes e paisagens, numa abordagem que cruza antropologia, experimentação e cartografia emocional. Não é um retrato convencional, mas um convite a sentir um lugar através das suas camadas invisíveis.

Natália Correia, mito, corpo e palavra

O ciclo encerra a 27 de Fevereiro com A Mulher Que Morreu de Pé, de Rosa Coutinho Cabral, um ensaio visual sobre Natália Correia, figura incontornável da cultura e da política portuguesas. Misturando documentário e elementos ficcionados, o filme constrói um “casting poético” onde actores e testemunhos revisitam a vida, a obra e os fantasmas de Natália. Distinguido como Melhor Documentário no Porto Femme 2025, é uma abordagem livre, ousada e profundamente literária.

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Um convite à descoberta do cinema português

Documentários: Olhar Portugal não é apenas um ciclo televisivo: é uma montra do vigor, da diversidade e da maturidade do documentário nacional contemporâneo. Três filmes, três linguagens, três formas de olhar o mundo — todas elas a merecer atenção.

Sorriam, Está Tudo Sob Controlo: Um Sinal Secreto Chega ao TVCine Top

O thriller psicológico que desmonta o poder por trás do sorriso perfeito

Há filmes que entram devagar, quase sorrateiros, e quando damos por isso já nos deixaram desconfortáveis no sofá. Um Sinal Secreto é precisamente desse tipo. O thriller psicológico que marca a estreia de Zoë Kravitz na realização chega aos Canais TVCine no dia 6 de Fevereiro, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e no TVCine+ — e traz consigo uma atmosfera inquietante, provocadora e difícil de ignorar.  

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Uma ilha paradisíaca… onde nada é inocente

A história acompanha Frida, interpretada por Naomi Ackie, uma jovem empregada de mesa constantemente a lutar contra a falta de dinheiro, mas movida por sonhos de ascensão social. O acaso — ou talvez não — leva-a a cruzar-se com Slater King, um multimilionário reformado vivido por Channing Tatum, durante uma festa luxuosa. Entre olhares cúmplices e uma química difícil de disfarçar, Frida acaba convidada para um fim de semana numa ilha privada exclusiva, frequentada por um círculo restrito de amigos ricos e aparentemente encantadores.

É aqui que Um Sinal Secreto começa verdadeiramente a mostrar as garras. As noites tornam-se difusas, as memórias fragmentadas e os comportamentos dos convidados cada vez mais estranhos. Frida apercebe-se de que algo está profundamente errado e que por trás do luxo, das festas e do sorriso permanente existe uma teia de intenções obscuras — daquelas que não se anunciam, mas controlam tudo.

Poder, consentimento e desigualdade como armas narrativas

Escrito por Zoë Kravitz em parceria com E.T. Feigenbaum, o filme mergulha sem medo em temas como o abuso de poder, o consentimento e a desigualdade social. Não há aqui moralismos fáceis nem vilões de cartilha. O desconforto nasce precisamente da subtileza, da manipulação psicológica e da normalização do absurdo num ambiente onde tudo parece perfeito… até deixar de ser.

A realização de Kravitz revela-se segura e consciente, apostando numa tensão crescente e numa atmosfera claustrofóbica que nunca larga o espectador. O elenco secundário — que inclui Alia Shawkat, Christian Slater, Adria Arjona, Simon Rexe Haley Joel Osment — reforça a sensação de que todos escondem algo, mesmo quando parecem apenas figurantes de uma fantasia de luxo.

Um filme que não pede licença ao espectador

Com reviravoltas bem medidas e um crescendo de tensão constante, Um Sinal Secreto afirma Zoë Kravitz como uma realizadora a seguir de perto. Não é um filme confortável, nem quer ser. É um espelho distorcido de relações de poder muito reais, embrulhadas num thriller elegante e perturbador.

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Na sexta-feira, 6 de Fevereiro, às 21h30, o convite está feito. A pergunta é simples: está preparado para sorrir… mesmo quando percebe que está a ser manipulado?