A BBC Vai Criar Conteúdos Originais para o YouTube num Acordo Histórico

A televisão pública britânica aposta no digital para conquistar audiências jovens e reforçar o seu futuro

BBC anunciou um acordo histórico com o YouTube que marca uma mudança profunda na estratégia digital da estação pública britânica. Pela primeira vez, a BBC vai produzir conteúdos pensados de raiz para o YouTube, deixando de usar a plataforma apenas como montra promocional para excertos e trailers dos seus programas tradicionais.

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Este novo passo surge num momento particularmente sensível para a BBC, cujo modelo de financiamento está a ser amplamente debatido no Reino Unido. A parceria permitirá não só alcançar públicos mais jovens e habituados ao consumo digital, como também gerar receitas adicionais através de publicidade internacional — algo que não acontecerá dentro do território britânico, onde os conteúdos continuarão sem anúncios.

Conteúdos pensados para uma geração “digital-first”

Os novos programas serão direccionados sobretudo para uma audiência mais jovem, nativa digital, habituada a consumir conteúdos curtos, dinâmicos e adaptados às linguagens das plataformas online. Ainda assim, parte desse material poderá também ser disponibilizado no BBC iPlayer e no BBC Sounds, criando pontes entre o ecossistema digital e os serviços tradicionais da estação.

A oferta será variada e ambiciosa, incluindo entretenimento, documentários, conteúdos infantis, informação noticiosa e desporto. Um dos primeiros grandes destaques será a cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, já em Fevereiro, pensada especificamente para o público do YouTube.

Num comunicado conjunto, BBC e YouTube sublinham que o objectivo é mostrar “o melhor da narrativa e do jornalismo britânicos”, adaptados a novos formatos e hábitos de consumo.

Uma resposta directa à mudança de hábitos

O director-geral da BBC, Tim Davie, destacou a importância estratégica do acordo, afirmando que este permitirá à corporação “ligar-se às audiências de novas formas”. Segundo Davie, trata-se de “levar conteúdos ousados e genuinamente britânicos para os formatos que o público já procura no YouTube”, ao mesmo tempo que se cria uma porta de entrada para os serviços tradicionais da BBC.

Os números ajudam a perceber a urgência desta mudança. Em Dezembro, o YouTube ultrapassou pela primeira vez a BBC em número de espectadores no Reino Unido — 52 milhões contra 51 milhões, de acordo com dados da entidade de medição Barb. Nos Estados Unidos, estudos recentes indicam que as redes sociais e plataformas de vídeo já superaram a televisão tradicional como principal fonte de notícias.

Formação e aposta nos criadores do futuro

O acordo não se fica pela produção de conteúdos. A BBC e o YouTube vão também lançar um programa de formação sem precedentes, integrado no plano governamental para as indústrias criativas. Liderada pela National Film and Television School, a iniciativa vai convidar 150 profissionais dos media a participar em workshops e eventos focados no desenvolvimento de competências específicas para o YouTube.

Pedro Pina, vice-presidente do YouTube para a região EMEA, afirmou estar “entusiasmado” com a parceria, defendendo que esta vai “redefinir os limites da narrativa digital” e garantir que o impacto cultural da BBC chega a uma audiência mais jovem e global.

Um futuro em aberto para a BBC

Este acordo surge num contexto político delicado. A secretária da Cultura britânica, Lisa Nandy, já classificou a taxa de licença da BBC como “inaplicável”, admitindo que “nenhuma opção está fora da mesa” na revisão do modelo de financiamento da estação pública.

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Ao apostar de forma clara no YouTube, a BBC não está apenas a seguir uma tendência — está a tentar garantir a sua relevância num mundo onde o consumo audiovisual mudou radicalmente. Resta agora perceber até que ponto esta estratégia conseguirá equilibrar serviço público, sustentabilidade financeira e uma nova geração de espectadores.

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A nova série da Prime Video estreia a 21 de Janeiro e prova que uma grande actriz pode carregar uma história imperfeita

À primeira vista, Steal parece seguir um manual demasiado familiar. A série da Prime Video abre com um assalto estilizado em Londres que parece um “best of” do género: planos aéreos da cidade, música electrónica pulsante, criminosos vestidos de preto e cinzento, armas automáticas, bloqueadores de sinal e a inevitável ameaça calma mas sinistra — “se fizerem exactamente o que digo, ninguém se magoa”. Naturalmente, alguém não faz o que lhe é pedido e acaba com a coronha de uma arma na cara.

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É o ponto de partida de uma minissérie de seis episódios que vai inevitavelmente lembrar títulos como The Night ManagerLa Casa de PapelSlow Horses ou The Terminal List. Um assalto que parece simples, investigadores confusos, teorias sobre ex-militares ou operações encobertas do Estado e, claro, uma conspiração que “vai até ao topo”. Nada de particularmente original — mas nem sempre é isso que interessa.

Um assalto que nunca é só um assalto

O alvo do golpe é a Lochmill Capital, uma gestora de fundos de pensões, e o roubo envolve mais de 4 mil milhões de libras pertencentes a trabalhadores da classe média e operária. É aqui que Steal começa a ganhar peso moral. Não se trata apenas de dinheiro abstracto, mas de vidas reais que ficam em risco.

Após o assalto, a narrativa fragmenta-se em vários caminhos: flashbacks que explicam como tudo foi planeado, sequências de espionagem bem coreografadas, reviravoltas constantes — algumas eficazes, outras forçadas — e longas explicações sobre esquemas financeiros, “cold wallets” e subterfúgios digitais que raramente são tão excitantes quanto a série gostaria de acreditar.

A realização e a montagem são competentes, o ritmo raramente abranda em demasia, mas o argumento tropeça quando se perde em exposição excessiva e traições que surgem mais por conveniência narrativa do que por verdadeira evolução das personagens.

Sophie Turner: o coração imperfeito da série

O grande trunfo de Steal chama-se Sophie Turner. A actriz interpreta Zara, uma funcionária da área de processamento de transacções da Lochmill Capital. À superfície, Zara parece uma jovem londrina segura, moderna e impecavelmente vestida. Mas rapidamente percebemos que é uma personagem em desequilíbrio: álcool em excesso, um emprego sem futuro, relações pessoais praticamente inexistentes e uma relação tensa com a mãe.

A primeira cena em que conhecemos Zara diz tudo: presa numa casa de banho do escritório com uma hemorragia nasal causada por ressaca. Turner constrói-a como alguém profundamente humana, cheia de falhas, irritante por vezes, mas sempre empática. Quando o assalto acontece e Zara é forçada, juntamente com o seu melhor amigo Luke (interpretado por Archie Madekwe), a autorizar transacções criminosas, a série ganha uma âncora emocional sólida.

É também Zara quem decide investigar o que realmente aconteceu, num percurso perigoso e clandestino que sustenta grande parte do interesse da narrativa.

Um mundo moralmente cinzento

O elenco de apoio cumpre, com destaque para Jacob Fortune-Lloyd, como o detective Rhys Covac, um polícia competente mas emocionalmente fragilizado, que acaba por se tornar um aliado improvável de Zara. À medida que a investigação avança, entram em cena um bilionário corrupto, os serviços secretos britânicos e outros actores de bastidores, tornando cada vez mais difícil distinguir heróis de vilões.

Nem tudo funciona. A equipa do assalto é particularmente fraca em carisma e profundidade, reduzida a arquétipos genéricos. O cérebro do golpe (Jonathan Slinger) perde protagonismo, enquanto o violento “Sniper” (Andrew Howard) parece saído de um manual de clichés. O grande “revelar” do último episódio, apesar de ambicioso, soa excessivamente mecânico e pouco orgânico.

Imperfeita, mas com potencial

Apesar dos seus tropeços, Steal é uma série eficaz, bem produzida e sustentada por uma performance central de alto nível. Sophie Turner prova que está mais do que pronta para liderar thrillers adultos e complexos, longe da fantasia épica que a tornou famosa.

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A Prime Video deixa claramente a porta aberta para uma segunda temporada. Se isso acontecer, a receita é simples: menos exposição, vilões mais interessantes e uma história à altura de Zara. Com Sophie Turner ao leme, muitos espectadores estarão dispostos a voltar.

Steal estreia a 21 de Janeiro, com a temporada completa disponível na Prime Video

Vergonha, Glitter e Mau Cinema: Snow White e War of the Worlds  Lideram as Nomeações aos Razzie 2026

Os prémios do pior do ano já chegaram — e não poupam estrelas, estúdios nem egos gigantes

Um ano depois de Gal Gadot e Rachel Zegler subirem juntas ao palco dos Óscares para promover a aguardada versão em imagem real de Snow White, a realidade é bem menos encantada. Em 2026, o filme da Disney surge no topo das nomeações… mas para os Razzie Awards, os infames prémios que distinguem o pior que o cinema tem para oferecer.

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Snow White lidera a lista com seis nomeações, empatando com War of the Worlds, protagonizado por Ice Cube, outro dos grandes “vencedores” desta edição. Ambos competem, entre outras categorias, pelo temido título de Pior Filme do Ano.

A edição de 2026 dos Razzies promete ser particularmente demolidora, apontando baterias não só a produções falhadas, mas também a decisões criativas questionáveis, remakes sem alma e estrelas que, desta vez, não escaparam ao escrutínio mais cruel de Hollywood.

O prémio de pior filme está bem disputado

Na corrida para Pior FilmeSnow White e War of the Worlds enfrentam concorrência de peso — ou falta dele. Entre os nomeados estão Hurry Up Tomorrow, protagonizado por The WeekndStar Trek: Section 31, um spin-off ambicioso que acabou por desapontar, e The Electric State, a superprodução da Netflix assinada pelos irmãos Russo.

A ironia não passa despercebida: muitos destes projectos nasceram com ambições de blockbuster, orçamentos generosos e elencos de luxo. O resultado, segundo os Razzies, foi precisamente o oposto.

Remakes, egos e decisões duvidosas

Snow White e War of the Worlds voltam a cruzar caminhos em várias categorias, incluindo Pior RemakePior RealizaçãoPior Argumento e Pior Combinação em Cena — com destaque para a nomeação colectiva dos “sete anões artificiais” e para Ice Cube & a sua câmara de Zoom, uma das piadas mais cruéis (e eficazes) da lista.

Os Razzies de 2026 também não poupam actores consagrados. Entre os nomeados encontramos vencedores de Óscares como Natalie PortmanMichelle Yeoh e Jared Leto, provando que nem estatuetas douradas protegem contra más escolhas.

A cerimónia… no pior dia possível

Os Razzie Awards 2026 serão entregues a 14 de Março, precisamente no dia anterior à cerimónia dos Óscares. O troféu, fiel à tradição, continua a ser uma estatueta dourada pintada com spray, avaliada em 4,97 dólares — um símbolo perfeito para celebrar o lado menos glorioso da indústria.

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🏆 Lista Completa de Nomeados aos Razzie Awards 2026

Pior Filme

  • Snow White (2025)
  • The Electric State
  • Hurry Up Tomorrow
  • Star Trek: Section 31
  • War of the Worlds (2025)

Pior Actor

  • Dave Bautista – In the Lost Lands
  • Ice Cube – War of the Worlds
  • Scott Eastwood – Alarum
  • Jared Leto – Tron: Ares
  • Abel “The Weeknd” Tesfaye – Hurry Up Tomorrow

Pior Actriz

  • Ariana DeBose – Love Hurts
  • Milla Jovovich – In the Lost Lands
  • Natalie Portman – Fountain of Youth
  • Rebel Wilson – Bride Hard
  • Michelle Yeoh – Star Trek: Section 31

Pior Remake / Cópia / Sequela

  • Five Nights at Freddy’s 2
  • I Know What You Did Last Summer (2025)
  • Smurfs (2025)
  • Snow White (2025)
  • War of the Worlds (2025)

Pior Actriz Secundária

  • Anna Chlumsky – Bride Hard
  • Ema Horvath – The Strangers: Chapter 2
  • Scarlet Rose Stallone – Gunslingers
  • Kacey Rohl – Star Trek: Section 31
  • Isis Valverde – Alarum

Pior Actor Secundário

  • Os Sete Anões Artificiais – Snow White (2025)
  • Nicolas Cage – Gunslingers
  • Stephen Dorff – Bride Hard
  • Greg Kinnear – Off the Grid
  • Sylvester Stallone – Alarum

Pior Combinação em Cena

  • Todos os Sete Anões – Snow White (2025)
  • James Corden & Rihanna – Smurfs (2025)
  • Ice Cube & a sua câmara de Zoom – War of the Worlds (2025)
  • Robert De Niro & Robert De Niro – The Alto Knights
  • The Weeknd & o seu ego colossal – Hurry Up Tomorrow

Pior Realização

  • Rich Lee – War of the Worlds (2025)
  • Olatunde Osunsanmi – Star Trek: Section 31
  • Irmãos Russo – The Electric State
  • Trey Edward Shults – Hurry Up Tomorrow
  • Marc Webb – Snow White (2025)

Pior Argumento

  • The Electric State – Christopher Markus & Stephen McFeely
  • Hurry Up Tomorrow – Trey Edward Shults, Abel Tesfaye, Reza Fahim
  • Snow White (2025) – Erin Cressida Wilson e muitos outros
  • Star Trek: Section 31 – Craig Sweeny
  • War of the Worlds (2025) – Kenny Golde & Marc Hyman (a “destruir” H.G. Wells)

Justiça Sob Algoritmo: Mercy: Prova de Culpa Chega a Portugal com Chris Pratt em Modo Sombrio

O thriller futurista estreia nos cinemas portugueses a 22 de Janeiro de 2026 e questiona quem deve julgar: humanos ou máquinas

À primeira vista, Mercy parecia um projecto condenado ao cepticismo. Um thriller distópico sobre justiça algorítmica protagonizado por Chris Pratt, actor que passou a última década soterrado pelo peso das grandes franquias, dificilmente soaria a proposta refrescante. No entanto, o filme revela-se uma surpresa moderada — não revolucionária, mas mais inteligente, dinâmica e provocadora do que o seu ponto de partida fazia prever.

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Em Portugal, o filme chega com o título Mercy: Prova de Culpa e tem estreia marcada para 22 de Janeiro de 2026, alinhando-se com o lançamento internacional. Uma data que coloca este thriller de ficção científica mesmo no início do ano cinematográfico, com ambições claras de captar a atenção de quem gosta de histórias tensas, tecnológicas e moralmente desconfortáveis.

Um julgamento onde o relógio dita a sentença

A acção decorre num futuro próximo, demasiado plausível para conforto. Chris Raven é um agente da polícia de Los Angeles que acorda após uma noite de excessos para descobrir que foi detido e colocado numa cadeira de interrogatório digital. A acusação é devastadora: o homicídio da própria mulher. Sem direito a um julgamento tradicional, Raven é integrado no programa “Mercy”, uma experiência judicial radical onde o arguido é avaliado por uma inteligência artificial.

Essa entidade chama-se Judge Maddox, interpretada com frieza elegante por Rebecca Ferguson, e acumula os papéis de juíza, júri e carrasca. A lógica do sistema é simples e aterradora: Raven dispõe de 90 minutos para provar a sua inocência. Se a probabilidade calculada de inocência ultrapassar os 94%, é libertado. Caso contrário, a execução acontece automaticamente quando o tempo termina.

A culpa é presumida. A dúvida razoável é um número. A justiça é um algoritmo.

Menos panfleto, mais mistério

Seria fácil transformar Mercy: Prova de Culpa num manifesto anti-tecnologia ou numa sátira pesada ao Estado policial. O filme evita esse caminho mais óbvio e opta por algo mais interessante. O tribunal virtual não está completamente viciado contra o arguido. Pelo contrário, Raven tem acesso total a provas, testemunhas, imagens de vigilância e documentos, navegando por um arquivo digital quase infinito.

Este dispositivo transforma o filme num híbrido curioso: parte thriller em tempo real, parte investigação criminal acelerada, com ecos de Minority ReportMemento e até de videojogos de detectives. As pistas acumulam-se rapidamente, o ritmo raramente abranda e a narrativa mantém-se envolvente mesmo quando a conspiração central não foge a terrenos muito inovadores.

Um Chris Pratt mais áspero e eficaz

Chris Raven é um protagonista imperfeito: alcoólico em recaída, emocionalmente instável, divorciado e com um passado profissional que o coloca numa posição irónica — foi ele próprio responsável por levar a tribunal o primeiro arguido julgado pelo programa Mercy, num processo pensado para legitimar o sistema.

Pratt interpreta-o como um herdeiro directo dos detectives dos anos 90, à la Bruce Willis, abandonando a persona de boa disposição genérica que marcou a sua fase mais comercial. Aqui, está mais duro, mais agressivo e mais convincente. É uma das suas performances mais interessantes fora do universo das franquias.

Rebecca Ferguson domina o filme

Apesar de um elenco secundário competente, é Judge Maddox quem verdadeiramente marca o filme. Rebecca Fergusonconsegue dar a uma entidade programada uma estranha sensação de presença e quase-consciência, falando com uma lógica autoritária que nunca perde o controlo.

É através desta personagem que o filme lança a sua questão mais provocadora: será que uma inteligência artificial pode avaliar provas com mais objectividade do que um júri humano? Mercy: Prova de Culpa não responde de forma simplista. Pelo contrário, sugere que o problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como os humanos a utilizam — ou se escondem atrás dela.

Um thriller eficaz, mesmo sem reinventar o género

Realizado por Timur Bekmambetov, conhecido por Wanted, o filme aposta numa montagem nervosa, numa estética digital agressiva e num ritmo quase constante, ao ponto de justificar a existência de três editores. Nem todas as personagens secundárias são plenamente desenvolvidas, mas o foco mantém-se onde interessa: no dilema moral e na corrida contra o tempo.

Mercy: Prova de Culpa não vai redefinir o cinema de ficção científica nem o thriller judicial, mas é um exemplo sólido de entretenimento adulto, consciente do mundo em que vivemos e das perguntas desconfortáveis que já não podemos evitar.

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Veredicto final

Sem ser brilhante, Mercy: Prova de Culpa é um thriller eficaz, tenso e surpreendentemente equilibrado na forma como aborda a justiça, a tecnologia e o papel humano no meio de ambos. Uma estreia interessante para quem procura mais do que explosões e respostas fáceis.

Beleza à Beira do Abismo: The Beauty é Excessiva, Perturbadora… e Difícil de Largar

A nova série de Ryan Murphy estreia em Portugal no Disney+ e transforma a obsessão estética num pesadelo visceral

“Beleza é dor” deixou há muito de ser apenas um cliché repetido em passerelles e salões de estética. Em The Beauty, a nova série criada por Ryan Murphy e Matt Hodgson, essa frase ganha contornos literais, sangrentos e profundamente desconfortáveis. Produzida pelo FX, a série estreia em Portugal no Disney+ a 22 de Janeiro, com três episódios disponíveis no lançamento e novos capítulos a chegarem semanalmente à plataforma.

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Adaptada da banda desenhada homónima de Jeremy Haun e Jason A. HurleyThe Beauty cruza horror corporal, thriller conspirativo e sátira social para explorar o preço real da perfeição num mundo dominado pela ganância, pela aparência e pelo lucro a qualquer custo.

Um desfile de moda que termina em carnificina

A série arranca com uma das sequências mais desconcertantes do ano televisivo. Num desfile de alta-costura em Paris, Ruby — interpretada por Bella Hadid — entra na passerelle visivelmente desorientada, suada e fora de controlo. Minutos depois, o glamour dissolve-se numa explosão de violência gráfica que choca o público e inaugura o tom da série.

Rapidamente percebemos que este não é um caso isolado. Incidentes semelhantes começam a surgir entre supermodelos por todo o mundo, levando os agentes do FBI Cooper Madsen (Evan Peters) e Jordan Bennett (Rebecca Hall) a investigar a origem deste fenómeno aparentemente inexplicável.

A perfeição como vírus — literalmente

A investigação conduz a uma revelação tão absurda quanto aterradora: um “milagre” biotecnológico que começa como uma injecção estética e evolui para um vírus sexualmente transmissível. O efeito? Transformar qualquer pessoa na versão fisicamente perfeita de si mesma. O processo, no entanto, é tudo menos bonito: prolongado, doloroso e grotesco, com o corpo a rasgar-se, reconstruir-se e sangrar em nome da perfeição.

Ryan Murphy aproveita este conceito para levar o horror corporal ao limite, numa sucessão de imagens que incluem cirurgias falhadas, “nascimentos de beleza” e mutações que farão muitos espectadores desviar o olhar.

Capitalismo, poder e a mercantilização do corpo

Como não poderia deixar de ser, a origem do problema está no dinheiro. O cérebro por detrás desta “cura” é The Corporation, um bilionário delirante interpretado por Ashton Kutcher, claramente inspirado nas figuras reais que dominam o sector tecnológico global. Obcecado com lucros e expansão, vê no vírus da beleza uma oportunidade de negócio sem precedentes.

Para proteger o império, recorre a The Assassin, um matador profissional vivido por Anthony Ramos, encarregado de silenciar qualquer investigação antes que ganhe tração. Pelo caminho, a série ainda acompanha personagens secundárias, como Jeremy (Jeremy Pope), um jovem isolado que encontra neste “milagre” uma porta perigosa para a validação pessoal.

Quando o excesso começa a pesar

Durante os primeiros episódios, The Beauty é um espectáculo perturbador, provocador e, por vezes, brilhante. No entanto, a partir do episódio oito, a narrativa começa a fragmentar-se. Subtramas multiplicam-se, o ritmo acelera em excesso e a série perde algum do controlo que inicialmente parecia fazer parte do plano.

É também nesta fase que o tom satírico descamba ocasionalmente para o absurdo, com decisões narrativas que enfraquecem o comentário social. Questões como padrões de beleza branca e identidade racial são tocadas de forma superficial, apesar de um elenco diverso e de uma premissa que pedia maior profundidade.

Imperfeita, mas estranhamente viciante

Apesar dos seus tropeços, The Beauty continua a ser uma experiência televisiva envolvente. Os 11 episódios, com durações entre os 24 e os 50 minutos, são fáceis de consumir e mantêm um nível de tensão constante. A série aborda temas extremamente actuais — desde a obsessão com a aparência e o privilégio da beleza até ao uso de “drogas milagrosas”, redes sociais e educação sexual deficiente — envoltos num pacote visualmente chocante.

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The Beauty não é subtil, não é equilibrada e nem sempre sabe quando parar. Mas é ousada, incómoda e consciente o suficiente para nos fazer reflectir enquanto nos perturba. Uma série longe da perfeição — o que, ironicamente, acaba por reforçar a sua mensagem.

Um Caso Delicado Fora do Ecrã: Djimon Hounsou Envolvido em Incidente Doméstico em Atlanta

Actor de Gladiador no centro de uma situação polémica longe das câmaras

O nome de Djimon Hounsou, actor internacionalmente reconhecido por papéis em filmes como GladiadorBlood Diamond ou Amistad, surge esta semana nas manchetes por razões bem diferentes da sua carreira cinematográfica. De acordo com informações avançadas pelo site TMZ, a ex-companheira do actor, Riza Simpson, foi detida pelas autoridades de Atlanta após alegadas agressões ocorridas no final do ano passado.

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Segundo documentos legais citados pela publicação norte-americana, Djimon Hounsou terá recorrido à polícia em Dezembro, relatando que foi atingido no rosto com um murro fechado pela sua ex-namorada, com quem partilha dois filhos. O incidente terá ocorrido numa moradia pertencente ao actor, em Atlanta, no momento em que este lhe terá pedido que abandonasse a residência.

Crianças presentes na casa durante o alegado incidente

De acordo com a versão apresentada às autoridades, os filhos do ex-casal encontravam-se no piso superior da casa no momento da alegada agressão. Ainda assim, segundo a polícia, as crianças não terão presenciado directamente o confronto, embora seja possível que tenham ouvido a discussão.

Na passada sexta-feira, a Atlanta Police Department executou um mandado de detenção no mesmo endereço, levando Riza Simpson sob custódia. A ex-companheira do actor enfrenta acusações de agressão simples e obstrução à justiça, esta última relacionada com a alegada prestação de informações falsas às autoridades. Ambos os crimes são classificados como contraordenações ao abrigo da lei do estado da Geórgia.

Detenção acompanhada por momentos de tensão

Ainda segundo o relatório policial citado pelo TMZ, as crianças encontravam-se com a mãe no momento da detenção. Os agentes referem que ouviram os menores a chorar no interior da casa enquanto batiam à porta para cumprir o mandado, um detalhe que acrescenta uma dimensão emocionalmente delicada a todo o caso.

Até ao momento, não houve reacções públicas por parte de Riza Simpson nem de representantes de Djimon Hounsou. A publicação norte-americana refere que tentou obter comentários de ambas as partes, sem sucesso até agora.

Uma situação sensível fora do circuito mediático habitual

Conhecido por manter uma postura discreta no que diz respeito à sua vida pessoal, Djimon Hounsou raramente vê o seu nome associado a polémicas fora do grande ecrã. Este episódio surge, por isso, como um momento particularmente sensível, que deverá agora seguir os seus trâmites legais.

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Enquanto isso, o actor continua ligado a vários projectos cinematográficos e televisivos, mantendo uma carreira sólida em Hollywood. Resta aguardar por desenvolvimentos oficiais que possam esclarecer melhor os contornos deste caso, sublinhando sempre a importância da presunção de inocência de todas as partes envolvidas.

O Regresso Sombrio a Sleepy Hollow: Clássico de Tim Burton ganha prequela inesperada… em banda desenhada

27 anos depois, o universo gótico de Sleepy Hollow expande-se com uma história mais negra, violenta e centrada na vilã do filme

Vinte e sete anos depois da estreia de Sleepy Hollow, um dos filmes mais marcantes da colaboração entre Tim Burton e Johnny Depp, o universo do Cavaleiro Sem Cabeça prepara-se para regressar — mas de uma forma que poucos fãs esperavam. Não se trata de um novo filme nem de uma série televisiva, mas sim de uma prequela em banda desenhada que promete mergulhar o terror gótico em águas ainda mais sombrias.

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A editora IDW Publishing anunciou o lançamento de Sleepy Hollow: The Witches of the Western Wood, uma minissérie de cinco números que chega às lojas a 6 de Maio, através do selo IDW Dark. A nova história irá explorar as origens de Lady Mary Van Tassel, a enigmática antagonista do filme, interpretada por Miranda Richardson na versão cinematográfica de 1999.

A origem de uma bruxa — e da sua ligação ao Cavaleiro Sem Cabeça

No filme original, Lady Van Tassel surge como a mente por detrás dos assassinatos que aterrorizam Sleepy Hollow, acabando tragicamente arrastada para o Inferno pelo próprio Hessian depois de o seu plano ser desmascarado por Ichabod Crane. A nova banda desenhada recua no tempo e revela quem ela era antes de adoptar essa identidade.

Segundo a sinopse oficial, a personagem chamava-se originalmente Sarah Archer e cresceu num ambiente marcado por abuso e negligência, aprendendo os caminhos da bruxaria ao lado da sua irmã gémea. O momento decisivo surge quando presencia a decapitação do temível Hessian, dando início a uma ligação sobrenatural que a transformará numa figura temida e poderosa.

Uma visão ainda mais negra do que o filme

A série é escrita por Delilah S. Dawson e ilustrada por Jose Jaro, dupla que promete levar o terror a um novo patamar. Dawson descreveu o projecto como um “sonho tornado realidade”, assumindo-se fã de Sleepy Hollow desde a sua estreia nos cinemas e de Tim Burton desde Pee-Wee’s Big Adventure.

De acordo com Riley Farmer, editora da IDW, a série foi desenvolvida com aprovação da Paramount Pictures, detentora dos direitos do filme, que deu liberdade criativa para explorar uma abordagem “mais negra e mais horrífica do que tudo o que Sleepy Hollow mostrou até hoje”. Uma promessa que deverá entusiasmar os fãs mais devotos do lado macabro do universo burtoniano.

Um universo que continua a crescer

Esta prequela surge depois de Return to Sleepy Hollow, uma sequela em banda desenhada lançada no ano passado, situada 15 anos após os acontecimentos do filme. Juntas, estas histórias estão a transformar Sleepy Hollow numa mitologia expandida, capaz de sobreviver — e prosperar — fora do cinema.

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Para quem cresceu com o filme de 1999 e mantém um carinho especial pela sua atmosfera gótica, The Witches of the Western Wood surge como uma oportunidade rara de revisitar esse mundo sob uma nova luz… ou melhor, numa escuridão ainda mais profunda.

Uma Nova Lenda Nasce no Dojo: Karate Kid: Os Campeões Chega ao TVCine TopUma Nova Lenda Nasce no Dojo: Karate Kid: Os Campeões

O legado continua… agora com novos golpes e um novo herói

O universo Karate Kid prepara-se para escrever mais um capítulo da sua longa história, desta vez com Karate Kid: Os Campeões, o sexto filme da saga que marcou várias gerações de espectadores. A estreia acontece já sexta-feira, 23 de Janeiro, às 21h30, no TVCine Top e também disponível no TVCine+, prometendo juntar nostalgia, emoção e uma nova abordagem ao eterno conflito entre disciplina, superação e identidade  .

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Depois de décadas a ensinar-nos que “cera, encera” pode ser uma filosofia de vida, a saga regressa com uma história que cruza passado e futuro, tradição e reinvenção, mantendo intactos os valores que sempre definiram Karate Kid.

Li Fong: do trauma à superação

No centro da narrativa está Li Fong, interpretado por Ben Wang, um jovem prodígio do kung fu que, após uma tragédia pessoal, deixa Pequim e muda-se para Nova Iorque. A mudança não é apenas geográfica: é emocional, cultural e profundamente transformadora. Entre a dificuldade de integração numa nova realidade e o peso do passado, Li encontra no treino e na disciplina um caminho para reconstruir a sua identidade.

É aqui que entram duas figuras absolutamente icónicas do universo Karate Kid.

Dois mestres, um caminho

Li Fong passa a ser orientado por Mr. Han, novamente interpretado por Jackie Chan, que regressa como mentor sereno e paciente, trazendo consigo a filosofia do kung fu. Em paralelo, surge Daniel LaRusso, vivido outra vez por Ralph Macchio, agora como símbolo da herança do karaté e da experiência adquirida ao longo dos anos.

Sob a orientação destes dois mestres, Li aprende a unir estilos, técnicas e formas de estar na vida. O kung fu e o karaté deixam de ser opostos e passam a complementar-se, criando uma abordagem única que será posta à prova num torneio decisivo — um momento onde cada combate vale tanto pelo resultado como pelo crescimento pessoal.

Um novo filme, o mesmo espírito

Com realização de Jonathan EntwistleKarate Kid: Os Campeões aposta em coreografias de luta impressionantes, personagens carismáticas e uma narrativa pensada tanto para os fãs de longa data como para uma nova geração. O filme honra o legado da saga, mas não vive apenas do passado: introduz novos conflitos, novos heróis e uma sensibilidade contemporânea que reforça temas como amizade, resiliência e coragem.

Mais do que um simples filme de artes marciais, esta é uma história sobre crescer, falhar, aprender e voltar a levantar-se — exactamente aquilo que sempre fez de Karate Kid uma referência no cinema popular.

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Uma estreia a não perder

Karate Kid: Os Campeões promete ser um reencontro emocionante com um universo que nunca saiu verdadeiramente do coração dos espectadores. Sexta-feira, 23 de Janeiro, às 21h30, o dojo abre portas no TVCine Top.