28 Years Later: The Bone Temple Promete Ser o Capítulo Mais Perturbador da Saga

Nia DaCosta assume a realização e descreve o filme como “estranho, demente e chocante”

Quando 28 Years Later chegou às salas de cinema no início do ano, ficou claro que Danny Boyle e Alex Garland não estavam interessados em repetir fórmulas. O regresso ao universo iniciado com 28 Days Later trouxe infectados ainda mais violentos, uma Grã-Bretanha em ruínas passadas quase três décadas sobre o surto e novas mutações do vírus da raiva. Mas trouxe também algo inesperado: um tom surpreendentemente contemplativo, quase espiritual, atravessado por uma energia indomável e, para muitos espectadores, profundamente desconcertante.

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E depois houve o final. Um desfecho que deixou o público dividido entre o choque e o espanto, com a entrada em cena dos Jimmies, um culto juvenil acrobático, violento e grotesco, cuja estética evocava — de forma deliberadamente inquietante — referências como Jimmy Savile. Um momento que confirmou que esta saga já não tem medo de ir a territórios desconfortáveis.

Ao que tudo indica, isso foi apenas o início.

Um “primo estranho e demente” no universo de 28

Filmado consecutivamente com 28 Years Later, o novo capítulo intitulado The Bone Temple foi novamente escrito por Alex Garland e produzido por Danny Boyle, mas passa o testemunho da realização para Nia DaCosta, cineasta responsável por Candyman. E, segundo quem já leu o guião, o tom será ainda mais sombrio, estranho e radical.

Em declarações à Empire, DaCosta não deixou margem para dúvidas:

“O meu filme é bastante… estranho. É surpreendente. Houve vários momentos em que, ao ler o guião, fiquei literalmente de boca aberta.”

Uma reacção partilhada por Jack O’Connell, que interpreta Sir Lord Jimmy Crystal, líder dos Jimmies. O actor descreve The Bone Temple como “o primo estranho e demente” do que vimos até agora — um filme de que se diz “orgulhoso”, precisamente por estar enraizado em questões de alma e em enormes “e se?”. “É mesmo chocante”, garante.

Cultos, crenças distorcidas e novos horrores

Em The Bone Temple, o perigo representado pelos Jimmies aumenta significativamente. O jovem protagonista Spike(Alfie Williams) acaba por ser integrado no culto, enquanto o aparentemente benevolente Dr. Kelson (Ralph Fiennes) desenvolve uma relação improvável com Samson, um Alpha infectado particularmente violento.

O filme irá aprofundar o sistema de crenças bizarro criado por Sir Lord Jimmy, uma ideologia moldada por memórias da cultura popular da sua infância — TeletubbiesPower Rangers, cricket e até Jimmy Savile, numa referência contextualizada pelo facto de, em 2002, a verdadeira natureza do apresentador ainda não ser publicamente conhecida.

Jack O’Connell sublinha que o objectivo não é provocar gratuitamente, mas confrontar o espectador com o choque entre a nossa percepção actual e a realidade distorcida das personagens: “Espero que convide as pessoas a pensar naquele tempo, naquele zeitgeist, naquele momento em que o mundo simplesmente colapsou.”

Horror que corrompe o que era inocente

Nia DaCosta faz questão de clarificar que o filme não pretende explorar Jimmy Savile enquanto figura histórica. O foco está na perversão simbólica: “Jimmy Crystal corrompe coisas que eram inocentes e boas e transforma-as em algo horrível.” Uma abordagem que reforça o desconforto e a violência psicológica que parecem estar no centro deste novo capítulo.

Tudo indica que 28 Years Later: The Bone Temple será mais do que uma simples sequela. Será uma descida ainda mais profunda num mundo devastado — não apenas pelo vírus, mas pela forma como a humanidade reconstrói sentido no caos.

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Preparem-se: o apocalipse da raiva ainda tem muito para mostrar.

Trump Avança com Processo de 10 Mil Milhões contra a BBC por Edição de Discurso de 6 de Janeiro

Presidente dos EUA acusa estação britânica de difamação e tentativa de influenciar eleições

Donald Trump apresentou esta semana um processo judicial contra a BBC, exigindo 10 mil milhões de dólares em indemnizações, acusando o serviço público britânico de difamação, práticas comerciais enganosas e manipulação política. Em causa está a edição de um discurso proferido pelo então presidente norte-americano a 6 de Janeiro de 2021, horas antes da invasão do Capitólio por apoiantes seus.

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O processo, com 33 páginas, foi entregue num tribunal da Florida e acusa a BBC de ter difundido uma “representação falsa, difamatória, enganadora, inflamatória e maliciosa” de Trump. Segundo a queixa, o documentário Trump: A Second Chance?, exibido dias antes das eleições presidenciais de 2024, terá fundido excertos de diferentes momentos do discurso, separados por quase uma hora, criando a ideia de que Trump incitou directamente à violência.

“Puseram palavras na minha boca”

De acordo com o processo, a BBC terá editado selectivamente três excertos de duas partes distintas do discurso, apresentando-os como uma única declaração contínua. Entre os trechos omitidos encontrava-se uma passagem em que Trump apelava explicitamente a uma manifestação “pacífica” — um detalhe que, segundo os seus advogados, altera substancialmente o sentido do discurso.

O próprio Trump comentou o caso numa intervenção espontânea na Sala Oval:

Puseram palavras terríveis na minha boca sobre o 6 de Janeiro que eu nunca disse. As palavras bonitas, sobre patriotismo e coisas boas, essas não passaram.”

Pedido de desculpas, mas sem admissão de difamação

A BBC já tinha pedido desculpa publicamente no mês passado, classificando a edição como um “erro de julgamento”. Essa admissão levou à demissão do director-geral da BBC e do responsável pela área de informação, um abalo raro numa instituição conhecida pela sua rigidez editorial.

Ainda assim, o grupo rejeitou formalmente qualquer acusação de difamação. Até ao momento, a BBC não respondeu oficialmente ao pedido de comentário da Associated Press sobre o processo agora apresentado.

Um caso juridicamente complexo

Especialistas em direito levantam várias dúvidas quanto à viabilidade do processo em tribunais norte-americanos. O documentário não foi transmitido na televisão dos EUA, e os prazos para intentar uma acção judicial no Reino Unido já expiraram há mais de um ano.

A defesa de Trump argumenta, no entanto, que o conteúdo está acessível nos Estados Unidos através da plataforma BritBox, que disponibiliza produções originais da BBC, incluindo a série Panorama, onde o documentário foi exibido.

A BBC sob escrutínio máximo

Com 103 anos de existência, a BBC é financiada por uma taxa anual obrigatória paga pelos agregados familiares britânicos e está legalmente vinculada a princípios de imparcialidade editorial. Ainda assim, tem sido alvo recorrente de críticas tanto da direita como da esquerda, precisamente pelo seu papel central no debate público.

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Este processo coloca novamente a estação no centro de uma polémica internacional — e reabre o debate sobre edição jornalística, contexto político e responsabilidade editorial numa era de polarização extrema.

Point Break Vai Regressar — AMC Desenvolve Série de Continuação do Clássico de 1991

Trinta e cinco anos depois, Johnny Utah e Bodhi voltam a fazer ondas… pelo menos em espírito

Hollywood tem uma relação curiosa com o passado: quando parece que já não há mais nada para reciclar, alguém decide voltar a pegar numa prancha antiga e tentar outra vez. É exactamente isso que está a acontecer com Point Break, o icónico filme de Kathryn Bigelow de 1991, que está agora a caminho de uma série de continuação em desenvolvimento na AMC.

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Segundo avança a Deadline, o canal está a trabalhar numa série que decorre em 2026, ou seja, 35 anos após os acontecimentos do filme original. O projecto ainda não recebeu luz verde oficial, mas já está em fase activa de desenvolvimento, com Dave Kalstein como produtor principal — um nome bem conhecido da televisão norte-americana, sobretudo pelo seu trabalho no universo NCIS e, mais recentemente, na série Butterfly.

Um clássico improvável que se tornou culto

Realizado por Kathryn Bigelow, Point Break acompanha Johnny Utah, um jovem agente do FBI interpretado por Keanu Reeves, que se infiltra num grupo de surfistas suspeitos de uma série de assaltos a bancos. O líder do grupo é Bodhi, vivido por Patrick Swayze, um carismático filósofo do risco que vê o surf, o crime e a liberdade como partes do mesmo impulso vital.

O filme tornou-se um clássico improvável, misturando cinema de acção, espiritualidade new age, adrenalina e uma relação de camaradagem masculina que rapidamente entrou para o imaginário popular. A química entre Reeves e Swayze foi decisiva para o estatuto de culto que o filme viria a alcançar.

Uma continuação cheia de incógnitas

A grande questão em torno desta série prende-se, inevitavelmente, com o elenco. Patrick Swayze morreu em 2009, o que torna improvável — para não dizer impossível — um regresso de Bodhi. Também não há qualquer indicação de que Keanu Reeves esteja envolvido no projecto, sendo pouco provável que a AMC conte com a sua participação.

Outros nomes do elenco original permanecem, no entanto, no radar. Lori Petty, que interpretou Tyler, teve recentemente uma presença regular em NCIS: Origins, enquanto John C. McGinley — o agente Ben Harp — está confirmado no revival de Scrubs. Já Gary Busey, figura incontornável do filme original, representa um território mais delicado, estando actualmente em liberdade condicional após acusações de assédio em 2022.

Tudo indica que a série apostará mais no legado temático e estético de Point Break do que numa continuação directa das personagens centrais, explorando uma nova geração de surfistas, agentes da lei e criminosos atraídos pelo mesmo “rush” que definia o original.

O peso de um reboot falhado

Esta não é a primeira tentativa de ressuscitar Point Break. Em 2015, Hollywood lançou um reboot em imagem real que tentou modernizar o conceito, substituindo o surf por desportos radicais globais. O resultado foi amplamente rejeitado por público e crítica, reforçando a ideia de que Point Break é um daqueles filmes cuja magia reside num equilíbrio muito específico de tempo, lugar e pessoas.

A aposta numa série — e não num novo filme — pode ser a forma encontrada para contornar esse problema, permitindo desenvolver personagens e mitologia com mais espaço e menos pressão de bilheteira.

Nostalgia, risco e o apelo do perigo

Ainda sem guião fechado, realizador anunciado ou data de estreia, esta série de Point Break vive, para já, no território da intenção. Mas a própria existência do projecto revela algo claro: a nostalgia continua a ser uma força motriz na televisão contemporânea, sobretudo quando associada a marcas com identidade forte.

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Resta saber se a AMC conseguirá captar o espírito rebelde, livre e perigosamente sedutor do original — ou se esta será apenas mais uma onda que se desfaz antes de chegar à praia

Disney Avança com Filme em Imagem Real Centrado em Gaston, o Vilão de A Bela e o Monstro

Argumento ficará a cargo de Dave Callaham e o projecto promete uma abordagem “swashbuckling” e original

A Disney continua determinada a explorar o seu catálogo de personagens clássicas em imagem real — e desta vez o foco recai sobre um dos vilões mais carismáticos (e detestáveis) do seu panteão. Gaston, antagonista de A Bela e o Monstro, vai ser o protagonista de um novo filme autónomo em imagem real, actualmente em desenvolvimento nos estúdios da Casa do Rato.

De acordo com informações avançadas pela Deadline, o argumento está a ser desenvolvido por Dave Callaham, conhecido pelo seu trabalho em Spider-Man: Across the Spider-Verse, enquanto a produção ficará a cargo de Michelle Rejwan, que já colaborou com a Disney em projectos como Star Wars: O Despertar da Força e a série Andor. Trata-se, desde já, de um sinal claro de que o estúdio quer dar ao projecto uma dimensão cinematográfica ambiciosa e não apenas um exercício derivativo.

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Um novo Gaston, uma nova abordagem

Importa esclarecer desde já um ponto essencial: este filme não tem qualquer ligação directa à série prequela de A Bela e o Monstro anunciada para o Disney+, protagonizada por Josh Gad e Luke Evans, que acabou por ser cancelada antes de entrar em produção. O novo projecto será totalmente independente, com um novo actor a interpretar Gaston e uma abordagem que se afasta deliberadamente do filme em imagem real de 2017.

Segundo a Deadline, o argumento — que teve versões anteriores assinadas por Kate Herron e Briony Redman(conhecidas pelo trabalho em Doctor Who) — está agora a ser reformulado como uma história “nova e original”, com um tom assumidamente aventureiro e espadachim, algo que terá agradado bastante aos executivos da Disney nesta fase inicial de desenvolvimento.

Não se espera, para já, que o filme seja um musical, nem que inclua personagens como LeFou. A ideia parece ser reinventar Gaston fora do contexto imediato de Belle e da aldeia que conhecemos, apostando numa narrativa mais expansiva e cinematográfica.


Vilões Disney: entre sucessos e tropeções

A aposta da Disney em filmes centrados nos seus vilões tem tido resultados irregulares. Maleficent e a sua sequela Mistress of Evil dividiram opiniões e nunca alcançaram o estatuto de clássico moderno, enquanto Cruella, realizado por Craig Gillespie, acabou por surpreender pela energia visual e pela reinvenção estilística da personagem.

É precisamente nesse equilíbrio delicado que o filme de Gaston se posiciona. O personagem é, desde há décadas, um dos vilões mais icónicos da Disney: narcisista, fisicamente imponente, convencido da sua superioridade e profundamente tóxico. Transformá-lo num protagonista exige cuidado — e uma clara consciência do que o torna fascinante sem o tornar simpático à força.

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Curiosidade em alta, cautela mantida

Com um argumentista sólido, uma produtora experiente e uma personagem que o público adora odiar, o projecto desperta curiosidade. Resta saber se a Disney conseguirá evitar os lugares-comuns e justificar verdadeiramente a existência deste spin-off.

Por agora, o filme de Gaston está ainda numa fase embrionária, sem realizador ou data de estreia anunciados. Mas, conhecendo a estratégia recente do estúdio, dificilmente ficará esquecido na gaveta.

Voando Sobre um Ninho de Cucos  Faz 50 Anos — e Michael Douglas Recorda o Filme Que Mudou Tudo


“A minha parte do cachet de produtor dei-a ao meu pai”: meio século depois, o espírito de rebeldia continua intacto

Há filmes que envelhecem. Outros transformam-se em documentos do seu tempo. E depois há casos raros como Voando Sobre um Ninho de Cucos (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), que não pertencem a época nenhuma — pertencem a todas. Cinquenta anos depois da estreia, o clássico realizado por Miloš Forman continua a ecoar com uma força quase desconfortável, num mundo cada vez mais marcado por autoritarismos, instituições opressivas e a eterna luta entre o indivíduo e o sistema.

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Para Michael Douglas, hoje com 81 anos, o filme não é apenas um marco da história do cinema. É também o momento em que deixou de ser “o filho de Kirk Douglas” para se afirmar como produtor — numa estreia que poucos ousariam repetir com tamanha ambição… e risco.

Um filme nascido da rebeldia (e da persistência)

Quando Michael Douglas decidiu avançar com Voando Sobre um Ninho de Cucos, tinha apenas 31 anos e uma carreira ainda fortemente moldada pelo clima político da Guerra do Vietname. O projecto parecia-lhe natural: uma história de resistência, de confronto com o poder instituído, de liberdade individual esmagada por mecanismos burocráticos.

Os direitos do romance de Ken Kesey, publicado em 1962, tinham sido adquiridos anos antes por Kirk Douglas, que chegou a interpretar Randle McMurphy numa adaptação teatral em 1963. Durante muito tempo, Kirk tentou levar a história ao cinema — sem sucesso. Cansado, decidiu vender os direitos. Foi aí que Michael pediu para assumir o projecto.

“Eu nunca tinha pensado em ser produtor”, recorda. “Mas pedi para tentar. E o meu pai foi generoso o suficiente para deixar.” O gesto teve consequências inesperadas: Michael entregou a sua parte do cachet de produtor ao pai, que acabou por ganhar mais dinheiro com o filme do que com qualquer outro da sua carreira. Ainda assim, Kirk Douglas nunca escondeu a desilusão por não ter interpretado McMurphy no cinema — um papel que acabaria por se tornar indissociável de Jack Nicholson.

Miloš Forman, Jack Nicholson e um casting irrepetível

Depois de um primeiro guião falhado escrito pelo próprio Kesey, o projecto começou finalmente a ganhar forma com o argumentista Lawrence Hauben e, sobretudo, com a escolha de Miloš Forman, cineasta checo então exilado nos Estados Unidos. Ao contrário de outros realizadores, Forman discutiu o guião página a página com Douglas — uma franqueza que o convenceu de imediato.

A espera de seis meses por Jack Nicholson revelou-se providencial, permitindo um casting mais alargado e certeiro. Danny DeVito foi o primeiro a entrar, mas a escolha de Will Sampson como o Chefe Bromden tornou-se lendária: um encontro quase acidental que parecia saído de um mito de Hollywood. Quando Nicholson o viu pela primeira vez, percebeu-se que tinham encontrado algo irrepetível.

O mesmo aconteceu com Louise Fletcher no papel da enfermeira Ratched. Numa época em que vilãs femininas eram mal vistas em Hollywood, várias actrizes recusaram o papel. Fletcher aceitou — e criou uma das personagens mais perturbadoras da história do cinema.

Um hospital real, pacientes reais, verdade real

O filme foi rodado num hospital psiquiátrico em funcionamento, no Oregon, durante o Inverno. Muitos pacientes foram integrados na produção, incluindo membros da equipa técnica. Os actores participaram em sessões reais de terapia de grupo, assistiram a tratamentos de electrochoque e viveram durante semanas naquele ambiente.

O objectivo de Forman era claro: naturalismo absoluto. Nada de exageros, nada de “loucos caricaturais”. Brad Dourif, que interpretou Billy Bibbit, recorda a insistência do realizador: “Natural, natural”. Para Forman, o verdadeiro terror estava na normalidade — na ideia de que aquelas pessoas não estavam assim tão longe do mundo exterior.

Um triunfo improvável que fez história

Recusado por todos os grandes estúdios, Voando Sobre um Ninho de Cucos tornou-se um fenómeno. Em 1976, venceu os chamados “Big Five” dos Óscares: Melhor Filme, Realização, Actor, Actriz e Argumento — um feito raríssimo. Até Steven Spielberg, cujo Tubarão concorria no mesmo ano, admitiu que teria votado em Cuckoo’s Nest para Melhor Filme.

Mais do que prémios, o filme deixou um legado: um final inesquecível, uma metáfora poderosa sobre liberdade e um grito contra o esmagamento da individualidade pelas instituições.

Cinco décadas depois, Michael Douglas resume melhor do que ninguém:

“Foi um daqueles filmes em que tudo funcionou. Aprendi mais com este projecto do que com qualquer outro. E continuo orgulhoso por falar dele 50 anos depois.”

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Poucos filmes podem dizer o mesmo.

Hokum: Adam Scott Mergulha no Terror Sobrenatural no Teaser Mais Perturbador do Dia

O realizador de Oddity e Caveat regressa com o seu filme mais ambicioso — e promete arrepiar até os mais resistentes

Há teasers que informam. Outros que despertam curiosidade. E depois há aqueles que, em escassos segundos, instalam desconforto, inquietação e uma sensação de ameaça difícil de explicar. O primeiro teaser de Hokum, novo filme de terror protagonizado por Adam Scott, pertence claramente a este último grupo. São apenas 40 segundos — mas chegam perfeitamente para deixar marca.

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Conhecido do grande público sobretudo por Severance, Adam Scott aventura-se agora num território bem mais sombrio, ao protagonizar o novo filme do realizador irlandês Damien McCarthy, autor de Caveat (2020) e do perturbador Oddity(2024). Para quem acompanha o terror contemporâneo com atenção, o nome de McCarthy já é sinónimo de atmosfera sufocante, tensão psicológica e sustos que não dependem de artifícios fáceis.

Um salto de escala… sem perder a identidade

Hokum é, até agora, o projecto mais visível de Damien McCarthy, muito graças ao envolvimento de Adam Scott, mas também à equipa que o rodeia. O filme é produzido pelos mesmos responsáveis por Late Night With the Devil, um dos títulos de terror mais falados de 2024, e conta com distribuição da Neon, estúdio que tem vindo a afirmar-se como uma das casas mais consistentes do género, com filmes como Longlegs e Presence.

O teaser faz questão de sublinhar essas ligações — não como mero marketing, mas como uma espécie de aviso ao espectador: este não será um terror convencional.

Uma história de luto, isolamento… e uma bruxa

Os detalhes narrativos continuam envoltos em mistério, mas a sinopse oficial ajuda a compor o cenário. Adam Scott interpreta Ohm Bauman, um romancista recluso que se refugia numa estalagem remota na Irlanda para espalhar as cinzas dos pais. É nesse local que começa a ouvir histórias sobre uma antiga bruxa que assombra a suite de lua-de-mel do edifício.

A partir daí, o filme mergulha num território familiar para McCarthy: visões perturbadoras, um desaparecimento inexplicável e um confronto progressivo com traumas do passado. Tudo indica que Hokum irá explorar o terror não apenas como ameaça externa, mas como reflexo de culpas, memórias reprimidas e luto mal resolvido.

Irlanda, folk horror e desconforto prolongado

Tal como Caveat e OddityHokum decorre na Irlanda, um cenário que McCarthy utiliza de forma exemplar, transformando paisagens rurais e interiores aparentemente banais em espaços de inquietação permanente. O teaser sugere uma forte presença de folk horror, aliada a elementos sobrenaturais e a uma atmosfera opressiva que se constrói lentamente — antes de explodir quando menos se espera.

Não se trata de terror ruidoso ou excessivamente gráfico, mas daquele que se infiltra, permanece e cresce.

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Estreia marcada — e expectativas em alta

Hokum chega às salas de cinema a 1 de Maio, e tudo indica que será um dos títulos de terror mais comentados do ano, especialmente entre os fãs de cinema de género mais autoral. Para Adam Scott, representa também uma viragem interessante na carreira, afastando-se do registo dramático e irónico para algo muito mais sombrio.

Se o teaser é indicativo do que aí vem, convém preparar os nervos.

A Febre de Zootopia 2 na China Está a Levar Jovens a Comprar Cobras Venenosas 🐍🎬

O carismático Gary De’Snake conquistou o público — e está a ter consequências bem reais

Quando a Disney lançou Zootopia 2, dificilmente alguém imaginaria que um dos seus efeitos colaterais mais comentados surgiria fora das salas de cinema… e dentro de terrários. Na China, o novo personagem Gary De’Snake — uma cobra azul simpática, entusiasta e com voz de Ke Huy Quan — tornou-se um fenómeno cultural tão forte que está a inspirar jovens a comprar víboras altamente venenosas como animais de estimação.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Qi Weihao, um estudante de 21 anos da província de Jiangxi, que decidiu adquirir uma víbora-de-bambu indonésia, conhecida localmente como island bamboo pit viper, apenas dois dias depois da estreia do filme. O preço? Cerca de 1.850 yuan (aproximadamente 260 dólares). O motivo? Gary.

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Qi, apaixonado por répteis, confessou à CNN que sempre quis ter uma cobra azul, mas foi a representação positiva da personagem em Zootopia 2 que o fez avançar. Para ele, Gary ajudou a combater o preconceito associado a quem gosta de répteis, muitas vezes vistos na China como pessoas com “gostos estranhos por criaturas assustadoras”.

Um sucesso de bilheteira… e um efeito inesperado

O fenómeno não surgiu do nada. Zootopia 2 tornou-se rapidamente a animação estrangeira mais lucrativa de sempre na China, ultrapassando os 3,55 mil milhões de yuan em receitas, destronando o primeiro filme da saga, lançado em 2016. A nível global, o filme já ultrapassou mil milhões de dólares, consolidando-se como um dos maiores sucessos recentes da Disney.

No enredo, Gary De’Snake luta para limpar a reputação da sua família — e dos répteis em geral — com a ajuda de Judy Hopps e Nick Wilde. Uma mensagem nobre… mas que alguns espectadores parecem ter levado demasiado à letra.

Após a estreia do filme, plataformas chinesas de comércio electrónico registaram um aumento súbito nas pesquisas e nos preços da víbora-de-bambu indonésia, com valores a variar entre algumas centenas e vários milhares de yuan. Um entusiasmo que rapidamente começou a preocupar autoridades e especialistas.

Répteis exóticos: uma tendência em crescimento

A verdade é que a moda dos animais exóticos já vinha a crescer antes de Gary entrar em cena. Segundo dados citados pela agência estatal Xinhua, mais de 17 milhões de pessoas na China tinham animais exóticos no final de 2024, num mercado avaliado em cerca de 10 mil milhões de yuan. Mais de 60% dos donos pertencem à Geração Z.

Um relatório de 2025 indica ainda que as cobras representam mais de metade de todos os répteis mantidos como animais de estimação no país. Embora muitas sejam criadas em cativeiro e vendidas legalmente, a compra de espécies venenosas levanta sérias questões de segurança.

Qi, apesar de entusiasta, deixa um aviso claro:

“Se não têm experiência e equipamento adequado, não comprem cobras venenosas por impulso.”

Quando a ficção morde a realidade

A imprensa estatal chinesa não tardou a reagir. O Beijing News alertou que, apesar de Gary ser retratado como corajoso e adorável no filme, a versão real da víbora azul está longe de ser um brinquedo da moda. Uma fuga ou uma mordida podem transformar-se rapidamente num problema de segurança pública.

Entretanto, várias plataformas removeram anúncios de venda da cobra após alertas da CNN, incluindo a JD, que afirmou proibir estritamente a comercialização de animais venenosos. Ainda assim, o episódio deixou claro como a cultura pop pode ter impactos muito concretos — e perigosos.

Gary continua a vender… mas em versão segura 🧸

Felizmente, muitos fãs estão a optar por alternativas menos mortíferas. Bonecos de peluche, blind boxes e merchandising de Gary estão a voar das prateleiras. Em algumas lojas da Disneyland de Xangai, o peluche do personagem já está esgotado, sem previsão de reposição.

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Com mais de 70 parcerias comerciais na China, Zootopia voltou a provar que a Disney sabe criar personagens irresistíveis. Talvez só não contasse que alguns fãs quisessem levar a experiência tão longe.

Fallout Regressa Mais Cedo do que o Previsto: Temporada 2 Estreia Antecipadamente no Prime Video

A série baseada no icónico videojogo da Bethesda volta ao Wasteland ainda em Dezembro

Os fãs de Fallout podem começar a contar os dias — e são agora menos do que o esperado. A Amazon confirmou que a segunda temporada de Fallout vai estrear mais cedo do que o inicialmente anunciado, chegando ao Prime Video na terça-feira, 16 de Dezembro, às 18h00 (hora do Pacífico), antecipando em 24 horas a data anteriormente divulgada, que apontava para 17 de Dezembro.

A revelação não foi discreta. Pelo contrário: a Amazon decidiu transformar o anúncio num verdadeiro evento promocional, em parceria com a Exosphere do Sphere, em Las Vegas, um dos espaços mais impressionantes do mundo no que toca a projecções imersivas. O local foi convertido num gigantesco “globo de neve pós-apocalíptico”, evocando o universo da série e transportando simbolicamente o público para New Vegas, um dos cenários mais emblemáticos da saga Fallout.

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De Vaults de luxo a New Vegas: o caminho da segunda temporada

De acordo com a descrição oficial da Amazon, a Temporada 2 de Fallout retoma a narrativa logo após o final explosivo da primeira temporada, levando os espectadores numa nova viagem pelo Wasteland do Mojave, com destino à lendária cidade pós-apocalíptica de New Vegas. Para os fãs do videojogo Fallout: New Vegas, esta escolha de cenário não é apenas simbólica — é quase uma declaração de intenções.

A série continua a explorar o contraste central do universo Fallout: um mundo dividido entre os que tudo tinham e os que nunca tiveram nada. Duzentos anos após o apocalipse nuclear, os habitantes dos luxuosos abrigos subterrâneos são forçados a regressar à superfície, confrontando-se com uma realidade brutal, violenta, estranhamente absurda e surpreendentemente complexa.

O regresso do elenco e da equipa criativa

A nova temporada volta a contar com Ella PurnellAaron MotenWalton GogginsKyle MacLachlanMoisés Arias e Frances Turner, retomando personagens que rapidamente se tornaram favoritas do público na primeira temporada.

Nos bastidores, mantém-se a mesma equipa criativa que ajudou a transformar Fallout num dos maiores sucessos televisivos recentes da Amazon. A série é criada e supervisionada por Geneva Robertson-Dworet e Graham Wagner, com produção executiva de Jonathan NolanLisa Joy e Athena Wickham (Kilter Films), bem como Todd Howard, figura central da Bethesda Game Studios, e James Altman, da Bethesda Softworks. A produção está a cargo da Amazon MGM Studios e da Kilter Films, em associação com a Bethesda.

Um fenómeno que vai além dos fãs de videojogos

A primeira temporada de Fallout conseguiu algo raro: agradar simultaneamente aos fãs de longa data da franquia e a um público que nunca tinha tocado num dos jogos. O tom violento mas irónico, a construção de mundo detalhada e a fidelidade estética ao material original transformaram a série num fenómeno cultural e num dos títulos mais comentados do streaming em 2024.

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A antecipação da estreia da segunda temporada surge, assim, como um sinal claro da confiança da Amazon no projecto — e da expectativa elevada em torno do regresso a este universo radioactivo, imprevisível e irresistivelmente estranho.

Trump goza com a morte de Rob Reiner e provoca indignação nos EUA

Presidente norte-americano reage ao assassinato do realizador com ataque político nas redes sociais

A morte violenta de Rob Reiner, um dos realizadores mais respeitados do cinema norte-americano das últimas décadas, ganhou uma inesperada e polémica dimensão política após Donald Trump ter reagido publicamente ao caso com comentários de escárnio. Segundo a Reuters, o Presidente dos Estados Unidos sugeriu, sem qualquer prova, que o cineasta teria sido vítima daquilo a que chamou uma “doença mental incapacitante” relacionada com a sua oposição política à actual administração.

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Rob Reiner, de 78 anos, e a sua esposa, Michele Singer Reiner, foram encontrados mortos no domingo na sua residência em Los Angeles. As autoridades classificaram o caso como homicídio, estando a investigação a cargo do Departamento de Polícia de Los Angeles. Ainda de acordo com a Reuters, o filho do casal, Nick Reiner, de 32 anos, foi detido e acusado em ligação com as mortes, tendo a fiança sido fixada em cerca de quatro milhões de dólares.

A publicação que incendiou as redes sociais

Horas após a confirmação das mortes, Donald Trump recorreu à sua rede social para comentar o caso, descrevendo Reiner como um antigo “talento” que teria enlouquecido devido à sua obsessão com o Presidente. Trump afirmou que o realizador sofria de algo a que chamou “Trump Derangement Syndrome”, insinuando que essa alegada condição teria contribuído para o desfecho trágico.

A publicação foi amplamente criticada nos Estados Unidos, tanto por figuras políticas como por representantes da indústria do entretenimento, sendo vista como um exemplo extremo da degradação do discurso público em torno de uma tragédia pessoal. A Reuters sublinha que Trump não apresentou qualquer evidência para as suas afirmações, limitando-se a atacar um opositor político já falecido.

Um cineasta central da história de Hollywood

Rob Reiner começou a sua carreira como actor, tornando-se conhecido como “Meathead” na série Uma Família às Direitas, antes de se afirmar como realizador de alguns dos filmes mais emblemáticos dos anos 80 e 90. Entre os seus trabalhos contam-se This Is Spinal TapConta ComigoA Princesa PrometidaQuando Harry Conheceu SallyMisery – O Capítulo Final e Uma Questão de Honra.

Para além do cinema, Reiner era também um activista político assumido, crítico feroz de Donald Trump e presença regular no debate público norte-americano. Essa postura tornou-o uma figura polarizadora, mas também uma voz influente dentro de Hollywood.

Investigação em curso

As autoridades continuam a investigar as circunstâncias exactas das mortes do casal, não tendo sido ainda divulgados detalhes sobre o motivo do crime. A autópsia e os resultados forenses deverão esclarecer os acontecimentos nos próximos dias.

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Enquanto isso, a reacção de Trump continua a dominar o debate mediático nos Estados Unidos, levantando questões sobre os limites do discurso político, mesmo perante uma tragédia que abalou profundamente o mundo do cinema.

Caso Rob Reiner: Filho Nick passa a principal suspeito e investigação ganha contornos mais claros


Novos dados reforçam cenário de crime familiar em Los Angeles

A investigação à morte do realizador e actor Rob Reiner e da sua mulher, a fotógrafa Michele Singer Reiner, conheceu novos desenvolvimentos nas últimas horas. Depois de uma primeira notícia marcada pela surpresa e pela escassez de informação oficial, surgem agora dados mais consistentes que apontam para um cenário de crime familiar, com o filho do casal, Nick Reiner, a ser tratado pelas autoridades como principal suspeito.

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Segundo avança a revista People, citando vários familiares próximos, Nick Reiner, de 32 anos, encontra-se a ser interrogado pela polícia de Los Angeles no âmbito do homicídio do casal. Embora as autoridades ainda não tenham confirmado formalmente a autoria do crime, fontes policiais citadas pelo The Washington Post indicam que Nick é, nesta fase, o principal suspeito, estando previstas diligências adicionais, incluindo a audição de outros membros da família.

Polícia confirma violência e mantém investigação em curso

Recorde-se que Rob Reiner, de 78 anos, e Michele Singer Reiner, de 68, foram encontrados mortos no domingo, na sua residência em Los Angeles. A polícia foi chamada ao local por volta das 15h30, hora local, encontrando ambos já sem vida. Desde o primeiro momento ficou claro que não se tratava de mortes naturais, tendo sido avançada a hipótese de um esfaqueamento, embora os detalhes concretos do método do crime continuem sob reserva.

As autoridades mantêm uma postura cautelosa, sublinhando que a investigação ainda decorre e que não foi formalizada qualquer acusação. Ainda assim, a evolução da informação nas últimas horas aponta claramente para um caso de violência doméstica extrema, afastando outras hipóteses inicialmente consideradas.

Um historial marcado pela toxicodependência

Um dos elementos agora trazidos a público diz respeito ao percurso pessoal de Nick Reiner. De acordo com familiares citados pela People, o filho do casal enfrentava problemas graves de toxicodependência desde a adolescência. Ao longo dos anos, terá passado por várias clínicas de reabilitação e vivido longos períodos em situação de sem-abrigo, num trajecto marcado por recaídas, instabilidade emocional e afastamento progressivo da família.

Este historial, embora não constitua prova de culpa, está a ser considerado no contexto da investigação, ajudando a compreender a complexidade de uma tragédia que ultrapassa largamente a esfera pública e mediática.

Uma família ligada ao cinema — dentro e fora do ecrã

Rob Reiner e Michele Singer conheceram-se durante a produção de Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro, um dos filmes mais emblemáticos da carreira do realizador. Casaram-se em 1989 e tiveram três filhos: Jake, Nick e Romy. Antes disso, Reiner tinha sido casado com Penny Marshall, actriz e realizadora, entre 1971 e 1981, numa das uniões mais conhecidas de Hollywood nos anos 70.

A dimensão pessoal desta tragédia contrasta de forma dolorosa com a imagem pública de Reiner, frequentemente associada a histórias sobre amor, amizade e empatia — temas centrais em muitos dos seus filmes mais célebres.

Um legado artístico agora sombreado pela tragédia

Filho de Carl Reiner, uma lenda da comédia americana, Rob Reiner foi um dos realizadores mais influentes e versáteis de Hollywood nas décadas de 1980 e 1990. Assinou obras incontornáveis como This Is Spinal TapThe Princess BrideWhen Harry Met Sally e A Few Good Men, deixando uma marca profunda tanto na comédia como no drama.

A notícia da sua morte já tinha causado consternação no meio cinematográfico, mas os novos contornos do caso acrescentam uma dimensão ainda mais perturbadora, levantando questões difíceis sobre saúde mental, dependência e fragilidade familiar — realidades que Hollywood raramente consegue esconder quando irrompem de forma tão violenta.

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A investigação prossegue, e novas informações deverão surgir nos próximos dias.

George Clooney fecha a porta ao romance no cinema: “Já não faz sentido competir com homens de 25 anos”

Uma decisão ponderada — e partilhada em casa

George Clooney, durante décadas um dos rostos mais associados ao romance hollywoodiano, decidiu virar a página no que diz respeito a beijos apaixonados no grande ecrã. Aos 63 anos, o actor revelou que já não tem interesse em protagonizar filmes românticos, uma escolha que nasceu de uma conversa franca com a mulher, Amal Clooney, quando celebrou os 60.

Numa entrevista recente ao Daily Mail, Clooney explicou que se inspirou numa decisão semelhante tomada por Paul Newman, outro ícone do cinema clássico. “Tenho tentado seguir o caminho que o Paul Newman fez. ‘Ok, já não vou beijar raparigas em filmes’”, afirmou o actor, com a habitual franqueza que o caracteriza.

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Segundo Clooney, a conversa com Amal foi marcada por realismo e sentido de perspectiva. Apesar de se sentir fisicamente bem — continua a jogar basquetebol com homens muito mais novos e mantém-se em forma — o actor reconhece que o tempo é um dado incontornável. “Em 25 anos tenho 85. Não interessa quantas barras de granola comes, esse número é real”, comentou, entre o humor e a lucidez.

O adeus a um género que marcou uma carreira

A decisão tem um peso simbólico considerável. George Clooney construiu grande parte do seu estatuto de estrela como protagonista romântico, com filmes que ajudaram a definir o género nas últimas décadas. One Fine Day, ao lado de Michelle Pfeiffer, Out of Sight com Jennifer Lopez, Up in the Air com Vera Farmiga ou, mais recentemente, Ticket to Paradise, reencontrando Julia Roberts, são apenas alguns exemplos de uma filmografia onde o charme e a química foram elementos centrais.

No entanto, o actor já vinha a preparar o terreno para este afastamento. Em Março, numa entrevista ao 60 Minutes, foi claro ao afirmar que estava a dar um passo atrás nos filmes românticos para abrir espaço a uma nova geração de protagonistas. “Tenho 63 anos. Não estou a tentar competir com actores de 25. Isso não é o meu trabalho”, afirmou então. “Não faço mais filmes românticos.”

Autoconsciência e honestidade em Hollywood

Esta postura contrasta com a insistência de Hollywood em prolongar indefinidamente certos arquétipos, muitas vezes ignorando a idade dos actores e a credibilidade das histórias que contam. Clooney, pelo contrário, opta por uma abordagem autoconsciente e honesta, recusando papéis que possam soar forçados ou artificiais.

Curiosamente, esta relação com o romance cinematográfico nunca foi completamente isenta de atritos. Numa entrevista ao New York Times em 2022, Clooney recordou um episódio dos primeiros anos de carreira em que um realizador criticou a sua técnica de beijo em cena. “Disse-me: ‘Não assim’. E eu respondi: ‘Meu, esta é a minha jogada! É assim que faço na vida real!’”, contou, num momento que hoje soa quase como uma nota de rodapé irónica numa carreira marcada pelo estatuto de galã.

Um novo capítulo, sem nostalgia excessiva

Longe de soar a despedida amarga, a decisão de Clooney parece antes um gesto de maturidade artística. O actor continua activo, interessado em papéis que façam sentido para a sua idade e experiência, sem necessidade de competir com modelos mais jovens ou repetir fórmulas do passado.

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Num meio frequentemente obcecado com juventude eterna, George Clooney mostra que envelhecer em Hollywood também pode ser um acto de elegância — mesmo que isso signifique dizer adeus aos beijos no grande ecrã.

Paul Dano: o actor “fraco”? Uma viagem pelos seus melhores filmes.

Porque continua Paul Dano a ser subestimado?

Poucos actores da sua geração provocam reacções tão contraditórias como Paul Dano. Para alguns, é um intérprete de uma intensidade rara, capaz de transformar fragilidade em força dramática. Para outros — Quentin Tarantino incluído — é “weak sauce”, uma presença alegadamente insuficiente para enfrentar pesos pesados do cinema. O problema dessa leitura é simples: ignora quase toda a sua filmografia.

A carreira de Dano é construída a partir de personagens desconfortáveis, vulneráveis, obsessivas ou moralmente ambíguas. Não é um actor de músculos nem de bravatas. É um actor de nervo, de silêncio e de tensão interna. E isso fica particularmente claro quando se olha para os seus melhores papéis em conjunto.

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Aproveitei um ranking do The Guardian com uma pequena alteração no topo — porque There Will Be Blood merece, na minha modesta opinião, o primeiro lugar — eis um olhar aprofundado sobre os filmes que demonstram porque Paul Dano é tudo menos “fraco”, e apesar de ser um grande fã de Tarantino e dos seus filmes, são muitas as opiniões que discordo, sendo que esta discordo em absoluto.

10. The King (2005) — Um ensaio geral para o abismo

Neste thriller desconfortável de James Marsh, Dano interpreta um jovem religioso apanhado no colapso moral da sua família. O filme pode ser irregular e desagradável, mas já aqui se percebe algo que se tornaria marca do actor: a capacidade de dar vida interior a personagens que, no papel, poderiam ser apenas símbolos. Mesmo num filme menor, Dano nunca é decorativo.

9. Swiss Army Man (2016) — Ternura no meio do absurdo

À superfície, parece uma piada prolongada: um náufrago solitário e um cadáver falante usado como ferramenta multiusos. Mas Dano transforma o grotesco em algo inesperadamente humano. Entre gases, solidão e desespero existencial, nasce uma relação comovente. Poucos actores conseguiriam equilibrar este tom sem cair no ridículo.

8. The Fabelmans (2022) — A melancolia silenciosa

No filme mais pessoal de Steven Spielberg, Dano interpreta Burt Fabelman, uma figura paterna contida, emocionalmente deslocada, esmagada pela ambição alheia. É uma prestação feita de olhares engolidos e frases a meio caminho. Num registo oposto ao de The Batman, prova a sua notável versatilidade.

7. Little Miss Sunshine (2006) — Um grito que ficou para a história

Como o adolescente niilista que comunica apenas por escritos, Dano oferece uma das personagens mais memoráveis do cinema independente dos anos 2000. Quando o silêncio finalmente se quebra, o resultado é devastador e hilariante. É um momento de dor pura que poderia facilmente soar artificial — mas não nas mãos dele.

6. For Ellen (2012) — Destruição íntima

Aqui, Dano assume o centro absoluto do filme como um músico falhado que tenta desesperadamente reconectar-se com a filha. É um papel cru, físico e emocional, onde cada gesto parece estudado até ao osso. Um retrato sem romantização de um homem incapaz de crescer.

5. The Batman (2022) — O terror da normalidade

O seu Riddler é talvez a versão mais inquietante da personagem no cinema. Não é extravagante, é patético — e precisamente por isso aterrador. Quando finalmente vemos o rosto por trás da máscara, a tensão dispara. Dano compreende algo essencial: o verdadeiro medo nasce da banalidade.

4. L.I.E. (2001) — Vulnerabilidade em estado bruto

Num dos papéis mais perturbadores da sua juventude, Dano interpreta um adolescente emocionalmente negligenciado que se envolve com um adulto predador. O filme é difícil, mas a prestação é de uma honestidade desarmante. Ainda hoje impressiona pela coragem e ausência de protecção emocional.

3. Ruby Sparks (2012) — Amor, poder e controlo

Vendida como comédia romântica, esta é uma fábula profundamente inquietante sobre criação e dominação. Dano interpreta um escritor que literalmente controla a mulher que ama. O actor equilibra charme, egoísmo e crueldade com precisão cirúrgica, tornando o desconforto inevitável.

2. Love & Mercy (2014) — Genialidade fragmentada

Paul Dano encarna Brian Wilson nos anos de maior criatividade e maior colapso psicológico. A sua interpretação capta a exaltação artística, o medo, a fragilidade e a dor com uma subtileza notável. É um trabalho extraordinário, sem dúvida — mas há um papel que vai ainda mais longe.

1. There Will Be Blood (2007) — O poder da irritação

Promovido à última hora para o papel de Eli Sunday, Dano cria uma das figuras mais memoráveis do cinema americano do século XXI. Frente ao titânico Daniel Plainview de Daniel Day-Lewis, não tenta competir em força — infiltra-se. Eli não é um rival clássico; é um incómodo persistente, um espinho espiritual que Plainview nunca consegue arrancar.

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É precisamente isso que torna a dinâmica tão fascinante. Dano percebe que a sua personagem não precisa de dominar a cena para a corroer. A acusação de Tarantino falha porque confunde poder com volume. Aqui, Dano prova que a verdadeira ameaça pode ser pequena, irritante e absolutamente impossível de ignorar.

‘Street Fighter’ Ataca em Força: Trailer Revela Elenco de Luxo e Promete Combates Brutais no Cinema

Um clássico dos videojogos regressa em versão live-action

O universo de Street Fighter está oficialmente de volta ao grande ecrã — e desta vez com ambições claras de redenção. Foi revelado o primeiro teaser trailer do novo filme em imagem real durante os Game Awards 2025, trazendo consigo versões em carne e osso de personagens icónicas como Chun-Li, Ryu, Ken e muitos outros lutadores que marcaram gerações de jogadores.

O teaser foi apresentado com pompa e circunstância, com parte do elenco a subir ao palco para introduzir as primeiras imagens do filme, que promete uma abordagem mais fiel ao espírito original da saga criada pela Capcom. Depois de várias adaptações cinematográficas pouco consensuais ao longo das décadas, este novo Street Fighter parece determinado a levar a sério tanto a mitologia como os fãs.

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Um regresso a 1993 e ao coração do torneio

A história do filme decorre em 1993 e centra-se em Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo), dois lutadores afastados que são forçados a reunir-se quando a misteriosa Chun-Li (Callina Liang) os recruta para um novo World Warrior Tournament. O torneio promete ser um confronto físico e emocional extremo, onde cada combate carrega o peso do passado.

Por detrás da sucessão de lutas e rivalidades, esconde-se uma conspiração mortal que obriga os protagonistas a enfrentar não só inimigos externos, mas também os seus próprios demónios. A ameaça é clara: se falharem, é literalmente “game over”. O tom anunciado mistura artes marciais, drama pessoal e um sentido de fatalismo muito próximo do ADN da série original.

Um elenco improvável… mas curioso

Um dos aspectos mais comentados do projecto é, sem dúvida, o elenco. Para além do trio principal, o filme reúne um conjunto surpreendente de nomes vindos do cinema, da música, do wrestling e das artes marciais. Cody Rhodes interpreta Guile, Orville Peck surge como Vega, 50 Cent dá corpo a Balrog e Jason Momoa assume o papel de Blanka — uma escolha inesperada, mas intrigante.

O elenco inclui ainda Vidyut Jammwal como Dhalsim, Oliver Richters como Zangief, Hirooki Goto como E. Honda, David Dastmalchian como M. Bison e Roman Reigns como Akuma. A lista continua com Andrew Schulz, Eric André, Mel Jarnson, Rayna Vallandingham e até o lutador de MMA Alexander Volkanovski, numa clara aposta num espectáculo físico intenso e variado.

Uma produção com selo oficial da Capcom

O filme é realizado por Kitao Sakurai, com argumento de Dalan Musson, e conta com a Legendary na produção, em parceria directa com a Capcom — um detalhe importante para quem espera maior fidelidade ao material de origem. A distribuição fica a cargo da Paramount Pictures.

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Street Fighter tem estreia marcada para 16 de Outubro de 2026 e, pelo que o teaser sugere, esta poderá ser finalmente a adaptação cinematográfica capaz de fazer justiça a uma das mais influentes sagas da história dos videojogos.

Emma Mackey, entre o poder e a fúria contida: a actriz fala de Ella McCay, James L. Brooks e a herança dourada de Hollywood

Um retrato político com alma clássica

Em Ella McCay, o novo filme de James L. Brooks, Emma Mackey assume um dos papéis mais complexos e exigentes da sua carreira. A actriz interpreta Ella, uma jovem vice-governadora de 34 anos que entra em funções sob o olhar desconfiado de todos os que esperam vê-la falhar. O filme acompanha esta mulher num momento de enorme pressão: um cargo político de alto risco, um casamento em colapso, o regresso de um pai ausente e o pano de fundo da chegada da administração Obama à Casa Branca.

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Desde a primeira cena, em que Ella entra no seu gabinete e se torna imediatamente alvo de escrutínio, o tom está definido. Brooks constrói um filme profundamente humano, onde a política serve menos como espectáculo e mais como campo de batalha emocional. Para Emma Mackey, o processo começou muito antes das filmagens, com longas conversas com o realizador e uma imersão no quotidiano de responsáveis políticos reais, de forma a compreender o ritmo, a pressão e a solidão do serviço público.

A comédia clássica como bússola criativa

James L. Brooks nunca escondeu a sua admiração pela chamada idade de ouro de Hollywood, e Ella McCay assume essa influência com orgulho. Mackey explica que o filme bebe directamente da screwball comedy clássica, não apenas no ritmo dos diálogos, mas na forma como as personagens femininas são retratadas: inteligentes, determinadas, falíveis e profundamente humanas. A escrita foi sempre o ponto de partida, com um cuidado quase obsessivo em respeitar essa herança cinematográfica sem cair na nostalgia vazia.

Essa abordagem reflete-se também nas relações centrais do filme, em particular na ligação de Ella a duas mulheres fundamentais da sua vida: a tia Helen, interpretada por Jamie Lee Curtis, e Estelle, a sua secretária, vivida por Julie Kavner. Ambas funcionam como espelhos emocionais, figuras que reconhecem em Ella traços do seu próprio passado e que oferecem algo raro no mundo político: apoio incondicional. Mackey não esconde a admiração pelas duas actrizes, sublinhando a força vital de Curtis e o carisma quase magnético de Kavner.

Um grito que precisava de acontecer

Um dos momentos mais marcantes de Ella McCay surge perto do final, quando a protagonista, depois de abandonar um casamento tóxico, finalmente liberta toda a raiva e frustração acumuladas num grito partilhado com a tia. Curiosamente, essa cena não estava inicialmente planeada dessa forma. Segundo Mackey, foi uma necessidade que surgiu durante o processo, quase como uma exigência emocional da própria personagem.

O grito funciona como catarse, tanto para Ella como para o público, e resume o percurso de uma mulher que passou o filme inteiro a conter-se para sobreviver num sistema que não lhe perdoa falhas. É um momento cru, primitivo e profundamente libertador, que reforça a dimensão emocional do filme para lá da intriga política.

Entre Ella McCay e Nárnia

O futuro de Emma Mackey passa agora por um contraste curioso. Enquanto Ella McCay a coloca no centro de um drama político realista, a actriz prepara-se para integrar o universo fantástico de Nárnia, sob a direcção de Greta Gerwig. Mackey reconhece as diferenças entre Ella e Jadis, a Feiticeira Branca, mas identifica um ponto comum essencial: ambas ocupam posições de poder.

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Trabalhar com cineastas como Brooks e Gerwig, explica, é um privilégio raro. Ambos partilham uma abordagem profundamente honesta ao cinema, lideram pelo exemplo e acreditam que as fissuras — os momentos em que as personagens falham — são onde reside a verdadeira humanidade. Para Emma Mackey, é nesse espaço que o cinema se torna verdadeiramente vivo.

Cristiano Ronaldo a Caminho de Velocidade Furiosa? Vin Diesel Lança a Bomba para o Filme Final da Saga

Um encontro explosivo entre futebol e cinema

Será que Cristiano Ronaldo está prestes a acelerar rumo ao universo de Velocidade Furiosa? A pergunta ganhou força depois de Vin Diesel, protagonista e produtor da saga, ter publicado uma fotografia no Instagram ao lado do futebolista português, acompanhada de uma legenda que deixou pouco espaço para a imaginação. Segundo o actor, não só Ronaldo “faz parte da mitologia Fast”, como já existe um papel escrito especificamente para ele.

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A imagem mostra ambos com o polegar levantado, num gesto cúmplice que rapidamente incendiou as redes sociais. Diesel descreveu Ronaldo como “a real one”, uma expressão que, no contexto da saga, equivale quase a uma bênção oficial para entrar na família liderada por Dominic Toretto.

Confirmação oficial ainda em suspenso

Apesar do entusiasmo gerado, nem Vin Diesel nem Cristiano Ronaldo confirmaram oficialmente a participação do jogador no 11.º filme da saga. O Hollywood Reporter tentou obter esclarecimentos junto das equipas de ambos, mas não recebeu qualquer resposta até ao momento da publicação. Ainda assim, o simples facto de Diesel afirmar publicamente que foi escrito um papel para Ronaldo é, por si só, altamente revelador.

A saga Velocidade Furiosa nunca foi alheia a participações-surpresa e cameos improváveis, mas a eventual entrada de uma das maiores figuras do desporto mundial elevaria a fasquia mediática a um novo patamar. Ronaldo, recorde-se, já deu sinais de interesse pelo cinema e pelo entretenimento global, tornando esta hipótese menos descabida do que poderia parecer à primeira vista.

O filme final e o regresso às origens

Vin Diesel aproveitou também para revelar novos detalhes sobre o capítulo final da saga, que tem estreia marcada para Abril de 2027. A data foi acordada com a Universal Pictures mediante três condições impostas pelo actor, todas elas directamente ligadas aos desejos expressos pelos fãs ao longo dos anos.

A primeira passa pelo regresso da história a Los Angeles, o local onde tudo começou. A segunda envolve um reencontro com a cultura automóvel e as corridas de rua, afastando-se do tom quase super-heróico que marcou os capítulos mais recentes. E a terceira — talvez a mais emotiva — é a reunião em ecrã de Dominic Toretto e Brian O’Conner.

Paul Walker e um adeus que ainda ecoa

Paul Walker, que deu vida a Brian O’Conner, morreu a 30 de Novembro de 2013, durante as filmagens de Velocidade Furiosa 7. Na altura, várias cenas ficaram por concluir, obrigando a uma solução técnica complexa que envolveu CGI, artistas de efeitos visuais e os irmãos de Walker, Cody e Caleb, para completar cerca de 350 planos.

A cena final desse filme, em que Dom e Brian se despedem ao volante antes de seguirem caminhos diferentes, tornou-se um dos momentos mais marcantes da história recente do cinema popular. Segundo o supervisor de efeitos visuais Joe Letteri, tudo foi feito para que o público não pensasse no processo técnico, mas apenas na despedida emocional da personagem — e do actor.

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A promessa de Vin Diesel de reunir novamente Dom e Brian no último filme levanta questões técnicas e emocionais, mas também sublinha a importância simbólica desse regresso. Tal como a possível entrada de Cristiano Ronaldo, é mais uma prova de que Velocidade Furiosa quer fechar o ciclo em grande, misturando espectáculo, nostalgia e emoção.

A Casa de Sozinho em Casa Vai Voltar ao Passado — e ao Natal de 1990

O regresso de um dos cenários mais icónicos da história do cinema 🎄

Trinta e cinco anos depois da estreia de Sozinho em Casa (Home Alone), um dos filmes de Natal mais amados de sempre, a casa onde Kevin McCallister ficou… sozinho, prepara-se para regressar ao passado. Literalmente. A icónica moradia de Winnetka, no estado do Illinois, vai ser restaurada para espelhar o aspecto exacto que tinha em 1990, o ano em que o filme chegou às salas de cinema e se tornou um fenómeno cultural global.

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A informação foi avançada pela estação norte-americana ABC7 e rapidamente despertou a atenção dos fãs do filme, que há décadas tratam esta casa quase como um local de peregrinação natalícia. Afinal, não estamos a falar apenas de um cenário: esta é, provavelmente, a casa mais famosa da história do cinema de Natal.

Uma renovação moderna… para voltar atrás no tempo

A casa foi alvo de uma profunda renovação interior e vendida no início deste ano, passando por uma modernização que, embora impressionante do ponto de vista arquitectónico, a afastou da memória colectiva associada ao filme. No entanto, os actuais proprietários decidiram dar um passo inesperado — e profundamente cinéfilo — ao restaurar os interiores de forma a recriar o visual original visto em Sozinho em Casa.

O objectivo é claro: devolver à casa o espírito dos anos 90, com os espaços, cores e ambientes que ficaram eternizados no grande ecrã. Uma decisão que mostra até que ponto o impacto do filme continua vivo, não apenas no imaginário do público, mas também no valor simbólico dos seus locais.

“Vivemos ali enquanto o filme era rodado”

John Abendshien, antigo proprietário da casa, recorda com carinho o período das filmagens. Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, a família não saiu da residência durante a produção. Ficaram, observaram e viveram de perto o processo que transformaria a sua casa num ícone do cinema.

Essas memórias levaram-no a escrever um livro de memórias intitulado Home but Alone No More, onde relata a experiência única de ver a sua casa tornar-se parte da história do cinema popular. Um testemunho raro e curioso sobre os bastidores de um filme que continua a ser exibido, religiosamente, todos os Natais.

Um clássico que nunca saiu de casa

Realizado por Chris Columbus e protagonizado por Macaulay Culkin, Sozinho em Casa estreou em 1990 e tornou-se rapidamente num dos maiores sucessos comerciais da história do cinema. Mais do que isso, consolidou-se como uma tradição natalícia transversal a gerações.

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O regresso da casa ao seu visual original é mais uma prova de que alguns filmes nunca saem verdadeiramente de cena. Tal como Kevin McCallister, esta casa esteve apenas… temporariamente ausente.

Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Um caso em investigação que abalou a indústria

Hollywood acordou em choque com a notícia de que um homem de 78 anos e uma mulher de 68 anos foram encontrados mortos numa residência de luxo em Brentwood, Los Angeles, um bairro conhecido por acolher inúmeras figuras do cinema e da televisão. As autoridades norte-americanas abriram uma investigação por homicídio, embora, até ao momento, não exista qualquer suspeito identificado nem detenções efectuadas. A polícia de Los Angeles mantém absoluto sigilo quanto às circunstâncias das mortes, remetendo todas as conclusões para o relatório do médico legista do condado.

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De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, os serviços de emergência foram chamados à residência durante a tarde de domingo, para um pedido de assistência médica. No local estiveram elementos da polícia, bombeiros e detectives especializados em homicídios por roubo. Seis horas depois da chamada inicial, os corpos permaneciam ainda dentro da casa, o que sublinha a complexidade e sensibilidade do caso.

Identidades não confirmadas e prudência jornalística

Apesar de vários meios internacionais terem avançado com nomes conhecidos, a polícia de Los Angeles não confirmou oficialmente a identidade das vítimas nem a relação entre elas. As autoridades recusaram igualmente esclarecer se existiam sinais de violência, ferimentos visíveis ou a presença de qualquer arma no local. A causa das mortes será determinada exclusivamente pelo gabinete do legista, num processo que poderá demorar vários dias.

Um comunicado atribuído a um porta-voz da família pede respeito e privacidade num momento descrito como “inimaginavelmente difícil”, reforçando a necessidade de contenção mediática enquanto a investigação decorre.

Uma carreira ligada à história do cinema popular

Caso se confirme a identidade avançada por fontes políticas e institucionais, a perda representaria um abalo profundo para a história do cinema americano. O cineasta em causa construiu uma carreira ímpar, atravessando várias décadas com obras que marcaram gerações. Desde a televisão dos anos 70 até ao cinema dos anos 80 e 90, o seu percurso ajudou a definir a comédia, o drama e até o thriller psicológico no grande ecrã.

Filmes como This Is Spinal TapStand By MeThe Princess BrideWhen Harry Met SallyMisery ou A Few Good Mencontinuam a ser referências obrigatórias, estudadas, citadas e revisitadas por cinéfilos de todo o mundo. Um legado que vai muito além dos números de bilheteira, assente numa rara combinação de inteligência, sensibilidade popular e rigor narrativo.

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Expectativa e respeito enquanto se aguardam respostas

Para já, Hollywood permanece suspensa entre a consternação e a cautela. Num tempo em que a velocidade da informação rivaliza com a verdade, impõe-se aguardar por confirmações oficiais antes de se tirarem conclusões definitivas. O Clube de Cinema acompanhará este caso com a atenção e o rigor que a importância da figura e a gravidade da situação exigem.

Kate Hudson e Jeremy Allen White: Duas Carreiras Ligadas Pela Música, Pelo Cinema… e Pela Emoção

Quando interpretar músicos é mais do que aprender acordes

Kate Hudson e Jeremy Allen White pertencem a gerações diferentes de Hollywood, mas cruzam-se agora num território comum: filmes onde a música não é apenas pano de fundo, mas motor emocional. Numa conversa franca e cheia de cumplicidade, os dois actores reflectem sobre os seus mais recentes projectos — Song Sung Blue e Springsteen: Deliver Me From Nowhere — e sobre a forma como a música, dentro e fora do ecrã, pode literalmente salvar pessoas.

Hudson foi catapultada para o estrelato ainda adolescente com Almost Famous, de Cameron Crowe, tornando-se um ícone imediato ligado à mitologia do rock. Este ano, entrega uma das interpretações mais maduras da carreira como metade de uma banda tributo a Neil Diamond, numa história real tão comovente quanto agridoce. Jeremy Allen White, por sua vez, troca o avental de The Bear por uma das tarefas mais delicadas que um actor pode enfrentar: interpretar Bruce Springsteen num dos períodos mais vulneráveis e criativamente livres da sua vida.

O peso simbólico da roupa, dos instrumentos… e da herança

White fala com particular detalhe sobre a fisicalidade de vestir Springsteen. Os jeans apertados, as botas, os casacos — tudo contribuiu para moldar postura, movimento e até respiração. Mais do que figurino, foi uma transformação corporal. O próprio Springsteen acabou por lhe emprestar peças reais da juventude e, num gesto de enorme intimidade, ofereceu-lhe a medalha de São Cristóvão que usou durante anos, bem como uma guitarra Gibson J-200 de 1955 para aprender a tocar.

Para Hudson, que também partilha essa ligação profunda com instrumentos e com o palco, este tipo de detalhe faz toda a diferença. Ambos concordam que interpretar músicos reais exige mais do que imitação: é preciso compreender o processo criativo, a dúvida, o silêncio e até a tortura emocional que muitas vezes acompanha a composição.

“Nebraska”: um mapa emocional inesperado

Jeremy Allen White admite que, apesar de conhecer Bruce Springsteen como qualquer pessoa, nunca tinha verdadeiramente mergulhado em Nebraska — o álbum mais cru e intimista do músico. Esse disco acabou por se tornar a bússola emocional da sua interpretação. Poucos acordes, produção minimalista, letras profundamente específicas. Para White, foi como receber um mapa directo para o interior da personagem.

Hudson confessa que Nebraska sempre teve um peso pessoal na sua vida e sublinha como certos álbuns funcionam quase como chaves emocionais. Ambos falam da música como atalho para estados de espírito que, por vezes, o próprio actor não consegue alcançar apenas pela técnica. Quando isso falha, há sempre uma canção capaz de desbloquear algo.

Dois métodos, um mesmo compromisso

A conversa revela também abordagens muito diferentes ao trabalho. White prepara intensamente antes de chegar ao set e depois agarra-se às decisões iniciais com firmeza quase inflexível. Hudson, pelo contrário, prefere fazer um enorme trabalho prévio para depois se libertar completamente em cena, mantendo-se aberta ao acaso, à improvisação e à energia do momento.

Ainda assim, ambos reconhecem o mesmo objectivo: honestidade emocional. Hudson elogia a forma como White internalizou o processo criativo de Springsteen, descrevendo-o como algo que a emocionou profundamente enquanto compositora. White retribui, destacando a luz, o optimismo e a alegria que Hudson transporta mesmo para personagens marcadas pela desilusão.

Música como refúgio, não como fama

Há um ponto essencial onde os dois filmes se tocam: nenhum deles é sobre o estrelato. Song Sung Blue fala de músicos que nunca chegaram ao topo, mas que tocaram porque precisavam de tocar. Deliver Me From Nowhere foca-se num artista já famoso, mas isolado, a criar um disco que nasce da necessidade, não da ambição.

Hudson resume essa ideia com clareza: são histórias sobre música como escape, como sobrevivência. White concorda — os personagens não pensam no que vão receber em troca. Fazem-no porque não sabem viver de outra forma.

E as comédias românticas?

A conversa termina num tom mais leve, com Hudson a defender apaixonadamente as comédias românticas como um dos géneros mais difíceis e subvalorizados do cinema. White admite que adoraria fazer uma, mas apenas se fosse “à séria”, ao nível de When Harry Met Sally. Hudson responde com uma certeza de quem já viveu isso: uma boa rom-com pode mudar vidas, porque faz as pessoas sentirem-se melhor.

Talvez seja essa a ideia que une toda a conversa. Seja rock, folk, country ou romance no grande ecrã, Hudson e White acreditam no cinema como veículo de empatia, consolo e ligação humana. Filmes sobre música, no fundo, acabam sempre por ser filmes sobre pessoas — e sobre a forma como tentam, desesperadamente, não se perder.

Timothée Chalamet Quebra o Silêncio (Só Um Pouco) Sobre a Vida Pessoal em Plena Promoção de Novo Filme

Um comentário raro, um sorriso nervoso e uma pergunta de Natal

Timothée Chalamet é hoje uma das figuras mais observadas de Hollywood — tanto pelo trabalho em cinema como pela vida pessoal, que insiste em manter fora do radar mediático. Por isso mesmo, qualquer deslize, por mais inofensivo que seja, transforma-se rapidamente em notícia. Foi exactamente isso que aconteceu durante a digressão promocional de Marty Supreme, quando o actor fez um comentário raro — e muito breve — sobre a sua relação com Kylie Jenner.

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Durante uma entrevista no Reino Unido à rádio Heart, Chalamet foi apanhado de surpresa por uma pergunta aparentemente inocente. Questionado por Amanda Holden sobre se já tinha tratado das prendas de Natal, respondeu que não. O passo seguinte foi inevitável: o que iria oferecer a Kylie Jenner? O actor hesitou, sorriu e respondeu com a contenção que lhe é habitual. “Ela vai ver. Vai ver. Vai ser bom”, disse, acrescentando que esperava encontrar algo especial em Londres, talvez numa loja de chocolates local — antes de tentar, rapidamente, mudar de assunto.

O momento, captado em vídeo e partilhado nas redes sociais, termina de forma algo embaraçosa, com a apresentadora a perguntar se Kylie gosta de LEGO, dado que o estúdio ficava perto de uma loja da marca. Chalamet riu-se e deixou a pergunta no ar.

Discrição total, como manda o hábito

Não foi uma revelação bombástica, nem nunca pretendeu ser. Pelo contrário: o episódio confirma aquilo que os fãs já sabem. Timothée Chalamet e Kylie Jenner, juntos desde 2023, evitam sistematicamente falar um do outro em entrevistas. A postura contrasta com a curiosidade constante da imprensa e do público, mas é uma escolha consciente de ambos — e rara num ecossistema mediático que vive de exposição.

Ainda assim, o simples facto de Chalamet admitir estar a pensar numa prenda “boa” e personalizada foi suficiente para gerar manchetes, sobretudo num momento em que a relação tem sido alvo de especulação.

Rumores, tapete vermelho e códigos subtis

Nas últimas semanas, circularam rumores de que o casal poderia ter terminado. Algumas publicações chegaram mesmo a avançar que Chalamet teria posto fim à relação, alimentadas pela sua ausência em eventos familiares importantes do clã Jenner, como o aniversário de 70 anos de Kris Jenner ou o jantar de Acção de Graças.

Esses rumores perderam força quando Timothée Chalamet e Kylie Jenner surgiram juntos na antestreia de Marty Supremeem Los Angeles. O detalhe não passou despercebido: ambos vestiam couro laranja, num exemplo claro de method dressing coordenado que muitos interpretaram como uma resposta silenciosa — mas eficaz — à narrativa da separação.

Além disso, figuras próximas de Jenner, como Hailey e Justin Bieber, ajudaram a promover o filme nas redes sociais, um gesto que reforçou a ideia de que o casal continua sólido, ainda que longe dos holofotes.

Um Natal discreto, uma carreira em alta velocidade

Enquanto a curiosidade sobre a prenda de Natal se mantém, o foco principal de Chalamet está claramente na carreira. Marty Supreme, que estreia a 25 de Dezembro, tem sido recebido com entusiasmo pela crítica e posiciona o actor como um dos principais candidatos da actual temporada de prémios. Já somou nomeações aos Globos de Ouro, Critics Choice Awards e outras entidades, o que garante uma presença constante em eventos de alto perfil nos próximos meses.

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Essas aparições públicas poderão, ou não, incluir Kylie Jenner — algo que o casal continua a gerir à sua maneira, sem anúncios nem explicações. Para já, fica apenas a curiosidade: chocolate londrino, algo artesanal ou uma surpresa completamente fora do radar?

Conhecendo Timothée Chalamet, a resposta dificilmente chegará antes do Natal — e talvez nem depois.

A Série de Ficção Científica da Netflix Que Mostra o Espaço Como Nunca Quisemos Vê-lo

Um thriller silencioso, claustrofóbico e assustadoramente plausível

Quando estreou em 2021, The Silent Sea passou despercebida a muitos subscritores da Netflix, confundida com mais uma série de ficção científica genérica, possivelmente até com contornos de creature feature. Foi um erro. A produção sul-coreana é, na verdade, uma das representações mais realistas, sufocantes e inquietantes de um desastre espacial alguma vez vistas na televisão — precisamente porque abdica do heroísmo fácil, da grandiloquência e da fantasia tecnológica habitual do género.

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Aqui não há discursos inspiradores nem música épica a sublinhar a coragem humana. The Silent Sea opera noutra frequência: a do silêncio absoluto, da falha mecânica acumulada e da indiferença total do espaço à presença humana. É uma série que se devora de uma assentada, não porque avance depressa, mas porque cria uma tensão gravitacional constante que impede o espectador de desviar o olhar.

Uma missão movida pela sede, não pela glória

Uma das maiores diferenças entre The Silent Sea e a ficção científica ocidental está na motivação da missão. Ninguém vai à Lua para explorar o cosmos ou expandir fronteiras. As personagens vão porque a Terra está a morrer de sede.

A série decorre num futuro próximo devastado pela chamada “Grande Seca”, um colapso ambiental que transformou a água no recurso mais valioso do planeta. A sociedade passou a ser rigidamente estratificada por um sistema de “classificação hídrica”: quem tem melhor pontuação tem acesso a água potável; quem não tem, sobrevive com rações de segunda categoria. É um cenário brutal, mas perturbadoramente credível.

Os membros da missão lunar não são aventureiros idealistas. São soldados, cientistas e engenheiros que aceitam uma operação quase suicida em troca de um “Cartão Dourado” — um privilégio que pode garantir água suficiente para manter as suas famílias vivas durante mais alguns anos. A viagem não é um sonho; é um contrato desesperado.

O terror do desastre feito de pequenas falhas

A missão leva a tripulação até à Estação Lunar Balhae, abandonada cinco anos antes após um acidente misterioso que alegadamente matou toda a equipa devido a uma fuga de radiação. A tarefa parece simples: recuperar umas amostras e sair. Naturalmente, nada corre como planeado.

Desde o início, a série adopta o chamado “modelo do queijo suíço” do desastre: não há uma grande explosão inicial, mas uma sucessão de pequenas falhas que se alinham até tornar a catástrofe inevitável. Um problema estrutural na aproximação força uma aterragem de emergência que deixa a nave suspensa num precipício lunar, retirando imediatamente à tripulação qualquer hipótese de regresso rápido.

O que se segue é um dos momentos mais angustiantes da série: uma caminhada de 7,6 quilómetros pela superfície lunar até à base abandonada. Não é uma montagem rápida. É um suplício prolongado, onde vemos os indicadores de oxigénio descerem lentamente, percentagem a percentagem. Cada passo é um cálculo entre distância, consumo e sobrevivência.

A física como fonte de terror

O que realmente distingue The Silent Sea na história da ficção científica televisiva é o respeito absoluto pela física do espaço. Ao contrário de muitas produções que activam gravidade artificial por conveniência, aqui o peso é reduzido, mas a massa permanece. O resultado é um movimento instável, perigoso, quase grotesco.

As personagens não flutuam com elegância: tropeçam, projectam-se demasiado longe, caem com violência ao tentar parar. Cada salto é um risco. Cada corrida num corredor pode terminar contra uma parede. A produção recorreu a sistemas complexos de cabos para simular esta inércia específica, criando uma linguagem visual onde o corpo humano parece sempre prestes a falhar.

A Estação Balhae é outro elemento fundamental. Construída num estilo de brutalismo industrial, parece mais uma plataforma petrolífera abandonada do que um laboratório futurista. Betão gasto, tubos expostos, luzes fluorescentes doentes. A tecnologia não é elegante nem intuitiva: é pesada, analógica e constantemente avariada. Nada aqui parece feito para durar.

O som — ou a ausência dele — como arma narrativa

O design sonoro da série é exemplar. No exterior, não há explosões nem efeitos dramáticos. O que ouvimos são os sons internos dos fatos: respiração ofegante, cliques mecânicos, o bater do sangue nos ouvidos. Quando alguém embate contra uma superfície, o som chega-nos amortecido, transmitido pela vibração do fato, não pelo ar inexistente.

Quando a comunicação falha, o silêncio torna-se quase físico, uma pressão invisível. Até as cenas de descompressão evitam os clichés de Hollywood. Em vez de sucção violenta, vemos nuvens de condensação provocadas pela queda súbita de pressão — um fenómeno real conhecido como arrefecimento adiabático. O terror está nos números a descer lentamente nos ecrãs, não em destroços a voar.

Um elenco que sustenta o peso da ciência

Toda esta precisão técnica seria inútil sem interpretações à altura. Gong Yoo oferece uma performance contida e devastadora como o capitão Han Yun-jae, um líder esmagado pela responsabilidade. Grande parte da sua actuação acontece por detrás de um visor, através de olhares contidos e micro-expressões que revelam disciplina militar e pânico reprimido.

Bae Doona, como a astrobióloga Song Ji-an, funciona como âncora emocional e intelectual da série. A sua abordagem clínica ao horror — insistindo em observar, recolher dados e questionar a narrativa oficial — torna o mistério ainda mais perturbador. É através do seu cepticismo que a série constrói o seu comentário sobre instituições, crises ambientais e verdades convenientemente omitidas.

A dinâmica hierárquica da tripulação acrescenta uma camada extra de tensão: decisões erradas são executadas porque a cadeia de comando o exige. É horror cósmico, mas também horror corporativo.

Um espaço onde o erro não é perdoado

The Silent Sea triunfa porque trata o espaço não como palco de aventura, mas como um ambiente hostil onde a margem de erro é zero. Ao respeitar a gravidade, o silêncio, o desgaste físico e psicológico, constrói uma experiência pesada, claustrofóbica e profundamente inquietante.

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Ao mesmo tempo, mantém no centro uma crise ambiental reconhecível, ancorando a ficção num medo muito real. Criada pela argumentista Park Eun-kyo e realizada por Choi Hang-yong, a série prova que a ficção científica pode ser tanto um espectáculo como um aviso.

Se existe uma série que mostra como um desastre espacial realmente se pareceria — lento, frio, burocrático e sem glória — é esta.