Actores Britânicos Dizem Não à Digitalização e Enfrentam a Inteligência Artificial

Votação histórica do sindicato Equity mostra oposição esmagadora ao uso de IA e ameaça travar produções no Reino Unido

Os actores britânicos deram um passo decisivo na luta contra a utilização abusiva da Inteligência Artificial nas artes, ao votarem de forma quase unânime contra a prática de digitalização dos seus corpos e rostos em rodagem. Numa votação promovida pelo sindicato Equity, 99% dos participantes declararam que estariam dispostos a recusar ser digitalmente escaneados, num claro sinal de resistência a uma tecnologia que muitos consideram uma ameaça directa aos seus direitos e meios de subsistência.

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A digitalização de actores tornou-se prática comum em produções de cinema e televisão, permitindo aos estúdios reutilizar a imagem, o corpo ou a voz de um intérprete em cenas futuras, reshoots ou até em projectos completamente diferentes. O problema, segundo os actores, é a falta de controlo sobre o destino desses dados e a possibilidade de serem usados sem consentimento, compensação ou sequer conhecimento do intérprete.

Paul Fleming, secretário-geral do Equity, descreveu o resultado da votação como um momento geracional. “A Inteligência Artificial é um desafio definidor da nossa geração”, afirmou. “Pela primeira vez em décadas, os membros do sindicato mostraram que estão dispostos a recorrer a acções industriais. Isto demonstra que a força de trabalho está preparada para disruptar seriamente as produções se não for respeitada.”

A votação, de carácter indicativo, envolveu mais de 7.000 membros, com uma taxa de participação de 75%. Embora não tenha, para já, valor legal — os actores ainda não estão juridicamente protegidos caso recusem a digitalização —, o sindicato sublinha que o objectivo foi medir o grau de indignação e união da classe, algo que ficou amplamente demonstrado.

Segundo o Equity, cerca de 90% da produção televisiva e cinematográfica no Reino Unido é realizada ao abrigo de acordos colectivos negociados pelo sindicato, e mais de três quartos dos profissionais envolvidos são seus membros. Este peso dá ao sindicato uma margem de manobra significativa para pressionar produtores e estúdios.

O próximo passo passa por negociações com a Pact, a associação que representa a maioria das produtoras britânicas, com o objectivo de estabelecer novos padrões mínimos de pagamento, condições de trabalho e regras claras sobre o uso de dados biométricos. Caso essas negociações não produzam resultados satisfatórios, o Equity admite avançar para uma votação formal, que poderá conferir protecção legal aos actores que recusem a digitalização em rodagem.

A preocupação com a IA tem vindo a crescer nos últimos meses, alimentada por testemunhos de actores consagrados e emergentes. Hugh BonnevilleAdrian Lester e Harriet Walter apoiaram publicamente a iniciativa do sindicato. Bonneville defendeu que “as vozes e imagens dos actores não devem ser exploradas em benefício de terceiros sem licença ou consentimento”, enquanto Lester alertou para a vulnerabilidade dos profissionais em início de carreira, frequentemente pressionados a aceitar cláusulas abusivas.

Em Outubro, Olivia Williams denunciou que muitos actores são levados a aceitar a digitalização dos seus corpos sem qualquer controlo posterior sobre a utilização desses dados. A actriz comparou a situação à necessidade de consentimento em cenas de nudez, defendendo que o mesmo princípio deveria aplicar-se aos body scans. Algumas cláusulas contratuais, segundo Williams, concedem aos estúdios direitos quase ilimitados sobre a imagem dos actores “em todas as plataformas existentes ou ainda por inventar, em todo o universo e para sempre”.

A polémica intensificou-se ainda mais com o surgimento da primeira “actriz de IA”, Tilly Norwood, reacendendo o debate sobre os limites éticos da tecnologia no entretenimento. As preocupações ecoam o que já se viveu em Hollywood em 2023, quando a utilização de IA esteve no centro das greves históricas de argumentistas e actores, que alertaram para o risco de a tecnologia redefinir radicalmente a indústria.

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A votação do Equity deixa claro que, pelo menos no Reino Unido, os actores não estão dispostos a ceder silenciosamente. A batalha entre criatividade humana e automação algorítmica entrou numa nova fase — e promete ter impacto real nos bastidores do cinema e da televisão.

Avatar: Fire and Ash: O Filme Mais Longo — e Mais Fraco — da Saga de James Cameron

Depois de Avatar (2009) e Avatar: O Caminho da Água se terem tornado dois dos filmes mais lucrativos da história do cinema, era previsível que James Cameron quisesse continuar a explorar Pandora. O problema diz a crítica internacional é que Avatar: Fire and Ash, o terceiro capítulo da saga, deixa a sensação clara de que esta viagem já devia ter terminado — ou, pelo menos, precisava urgentemente de ser repensada.

Com 197 minutos de duração, o novo filme é meia hora mais longo do que o original e transforma-se num teste sério à paciência do espectador. O que deveria ser uma grande aventura de ficção científica acaba por se arrastar num desfile de imagens bonitas mas vazias, diálogos pouco inspirados, uma narrativa dispersa e uma espiritualidade new age que roça o enfadonho. É desconfortável pensar que ainda estão planeados mais dois filmes depois deste.

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O mais frustrante é que, apesar da duração quase épica, Avatar: Fire and Ash não funciona como filme autónomo. Cameron parte do princípio de que o público está profundamente investido na mitologia, nas personagens e nas relações familiares dos Na’vi, dispensando-se de construir uma história com verdadeiro início, meio e fim. Para quem não é fã incondicional da saga, a experiência torna-se ainda mais distante.

O contraste com o primeiro Avatar é gritante. Em 2009, o filme parecia genuinamente futurista: a história de um planeta exuberante explorado por humanos desesperados por recursos, em conflito com uma civilização indígena, combinava espectáculo, aventura e uma metáfora ambiental clara. Era, no fundo, Pocahontas com Smurfs no espaço — simples, eficaz e emocionalmente funcional.

Agora, Cameron parece ter perdido interesse em Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña), focando-se sobretudo nos seus filhos adolescentes. Essa escolha revela-se um erro grave. As novas personagens são difíceis de distinguir entre si, pouco carismáticas e, em muitos momentos, francamente irritantes. Onde antes havia um protagonista claro, há agora um grupo de jovens quase intercambiáveis, todos igualmente pouco memoráveis.

O filme alterna entre grandes batalhas, aparições esporádicas de personagens humanas que desaparecem durante longos períodos e intermináveis discussões reverenciais sobre as crenças dos Na’vi. Pelo meio, surgem breves lampejos do filme que Avatar: Fire and Ash poderia ter sido: um thriller ecológico mais duro, focado no conflito entre império e resistência. Mas esses momentos são rapidamente engolidos por uma espécie de telenovela californiana intergaláctica, onde surfistas de rastas montam dragões e gritam frases como “Isto foi insano, mano!” ou “Isto é brutal, primo!”.

Visualmente, o desgaste também é evidente. Pandora já não tem o impacto de outrora. Depois de quase nove horas passadas neste mesmo cenário tropical alienígena, a sensação de maravilha dissipou-se. Onde outras sagas, como Star Wars, teriam explorado múltiplos mundos, Avatar insiste sempre no mesmo pano de fundo. Pior ainda: aquilo que em 2009 parecia revolucionário, hoje soa a reliquia de uma era passada do cinema digital.

Durante a década de 2010, o público habituou-se a personagens digitais hiper-realistas em mundos totalmente gerados por computador. Na altura, Pandora parecia imersiva e tecnologicamente espantosa. Em Fire and Ash, no entanto, tudo parece artificial, quase como um videojogo antigo. Quando um Na’vi cai do dragão em pleno voo, não há verdadeiro sentido de perigo — a cena parece tão falsa que se perde qualquer envolvimento emocional.

Há ainda outro problema estrutural: com mais dois filmes já anunciados, existe realmente alguma sensação de risco?Alguém acredita que personagens centrais vão sofrer consequências irreversíveis? Se Cameron cumprir o plano, ainda faltam cerca de seis horas para o fim da saga — e, depois deste capítulo, essa perspectiva soa mais a ameaça do que a promessa.

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Avatar: Fire and Ash confirma aquilo que muitos já suspeitavam: a saga continua a impressionar pelo orçamento e pela escala, mas está cada vez mais vazia de urgência narrativa e emoção genuína. Um espectáculo enorme, cansado e auto-indulgente, que vive sobretudo da glória passada.

Óscares Vão Deixar a Televisão Tradicional e Passar a Ser Transmitidos no YouTube a Partir de 2029

A maior cerimónia do cinema mundial abandona a ABC após meio século e aposta no streaming gratuito para chegar a novas gerações

Os Óscares preparam-se para uma das maiores mudanças da sua história. A partir de 2029, a cerimónia dos Academy Awards deixará de ser transmitida pela televisão tradicional nos Estados Unidos e passará a ser emitida em exclusivo no YouTube, em directo e de forma gratuita, marcando o fim de uma ligação de mais de 50 anos à ABC.

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O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, que confirmou a assinatura de um acordo plurianual com o YouTube, garantindo à plataforma os direitos globais exclusivos da cerimónia até 2033. Até lá, a ABC manterá a transmissão das próximas edições, incluindo a gala já marcada para 15 de Março, encerrando assim um ciclo histórico iniciado em 1976.

A decisão representa mais do que uma simples mudança de parceiro de transmissão. É um sinal claro de como Hollywood está a reposicionar os seus maiores eventos numa indústria em profunda transformação, marcada por fusões, vendas de estúdios, cortes drásticos na produção e uma migração constante do público para o streaming.

Em comunicado conjunto, o CEO da Academia, Bill Kramer, e a presidente Lynette Howell Taylor sublinharam o carácter global da decisão. “A Academia é uma organização internacional, e esta parceria permitirá expandir o acesso ao nosso trabalho para a maior audiência mundial possível, o que beneficiará os nossos membros e toda a comunidade cinematográfica”, afirmaram.

A escolha do YouTube não é inocente. Ao longo das últimas décadas, as audiências televisivas dos Óscares têm vindo a cair de forma consistente, reflexo de hábitos de consumo cada vez mais fragmentados. Ainda assim, a edição de 2025 registou uma ligeira recuperação, impulsionada sobretudo por espectadores mais jovens, que acompanharam a cerimónia através de telemóveis, computadores e plataformas digitais.

Para o YouTube, a conquista dos direitos da cerimónia mais prestigiada do cinema é um enorme golpe simbólico. O CEO da plataforma, Neal Mohan, descreveu os Óscares como “uma das instituições culturais essenciais do nosso tempo” e afirmou que a parceria com a Academia pretende “inspirar uma nova geração de criadores e amantes de cinema, respeitando ao mesmo tempo o legado histórico da cerimónia”.

A ABC, por seu lado, reagiu de forma diplomática, garantindo que está entusiasmada com “as próximas três transmissões” que ainda irá assegurar antes da mudança definitiva. Ainda assim, a saída dos Óscares representa uma perda significativa para a televisão generalista norte-americana, que durante décadas fez da gala um dos seus maiores eventos anuais.

Este anúncio surge num contexto particularmente turbulento para a indústria. No mesmo dia, a Warner Bros. Discoveryrecomendou aos seus accionistas a rejeição de uma oferta hostil de aquisição por parte da Paramount Skydance, optando antes por um acordo com a Netflix — uma decisão vista por muitos como mais um sintoma da fragilidade estrutural dos grandes estúdios e canais de cabo face ao domínio crescente das plataformas digitais.

Com o YouTube a garantir os direitos dos Óscares, torna-se cada vez mais evidente que o futuro dos grandes eventos culturais passa pelo streaming, mesmo quando se trata de instituições com quase um século de história. A partir de 2029, a noite mais importante do cinema deixará de depender de um canal de televisão e passará a estar a um clique de distância — para qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo.

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Resta saber se esta mudança trará novas formas de interacção, formatos mais flexíveis e, sobretudo, se conseguirá devolver aos Óscares a relevância cultural que já tiveram. Uma coisa é certa: a era da televisão como palco exclusivo do cinema está oficialmente a chegar ao fim.

Susan Boyle Emociona-se com Elogio de Timothée Chalamet: “Foi Incrivelmente Tocante”

A cantora escocesa reage às palavras do actor, que a destacou como uma das suas maiores heroínas britânicas

Susan Boyle confessou ter ficado “incrivelmente tocada” depois de Timothée Chalamet a ter destacado como uma das suas maiores referências britânicas, num momento inesperado que rapidamente conquistou fãs de ambos os lados do Atlântico. A cantora escocesa, que se tornou um fenómeno global em 2009 após a sua memorável audição no Britain’s Got Talent, reagiu com emoção às palavras do actor norte-americano, actualmente uma das maiores estrelas de Hollywood.

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Chalamet mencionou Susan Boyle numa entrevista à BBC News, quando foi desafiado a nomear personalidades britânicas que considera verdadeiramente inspiradoras. Ao lado de nomes como Lewis HamiltonDavid e Victoria Beckham e o rapper underground Fakemink, o actor surpreendeu ao incluir a cantora escocesa, hoje com 64 anos, sublinhando o impacto duradouro da sua história.

“Ela sonhou maior do que todos nós”, afirmou Chalamet, recordando a interpretação de I Dreamed A Dream, do musical Les Misérables, que Boyle apresentou em 2009. “Quem é que não ficou comovido com aquilo?”, acrescentou, referindo-se a um dos momentos mais marcantes da história recente da televisão e da internet.

A resposta de Susan Boyle não tardou. “Foi muito lisonjeiro ouvir isso”, afirmou a cantora, acrescentando que aquelas primeiras semanas de exposição mediática “foram qualquer coisa de extraordinário”. “Saber que aquele momento significou algo para ti, tantos anos depois, deixa-me verdadeiramente humilde”, disse ainda.

Num tom caloroso e inspirador, Boyle aproveitou para devolver o elogio e partilhar uma mensagem de esperança. “Todos começamos algures, com um sonho e um pouco de esperança, não é?”, escreveu. “Devemos todos sonhar em grande. Desejo-te todo o sucesso enquanto continuas a sonhar o teu próprio sonho. Obrigada pela tua gentileza e por te lembrares desse momento com tanto carinho.”

As declarações de Chalamet surgem no contexto da promoção do seu novo filme, Marty Supreme, e de uma iniciativa peculiar do actor: a oferta de casacos personalizados com o título do filme a figuras que considera verdadeiros ícones culturais e desportivos. Entre os homenageados estão nomes como Frank OceanTom Brady e o jovem prodígio do Barcelona, Lamine Yamal.

A escolha de Susan Boyle destacou-se precisamente por não ser óbvia. Quando questionado pelo correspondente de entretenimento da BBC, Colin Paterson, sobre quem merecia esse estatuto, Chalamet pensou longamente antes de chegar ao nome da cantora. Um gesto que muitos interpretaram como sinal de sensibilidade e memória cultural, num meio frequentemente acusado de esquecer rapidamente os seus próprios fenómenos.

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Quando Susan Boyle se tornou conhecida, Chalamet tinha apenas 13 anos, mas o impacto daquele momento ficou gravado. “Lembro-me como se fosse ontem”, confessou o actor. “Foi mais ou menos o início da era do YouTube.” Mais de uma década depois, o cruzamento improvável entre uma estrela de Hollywood e uma cantora que desafiou preconceitos continua a provar que certos momentos culturais não envelhecem — apenas ganham novas leituras.

Chris Evans Regressa como Capitão América em Avengers Doomsday  — e Agora é Pai

Primeiro teaser confirma o regresso de Steve Rogers e abre um novo mistério no Universo Marvel

Deixem-me começar por dizer que andam algumas dezenas de Pseudo Traillers do novo Avengers pelas redes sociais, a maioria nota-se claramente que são produzidos por AI e há que dizê-lo com frontalidade, que estão cada vez mais difíceis de destinguir.

No entanto esta notícia é suportada por notícias que podemos apanhar em outlets internacionais dignos de credibilidade…O Capitão América está de volta. Contra todas as expectativas, Chris Evans regressa ao papel de Steve Rogers em Avengers: Doomsday, o próximo grande evento do Universo Cinematográfico da Marvel, e fá-lo com uma reviravolta inesperada: Steve é agora pai de um recém-nascido.

O regresso foi confirmado através do primeiro teaser trailer oficial, exibido discretamente junto a sessões de Avatar: Fire and Ash, numa estratégia clássica da Marvel para gerar entusiasmo gradual. O filme tem estreia marcada para 18 de Dezembro de 2026, exactamente dentro de um ano, e este teaser funciona como o primeiro sinal claro de que Doomsday pretende mexer a sério na mitologia estabelecida.

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O vídeo é curto, contido e deliberadamente enigmático. Num cenário rural e tranquilo, Steve Rogers surge a chegar a casa de mota, enquanto uma versão para piano do tema dos Avengers toca em fundo. O capacete azul faz lembrar imediatamente o uniforme clássico do herói. Dentro da casa, Steve segura um bebé nos braços, observando-o com orgulho silencioso. O teaser termina com a frase: “Steve Rogers will return for Avengers: Doomsday”, seguida de uma contagem decrescente até à data de estreia.

A Marvel não revela mais nada — e é precisamente aí que começa o frenesim.

Os fãs viram Steve Rogers pela última vez em Avengers: Endgame (2019), quando, após derrotar Thanos e devolver as Jóias do Infinito às respectivas linhas temporais, decide ficar no passado para viver uma vida com Peggy Carter. Já idoso, regressa brevemente à linha temporal principal apenas para entregar o escudo a Sam Wilson, passando-lhe o legado de Capitão América.

Este novo teaser levanta várias questões centrais. Estamos perante o mesmo Steve Rogers? Terá regressado à linha temporal principal depois de décadas no passado? Ou será esta uma variante do multiverso, algo que Doomsday deverá explorar de forma intensa? E, talvez a pergunta mais óbvia: quem é o bebé? Será filho de Steve e Peggy? Terá alguma ligação ao soro do supersoldado?

A Marvel, como é habitual, não confirma nada. Mas o simples facto de trazer Steve Rogers de volta — depois de um final que parecia definitivo — indica que Avengers: Doomsday não pretende jogar pelo seguro.

Curiosamente, este não é tecnicamente o primeiro regresso de Chris Evans ao MCU desde Endgame. Em Deadpool & Wolverine (2024), o actor apareceu num cameo hilariante como o Tocha Humana, personagem que interpretou nos filmes Fantastic Four da Fox em 2005 e 2007. No entanto, este é o verdadeiro regresso ao papel que o tornou um dos rostos mais icónicos da Marvel.

Evans não está sozinho. Avengers: Doomsday promete ser um dos elencos mais ambiciosos de sempre. Robert Downey Jr. regressa ao MCU, mas não como Tony Stark — desta vez interpreta Doctor Doom, o grande vilão do filme. Estão também confirmados Chris Hemsworth (Thor), Anthony Mackie, Sebastian Stan, Paul Rudd, Tom Hiddleston, Florence Pugh, Letitia Wright, Winston Duke, Simu Liu, Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, David Harbour e muitos outros.

O filme irá ainda cruzar definitivamente o MCU com o universo dos X-Men, trazendo de volta nomes como Patrick Stewart, Ian McKellen, James Marsden, Alan Cumming e Rebecca Romijn, num verdadeiro festival de multiverso.

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Se o teaser de Avengers: Doomsday prova alguma coisa, é que a Marvel está disposta a reabrir capítulos que pareciam encerrados — e a fazê-lo com impacto emocional. Steve Rogers regressa não como soldado ou símbolo, mas como pai. E essa mudança pode ser mais explosiva do que qualquer batalha cósmica.

The Six Billion Dollar Man: O Documentário Mais Perturbador de 2025 Sobre Julian Assange

Eugene Jarecki desmonta, com frieza cirúrgica, a máquina de poder que fez da destruição de Assange uma prioridade global

Há documentários que informam. Outros que indignam. The Six Billion Dollar Man, realizado por Eugene Jarecki, faz algo mais inquietante: arrefece o sangue. Não tanto pela figura de Julian Assange, mas pela clareza com que expõe um sistema vasto, articulado e implacável onde se cruzam Estados, serviços secretos, interesses privados e uma hostilidade mediática persistente. O resultado é, sem exagero, um dos filmes mais perturbadores de 2025.

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Curiosamente, Assange é quase uma presença fantasmagórica ao longo das mais de duas horas de duração. É falado, analisado, perseguido — mas raramente visto. Essa ausência funciona como estratégia narrativa: Jarecki usa o vazio deixado pela figura central para alargar o foco e contar uma história maior, sobre como funciona o poder quando decide esmagar alguém. O documentário não é um retrato de personalidade; é uma autópsia política.

O filme revisita inevitavelmente os momentos mais conhecidos da trajectória de Assange e do WikiLeaks: o impacto sísmico do vídeo Collateral Murder, as revelações sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e a divulgação massiva de telegramas diplomáticos que colocaram governos inteiros em estado de alerta. Jarecki não se limita a recapitular factos. Vai mais fundo, cruzando documentos, testemunhos e padrões de actuação que revelam até que ponto Assange se tornou um alvo prioritário para forças muito além da esfera judicial.

Um dos momentos mais explosivos do documentário prende-se com as acusações de violação na Suécia, em 2010. Durante anos, este caso funcionou como um elemento tóxico no debate público, frequentemente usado para descredibilizar Assange. The Six Billion Dollar Man apresenta entrevistas anonimizadas e mensagens trocadas à época pelas duas mulheres envolvidas, sugerindo algo profundamente perturbador: nenhuma delas acusou Assange de violação, e ambas demonstraram preocupação com a forma como as autoridades estavam a orientar os seus depoimentos.

Aquilo que durante anos circulou como suspeita surge aqui documentado de forma rigorosa: o caso parece ter sido moldado tanto por conveniência política como por factos concretos. Não se trata de absolver ou condenar, mas de demonstrar como processos judiciais podem ser instrumentalizados quando se tornam úteis a agendas mais amplas.

Ainda mais inquietante é o capítulo dedicado ao período em que Assange esteve refugiado na embaixada do Equador em Londres. Jarecki expõe como a empresa de segurança espanhola UC Global, contratada para garantir a protecção do fundador do WikiLeaks, acabou por transformar o espaço num verdadeiro laboratório de vigilância. Um antigo funcionário — assumidamente a fonte-chave do documentário — descreve um ambiente digno de um thriller paranoico: gravações clandestinas, recolha sistemática de dados, conversas sobre possíveis envenenamentos e até a captação de encontros íntimos.

Segundo o filme, esse material era depois transferido para um endereço IP nos Estados Unidos, localizado no Venetian Hotel, em Las Vegas, propriedade do magnata Sheldon Adelson, um dos maiores financiadores de Donald Trump. Jarecki não precisa de sublinhar ironias; elas impõem-se sozinhas.

Outro momento devastador envolve Sigurdur “Siggi” Thordarson, a principal testemunha da acusação norte-americana contra Assange. Condenado por crimes graves, incluindo abuso sexual de menores, Thordarson admite em frente à câmara que inventou partes essenciais do seu testemunho, nomeadamente a alegação de que Assange o teria instruído a piratear sistemas parlamentares da Islândia. Quando confrontado, encolhe os ombros: diz que “já não se lembra”.

É aqui que o documentário se torna verdadeiramente desconcertante. Mesmo para quem nunca teve grande simpatia por Julian Assange, The Six Billion Dollar Man obriga a encarar uma realidade difícil de ignorar: os mecanismos utilizados para o perseguir são, eles próprios, profundamente alarmantes. Doze anos de confinamento, vigilância constante, manipulação judicial e mediática — tudo isto é apresentado não como excepção, mas como método.

Jarecki não esconde a sua empatia pelo protagonista, mas isso não enfraquece o filme. Pelo contrário, torna-o mais claro naquilo que realmente importa: se este aparelho de poder pode ser activado contra Assange, pode sê-lo contra qualquer outro. A questão central deixa de ser se gostamos ou não da personagem, e passa a ser se estamos confortáveis com o mundo que o documentário revela.

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The Six Billion Dollar Man não procura fechar debates. Abre-os. E fá-lo de forma metódica, inquietante e impossível de ignorar.

Não há data prevista para a estreia em Portugal, mas poderá ser vista em streaming no Mubi.

SpongeBob Junta-se à Surfrider Portugal para Defender o Oceano na Estreia do Novo Filme

A esponja mais famosa do mundo chega aos cinemas a 24 de Dezembro com uma missão que vai além do entretenimento

SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas estreia a 24 de Dezembro nos cinemas portugueses e traz consigo mais do que uma nova aventura subaquática. No âmbito desta estreia, a Paramount Animation e a Nickelodeon Movies associam-se à Surfrider Foundation, em Portugal representada pela Surfrider Foundation Portugal, numa parceria global de sensibilização ambiental que procura envolver crianças e famílias na proteção do oceano.  

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A iniciativa nasce da vontade de aproveitar a força cultural de uma das personagens mais icónicas da animação para transmitir uma mensagem clara e positiva: proteger o oceano começa com pequenos gestos no dia a dia. SpongeBob, Patrick e o resto dos habitantes de Bikini Bottom assumem aqui o papel de embaixadores ambientais, colocando a sua popularidade ao serviço de uma causa urgente e universal.

O principal eixo da parceria é o lançamento de um livreto educativo gratuito, desenvolvido em colaboração com a Surfrider Foundation. Pensado para um público jovem, o material combina atividades de colorir, ilustrações exclusivas do universo SpongeBob SquarePants e informação acessível sobre boas práticas ambientais, incentivando as crianças a aprender de forma divertida e a partilhar esse conhecimento em família.

Entre os temas abordados estão a redução do plástico, o respeito pela vida marinha e a importância de atitudes simples, como não deixar lixo na praia ou reduzir o uso de descartáveis. O objetivo não é moralizar, mas sim despertar curiosidade e criar uma ligação emocional entre as crianças e o mar, reforçando desde cedo a noção de responsabilidade coletiva.

Esta ação enquadra-se perfeitamente na missão da Surfrider Foundation Portugal, uma ONG dedicada à proteção do oceano, das zonas costeiras e das comunidades que delas dependem. Integrada na rede europeia da Surfrider Foundation, a organização atua através da educação, da ciência e da mobilização cidadã, apoiando-se numa rede ativa de voluntários em todo o país. A parceria com SpongeBob permite amplificar essa missão junto de um público mais jovem, num tom optimista e acessível.

A iniciativa acompanha a estreia de SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas, reforçando a mensagem positiva do próprio filme. Na nova longa-metragem, SpongeBob embarca na maior aventura cinematográfica da sua vida, decidido a provar que é um verdadeiro herói. Para impressionar o Sr. Krabs, segue o lendário Holandês Voador, um pirata fantasma misterioso, numa jornada que o leva às profundezas do oceano, onde nenhuma esponja jamais esteve.

Realizado por Derek Drymon, um nome histórico do universo SpongeBob, o filme aposta numa mistura de comédia marítima, imaginação visual e espírito aventureiro, mantendo o humor característico da série e acrescentando uma escala cinematográfica mais ambiciosa. A produção conta com um elenco de vozes de luxo, incluindo Tom KennyClancy BrownBill FagerbakkeRodger BumpassCarolyn LawrenceMark Hamill e participações especiais como George Lopez e Ice Spice.

A chegada do filme aos cinemas na véspera de Natal torna-o numa proposta ideal para sessões em família, agora enriquecida por uma componente educativa que prolonga a experiência para lá da sala de cinema. Ao associar entretenimento e consciência ambiental, SpongeBob prova que continua a evoluir com o seu público, sem perder a leveza e o optimismo que o tornaram um fenómeno global.

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SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas estreia a 24 de Dezembro, em versões dobrada e legendada, e chega acompanhado de uma mensagem clara: cuidar do oceano pode — e deve — começar desde cedo.  

TVCine Prepara Dois Dias de Cinema em Festa: Assim Vai Ser a Programação Especial de Natal 🎄🎬

O Natal aproxima-se e, como manda a tradição, os Canais TVCine voltam a assumir-se como um dos grandes refúgios para quem prefere trocar o ruído das prendas pelo conforto do sofá e de um bom filme. Nos dias 24 e 25 de Dezembro, os quatro canais — TVCine Top, TVCine Edition, TVCine Emotion e TVCine Action — apresentam uma programação especial com mais de 50 filmes, pensada para públicos de todas as idades e estados de espírito.

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Entre estreias recentes, clássicos intemporais, animação para os mais novos, romances natalícios e grandes doses de acção, há razões de sobra para manter a televisão ligada durante toda a quadra festiva  .

Véspera de Natal: da animação à consoada em grande estilo

No dia 24 de Dezembro, o TVCine Top aposta numa programação transversal. A manhã começa com propostas familiares como Super Pai Natal, seguindo-se comédias e dramas leves ao longo da tarde. À noite, a consoada ganha brilho especial com Bridget Jones: Louca por Ele e o destaque do dia, Red One: Missão Secreta, onde Dwayne Johnson e Chris Evans embarcam numa missão natalícia para salvar o Pai Natal.

Já o TVCine Edition dedica a véspera aos grandes clássicos do cinema, reunindo nomes como Tom Hanks, Barbra Streisand, Sophia Loren, John Wayne, Tom Cruise e Dustin Hoffman. Um alinhamento pensado para cinéfilos que gostam de revisitar obras maiores da história do cinema.

TVCine Emotion entra plenamente no espírito da época com uma maratona de comédias românticas natalícias, muitas delas ao estilo Hallmark e Lifetime, ideais para quem procura histórias leves, previsíveis e reconfortantes.

Para quem prefere adrenalina, o TVCine Action transforma a véspera numa verdadeira corrida contra o tempo, com uma maratona de Velocidade Furiosa e dois clássicos protagonizados por Bruce Willis: Assalto ao Arranha-Céus e Assalto ao Aeroporto.

Dia de Natal: grandes sagas, animação e clássicos modernos

No dia 25 de Dezembro, o TVCine Top começa com animação para os mais novos — Patos! e O Panda do Kung Fu 4— e passa por mundos de fantasia como Wonka, antes de acelerar com títulos de acção e aventura. A noite fecha com Profissão: Perigo, que junta Ryan Gosling e Emily Blunt num espectáculo de alto risco.

TVCine Edition mantém o tom clássico e inspirador, com histórias de superação e grandes interpretações, culminando em Um Sonho Possível, o filme que valeu o Óscar a Sandra Bullock.

No TVCine Emotion, a maratona de romances natalícios continua, recheada de neve, lareiras e reencontros emotivos, enquanto o TVCine Action leva a maratona Velocidade Furiosa até ao limite e encerra o dia com dois capítulos explosivos da saga Die Hard.

Um Natal à medida de todos os públicos

Com propostas que vão do cinema familiar à acção mais musculada, passando pelo romance e pelos grandes clássicos, os Canais TVCine oferecem uma programação natalícia completa, pensada para acompanhar todos os momentos da quadra — da manhã tranquila à noite em família.

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Uma coisa é certa: nos dias 24 e 25 de Dezembro, não faltam bons motivos para dizer “só mais um filme”.

Melania: Amazon Revela Trailer do Documentário sobre a Primeira-Dama

Filme acompanha os 20 dias que antecederam a tomada de posse de 2025 e já está rodeado de polémica

A Amazon divulgou o primeiro trailer de Melania, o documentário centrado em Melania Trump que promete um acesso “sem precedentes” aos dias que antecederam a tomada de posse presidencial de 2025. O filme, com estreia marcada para 30 de Janeiro nos cinemas, acompanha a então primeira-dama ao longo de 20 dias de preparação intensa, reuniões privadas e momentos familiares, num período descrito como “raro e definidor”.

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“Witness history in the making” é o tagline escolhido para promover o documentário, que aposta claramente na ideia de bastidores exclusivos e revelações íntimas. Segundo a Amazon, o filme inclui imagens inéditas, conversas privadas e acesso a ambientes nunca antes mostrados ao público, numa tentativa de apresentar Melania Trump como protagonista activa de um momento histórico.

No trailer, Melania surge várias vezes ao lado de Donald Trump, assistindo-o perante as câmaras. “O meu legado de maior orgulho será o de pacificador”, afirma o Presidente, antes de Melania completar: “pacificador e unificador”. Mais tarde, a própria Melania declara: “Toda a gente quer saber, por isso aqui está.”

Em declarações à Fox News, canal onde o trailer foi exibido em exclusivo, Melania Trump explicou a motivação do projecto: “Os 20 dias da minha vida que antecederam a tomada de posse constituem um momento raro e definidor, que exige cuidado meticuloso, integridade e um trabalho sem compromissos. Tenho orgulho em partilhar este período muito específico da minha vida com o público em todo o mundo.”

Um projecto caro… e altamente controverso

De acordo com informações avançadas pela imprensa norte-americana, a Amazon terá pago cerca de 40 milhões de dólares pelos direitos do documentário, cuja ideia original terá sido concebida por Melania Trump em Novembro de 2024. Para além do filme, a plataforma planeia ainda lançar uma docussérie em três episódios, focada na vida da primeira-dama entre Nova Iorque, Washington DC e Palm Beach.

No entanto, o projecto está longe de ser consensual. A realização de Melania está a cargo de Brett Ratner, cineasta que se afastou de Hollywood após ter sido acusado de assédio e abuso sexual por várias mulheres em 2017. Entre as acusações mais mediáticas estão as de Natasha Henstridge e Olivia Munn, que relataram episódios de comportamento sexual inapropriado. Ratner negou sempre as acusações.

Desde então, o realizador mudou-se para Israel, assumiu publicamente posições políticas polémicas e manteve ligações próximas a figuras como Benjamin Netanyahu. O seu regresso com Melania é visto por muitos como uma tentativa explícita de reabilitação profissional.

Política, poder e imagem pública

A polémica não termina na realização. Brett Ratner está também associado ao regresso da saga Rush Hour, cujo quarto filme terá avançado após alegada intervenção directa de Donald Trump. A distribuição ficará a cargo da Paramount, recentemente adquirida pela Skydance, empresa apoiada por Larry Ellison, conhecido aliado do Presidente.

Neste contexto, Melania surge menos como um simples documentário biográfico e mais como um objecto político e mediático, levantando questões sobre poder, influência e controlo da narrativa pública. O filme promete intimidade e transparência, mas chega ao público envolto em debates sobre ética, oportunismo e reescrita da história recente.

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Com estreia marcada nas Salas de Cinema a 30 de Janeiro nos Estados Unidos, Melania prepara-se para ser um dos documentários mais discutidos do início do ano — não apenas pelo que mostra, mas também por tudo aquilo que representa fora do ecrã.

Sozinho em Casa Invade o STAR Channel e Promete o Natal Mais Animado do Ano

Os dois filmes regressam no dia 24 de Dezembro e reacendem a euforia de um clássico intocável da quadra natalícia

Há filmes que se revêem com prazer. E depois há filmes que fazem parte do Natal, quase ao mesmo nível da árvore, das luzes ou da mesa cheia. Sozinho em Casa pertence claramente a este segundo grupo. Para muitos espectadores — em Portugal e no resto do mundo — continua a ser o melhor filme de Natal de sempre, um clássico absoluto que atravessa gerações sem perder impacto, humor ou capacidade de criar euforia.

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Este ano, o STAR Channel volta a apostar forte nessa tradição e dedica a noite de 24 de Dezembro aos dois primeiros filmes da saga, integrados no especial “Natalzaço”, pensado para aquecer a véspera de Natal com doses generosas de riso, nostalgia e caos doméstico.

A festa começa às 19h30, com a exibição de Sozinho em Casa. Realizado por Chris Columbus e protagonizado por um inesquecível Macaulay Culkin, o filme apresenta Kevin McCallister, um miúdo de oito anos que é acidentalmente deixado para trás quando a família parte para férias de Natal. O que podia ser um drama transforma-se rapidamente numa fantasia infantil irresistível: Kevin descobre a liberdade absoluta… até perceber que a sua casa se tornou alvo de dois ladrões pouco inteligentes. O resto é história do cinema: armadilhas improvisadas, violência cartoonesca, humor físico perfeito e uma energia que nunca abranda.

É precisamente essa combinação que faz com que Sozinho em Casa continue a gerar euforia colectiva sempre que regressa aos ecrãs. Não é apenas um filme para crianças; é um ritual partilhado entre pais que cresceram com ele e filhos que o descobrem agora, muitas vezes pela primeira vez, rindo exactamente nos mesmos momentos.

Pouco depois, às 21h20, o STAR Channel exibe Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque. A fórmula repete-se, mas em escala maior. Desta vez, Kevin volta a separar-se da família — agora a caminho de Miami — e acaba sozinho em Nova Iorque, armado com um cartão de crédito, um hotel de luxo e uma cidade inteira como parque de diversões. Pelo caminho, reencontra os infelizes ladrões Harry e Marv, agora com planos para assaltar uma loja de brinquedos na véspera de Natal.

Se o primeiro filme é íntimo e doméstico, o segundo é mais expansivo, mais exagerado e ainda mais cruel nas armadilhas. Para muitos fãs, é a confirmação de que Sozinho em Casa não foi um acaso, mas sim um fenómeno cultural que soube crescer sem perder identidade.

O especial “Natalzaço” do STAR Channel não é apenas uma reposição de filmes populares. É um convite à nostalgia partilhada, àquele conforto raro de saber exactamente o que vai acontecer — e mesmo assim rir como se fosse a primeira vez. Num mundo em constante mudança, há algo profundamente reconfortante em regressar a Kevin McCallister, às suas engenhocas e à certeza de que, no Natal, os maus perdem sempre.

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Para quem associa o Natal ao sofá, à família reunida e a gargalhadas repetidas, o dia 24 de Dezembro no STAR Channel já está marcado. Porque há tradições que não se discutem. Vivem-se.  

Jurado #2: Clint Eastwood Explora um Dilema Moral Devastador no Seu Novo Drama

Um homem comum, um segredo insuportável e um julgamento que pode mudar tudo

Clint Eastwood continua, aos 95 anos, a olhar para as zonas mais desconfortáveis da consciência humana. Jurado #2, o seu mais recente filme, é um drama moral tenso e profundamente inquietante que coloca uma pergunta simples — e devastadora — no centro da narrativa: é possível ser imparcial quando a verdade nos acusa directamente?

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O filme estreia no sábado, 20 de dezembro, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e no TVCine+, e parte de um ponto de vista tão clássico quanto eficaz: o de um cidadão comum chamado a cumprir o seu dever cívico, sem imaginar que esse dever o irá confrontar com o seu pior medo.

No centro da história está Justin Kemp, interpretado por Nicholas Hoult, um homem de família que é seleccionado como jurado num julgamento de homicídio qualificado. À medida que o processo avança e as testemunhas vão sendo ouvidas, Justin começa a ser consumido por uma suspeita perturbadora. Um acidente que teve anos antes, numa noite chuvosa, e que sempre acreditou ter envolvido apenas um animal na estrada, pode afinal estar ligado à morte que agora está a ser julgada.

A partir desse momento, o filme transforma-se num verdadeiro campo de batalha interior. Justin vê-se dividido entre a obrigação moral de dizer a verdade e a necessidade de proteger a sua vida, a sua família e o futuro que construiu. O dilema é agravado pela pressão dos restantes jurados, ansiosos por chegar rapidamente a um veredicto, enquanto ele resiste, atrasando a decisão e aprofundando o seu próprio tormento psicológico. O júri deixa de ser apenas um espaço de deliberação legal e passa a ser um espelho da culpa, da dúvida e da fragilidade humana.

Eastwood regressa aqui a um território que lhe é particularmente caro: o drama ético, feito de personagens silenciosas, escolhas impossíveis e consequências irreversíveis. Tal como em Mystic RiverGran Torino ou Correio de Droga, o realizador constrói uma narrativa onde não há respostas fáceis nem absolvições confortáveis. O que existe é a tensão permanente entre lei, consciência e responsabilidade individual.

O elenco reforça essa densidade dramática. Para além de Nicholas Hoult, o filme conta com Toni ColletteJ. K. SimmonsZoey DeutchKiefer Sutherland e Gabriel Basso, num conjunto de interpretações que sustentam a intensidade emocional da história e sublinham o carácter colectivo — e opressivo — do julgamento.

Jurado #2 é, acima de tudo, um filme sobre o peso de saber demasiado. Sobre a impossibilidade de regressar à inocência depois da dúvida se instalar. E sobre a forma como um único momento do passado pode emergir, anos depois, para destruir todas as certezas.

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Sem recorrer a artifícios nem a dramatismos fáceis, Clint Eastwood volta a provar que o seu cinema continua atento às zonas cinzentas da alma humana. Um filme tenso, sóbrio e profundamente incómodo, para ver na noite de sábado, 20 de dezembro, às 21h30, no TVCine Top e TVCine+.

SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas: Fresco, Divertido e com Imaginação de Sobra

Um filme que funciona para várias idades e prova que a esponja continua a saber falar com o seu público

Depois de 26 anos de nonsense náuticoSpongeBob SquarePants continua a ser uma presença surpreendentemente sólida no cinema de animação. SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas (The SpongeBob Movie: Search for SquarePants) não só mantém a energia caótica que definiu a série desde o início, como consegue algo cada vez mais raro: funcionar genuinamente bem para várias gerações ao mesmo tempo.

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Vi o filme em sala com a minha filha, numa idade já pré-teen — aquele território difícil onde muita animação infantil começa a ser “demasiado infantil”. A reacção foi imediata e inequívoca: riso frequente, atenção constante e zero impaciência. E isso diz muito. O filme percebe exactamente onde está o seu público actual: crianças que já cresceram com SpongeBob, mas que continuam disponíveis para a sua loucura, desde que ela seja rápida, inventiva e visualmente estimulante.

Realizado por Derek Drymon, uma figura essencial no universo da série há mais de um quarto de século, o filme aposta num ritmo acelerado, piadas visuais em catadupa e um cuidado inesperado com a construção do mundo submarino. Não é apenas uma sucessão de gags — há uma aventura clara, um percurso emocional simples, mas eficaz, e uma imaginação que nunca parece cansada.

A história começa com um pequeno grande momento de crescimento: SpongeBob descobre que finalmente tem altura suficiente para andar na montanha-russa que ele e o inseparável Patrick sonham experimentar há anos. O problema é que crescer fisicamente não significa estar preparado emocionalmente. Falta-lhe aquilo que o filme define, com humor certeiro, como “fortaleza intestinal” — uma limitação que diverte o público e serve de motor para toda a narrativa.

Determinado a provar que já é um “tipo crescido”, SpongeBob toma uma decisão tão ingénua quanto perigosa: invocar o espírito amaldiçoado do Flying Dutchman, descrito como “o fantasma mais assustador que alguma vez percorreu os sete mares”. A partir daqui, o filme lança-se numa aventura que mistura comédia física, fantasia e uma surpreendente ambição mitológica.

Um dos aspectos mais interessantes de À Procura das Calças Quadradas é a forma como expande a geografia mutável de Bikini Bottom. Ao longo dos anos, a série já nos levou a locais memoráveis como Jellyfish Fields ou Rock Bottom, mas aqui há uma clara vontade de ir mais longe. A viagem ao submundo oceânico é um dos pontos altos do filme, cruzando referências clássicas com humor absurdo: uma gaivota de três cabeças surge como substituta de Cila, enquanto Sirenastentam seduzir o sempre exasperado Squidward… com smooth jazz.

Esse equilíbrio entre referências culturais, nonsense puro e uma narrativa acessível é precisamente o que mantém SpongeBob relevante. O filme nunca se leva demasiado a sério, mas também não subestima o seu público — algo que as crianças sentem imediatamente.

Vale ainda a pena referir um detalhe que tornou a experiência em sala ainda mais divertida: antes do filme principal, é exibida uma curta dos Teenage Mutant Ninja Turtles. Nesta pequena aventura, as Tartarugas enfrentam uma entidade de Inteligência Artificial, num confronto que combina acção, humor e um toque de actualidade tecnológica. Para o público mais novo, funciona como um excelente aquecimento; para os pais, é uma surpresa simpática que acrescenta valor ao bilhete.

No final, SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas confirma algo essencial: SpongeBob continua ingénuo, optimista e excessivo, mas também profundamente humano na sua vontade de crescer, de ser aceite e de provar o seu valor. É um filme que respeita o seu legado, percebe o seu público actual e entrega exactamente aquilo que promete.

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E, pelo sorriso à saída da sala, cumpre plenamente a sua missão.

Steven Spielberg Revela Disclosure Day, o Seu Novo Filme sobre OVNIs

O primeiro teaser levanta o véu sobre um regresso ambicioso à ficção científica

Steven Spielberg está de volta à ficção científica — e fá-lo com um projecto que promete mistério, inquietação e um olhar profundamente humano sobre o desconhecido. O primeiro teaser trailer do próximo filme do realizador já foi divulgado e confirma finalmente o título: Disclosure Day. Trata-se do primeiro filme de Spielberg desde The Fabelmans (2022) e marca um regresso a um território que ajudou a definir a sua carreira.

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Produzido pela Universal PicturesDisclosure Day tem estreia marcada nos Estados Unidos a 12 de Junho de 2026. Para já, a data de estreia em Portugal ainda não foi anunciada, algo habitual neste tipo de produções numa fase tão inicial da divulgação.

Um teaser enigmático e perturbador

O teaser não revela muito, mas revela o suficiente para gerar especulação. Emily Blunt interpreta uma meteorologista de televisão que, durante uma emissão em directo, começa subitamente a falar numa língua desconhecida, aparentemente de origem alienígena. A partir desse momento, o filme sugere uma mudança radical de escala: do quotidiano televisivo para algo muito maior, possivelmente global.

A personagem de Blunt junta-se depois a Josh O’Connor, numa espécie de jornada para revelar uma verdade que parece estar a ser escondida da humanidade. Pelo meio surgem imagens de Colin Firth e Colman Domingo, em papéis ainda envoltos em segredo, mas que aparentam ter peso institucional ou político na narrativa.

O tom do teaser remete para filmes como Arrival, de Denis Villeneuve, Signs, de M. Night Shyamalan, ou até Knowing, com Nicolas Cage. Ainda assim, tudo indica que Spielberg não está interessado em repetir fórmulas, mas sim em construir algo mais contemplativo e inquietante.

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“E se descobríssemos que não estamos sozinhos?”

A sinopse oficial aposta numa pergunta simples e poderosa:

“Se descobrisses que não estamos sozinhos, se alguém te mostrasse, te provasse isso, ficarias assustado?”

O texto termina com uma frase sugestiva:

“Este Verão, a verdade pertence a sete mil milhões de pessoas. Estamos a aproximar-nos do… Disclosure Day.”

Tudo aponta para um filme que não se centra apenas no contacto extraterrestre, mas sobretudo na reacção da humanidade a essa revelação. Uma abordagem muito alinhada com o Spielberg de Close Encounters of the Third Kindou War of the Worlds, onde o espanto e o medo são tão importantes quanto o fenómeno em si.

David Koepp volta a escrever para Spielberg

O argumento de Disclosure Day foi escrito por David Koepp, colaborador habitual de Spielberg, responsável por guiões como Jurassic ParkThe Lost WorldWar of the Worlds e Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull. A história original é do próprio Spielberg, que produz o filme através da Amblin Entertainment, ao lado de Kristie Macosko Krieger.

O elenco inclui ainda Eve Hewson, entre outros nomes que deverão ser revelados mais perto da estreia.

Um Spielberg diferente… ou um regresso às origens?

Depois do tom autobiográfico de The FabelmansDisclosure Day parece marcar um regresso à ficção científica, mas com a maturidade de um realizador que já não precisa de provar nada. Se o teaser é indicativo, o filme poderá ser menos sobre extraterrestres e mais sobre verdade, medo colectivo e responsabilidade.

Por agora, uma coisa é certa: Spielberg voltou a olhar para o céu — e quer que olhemos com ele.

Madonna Responde ao Filho Rocco Ritchie Após Comentário Irónico Sobre Fotografia no Estúdio

Artista revelou que “teve de pendurar” uma imagem da mãe, mas a pop star não achou graça nenhuma

Madonna não deixou passar em branco um comentário feito pelo filho Rocco Ritchie, depois de este ter sugerido, com alguma ironia, que foi “obrigado” a pendurar uma fotografia da mãe no seu estúdio de arte em Chelsea, Londres. A troca de palavras aconteceu nas redes sociais e rapidamente chamou a atenção, não só pelo tom bem-humorado do comentário inicial, mas também pela resposta imediata — e nada subtil — da cantora.

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Rocco, de 25 anos, abriu recentemente as portas do seu estúdio no oeste de Londres para uma reportagem em vídeo, coincidindo com a inauguração da sua nova exposição, Talk Is Cheap. Durante a visita guiada ao espaço criativo, o jovem artista mostrou uma parede onde convivem fotografias e obras de referência, incluindo imagens suas, do pai Guy Ritchie, e nomes maiores da arte contemporânea como Francis BaconLucien Freud e Jean-Michel Basquiat. Entre elas, destaca-se uma fotografia de Madonna vestida com fato clássico, gravata e galochas.

Ao apontar para a imagem, Rocco comentou com um sorriso: “Tive de pôr a minha mãe aqui. Caso contrário, ela não ficava muito contente.” A frase, dita num tom aparentemente descontraído, foi suficiente para provocar uma reacção imediata da própria Madonna, que respondeu publicamente: “Desculpa?! ‘Tiveste de pôr a mãe aqui ou ela não ficava feliz’??!! Retira isso já!”

O episódio aconteceu poucos dias depois da abertura oficial da exposição, que decorreu num armazém-estúdio em Soho e ficou marcada por um momento pouco comum: a primeira aparição pública conjunta de Madonna e Guy Ritchie desde o divórcio, em 2008. O antigo casal, que se casou em 2002 no castelo de Skibo, na Escócia, protagonizou na altura uma separação bastante mediática, acompanhada por trocas de acusações e comentários pouco simpáticos de parte a parte.

Apesar desse passado conturbado, a noite revelou um ambiente surpreendentemente cordial. Rocco partilhou uma fotografia com ambos os pais e fez questão de reconhecer o privilégio associado ao seu apelido, sublinhando, ainda assim, que quer que o seu trabalho fale por si. “É óbvio que algumas pessoas podem julgar-me. Não as culpo. Mas tenho orgulho em quem sou e ainda mais orgulho em ter os dois pais juntos na mesma sala a apoiar-me”, escreveu.

Rocco construiu grande parte da sua carreira artística sob o pseudónimo Rhed, precisamente para evitar associações directas ao peso mediático do nome Ritchie-Ciccone. Embora tenha abandonado o anonimato em algumas exposições recentes, essa identidade alternativa foi crucial para o seu reconhecimento inicial no meio artístico.

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O momento vivido na inauguração parece ter sido particularmente significativo para o artista, que foi visto em conversa animada com ambos os pais ao longo da noite. Para Madonna, mãe de seis filhos, incluindo LourdesDavidMercy e as gémeas Stella e Estere, o episódio acaba por revelar que, mesmo em contextos criativos e familiares aparentemente descontraídos, o sentido de humor pode nem sempre ser partilhado.

Johnny Depp Prepara Novo Regresso a Hollywood com a Adaptação de um Clássico Literário

Actor vai produzir a primeira versão em inglês de O Mestre e Margarida, obra-prima de Mikhail Bulgakov

Johnny Depp continua a dar passos firmes num regresso a Hollywood que permanece tão observado quanto controverso. Depois de anos marcados por batalhas judiciais altamente mediáticas e por um afastamento quase total dos grandes estúdios, o actor prepara agora um novo projecto ambicioso: a primeira adaptação cinematográfica em língua inglesa de O Mestre e Margarida, o romance mais célebre do escritor russo Mikhail Bulgakov.

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De acordo com informações avançadas pelo The Hollywood Reporter, o projecto foi oficialmente apresentado durante a edição de 2025 do Red Sea International Film Festival, na Arábia Saudita, evento onde Depp marcou presença de forma inesperada para promover o filme. A adaptação será produzida através da IN.2 Film, produtora fundada pelo próprio actor, em parceria com Stephen DeutersStephen MalitSvetlana Dal e Grace Loh.

Importa sublinhar um ponto essencial: Johnny Depp não está, para já, ligado ao filme como actor. Apesar de alguns rumores em sentido contrário, não há qualquer confirmação de que venha a integrar o elenco. Até ao momento, não foi anunciado realizador nem elenco, estando o projecto ainda numa fase inicial de desenvolvimento.

Um romance lendário, finalmente em inglês

Publicado postumamente mais de vinte anos após a morte de Bulgakov, O Mestre e Margarida é amplamente considerado uma das grandes obras da literatura do século XX. Escrito entre 1928 e 1940, em plena União Soviética, o romance mistura sátira política, fantasia, crítica social e metafísica, numa narrativa ousada que desafiou durante décadas os limites impostos pela censura.

A história centra-se no reaparecimento do Diabo em Moscovo, acompanhado por um séquito de personagens excêntricas — incluindo o famoso gato falante Behemoth — que espalham o caos entre cidadãos corruptos e hipócritas. Paralelamente, o romance acompanha a trágica história de amor entre o Mestre, um escritor perseguido, e Margarida, numa reflexão profunda sobre arte, poder, liberdade e redenção.

Ao longo dos anos, O Mestre e Margarida conheceu inúmeras adaptações para teatro, ópera, televisão e cinema — sobretudo no espaço russo e europeu — mas nunca teve uma versão cinematográfica de grande escala em língua inglesa, algo que torna este projecto particularmente significativo e arriscado.

Segundo foi anunciado, a produção deverá arrancar no final de 2026, embora ainda faltem muitos detalhes essenciais para compreender que abordagem estética e narrativa será adoptada.

Depp regressa aos grandes estúdios

Este novo projecto surge num momento em que Johnny Depp parece decidido a reaproximar-se do cinema de grande orçamento. Nos últimos anos, o actor protagonizou Jeanne du Barry e realizou Modi: Three Days of the Wings of Madness, mas tem agora vários projectos alinhados com estúdios de peso.

Entre eles estão o thriller Day Drinker, da Lionsgate, onde contracena com Penélope Cruz, a comédia bíblica The Carnival at the End of Days, de Terry Gilliam, e uma nova adaptação de A Christmas Carol, de Charles Dickens, realizada por Ti West, onde Depp interpretará Ebenezer Scrooge.

Este último papel é apontado como um dos mais relevantes da sua carreira na última década, mas poderá não ser o ponto final do seu regresso. Continua a circular em Hollywood o rumor de um eventual retorno à saga Pirates of the Caribbean. O produtor Jerry Bruckheimer já confirmou a existência de um argumento para um sexto filme e admitiu que o objectivo passa por recuperar personagens conhecidas, reacendendo a especulação em torno de Jack Sparrow.

Um projecto ambicioso e simbólico

A escolha de O Mestre e Margarida como projecto de produção não é inocente. Trata-se de uma obra sobre artistas perseguidos, poder arbitrário e resistência criativa — temas que ecoam claramente na trajectória recente de Johnny Depp. Ainda assim, o sucesso desta adaptação dependerá menos do simbolismo e mais da capacidade de traduzir para o cinema anglófono uma obra complexa, densa e profundamente enraizada no seu contexto histórico.

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Para já, o projecto existe sobretudo como promessa. Mas é uma promessa que, pela sua dimensão literária e pelo nome envolvido, já começou a gerar expectativa.

O Raro Filme de Viagens no Tempo Que Não Se Enreda em Paradoxos

Looper continua a ser um dos exemplos mais inteligentes da ficção científica moderna

As viagens no tempo são uma das ideias mais fascinantes da ficção científica — e também uma das mais traiçoeiras. Basta um detalhe mal explicado para tudo desmoronar: paradoxos insolúveis, regras que mudam a meio do filme ou finais que anulam o que veio antes. O cinema está cheio desses exemplos. Terminator torna-se cada vez mais confuso a cada sequel, Back to the Future é um clássico cheio de buracos lógicos e até Avengers: Endgame acaba por quebrar as próprias regras quando convém à emoção.

É por isso que Looper, realizado por Rian Johnson em 2012, continua a destacar-se. Não por ser perfeito — não é — mas por conseguir algo raro: criar um sistema de viagens no tempo compreensível, coerente e integrado na própria narrativa, sem tratar o espectador como distraído nem o afogar em explicações pseudo-científicas.

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A história passa-se em 2044, num mundo onde as viagens no tempo existem, mas são ilegais. Para contornar a lei, organizações criminosas enviam vítimas do futuro para o passado, onde são executadas por assassinos conhecidos como “loopers”. O detalhe mais cruel do sistema é também o mais engenhoso: quando um looper envelhece e deixa de ser útil, é enviado de volta no tempo para ser morto pela sua versão mais jovem, fechando assim o ciclo — o “loop”.

Esta ideia simples resolve, de uma só vez, grande parte dos problemas clássicos do género. As vítimas não vivem tempo suficiente para alterar o passado, não há linhas temporais paralelas confusas e cada personagem segue uma trajectória essencialmente linear. O conceito não é apenas eficaz dentro da história; é uma solução narrativa elegante.

Tudo se complica quando o Joe mais velho, interpretado por Bruce Willis, foge ao seu destino. A partir daí, Looperassume claramente um modelo de linha temporal única, onde alterar o passado muda o futuro. Rian Johnson tem o cuidado de tornar esse mecanismo visível ao espectador: sempre que o Joe jovem, vivido por Joseph Gordon-Levitt, descobre algo novo, essa informação passa automaticamente para a versão mais velha. O filme transforma a causalidade temporal em drama, não em exposição teórica.

O desfecho leva esta lógica ao limite, obrigando a personagem a tomar uma decisão extrema para quebrar um ciclo de violência que ameaça repetir-se indefinidamente. É um final duro, moralmente incómodo e emocionalmente coerente com tudo o que veio antes — algo que falta a muitos filmes do género.

Claro que Looper não escapa totalmente às armadilhas do tempo. O próprio final levanta um paradoxo inevitável: se o Joe mais velho deixa de existir, como é que alguma vez regressou ao passado para provocar os acontecimentos que levam à decisão final? O filme também sugere, de forma subtil, que certas acções do futuro podem ser precisamente aquilo que cria o vilão que se tenta evitar, aproximando-se perigosamente de uma lógica circular.

Mas aqui está a diferença: Looper não se desfaz por causa disso. Porque o filme nunca promete uma explicação científica absoluta. Promete apenas respeitar as suas próprias regras — e fá-lo durante a maior parte do tempo.

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Mais de uma década depois, Looper continua a ser um dos exemplos mais sólidos de ficção científica do século XXI. Um filme que percebe que viagens no tempo não são sobre diagramas ou linhas num quadro, mas sobre escolhas, consequências e personagens presas a sistemas que tentam desesperadamente quebrar.

Num género onde a maioria tropeça, isso já é uma vitória considerável.

Jo Nesbø’s Detective Hole: Netflix Revela Primeira Imagem e Data de Estreia da Série sobre Harry Hole

Tobias Santelmann encarna o icónico detective norueguês numa adaptação sombria e obsessiva dos romances de Jo Nesbø

A Netflix levantou finalmente o véu sobre uma das suas apostas europeias mais aguardadas, ao revelar a primeira imagem oficial e a data de estreia de Jo Nesbø’s Detective Hole, série baseada no universo literário criado pelo escritor norueguês Jo Nesbø. A produção, conhecida na Noruega como Jo Nesbøs Harry Hole, estreia a 26 de Março na plataforma, em lançamento global, e promete mergulhar os espectadores nos recantos mais sombrios de Oslo.

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Descrita pela Netflix como uma viagem pelas “ruas sombrias da capital norueguesa, onde nada é o que parece e cada pista conduz mais fundo ao coração negro da cidade”, a série assume desde logo um tom noir e psicológico, fiel ao espírito dos livros que transformaram Harry Hole numa das figuras mais emblemáticas do crime fiction contemporâneo.

Um Harry Hole à altura do mito

O papel principal fica a cargo de Tobias Santelmann, actor conhecido por séries como Exit e pelo filme The Arctic Convoy. Santelmann interpreta Harry Hole, o detective brilhante, obsessivo e profundamente atormentado, cuja genialidade investigativa caminha lado a lado com demónios pessoais difíceis de controlar.

Ao seu lado surge Joel Kinnaman (Altered CarbonThe Suicide Squad) como Tom Waaler, o grande antagonista da história: um polícia corrupto, manipulador e antigo colega de Hole, com quem mantém uma relação marcada por rivalidade, desconfiança e ódio mútuo. Pia Tjelta completa o trio central no papel de Rakel Fauke, uma das figuras emocionalmente mais importantes na vida do detective.

Jo Nesbø, que além de autor assume funções de criador, argumentista e produtor executivo, mostrou-se entusiasmado com a escolha do elenco:

“Finalmente podemos revelar a data de estreia e esta primeira imagem de Tobias Santelmann como Harry Hole. Vê-lo dar vida à personagem tem sido extremamente emocionante e marca um novo capítulo para o Harry. Estou ansioso por partilhar esta visão com o público, numa viagem verdadeiramente negra e retorcida.”

Um jogo de gato e rato em nove episódios

Jo Nesbø’s Detective Hole é composta por nove episódios e centra-se numa investigação de um assassino em série, servindo de pano de fundo para um confronto psicológico entre Hole e Waaler. A Netflix descreve a série como uma história de obsessão, traição e fronteiras cada vez mais difusas entre justiça e vingança.

Mais do que um simples thriller policial, a produção assume-se como um drama de personagens, focado em dois agentes da polícia que operam em lados opostos da lei, apesar de se apresentarem como colegas. Harry Hole surge como um detective brilhante, mas emocionalmente destruído, enquanto Waaler representa a corrupção sistémica e a perversão do poder.

Um elenco norueguês de luxo e uma produção de peso

Para além do trio principal, a série conta com um elenco vastíssimo de actores escandinavos e internacionais, incluindo nomes como Peter StormareAnders Danielsen LieJesper ChristensenIngrid Bolsø BerdalAne Dahl TorpAgnes Kittelsen e Kristoffer Joner, entre muitos outros.

A realização está dividida entre Øystein Karlsen (Exit) e Anna Zackrisson (The Helicopter Heist), enquanto a produção fica a cargo da Working Title, com a série a ser desenvolvida pela Universal International Studios, uma divisão do Universal Studio Group. Entre os produtores executivos destacam-se Tim Bevan e Eric Fellner, dois dos nomes mais influentes da produção europeia contemporânea.

Harry Hole chega finalmente em força à televisão

Depois de várias tentativas irregulares de adaptação ao cinema, o universo de Harry Hole encontra agora na televisão o espaço ideal para respirar, desenvolver personagens e explorar a densidade psicológica que define os romances de Jo Nesbø. Com uma abordagem assumidamente sombria, adulta e centrada no conflito humano, Jo Nesbø’s Detective Holeperfila-se como uma das grandes séries policiais do ano.

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A estreia está marcada para 26 de Março, na Netflix.

Timothée Chalamet, Pingue-Pongue e Susan Boyle: o Actor que Não Tem Medo de Sonhar em Grande

Aos 29 anos, o protagonista de Marty Supreme fala de obsessão, ambição e da defesa do cinema em sala

Timothée Chalamet é hoje uma das figuras mais reconhecíveis e discutidas da sua geração em Hollywood, mas continua a falar do seu percurso com uma franqueza pouco habitual para uma estrela do seu calibre. A propósito de Marty Supreme, o seu novo filme, o actor revelou até que ponto está disposto a ir para tornar um papel credível — mesmo que isso implique sete anos a treinar pingue-pongue.

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O projecto chegou-lhe às mãos em 2018 e, desde então, Chalamet aproveitou praticamente todo o tempo livre para treinar. A dedicação foi tal que chegou a levar uma mesa de ténis de mesa para o deserto durante as filmagens de Dune e jogava entre cenas em Wonka. Curiosamente, este período de preparação superou os cinco anos que passou a aprender guitarra para A Complete Unknown, papel que lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Para o actor, a lógica é simples: se um espectador domina o tema retratado no filme, seja música ou desporto, tem de acreditar no que vê no ecrã.

Em Marty Supreme, Chalamet interpreta uma versão semi-ficcional de Marty Reisman, lendário jogador de pingue-pongue do pós-guerra. No filme, rebatizado como Marty Mauser, a personagem é talentosa, carismática e profundamente falível, envolvendo-se em esquemas duvidosos e decisões morais questionáveis. Ainda assim, o actor vê nela um reflexo claro da juventude: “Quando estás nos teus vinte e poucos anos, és um idiota. Este filme é muito sobre isso.”

O fim dos vinte… e a ambição sem rodeios

Chalamet completa 30 anos a 27 de Dezembro, precisamente no dia seguinte à estreia de Marty Supreme nos cinemas. Olhando para trás, não esconde o privilégio de uma década extraordinária, marcada por duas nomeações ao Óscar e um estatuto raro para alguém tão jovem. Essa confiança ficou bem patente no seu discurso ao receber o SAG Award de Melhor Actor, onde afirmou estar “em busca da grandeza”, citando nomes como Daniel Day-Lewis, Marlon Brando, Viola Davis ou até ícones do desporto como Michael Jordan.

Apesar disso, admite também fragilidade e aprendizagem. À medida que se aproxima dos 30, fala da necessidade de crescer, de ganhar equilíbrio e de não ser demasiado duro consigo próprio — nem com os outros.

Defender o cinema… e surpreender com Susan Boyle

Num momento em que se discute intensamente o futuro das salas de cinema, Chalamet assume uma posição clara: acredita que os cinemas vão sobreviver e sente que é responsabilidade dos actores levar os filmes até ao público, e não o contrário. Marty Supreme, um filme original e pensado para o grande ecrã, surge para ele como um pequeno acto de resistência num mercado dominado por sequelas e streaming.

A promoção do filme tem sido tudo menos convencional: falsas reuniões de marketing “leakadas”, roupas combinadas em passadeiras vermelhas e a oferta de casacos do filme a figuras que considera “grandes”. Entre os nomes que admira no Reino Unido, destacou Lewis Hamilton e os Beckham — mas foi a última escolha que apanhou todos de surpresa: Susan Boyle.

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Sem ironia, Chalamet explicou a admiração pela cantora escocesa como símbolo de alguém que “sonhou maior do que todos nós”, recordando o impacto global da sua actuação em 2009. Um momento viral que, para ele, marcou uma geração — tal como espera que o seu próprio percurso continue a fazê-lo.

Em Portugal a estreia está agendada para 22 de Janeiro.

Warner Bros Rejeita Oferta de 108 Mil Milhões da Paramount e Mantém Acordo com a Netflix

Conselho de administração recusou proposta considerada “superior” e fechou a porta a uma das maiores operações da história dos media

Warner Bros. Discovery rejeitou oficialmente a proposta de aquisição apresentada pela Paramount Skydance, avaliada em 108,4 mil milhões de dólares (cerca de 80,75 mil milhões de euros), numa decisão que volta a baralhar o tabuleiro das grandes fusões no sector do entretenimento global. A informação foi confirmada através de um comunicado dirigido aos accionistas, no qual o conselho de administração da Warner Bros. afirma ter recomendado “por unanimidade” a rejeição da oferta.

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A decisão surge apesar de a Paramount ter defendido publicamente que a sua proposta era “superior” ao acordo já estabelecido entre a Warner Bros. Discovery e a Netflix, avaliado em cerca de 72 mil milhões de dólares, e que envolve os activos de cinema e streaming do estúdio norte-americano. Ainda assim, a administração da Warner considerou que o entendimento com a Netflix representa a opção mais vantajosa para o futuro da empresa.

Dúvidas sobre financiamento pesaram na decisão

De acordo com o Financial Times, um dos factores determinantes para a rejeição da proposta da Paramount esteve relacionado com preocupações sobre a estrutura de financiamento do negócio. A Warner Bros. terá manifestado reservas quanto à solidez financeira da operação e à capacidade dos proponentes para concretizar uma aquisição desta dimensão sem riscos significativos.

A situação tornou-se ainda mais frágil quando se soube que a Affinity Partners, um dos principais financiadores da tentativa de compra, abandonou as negociações. A empresa, fundada por Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá saído do processo alegando a presença de “dois concorrentes fortes” na corrida — uma referência implícita à Netflix e a outros potenciais interessados.

Nem a Warner Bros. Discovery nem a Paramount comentaram publicamente a decisão até ao momento, apesar dos pedidos de esclarecimento feitos pela BBC. A própria Affinity Partners também não respondeu oficialmente.

Um estúdio em plena reconfiguração

A Warner Bros. Discovery colocou-se formalmente à venda em Outubro, depois de ter recebido múltiplas manifestações de interesse por parte de potenciais compradores, entre os quais se incluía precisamente a Paramount Skydance. O movimento foi visto como mais um sinal da profunda transformação que atravessa a indústria dos media, pressionada pela quebra das receitas tradicionais, pela guerra do streaming e pela necessidade de escala global.

5 de Dezembro, a Warner anunciou então o acordo com a Netflix, um dos mais significativos da história recente do sector, transferindo para a gigante do streaming os seus negócios de cinema e plataformas digitais. A rejeição da proposta da Paramount confirma agora que essa estratégia está a ser encarada como definitiva — pelo menos para já.

Um sinal claro para Hollywood

Este episódio ilustra bem o momento de incerteza vivido por Hollywood, onde estúdios históricos procuram alianças com plataformas tecnológicas para garantir sobrevivência e relevância. A decisão da Warner Bros. Discovery deixa claro que, apesar de propostas mais elevadas no papel, a previsibilidade, a execução e a confiança estratégica pesam tanto ou mais do que os números.

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Para a Paramount, fica uma derrota pesada. Para a Netflix, uma vitória silenciosa. E para o sector, a confirmação de que a consolidação dos media está longe de terminar.

Pai Mãe Irmã Irmão: Jim Jarmusch Regressa ao Cinema Íntimo e Humano

Um tríptico delicado sobre relações familiares com estreia anunciada para Janeiro em Portugal

Jim Jarmusch está de volta ao grande ecrã com Pai Mãe Irmã Irmão, um filme que cruza drama e comédia através de um olhar sereno, observador e profundamente humano sobre as relações familiares. A longa-metragem tem estreia anunciada para 8 de Janeiro nas salas de cinema portuguesas, de acordo com a informação divulgada no press.

Conhecido pelo seu cinema de personagens, diálogos contidos e atenção ao não-dito, Jarmusch apresenta aqui uma obra estruturada como um tríptico narrativo, composta por três histórias independentes, ligadas por temas comuns e por uma abordagem emocionalmente contida, mas reveladora.

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Três histórias, três países, as mesmas distâncias emocionais

Pai Mãe Irmã Irmão acompanha filhos adultos e a forma como se relacionam entre si e com figuras parentais emocionalmente distantes. Cada uma das três histórias decorre no presente e em contextos geográficos distintos, sublinhando a universalidade dos conflitos familiares, independentemente do lugar.

O primeiro segmento, “Pai”, decorre no nordeste dos Estados Unidos. Segue uma dinâmica marcada por silêncios, expectativas não verbalizadas e a dificuldade em estabelecer pontes emocionais numa relação paterna desgastada pelo tempo.

Em “Mãe”, a acção desloca-se para Dublin, na Irlanda, onde a relação entre filhos e mãe é explorada a partir de reencontros, memórias partilhadas e tensões latentes, num registo onde a melancolia convive com um humor subtil.

Por fim, “Irmã Irmão”, passado em Paris, França, centra-se na ligação entre irmãos adultos, examinando afectos, rivalidades e cumplicidades moldadas por uma história familiar comum.

Um cinema de observação, sem julgamentos

Fiel ao seu estilo, Jim Jarmusch constrói o filme como uma sequência de estudos de personagem. Não há dramatizações excessivas nem conflitos explosivos. O interesse do realizador está nos pequenos gestos, nas pausas, nos olhares e na forma como as personagens lidam com emoções que raramente sabem nomear.

O tom é descrito como tranquilo, observador e sem preconceitos, assumindo-se como uma comédia subtil, mas atravessada por traços de melancolia. O riso surge de situações humanas reconhecíveis, muitas vezes desconfortáveis, onde o afecto e a distância coexistem.

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Jim Jarmusch e o regresso ao essencial

Com Pai Mãe Irmã Irmão, Jarmusch parece regressar a um território que lhe é particularmente caro: histórias simples na forma, mas complexas naquilo que revelam sobre a condição humana. A fragmentação narrativa do tríptico permite olhar para diferentes configurações familiares sem hierarquias ou conclusões fechadas, convidando o espectador a reconhecer algo de si próprio em cada uma delas.

Mais do que respostas, o filme propõe observação, empatia e tempo — três elementos cada vez mais raros no cinema contemporâneo.

Estreia em Portugal

De acordo com a informação disponibilizada, Pai Mãe Irmã Irmão tem estreia anunciada para 8 de Janeiro nas salas de cinema portuguesas. Até lá, o filme perfila-se como uma das propostas mais discretas, mas potencialmente mais marcantes, do início do ano para quem acompanha cinema de autor.