De Estrela de Acção a Caso Perdido: O Que Destruiu a Carreira de Steven Seagal?

Durante um breve mas intenso período no início dos anos 90, Steven Seagal parecia destinado a tornar-se um dos grandes nomes do cinema de acção. Tinha presença física, uma aura de invencibilidade, uma arte marcial pouco explorada em Hollywood e o apoio das pessoas certas. Mas a mesma carreira que subiu a uma velocidade impressionante acabou por implodir de forma quase tão rápida. A pergunta impõe-se: o que correu tão mal?

A resposta curta é simples e pouco elegante: Steven Seagal é uma besta! … ou pondo em termos mais polidos… tornou-se impossível de suportar. A resposta longa é bem mais reveladora — e diz muito sobre Hollywood, o ego, o talento (ou a falta dele) e a importância de saber evoluir.

Um início improvável… mas eficaz

Steven Seagal não chegou a Hollywood pela via tradicional. O seu primeiro grande trunfo foi o aikido, arte marcial japonesa que ensinava em Los Angeles. Entre os seus alunos estava Michael Ovitz, um dos fundadores da poderosa Creative Artists Agency (CAA). Ovitz viu ali uma oportunidade rara: um tipo grande, exótico, com uma imagem de dureza silenciosa e um estilo de luta diferente de tudo o que o cinema americano tinha mostrado até então.

Ovitz transformou Seagal numa estrela quase por decreto. O actor estreou-se em Above the Law (1988) e, nos quatro anos seguintes, protagonizou cinco filmes, todos eles sucessos comerciais. Hard to KillMarked for Death e Out for Justicecimentaram a imagem do “durão reformado” que regressa à acção para limpar tudo à sua volta.

O auge chegou com Under Siege, frequentemente apontado como o melhor filme da sua carreira. Críticos mais generosos chegaram a compará-lo a Die Hard num navio de guerra. O problema é que, a partir daí, Seagal achou que já tinha ganho o jogo.

O herói que nunca perde deixa de interessar

Ao contrário de Sylvester StalloneArnold SchwarzeneggerBruce Willis ou Harrison Ford, Steven Seagal nunca foi um herói vulnerável. Os seus personagens não enfrentavam obstáculos reais. Não aprendiam, não falhavam, não sangravam de forma significativa. Entravam numa sala e derrotavam todos os inimigos como se fossem figurantes descartáveis.

Esse modelo funcionou… durante algum tempo. Mas rapidamente se tornou repetitivo. Seagal só sabia interpretar uma personagem: o homem moralmente superior, taciturno, praticamente invencível, sempre um passo à frente de toda a gente. Não havia arco dramático. Não havia surpresa. Nem sequer variação de expressão facial — algo que se tornou motivo de piada recorrente.

Quando tentou assumir maior controlo criativo, o desastre foi inevitável. On Deadly Ground (1994), o único filme que realizou, foi um fracasso crítico e comercial, carregado de moralismo ecológico e auto-indulgência. A partir daí, a confiança dos estúdios começou a evaporar-se.

Talento limitado, ego ilimitado

Há um aspecto que Seagal nunca conseguiu contornar: não é um bom actor. Nunca foi. Enquanto os seus contemporâneos evoluíam, exploravam outros géneros e até brincavam com a própria imagem, Seagal manteve-se preso à mesma persona, convencido de que bastava a sua presença para justificar qualquer filme.

O problema agravou-se fora do ecrã. Hollywood é pequena e a reputação conta — muito. Seagal rapidamente ganhou fama de ser rude, confrontacional e abusivo, especialmente com duplos e membros das equipas técnicas. Há relatos de agressões físicas durante ensaios, incluindo um episódio em que terá partido o pulso de Sean Connery durante a preparação de Never Say Never Again.

A isto somam-se acusações de assédio sexual, comportamentos profundamente inadequados em filmagens (incluindo situações envolvendo actrizes muito jovens, como Katherine Heigl), e uma atitude geral de vedeta auto-proclamada quando, na prática, o seu valor comercial já estava em queda livre.

Política, misticismo… e isolamento total

Nos anos seguintes, Steven Seagal conseguiu ainda alienar quem restava. A sua amizade pública com Vladimir Putin, a obtenção da cidadania russa e o seu envolvimento em discursos políticos duvidosos tornaram-no uma figura tóxica para os grandes estúdios americanos.

Como se não bastasse, Seagal passou a apresentar-se como budista tibetano, alegadamente reconhecido como a reencarnação de um lama — um episódio recebido com cepticismo e sarcasmo dentro e fora da indústria. O resultado foi um afastamento quase total de Hollywood.

A partir dos anos 2000, a sua carreira resumiu-se a filmes de baixo orçamento, muitos deles lançados directamente em vídeo, onde aparece cada vez menos em cena, muitas vezes sentado, murmurando diálogos enquanto outros fazem o trabalho físico.

O fim anunciado de uma estrela que nunca quis mudar

Steven Seagal não foi destruído por um único erro, nem por um único escândalo. Foi destruído por uma combinação letal: falta de versatilidade, ego desmedido, comportamentos tóxicos e incapacidade de evoluir. Hollywood pode tolerar divas, pode tolerar excentricidades — mas raramente tolera alguém que seja simultaneamente difícil, dispensável e substituível.

Durante alguns anos, Seagal foi uma estrela. Mas nunca percebeu que, para continuar a sê-lo, precisava de fazer aquilo que sempre recusou: crescer.

E Hollywood nunca perdoa quem acredita que já chegou ao topo… quando, na verdade, só lá esteve de passagem.

Os 20 Dias Que Antecederam o Regresso ao Poder: O Documentário Que Mostra Melania Trump Como Nunca a Vimos

Ainda há poucos dias falámos deste documentário que está a agitar as notícias destes dias. Finalmente temos algo de concreto para o público português.

Durante anos, Melania Trump foi uma das figuras mais enigmáticas da política americana. Discreta, controlada, muitas vezes reduzida a imagens protocolares e a frases cuidadosamente escolhidas, a antiga Primeira-Dama sempre pareceu manter o mundo à distância. Melania, o novo documentário dos Amazon MGM Studios, promete precisamente o contrário: abrir as portas de um período decisivo e mostrar, sem filtros, os 20 dias que antecederam a Tomada de Posse Presidencial de 2025.

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Com estreia mundial nos cinemas a 30 de Janeiro, o filme acompanha o regresso de Melania Trump à Casa Branca, num momento de enorme tensão política, mediática e pessoal. Não se trata de um retrato histórico convencional, nem de um panfleto político. O documentário aposta antes num registo intimista, observacional, centrado na logística, nas decisões e no peso simbólico de reassumir um dos papéis mais escrutinados do planeta.

O grande trunfo de Melania está no acesso sem precedentes concedido à câmara. Reuniões decisivas, conversas privadas e bastidores nunca antes filmados compõem um retrato raro da transição presidencial vista através dos olhos da própria Primeira-Dama. O espectador acompanha a coordenação da tomada de posse, a complexa mudança da família de volta para Washington e o equilíbrio delicado entre vida familiar, compromissos institucionais e estratégias de comunicação.

Nas suas próprias palavras, Melania Trump sublinha a natureza excepcional do projecto, assumindo que este período representa “um capítulo decisivo” da sua vida. O filme procura captar exactamente isso: não apenas a figura pública, mas a mulher que gere pressões contraditórias, expectativas globais e uma imagem construída ao longo de décadas sob o olhar permanente dos media.

Com 104 minutos de duração, Melania evita o tom sensacionalista e aposta numa narrativa contida, quase silenciosa em certos momentos, que reflecte a própria personalidade da protagonista. Há uma clara intenção de controlo da narrativa, mas também uma vontade de mostrar o peso real do cargo e a dimensão humana por detrás da coreografia política.

Para o Clube de Cinema, este documentário interessa menos pelo debate ideológico e mais pelo seu valor enquanto objecto cinematográfico e documento de época. É um raro exemplo de cinema político centrado não no líder, mas na figura que gravita à sua volta, muitas vezes subestimada, mas crucial na construção simbólica do poder.

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Independentemente da posição que cada espectador tenha em relação à família Trump, Melania surge como um retrato revelador de como o poder se organiza, se encena e se vive nos bastidores. Um filme que, sem levantar a voz, diz mais do que muitos discursos.

O Vilão Que Faltava ao Cinema da DC: James Gunn Encontra Finalmente o Seu Brainiac

Durante décadas, os fãs de Superman perguntaram-se como era possível um dos vilões mais icónicos da banda desenhada nunca ter chegado, em condições, ao grande ecrã. Agora, essa lacuna histórica está prestes a ser preenchida. James Gunnjá escolheu quem vai dar vida a Brainiac em Man of Tomorrow: o actor alemão Lars Eidinger, um dos intérpretes mais respeitados do cinema europeu contemporâneo.

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A escolha não é inocente nem óbvia — e isso diz muito sobre o caminho que Gunn está a traçar para o novo universo cinematográfico da DC. Brainiac não é apenas mais um vilão musculado ou um antagonista de ocasião. Criado por Otto Binder e Al Plastino, estreou-se em Action Comics #242 como uma entidade fria, lógica e absolutamente obcecada com o conhecimento. Um andróide oriundo do planeta Colu, cuja missão é recolher — e preservar — todo o saber do universo, mesmo que isso implique destruir civilizações inteiras pelo caminho.

Em Man of Tomorrow, Brainiac será finalmente apresentado ao cinema como a ameaça cósmica que sempre foi nos comics. A história junta Superman, interpretado por David Corenswet, e Lex Luthor, agora com o rosto de Nicholas Hoult, numa improvável aliança contra um inimigo capaz de encolher cidades, apagar planetas e reescrever a própria história do universo. Nos comics, Brainiac tem ligações directas à destruição de Krypton, o planeta natal de Kal-El, o que abre portas a uma abordagem mais trágica e existencial da mitologia do herói.

A escolha de Lars Eidinger reforça essa ambição. Conhecido por trabalhos intensos e desconfortáveis em filmes como Clouds of Sils MariaPersonal Shopper ou White Noise, Eidinger traz consigo uma presença inquietante, cerebral e profundamente humana — qualidades raras num vilão digitalizado até ao último pixel. Nomeado recentemente para Actor Europeu do Ano nos European Film Awards pelo filme Dying, o actor alemão representa uma aposta clara num Brainiac menos caricatural e mais perturbador.

James Gunn confirmou pessoalmente a escolha nas redes sociais, escrevendo: “Na nossa procura mundial por Brainiac para Man of Tomorrow, Lars Eidinger destacou-se claramente. Bem-vindo ao DCU.” Uma frase simples, mas que diz muito sobre o método de Gunn: menos nomes óbvios, mais escolhas com peso artístico real.

Man of Tomorrow deverá iniciar filmagens em Abril e tem estreia marcada para 9 de Julho de 2027. O projecto surge depois do sucesso comercial de Superman, o primeiro grande filme do novo DC Studios liderado por Gunn e Peter Safran, que arrecadou mais de 616 milhões de dólares em todo o mundo. A expectativa é alta, não apenas por ser um novo capítulo do Homem de Aço, mas por finalmente trazer ao cinema um vilão que sempre foi demasiado grande, complexo e inteligente para ser ignorado.

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Se Gunn cumprir o que promete, Brainiac pode tornar-se não só o maior antagonista cinematográfico de Superman, mas também o símbolo de uma DC mais adulta, ambiciosa e disposta a pensar para além do óbvio. E isso, para quem acompanha estas personagens há décadas, já é uma pequena vitória.

Um thriller à moda antiga que sabe divertir: The Housemaid  arruma a casa no Rotten Tomatoes

Durante anos, os thrillers eróticos e psicológicos liderados por protagonistas femininas dominaram as salas de cinema, sobretudo nos anos 90, antes de desaparecerem quase por completo dos multiplexes. The Housemaid surge agora como um curioso regresso a esse território — consciente das suas raízes, assumidamente exagerado quando convém e, acima de tudo, interessado em entreter sem pedir desculpa.

Realizado por Paul Feig, conhecido sobretudo pelo seu trabalho na comédia, o filme aposta num registo inesperadamente sombrio e sedutor. A história acompanha Millie, interpretada por Sydney Sweeney, uma jovem que aceita um emprego aparentemente perfeito ao serviço de um casal rico, vivido por Amanda Seyfried e Branden Sklenar. O que começa como uma oportunidade de recomeço transforma-se rapidamente num jogo perigoso de manipulação, segredos e relações de poder.

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A recepção crítica tem sido, no geral, bastante favorável. Com uma pontuação de 78% no Rotten Tomatoes, baseada em cerca de uma centena de críticas, The Housemaid assume-se como um “guilty pleasure” bem executado. O consenso do agregador descreve-o como um regresso astuto aos thrillers sensacionalistas que outrora dominaram os cinemas, destacando o sentido de diversão do filme e, sobretudo, a interpretação “deliciosamente inquietante” de Amanda Seyfried.

Vários críticos elogiam a forma como o filme abraça o seu lado mais provocador. Há quem sublinhe o prazer quase nostálgico de assistir a um thriller psicológico que não tem receio de ser excessivo, sensual e assumidamente popular. Para alguns, trata-se exactamente do tipo de filme que já não se faz com frequência: directo, retorcido e eficaz na forma como conduz o espectador por sucessivas reviravoltas.

Naturalmente, nem todos ficaram convencidos. Algumas críticas apontam que o filme poderia ter ido ainda mais longe no seu lado “camp”, explorando com maior descaramento a sua natureza exagerada. Outras consideram que, apesar da forte química entre Sweeney e Seyfried, a narrativa nem sempre acompanha o potencial das suas protagonistas. Ainda assim, mesmo entre os detractores, há consenso quanto à qualidade do elenco e à energia que as actrizes imprimem às personagens.

Um dos aspectos mais interessantes de The Housemaid é precisamente o modo como Paul Feig se afasta da comédia pura para explorar um território mais sombrio, sem nunca perder o controlo do tom. O realizador parece divertir-se com as convenções do género, equilibrando tensão, humor negro e provocação, num filme que sabe exactamente o que é — e o que não pretende ser.

Para Sydney Sweeney, o filme representa mais um passo na consolidação de uma carreira que tem sabido alternar entre projectos de prestígio e cinema de género. Já Amanda Seyfried entrega uma das interpretações mais memoráveis do filme, jogando com ambiguidade e ameaça de forma subtil e eficaz.

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The Housemaid não tenta reinventar o thriller psicológico, mas também não se limita a reciclar fórmulas. É um filme consciente do seu ADN, que aposta na tensão sexual, no jogo psicológico e na diversão pura. Para quem sente saudades dos thrillers adultos que enchiam as salas nos anos 90, esta é uma visita surpreendentemente satisfatória — e bem arrumada.

A casa mais doce do cinema de Natal: Sozinho em Casa inspira a maior casa de gengibre do mundo

Trinta e cinco anos depois da sua estreia, Sozinho em Casa continua a provar que é muito mais do que um simples clássico natalício. É um verdadeiro fenómeno cultural, capaz de atravessar gerações, plataformas e… agora também recordes do Guinness. Para assinalar o aniversário redondo do filme, a Disney+ e a Hulu decidiram subir a parada e construíram a maior casa de gengibre do mundo, inspirada na icónica casa da família McCallister.

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A estrutura monumental, certificada oficialmente pelo Guinness World Records, recria a famosa moradia suburbana onde Kevin McCallister enfrentou, sozinho, os inesquecíveis “Wet Bandits”. Com 34 pés de comprimento, 58 de largura e 22 de altura (mais de 10 metros de comprimento e quase 7 metros de altura), a casa não é apenas decorativa: é uma verdadeira obra de engenharia açucarada.

A construção demorou oito dias intensivos e envolveu números absolutamente impressionantes. Foram utilizados cerca de 3.300 quilos de farinha, mais de 6.600 ovos, 75 litros de “cola” comestível e cerca de 4,5 quilos de fondant. Tudo isto para erguer uma réplica doce de uma das casas mais famosas da história do cinema, agora transformada num postal natalício em escala real.

A casa de gengibre encontra-se em exibição em Hollywood e funciona como uma poderosa acção promocional, mas também como uma declaração de amor a um filme que nunca saiu verdadeiramente de cena. Realizado por Chris Columbus e protagonizado por Macaulay CulkinSozinho em Casa estreou em 1990 e tornou-se rapidamente num sucesso global, redefinindo o cinema familiar de Natal e criando um herói improvável que marcou toda uma geração.

Mais do que celebrar um aniversário, esta iniciativa sublinha a longevidade do filme num panorama mediático cada vez mais volátil. Poucos títulos conseguem manter-se relevantes durante três décadas e meia, atravessando VHS, DVD, televisão por cabo e, agora, plataformas de streaming, sem perder o estatuto de ritual natalício obrigatório.

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Entre armadilhas engenhosas, gargalhadas garantidas e uma casa que agora bate recordes mundiais… fica claro que Kevin McCallister continua a proteger muito bem o seu território no imaginário colectivo. Desta vez, coberto de açúcar, farinha e nostalgia.

Quando Rambo deixou de ser vítima para virar super-herói: a guerra criativa entre James Cameron e Sylvester Stallone

Poucos filmes ilustram tão bem a transformação do cinema de acção dos anos 80 como Rambo: First Blood Part II. Aquilo que começou, em First Blood, como um retrato amargo de um veterano traumatizado pelo Vietname acabou por se tornar um desfile musculado de explosões, frases lapidares e contagens de cadáveres dignas de banda desenhada. E, ao contrário do que muitos pensam, essa mudança não foi apenas estética — foi também o resultado de um verdadeiro braço-de-ferro criativo entre James Cameron e Sylvester Stallone.

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Quando Cameron foi contratado pela Carolco para escrever o argumento da sequela, o realizador ainda não era o nome lendário que viria a ser. Aceitou o trabalho “pelo dinheiro”, como admitiria mais tarde, mas tentou manter viva a dimensão psicológica que tornara First Blood especial. O seu guião, intitulado First Blood II: The Mission, mergulhava novamente no trauma de John J. Rambo, explorando o stress pós-traumático e o peso emocional da guerra, mesmo num contexto de missão de resgate em território vietnamita.

O problema é que Stallone tinha outra visão. Depois de, no primeiro filme, ter sido ele próprio a suavizar o argumento original — retirando mortes e tornando Rambo mais humano e vulnerável —, o actor decidiu que a sequela precisava de algo diferente. O público dos anos 80 queria heróis maiores do que a vida, e Stallone percebeu isso antes de muitos. O resultado foi uma revisão profunda do texto de Cameron, ao ponto de o próprio realizador admitir que apenas cerca de metade do seu guião chegou ao ecrã.

A versão final do filme mantém a premissa básica — Rambo regressa ao Vietname para resgatar prisioneiros de guerra —, mas abandona grande parte da introspecção psicológica em favor da acção pura. O Rambo pacifista, que no primeiro filme não matava ninguém, transforma-se aqui numa máquina de combate que elimina dezenas de inimigos. A mudança é tão radical que redefine a personagem para sempre, empurrando a saga para um território cada vez mais exagerado, que atingiria o auge em Rambo III.

As diferenças entre os dois argumentos são reveladoras. No guião de Cameron, Rambo surge internado num hospital de veteranos, isolado, claramente marcado pela guerra. Há mais atenção aos prisioneiros que ele vai salvar, com histórias pessoais e humanidade próprias. Existe até uma personagem secundária pensada como alívio cómico e apoio técnico — alegadamente escrita a pensar em John Travolta — que desapareceu completamente na versão final. Stallone optou por simplificar tudo isso, introduzindo antes a personagem interpretada por Julia Nickson e acelerando o ritmo rumo à carnificina.

Curiosamente, Cameron nunca renegou totalmente o trabalho feito. Pelo contrário: reconheceu que a experiência lhe permitiu reciclar ideias. Alguns dos temas rejeitados em Rambo: First Blood Part II acabariam por ressurgir em Aliens, nomeadamente a ideia de personagens que regressam a cenários traumáticos e lidam com as cicatrizes psicológicas da violência extrema. Onde Rambo se tornou super-herói, Ellen Ripley manteve-se humana.

Este choque de visões diz muito sobre a evolução do cinema comercial da época. Cameron queria complexidade emocional; Stallone queria impacto imediato. Ambos tinham razão à sua maneira. Rambo: First Blood Part II foi um sucesso estrondoso e ajudou a definir o cinema de acção musculado dos anos 80. Mas também marcou o ponto em que a saga deixou definitivamente para trás o comentário social que estivera na sua génese.

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Hoje, visto à distância, o filme funciona quase como um estudo de caso sobre como as estrelas de Hollywood podem moldar narrativas à sua imagem — e como um personagem pode ser completamente reescrito não por um realizador ou argumentista, mas pelo actor que o encarna. Rambo deixou de ser apenas um homem quebrado pela guerra para se tornar um ícone pop global. E essa transformação nasceu, em grande parte, das tesouradas de Stallone no argumento de James Cameron.

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Há cenas de cinema que ficam gravadas na memória colectiva como se fossem rituais de época. Uma delas acontece em Sozinho em Casa, quando Kevin McCallister, o miúdo esquecido pela família no Natal, atravessa orgulhoso as portas de um supermercado carregado de sacos. Interpretado por Macaulay Culkin, Kevin sai dali com leite, sumo de laranja, pão, refeições congeladas, detergente, papel higiénico e até soldados de brincar… tudo por apenas 19 dólares e 83 cêntimos. Uma pechincha cinematográfica que, 35 anos depois, se tornou quase ficção científica.

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Nos últimos anos, o valor daquela compra voltou a circular nas redes sociais como símbolo de um tempo em que o dinheiro “esticava” mais. E não é apenas nostalgia: refazer exactamente o mesmo carrinho em 2025 dá um resultado bem diferente. Usando preços actuais de um supermercado próximo da zona suburbana de Chicago onde vive a família McCallister, o total chegaria hoje aos 53,95 dólares — ou 52,95 com o famoso cupão de desconto que Kevin apresenta com ar triunfante. Um aumento de cerca de 167% em pouco mais de três décadas.

O carrinho original incluía meia-garrafa de leite, meia-garrafa de sumo de laranja, um pão branco grande, um jantar de micro-ondas, massa com queijo congelada, detergente líquido Tide, película aderente, folhas para a máquina de secar, papel higiénico e um saco de soldados de brinquedo. Nada de luxos, nada de produtos gourmet. Ainda assim, o choque de preços diz muito sobre a evolução do custo de vida — e ajuda a explicar porque é que aquela cena hoje provoca tanto espanto.

Entre 2019 e 2024, os preços dos alimentos para consumo em casa nos Estados Unidos subiram mais de 27%, segundo o índice de preços ao consumidor. O período mais agressivo coincidiu com a pandemia, quando rupturas nas cadeias de abastecimento, aumento dos custos energéticos, falta de mão-de-obra e instabilidade global empurraram os preços para cima. O ritmo da inflação abrandou, mas os valores nunca regressaram ao ponto de partida.

Alguns produtos tornaram-se símbolos desse aumento. Os ovos mais do que duplicaram de preço em certos momentos, o pão encareceu devido aos custos do trigo e do combustível, e o café sofreu com fenómenos climáticos que afectaram grandes produtores mundiais. A carne seguiu o mesmo caminho, com secas e redução dos efectivos de gado a pressionarem a oferta. Até o leite, presença constante no cinema familiar americano, subiu de forma consistente.

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Visto à distância, Sozinho em Casa ganha uma camada inesperada de leitura: além de clássico natalício, tornou-se uma cápsula do tempo económica. A ingenuidade daquela ida às compras — com um miúdo de oito anos a gerir sozinho a despensa — hoje parece quase tão improvável quanto as armadilhas caseiras que Kevin monta para travar os ladrões. Talvez por isso o filme continue a regressar todos os Natais: não apenas pela comédia e pelo coração, mas porque nos lembra um mundo que, para muitos, já parece pertencer a outro século.

O trailer que correu tudo… menos o som: quando Tom Cruise virou meme e afundou um universo inteiro

Há nove anos, Tom Cruise protagonizou um dos momentos mais involuntariamente cómicos da história recente de Hollywood. Não foi num filme, nem numa entrevista, mas num trailer. Um trailer “partido”, sem música nem efeitos sonoros, que acabou por se tornar a coisa mais memorável — e, ironicamente, mais divertida — de toda uma franquia que nasceu morta: o ambicioso Dark Universe da Universal.

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Em 2017, a Universal Pictures apostava forte em The Mummy, uma nova versão do clássico protagonizada por Cruise, com a missão clara de lançar um universo partilhado inspirado nos lendários monstros do estúdio. A ideia era simples no papel: repetir a fórmula da Marvel com múmias, vampiros, lobisomens e afins. O problema? Tudo começou a descarrilar ainda antes da estreia… graças a um trailer IMAX lançado com um erro técnico absolutamente surreal.

O vídeo chegou às salas praticamente sem banda sonora. Não havia música épica, não havia efeitos especiais sonoros, não havia qualquer tipo de mistura final. O que sobrava? Diálogos soltos… e Tom Cruise a gritar. Muito. Durante quase dois minutos. O resultado era tão estranho quanto hilariante: perseguições aéreas acompanhadas apenas por gritos humanos em eco, sem qualquer enquadramento dramático.

A internet, como seria de esperar, fez o resto. O trailer foi rapidamente retirado pela Universal, mas já era tarde demais. Cópias começaram a circular e o vídeo transformou-se num meme global. Os gritos de Cruise passaram a ser sobrepostos a cenas icónicas do cinema: Darth Vader em Revenge of the Sith, Superman em Man of Steel, ou até a lendária cena de voleibol de Top Gun. Para muitos, essa versão “sem som” tornou-se mais marcante do que o próprio filme.

O mais cruel é que The Mummy precisava desesperadamente de uma boa primeira impressão. O Dark Universe já vinha coxo desde The Wolfman e Dracula Untold, dois ensaios falhados que não convenceram nem público nem crítica. Este reboot com Cruise era visto como o último cartucho. O trailer-meme não ajudou — antes pelo contrário, tornou o filme alvo de chacota antes mesmo de chegar aos cinemas.

Quando finalmente estreou, The Mummy confirmou os receios: uma narrativa confusa, excesso de exposição, personagens mal definidas e um tom indeciso entre terror, aventura e blockbuster genérico. O Dark Universe foi silenciosamente enterrado pouco depois, com projectos como Bride of Frankenstein ou Invisible Man a serem cancelados ou repensados (este último só ressuscitaria anos mais tarde, noutra abordagem).

Hoje, passados nove anos, o legado dessa tentativa falhada resume-se a um vídeo viral. Um erro técnico transformado em fenómeno cultural. Um lembrete de que, mesmo em Hollywood, bastam dois minutos sem música para destruir anos de planeamento estratégico.

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E talvez seja esse o maior paradoxo: o Dark Universe falhou redondamente, mas ofereceu ao mundo algo inesquecível. Não um novo universo cinematográfico — mas um Tom Cruise a gritar no vazio, eternizado na memória colectiva da internet.

O Filme Que Quase Enlouqueceu Uma Actriz: Os Bastidores Perturbadores de The Shining

Poucos filmes conseguiram atravessar décadas com a mesma aura de mistério, desconforto e fascínio obsessivo que The Shining. Realizado por Stanley Kubrick, o clássico de terror de 1980 não é apenas um marco do género — é também um dos casos mais discutidos, analisados e polémicos da história do cinema quando se fala de bastidores. E há uma razão simples para isso: The Shining não foi apenas um filme sobre a loucura. Foi um filme feito à beira dela.

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Ao longo dos anos, surgiram livros, documentários, entrevistas e testemunhos que revelam um processo de produção tão extenuante quanto perturbador, especialmente para Shelley Duvall, a actriz que interpretou Wendy Torrance. Para muitos, o que aconteceu no plateau levanta uma pergunta desconfortável: até onde pode ir um realizador em nome da arte?

Stanley Kubrick: o génio que não aceitava limites

Kubrick já tinha fama de perfeccionista obsessivo antes de The Shining. Era conhecido por repetir cenas dezenas — por vezes centenas — de vezes, não por capricho, mas por acreditar que a verdade emocional surgia apenas quando o actor estava completamente exausto, desarmado e incapaz de “interpretar”.

No caso de The Shining, essa filosofia atingiu um extremo raramente visto. A rodagem decorreu maioritariamente nos estúdios Elstree, em Inglaterra, onde foi construída uma réplica gigantesca do hotel Overlook. O ambiente era controlado ao milímetro por Kubrick, que alterava luzes, cenários e movimentos de câmara constantemente, muitas vezes sem avisar os actores.

Com Jack Nicholson, Kubrick encontrou um cúmplice criativo. Nicholson compreendia o método e até parecia divertir-se com ele. Já com Shelley Duvall, a história foi muito diferente.

Shelley Duvall: quando a personagem se confunde com a pessoa

O caso de Shelley Duvall tornou-se lendário — e profundamente desconfortável. Durante toda a rodagem, Kubrick isolou deliberadamente a actriz do resto da equipa. Criticava-a em público, desvalorizava o seu trabalho e instruía técnicos e colegas a não lhe darem apoio emocional. O objectivo, segundo o próprio realizador, era simples: quebrar a actriz psicologicamente para que o medo em cena fosse real.

A famosa cena da escada, em que Wendy enfrenta Jack com um taco de basebol, foi filmada 127 vezes, um recorde na época. No final, Duvall estava fisicamente esgotada, com as mãos a sangrar e à beira de um colapso nervoso. Começou a perder cabelo devido ao stress, desenvolveu ansiedade crónica e admitiria mais tarde que nunca mais recuperou totalmente daquela experiência.

Anos depois, Duvall diria que The Shining lhe custou “uma grande parte da sua saúde mental”. A pergunta impõe-se: valeu a pena?

Um ambiente de terror real — dentro e fora do ecrã

O mais inquietante é que o clima de medo não se limitava à actriz principal. A equipa técnica descreveu a rodagem como fria, silenciosa e opressiva. Kubrick comunicava muitas vezes através de bilhetes, evitava contacto directo e mantinha um controlo absoluto sobre tudo. Não havia improviso emocional — apenas desgaste progressivo.

Curiosamente, muitos elementos hoje considerados geniais no filme nasceram de acidentes ou problemas técnicos. O famoso labirinto final surgiu porque o realizador queria um clímax físico e psicológico que não existia no romance de Stephen King, autor que, aliás, detestou a adaptação e nunca escondeu o seu desagrado com a visão de Kubrick.

Arte imortal, custo humano incalculável

O resultado final é indiscutível: The Shining é uma obra-prima. A fotografia hipnótica, o uso revolucionário da steadicam, a banda sonora inquietante e a interpretação icónica de Nicholson tornaram o filme eterno. Mas esse estatuto veio com um preço.

Hoje, à luz de debates contemporâneos sobre saúde mental, ética no trabalho e abuso de poder na indústria criativa, The Shining é também um caso de estudo sobre os limites da autoria artística. Kubrick criou algo imortal — mas fê-lo à custa de pessoas reais, com consequências reais.

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Talvez seja por isso que o filme continua a inquietar tanto. Porque, no fundo, o terror mais perturbador de The Shining não está no hotel Overlook. Está nos seus bastidores.

Tom Cruise Junta-se a Iñárritu num Filme Misterioso e Explosivo: Digger Já Tem Data e Promete Abalar Tudo

Há encontros no cinema que, só por si, já fazem disparar o alarme da curiosidade cinéfila. A união entre Tom Cruise e Alejandro González Iñárritu é claramente um deles — e agora já tem nome, cartaz e data de estreia. O novo filme chama-se Digger e chega às salas de cinema a 2 de Outubro de 2026, com um slogan que não podia ser mais intrigante: “uma comédia de proporções catastróficas”.

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Produzido pela Warner Bros. Pictures e pela Legendary EntertainmentDigger marca o regresso de Iñárritu ao cinema falado em inglês pela primeira vez desde The Revenant. O argumento foi escrito pelo realizador em colaboração com Nicolás GiacoboneAlexander Dinelaris — parceiros criativos de Birdman — e Sabina Berman.

Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, descrito oficialmente como “o homem mais poderoso do mundo”, que embarca numa missão frenética para provar que é o salvador da humanidade… precisamente antes da catástrofe que ele próprio desencadeou destruir tudo. É uma premissa deliciosamente ambígua, que sugere sátira, tragédia e um olhar feroz sobre o poder, o ego e a ilusão de controlo — territórios que Iñárritu conhece como poucos.

O elenco de luxo reforça a sensação de que estamos perante um projecto fora do comum. Ao lado de Cruise surgem Sandra HüllerJohn GoodmanMichael StuhlbargJesse PlemonsSophie WildeRiz Ahmed e Emma D’Arcy — um conjunto de intérpretes associados a cinema exigente, intenso e pouco previsível.

Rodado no Reino Unido ao longo de seis meses, Digger é também o primeiro filme de Cruise desde que assinou um acordo estratégico com a Warner Bros. Discovery para desenvolver e produzir projectos pensados para o grande ecrã. A escolha de um autor como Iñárritu indica claramente que o actor não está interessado apenas em blockbusters seguros, mas em desafios criativos de maior risco.

A data de estreia em Outubro levanta ainda outra possibilidade tentadora: uma estreia em grande num festival europeu. Veneza surge como hipótese forte, até porque foi lá que Iñárritu apresentou Birdman21 Grams e mais recentemente Bardo. Cannes também não está fora de hipótese, tendo sido o palco que lançou Amores Perros e acolheu Babel e Biutiful.

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Depois de Top Gun: Maverick e Mission: Impossible – The Final Reckoning, Tom Cruise prepara-se agora para trocar a adrenalina pura por uma “comédia catastrófica” assinada por um dos autores mais implacáveis do cinema contemporâneo. Se Digger cumprir metade do que promete, pode muito bem tornar-se um dos filmes mais falados de 2026 — não pelo espectáculo, mas pelo abalo.

O Homem-Aranha Fecha Teias e Promete Emoções Fortes: Brand New Day Termina Filmagens

As câmaras desligaram-se, as teias foram recolhidas e o fato voltou ao cabide: Spider-Man: Brand New Day concluiu oficialmente as filmagens. O anúncio foi feito pelo realizador Destin Daniel Cretton, que aproveitou o momento para deixar um agradecimento particularmente caloroso a Tom Holland, elogiando a sua “liderança generosa”, “ética de trabalho incansável” e “interpretações destemidas”.

O quarto filme a solo do Homem-Aranha protagonizado por Holland retoma a história imediatamente após os acontecimentos sísmicos de No Way Home. Peter Parker vive agora num mundo onde ninguém se lembra de quem ele é — nem sequer Zendaya (MJ) ou Jacob Batalon (Ned). Uma decisão heroica, mas devastadora, que redefine completamente a vida do jovem de Queens e abre caminho a uma nova fase do herói.

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O elenco de Brand New Day confirma que a Marvel e a Sony não estão a jogar pelo seguro. Ao lado de Holland surgem Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk, Jon Bernthal no regresso do implacável Punisher, além de nomes como Tramell TillmanLiza Colón-ZayasMichael Mando (Scorpion), Marvin Jones III (Tombstone) e Sadie Sink, cujo papel permanece envolto em segredo — e especulação.

Nas redes sociais, Cretton descreveu o filme como “o projecto mais recompensador” da sua carreira, elogiando não só o elenco como também a equipa técnica, a quem atribuiu uma criatividade e dedicação “fora do comum”. O realizador, que já tinha deixado marca no MCU com Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, reforça assim a sua posição como uma das vozes mais sólidas da nova geração da Marvel.

Brand New Day tem estreia marcada para 31 de Julho de 2026, e chega carregado de expectativas. Não é para menos: cada filme do Homem-Aranha com Tom Holland superou o anterior nas bilheteiras. Homecoming arrecadou 880 milhões de dólares, Far From Home ultrapassou a barreira do milhar de milhões, e No Way Home tornou-se um fenómeno global com quase 2 mil milhões de dólares, ajudado pelo regresso histórico de Tobey Maguire e Andrew Garfield.

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Com o multiverso temporariamente fechado, memórias apagadas e novas ameaças no horizonte, Spider-Man: Brand New Day promete ser menos um espectáculo de nostalgia e mais um teste emocional ao herói — e ao público. Se o passado foi esquecido, o futuro do Homem-Aranha nunca pareceu tão imprevisível.

Uma Noite que Antecipou a Tragédia: O Confronto Familiar na Festa de Conan O’Brien Antes da Morte de Rob Reiner

O que começou como mais uma festa de Natal em Hollywood acabou por ganhar contornos sombrios e perturbadores. Novas revelações da imprensa norte-americana indicam que Conan O’Brien terá impedido convidados de chamar a polícia durante uma discussão violenta entre Rob Reiner e o seu filho, Nick Reiner, horas antes de o cineasta e a mulher, Michele Singer Reiner, serem encontrados mortos na sua casa em Los Angeles.

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Segundo relatos avançados pelo Daily Mail e confirmados por várias fontes presentes no evento, a discussão entre pai e filho, ocorrida na festa organizada por O’Brien, foi tão intensa que alguns convidados ponderaram ligar para o 911. A intervenção do anfitrião terá sido decisiva. “É a minha casa, é a minha festa, não vou chamar a polícia”, terá dito O’Brien, dissuadindo os presentes de envolverem as autoridades.

A situação foi descrita como suficientemente grave para levantar preocupações sobre a saúde mental de Nick Reiner. De acordo com uma das fontes, chegou a discutir-se a possibilidade de o jovem ser colocado sob observação psiquiátrica. “Havia pessoas genuinamente assustadas. A conversa passou por tentar perceber se este rapaz precisava de ser internado”, revelou um insider.

O ambiente tenso agravou-se ainda mais quando Rob Reiner, visivelmente perturbado, terá confidenciado a amigos que se sentia “aterrorizado” com o comportamento do filho. Alegadamente, o realizador de When Harry Met Sally… e Miseryterá dito algo que hoje soa tragicamente premonitório: que tinha medo de que o próprio filho pudesse magoá-lo.

Apenas um dia depois da festa, Rob Reiner, de 78 anos, e Michele Singer Reiner, de 70, foram encontrados mortos na sua residência em Brentwood, com múltiplas feridas provocadas por arma branca. A descoberta foi feita pela filha do casal, Romy Reiner. O Instituto Médico Legal de Los Angeles confirmou mais tarde que a causa da morte de ambos foi “múltiplas lesões por objectos cortantes”, classificando oficialmente o caso como homicídio.

Nick Reiner foi detido nessa mesma noite e enfrenta agora duas acusações de homicídio em primeiro grau. Compareceu pela primeira vez em tribunal esta semana, tendo ficado marcada a leitura formal da acusação para 7 de Janeiro de 2026.

Entretanto, continuam a surgir relatos inquietantes sobre o comportamento de Nick na festa de Conan O’Brien. Testemunhas afirmam que o jovem terá agido de forma errática com outros convidados, incluindo o actor e comediante Bill Hader, deixando várias pessoas desconfortáveis. “Estava a assustar toda a gente, perguntava repetidamente se as pessoas eram famosas e comportava-se de forma estranha”, contou uma fonte à revista People.

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Até ao momento, Conan O’Brien não comentou oficialmente o sucedido. O caso continua sob investigação, mas a sucessão de acontecimentos transforma aquela festa aparentemente inofensiva num capítulo perturbador de uma tragédia familiar que abalou Hollywood.

Esta Série da Netflix Mostra Porque os Zombies Ainda Podem Ser Assustadores (E Dá Uma Lição a The Walking Dead)

Durante mais de uma década, The Walking Dead foi o grande ponto de referência da ficção televisiva com zombies. Não apenas pelo número de temporadas ou pelo impacto cultural, mas porque conseguiu provar que o género podia ir além do choque fácil, apostando na psicologia das personagens, nos dilemas morais e na erosão lenta da humanidade em contexto de colapso. Ainda assim, o tempo acabou por revelar as fragilidades desse modelo: quanto mais o mundo se expandia, mais a urgência se diluía.

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É precisamente aí que entra All of Us Are Dead, uma produção sul-coreana da Netflix que, em apenas 12 episódios, lembra porque é que o apocalipse zombie deve ser vivido como um choque — e não como rotina. Lançada em 2022, a série opta por um caminho raramente seguido: mostrar o início do surto, minuto a minuto, quando ninguém sabe o que está a acontecer e cada decisão pode ser fatal.

Ao situar quase toda a acção dentro de uma escola secundária, All of Us Are Dead transforma um espaço quotidiano e reconhecível num labirinto de pânico absoluto. O que começa como mais um dia normal rapidamente se converte numa corrida desesperada pela sobrevivência, sem armas, sem planos e sem respostas. A claustrofobia do cenário amplifica a tensão e torna cada corredor, cada sala de aula e cada escada num potencial ponto sem retorno.

Enquanto The Walking Dead construiu o seu legado mostrando personagens já moldadas pelo trauma, esta série coreana aposta na transformação em tempo real. Os jovens protagonistas não são sobreviventes endurecidos, mas adolescentes confrontados pela primeira vez com a morte, a perda e a necessidade de escolher entre salvar-se ou proteger os outros. Essa fragilidade emocional dá à narrativa um peso inesperado e profundamente humano.

Outro dos grandes trunfos da série é a recusa em fugir à origem do desastre. Ao contrário de grande parte das histórias do género, que saltam directamente para um mundo já em ruínas para evitar exposição narrativa, All of Us Are Dead decide explicar como tudo começou — e porque isso importa. Com isso, a série constrói uma progressão lógica e emocional que prepara o terreno para a sua anunciada segunda temporada, que deverá assumir um tom mais assumidamente pós-apocalíptico.

Essa transição planeada revela uma disciplina narrativa que muitos sentiram faltar a The Walking Dead nos seus anos finais. Em vez de esticar indefinidamente a mesma premissa, a série da Netflix propõe fases claras: o caos inicial, a adaptação forçada e, depois, as consequências. É uma abordagem que respeita o espectador e devolve ao género algo essencial: o medo do desconhecido.

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No fim de contas, All of Us Are Dead não diminui o legado de The Walking Dead — constrói-se sobre ele. Mas fá-lo com uma intensidade concentrada, uma urgência brutal e uma clareza de propósito que prova que, mesmo depois de anos de saturação, ainda há espaço para histórias de zombies que nos deixam genuinamente sem fôlego.

Treino, Estilo e Hollywood: Ana de Armas Mostra que a Disciplina Também É uma Arte

Hollywood pode viver de ilusões, mas há coisas que não enganam — e a disciplina física é uma delas. Ana de Armas foi fotografada em Los Angeles a caminho do ginásio e deixou claro que, quando se trata de forma física, não há pausas nem dias de descanso para a motivação. Nem sequer quando a agenda está cheia de filmes, passadeiras vermelhas e rumores sentimentais.

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A actriz cubano-espanhola, que conquistou definitivamente o público e a crítica com Knives Out e consolidou o estatuto de estrela em produções de grande escala, surgiu com um visual simples, mas eficaz: top curto rosa, leggings pretas e ténis confortáveis, daqueles que denunciam alguém que vai mesmo treinar — e não apenas posar para as câmaras. A silhueta em excelente forma fez o resto do trabalho.

O toque de glamour, porque estamos a falar de Hollywood, veio num detalhe inesperado: um pequeno amuleto em forma de bolacha da sorte, pendurado numa mala Louis Vuitton. Um acessório discreto, mas revelador da mistura entre pragmatismo e sofisticação que tem marcado a imagem pública de Ana de Armas nos últimos anos. Até a ida ao ginásio parece cuidadosamente coreografada, ainda que com ar descontraído.

As imagens surgem numa altura em que o nome da actriz voltou a ser associado a manchetes mais pessoais. Circulam rumores de que o alegado relacionamento com Tom Cruise terá chegado ao fim no início do ano. Nada confirmado, como é habitual neste tipo de histórias, mas suficiente para alimentar conversas e especulações. Se houve separação, uma coisa é certa: Ana de Armas não parece minimamente abalada. Pelo contrário, transmite foco, confiança e uma serenidade que só quem está confortável na própria pele consegue projectar.

No fundo, esta breve aparição pública acaba por dizer muito mais sobre a actriz do que qualquer comunicado oficial. Ao longo da última década, Ana de Armas tem construído uma carreira sólida, longe de rótulos fáceis, alternando entre cinema de autor, blockbusters e personagens que exigem rigor físico e emocional. O treino não é apenas vaidade — é parte do ofício, sobretudo numa indústria onde o corpo é, muitas vezes, instrumento de trabalho.

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Entre sessões de musculação, passadeiras e compromissos profissionais, Ana de Armas continua a afirmar-se como uma das figuras mais interessantes da sua geração: talentosa, disciplinada e com uma presença que dispensa excessos. Em Hollywood, onde tudo parece efémero, essa consistência é, talvez, o verdadeiro luxo.

John le Carré Troca a Chávena pelo Cocktail: The Night Manager

 Regressa Mais Glamouroso, Mais Perigoso e Ainda Mais Ambicioso

Quando The Night Manager estreou em 2016, ficou imediatamente claro que algo tinha mudado no universo das adaptações de John le Carré. A espionagem deixava para trás a penumbra dos cafés enevoados e os diálogos murmurados sobre chá frio, para abraçar um mundo de hotéis de luxo, cocktails caros e conspirações globais ao sol. A segunda temporada, agora prestes a chegar, confirma essa viragem — e leva-a ainda mais longe.

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Realizada por Georgi Banks-Davies, a nova série regressa com Tom Hiddleston no papel de Jonathan Pine, o espião traumatizado que se move entre identidades falsas, lealdades frágeis e uma moral constantemente posta à prova. Ao seu lado surge Diego Calva, como um novo antagonista, num jogo de gato e rato que se desenrola entre a Europa e a América Latina, com passagens por Catalunha e Colômbia.

Uma das grandes novidades desta segunda temporada é o facto de ser a primeira adaptação do universo le Carré que não parte directamente de uma obra do escritor. A narrativa foi desenvolvida por David Farr, a partir das personagens originais, sob a supervisão criativa dos filhos do autor, Stephen Cornwell e Simon Cornwell, através da produtora Ink Factory. A pergunta orientadora, segundo Simon Cornwell, foi simples: como seriam hoje as histórias do seu pai num mundo dominado por novos centros de poder, redes criminosas transnacionais e uma economia global profundamente interligada?

O resultado é uma série que assume sem pudor o seu lado sedutor. The Night Manager continua a ser frequentemente comparada ao universo de James Bond, e não apenas pela escala internacional ou pelo brilho visual. Como observa o escritor Charlie Higson, esta é uma espionagem de “cocktail” e não de “chá”: elegante, cosmopolita e escapista, ainda que sustentada por um núcleo moral mais sombrio do que o habitual cinema de agentes secretos.

Banks-Davies reforça essa abordagem através de um imaginário visual cuidadosamente construído. Entre as suas referências estão Francis BaconFederico Fellini e ecos contemporâneos de obras como SicarioGomorrah ou ZeroZeroZero. O glamour nunca é gratuito: serve para mascarar — e tornar ainda mais perturbadora — a violência psicológica, a corrupção sistémica e o custo humano da espionagem.

O elenco acompanha essa ambição, com Olivia ColmanCamila Morrone e Indira Varma a acrescentarem densidade e carisma a um mundo onde nada é o que parece. Apesar da estética luxuosa, Simon Cornwell insiste que The Night Manager continua profundamente enraizada na realidade: por detrás da superfície sedutora estão histórias de dor, culpa e consequências irreversíveis — algo que, segundo ele, distingue claramente a série do escapismo puro de Bond.

A nova temporada chega num momento em que o universo de le Carré vive uma expansão notável. Para além desta série, The Spy Who Came in from the Cold está em cena no West End, enquanto a BBC desenvolve Legacy of Spies, projecto que poderá abrir caminho à adaptação integral da saga de George Smiley ao longo da próxima década. Uma terceira temporada de The Night Manager já está, inclusivamente, confirmada.

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Seja servido num copo de cristal ou numa chávena de porcelana, o mundo de John le Carré continua a provar que a espionagem, quando bem contada, nunca sai de moda. Apenas muda de cenário, de ritmo — e, neste caso, de bebida.

Afinal Não Era Ele: Timothée Chalamet Brinca com a Internet e Revela a Verdade Sobre o Mistério EsDeeKid

Durante semanas, a internet entregou-se a uma das suas actividades favoritas: construir teorias improváveis com convicção absoluta. Bastaram uns olhos expressivos, um rapper mascarado e o silêncio estratégico de Timothée Chalamet para nascer a ideia de que o actor estaria a viver uma vida dupla como EsDeeKid, o misterioso fenómeno do drill britânico. A especulação cresceu, ganhou força nas redes sociais e chegou até às entrevistas promocionais. Agora, Chalamet decidiu pôr um ponto final no assunto — e fê-lo com um piscar de olho bem calculado.

O actor surgiu num vídeo musical ao lado do próprio EsDeeKid, participando num remix de 4Raws, tema que recentemente entrou no top 10 do Reino Unido. O arranque do vídeo é deliberadamente provocador: durante os primeiros segundos, Chalamet surge apenas com os olhos visíveis, replicando o visual característico do rapper anónimo. Logo depois, baixa o lenço, revela o rosto e apresenta-se em verso, dissipando qualquer dúvida de forma directa, irónica e consciente do jogo mediático que estava em curso.

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Filmado numa pequena loja de conveniência no norte de Londres, o vídeo tornou-se viral em poucas horas. Não só porque encerra um dos rumores mais absurdos e persistentes dos últimos meses, mas porque o faz com humor e inteligência cultural. Em vez de negar ou ignorar o boato, Chalamet apropriou-se dele, transformando-o num momento pop perfeitamente alinhado com a lógica da internet.

A especulação tinha sido alimentada pelo próprio actor quando, questionado pela BBC sobre a alegada identidade secreta, respondeu apenas “no comment”. O silêncio foi suficiente para incendiar a imaginação colectiva, sobretudo à medida que EsDeeKid subia nas tabelas e Chalamet promovia o seu novo filme. Agora, a revelação surge como punchline final de uma história que foi crescendo à base de memes, teorias e desejo de acreditar no improvável.

As reacções não tardaram. Artistas como Central Cee e Tinie Tempah comentaram o vídeo, enquanto outros antecipam que o tema possa ainda ganhar nova vida comercial. Pelo meio, Chalamet aproveita para referenciar Marty Supreme, reforçando uma campanha promocional que tem apostado em abordagens pouco convencionais, mas extremamente eficazes.

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Para o Clube de Cinema, este episódio diz muito sobre o lugar que Timothée Chalamet ocupa hoje no cinema e na cultura pop. Não é apenas um actor talentoso a navegar entre cinema de autor e grandes produções. É alguém que percebe o funcionamento do ruído mediático contemporâneo, sabe quando deixar o boato crescer e quando o desmontar com precisão cirúrgica.

No final, o mistério fica resolvido. Mas a jogada revela algo mais interessante do que a resposta em si: Chalamet não controlou apenas a narrativa — transformou-a num espectáculo, num meme e numa ferramenta de promoção. E fê-lo sem nunca parecer forçado.

Quando o Pai Natal é Raptado, o Natal Entra em Alerta Máximo 🎄

Red One: Missão Secreta chega à noite de Consoada no TVCine Top

Na noite mais aguardada do ano, há um novo convite para reunir a família em frente ao ecrã — e não envolve apenas renas, trenós e meias na lareira. Red One: Missão Secreta estreia em televisão portuguesa no dia 24 de Dezembro, às 21h30, no TVCine Top e no TVCine+, trazendo uma abordagem inesperada, musculada e bem-humorada ao imaginário natalício.

A premissa é tão simples quanto deliciosa: o Pai Natal foi raptado. Quando a figura mais protegida do planeta desaparece, o Polo Norte entra em estado de emergência absoluta. Conhecido nos círculos de segurança como “Red One”, o Pai Natal deixa de ser apenas um símbolo de bondade para se tornar o centro de uma operação internacional de resgate.

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Uma dupla improvável para salvar o Natal

Para resolver a situação, entra em cena Callum Drift, o imperturbável chefe da força de segurança do Polo Norte, interpretado por Dwayne Johnson. Mas nenhuma missão desta escala se faz a solo. Drift vê-se obrigado a unir forças com Jack O’Malley, um hacker lendário, genial e completamente imprevisível, vivido por Chris Evans.

O resultado é uma “buddy movie” natalícia que cruza ação, fantasia e comédia, levando a narrativa por vários pontos do globo, entre criaturas mitológicas, ameaças inesperadas e uma corrida contra o tempo para salvar a noite de Natal. Pelo meio, há espaço para humor autoconsciente, sequências de ação assumidamente exageradas e uma química inesperadamente eficaz entre os dois protagonistas.

Espírito natalício… com músculo e tecnologia

Realizado por Jake KasdanRed One: Missão Secreta não esconde as suas intenções: é um filme de entretenimento puro, pensado para agradar a várias gerações. O elenco conta ainda com Lucy Liu e J. K. Simmons, este último numa versão carismática e surpreendente do Pai Natal.

Não é um clássico tradicional nem tenta sê-lo. Em vez disso, aposta numa reinvenção moderna do mito natalício, com gadgets, códigos secretos, combates coreografados e um sentido de espetáculo que encaixa perfeitamente na noite de Consoada.

A escolha perfeita para a noite de 24 de Dezembro

Para quem procura uma alternativa aos filmes de Natal mais previsíveis, Red One: Missão Secreta surge como uma opção refrescante, energética e assumidamente divertida. Um filme pensado para ser visto em família, com pipocas na mão e sem culpa nenhuma.

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Na quarta-feira, 24 de Dezembro, às 21h30, o Natal entra em modo de emergência máxima no TVCine Top.

O Documentário da Netflix Produzido por 50 Cent Sobre Sean Combs Está a Chocar — e a Dividir

Sean Combs: The Reckoning junta décadas de acusações, rumores e testemunhos num retrato tão perturbador quanto controverso

Poucos documentários recentes conseguiram provocar uma reacção tão intensa como Sean Combs: The Reckoning, a nova produção da Netflix executivamente produzida por 50 Cent. Para muitos espectadores, o filme é simultaneamente infuriador e devastador, não tanto por revelar algo totalmente novo, mas por reunir num só lugar dezenas de histórias, acusações e testemunhos que há anos circulavam de forma dispersa na cultura hip-hop e nos media norte-americanos.

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Lançado no final de 2025, o documentário surge num momento particularmente sensível da vida de Sean “Diddy” Combs, que nesse mesmo ano foi condenado em tribunal federal por dois crimes de transporte para fins de prostituição, cumprindo actualmente uma pena de 50 meses de prisão. Ainda assim, o filme opta por não se centrar no julgamento, preferindo traçar um retrato amplo do percurso do magnata da música, desde a infância até à queda pública.

O resultado é um trabalho denso, desconfortável e assumidamente acusatório, que levanta tantas questões sobre o comportamento de Combs como sobre o próprio modo como o poder funcionou — e foi protegido — durante décadas na indústria musical.

Uma infância marcada por violência, excessos e mitologia urbana

O documentário começa por recuar à infância de Diddy, filho de Melvin Earl Combs, um conhecido gangster nova-iorquino assassinado quando Sean tinha apenas três anos. A figura paterna ausente transforma-se rapidamente em mito, enquanto a mãe, Janice Combs, surge como uma presença complexa e controversa.

Testemunhos de amigos de infância descrevem uma casa marcada por festas constantes, figuras ligadas ao submundo criminal e uma exposição precoce a filmes de blaxploitation como Super Fly ou The Mack. O filme sugere que este ambiente terá moldado a visão de poder, masculinidade e sucesso de Diddy. Alegações de castigos físicos violentosdurante a infância são também abordadas, algo que Janice Combs rejeitou publicamente, acusando o documentário de distorcer a realidade.

A ascensão meteórica e o preço do sucesso

The Reckoning dedica grande parte do seu tempo à ascensão de Combs na indústria musical, desde os tempos como estagiário de Andre Harrell na Uptown Records até à fundação da Bad Boy Records, com o apoio financeiro do lendário executivo Clive Davis.

O documentário reconhece o impacto cultural de Diddy, nomeadamente na popularização do som hip-hop soul nos anos 90, através de artistas como Mary J. BligeJodeci e The Notorious B.I.G. Mas rapidamente passa do génio empresarial para um padrão recorrente de alegadas práticas abusivas, exploração financeira de artistas e uma cultura de intimidação nos bastidores da editora.

Vários antigos colaboradores e artistas afirmam nunca ter sido pagos de forma justa, descrevendo um ambiente em que o poder estava sempre concentrado numa única figura.

Tupac, Biggie e as acusações mais explosivas

Um dos segmentos mais delicados do documentário é a abordagem ao conflito entre as costas Leste e Oeste, envolvendo Bad Boy e Death Row Records. O filme recupera velhas suspeitas sobre a possível ligação de Diddy às mortes de Tupac Shakur e Notorious B.I.G., apresentando áudios inéditos e testemunhos polémicos.

Entre eles está o de Duane “Keefe D” Davis, actualmente à espera de julgamento pelo homicídio de Tupac, que afirma que Diddy terá oferecido um milhão de dólares para eliminar Tupac e Suge Knight — algo que Combs sempre negou. O documentário não apresenta provas conclusivas, mas expõe contradições, recuos e fragilidades nas versões oficiais que reacendem um debate com quase três décadas.

Abusos, violência e um padrão inquietante

A parte mais perturbadora de Sean Combs: The Reckoning surge quando o filme entra nas acusações de abuso sexual, violência doméstica e coerção psicológica. Mulheres como Joi Dickerson-Neal e Aubrey O’Day relatam experiências de alegado abuso, grooming e manipulação, enquanto antigos colaboradores descrevem comportamentos de humilhação pública e agressões físicas.

O documentário dedica também largos minutos aos chamados “freak-offs”, encontros sexuais prolongados e altamente controlados, envolvendo drogas, gravações e prostituição, descritos por várias testemunhas. Estes relatos são cruzados com mensagens, vídeos e padrões de comportamento que reforçam a imagem de um sistema cuidadosamente montado para garantir silêncio e submissão.

Nenhuma destas acusações é apresentada como sentença definitiva, mas o acumular de histórias cria um retrato difícil de ignorar.

A resposta de Diddy e a polémica em torno do filme

A reacção não tardou. A equipa legal de Sean Combs classificou o documentário como um “ataque unilateral”, acusando a Netflix de utilizar imagens roubadas e de entregar controlo criativo a 50 Cent, descrito como um inimigo declarado com motivações pessoais.

A Netflix e a realizadora Alexandria Stapleton rejeitam essas acusações, garantindo que todo o material foi obtido legalmente e que a equipa tentou, sem sucesso, obter comentários formais de Combs ao longo da produção.

Um documentário impossível de ignorar

Sean Combs: The Reckoning não é um filme confortável, nem pretende sê-lo. Não absolve, não condena judicialmente e não fecha histórias. O que faz é expor padrões, levantar dúvidas e obrigar o espectador a confrontar a forma como o poder, o dinheiro e a fama podem criar zonas de impunidade durante décadas.

Independentemente da opinião que cada um tenha sobre Diddy, o documentário deixa uma sensação clara: o que durante anos foi tratado como “rumor” ganhou finalmente uma forma organizada, documentada e impossível de descartar como simples boato.

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É isso que o torna tão perturbador — e tão difícil de esquecer.

Fallout Temporada 2 Faz História no Rotten Tomatoes e Confirma que a Série é Muito Mais do que um Sucesso Passageiro

A adaptação da Amazon bate recordes, melhora os números da primeira temporada e passa a ser oficialmente canónica no universo dos jogos

A segunda temporada de Fallout chegou mais cedo do que o previsto — a Amazon decidiu antecipar a estreia do primeiro episódio — e bastaram poucas horas para a série entrar directamente para a história das adaptações de videojogos. As avaliações da crítica e do público no Rotten Tomatoes não só confirmam o entusiasmo em torno da nova temporada, como estabelecem múltiplos recordes inéditos, consolidando Fallout como a melhor adaptação live-action de um videojogo alguma vez feita.

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À chegada, a temporada 2 apresentava uns impressionantes 98% de aprovação da crítica e 96% do público, tornando-se automaticamente a temporada 2 mais bem avaliada de sempre entre todas as séries live-action baseadas em videojogos. Um feito particularmente relevante num género onde as segundas temporadas costumam ser mais escrutinadas e, muitas vezes, mais divisivas.

Somando os resultados da primeira temporada, Fallout alcançou outro marco histórico: 95% de aprovação tanto da crítica como da audiência, superando concorrentes de peso. Para comparação, The Last of Us apresenta 94% da crítica, mas apenas 62% do público; Halo fica-se pelos 80% e 61%; Twisted Metal pelos 79% e 89%. Mesmo The Witcher, frequentemente citado como referência, surge bastante abaixo nestes indicadores. A conclusão é clara: os fãs de videojogos são difíceis de agradar — e Fallout conseguiu agradar a quase todos.

Há ainda um terceiro recorde relevante. A temporada 2 de Fallout está empatada com as adaptações de videojogos mais bem avaliadas de sempre pelo público, incluindo animação. Neste grupo entram títulos como ArcaneCastlevania e Cyberpunk: Edgerunners. No momento do lançamento, Fallout igualava Cyberpunk: Edgerunners com 95% de aprovação da audiência, chegando mesmo a ultrapassá-lo temporariamente com 96%.

Entretanto, após 24 horas adicionais de avaliações, registou-se uma ligeira actualização nos números: a temporada 2 desceu para 96% da crítica e 95% do público. Ainda assim, estes valores continuam a garantir todos os recordes previamente alcançados. Para perder o estatuto de melhor adaptação live-action, Fallout teria de descer até aos 94%, o que, neste momento, parece pouco provável.

Este sucesso é também uma vitória estratégica para a Amazon. A série já tinha arrecadado 17 nomeações para os Emmy, incluindo Melhor Série Dramática e Melhor Actor Principal, acabando por vencer nas categorias técnicas de figurinos e maquilhagem prostética. A segunda temporada surge agora como uma confirmação de que Fallout não foi um golpe de sorte, mas sim uma aposta criativa sólida e sustentada.

Narrativamente, a nova temporada leva a história até New Vegas, um dos cenários mais icónicos e adorados da saga de videojogos. Esta escolha representava um risco claro: mexer em território sagrado para os fãs poderia facilmente gerar rejeição. No entanto, pelo menos a avaliar pela recepção inicial, a série navegou essas águas com segurança. Momentos como a aparição do famoso dinossauro da torre de sniper funcionam como sinais claros de respeito e conhecimento profundo do material original.

A importância da série foi ainda reforçada por declarações recentes de Todd Howard, figura central da Bethesda, que confirmou que Fallout é canónica dentro do universo dos jogos. Em declarações à BBC, Howard afirmou que os eventos da série terão impacto directo no futuro da franquia, incluindo Fallout 5. Isso significa que o próximo jogo decorrerá num mundo onde os acontecimentos da série já ocorreram ou estão a ocorrer, algo inédito na relação entre videojogos e televisão.

Segundo a cronologia oficial, a série passa-se em 2296, nove anos depois de Fallout 4 e 219 anos após a Grande Guerra nuclear. O problema é que Fallout 5 continua a parecer distante: sem data para The Elder Scrolls VI, o próximo capítulo da saga Fallout poderá estar ainda a quase uma década de distância. Um contraste curioso com o momento de enorme popularidade que a série televisiva vive agora.

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Seja como for, uma coisa é certa: Fallout deixou de ser apenas “uma boa adaptação”. É agora um ponto central do universo da franquia, um fenómeno crítico e popular, e um raro exemplo de como respeitar fãs antigos sem afastar novos públicos.

Do Paddington a um Ícone Pop Global: Paul King Vai Realizar Filme de Labubu

O criador de alguns dos filmes mais encantadores dos últimos anos prepara-se para levar ao cinema o fenómeno das bonecas que conquistaram a Ásia — e o mundo

Paul King, realizador dos adorados Paddington e do recente Wonka, prepara-se para dar um salto inesperado — mas perfeitamente coerente — para um novo universo cinematográfico. O cineasta britânico foi escolhido para realizar o filme de Labubu, projecto ainda em fase inicial de desenvolvimento, depois de a Sony Pictures ter adquirido os direitos de adaptação desta popular linha de bonecos de peluche que se tornou um verdadeiro fenómeno cultural.

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O anúncio surge poucos meses depois de a Sony ter garantido os direitos cinematográficos de Labubu, aproveitando a onda de interesse global em propriedades intelectuais ligadas a brinquedos e cultura pop, numa estratégia que Hollywood tem vindo a intensificar desde o sucesso estrondoso de Barbie. A escolha de Paul King para liderar o projecto parece tudo menos aleatória: poucos realizadores contemporâneos conseguiram combinar imaginação visual, humor e ternura com tanto sucesso como ele.

Antes de conquistar o grande público com Paddington (2014) e o ainda mais aclamado Paddington 2 (2017), King construiu a sua carreira na comédia britânica mais surreal. Começou como assistente de realização em Garth Marenghi’s Darkplace e foi responsável por todas as temporadas de The Mighty Boosh, uma série que ajudou a definir uma estética absurda e fantasiosa muito própria. Essa sensibilidade viria a revelar-se essencial no seu trabalho posterior no cinema.

Os dois filmes de Paddington, que King co-escreveu e realizou, arrecadaram perto de 500 milhões de dólares em todo o mundo, tornando-se exemplos raros de cinema familiar unanimemente elogiado pela crítica e pelo público. Mais recentemente, Wonka, protagonizado por Timothée Chalamet, confirmou o seu talento para revisitar universos já conhecidos sem lhes retirar frescura, somando 635 milhões de dólares nas bilheteiras globais. King esteve ainda envolvido como argumentista e produtor executivo em Paddington in Peru e tem já um novo projecto em desenvolvimento para a Disney, centrado no Príncipe Encantado, com Chris Hemsworth em conversações para o papel principal.

Quanto ao filme de Labubu, ainda há muitas incógnitas. Não é claro se será uma produção em imagem real, animação ou uma combinação de ambas, algo que poderá ser decisivo para definir o tom final da adaptação. O material de origem, no entanto, oferece um potencial visual vastíssimo.

As bonecas Labubu foram criadas pelo artista Kasing Lung, natural de Hong Kong e radicado na Europa, e surgiram inicialmente como parte de uma linha de figuras monstruosas produzidas pela How2Work. Inspiradas em contos nórdicos e num imaginário de fábula ligeiramente sombrio, as personagens ganharam verdadeira dimensão global a partir de 2019, quando passaram a ser comercializadas pela gigante chinesa Pop Mart.

A ascensão foi meteórica. Impulsionadas por vídeos de unboxing nas redes sociais, pela procura obsessiva por edições raras e pela adopção das bonecas como acessórios de moda por celebridades, as Labubu tornaram-se objectos de culto. Novos lançamentos esgotam em minutos, os lucros da Pop Mart terão aumentado 350% num único ano, e algumas edições limitadas já atingiram valores de seis dígitos em leilões, alimentando um mercado secundário altamente especulativo.

O filme de Labubu insere-se numa tendência clara de Hollywood: a inversão do caminho tradicional entre cinema e merchandising. Se durante décadas os filmes geravam brinquedos, agora são os brinquedos que geram filmes. Barbieabriu definitivamente essa porta em 2023, ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares e desencadeando uma corrida aos catálogos de fabricantes como a Mattel. Desde então, já foram anunciados projectos baseados em Hot WheelsHe-ManPolly Pocket e até no clássico View-Master, numa parceria entre a Sony e a Mattel.

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Resta saber se Labubu seguirá o caminho mais comercial ou se Paul King conseguirá, como fez antes, transformar um produto altamente mercantilizado numa experiência cinematográfica com identidade própria. Se há alguém capaz de encontrar humanidade, humor e encanto num universo aparentemente improvável, é precisamente o realizador que nos fez acreditar num urso educado vindo do Peru — e num chocolatier sonhador com sotaque francês.