Jimmy Kimmel usa a televisão britânica para um ataque natalício feroz a Donald Trump

“Do ponto de vista do fascismo, foi um grande ano”, ironizou o humorista no Channel 4

Jimmy Kimmel escolheu um palco improvável — e altamente simbólico — para lançar uma das críticas mais duras do ano a Donald Trump. O apresentador norte-americano foi o convidado da tradicional mensagem de Natal alternativa do Channel 4, no Reino Unido, onde deixou um discurso mordaz sobre autoritarismo, liberdade de expressão e o estado da democracia nos Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente.

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Transmitida no dia de Natal, a intervenção integrou-se numa tradição iniciada em 1993, pensada como contraponto à habitual mensagem natalícia do monarca britânico. Ao longo dos anos, este espaço deu voz a figuras controversas e politicamente incómodas — e Kimmel correspondeu plenamente a essa herança.

Humor negro com alvo bem definido

Desde o início, o tom foi tudo menos conciliador. Kimmel acusou Trump de se comportar como um rei e alertou para o crescimento de tendências autoritárias, recorrendo a uma das frases mais citadas do discurso:

“Do ponto de vista do fascismo, este foi um ano realmente excelente. A tirania está em alta por aqui.”

A ironia serviu de porta de entrada para uma crítica mais ampla ao clima político nos Estados Unidos, com Kimmel a sublinhar que silenciar críticos não é uma prática exclusiva de regimes como a Rússia ou a Coreia do Norte — uma mensagem dirigida directamente ao público britânico.

Um discurso marcado por conflitos recentes

O contexto tornou a mensagem ainda mais carregada. Em Setembro, o programa Jimmy Kimmel Live! foi suspenso indefinidamente pela ABC após comentários polémicos do apresentador relacionados com o assassinato do activista conservador Charlie Kirk. Kimmel sugeriu que sectores ligados ao trumpismo estariam a tentar capitalizar politicamente a morte, o que desencadeou uma forte reacção.

Donald Trump celebrou publicamente a suspensão do programa, classificando-a como “grandes notícias para a América”, e chegou a defender o afastamento de outros apresentadores nocturnos. O episódio levantou preocupações generalizadas sobre liberdade de expressão e liberdade de imprensa, levando centenas de figuras de Hollywood e da indústria do entretenimento a apelar à defesa dos direitos constitucionais.

O programa regressaria ao ar menos de uma semana depois.

“Um milagre de Natal em Setembro”

Foi esse episódio que Kimmel descreveu perante a audiência britânica como um verdadeiro “milagre de Natal antecipado”. Segundo o humorista, milhões de pessoas — incluindo muitas que não apreciam o seu trabalho — manifestaram-se em defesa da liberdade de expressão.

“Nós ganhámos, o presidente perdeu, e agora estou de volta todas as noites a dar uma merecida reprimenda ao político mais poderoso do planeta”, afirmou, usando deliberadamente a expressão britânica bollocking para se aproximar do público do Reino Unido.

Um pedido de desculpa… e um aviso

No momento mais inesperado do discurso, Kimmel deixou o sarcasmo de lado e adoptou um tom quase contrito. Reconhecendo a histórica relação entre os Estados Unidos e o Reino Unido, pediu aos britânicos que não desistissem da América, descrevendo o país como estando “a passar por um grande abanão”.

Foi então que surgiu uma das declarações mais sombrias da noite:

“Nos Estados Unidos estamos, figurativa e literalmente, a destruir as estruturas da nossa democracia — da imprensa livre à ciência, da medicina à independência judicial, até à própria Casa Branca.”

A referência à demolição da Ala Este da Casa Branca funcionou como metáfora e realidade ao mesmo tempo. “Estamos numa grande confusão”, concluiu, antes de acrescentar um simples mas simbólico “desculpem”.

Uma mensagem que ultrapassou o humor

Mais do que um monólogo cómico, a intervenção de Jimmy Kimmel no Channel 4 assumiu-se como um discurso político directo, desconfortável e deliberadamente internacional. Sem rodeios nem neutralidade fingida, o apresentador usou o humor como arma para expor medos reais sobre o futuro da democracia — não apenas nos Estados Unidos, mas no impacto global das suas escolhas políticas.

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Num Natal tradicionalmente associado à conciliação, Kimmel optou pelo confronto. E foi precisamente isso que tornou a mensagem impossível de ignorar 📺🎄

Gwyneth Paltrow confundiu maquilhagem com realidade e aconselhou Timothée Chalamet… sem necessidade

Um episódio caricato nos bastidores de Marty Supreme mostra como a caracterização foi longe demais

Há momentos em bastidores de cinema que dizem muito sobre o rigor técnico de uma produção — e outros que acabam por gerar histórias deliciosamente embaraçosas. Foi precisamente isso que aconteceu durante os primeiros dias de rodagem de Marty Supreme, quando Gwyneth Paltrow ofereceu, com a melhor das intenções, conselhos de cuidados de pele a Timothée Chalamet… para um problema que afinal não existia.

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A situação surgiu porque a maquilhagem utilizada para criar marcas de acne no rosto da personagem de Chalamet era tão convincente que Paltrow assumiu tratar-se de cicatrizes reais. Numa atitude cordial — e muito alinhada com a sua imagem pública ligada ao bem-estar — a actriz sugeriu a técnica de micro-agulhamento (micro-needling) para ajudar a “tratar” as supostas marcas.

“Isto é maquilhagem. Está tudo bem com a minha pele”

A história foi contada pela própria Paltrow no podcast The Awardist, conduzido por Gerrad Hall. A actriz recordou que, ao aproximar-se de Chalamet, ficou genuinamente surpreendida.

Segundo Paltrow, sempre se lembrara do actor com “uma pele lindíssima” e ficou convencida de que aquelas marcas eram recentes. A reacção de Chalamet não se fez esperar — e foi tudo menos discreta.

“Ele olhou para mim e disse: ‘Mas estás doida? Isto é maquilhagem.’ Depois acrescentou: ‘Eu tenho boa pele.’”

Só então Paltrow percebeu o equívoco e pediu desculpa, reconhecendo que a caracterização era simplesmente irrepreensível. A actriz voltou a contar uma versão semelhante da história no podcast The Run-Through, da Vogue, sublinhando que a transformação física do actor era tão eficaz que enganava até quem estava frente a frente com ele.

Um filme que promete provocar conversa

O episódio ajuda a ilustrar o cuidado colocado em Marty Supreme, novo filme realizado por Josh Safdie, conhecido pelo seu cinema nervoso e personagens intensas. No filme, Paltrow interpreta Kay Stone, uma socialite rica e estrela de cinema em declínio, que desenvolve uma relação inesperada com Marty, um jovem prodígio do pingue-pongue interpretado por Chalamet.

Em entrevista à Vanity Fair, Paltrow já tinha deixado antever que a relação entre as duas personagens será tudo menos convencional. Segundo a actriz, trata-se de uma ligação emocionalmente complexa, marcada por interesses mútuos e bastante intimidade física.

“Há muito sexo neste filme. Muito mesmo.”

A descrição oficial do projecto apresenta Marty Supreme como a história de “um jovem com um sonho que ninguém respeita”, disposto a atravessar o inferno em busca da grandeza. Além de Chalamet e Paltrow, o elenco inclui Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler, The Creator, Abel Ferrara e Fran Drescher.

Quando a maquilhagem faz parte da narrativa

Mais do que uma anedota de bastidores, o episódio demonstra como o cinema contemporâneo aposta cada vez mais numa caracterização hiper-realista, capaz de alterar por completo a percepção de uma personagem — ao ponto de enganar colegas de elenco experientes.

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No caso de Marty Supreme, se até Gwyneth Paltrow acreditou que Timothée Chalamet precisava de cuidados dermatológicos, então a maquilhagem cumpriu plenamente a sua missão 🎬

Quentin Tarantino fala finalmente de Rob Reiner — e expõe a verdade incómoda sobre poder e controlo em Hollywood

Aos 62 anos, o realizador desmonta um sistema que poucos ousaram questionar

Durante grande parte da sua carreira, Quentin Tarantino nunca foi conhecido pela contenção. Sempre falou alto, discutiu ideias sem rodeios e defendeu a autoria como princípio absoluto. Criticou estúdios, desafiou convenções e expôs os mecanismos que, no seu entender, diluem a voz artística. Havia, contudo, um silêncio persistente no seu discurso público: Rob Reiner.

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Esse silêncio terminou agora.

Aos 62 anos, Tarantino decidiu falar — com cuidado, precisão e uma franqueza surpreendente — sobre um cineasta que ajudou a definir o cinema de estúdio norte-americano, mas cuja filosofia criativa se situava no extremo oposto da sua. O que resulta não é um ataque pessoal, mas algo mais desconcertante: uma explicação lúcida sobre como o poder criativo funcionou em Hollywood durante décadas… e porque quase ninguém o questionou.

Um silêncio que sempre foi revelador

Tarantino nunca evitou confronto. Se discorda, diz. Se admira, elogia sem reservas. Por isso, a ausência prolongada de comentários sobre Rob Reiner sempre pareceu estranha para quem acompanha de perto o funcionamento da indústria.

Ambos coexistiram no mesmo ecossistema, mas em pólos opostos. Reiner ajudou a consolidar um modelo de cinema centrado na clareza narrativa, no controlo do tom e na confiança dos estúdios. Tarantino impôs um cinema de risco, descoberta e fricção constante com o espectador. Nunca colaboraram, mas sempre fizeram parte da mesma conversa — uma conversa que, segundo Tarantino, foi muito mais complexa do que parecia.

“Rob Reiner representa um sistema”

A observação mais contundente de Tarantino não é pessoal, é estrutural: Rob Reiner representou um sistema que funcionou extremamente bem. E porque funcionou, ninguém o questionou.

Reiner não foi apenas um realizador eficaz. Tornou-se um símbolo de uma era em que os estúdios recompensavam previsibilidade, disciplina e fiabilidade comercial. Quem entregava resultados consistentes ganhava autoridade. Uma autoridade silenciosa, raramente contestada.

Controlo versus descoberta

Aqui surge a clivagem filosófica entre os dois cineastas. Para Tarantino, o cinema nasce da incerteza. Ele próprio admite que só descobre verdadeiramente o filme quando já está a meio do processo. Se soubesse tudo desde o início, não teria interesse em realizá-lo.

No cinema de Reiner, a lógica é oposta. O tom define-se cedo, o destino emocional é claro e as interpretações servem a história, não a subvertem. Nenhuma abordagem é errada — mas são difíceis de conciliar no mesmo sistema.

O poder que não precisa de se impor

Uma das revelações mais incisivas prende-se com a forma como o poder se manifesta nos bastidores. Segundo Tarantino, Reiner nunca precisou de impor autoridade pela força. O seu poder vinha da confiança absoluta dos estúdios e da certeza de que o filme não falharia.

É um poder eficaz precisamente porque não parece poder. Ninguém discute, porque discutir parece desnecessário — ou arriscado. Para um realizador que construiu a carreira a desafiar regras, esta constatação é particularmente pesada.

Respeito sem alinhamento

Apesar da análise crítica, Tarantino é claro: respeita Rob Reiner. Reconhece-lhe a capacidade de tornar relações complexas emocionalmente acessíveis e de levar conversas adultas ao grande público sem afastar espectadores.

Mas esse respeito nunca implicou vontade de imitação. Tarantino admite que nunca quis ser esse tipo de realizador — não por falta de talento de Reiner, mas porque esse sistema esmagaria a forma como ele cria.

Porque só fala agora

Porque esperar até agora? Tarantino responde sem rodeios: no início de carreira, qualquer crítica a figuras associadas ao poder do sistema seria vista como arrogância ou insegurança. Hollywood tolera rebeldia, mas apenas depois de o sucesso ser inquestionável.

Hoje, com a carreira consolidada e um percurso deliberadamente finito, Tarantino já não está a negociar posição. Está a contextualizar uma era.

Os filmes que nunca existiram

Uma das reflexões mais inquietantes prende-se com os projectos que nunca chegaram a existir. Tarantino observa que há filmes que só foram feitos porque ninguém percebeu o quão arriscados eram. Num sistema que privilegia certeza e previsibilidade, alguns desses projectos nunca teriam saído do papel.

Não é uma acusação. É uma constatação. O modelo de Reiner minimiza risco. O de Tarantino vive dele. Hollywood precisou de ambos — mas recompensou apenas um de forma consistente.

A indústria e o medo do caos

Hollywood sempre teve receio do caos. O caos atrasa produções, ameaça orçamentos e expõe reputações. A fiabilidade tornou-se o padrão de excelência. Se um realizador consegue agradar à maioria sem ofender ninguém, torna-se o par de mãos mais seguro da sala.

Mas segurança tem custos criativos.

O que Tarantino admite ter aprendido

Mesmo recusando seguir esse caminho, Tarantino reconhece aprendizagens importantes ao observar a carreira de Reiner: disciplina de tom, clareza narrativa e consciência absoluta da história que se quer contar. A diferença é simples — ele aprendeu as regras para as quebrar conscientemente.

Uma conversa evitada durante décadas

O que torna estas declarações tão desconfortáveis não é a crítica, mas a ausência de nostalgia. Tarantino fala de sistemas, incentivos e pressões silenciosas sem heróis nem vilões.

Rob Reiner não é diminuído. É recontextualizado — como a regra. E Tarantino tornou-se Tarantino precisamente por se recusar a segui-la.

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No final, não se expõe um escândalo. Expõe-se uma verdade sobre como o poder criativo opera, sobre porque algumas vozes dominam e outras lutam para existir. Uma explicação que não diminui nenhum dos dois — mas finalmente os torna compreensíveis.

Bailarina com dentes afiados: Abigail chega ao TVCine Top para uma noite de terror sem regras

Um rapto, uma mansão isolada… e uma vampira inesperada

O terror toma conta do serão de sábado, 27 de Dezembro, às 21h30, com a estreia televisiva de Abigail no TVCine Tope no TVCine+. Assinado pelo colectivo Radio Silence, o filme promete uma combinação explosiva de terror sangrento, humor negro e reviravoltas constantes — tudo concentrado numa única noite passada dentro de uma mansão isolada.  

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A premissa parece simples: um grupo de criminosos rapta uma bailarina de 12 anos, filha de um poderoso líder do submundo, e mantém-na sob vigilância durante 24 horas para exigir um resgate de 50 milhões de dólares. O plano é claro, metódico e, aparentemente, infalível. O problema é que Abigail não é uma criança indefesa.

Quando os raptores se tornam presas

À medida que a noite avança, a tensão cresce e a realidade começa a desfazer-se. A jovem revela a sua verdadeira natureza: é uma vampira ancestral, dotada de força sobre-humana, astúcia letal e um gosto particular por virar o jogo contra quem a subestima. O que deveria ser um sequestro rápido transforma-se numa luta claustrofóbica pela sobrevivência, onde os criminosos passam a ser caçados dentro da própria mansão.

O cenário fechado amplifica o terror, criando uma atmosfera opressiva onde cada divisão pode esconder uma armadilha e cada erro pode ser fatal. Abigail assume-se como um jogo cruel de gato e rato, pontuado por violência gráfica e surpresas constantes, recusando seguir o caminho previsível do género.

Radio Silence volta a subverter o terror

A realização está a cargo de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, dupla integrante do colectivo Radio Silence, responsável por filmes como Ready or Not – O Ritual e Gritos. Tal como nesses títulos, a abordagem é irreverente, energética e consciente das regras do terror — apenas para as quebrar quando convém.

Inspirado livremente em A Filha de DráculaAbigail moderniza o mito do vampiro com uma estética contemporânea, humor mordaz e uma violência estilizada que não pede desculpa.

Uma protagonista entre a inocência e a ferocidade

No centro do filme está a jovem Alisha Weir, que assume o papel de Abigail com uma performance surpreendentemente versátil. A actriz alterna entre a aparência frágil de uma criança em perigo e a ferocidade absoluta de uma criatura ancestral, tornando a personagem simultaneamente perturbadora e fascinante.

Essa ambiguidade é uma das grandes forças do filme: Abigail não é apenas uma ameaça física, mas um símbolo da arrogância dos adultos que acreditam controlar tudo — até perceberem que escolheram a vítima errada.

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error para fechar o ano em grande

Entre sangue, humor negro e criatividade visual, Abigail afirma-se como um filme de vampiros moderno, consciente do seu lado absurdo e disposto a levá-lo até às últimas consequências. Uma escolha perfeita para quem procura algo diferente do terror tradicional e não se importa de terminar o ano com dentes afiados e gargalhadas nervosas.

No dia 27 de Dezembro, às 21h30, a mansão abre as portas no TVCine Top. Entrar é fácil. Sair… já não tanto 🩸🎬

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A câmara como arma de liberdade: dois documentários imperdíveis no TVCine Edition

Retratos do Mundo fecha o ano com fotografia, resistência e memória

Para fechar 2025 e abrir 2026 com propósito, o TVCine Edition propõe uma dupla de documentários que usa a fotografia como acto político, gesto íntimo e ferramenta de sobrevivência. “Retratos do Mundo” junta duas obras distintas, mas profundamente ligadas pela urgência de olhar o real sem filtros: Eu Não Sou Tudo o Que Quero Ser e Ernest Cole: Perdido e Achado.

As exibições acontecem em exclusivo nos dias 28 de Dezembro e 4 de Janeiro, sempre às 22h00, no TVCine Edition e no TVCine+. Dois filmes, dois retratos de artistas subversivos, duas formas de usar a câmara como instrumento de liberdade.  

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Libuše Jarcovjáková: identidade, desejo e resistência

O primeiro documentário, Eu Não Sou Tudo o Que Quero Ser, exibido a 28 de Dezembro, centra-se na fotógrafa checa Libuše Jarcovjáková, frequentemente descrita como a “Nan Goldin da Checoslováquia”. A comparação não é gratuita. Tal como Goldin, Jarcovjáková usou a fotografia para documentar margens, corpos, noites e identidades fora da norma.

Situado num contexto político sufocante, após a Primavera de Praga de 1968, o filme constrói-se a partir das próprias fotografias da artista, cruzadas com excertos dos seus diários pessoais. O resultado é um retrato profundamente íntimo de uma mulher em permanente busca: de identidade, de liberdade artística, do conhecimento do próprio corpo e da descoberta da sexualidade.

A narrativa acompanha a sua passagem por Praga, a ida para Berlim Ocidental, a fuga para Tóquio e o regresso à Europa, sempre com a sensação de deslocação e inconformismo. Realizado em colaboração com a cineasta Klára Tasovská, o documentário esteve em competição no Festival de Berlim e abriu a edição de 2024 do IndieLisboa, afirmando-se como uma das obras documentais mais relevantes do ano.  

Ernest Cole: fotografar contra o silêncio do mundo

Uma semana depois, a 4 de Janeiro, é exibido Ernest Cole: Perdido e Achado, dedicado ao fotógrafo sul-africano Ernest Cole, uma figura central na denúncia internacional do apartheid.

Cole foi o primeiro fotógrafo a expor, de forma sistemática, os horrores do regime sul-africano a um público global. O seu livro House of Bondage, publicado em 1967 quando tinha apenas 27 anos, teve um impacto sísmico — e um custo pessoal elevado. O fotógrafo foi forçado ao exílio, vivendo entre Nova Iorque e várias cidades europeias, sem nunca conseguir verdadeiramente integrar-se.

O documentário é realizado por Raoul Peck, cineasta conhecido pelo seu olhar político rigoroso. Peck constrói um retrato marcado pela inquietação, pela raiva contida e pela frustração de um artista que assistiu, dia após dia, ao silêncio — ou à cumplicidade — do mundo ocidental perante o apartheid. Mais do que um filme biográfico, trata-se de uma reflexão sobre o preço de dizer a verdade quando essa verdade é incómoda.  

Dois filmes, uma mesma urgência

Apesar de contextos históricos e estéticos distintos, os dois documentários dialogam entre si de forma poderosa. Ambos mostram artistas que recusaram acomodar-se, que usaram a imagem para desafiar sistemas opressivos — fossem eles políticos, sociais ou morais.


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Retratos do Mundo não é apenas uma programação temática. É um lembrete de que a fotografia pode ser mais do que arte ou memória: pode ser resistência activa, denúncia e libertação pessoal. Uma dupla essencial para quem acredita que o cinema documental continua a ser um dos espaços mais vivos da criação contemporânea.

Ridley Scott volta ao futuro… mas o calendário mudou: The Dog Stars adiado para o final do Verão de 2026

Um thriller pós-apocalíptico com novo posicionamento estratégico

O próximo filme de Ridley ScottThe Dog Stars, já não vai chegar às salas de cinema na Primavera de 2026. A 20th Century Studios, em articulação com a Disney, decidiu adiar a estreia do aguardado thriller de ficção científica para 28 de Agosto de 2026, empurrando-o para o encerramento da época alta de Verão em Hollywood.

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O projecto, anunciado em Novembro de 2024 como o sucessor directo de Gladiator II, adapta o romance homónimo de Peter Heller, publicado em 2012. A história transporta-nos para um mundo devastado por uma pandemia que dizimou a humanidade, acompanhando um homem que vive isolado com o seu cão e um arsenal mínimo, até ao momento em que uma misteriosa transmissão de rádio sugere que talvez não esteja tão sozinho quanto pensava.

Um elenco de luxo num mundo em ruínas

Realizado por Ridley Scott, The Dog Stars reúne um elenco impressionante liderado por Jacob ElordiMargaret Qualley e Josh Brolin, contando ainda com Benedict Wong e Guy Pearce em papéis de relevo. Um conjunto de nomes que reforça a ambição do estúdio em transformar este filme num dos grandes eventos cinematográficos do ano.

Inicialmente marcado para 27 de Março de 2026, o filme viu essa data ser atribuída a Ready or Not 2: Here I Come, libertando assim o espaço primaveril para outros pesos-pesados do calendário.

Fuga à concorrência… ou sinal de confiança?

A mudança não é inocente. The Dog Stars estava inicialmente posicionado logo após Project Hail Mary, outra adaptação literária de ficção científica com ambições elevadas. Agora, Scott vê o seu filme chegar aos cinemas no mesmo fim-de-semana que o reboot de Cliffjumper, de Jaume Collet-Serra, e o muito falado Coyote vs. Acme, salvo à última hora do arquivamento e finalmente distribuído pela Ketchup Entertainment.

Mais do que uma fuga à concorrência feroz da Primavera — onde se perfilavam títulos como The Super Mario Galaxy MovieThe Mummy ou Michael —, este adiamento pode ser interpretado como um voto de confiança. O final de Agosto tem sido, nos últimos anos, terreno fértil para sucessos inesperados e apostas mais adultas.

Ridley Scott: génio incontestável, percurso irregular

Poucos realizadores têm um currículo tão influente na ficção científica como Ridley Scott, responsável por marcos absolutos como AlienBlade Runner e The Martian. No entanto, nem tudo tem sido consensual nas últimas décadas: Prometheus e Alien: Covenant dividiram fãs e crítica.

Nos anos 2020, o realizador alternou entre o fracasso comercial de The Last Duel, a recepção mista mas lucrativa de House of Gucci e o sucesso financeiro de Gladiator II. Falta-lhe, talvez, um triunfo que una crítica e público como não acontece desde The Martian.

Um regresso em grande… ou mais uma aposta arriscada?

The Dog Stars tem todos os ingredientes para ser esse filme: uma premissa forte, um elenco carismático e um realizador que sabe como poucos criar mundos devastados mas profundamente humanos. O adiamento pode revelar-se decisivo para que o filme respire longe da confusão primaveril e encontre o seu público.

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Se será o grande regresso de Ridley Scott ao topo da ficção científica, só 2026 o dirá. Mas uma coisa é certa: este não é apenas um filme sobre o fim do mundo — é mais uma prova de que Scott continua determinado a filmar como se o apocalipse nunca fosse suficiente para o fazer parar 🎬

Um filme pode travar uma carreira? O caso singular de Dane DeHaan em Hollywood

Quando o talento não chega para sobreviver a um grande desaire

Hollywood constrói estrelas com a mesma rapidez com que as deixa cair no esquecimento. No meio dessa lógica implacável, há carreiras que parecem descarrilar não por falta de talento, mas por uma única decisão mal calculada. O percurso de Dane DeHaan é um dos exemplos mais discutidos da última década: um actor elogiado pela crítica, associado a projectos de prestígio, cuja progressão sofreu um abrandamento evidente após protagonizar um dos filmes mais problemáticos da ficção científica moderna.

E o mais curioso é que tudo indicava exactamente o contrário.

Uma ascensão sólida e elogiada pela crítica

Dane DeHaan chamou a atenção do grande público com Chronicle, um sucesso inesperado de bilheteira que transformou um orçamento modesto num fenómeno global. O seu desempenho foi amplamente elogiado pela intensidade emocional e pela complexidade psicológica que trouxe à personagem — algo pouco comum em produções do género.

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Esse reconhecimento confirmou-se rapidamente com The Place Beyond the Pines e Kill Your Darlings, onde DeHaan provou ser particularmente eficaz a interpretar figuras inquietas, contraditórias e emocionalmente instáveis. Mesmo inserido num grande franchise como The Amazing Spider-Man 2, a sua interpretação destacou-se positivamente num filme que, no seu conjunto, dividiu público e crítica.

À entrada de 2017, parecia apenas uma questão de tempo até assumir, de forma definitiva, o estatuto de protagonista em produções de grande escala.

Valerian: ambição excessiva e consequências inesperadas

O ponto de viragem chegou com Valerian and the City of a Thousand Planets, superprodução de ficção científica realizada por Luc Besson. Visualmente deslumbrante e financeiramente ambiciosa, a adaptação prometia lançar uma nova saga cinematográfica.

O resultado ficou muito aquém do esperado. Apesar de não ter sido um desastre absoluto em termos de bilheteira, o filme revelou-se incapaz de justificar o investimento elevado e foi severamente criticado. A relação entre DeHaan e Cara Delevingne foi apontada como um dos principais problemas, com críticas recorrentes à ausência de empatia e credibilidade entre as personagens centrais.

Mais do que uma questão de talento, muitos analistas sublinharam que DeHaan não correspondia ao perfil clássico de herói aventureiro que o filme exigia. Uma leitura discutível, mas suficiente para marcar a sua imagem junto dos grandes estúdios.

Trabalho contínuo, mas longe do centro das atenções

Desde Valerian, Dane DeHaan deixou de ser uma presença regular em papéis principais de grandes produções. Ainda assim, nunca desapareceu do cinema. Em The Kid, voltou a receber elogios pela sua interpretação de Billy the Kid, contracenando com Ethan Hawke e Chris Pratt.

Mais recentemente, integrou o elenco de Oppenheimer, de Christopher Nolan, num papel secundário mas significativo. Um sinal claro de que o actor continua a ser respeitado no meio, mesmo que já não seja visto como aposta segura para liderar blockbusters.

Um percurso interrompido, não uma carreira perdida

O caso de Dane DeHaan ilustra bem uma realidade desconfortável do cinema americano: por vezes, um único projecto pode alterar profundamente a trajectória de um actor, independentemente do mérito demonstrado antes e depois. O talento mantém-se, o trabalho continua, mas a percepção da indústria muda — e isso basta para fechar algumas portas.

Resta saber se surgirá o filme certo para devolver DeHaan ao lugar que muitos acreditaram ser inevitável. Em Hollywood, nem sempre vence quem é melhor. Muitas vezes, vence quem escolhe o projecto certo no momento exacto 🎬

Ralph Fiennes: o actor que Hollywood admirou… mas nunca quis tornar confortável

Quando o prestígio se transforma num incómodo para o sistema

Hollywood gosta de talento. Gosta ainda mais de talento que possa ser embalado, promovido e consumido sem sobressaltos. O problema começa quando um actor se recusa a tornar o seu trabalho mais fácil de digerir. Ralph Fiennes tornou-se famoso precisamente por isso — e, de forma silenciosa, foi também penalizado por nunca ter querido ser “seguro”.

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Depois de Schindler’s List, nada voltou a ser igual. Fiennes não interpretou o mal como caricatura. A sua encarnação de Amon Göth foi fria, quotidiana, quase administrativa. Não havia teatralidade nem catarse. O horror surgia da normalidade. E isso expôs algo que a indústria prefere manter abstracto: a violência extrema não precisa de monstros exuberantes, apenas de permissão, rotina e autoridade.

A interpretação funcionou… demasiado bem.

O sucesso que estreitou possibilidades

Era suposto aquele papel abrir portas. Em vez disso, redefiniu Fiennes de uma forma desconfortável. Para os estúdios, deixou de ser apenas um actor capaz de revelar perigo. Passou a ser o perigo. As conversas de casting tornaram-se cautelosas. Surgiram descrições vagas e evasivas: “intenso”, “difícil de enquadrar”, “severo”. Não são adjectivos criativos — são sinais de alerta.

O contexto dos anos 90 é essencial para perceber o fenómeno. Hollywood aceitava personagens sombrias desde que viessem acompanhadas de charme, ironia ou redenção. A escuridão era tolerável se o público fosse tranquilizado no final. Fiennes recusou sempre essa mediação. Nunca tentou suavizar as personagens para garantir simpatia. Nunca explicou ao espectador que ele não era aquilo que estava a representar.

Escolhas que mantiveram o atrito moral

Nos anos seguintes, Fiennes fez exactamente o oposto do que o sistema esperava. Em vez de capitalizar a fama para entrar em territórios mais seguros, escolheu papéis que mantinham fricção ética: homens danificados, figuras de autoridade desconfortáveis, personagens sem arco de redenção.

Mesmo quando protagonizou The English Patient, filme que lhe valeu uma nomeação ao Óscar e um enorme sucesso crítico, havia ali uma melancolia irresolúvel, uma recusa em oferecer conforto emocional fácil. Não era um galã clássico, nem parecia interessado em sê-lo.

Recusou projectos que pediam simplificação, personagens que exigiam neutralizar essa aresta para serem mais acessíveis. Essa decisão teve um custo claro: o abrandamento da sua ascensão no exacto momento em que poderia ter sido empurrado para o estatuto de estrela-âncora de Hollywood.

Respeitado, mas nunca protegido

A resposta da indústria foi previsível. Ralph Fiennes passou a ser tratado com respeito — mas não com investimento. Admirado, mas raramente priorizado. Tornou-se o actor chamado quando era preciso desconforto, densidade, ambiguidade moral. Não quando era preciso continuidade, segurança ou franquias duradouras.

Aqui existe uma distinção fundamental em Hollywood: os pilares e os especialistas. Os pilares são protegidos, promovidos, mantidos visíveis. Os especialistas são utilizados quando convém. Fiennes foi colocado nesta segunda categoria.

Trabalhou sempre, sem interrupções. Mas permaneceu estranhamente periférico ao verdadeiro poder da indústria americana.

Autoridade sem concessões, mesmo fora do ecrã

Quando mais tarde passou para trás das câmaras, realizando filmes como Coriolanus, a reacção foi educada, contida, distante. O sistema não incentiva artistas que, depois de provarem que não se deixam domesticar enquanto actores, insistem ainda em controlo autoral.

Fiennes nunca foi rejeitado de forma explícita. Foi algo mais subtil — e talvez mais eficaz. Foi gerido.

O incómodo que Hollywood prefere conter

A verdade incómoda é esta: Hollywood aprecia interpretações que revelam verdades perturbadoras, mas afasta discretamente quem se recusa a ajudar o público a recuperar delas. Quando um actor insiste que a clareza deve continuar desconfortável, o sistema limita o seu alcance para que o impacto fique contido.

Ralph Fiennes nunca tornou o seu trabalho mais fácil de consumir. E, ao fazê-lo, manteve-o honesto. O preço foi não se tornar “seguro”. O ganho foi uma filmografia coerente, densa e profundamente respeitada — mesmo que nunca totalmente abraçada pelo centro do poder.

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Num cinema cada vez mais preocupado em não perturbar, Fiennes continua a ser uma presença rara: alguém que acredita que a verdade, quando bem filmada, não precisa de pedir desculpa 🎬

Da glória ao embaraço: a Disney cancela discretamente a estreia europeia do seu maior flop de 2025

Ella McCay sai de cena depois de um desastre anunciado nas bilheteiras

Disney vive um daqueles contrastes difíceis de ignorar. Se, por um lado, celebra o enorme sucesso de Zootopia 2, actualmente o filme de Hollywood mais lucrativo do ano nos Estados Unidos, por outro tenta gerir — com o máximo de discrição possível — o maior fracasso comercial da sua história recente. Falamos de Ella McCay, cuja estreia francesa, prevista para 7 de Janeiro, foi entretanto cancelada sem grande alarido.

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A decisão foi avançada pelo site World of Reel, que não aponta uma razão oficial para a retirada do filme do calendário europeu. Ainda assim, o contexto dificilmente deixa margem para dúvidas. Ella McCay tornou-se rapidamente num verdadeiro pesadelo financeiro para a Disney.

Um arranque desastroso nos Estados Unidos

Estreado nos cinemas norte-americanos no passado fim-de-semana, o filme arrecadou cerca de 2,1 milhões de dólares em mais de 2500 salas — um número que o coloca entre as piores aberturas da Disney na última década. À data, a receita total ronda os 4 milhões de dólares, um valor irrisório face a um orçamento estimado em 35 milhões. Em comparação, até projectos ainda envoltos em incógnita, como Tron: Ares, parecem apostas seguras.

Este desempenho levou a Disney a cortar rapidamente perdas e a evitar prolongar o desgaste internacional de um título que nunca conseguiu gerar entusiasmo junto do público.

Um regresso pouco feliz de James L. Brooks

O mais surpreendente neste cenário é o nome por trás da câmara. Ella McCay marca o regresso à realização de James L. Brooks, quinze anos depois do seu último filme. Brooks é uma figura histórica da televisão e do cinema americano, ligado a clássicos como The Simpsons e As Good as It Gets.

O elenco também não parecia um problema. Emma Mackey e Jamie Lee Curtis lideram um grupo que inclui Rebecca Hall, Woody Harrelson, Ayo Edebiri, Albert Brooks, Kumail Nanjiani, Jack Lowden e Spike Fearn. Ainda assim, nada disso foi suficiente para salvar o projecto.

Crítica implacável e público dividido

Desde cedo, Ella McCay foi alvo de críticas duras. No Rotten Tomatoes, o filme apresenta um score de apenas 24%, com muitos críticos a questionarem se Brooks não teria ficado preso a uma sensibilidade de outra era. Jonathan Romney, do Financial Times, descreveu-o como “um fóssil confuso e auto-indulgente”, enquanto outros falaram de um filme incoerente e sem direcção clara.

O público mostrou-se menos uniforme nas reacções. Algumas vozes elogiaram o ritmo da narrativa, mas outras criticaram a personagem central interpretada por Mackey, considerada frágil e pouco convincente para a posição de poder que ocupa. O resultado é um Popcornmeter de 54%, insuficiente para contrariar a tendência negativa.

Um problema maior do que a crítica

Ao contrário de fenómenos como Five Nights at Freddy’s 2Ella McCay não beneficia de uma base de fãs pré-existente nem de um conceito que justifique a ida ao cinema como experiência “obrigatória”. Num mercado cada vez mais selectivo, a comédia política revelou-se um género difícil de vender em sala.

Tudo indica que o filme encontrará o seu público — se o encontrar — através do streaming, e mais cedo do que o inicialmente previsto. O cancelamento da estreia francesa parece ser apenas o primeiro passo nesse sentido.

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Para a Disney, Ella McCay ficará como um lembrete desconfortável: nem nomes consagrados nem elencos de luxo garantem relevância num panorama cinematográfico em rápida mutação 🎬

Avisem os miúdos (e não só): Lisboa prepara-se para receber o fenómeno das Guerreiras do K-Pop

Do streaming para o palco: o maior êxito infantil da Netflix ganha vida no Coliseu dos Recreios

Há fenómenos geracionais que se reconhecem ao primeiro refrão. Se os Millennials cresceram com A Pequena Sereia e O Rei Leão, e a Geração Z encontrou o seu hino em Frozen, a geração Alpha já tem um novo ponto de referência: Guerreiras do K-Pop. O filme de animação tornou-se no mais visto de sempre da Netflix, conquistando milhões de visualizações e, sobretudo, dominando recreios e salas de aula com as suas canções viciantes.

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Agora, esse universo salta do ecrã para o palco. Lisboa vai receber o espetáculo “As Guerreiras do K-Pop: Tributo”, com duas sessões marcadas para 6 de Junho, às 16h00 e às 20h00, no emblemático Coliseu dos Recreios.

Um tributo musical a um fenómeno global

O espetáculo promete celebrar os maiores êxitos do filme, incluindo temas como “Golden” e “How It’s Done”, canções que acumulam milhões de streams nas plataformas digitais e que rapidamente se tornaram parte do quotidiano dos mais novos — e, em muitos casos, também dos pais.

Trata-se de um projecto internacional que chega agora a Portugal pela mão do Grupo Chiado, apostando numa experiência pensada para toda a família, mas claramente focada no público infantil e juvenil que fez do filme um verdadeiro fenómeno cultural.

Acção, magia e coreografias ao estilo K-Pop

De acordo com a sinopse oficial, o espetáculo acompanha as Huntrix, lendárias guerreiras do universo K-Pop, que enfrentam os Saja Boys, liderados pelo enigmático Jinu. Uma narrativa simples, mas eficaz, que mistura acção, magia e emoção — exactamente os ingredientes que fizeram do filme um sucesso global.

Em palco, o público pode esperar coreografias enérgicas, inspiradas nos grandes espectáculos de K-Pop, efeitos visuais de inspiração cinematográfica e um cuidado visual assinalável, com mais de cinco figurinos diferentes, concebidos para transformar cada momento num verdadeiro número de palco.

O objectivo é claro: transportar o público para dentro do universo do filme, recriando a energia, as cores e o ritmo que conquistaram uma nova geração de fãs.

Bilhetes já à venda e procura elevada

Os bilhetes para As Guerreiras do K-Pop: Tributo já se encontram disponíveis online e nos locais habituais, com preços que variam entre 28€ e 40€. Tendo em conta a popularidade do filme e o entusiasmo em torno do espectáculo, é aconselhável garantir lugar com antecedência.

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Mais do que um simples concerto, este evento assume-se como um reflexo claro de como a animação e a música pop continuam a moldar novas gerações — agora com sotaque coreano, espírito de batalha e refrões impossíveis de tirar da cabeça 🎤✨

Um tríptico sobre família, silêncio e distância: Pai Mãe Irmã Irmão  estreia nos cinemas portugueses

Jim Jarmusch regressa ao grande ecrã com um olhar sereno sobre encontros e desencontros familiares

O novo filme de Jim JarmuschPai Mãe Irmã Irmão, chega às salas de cinema portuguesas no próximo 8 de Janeiro, trazendo consigo um dos mais sólidos selos de prestígio do cinema de autor contemporâneo. A longa-metragem, distinguida com o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza, propõe uma reflexão intimista sobre as relações familiares, a distância emocional e a dificuldade de comunicar entre gerações.  

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Estruturado como um tríptico, o filme é composto por três histórias independentes, ligadas por temas comuns e por uma abordagem narrativa coerente. Cada segmento acompanha filhos adultos e a forma como se relacionam entre si e com figuras parentais emocionalmente distantes, em contextos geográficos e culturais distintos.

Três histórias, três países, o mesmo desconforto emocional

As narrativas decorrem no presente e repartem-se por três locais: o episódio “Pai”, situado no nordeste dos Estados Unidos; “Mãe”, passado em Dublin, na Irlanda; e “Irmã Irmão”, que decorre em Paris, França. Esta fragmentação espacial reforça a ideia central do filme: apesar das diferenças culturais, as dinâmicas familiares marcadas pelo silêncio, pela ausência e pela incomunicabilidade são universais.

Mais do que contar uma história tradicional, Jarmusch opta por uma sucessão de estudos de personagem, observados com distanciamento, sem julgamentos morais nem explicações fáceis. O resultado é um cinema de gestos mínimos, pausas significativas e diálogos contidos, onde o não dito assume tanta importância como as palavras.

Um elenco de luxo ao serviço de um cinema contido

O elenco reúne Adam Driver e Cate Blanchett, vencedora de dois Óscares, acompanhados por nomes como Tom WaitsCharlotte RamplingVicky Krieps e Indya Moore.

As interpretações seguem a linha habitual do cinema de Jarmusch: discretas, precisas e despidas de exibicionismo. Cada actor parece existir dentro do espaço emocional da personagem, respeitando o tom observador e melancólico que atravessa todo o filme.

Humor subtil e melancolia como marca autoral

Apesar do peso emocional dos temas abordados, Pai Mãe Irmã Irmão não abdica de um humor subtil, quase invisível, que surge em pequenos detalhes, situações absurdas ou silêncios prolongados. Esta combinação de leveza e melancolia é uma das marcas mais reconhecíveis do realizador, aqui aplicada com particular maturidade.

O filme foi também o filme de abertura do LEFFEST, em Novembro passado, reforçando o seu percurso de destaque no circuito de festivais antes da estreia comercial. A distribuição em Portugal está a cargo da NOS Audiovisuais, que traz assim às salas nacionais uma das obras mais elogiadas do ano.  

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Pai Mãe Irmã Irmão não procura respostas fáceis nem reconciliações forçadas. É um filme sobre o que fica por dizer, sobre a distância que se instala mesmo entre quem partilha laços de sangue — e sobre a humanidade que persiste, apesar disso tudo. Um regresso notável de Jim Jarmusch ao centro do cinema de autor contemporâneo 🎬

O destino do mundo está em jogo: Missão: Impossível –  chega à televisão portuguesa – Ajuste de Contas

Ethan Hunt enfrenta a sua missão mais perigosa… agora no TVCine Top

A contagem decrescente começa já esta sexta-feira, 26 de Dezembro, às 21h30, quando Missão: Impossível – Ajuste de Contas se estreia na televisão portuguesa, em exclusivo no TVCine Top e na plataforma TVCine+. O mais recente capítulo da icónica saga protagonizada por Tom Cruise promete manter os espectadores colados ao sofá com uma ameaça à escala global e um inimigo tão invisível quanto imprevisível.

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Neste novo episódio, Ethan Hunt e a sua equipa da IMF enfrentam uma missão que ultrapassa tudo o que fizeram até agora: localizar e neutralizar uma poderosa entidade baseada em inteligência artificial, capaz de controlar redes de comunicação, sistemas militares e infra-estruturas críticas à escala planetária. O perigo não está apenas no que a tecnologia pode fazer, mas sobretudo em quem poderá vir a controlá-la.  

Uma corrida contra o tempo… e contra o inevitável

Perseguido por inimigos do passado e por forças que operam nas sombras, Ethan Hunt vê-se numa corrida desesperada contra o tempo. A IA conhecida como “the Entity” parece antecipar cada movimento, obrigando a equipa a agir num mundo onde a vigilância é constante e a margem de erro praticamente inexistente.

Ao lado de Ethan estão os inseparáveis Benji e Luther, enquanto a narrativa se expande para vários pontos do globo, num percurso marcado por perseguições implacáveis, pistas fragmentadas e decisões que podem custar tudo. À medida que os riscos aumentam, o protagonista é confrontado com dilemas morais profundos, escolhas impossíveis e a necessidade de sacrificar o que mais preza para impedir uma catástrofe à escala mundial.  

Christopher McQuarrie eleva a fasquia da saga

A realização está novamente a cargo de Christopher McQuarrie, colaborador regular da saga desde Missão: Impossível – Rogue Nation. Em Ajuste de Contas, McQuarrie aposta num ritmo incansável e em sequências de acção que privilegiam efeitos práticos e cenários reais, reforçando a sensação de perigo constante.

Como já é tradição, muitas das acrobacias mais arriscadas são realizadas pelo próprio Tom Cruise, numa demonstração física que continua a desafiar a lógica — e a idade. O filme foi amplamente elogiado precisamente pela sua abordagem visceral à acção, evitando excessos digitais e apostando numa experiência mais crua e imediata.

Uma nova dinâmica com Hayley Atwell

Uma das grandes novidades deste capítulo é a introdução da personagem Grace, interpretada por Hayley Atwell. A sua presença traz uma nova energia à narrativa e altera o equilíbrio dentro da equipa, acrescentando ambiguidade e imprevisibilidade a uma história já carregada de tensão.

Este é também um dos filmes mais ambiciosos da saga, não apenas pela escala da ameaça, mas pela forma como prepara o terreno para uma conclusão épica, prometendo fechar um arco narrativo que se tem vindo a construir ao longo de vários anos.  

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Um evento televisivo a não perder

Para quem perdeu o filme no cinema — ou para quem quer reviver cada momento de tensão —, esta estreia no TVCine Top é uma oportunidade ideal para mergulhar num dos capítulos mais intensos de Missão: Impossível. A mistura de acção de alto risco, reflexão sobre o poder da tecnologia e personagens em constante confronto com os seus próprios limites fazem de Ajuste de Contas um verdadeiro evento televisivo.

No dia 26 de Dezembro, às 21h30, o mundo volta a depender de Ethan Hunt. A missão aceita-se… ou falha-se. Não há meio-termo 🎬

40,4 mil milhões em jogo: Larry Ellison entra em cena para reforçar a ofensiva da Paramount sobre a Warner Bros.

Um novo capítulo na guerra dos gigantes do entretenimento

A batalha pelo controlo da Warner Bros. Discovery está a transformar-se num verdadeiro drama corporativo em vários actos — e o mais recente inclui um dos homens mais ricos do planeta. Larry Ellison concordou em fornecer uma garantia pessoal irrevogável de 40,4 mil milhões de dólares, reforçando decisivamente a proposta da Paramount para adquirir a totalidade da Warner Bros. Discovery.

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Este movimento surge num momento particularmente sensível. No início do mês, a Warner Bros. Discovery tinha chegado a acordo para vender o seu estúdio e os activos de streaming à Netflix, numa operação avaliada em cerca de 83 mil milhões de dólares em termos empresariais. Um acordo que, desde então, tem sido alvo de críticas e resistência dentro e fora da indústria.

Paramount não sobe a oferta, mas reforça a segurança

A Paramount, através da sua estrutura Paramount Skydance, mantém uma posição firme: não aumentou o valor global da sua proposta, que avalia a Warner Bros. Discovery em 108,4 mil milhões de dólares, mas decidiu igualar a taxa de rescisão reversa apresentada pela Netflix. O objectivo é claro: demonstrar confiança absoluta na viabilidade da operação e reduzir qualquer margem de hesitação por parte do conselho da Warner.

A Warner Bros. Discovery confirmou ter recebido a proposta revista e declarou que irá analisá-la “cuidadosamente”, tendo em conta os termos já acordados com a Netflix.

A família Ellison entra definitivamente no jogo

Segundo explicou Gerry Cardinale, fundador e sócio-gerente da RedBird Capital Partners, no programa Squawk Boxda CNBC, a revisão da proposta teve como principal objectivo “eliminar a confusão” em torno do financiamento.

Nesse contexto, Larry Ellison comprometeu-se a apoiar a oferta através de um fundo irrevogável garantido por 1,2 mil milhões de acções da Oracle. Importa recordar que David Ellison, director-executivo da Skydance Media e figura central da Paramount Skydance, é filho do fundador da Oracle.

Com um património estimado em 345 mil milhões de dólares, Larry Ellison chegou, inclusivamente, a ser por breves dias a pessoa mais rica do mundo no início de Outubro, ultrapassando Elon Musk.

De acordo com a Paramount, Ellison comprometeu-se ainda a não revogar o fundo fiduciário da família nem a transferir activos de forma adversa durante o processo de transacção pendente — uma camada adicional de segurança que se soma aos fundos já garantidos pela RedBird Capital e por fundos soberanos.

“O acordo com a Netflix acaba com a concorrência”

A tensão em torno do negócio tem vindo a aumentar. Na semana passada, Samuel Di Piazza, presidente da Warner Bros. Discovery, expressou reservas quanto à solidez do apoio financeiro de Ellison.

Em resposta, Cardinale dirigiu-se directamente aos accionistas da Warner, lembrando que “os verdadeiros donos da empresa são os accionistas, não o conselho nem a administração”. Na sua leitura, a alternativa Netflix representa um risco estrutural para o sector.

A fusão entre Netflix e HBO Max criaria um gigante com cerca de 420 milhões de assinantes globais. Um cenário que, segundo Cardinale, “assusta artistas, criadores e exibidores”, devido ao poder de fixação de preços e à concentração de influência que resultaria dessa união.

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Um desfecho ainda em aberto

Com garantias pessoais bilionárias, jogos de bastidores e visões opostas sobre o futuro do streaming, este negócio promete continuar a dominar as manchetes. A decisão final poderá redefinir o equilíbrio de poder em Hollywood durante a próxima década — e, desta vez, Larry Ellison não está apenas a observar a partir da plateia 🎬

Já chegou o primeiro trailer de Odisseia, o novo épico de Christopher Nolan

Um regresso ambicioso ao cinema de grande escala… e à mitologia clássica

A expectativa era enorme e confirma-se agora em imagens. Foi divulgado o primeiro trailer de Odisseia, o novo filme de Christopher Nolan, e o resultado não surpreende: escala monumental, cenários naturais esmagadores e uma sensação permanente de risco físico, marca registada do realizador.

O nível de antecipação é tal que, em Julho, doze meses antes da estreia, os bilhetes para sessões IMAX nos Estados Unidos esgotaram em várias salas em questão de minutos. Um fenómeno raro, mesmo para um cineasta habituado a sucessos de bilheteira e a estreias tratadas como acontecimentos culturais.

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Um épico fundador da literatura ocidental

Odisseia adapta o poema épico homónimo de Homero, datado do século VIII a.C., acompanhando a longa e atribulada viagem de Ulisses após a queda de Tróia. O trailer não revela detalhes narrativos significativos, mas confirma o foco na dimensão física e emocional da jornada: o mar como ameaça constante, a natureza como força indomável e o regresso a casa como obsessão.

O papel principal cabe a Matt Damon, que interpreta Ulisses. Tom Holland surge como Telémaco, o filho que cresce à espera do pai, enquanto Anne Hathaway dá vida a Penélope, figura central da resistência silenciosa e da espera prolongada.

Filmagens no limite do conforto

Fiel à sua filosofia de cinema físico e prático, Nolan voltou a evitar soluções digitais sempre que possível. As filmagens arrancaram em Fevereiro e passaram por Marrocos, Grécia, Itália, Escócia e Islândia, privilegiando locais reais e condições naturais adversas.

Em declarações à revista Empire, o realizador explicou a abordagem:

“Passei os últimos quatro meses no mar. Levámos o elenco que interpreta a tripulação do navio de Odisseu para enfrentar ondas reais, em locais verdadeiros. Queríamos mostrar como estas viagens eram duras e o salto de fé que representavam num mundo desconhecido.”

A ideia é clara: não romantizar a aventura, mas devolver-lhe peso, perigo e desgaste humano.

Um elenco ao nível da ambição

Além de Damon, Holland e Hathaway, Odisseia reúne um elenco de luxo que inclui ZendayaMia GothRobert PattinsonLupita Nyong’o e Charlize Theron. Um conjunto de nomes que reforça a dimensão coral da narrativa e a ambição de criar um verdadeiro épico moderno.

Nolan no auge da carreira

De A Origem a Interstellar e Oppenheimer, Nolan construiu uma filmografia que alia sucesso comercial e reconhecimento crítico. Com mais de 180 prémios ao longo da carreira, incluindo Globos de Ouro e o Óscar finalmente conquistado com OppenheimerOdisseia surge como mais um teste à sua capacidade de reinventar géneros clássicos à escala do cinema contemporâneo.

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Se o trailer é indicativo, estamos perante um filme pensado para ser visto no maior ecrã possível — e sentido como uma verdadeira travessia cinematográfica 🎬

Quando Roger Moore Mudou de Ideias — e Tirou James Brolin do Caminho de James Bond

A história de James Bond está cheia de curiosidades, decisões de última hora e jogos de bastidores dignos do próprio MI6. Mas poucas são tão cruéis — e tão pouco conhecidas — como aquela que envolveu James Brolin e que acabou por mantê-lo fora de Octopussy. Um caso raro em que um actor chegou a ser escolhido, começou a preparar-se… e foi afastado simplesmente porque o titular decidiu regressar.

No início da década de 1980, a continuidade de Roger Moore como 007 estava longe de ser garantida. Após For Your Eyes Only (1981), tudo indicava que Moore iria finalmente despedir-se do papel que já interpretava desde Live and Let Die. Os produtores Albert R. Broccoli e Michael G. Wilson começaram, discretamente, a procurar um sucessor.

E foi aí que James Brolin entrou em cena.

Um Bond improvável… mas quase oficial

À primeira vista, a escolha parecia improvável. Brolin era americano — algo que sempre causou resistência dentro da saga — mas vinha embalado pelo enorme sucesso de The Amityville Horror (1979). Tinha presença física, carisma e um perfil mais duro que agradava à equipa criativa, que pretendia manter um tom mais sério após o registo mais leve de Moore.

Segundo o próprio Brolin, em entrevista à People em 2025, o processo avançou de forma surpreendentemente concreta. Voou para Londres, reuniu-se com os produtores, foi integrado em treinos com duplos, recebeu alojamento… e foi, nas suas palavras, escolhido informalmente para o papel. Faltava apenas assinar o contrato.

Chegou mesmo a realizar um teste de câmara com Maud Adams, que viria a protagonizar Octopussy. O realizador John Glen descreveu o ensaio como “excelente”, sublinhando que Brolin levava o papel muito a sério e tinha entendido o tom pretendido para o novo Bond.

O telefonema que mudou tudo

Convencido de que iria passar um ano em Inglaterra, Brolin regressou a Los Angeles para organizar a sua vida. Foi então que recebeu o telefonema fatídico: Roger Moore tinha mudado de ideias.

Após negociações de bastidores — financeiras, criativas e estratégicas — Moore aceitou regressar para mais um filme. A decisão foi imediata e definitiva. Brolin estava fora. Sem contrato assinado, sem margem para contestação, sem direito a segunda oportunidade.

Como o próprio recorda, tudo terminou tão depressa como começou.

Porque é que Moore regressou?

Moore já tinha ultrapassado o número de filmes inicialmente previstos no seu contrato. Depois de The Spy Who Loved Me, passou a negociar filme a filme. Moonraker e For Your Eyes Only foram feitos nessas condições, e Octopussy surgiu num momento particularmente sensível para a franquia.

Em 1983, a saga enfrentava concorrência directa de Never Say Never Again, que marcava o regresso de Sean Connery ao papel, fora da continuidade oficial. Para a MGM, manter Moore era uma forma de assegurar estabilidade e reconhecimento imediato junto do público.

Além disso, como John Glen admitiu mais tarde, Cubby Broccoli nunca esteve totalmente confortável com a ideia de um Bond americano. Mesmo que Brolin tivesse convencido em câmara, a tradição acabou por pesar mais.

Um sucesso… e uma oportunidade perdida

Octopussy não é hoje lembrado como um dos grandes clássicos da saga, mas foi um enorme sucesso comercial e superou o rival protagonizado por Connery. Para Roger Moore, foi mais uma vitória. Para James Brolin, ficou a sensação agridoce de ter estado a centímetros da imortalidade cinematográfica.

É um daqueles casos em que o destino de Hollywood se decide num simples “vou fazer mais um”. Um gesto aparentemente banal que alterou carreiras, histórias e até a memória colectiva de uma das maiores franquias do cinema.

E deixa uma pergunta inevitável: como teria sido James Bond se James Brolin tivesse realmente vestido o smoking?

O Segredo de Clint Eastwood: Porque é Que os Seus Filmes Nunca Estouram o Orçamento — Nem o Calendário

Num sistema como Hollywood, onde atrasos milionários e orçamentos fora de controlo são quase regra, há uma exceção que intriga produtores, actores e realizadores há décadas: Clint Eastwood. Os filmes que assina como realizador chegam quase sempre ao fim antes do prazo e abaixo do orçamento. Não é sorte. É método. E, acima de tudo, experiência.

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Eastwood está no cinema há mais de meio século — primeiro como actor, depois como realizador — e essa longevidade ensinou-lhe algo que muitos nunca aprendem: saber exactamente o que quer filmar antes de ligar a câmara. No centro da sua filosofia está uma regra simples e quase lendária: um take, dois no máximo. E acabou.

Os actores sabem disso antes sequer de chegarem ao set. Quem trabalha com Eastwood chega preparado, ensaiado e concentrado. Não há espaço para “vamos tentar outra vez só por via das dúvidas”. A história contada por Matt Damon, durante as filmagens de Invictus, é reveladora.

Damon interpretava um sul-africano, com um sotaque particularmente difícil. Levou o trabalho a sério, praticou durante semanas e decidiu testar a famosa reputação do realizador logo no primeiro dia. Fizeram o take. Correu bem. Eastwood disse calmamente: “Cut, print, check the gate.” Tradução: está feito, seguimos em frente. Damon pediu mais um take. A resposta foi seca e definitiva: “Porquê? Queres desperdiçar o tempo de toda a gente?”

Não era arrogância. Era respeito pelo trabalho da equipa.

Eastwood não é um realizador relaxado ou distraído. Pelo contrário: é extremamente preciso. Mas essa precisão vem antes das filmagens, não durante intermináveis repetições. Trabalha regularmente com a mesma equipa técnica, pessoas que conhecem os seus ritmos, a sua linguagem e as suas expectativas. Não há necessidade de microgestão porque todos sabem exactamente o que têm de fazer.

Esse mesmo princípio aplica-se à montagem. Enquanto muitos realizadores passam dias de 12 ou 14 horas colados ao ombro do montador, Eastwood faz o oposto. Vê o material, discute opções, define direcções… e sai. Literalmente. Vai jogar golfe. Volta ao final do dia, vê o que foi feito, dá notas pontuais e segue em frente.

Num célebre encontro entre realizadores de topo, quando outros descreviam jornadas extenuantes em pós-produção, Eastwood explicou o seu método com uma naturalidade desconcertante: reuniões de manhã, golfe à tarde, revisão ao fim do dia. O silêncio que se seguiu foi revelador. Não era preguiça — era confiança.

Confiança na equipa. Confiança no planeamento. Confiança na experiência acumulada.

O resultado é um cinema sem excessos, sem caos e sem desperdício. Um cinema onde cada decisão tem peso e cada minuto conta. É por isso que filmes realizados por Clint Eastwood raramente derrapam financeiramente ou logisticamente. Ele sabe que, num set, tempo é dinheiro — e que mandar repetir sem necessidade é uma forma de desrespeito.

Num Hollywood cada vez mais dominado por produções inflacionadas e rodadas à base de exaustão, o método Eastwood parece quase anacrónico. Mas talvez seja exactamente por isso que continua a funcionar tão bem.

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Às vezes, a verdadeira modernidade está em fazer menos — e fazer melhor.

Quando a Televisão Era “Um Passo Atrás” — e um Actor Aceitou a Contragosto um Papel Que Mudou Tudo

Hoje parece impensável, mas houve um tempo em que aceitar protagonizar uma série de televisão era visto como um retrocesso na carreira de qualquer actor com ambições sérias. Nos anos 80, o pequeno ecrã ainda carregava o estigma de ser território menor, longe do prestígio artístico e cultural do cinema e do teatro. Foi nesse contexto que Edward James Olmos quase disse “não” a um dos papéis mais marcantes da história da televisão.

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Quando Michael Mann estava a montar o elenco de Miami Vice, a sua série revolucionária sobre polícias infiltrados em Miami, Olmos não era exactamente uma estrela de cinema, mas era altamente respeitado no meio artístico. Vinha do teatro — com nomeações para os Tony Awards — e já tinha deixado marca em filmes como Wolfen e Blade Runner. Acima de tudo, era um actor que levava o ofício muito a sério.

Quando Mann o abordou pela primeira vez para interpretar o tenente Martin Castillo, chefe da unidade de narcóticos da polícia de Miami-Dade, Olmos recusou. Televisão? Não, obrigado. Para um actor com formação teatral, aquilo era visto como um compromisso artístico difícil de justificar.

O destino, no entanto, tinha outros planos. Seis episódios depois do arranque da primeira temporada, o actor inicialmente escolhido para o papel saiu abruptamente da série. Mann ficou com um problema sério em mãos — e voltou a bater à porta de Olmos. Segundo relatos feitos mais tarde em documentários sobre a série, o criador de Miami Vice praticamente implorou para que o actor reconsiderasse. Foi a esposa de Olmos quem acabou por o convencer a aceitar.

O acordo, porém, não foi convencional. Olmos exigiu — e obteve — um nível de controlo raríssimo para a televisão da época. Decidia o guarda-roupa de Castillo, ajustava os diálogos, moldava o comportamento da personagem e até a organização da secretária no seu gabinete tinha de reflectir a psicologia do tenente. Nada era arbitrário.

Quando Martin Castillo entrou finalmente em cena, tudo mudou. Silencioso, intimidante, contido e profundamente introspectivo, o personagem contrastava com o estilo mais exuberante de Sonny Crockett e Ricardo Tubbs. Era uma figura quase trágica, carregada de passado e de moral rígida, que elevou imediatamente o tom dramático da série.

Miami Vice explodiu em popularidade e influência cultural, redefinindo a linguagem visual da televisão, a forma como a música era usada nas narrativas e a própria ideia de série policial. E Edward James Olmos tornou-se um dos pilares desse sucesso, provando que a televisão podia ser tão séria, complexa e artisticamente exigente quanto o cinema.

O que começou como uma decisão tomada a contragosto acabou por se transformar num dos maiores acertos da sua carreira. Mais do que isso, ajudou a mudar para sempre a percepção do pequeno ecrã junto dos actores e do público.

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Às vezes, aceitar um papel “errado” no momento certo é tudo o que é preciso para fazer história.

Quando um Papel Secundário Rouba o Filme Inteiro — e Obriga Hollywood a Reescrever o Guião

Há histórias de bastidores que explicam melhor do que qualquer manual como nascem as estrelas de cinema. Uma delas aconteceu em 1992, durante as filmagens de Dazed and Confused, o hoje lendário retrato geracional de Richard Linklater sobre adolescentes texanos nos anos 70. Um filme coral, sem protagonista óbvio, mas que acabou por lançar uma carreira… quase por acidente.

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Na altura, Matthew McConaughey era um completo desconhecido. Tinha 23 anos, nenhuma carreira relevante no cinema e foi contratado para um papel mínimo: David Wooderson, o tipo mais velho que continua a sair com miúdos do secundário, conduz carros vistosos e vive numa adolescência eterna. O personagem estava pensado como uma presença episódica, quase decorativa.

Quem deveria brilhar era Kevin Pickford, o hippie descontraído interpretado por Shawn Andrews, concebido como uma figura central no grupo de amigos do protagonista Pink (Jason London). Só que a realidade no set começou rapidamente a afastar-se do plano original.

Andrews revelou-se problemático. Tinha dificuldades em relacionar-se com o resto do elenco, criava tensão constante e chegou mesmo a envolver-se numa luta física com Jason London, obrigando Linklater a intervir para separar os dois. O ambiente tornou-se tão tóxico que, mesmo nas cenas em que Pickford e Pink surgem juntos no filme final, quase não interagem — um detalhe curioso que salta à vista quando revisto com este contexto em mente.

Do outro lado estava McConaughey. Carismático, bem-disposto, perfeitamente integrado no espírito descontraído das filmagens e, acima de tudo, dono de uma presença magnética. As poucas falas que tinha destacavam-se imediatamente. Linklater percebeu o que estava ali a acontecer e tomou uma decisão rara, mas decisiva: começou a escrever mais cenas para Wooderson durante as filmagens.

Mais do que isso, incentivou McConaughey a improvisar. Foi assim que nasceu, quase por acaso, o icónico “alright, alright, alright”, hoje inseparável da persona pública do actor. Enquanto isso, o papel de Pickford foi sendo progressivamente reduzido na montagem, arrastando consigo a personagem de Michelle, interpretada por Milla Jovovich, cujas cenas estavam quase todas ligadas a ele.

O resultado é um daqueles casos clássicos em que o cinema se adapta à química real dos actores. Wooderson tornou-se uma das figuras mais memoráveis do filme, apesar de nunca ser o centro da narrativa. E para McConaughey, foi o início de tudo: a performance que lhe abriu portas, chamou a atenção da indústria e lançou uma carreira que acabaria por passar por blockbusters, reinvenções dramáticas e até um Óscar.

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Às vezes, Hollywood não escolhe as estrelas. Elas simplesmente impõem-se. E neste caso, McConaughey fez exactamente isso — à sua maneira.

Um Natal Amarelo no Grande Ecrã: Porque o Novo Filme do SpongeBob É a Escolha Certa Para a Família 🎄🍍

Depois de mais de duas décadas a marcar gerações em Portugal, SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas regressa ao cinema com estatuto de verdadeiro acontecimento familiar. A estreia acontece a 24 de Dezembro, em plena véspera de Natal, numa aposta clara em devolver às salas de cinema aquele ritual colectivo que tantos de nós associam a esta época do ano: rir em família, partilhar pipocas e sair da sessão com um sorriso colado à cara.

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Este novo capítulo cinematográfico não tenta reinventar a roda — e ainda bem. Em vez disso, abraça com convicção tudo aquilo que transformou SpongeBob SquarePants num fenómeno global: humor nonsense, optimismo inabalável, personagens inesquecíveis e uma imaginação que parece não conhecer limites. Aqui, SpongeBob sente que chegou o momento de provar que é um verdadeiro herói e, para isso, embarca numa aventura tão improvável quanto ambiciosa, seguindo o temível (e deliciosamente caricato) Holandês Voador até às profundezas do oceano.

A narrativa aposta numa estrutura simples, mas eficaz, pensada para funcionar em vários níveis. As crianças encontram cor, ritmo e situações absurdas em catadupa; os adultos reconhecem ironias, comentários subtis e aquela energia caótica que sempre distinguiu a série. É um equilíbrio difícil de alcançar, mas que este filme consegue manter com surpreendente leveza.

Um dos grandes trunfos desta estreia em Portugal é a continuidade na dobragem nacional. As vozes que acompanham SpongeBob há mais de 20 anos regressam, garantindo familiaridade imediata ao público português. É um detalhe que pode parecer menor, mas que faz toda a diferença quando falamos de um universo tão enraizado na memória colectiva. A isto juntam-se algumas estreias na dobragem cinematográfica, que entram com naturalidade e sem ruído, reforçando o elenco sem quebrar o tom.

Do ponto de vista visual, o filme mantém o estilo vibrante e exagerado que sempre definiu Bikini Bottom, mas adapta-o ao grande ecrã com uma escala mais ambiciosa. Há sequências claramente pensadas para impressionar em sala escura, com um sentido de espectáculo que transforma esta aventura numa experiência verdadeiramente cinematográfica — e não apenas num “episódio longo” da série.

A estreia internacional foi também assinalada com pompa e circunstância em Hollywood, num evento simbólico que reuniu várias figuras históricas ligadas ao universo SpongeBob, sublinhando a importância cultural da personagem criada por Stephen Hillenburg. É um reconhecimento justo para uma série que, ao longo dos anos, soube reinventar-se sem perder identidade.

No fundo, SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas funciona como aquilo que o cinema de Natal deve ser: inclusivo, luminoso e emocionalmente generoso. Não pretende ser profundo ou solene, mas lembra-nos algo essencial — que a amizade, a coragem e a alegria continuam a ser valores universais, independentemente da idade.

Num calendário saturado de estreias “importantes”, este filme destaca-se precisamente por não tentar ser mais do que aquilo que promete. E às vezes, sobretudo no Natal, isso é exactamente o que precisamos.

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O filme estreia a 24 de Dezembro, nas salas de cinema portuguesas, em versões dobrada e legendada, com distribuição da NOS Audiovisuais  .

O Amor Mudou o Cinema: Como Rob Reiner Reescreveu o Final de Harry e Sally Depois de se Apaixonar

Há finais felizes que parecem inevitáveis. Outros, porém, só existem porque a vida decidiu intrometer-se no cinema. O desfecho de Harry e Sally – Feitos Um para o Outro pertence claramente à segunda categoria. Um dos filmes mais adorados da história das comédias românticas quase terminou de forma amarga — e só não o fez porque Rob Reiner se apaixonou durante as filmagens.

A revelação ganha hoje um peso emocional ainda maior. No passado domingo, 14 de Dezembro, Reiner e a sua mulher, Michele Singer, foram encontrados mortos na sua casa em Los Angeles, num caso trágico que chocou Hollywood. Independentemente das circunstâncias que rodeiam o crime, o legado artístico de Reiner permanece intacto — e Harry e Sally continua a ser a sua obra mais popular, mais citada e mais influente.

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Um filme nascido do cepticismo amoroso

Quando Rob Reiner começou a desenvolver Harry e Sally, o realizador estava longe de acreditar no amor duradouro. Recentemente divorciado, Reiner via as relações com um olhar cínico e desencantado. Esse estado de espírito influenciou directamente o argumento escrito por Nora Ephron, que construiu uma história brilhante sobre amizade, medo de intimidade e as voltas imprevisíveis da vida.

Na versão original do guião, Harry e Sally não acabavam juntos. Depois de anos de encontros falhados, desencontros emocionais e diálogos icónicos, cada um seguiria o seu caminho. Um final realista, agridoce — e profundamente anti-hollywoodiano.

Era essa a intenção inicial de Reiner.

O encontro que mudou tudo

Durante a produção do filme, porém, algo inesperado aconteceu. Rob Reiner conheceu Michele Singer, com quem iniciou uma relação que rapidamente se tornou séria. Pela primeira vez em muito tempo, o realizador voltou a acreditar que duas pessoas podiam, de facto, encontrar-se no momento certo.

Esse impacto foi decisivo.

Reiner apercebeu-se de que já não acreditava no final triste que tinha planeado para Harry e Sally. Se a vida lhe estava a provar que o amor era possível — mesmo depois de desilusões — então o filme também tinha de reflectir isso.

A decisão foi tomada: o final seria reescrito.

O monólogo que fez história

O novo desfecho culmina numa das cenas mais famosas do cinema romântico. Na passagem de ano, Harry corre pela cidade para encontrar Sally e declara-lhe o seu amor num monólogo que se tornou lendário. Não é uma declaração idealizada ou poética — é confessional, imperfeita, humana.

Harry ama Sally porque ela demora a pedir comida, porque corrige a gramática, porque fica rabugenta no Inverno. É um amor construído nos detalhes, não nos fogos-de-artifício.

Essa cena não só salvou o filme como redefiniu o género. A partir daí, dezenas de comédias românticas passaram a procurar finais semelhantes: declarações sinceras, imperfeitas, profundamente pessoais. Harry e Sally deixou de ser apenas um sucesso de bilheteira e tornou-se um manual emocional para o cinema que se seguiu.

Um “felizes para sempre” que veio da vida real

Rob Reiner e Michele Singer casaram-se em 1989, o mesmo ano da estreia do filme, e permaneceram juntos durante décadas. O final feliz de Harry e Sally não foi um artifício comercial: foi um reflexo directo da vida do seu criador naquele momento.

É raro um caso em que o cinema muda por causa da felicidade do realizador — normalmente é o contrário. Mas Harry e Sally prova que, por vezes, a arte imita mesmo a vida… e fica melhor por isso.

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Hoje, sabendo que aquele final quase não existiu, é impossível não o rever com outros olhos. Não é apenas uma grande cena de cinema. É o testemunho de um momento em que alguém voltou a acreditar.

E, sem saber, deu ao mundo uma das maiores histórias de amor da sétima arte.