Dwayne Johnson emociona Veneza em “The Smashing Machine: Coração de Lutador”

O Festival de Veneza foi palco de um dos momentos mais surpreendentes deste ano: Dwayne Johnson conquistou a crítica internacional com a sua interpretação em The Smashing Machine: Coração de Lutador, filme realizado por Benny Safdie, que arrecadou o Leão de Prata de Melhor Realizador. A sessão terminou com mais de 15 minutos de aplausos, sinal da intensidade emocional que marcou a estreia mundial.

Com estreia marcada para 2 de outubro nas salas portuguesas, o filme promete revelar um lado diferente de Johnson, conhecido pela sua carreira na WWE e pelos sucessos de bilheteira de Hollywood. Aqui, o ator assume um dos papéis mais exigentes da sua trajetória, dando vida a Mark Kerr, lenda do MMA que enfrenta os próprios limites físicos, emocionais e morais.

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Ao seu lado, Emily Blunt — nomeada ao Óscar® por Oppenheimer — interpreta Dawn Staples, a mulher que o acompanha numa espiral de instabilidade e luta pela sobrevivência emocional do casal. A química entre os dois foi amplamente destacada pelos críticos, que consideraram a performance de Johnson a mais poderosa da sua carreira.

Mais do que um filme de combate

Passado no início dos anos 2000, The Smashing Machine: Coração de Lutador explora o lado sombrio da glória desportiva. A narrativa acompanha a queda e a busca de redenção de um campeão, confrontando o peso da fama, o vício, a pressão constante para vencer e as fragilidades que a força física não consegue esconder.

Inspirado na vida real de Mark Kerr, figura incontornável da UFC no ano 2000, o filme equilibra momentos de intensidade dentro do octógono com o drama íntimo de um homem dividido entre a vitória e a autodestruição.

Com Safdie no comando, conhecido por obras intensas como Uncut Gems e Good Time, a promessa é clara: um retrato cru, realista e profundamente humano, que vai além das convenções dos filmes de desporto.

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Estreia nacional

Distribuído pela NOS Audiovisuais, o filme chega aos cinemas portugueses a 2 de outubro, prometendo ser um dos destaques da temporada.

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Um arranque apocalíptico com Stephen King

Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (MOTELX) regressa esta semana ao Cinema São Jorge para a sua 19.ª edição, e fá-lo com pompa e sangue novo. O filme de abertura é The Long Walk, adaptação do primeiro romance de Stephen King, realizado por Francis Lawrence (ConstantineThe Hunger Games).

A narrativa transporta os espectadores para uma América totalitária onde jovens são obrigados a participar numa competição mortal de caminhada: parar significa morrer. Um thriller apocalíptico que promete começar o festival com intensidade máxima.

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Prémio Noémia Delgado e homenagem a Gale Anne Hurd

A grande homenageada deste ano é Gale Anne Hurd, produtora e argumentista de clássicos como Aliens – O Reencontro FinalO AbismoArmageddon e, claro, O Exterminador Implacável.

Hurd receberá o Prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror, criado para destacar pioneiras muitas vezes esquecidas e dar visibilidade a novos talentos femininos no género. Além da distinção, a produtora vai conduzir uma masterclass em Lisboa.

O prémio leva o nome da realizadora e poeta Noémia Delgado (1933-2016), referência no cinema português fantástico e no género feito por mulheres.

O terror português em destaque

O MOTELX mantém a tradição de dar palco ao cinema nacional, com três longas-metragens em competição pelo Prémio Méliès d’Argent – Melhor Longa Europeia:

  • Sombras, estreia de Jorge Cramez no terror;
  • A Pianista, de Nuno Bernardo;
  • Crendices, o primeiro filme de terror inteiramente madeirense, realizado pelo grupo humorístico 4Litro.

Na competição de curtas portuguesas, 12 obras exploram temas que vão desde a precariedade habitacional em O Próximo Passo (Pedro Batalha) até à saúde mental em Resut (Mafalda Jacob).

Cinema internacional e descobertas raras

O cartaz internacional é vasto e inclui títulos como A Useful Ghost (premiado em Cannes), Opus (estreia de Mark Anthony Green, com Ayo Edebiri e John Malkovich), o brasileiro Enterre Seus Mortos de Marco Dutra e ainda Freaky Tales (Anna Boden e Ryan Fleck) e The Toxic Avenger de Macon Blair.

Um dos destaques curiosos é Los mil ojos del asesino, thriller ítalo-espanhol rodado em Lisboa antes do 25 de Abril de 1974, agora exibido pela primeira vez em Portugal.

O Japão também ganha espaço na programação com títulos como Chime de Kiyoshi Kurosawa, Hotspring Sharkattack de Morihito Inoue e New Group de Yuta Shimotsu.

Convidados e encerramento

Entre os convidados estão nomes de peso como Ben WheatleyDennis IliadisJulia Kowalski, o produtor Rodrigo Teixeira e o austríaco Norbert Pfaffenbichler, que apresenta a sua trilogia 2551.

O festival termina a 15 de setembro com The Home, novo filme de James DeMonaco, criador da saga The Purge, passado numa casa de repouso para idosos.

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Lisboa como palco do terror

O Cinema São Jorge, a Cinemateca Portuguesa e os Jardins do Bombarda são os principais espaços de exibição e atividades paralelas. Como sempre, o MOTELX reforça-se como um dos grandes festivais europeus dedicados ao género, onde o medo, a memória e a inovação caminham lado a lado.

Chris Evans Alimenta Rumores de Regresso Como Capitão América em Avengers: Doomsday

Físico em destaque no Festival de Toronto

Bastaram algumas fotografias recentes para incendiar a internet. Durante a passagem pelo Festival de Cinema de Toronto 2025, onde apresentou o filme de ação e aventura Sacrifice (com Anya Taylor-JoySalma Hayek e John Malkovich), Chris Evans surgiu em excelente forma física. O detalhe não passou despercebido aos fãs da Marvel, que rapidamente começaram a especular sobre um possível regresso do ator como Capitão América em Avengers: Doomsday.

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Um dos presentes no festival, o crítico Brandon Lewis, escreveu nas redes sociais: “Estava muito musculado na vida real, de uma forma surpreendente. Toda a gente à minha volta ficou de boca aberta. Sim, Chris Evans voltou para Doomsday/Secret Wars.”

O peso da nostalgia

Evans deixou o escudo em Avengers: Endgame (2019), quando Steve Rogers decidiu regressar aos anos 50 para viver com Peggy Carter (Hayley Atwell). No entanto, rumores de produção indicam que tanto Evans como Atwell poderão regressar em Doomsday, desta vez com a felicidade do casal em risco.

Histórias por contar

Os próprios irmãos Joe e Anthony Russo, realizadores de Endgame, já tinham sugerido em 2021 que ainda havia histórias por explorar sobre o período em que Rogers viajou para devolver as Gemas do Infinito. Essa deixa alimentou esperanças de uma possível continuação ou até de um projeto derivado em Disney+.

O regresso de Evans seria não só um trunfo nostálgico para o público que vibrou com Endgame, mas também uma oportunidade de ouro para o reencontro com Robert Downey Jr.. Só que, desta vez, o confronto não seria entre Capitão América e Iron Man, mas sim entre Steve Rogers e o Doutor Doom, papel que Downey Jr. vai interpretar no novo filme.

Expectativas para 2026

A lista de estrelas confirmadas para Avengers: Doomsday já é extensa, reunindo veteranos e novos rostos do MCU. Ainda assim, o sexto mês de rodagem deixa em aberto a possibilidade de mais surpresas no elenco.

Por agora, tudo não passa de rumores e análises ao físico de Evans — mas o entusiasmo dos fãs mostra que o Capitão continua a ser um dos pilares emocionais da saga.

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Avengers: Doomsday tem estreia prevista para 18 de dezembro de 2026. Até lá, a grande questão permanece: estará Steve Rogers pronto para regressar?

Orlando Bloom Não Quer Ver Outro Ator a Ser Legolas em The Hunt for Gollum 

“Eu odiaria ver outra pessoa no papel”

Para Orlando Bloom, há papéis que não se partilham. O ator britânico, hoje com 48 anos, deixou claro em entrevista ao programa Today (via EW) que não gostaria de ver outro ator a assumir a pele do elfo Legolas no próximo filme da Terra Média, The Hunt for Gollum, realizado por Andy Serkis.

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“Escutem, eu odiaria ver outra pessoa que não eu a interpretar o Legolas. O que é que vão fazer? Pôr outro no papel? Hoje em dia, com a IA, tudo é possível…”, disse Bloom, meio a brincar, meio a sério.

O enredo: entre 

O Hobbit

 e 

O Senhor dos Anéis

A nova produção da Warner Bros. situar-se-á entre os acontecimentos de O Hobbit e A Irmandade do Anel. A trama vai acompanhar a perseguição a Gollum, levado a cabo por Gandalf e Aragorn, numa tentativa de impedir que o Um Anel volte às mãos de Sauron.

Essa busca já tinha sido brevemente mencionada na trilogia de Peter Jackson, nomeadamente na cena em que Gollum, sob tortura, revela as palavras “Bolseiro” e “Comarca”.

Regressos confirmados — e uma dúvida chamada Legolas

O veterano Ian McKellen já confirmou o regresso como Gandalf, e Elijah Wood voltará a interpretar Frodo. Quanto a Legolas, a presença ainda não está confirmada. Bloom confessou que não recebeu qualquer convite oficial até ao momento:

“Para ser honesto, não ouvi nada sobre isso. Eu sei que o filme é centrado no Gollum, por isso tudo é possível. Até porque já voltei ao papel nos filmes de O Hobbit.”

Um papel que marcou gerações

Bloom viveu Legolas nas três longas-metragens de O Senhor dos Anéis e nos dois últimos filmes da trilogia O Hobbit. Apesar das incertezas, o ator não esconde o carinho pelo personagem: “É um papel incrível. Sou muito grato por ter feito parte destes filmes.”

Em junho, Bloom já tinha admitido que voltaria “sem hesitar” a ser Legolas, embora reconhecesse que hoje em dia precisaria de algum retoque digital para recuperar a juventude do elfo.

A caminho da Nova Zelândia

As filmagens de The Hunt for Gollum arrancam no próximo ano na Nova Zelândia, com estreia marcada para 15 de dezembro de 2027. Até lá, a grande questão que permanece é: veremos Orlando Bloom novamente com arco e flechas em Lothlórien?

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Exit 8: O Labirinto Psicológico de Genki Kawamura Que Transforma o Metro Num Purgatório

Do jogo de culto ao grande ecrã

O realizador Genki Kawamura (A Hundred Flowers) mergulha no universo dos videojogos para criar Exit 8, adaptação de um jogo japonês de culto que estreou a 3 de setembro. Longe de ser apenas mais uma experiência estilística, o filme reinventa a lógica minimalista do jogo e transforma-a numa metáfora poderosa sobre o conformismo e as ansiedades de uma sociedade que parece andar em círculos.

Uma rotina que se torna pesadelo

O protagonista — um homem comum, sem traços distintivos — é apresentado num longo plano-sequência em primeira pessoa, enquanto ouve o Bolero de Ravel numa carruagem de metro lotada. A monotonia cede lugar à inquietação quando, ao sair, percebe que está preso num corredor interminável.

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A lógica é simples, mas implacável: se encontrar uma anomalia — um néon que pisca, um som fora do lugar, uma diferença subtil numa parede — deve recuar; se nada detetar, deve avançar. Um erro, e tudo recomeça do nível zero. O objetivo: alcançar o enigmático “nível 8” para escapar do ciclo.

Entre Escher, Ravel e Kubrick

Kawamura transforma este mecanismo numa experiência cinematográfica hipnótica. O motivo do “8” é explorado como símbolo de infinito, enquanto o Bolero de Ravel, com a sua cadência repetitiva, reforça a sensação de claustrofobia. As ilusões de ótica de M. C. Escher surgem como referência visual, tal como o cinema de Stanley Kubrick, evocado numa cena que cita diretamente The Shining.

O resultado é um thriller psicológico que prende o espectador ao mesmo jogo do protagonista: observar compulsivamente a imagem, à procura do detalhe que denuncia a anomalia.

Capítulos que renovam o enigma

Para evitar que o conceito se esgote, o filme divide-se em três capítulos, mudando de perspetiva: do Homem Perdido ao Homem que Caminha, até chegar à visão da Criança. Kawamura mantém o mistério sobre a ligação entre estas figuras, relançando constantemente a narrativa sem entregar respostas fáceis.

A metáfora da paternidade e do conformismo

Para além da superfície lúdica, Exit 8 é atravessado por uma reflexão simbólica: o medo da paternidade e da responsabilidade, tema que se repete na trajetória das personagens. Ao mesmo tempo, o ciclo infinito no labirinto do metro ecoa como alegoria de uma sociedade incapaz de reconhecer as suas próprias falhas e disfunções.

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O resultado é um grande oito psicológico e existencial, onde suspense, estranheza e reflexão se entrelaçam. Uma obra que, tal como o seu herói, desafia o público a não se perder no labirinto.

Critterz: OpenAI Quer Levar o Primeiro Filme Feito com IA ao Festival de Cannes

Inteligência artificial no grande ecrã

OpenAI está a dar um salto inédito: depois de revolucionar a escrita e a criação de imagens, a empresa aposta agora no cinema. O projeto chama-se Critterz, um filme de animação que pretende provar que a inteligência artificial consegue produzir longas-metragens mais rápidas e baratas do que os métodos tradicionais.

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Segundo o Wall Street Journal, o objetivo é claro: mostrar em Cannes que a IA também pode competir no grande ecrã.

Da curta ao filme de animação

A ideia nasceu em 2023, quando Chad Nelson, especialista criativo da OpenAI, realizou uma curta-metragem com recurso ao DALL-E, o gerador de imagens da empresa. Três anos depois, decidiu expandir o conceito e transformar a experiência num filme de animação completo.

A história acompanha um grupo de criaturas da floresta que parte numa grande aventura. O guião contou com contributos de membros da equipa criativa de Paddington in Peru.

A produção junta a OpenAI aos estúdios Vertigo e Native Foreign, especializados em projetos que cruzam ferramentas de IA com técnicas tradicionais de animação.

Um processo acelerado e low budget

O orçamento de Critterz é inferior a 30 milhões de dólares, valor bastante abaixo dos custos médios de uma animação de estúdio. A diferença não está apenas no dinheiro: a equipa espera concluir a produção em nove meses, em vez dos habituais três anos.

“OpenAI pode fazer demonstrações do que os seus sistemas conseguem, mas um filme é uma prova muito mais convincente”, explicou Nelson.

Além de ChatGPT-5 e modelos de geração de imagem, a produção também contará com artistas responsáveis por croquis iniciais e atores contratados para dar voz às personagens.

Uma estreia com ambição

O filme está em produção e a equipa espera apresentar a versão longa no Festival de Cannes, antes de uma estreia em sala prevista para 2026. Caso seja bem-sucedido, Critterz poderá acelerar a adoção de IA em Hollywood, abrindo portas a criadores com menos recursos.

Uma indústria em debate

Apesar do entusiasmo tecnológico, o tema continua controverso. Em 2023, sindicatos de atores em Hollywood entraram em greve precisamente para exigir salvaguardas contra o uso da IA na escrita de guiões e na clonagem de vozes e imagens.

Além disso, grandes estúdios como DisneyNBC Universal e Warner Bros. Discovery moveram processos contra empresas como a Midjourney, acusando-as de usar material protegido por direitos de autor para treinar os seus modelos.

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Seja como for, Critterz poderá tornar-se o primeiro grande teste da inteligência artificial nas luzes da ribalta de Cannes.

Riefenstahl: O Documentário Que Reabre o Debate Sobre a Cineasta de Hitler

Um olhar sobre a artista e o peso da propaganda

Estreado nos EUA, Riefenstahl, novo documentário de Andres Veiel com produção de Sandra Maischberger, mergulha no espólio pessoal da realizadora alemã que revolucionou a linguagem cinematográfica — mas ao serviço do nazismo.

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Responsável por filmes como Triumph of the Will (1935) e Olympia (1938), Leni Riefenstahl foi pioneira na forma como filmava multidões, desportistas e eventos de massas, mas a sua proximidade a Hitler e o papel central na propaganda do Terceiro Reich tornaram-na uma figura maldita da História do cinema.

Acesso ao arquivo secreto

Depois da morte do marido de Riefenstahl, em 2016, Maischberger conseguiu acesso ao arquivo da cineasta, guardado pela Fundação do Património Cultural Prussiano. Foram 700 caixas com fotografias, documentos, gravações e até rascunhos não editados da sua autobiografia. Esse material permitiu a Veiel construir um retrato mais completo da artista, revelando contradições e detalhes até agora pouco conhecidos, como a relação com um pai autoritário e registos fotográficos de encontros pessoais com Hitler e Goebbels.

“Quero compreender, mas não exonerar”, sublinha Veiel, defendendo que o filme distingue claramente a análise da cumplicidade.

Entre a inovação e a responsabilidade

O documentário mostra como Riefenstahl se deixou seduzir por Hitler desde 1932, ano em que afirmou sentir-se “capturada por uma força magnética” após ouvir um discurso do ditador. O resultado foi Triumph of the Will, obra que cristalizou a imagem mítica do Führer, filmado como uma figura quase divina a descer dos céus.

Embora nunca tenha sido membro oficial do partido nazi, Riefenstahl usou prisioneiros de etnia cigana durante as filmagens de Tiefland (anos 40), que mais tarde seriam deportados para Auschwitz. A realizadora negou sempre ter conhecimento do destino dessas pessoas, insistindo em apresentar-se como “apenas uma artista”.

Uma figura controversa e atual

Após a guerra, Riefenstahl sentiu-se perseguida, sobretudo quando comparada a realizadores como Veit Harlan, que colaborou com o regime e conseguiu manter uma carreira no pós-guerra. Já ela só lançou dois filmes depois de 1945: Tiefland (estreado em 1954) e Impressions Under Water (2002).

Para Veiel e Maischberger, revisitar a sua obra é essencial no contexto atual de ascensão do populismo de extrema-direita. “Olhar para Leni Riefenstahl é sempre olhar para nós próprios”, afirma Maischberger.

Entre a arte e o perigo da sedução

Riefenstahl questiona até que ponto a inovação estética pode ser desligada da ideologia que serve. Como nota Veiel, “há uma diferença entre compreender e desculpar. E não há desculpa possível para a sua responsabilidade e culpa”.

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O resultado é um documentário que não procura limpar a imagem da realizadora, mas sim confrontar os limites entre arte, propaganda e responsabilidade histórica.

Poetic License: A Estreia de Maude Apatow na Realização Divide Críticos em Toronto

Um retrato intergeracional com muito coração, mas pouca direção

Apresentado na secção Special Presentations do Festival de TorontoPoetic License marca a estreia de Maude Apatowcomo realizadora. O filme é descrito pela crítica internacional como uma comédia universitária calorosa e bem interpretada, mas também genérica e sem rumo definido.

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A história acompanha Liz (Leslie Mann), uma mulher de meia-idade que, ao mudar-se para uma nova cidade com o marido (Method Man), decide frequentar uma aula de poesia para ocupar o tempo. Enquanto o marido e a filha Dora (Nico Parker) se adaptam facilmente ao novo ambiente, Liz sente-se deslocada e acaba por se aproximar de dois estudantes: Sam (Andrew Barth Feldman) e Ari (Cooper Hoffman), que rapidamente a transformam numa figura de admiração e conselheira.

Triângulo improvável e conflitos familiares

O enredo mistura elementos de coming-of-age e comédia romântica enviesada: Ari é um jovem rico, sem grandes objetivos além de querer viver com Sam; este, por sua vez, prefere a vida de dormitório, tem ambições académicas em economia e uma namorada (Maisy Stella) que irrita o amigo. Liz, ex-terapeuta de casais, percebe logo a dependência entre os dois rapazes, mas aproxima-se deles tanto pela curiosidade como pela vontade de revisitar a própria juventude.

Enquanto Sam e Ari competem pela sua atenção, Liz lida com o vazio deixado pela independência crescente da filha e com um casamento pouco inspirador.

Críticas à falta de foco

Segundo a imprensa presente em Toronto, Poetic License sofre de uma execução dispersa. A narrativa “vagueia de cena em cena sem grande visão”, com momentos emocionais interrompidos antes de poderem ganhar profundidade. As aulas de poesia, por exemplo, raramente abordam a escrita ou o ofício, servindo mais como pano de fundo cómico para a professora excêntrica interpretada por Martha Kelly.

A crítica aponta ainda que elementos como “poesia” ou “economia” parecem escolhidos ao acaso, sem real impacto na construção das personagens. Method Man surge mal aproveitado e pouco convincente como académico, enquanto Nico Parker, embora competente, não recebe material suficiente para brilhar.

Os pontos fortes: elenco e química

Apesar das fragilidades do guião, o elenco é amplamente elogiado. Leslie Mann, com a sua habitual leveza cómica, lidera a narrativa com charme. Cooper Hoffman é destacado como o grande ladrão de cenas, trazendo dimensão a um personagem que podia facilmente ser irritante. E a relação entre Mann e Parker confere ao filme alguns dos momentos mais ternos, revelando o olhar carinhoso de Apatow sobre a mãe.

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Um começo promissor, mas irregular

Com 1h57 de duração, Poetic License mostra que Maude Apatow tem potencial como realizadora, sobretudo na forma como dirige os atores e capta intimidade em pequenos gestos. No entanto, a crítica sublinha que o filme, apesar de bem-intencionado e “de grande coração”, se dissipa rapidamente da memória quando terminam os créditos.

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Estreia imperdível no TVCine Top

Prepare-se para uma experiência de pura tensão: sexta-feira, 12 de setembro, às 21h30, o TVCine Top estreia Locked: Sem Saída, um thriller intenso em que cada minuto pode ser o último.

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Com Bill Skarsgård e Anthony Hopkins frente a frente, o filme transforma um simples SUV de luxo numa armadilha mortal, onde sobrevivência e crueldade se confundem num jogo psicológico implacável.

Quando o assalto se torna pesadelo

O ponto de partida é simples, mas devastador. Eddie Barrish (Skarsgård), um ladrão desesperado, decide roubar um carro de luxo sem imaginar que está prestes a entrar numa prisão sobre rodas. O SUV foi minuciosamente preparado pelo seu dono, William (Hopkins), que vigia todos os movimentos de Eddie através de câmaras e dispositivos eletrónicos.

A partir do momento em que fica trancado, o assaltante passa a ser vítima de um jogo sádico: choques elétricos, variações brutais de temperatura e uma pressão psicológica insuportável que o colocam no limite.

Suspense levado ao extremo

Realizado por David YaroveskyLocked: Sem Saída é um thriller claustrofóbico que explora os perigos da vigilância extrema e o instinto humano de sobrevivência. A realização aposta em ângulos inusitados, iluminação dramática e um design de som envolvente que amplificam a sensação de sufoco e pânico.

Mais do que uma história de perseguição, o filme questiona até onde pode ir o controlo absoluto e o que acontece quando a tecnologia se transforma em arma.

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Para quem tem nervos de aço

Se procura uma experiência de cinema intensa, Locked: Sem Saída é a escolha perfeita. Uma viagem angustiante que coloca o espectador dentro da armadilha, sem espaço para respirar.

Estreia dia 12 de setembro, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e no TVCine+.

Dust Bunny: O Conto Sombrio de Bryan Fuller Que Sigourney Weaver Considera um “Clássico Instantâneo”

A estreia de Fuller na realização chega com polémica classificação

O criador de Hannibal e Pushing DaisiesBryan Fuller, apresentou no Festival de Toronto 2025 o seu primeiro filme como realizador, Dust Bunny, uma fantasia sombria que mistura inocência infantil e monstros debaixo da cama. A história acompanha uma rapariga (Sophie Sloan) que pede ajuda ao vizinho (interpretado por Mads Mikkelsen) para matar a criatura escondida no quarto que devorou a sua família.

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Apesar da premissa sinistra, tanto Fuller como Sigourney Weaver — que também integra o elenco — defendem que o filme foi pensado como uma experiência para toda a família. Porém, a produção recebeu uma classificação R (restrita a maiores de 17 anos), algo que deixou a atriz particularmente desapontada.

“Eu gostaria que qualquer criança visse este filme, porque está cheio de esperança. Para mim, é um clássico instantâneo para crianças”, afirmou Weaver, criticando a decisão que se deveu a uma “lesão não letal com uma escova de dentes”.

Um conto de fadas às avessas

Inspirado num conceito que Fuller chegou a propor para a antologia Amazing Stories, de Steven Spielberg, Dust Bunnyevoluiu para cinema quando o realizador decidiu dar o salto da televisão para a realização. “Sempre senti que dirigir, enquanto showrunner, era irresponsável porque desviava atenção da escrita e da produção. Mas percebi que tinha de evoluir”, explicou.

Com Dust Bunny, Fuller quis criar um mundo em que o público acreditasse que a fantasia é real, rejeitando o modelo de O Feiticeiro de Oz, onde tudo acaba como um sonho. “Queria que as pessoas saíssem a acreditar que aquilo aconteceu mesmo”, disse.

Esperança no meio da escuridão

Apesar do tom sombrio, Fuller e Weaver garantem que o filme tem uma mensagem profundamente positiva. “Todos tivemos infâncias complicadas”, afirmou o realizador. “Quero dar às pessoas esperança de que há sempre uma saída.”

Weaver partilha a visão: “A protagonista não é destruída pela sua infância difícil. Pelo contrário, aprende a mudar o mundo à sua volta. É emocionante e até curativo — mesmo para alguém mais velho e traumatizado como eu”, disse com humor.

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Estreia marcada para dezembro

Com estreia em sala agendada para dezembro de 2025Dust Bunny promete dividir opiniões entre quem vê na sua classificação R um obstáculo e quem acredita no potencial de um novo clássico familiar. Mas, segundo a própria Weaver, a fantasia sombria de Fuller tem todos os ingredientes para encantar: “É um conto de fadas original, vibrante e cheio de energia.”