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	<title>Shekhar Kapur &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Bollywood em choque: a Inteligência Artificial já está a reescrever finais e a criar filmes inteiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Sep 2025 15:10:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[No Meio]]></category>
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					<description><![CDATA[A indústria cinematográfica mais produtiva do mundo está a viver um momento de viragem. Bollywood, conhecida pelos seus épicos repletos de música, dança e equipas de produção gigantescas, treme agora perante uma nova força criativa — ou destrutiva, dependendo do ponto de vista: a Inteligência Artificial. ver também : Carmen Maura regressa em grande: “Calle [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">A indústria cinematográfica mais produtiva do mundo está a viver um momento de viragem. Bollywood, conhecida pelos seus épicos repletos de música, dança e equipas de produção gigantescas, treme agora perante uma nova força criativa — ou destrutiva, dependendo do ponto de vista: a Inteligência Artificial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também : <a href="https://www.clubedecinema.pt/carmen-maura-regressa-em-grande-calle-malaga-celebra-a-velhice-com-humor-e-humanidade-no-festival-de-veneza/">Carmen Maura regressa em grande: “Calle Málaga” celebra a velhice com humor e humanidade no Festival de Veneza</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O alerta soou quando os produtores decidiram relançar&nbsp;<em>Raanjhanaa</em>&nbsp;(2013) com um final alternativo gerado por IA. Onde antes havia tragédia, com a morte do protagonista, surgiu de repente um desfecho esperançoso, com os olhos do herói a abrirem-se num último instante. A mudança provocou indignação: o realizador Aanand L. Rai considerou que se tinha “violado a integridade da narrativa”, enquanto a estrela Dhanush descreveu o novo final como um ataque à própria alma do filme.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="663" src="https://www.clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/09/220715-dhanush-mn-1125-5952c6-1024x663.jpg" alt="" class="wp-image-19094" srcset="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/09/220715-dhanush-mn-1125-5952c6-1024x663.jpg 1024w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/09/220715-dhanush-mn-1125-5952c6-300x194.jpg 300w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/09/220715-dhanush-mn-1125-5952c6-768x497.jpg 768w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/09/220715-dhanush-mn-1125-5952c6.jpg 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Se este episódio parecia já suficiente para acender o debate, poucos dias depois surgiu outro anúncio ainda mais ousado:&nbsp;<em>Chiranjeevi Hanuman – The Eternal</em>, o primeiro épico indiano inteiramente gerado por IA, previsto para 2026. O projeto promete unir a mitologia hindu às mais recentes tecnologias, mas também levantou receios. “E assim começa”, comentou o cineasta Vikramaditya Motwane, temendo o desaparecimento de argumentistas e realizadores de carne e osso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre o entusiasmo tecnológico e o medo da obliteração artística, Bollywood encontra-se dividida. Para alguns produtores, a IA é um disruptor capaz de reduzir custos e substituir equipas numerosas, democratizando o acesso à criação de imagens de grande escala. Mas para muitos realizadores, o risco está em matar a imprevisibilidade e a expressão humana que fazem a essência do cinema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O veterano Shekhar Kapur, realizador de&nbsp;<em>Elizabeth</em>&nbsp;(1998), recusa o alarmismo. Para ele, “as melhores histórias são imprevisíveis, e a IA não consegue lidar com a imprevisibilidade”. Mais: acredita que a tecnologia pode abrir caminho a novos talentos que, sem meios para estudar cinema, finalmente poderão contar histórias através destas ferramentas. Já o realizador Shakun Batra, responsável por dramas como&nbsp;<em>Kapoor &amp; Sons</em>, defende que o equilíbrio será sempre a chave: a IA deve complementar e não substituir a criatividade humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O público, porém, parece ter dado a primeira resposta. Face à polémica em torno de&nbsp;<em>Raanjhanaa</em>, os fãs mostraram fidelidade à versão original e rejeitaram a manipulação feita pela IA. Talvez esteja aí a prova de fogo: não bastará criar mundos perfeitos em computador se as emoções humanas, transmitidas no grande ecrã, não forem igualmente autênticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também : <a href="https://www.clubedecinema.pt/julia-roberts-em-depois-da-cacada-o-filme-de-luca-guadagnino-que-promete-incendiar-debates-em-veneza/">Julia Roberts em “Depois da Caçada”: o filme de Luca Guadagnino que promete incendiar debates em Veneza</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">No fundo, a questão permanece em aberto: será a IA a grande ameaça ao cinema indiano ou apenas mais uma ferramenta capaz de reinventar Bollywood? Uma coisa é certa: tal como acontece nas suas histórias mais vibrantes, também aqui o drama promete ser longo e cheio de reviravoltas</p>
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