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	<title>Hotel do Rio &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Morreu João Canijo, uma voz incómoda e essencial do cinema português</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 09:50:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[As Pessoas]]></category>
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					<description><![CDATA[Um cineasta que filmou o país sem filtros nem concessões Morreu João Canijo, um dos realizadores mais importantes, coerentes e exigentes do cinema português das últimas décadas. Tinha 68 anos e faleceu esta quinta-feira, dia 29 de Janeiro, perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia residência com Lisboa. A notícia foi confirmada à agência [&#8230;]]]></description>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um cineasta que filmou o país sem filtros nem concessões</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Morreu <strong>João Canijo</strong>, um dos realizadores mais importantes, coerentes e exigentes do cinema português das últimas décadas. Tinha 68 anos e faleceu esta quinta-feira, dia 29 de Janeiro, perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia residência com Lisboa. A notícia foi confirmada à agência Lusa por fonte da produtora Midas Filmes. Segundo informações avançadas pela CNN Portugal e pelo jornal <em>Público</em>, o cineasta terá sofrido um ataque cardíaco fulminante durante a noite, tendo o corpo sido encontrado pela empregada de limpeza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ler também : <a href="https://clubedecinema.pt/quando-a-maternidade-se-transforma-num-campo-de-batalha-emocional-se-eu-tivesse-pernas-dava-te-um-pontape-chega-aos-cinemas/">Quando a maternidade se transforma num campo de batalha emocional: Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé chega aos cinemas</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Distinguido com o Urso de Prata no Festival de Berlim em 2023, João Canijo deixa uma obra marcada por uma visão implacável da sociedade portuguesa, quase sempre observada a partir do interior das famílias, dos conflitos domésticos e das tensões invisíveis que atravessam gerações. O seu cinema nunca foi confortável — e talvez por isso tenha sido tão necessário.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do assistente ao autor: um percurso sólido e singular</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Natural de Vinhais, no distrito de Bragança, João Canijo iniciou a sua carreira nos anos 1980 como assistente de realização, trabalhando com nomes fundamentais do cinema europeu como Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Wim Wenders. Em 1990 estreia-se na realização de longas-metragens com&nbsp;<em>Filha da Mãe</em>, assinando também a série televisiva&nbsp;<em>Alentejo Sem Lei</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir daí construiu uma filmografia profundamente autoral, reconhecível pela forma como expõe feridas sociais raramente tratadas com complacência: machismo, imigração, prostituição, corrupção, marginalidade e dificuldades socioeconómicas. Como escreveu o investigador Daniel Ribas, trata-se de uma verdadeira “dramaturgia da violência”, onde o conflito é estrutural e raramente encontra redenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Filmes que ficaram — e que ficam</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os títulos mais marcantes da sua carreira contam-se <em>Sapatos Pretos</em> (1998), <em>Ganhar a Vida</em> (2001), <em>Mal Nascida</em>(2007) e, sobretudo, <em>Sangue do Meu Sangue</em> (2011), frequentemente apontado como uma das grandes obras do cinema português contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023, Canijo atinge um novo patamar de reconhecimento internacional com <em>Mal Viver</em>, vencedor do Urso de Prata em Berlim e candidato português aos Óscares. O filme acompanha uma família de mulheres que gere um hotel, vivendo num ambiente corroído por ressentimento e rancor, abalado pela chegada inesperada de uma neta. A obra dialoga directamente com <em>Viver Mal</em>, que observa a mesma realidade a partir do ponto de vista dos hóspedes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2024, esta dupla cinematográfica ganha uma nova dimensão com a série <em>Hotel do Rio</em>, exibida na RTP, apresentada como a “visão total” deste universo narrativo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um cinema feito de mulheres, tensão e verdade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Grande parte da força do cinema de João Canijo reside nas personagens femininas, complexas, contraditórias e centrais. Atrizes como Rita Blanco, Anabela Moreira, Beatriz Batarda, Madalena Almeida ou Cleia Almeida tornaram-se presenças recorrentes na sua obra, num trabalho continuado de cumplicidade artística raro no cinema português.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro momento relevante da sua carreira foi&nbsp;<em>Fátima</em>&nbsp;(2017), um filme rodado com 11 atrizes portuguesas numa peregrinação ao santuário, onde Canijo explorou não a fé, mas as dinâmicas de grupo entre mulheres. “As relações de grupo entre mulheres parecem-me muito mais interessantes do que com homens à mistura”, afirmou então à Lusa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Projetos por concluir e um legado difícil de substituir</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">À data da sua morte, João Canijo encontrava-se a finalizar&nbsp;<em>Encenação</em>, longa-metragem protagonizada por Miguel Guilherme, centrada num encenador de teatro confrontado com a idade e com a relação com as suas atrizes. Deixa ainda por estrear o filme&nbsp;<em>As Ucranianas</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ler também : <a href="https://clubedecinema.pt/de-a-coisa-a-inception-25-filmes-entram-no-registo-nacional-de-cinema-dos-estados-unidos/">De A Coisa a Inception: 25 filmes entram no Registo Nacional de Cinema dos Estados Unidos</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas redes sociais, a Medeia Filmes recordou o cineasta com uma frase que resume bem a sua visão artística: “A verdade é a interpretação que cada um faz da realidade. E é uma escolha que cada um faz da realidade.” João Canijo fez essa escolha com frontalidade, rigor e uma recusa sistemática do facilitismo. O cinema português fica mais pobre sem ele — mas a sua obra permanece, incómoda, viva e indispensável.</p>
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