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	<title>história do cinema de tubarões &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Do Terror ao Respeito: Como Jaws Mudou o Cinema de Tubarões Para Sempre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Jun 2025 11:27:28 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>50 anos depois, ainda vivemos na sombra do maior predador do grande ecrã</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1975, Steven Spielberg lançou um filme que não só redefiniu o conceito de blockbuster como reescreveu as regras do medo no cinema:&nbsp;<em>Jaws</em>&nbsp;(<em>Tubarão</em>, na versão portuguesa). Meio século depois, ainda estamos a tentar sair da água. Mas o impacto do filme não se resume a banhos evitados. Desde o primeiro mergulho sangrento até às abordagens mais conscientes dos dias de hoje, o cinema de tubarões — ou “sharksploitation”, como lhe chamam lá fora — tem sido uma batalha constante entre o terror, a exploração e a redenção.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://www.clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_08-2-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-17039" srcset="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_08-2-1024x576.jpg 1024w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_08-2-300x169.jpg 300w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_08-2-768x432.jpg 768w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_08-2-1536x864.jpg 1536w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_08-2-2048x1152.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Antes de Spielberg: o tubarão como bicho mitológico</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Muito antes de Spielberg, já tubarões nadavam pelas telas. Em 1936, o filme australiano&nbsp;<em>White Death</em>&nbsp;colocava o escritor Zane Grey numa “caçada” ao grande tubarão branco. Mal feito, mal recebido, mas com muitos elementos que iriam definir o subgénero: caça ao predador, sensacionalismo e um certo desrespeito pela vida marinha. Este padrão manteve-se em documentários como&nbsp;<em>The Silent World</em>&nbsp;(1956), onde Jacques Cousteau e a sua equipa matavam tubarões “para fins científicos”, com harpas e ganchos. Ganhou a Palma de Ouro, sim — mas hoje essas cenas são difíceis de engolir.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Mordidela que Mudou Tudo</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">E depois veio&nbsp;<em>Jaws</em>. A fusão perfeita entre suspense hitchcockiano e terror naturalista. Criou o arquétipo do tubarão assassino, amplificou o medo do desconhecido e — sem querer — lançou uma histeria global contra os tubarões, com impacto real na sua preservação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto,&nbsp;<em>Jaws</em>&nbsp;também impulsionou uma era dourada de “filmes de ataque animal”:&nbsp;<em>Grizzly</em>,&nbsp;<em>Orca</em>,&nbsp;<em>Piranha</em>,&nbsp;<em>Alligator</em>… e claro, as sequelas de&nbsp;<em>Jaws</em>, cada uma pior do que a anterior. Mas o dano já estava feito: os tubarões, no cinema, eram os vilões perfeitos. Mortais, misteriosos e sem remorsos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Entre Exploração e Evolução</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os anos 70 e 80 viram uma série de filmes onde o espetáculo superava a ética.&nbsp;<em>Shark!</em>&nbsp;(1969),&nbsp;<em>Mako: Jaws of Death</em>(1976),&nbsp;<em>Tintorera</em>&nbsp;(1977)… Filmes que matavam tubarões em frente à câmara em nome da arte e da bilheteira. Em alguns casos, matavam até tartarugas e raias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas aos poucos, a maré começou a mudar. Em 1999,&nbsp;<em>Deep Blue Sea</em>&nbsp;trouxe o CGI à mistura e subverteu algumas regras — incluindo a sobrevivência inesperada de um protagonista negro, o que era raro em thrillers da época. Já&nbsp;<em>Open Water</em>(2003), feito com orçamentos mínimos e tubarões reais, trocou os efeitos especiais por realismo puro — e uma mensagem clara: os tubarões não são monstros, são apenas… tubarões.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://www.clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_06-2-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-17040" srcset="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_06-2-1024x576.jpg 1024w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_06-2-300x169.jpg 300w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_06-2-768x432.jpg 768w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_06-2-1536x864.jpg 1536w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/06/Jawsat50TheDefinitiveInsideStory_UHD_06-2-2048x1152.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>De Monstros a Metáforas</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos 20 anos, o cinema tem feito as pazes com os predadores do mar. Filmes como&nbsp;<em>The Reef</em>&nbsp;(2010),&nbsp;<em>The Shallows</em>(2016),&nbsp;<em>47 Meters Down</em>&nbsp;(2017) ou&nbsp;<em>Under Paris</em>&nbsp;(2024) mostram tubarões como ameaças, sim, mas também como vítimas do desequilíbrio ambiental causado por nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E há espaço para o disparate:&nbsp;<em>Sharknado</em>&nbsp;e&nbsp;<em>The Meg</em>&nbsp;transformaram o absurdo em espetáculo. Entre tornados de tubarões e tubarões gigantes geneticamente modificados, a lição parece ser que o cinema já não precisa de respeitar as leis da natureza para entreter — mas começa, finalmente, a respeitar os próprios animais.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Legado de Spielberg e o Futuro da Barbatana</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, muitos dos envolvidos em&nbsp;<em>Jaws</em>&nbsp;— como o autor Peter Benchley e os operadores subaquáticos Valerie e Ron Taylor — assumem que o impacto do filme foi, involuntariamente, negativo para os tubarões. Todos eles dedicaram as suas vidas posteriores à sua conservação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas talvez o maior legado de&nbsp;<em>Jaws</em>&nbsp;seja este: ter despertado não só o medo, mas também a curiosidade. Ao longo dos anos, cineastas, cientistas e mergulhadores têm vindo a reequilibrar essa narrativa. E se os tubarões continuam a ser temidos no ecrã, também começam, finalmente, a ser compreendidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cinema de tubarões nasceu da exploração, foi dominado pelo horror, mas talvez, só talvez, esteja a chegar à redenção.</p>
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