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	<title>falso documentário &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Falso documentário, sucesso bem real: filme de Charli XCX esgota sessões e agita Sundance</title>
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		<dc:creator><![CDATA[André Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 14:25:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">O que acontece quando uma mega-estrela pop decide rir de si própria, da indústria que a rodeia e do circo mediático que ajudou a criar? A resposta chama-se <em>The Moment</em> — um falso documentário protagonizado por <strong>Charli XCX</strong> que está a provar ser tudo menos uma brincadeira passageira. Apresentado recentemente no <strong><a href="https://clubedecinema.pt/?s=Festival+de+Sundance" data-type="link" data-id="https://clubedecinema.pt/?s=Festival+de+Sundance">Festival de Sundance</a></strong>, o filme tornou-se no lançamento limitado da <strong>A24</strong> com vendas mais rápidas de sempre nos Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o estúdio, mais de <strong>50 sessões esgotaram</strong> em tempo recorde nos chamados mercados estratégicos, com bilhetes a desaparecerem antes mesmo da estreia oficial. Para completar o fenómeno, uma sessão especial com perguntas e respostas, em Brooklyn, com Charli XCX e o realizador <strong>Aidan Zamiri</strong>, esgotou de imediato e viu os ingressos a serem revendidos <em>online</em> — algo raro para um filme de lançamento limitado e ainda sem distribuição alargada.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Uma diva fictícia… demasiado próxima da realidade</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em&nbsp;<em>The Moment</em>, Charli XCX interpreta uma versão exagerada e autoconsciente de si própria: uma “diva” controladora, obsessiva com detalhes e presa entre a vontade de evoluir artisticamente e a pressão constante para manter uma imagem rentável. O ponto de partida é simples e irónico: depois de dominar um verão inteiro, lançar um álbum multimilionário (<em>Brat</em>) e até influenciar dicionários a elegerem a palavra do ano, o que deve fazer uma estrela pop a seguir?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta surge sob a forma de crise existencial, sátira mordaz e um olhar desconfortavelmente honesto sobre a fama contemporânea. A Charli do filme tenta afastar-se da estética “brat”, das&nbsp;<em>tank tops</em>&nbsp;justas e da atitude “IDGAF” que definiram 2024, mas encontra resistência precisamente onde menos queria: na máquina industrial que vive dessa persona.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Indústria vs. artista, com humor ácido</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O elenco secundário reforça esta guerra de visões criativas. <strong>Hailey Benton Gates</strong> interpreta Celeste, a directora criativa da digressão, aliada na tentativa de mudança estética. Do outro lado da barricada estão a executiva da editora discográfica, vivida por <strong><a href="https://clubedecinema.pt/?s=Rosanna+Arquette" data-type="link" data-id="https://clubedecinema.pt/?s=Rosanna+Arquette">Rosanna Arquette</a></strong>, e Johannes, um realizador egocêntrico contratado para supervisionar o filme da digressão, interpretado por <strong><a href="https://clubedecinema.pt/?s=Alexander+Skarsgård" data-type="link" data-id="https://clubedecinema.pt/?s=Alexander+Skarsgård">Alexander Skarsgård</a></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O choque de egos e ideias transforma o planeamento da digressão num campo de batalha criativo: luzes estroboscópicas e mensagens directas dão lugar a pulseiras luminosas e a um palco que, segundo uma das personagens, “parece uma lâmpada de lava”. Pelo meio, surgem absurdos deliciosos, como uma campanha publicitária de um cartão de crédito dirigido a jovens&nbsp;<em>queer</em>&nbsp;ou uma fuga para um spa em Ibiza, símbolo máximo da alienação pop.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Críticos divididos, público rendido</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A estreia em Sundance dividiu a crítica — como costuma acontecer com obras que brincam com o ego da indústria —, mas o público respondeu em força. Durante a sessão no festival, Charli XCX assumiu com humor a proximidade entre ficção e realidade:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Gostaria de acreditar que não sou tão problemática como a Charli do filme”, brincou, arrancando gargalhadas.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O argumento, assinado por Bertie Brandes e pelo próprio Zamiri, assume conscientemente os arquétipos do clássico “artista contra a indústria”, algo que a cantora defendeu como realista: “Conheci versões de todas estas pessoas. Algumas torcem mesmo por ti; outras só querem estar perto do artista.”</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>De Spinal Tap à Berlim</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O estilo de falso documentário deve muito a <em>This Is Spinal Tap</em>, influência assumida por Zamiri, que aproveitou a estreia para prestar homenagem a <strong><a href="https://clubedecinema.pt/?s=Rob+Reiner" data-type="link" data-id="https://clubedecinema.pt/?s=Rob+Reiner">Rob Reiner</a></strong>, realizador do clássico de 1984.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de Sundance, <em>The Moment</em> prepara-se para a estreia europeia na <strong><a href="https://clubedecinema.pt/?s=Festival+de+Berlim" data-type="link" data-id="https://clubedecinema.pt/?s=Festival+de+Berlim">Festival de Berlim</a></strong>, que decorre de 12 a 22 de Fevereiro, levando consigo o estatuto de fenómeno inesperado. Para Charli XCX, o cinema surge também como uma tentativa consciente de se afastar da persona “brat” — ou, como a própria resumiu citando uma das suas canções: quando se ama algo, simplesmente faz-se, sem dormir nem parar.</p>
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