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	<title>Estúdio Ghibli &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Estúdio Ghibli vs Inteligência Artificial: “O Meu Vizinho é um Algoritmo” Não Vai Acontecer, Diz o Filho de Miyazaki 🎨🤖</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 11:44:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[No Meio]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">O icónico universo do Estúdio Ghibli — povoado por florestas mágicas, criaturas encantadas e personagens com profundidade emocional — está a ser invadido por… computadores. Graças ao mais recente gerador de imagens do ChatGPT, a internet foi subitamente inundada com ilustrações no estilo Ghibli, alimentando debates acesos sobre o futuro da animação e os limites (ou falta deles) da Inteligência Artificial. Mas para Goro Miyazaki, filho do lendário Hayao Miyazaki, a resposta é simples: pode-se tentar imitar, mas substituir Miyazaki? Esqueçam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também: <a href="https://www.clubedecinema.pt/john-wick-esta-de-volta-em-triplicado/">John Wick Está de Volta… Em Triplicado!</a></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando Totoro Conhece o ChatGPT</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O novo gerador de imagens da OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, permite criar imagens que imitam o estilo visual de estúdios inteiros. A tecnologia espalhou-se como fogo no campo dos entusiastas de anime, com uma quantidade crescente de “imitações Ghibli” a circular pelas redes sociais. No entanto, a própria OpenAI admite que, embora proíba imitações diretas de artistas vivos, permite “estilos de estúdios” — como quem diz,&nbsp;<em>podes não usar o nome do chef, mas a receita é tua</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas Goro Miyazaki, hoje com 58 anos e diretor administrativo do Estúdio Ghibli, não está convencido de que isso seja o futuro da animação. “Não seria surpreendente se, daqui a dois anos, houvesse um filme feito totalmente com IA”, afirmou numa entrevista recente à AFP, no atelier Ghibli em Tóquio. “Mas se o público gostaria de o ver… é outra questão.”</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Miyazaki: O Insubstituível</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Hayao Miyazaki, o mestre por trás de obras como&nbsp;<em>A Viagem de Chihiro</em>,&nbsp;<em>O Castelo Andante</em>&nbsp;ou&nbsp;<em>O Meu Vizinho Totoro</em>, ganhou no ano passado o seu segundo Óscar com&nbsp;<em>O Rapaz e a Garça</em>, provavelmente a sua última longa-metragem. E segundo Goro, o mundo deve começar a preparar-se para a realidade inevitável: quando Miyazaki e o produtor Toshio Suzuki (76 anos) deixarem de poder criar, não haverá substitutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não é como se eles pudessem ser substituídos”, disse Goro. E com razão: os filmes Ghibli têm algo que nenhuma IA consegue replicar — alma. Um “cheiro de morte”, como lhe chama Goro, que permeia mesmo os filmes mais doces. “Totoro é, de certa forma, um filme assustador”, disse ele. “Explora o medo de perder uma mãe doente.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A geração dos fundadores da Ghibli é marcada por memórias de guerra e experiências duras, elementos que informam a profundidade emocional dos seus filmes. Goro afirma que “é impossível criar algo com a mesma sensação e abordagem se não se viveu essa realidade”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Arte vs Algoritmo</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A polémica não é nova. Um vídeo de 2016 voltou a circular recentemente, onde Hayao Miyazaki reage a uma criatura digital animada por IA com total repulsa: “Isto é um insulto à própria vida.” A frase ficou célebre e, para muitos, resume o espírito do estúdio: a criação deve vir de um lugar humano, imperfeito, mas genuíno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, a indústria de animação japonesa enfrenta uma escassez de animadores qualificados, em parte porque os salários baixos e as longas horas de trabalho tornam a carreira desmotivante para as novas gerações. A Geração Z, mais digital e menos disposta a passar anos a desenhar manualmente, poderá ver na IA uma ferramenta… ou uma tentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo assim, Goro vê algum potencial: “A nova tecnologia pode trazer talentos inesperados.” Mas deixa bem claro que não é por aí que o Ghibli vai seguir.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>De Pai para Filho (com Resistência)</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Goro entrou no Estúdio Ghibli em 1998, mas sempre carregou o peso do legado do pai. Dirigiu filmes como&nbsp;<em>Contos de Terramar</em>&nbsp;(2006) e&nbsp;<em>A Colina das Papoilas</em>&nbsp;(2011), além de ter supervisionado o Museu Ghibli e o recém-inaugurado Parque Ghibli no Japão. Apesar do respeito pelo percurso do pai, Goro admite que a sua mãe, também designer, o desaconselhou a seguir esta carreira: “É um trabalho difícil e muito preenchido.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, há algo de inevitável na relação de Goro com o estúdio: “Sempre quis fazer algo criativo.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">E talvez seja essa a maior lição que o Ghibli deixa a todos nós — que o verdadeiro motor da arte não é um algoritmo, mas a necessidade humana de criar, de comunicar, de contar histórias com emoção, com falhas, com alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também : <a href="https://www.clubedecinema.pt/rick-dalton-esta-de-volta-brad-pitt-fincher-e-tarantino-juntam-se-para-continuacao-de-era-uma-vez-em-hollywood/">Rick Dalton Está de Volta! Brad Pitt, Fincher e Tarantino Juntam-se Para Continuação de “Era uma Vez em… Hollywood”</a></p>
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