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	<title>E Deus Criou a Mulher &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Morreu Brigitte Bardot, Ícone Absoluto do Cinema Francês, aos 91 Anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2025 16:14:53 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">A morte de&nbsp;<strong>Brigitte Bardot</strong>, aos 91 anos, assinala o desaparecimento de uma das figuras mais marcantes — e contraditórias — da história do cinema europeu. Atriz, musa, símbolo sexual, fenómeno mediático global e, mais tarde, ativista radical pelos direitos dos animais, Bardot foi muito mais do que uma estrela: foi um choque cultural à escala mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ler também : <a href="https://clubedecinema.pt/imperio-da-extravagancia-babylon-celebra-e-destroi-o-sonho-de-hollywood-no-tvcine-top/">Império da extravagância: Babylon celebra e destrói o sonho de Hollywood no TVCine Top</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de se ter afastado do cinema há mais de meio século, a sua imagem continuou a atravessar gerações. O simples uso das iniciais “BB” tornou-se sinónimo de liberdade, provocação e uma feminilidade que desafiou frontalmente os códigos morais da década de 1950. A sua consagração chegou com&nbsp;<em>E Deus Criou a Mulher</em>, realizado por&nbsp;<strong>Roger Vadim</strong>, um filme que escandalizou plateias e transformou Bardot numa estrela planetária, numa altura em que Hollywood ainda vivia sob forte censura moral.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="930" src="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/820779.jpeg" alt="" class="wp-image-22557" srcset="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/820779.jpeg 960w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/820779-300x291.jpeg 300w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/820779-768x744.jpeg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nascida em Paris em 1934, Brigitte Anne-Marie Bardot teve formação em ballet, entrou cedo no mundo da moda e rapidamente despertou a atenção do cinema. Os primeiros anos foram marcados por filmes de sucesso irregular, mas a sua presença mediática — sobretudo em Cannes — já era avassaladora. A partir do final dos anos 1950, Bardot tornou-se o rosto de uma nova Europa culturalmente libertária, eclipsando fronteiras linguísticas e rivalizando em notoriedade com estrelas americanas como Marilyn Monroe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A década de 1960 consolidou o seu estatuto artístico. Trabalhou com realizadores como&nbsp;<strong>Henri-Georges Clouzot</strong>,&nbsp;<strong>Louis Malle</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Jean-Luc Godard</strong>, destacando-se em filmes como&nbsp;<em>La vérité</em>&nbsp;e&nbsp;<em>O Desprezo</em>. Paradoxalmente, quanto maior era o reconhecimento artístico, mais insuportável se tornava para ela o peso da fama. A perseguição obsessiva dos paparazzi e uma vida pessoal permanentemente exposta acabariam por empurrá-la para uma retirada precoce.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Em 1973, aos 38 anos, Bardot abandona definitivamente o cinema. O gesto foi radical e sem regresso. Refugiou-se em La Madrague, em Saint-Tropez, e iniciou aquilo que considerava a “segunda vida”: uma dedicação absoluta à defesa dos animais. Fundou a Fundação Brigitte Bardot e tornou-se uma das vozes mais influentes — e controversas — do ativismo animal na Europa, denunciando práticas como a caça às focas, a experimentação animal e o uso de peles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse mesmo radicalismo marcou também o lado mais sombrio do seu legado. As posições políticas extremadas, declarações contra imigração, o Islão e minorias, valeram-lhe várias condenações judiciais por incitamento ao ódio racial e um progressivo afastamento do consenso público. Bardot nunca recuou. Pelo contrário, assumiu sempre a coerência entre as suas convicções e o isolamento que elas implicavam.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="689" src="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/brigitte-bardot-3.jpg-1024x689.webp" alt="" class="wp-image-22556" srcset="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/brigitte-bardot-3.jpg-1024x689.webp 1024w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/brigitte-bardot-3.jpg-300x202.webp 300w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/brigitte-bardot-3.jpg-768x517.webp 768w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2025/12/brigitte-bardot-3.jpg.webp 1320w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A sua morte fecha um capítulo essencial da história do cinema francês e europeu. Brigitte Bardot foi simultaneamente libertação e polémica, arte e escândalo, ícone cultural e figura fraturante. Poucas estrelas ousaram viver — e pagar — com tamanha intensidade a liberdade que reivindicavam.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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