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	<title>cinema queer português &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>“O Sorriso de Afonso”: João Pedro Rodrigues Leva Novo Projeto ao Mercado de Veneza e Aborda o 25 de Abril com Olhar Íntimo e Revolucionário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jul 2025 11:03:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3ac.png" alt="🎬" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Depois de ter agitado Cannes com&nbsp;<em>Fogo-Fátuo</em>, João Pedro Rodrigues prepara-se para voltar ao centro do debate cinematográfico europeu com&nbsp;<em>O Sorriso de Afonso</em>, o seu mais recente projecto de longa-metragem. O filme estará em destaque no mercado de financiamento do Festival de Veneza, entre 29 e 31 de agosto, num espaço reservado a obras em fase final de desenvolvimento que prometem marcar o futuro do cinema internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também : <a href="https://www.clubedecinema.pt/emilia-perez-chega-a-televisao-portuguesa-um-musical-de-narcotrafico-identidade-e-revolucao-emocional/">“Emilia Pérez” Chega à Televisão Portuguesa: Um Musical de Narcotráfico, Identidade e Revolução Emocional</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao lado de mais 66 projectos oriundos de todo o mundo — entre ficções e documentários —,&nbsp;<em>O Sorriso de Afonso</em>&nbsp;será apresentado a potenciais financiadores, distribuidores e parceiros de coprodução. A obra, produzida pela portuguesa Terratreme Filmes, conta com coprodução italiana e luxemburguesa e já reúne apoios do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), do Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema (cash rebate), e ainda do Fundo de Cinema do Luxemburgo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Uma Revolução por Contar: 25 de Abril, Adolescência e Desejo</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo palavras do próprio realizador,&nbsp;<em>O Sorriso de Afonso</em>&nbsp;será “a história de um adolescente que descobre a sexualidade durante o período da revolução do 25 de Abril”. O filme propõe-se a revisitar um momento-charneira da história portuguesa, não a partir do discurso político ou da historiografia institucional, mas através de um prisma íntimo, afectivo e profundamente humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista à Lusa em 2022, João Pedro Rodrigues sublinhou: “A mim apetece-me falar sobre o nosso passado recente. Discute-se pouco. Na ficção, temos dificuldade em voltar ao nosso passado presente.” E reforçou a urgência do olhar queer sobre a Revolução: “Logo após o 25 de Abril, surgiu um grupo de trabalho homossexual que publicou um manifesto no&nbsp;<em>Diário de Lisboa</em>… E veio o Galvão de Melo à televisão dizer que a revolução não foi feita para prostitutas e homossexuais.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">É este tipo de tensão — entre a promessa de liberdade e os limites dessa liberdade — que o filme se propõe a explorar. Porque se o 25 de Abril simbolizou, para muitos, o fim da repressão, para outros continuou a haver exclusão, silenciamento e marginalização. A homossexualidade só seria legalizada em Portugal já na década de 1980.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>João Pedro Rodrigues: Um Olhar Singular sobre o Desejo e a História</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O percurso de João Pedro Rodrigues é marcado por uma coerência estética e temática rara. Desde&nbsp;<em>O Fantasma</em>&nbsp;(2000), passando por&nbsp;<em>Odete</em>&nbsp;(2005),&nbsp;<em>A Última Vez Que Vi Macau</em>&nbsp;(2012), até ao provocador&nbsp;<em>Fogo-Fátuo</em>&nbsp;(2022), o realizador tem vindo a construir uma obra onde o corpo, o desejo e a identidade são explorados com irreverência, subtileza e uma vontade permanente de desconstruir convenções narrativas e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com&nbsp;<em>O Sorriso de Afonso</em>, tudo indica que Rodrigues continuará a provocar o espectador — não no sentido gratuito da provocação, mas enquanto gesto político e estético de libertação. Regressar ao 25 de Abril é também revisitar os seus não-ditos, os seus paradoxos, as vozes que ficaram fora da narrativa oficial.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Veneza e o Cinema Português: Uma Presença em Expansão</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para além de&nbsp;<em>O Sorriso de Afonso</em>, o mercado de financiamento de Veneza contará com outros dois projectos com participação portuguesa:&nbsp;<em>Torn Heart</em>, do realizador brasileiro Helvécio Marins Jr. (coproduzido com Brasil, Alemanha e Portugal), e o documentário&nbsp;<em>The Mammoths That Escaped the Kingdom of Erlik Khan</em>, da realizadora macedónia Tamara Kotevska, com coprodução entre Portugal, Dinamarca, Reino Unido e Macedónia do Norte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes projectos revelam uma presença cada vez mais activa de Portugal no tecido internacional da produção cinematográfica. O apoio institucional, aliado à criatividade e ao risco autoral, tem permitido ao cinema português marcar posição não apenas em festivais, mas também nos mercados e bastidores onde se define o futuro da sétima arte.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Um Sorriso à Espera da Liberdade</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda sem data de estreia anunciada,&nbsp;<em>O Sorriso de Afonso</em>&nbsp;promete ser mais do que um filme sobre a juventude ou a revolução: será, provavelmente, uma revisitação do Portugal pós-25 de Abril à luz de corpos e desejos que a história oficial preferiu ignorar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também . <a href="https://www.clubedecinema.pt/mdoc-2024-festival-internacional-de-documentario-de-melgaco-regressa-com-33-filmes-em-competicao-e-um-olhar-atento-sobre-o-mundo/">MDOC 2024: Festival Internacional de Documentário de Melgaço Regressa com 33 Filmes em Competição e um Olhar Atento sobre o Mundo</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Num tempo em que o cinema se torna cada vez mais necessário como espaço de memória, crítica e afirmação de identidades, a nova obra de João Pedro Rodrigues poderá ser um marco. Um sorriso, sim — mas também um gesto de resistência.</p>
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		<title>Festival Queer Lisboa Arranca com “Baby” de Marcelo Caetano e uma Programação de Cinema de Urgência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudia Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 09:43:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Baby filme]]></category>
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					<description><![CDATA[O Festival Queer Lisboa começa hoje, 23 de setembro, com a exibição do filme Baby, do realizador brasileiro Marcelo Caetano, abrindo um certame que se estende até ao dia 28 de setembro. Este ano, o festival convida o público a refletir sobre temas como as assimetrias sociais, os conflitos no mundo, e um cinema que [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">O Festival Queer Lisboa começa hoje, 23 de setembro, com a exibição do filme <em>Baby</em>, do realizador brasileiro Marcelo Caetano, abrindo um certame que se estende até ao dia 28 de setembro. Este ano, o festival convida o público a refletir sobre temas como as assimetrias sociais, os conflitos no mundo, e um cinema que se impõe como urgente e necessário.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="554" src="https://www.clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-1-2-1024x554.png.webp" alt="" class="wp-image-8574" srcset="https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-1-2-1024x554.png.webp 1024w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-1-2-1024x554.png-300x162.webp 300w, https://clubedecinema.pt/wp-content/uploads/2024/09/image-1-2-1024x554.png-768x416.webp 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Baby”: Amor, Família e Marginalidade no Centro de São Paulo</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O filme <em>Baby</em>, que valeu ao ator Ricardo Teodoro o prémio de Revelação na Semana da Crítica em Cannes, narra uma história de amor, família e perda no cenário das margens da sociedade no centro de São Paulo. A obra de Marcelo Caetano é um retrato sensível das dificuldades de viver à margem, capturando a complexidade das relações humanas num contexto urbano marcado pela desigualdade social. Esta estreia promete dar o tom para o que será uma semana intensa de cinema que desafia convenções e expõe realidades por vezes invisíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ver também : <a href="https://www.clubedecinema.pt/cinema-portugues-em-destaque-no-festival-animasyros-com-joao-gonzalez-e-regina-pessoa/" data-type="post" data-id="8569">Cinema Português em Destaque no Festival ANIMASYROS com João Gonzalez e Regina Pessoa</a></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Cinema Português em Competição</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Nas várias secções competitivas do Queer Lisboa, algumas produções portuguesas também terão lugar de destaque. Entre elas, <em>As Minhas Sensações São Tudo o que Tenho para Oferecer</em>, de Isadora Neves Marques, e <em>Seu Nome Era Gisberta</em>, de Sérgio Galvão Roxo, que abordam questões pessoais e políticas ligadas à identidade e à luta pela aceitação. Outra produção a ter em conta é <em>Kiss Your Hand Madame</em>, uma coprodução entre Portugal, Hungria e Bélgica, dirigida por Jeremy Luke Bolatag.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estas obras, todas com um forte cunho autoral e temáticas que dialogam diretamente com o público LGBTQI+, serão acompanhadas com grande expectativa, reforçando a importância do festival para dar visibilidade a novas vozes no cinema queer português.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Panorama e Cinema Internacional: Elliot Page e Peaches em Destaque</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Na secção Panorama, o festival destaca o filme <em>Close to You</em>, coescrito e protagonizado por Elliot Page, que continua a afirmar-se como uma das mais importantes figuras trans do cinema contemporâneo. O filme, realizado por Dominic Savage, explora questões ligadas à identidade de género e à complexidade das relações humanas, sendo um dos grandes destaques da programação internacional deste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro destaque vai para o documentário <em>Teaches of Peaches</em>, de Philipp Fussenegger e Judy Landkammer, que traça o percurso artístico da icónica performer canadiana Peaches, famosa pelas suas atuações provocadoras e inovadoras na música eletrónica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ver também : <a href="https://www.clubedecinema.pt/grand-tour-de-miguel-gomes-representa-portugal-na-corrida-aos-oscares/" data-type="post" data-id="8440">“Grand Tour”, de Miguel Gomes, Representa Portugal na Corrida aos Óscares</a></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Resistência Queer: Um Foco na Luta em Contextos de Conflito</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Este ano, o Queer Lisboa tem como tema central a “Resistência Queer”, focando-se nas experiências das comunidades LGBTQI+ em territórios sob conflito ou governados por regimes autoritários, como o Kosovo, a Palestina, o Chipre, a Ucrânia e a Hungria. O festival pretende dar voz àquelas populações que vivem diariamente sob a repressão e que continuam a lutar pelos seus direitos num cenário de constante perigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as obras que integram este foco, destaca-se <em>Foggy: Palestine Solidarity Cinema &amp; The Archive</em>, uma série de curtas-metragens que exploram o tema da solidariedade com a Palestina, através das lentes de cineastas como Mike Hoolboom e Amy Gottlieb.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Encerramento com “Call Me Agnes” e Festival Queer Porto</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O filme de encerramento do Queer Lisboa será <em>Call Me Agnes</em>, uma produção neerlandesa de Daniel Donato. Esta obra cruza elementos de documentário e ficção para contar a história de Agnes Geneva, uma mulher trans da Indonésia, explorando temas de identidade, resistência e transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O festival não termina em Lisboa. No próximo mês, de 8 a 12 de outubro, acontecerá o Queer Porto, que celebrará a sua 10ª edição com programação a decorrer em espaços emblemáticos da cidade, como o Batalha Centro de Cinema, Passos Manuel e a Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Cinema Queer como Voz de Resistência e Reflexão Social</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Queer Lisboa volta a afirmar-se como um espaço privilegiado para a reflexão e a celebração do cinema queer, dando palco a produções que não só exploram questões de identidade de género e orientação sexual, mas que também abordam as lutas e resistências das comunidades LGBTQI+ em várias partes do mundo. O festival continua a ser uma referência no panorama cultural português e internacional, trazendo para o grande ecrã histórias que merecem ser ouvidas e vistas.</p>
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