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	<title>censura no cinema &#8211; Clube de Cinema</title>
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		<title>Censura no Estado Novo: Como as Legendas de Filmes Foram Manipuladas em Portugal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Mar 2025 09:28:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante o Estado Novo, a censura cinematográfica ia muito além dos cortes evidentes na imagem. Uma nova investigação da Universidade de Coimbra revela que a manipulação das legendas foi uma arma subtil, mas eficaz, para controlar o que o público português via e compreendia nos filmes estrangeiros. Entre os alvos preferenciais dos censores estavam temas [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Durante o Estado Novo, a censura cinematográfica ia muito além dos cortes evidentes na imagem. Uma nova investigação da Universidade de Coimbra revela que a manipulação das legendas foi uma arma subtil, mas eficaz, para controlar o que o público português via e compreendia nos filmes estrangeiros. Entre os alvos preferenciais dos censores estavam temas como sexualidade, resistência política e desobediência à autoridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também: <a href="https://www.clubedecinema.pt/preservar-os-irmaos-lumiere-o-passado-e-o-futuro-do-cinema-unidos-num-documentario-de-thierry-fremaux/">Preservar os Irmãos Lumière: O Passado e o Futuro do Cinema Unidos num Documentário de Thierry Frémaux</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A tese de doutoramento, defendida por Katrin Pieper no final de 2024, analisou 13 filmes exibidos (ou proibidos) durante a ditadura, cobrindo diferentes géneros e décadas. O estudo revela que a censura incidia sobretudo em dois grandes temas:&nbsp;<strong>desobediência e poder</strong>&nbsp;(86 casos registados) e&nbsp;<strong>sexualidade</strong>&nbsp;(76 casos), com cortes e manipulações de legendas que mudavam completamente o significado das cenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desobediência? Cortado. Sexo? Suavizado.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se houvesse um conceito proibido no cinema do Estado Novo, seria a resistência à autoridade. O caso mais gritante foi o do filme&nbsp;<em>This Land is Mine</em>&nbsp;(1943), de Jean Renoir. A história segue um professor que, num território ocupado pelos nazis, defende a resistência e os direitos humanos. No final original, é capturado e morto pelos alemães. Mas a versão exibida em Portugal terminava antes, na sua libertação após um julgamento – um desfecho que eliminava toda a mensagem de sacrifício e luta contra a opressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro alvo preferencial da censura era a sexualidade. No caso de&nbsp;<em>Sleeper</em>&nbsp;(1973), de Woody Allen, foram registadas 40 manipulações só nas legendas. Algumas alterações chegam a ser cómicas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/274c.png" alt="❌" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />&nbsp;<em>“Eu quero ter sexo contigo”</em>&nbsp;→ <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2705.png" alt="✅" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />&nbsp;<em>“Quero brincar contigo”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/274c.png" alt="❌" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />&nbsp;<em>“Fazer amor”</em>&nbsp;→ <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2705.png" alt="✅" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />&nbsp;<em>“Pequena aventura”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia não era apenas cortar cenas mais explícitas, mas suavizar qualquer referência à intimidade ou desejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Caso “Pope Joan”: A Igreja Não se Brinca</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A censura também era rigorosa quando o tema era a Igreja.&nbsp;<em>Pope Joan</em>&nbsp;(1972), um filme que sugeria que o celibato não era levado a sério no Vaticano, teve um corte particularmente engenhoso. A frase&nbsp;<em>“mulher do Papa”</em>&nbsp;foi transformada em&nbsp;<em>“avó do Papa”</em>, numa tentativa de suavizar a polêmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como Funcionava a Censura nos Filmes?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo censório tinha várias etapas. Antes mesmo de um filme chegar aos ecrãs, as distribuidoras já praticavam&nbsp;<strong>autocensura</strong>, evitando importar títulos que sabiam que seriam proibidos. Depois, os filmes passavam pelo&nbsp;<strong>Secretariado Nacional de Informação (SNI)</strong>, onde eram vistos por dois censores. Se não houvesse consenso, outro par de censores avaliava a obra até que uma decisão fosse tomada:&nbsp;<strong>aprovação total, cortes obrigatórios ou proibição absoluta</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As legendas eram entregues em papel, com cada linha numerada, permitindo ajustes minuciosos sem que o público percebesse a manipulação. Em muitos casos, os diálogos eram alterados, mas as cenas visuais mantinham-se, criando um desfasamento entre o que se via e o que se lia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um Estudo Inédito Sobre a Censura Silenciosa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de existirem várias investigações sobre a censura no cinema português, este estudo de Katrin Pieper é um dos primeiros a analisar a manipulação ideológica das legendas. Ao contrário dos cortes óbvios na imagem, a adulteração do texto era subtil e muitas vezes passava despercebida, mas tinha um impacto profundo na forma como os filmes eram interpretados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ver também: <a href="https://www.clubedecinema.pt/quando-charlie-chaplin-conheceu-albert-einstein-o-encontro-de-dois-genios-%f0%9f%8c%9f%f0%9f%8e%a5/">Quando Charlie Chaplin Conheceu Albert Einstein: O Encontro de Dois Génios <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f31f.png" alt="🌟" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3a5.png" alt="🎥" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo confirma aquilo que muitos suspeitavam: durante o Estado Novo, até a legenda de um simples “fazer amor” podia ser reescrita para manter o público na linha.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f39e.png" alt="🎞" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />&nbsp;<strong>E tu, conheces mais exemplos de censura no cinema português?</strong></p>
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