
O Festival de Animação de Lisboa – Monstra celebrou 25 primaveras com pompa, criatividade, muitos bonequinhos em movimento e, claro, uma mariscada emocional. Quem levou para casa o Grande Prémio Vasco Granja – SPA foi a curta-metragem “Percebes”, realizada por Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, um filme que está, literalmente, a dar que falar em todo o lado onde passa.
E como se não bastasse o prémio máximo do júri, também o público se rendeu: “Percebes” venceu o prémio de melhor curta na votação dos espectadores. É o raro caso em que o gosto popular e a crítica especializada se sentam lado a lado — e brindam com um copo de vinho branco e um prato de percebes, claro está.
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“Percebes”: um mar de emoções (e prémios)
Esta curta-metragem, que tem vindo a somar distinções cá dentro e lá fora, esteve entre os finalistas na corrida para os Óscares de 2025 e já arrecadou galardões em festivais como Otawa, Bucareste, Melgaço (onde se come bem, diga-se), e no Vistacurta de Viseu. Não é exagero dizer que se tornou num dos filmes portugueses mais celebrados do último ano — e com justiça.
Com uma linguagem visual poética, traço expressivo e um sentido de ritmo apurado, “Percebes” é mais um exemplo do que o cinema de animação português tem para dar. E sim, a dar está ele — e muito.
Outros vencedores que também brilharam
O festival, como sempre, foi um verdadeiro buffet animado de talento. Entre os premiados, destacam-se:
• “Sanatório sob o Signo da Clepsidra”, dos irmãos Quay, venceu o Grande Prémio de Longas – RTP, reforçando a reputação dos mestres da animação artesanal e onírica.
• “Homens Bonitos”, de Nicolas Keppens, arrebatou o Grande Prémio de Curtas – RTP, com uma história que navega entre a insegurança masculina e a solidariedade inesperada.
• Na competição nacional, “Amanhã não dão chuva”, de Maria Trigo Teixeira, recebeu o Prémio Especial do Júri, e “The Hunt”, de Diogo Costa, uma menção honrosa.
• Entre as obras mais curtas (as famosas “Curtíssimas”), “Pratos Vazios”, de Gerser Gelly e Sasha Ramírez, e “Oh”, de Clara Trevisan, Juan Maria León, Nan-Tung Lin e Tata Managadze, levaram os principais troféus.
• Na secção infanto-juvenil Monstrinha, venceu “O Rally do Rumble-Bumble”, e os pequenos grandes jurados também premiaram “TPC – Trabalho de Casa” e “Tabby McTat”.
Homenagens e olhos postos no futuro
Nesta edição redonda, o festival homenageou duas figuras de peso da animação europeia: o estónio Priit Pärn e o português Manuel Matos Barbosa, nome incontornável do CINANIMA e da promoção do cinema de animação em Portugal.
E para quem já está com saudades da Monstra (nós incluímo-nos nesse grupo), a organização já revelou que a Letónia será o país convidado na próxima edição. Alerta para mais animação fora da caixa — e, quem sabe, alguma vodka para brindar
25 anos a dar vida aos desenhos
Com sessões, oficinas, debates, exposições e masterclasses, a Monstra 2025 espalhou-se por toda Lisboa, com o Cinema São Jorge a ser o centro do furacão criativo. Um verdadeiro festival para quem vê a animação como arte maior — e não apenas como coisa de miúdos.
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Parabéns à equipa da Monstra e a todos os premiados, especialmente às criadoras de “Percebes”, que provaram que há cinema português com garras, talento… e casca!
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