Num universo de 37 filmes a disputar a glória em Paris, foi “Little Boy”, do veterano James Benning, que saiu vitorioso no Cinéma du Réel, o prestigiado festival francês dedicado ao cinema documental. Apesar da forte presença lusófona com duas produções de origem portuguesa, nenhuma trouxe troféu para casa. Mas calma, que o festival foi tudo menos um desperdício.

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A 47.ª edição do evento, que decorreu no mítico Centre Pompidou, continua a ser uma das grandes montras do documentário contemporâneo. E se há coisa que ficou clara nesta edição de 2025, é que o mundo está a ser filmado por todos os ângulos — dos subúrbios de Paris às ruas de Moçambique, das memórias pessoais às cicatrizes globais.

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O grande vencedor: um “rapazinho” com muita bagagem

Com uns respeitáveis 82 anos de idade, o realizador norte-americano James Benning levou para casa o Grande Prémio Internacional de Cinema com “Little Boy”, título que alude à bomba atómica lançada sobre Hiroshima — e que, pelas palavras de quem já viu, oferece mais reflexão do que destruição. Benning continua a ser uma força contemplativa no cinema experimental, e este prémio reforça a sua relevância ao fim de cinco décadas de carreira.

Mas não foi só ele a dar nas vistas.

Prémios em dobro e um monólogo colectivo

A categoria principal acabou por distinguir dois outros filmes ex aequo:

• “In the Manner of Smoke”, de Armand Yervant Tufenkian,

• e “Monólogo Colectivo”, de Jessica Sarah Rinland.

E o prémio de melhor filme francês foi para “Lumière de mes yeux”, de Sophie Bredier, uma obra intimista que emocionou o júri. Já na categoria de música original, o galardão foi para Jeff Parker, pela banda sonora de “Evidence”, de Lee Anne Schmitt — jazz sofisticado ao serviço da imagem.

E Portugal? Bem representado, mas sem estatueta 🐓

Maureen Fazendeiro, realizadora francesa radicada em Lisboa (e já com créditos firmados com “A Metamorfose dos Pássaros”), entrou em competição com “Les Habitants”, uma curta luso-francesa sobre tensões e solidariedades nos subúrbios de Paris. Produzida pela Uma Pedra no Sapato, o filme mistura documentário com ficção e colocou a lupa sobre um tema quente: a chegada de uma comunidade cigana a uma vila nos arredores da capital francesa.

Já Ico Costa, que continua a filmar entre África e Portugal, levou a concurso a sua longa-metragem “Balane 3”, um retrato documental da vida quotidiana em Inhambane, Moçambique. Produzida pela Terratreme Filmes, em coprodução com a francesa La Belle Affaire Productions, é um filme sensorial e político que merecia, no mínimo, uma menção honrosa (na nossa modesta opinião).

Os destaques nas curtas — e que nomes!

A secção de curtas-metragens revelou novos talentos e premiou obras com nomes quase poéticos:

• “Selegna Sol”, de Anouk Moyaux

• “Notes of a Crocodile”, de Daphne Xu

• “About the Pink Cocoon”, de Binyu Wang

Sim, é isto que nos encanta no Cinéma du Réel: a diversidade estética, cultural e até linguística. Entre cocons cor-de-rosa e crocodilos de bolso, a criatividade está vivíssima.

Documentar para resistir e imaginar

A edição de 2025 reforçou a vocação política e poética do festival. As obras em competição mostraram que o documentário está longe de ser uma arte “menor” — pelo contrário, é o olho atento do mundo, um espelho (às vezes rachado) que reflete desde as feridas coloniais até os bairros esquecidos, passando pela espiritualidade urbana e o íntimo das famílias.


Portugal não ganhou, mas ficou na fotografia 📸🇵🇹

Mesmo sem prémios, a presença portuguesa voltou a marcar pontos. Produções comprometidas, com voz autoral, e uma crescente reputação no circuito internacional. E isso, convenhamos, também é vitória. E como diz o povo: “o que é nacional é bom” — e, às vezes, vai a Paris e volta com aplausos (mesmo que sem troféu).

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