CinemaCon 2026: Quatro Dias em Las Vegas para Perceber o que o Cinema Vai Ser nos Próximos Dois Anos

Há uma semana por ano em que Hollywood para tudo e vai a Las Vegas mostrar o que tem. Esta é essa semana. O CinemaCon 2026 — a maior convenção da indústria cinematográfica mundial, realizada no Caesars Palace — arrancou hoje com a Sony Pictures a abrir as hostilidades, e vai terminar na quinta-feira com a Disney a fechar com aquilo que os exibidores de todo o mundo mais querem ver: Avengers: Doomsday. Pelo meio, passam a Warner Bros., a Universal e a Amazon MGM. É essencialmente uma semana em que os estúdios mostram o futuro do cinema às pessoas que gerem as salas — e que inevitavelmente vaza para a internet em tempo real.

A Sony tem a apresentação mais longa do evento — dois horas e quinze minutos esta noite —, e o título central é Spider-Man: Brand New Day, que estreia a 31 de Julho e está posicionado como o maior filme de acção real do verão. Dirigido por Destin Daniel Cretton e produzido pela Marvel Studios, o quarto filme de Tom Holland como Peter Parker parte de uma premissa audaciosa: o mundo inteiro se esqueceu da existência de Peter Parker depois do feitiço de Doutor Estranho no final de No Way Home. Sozinho numa Nova Iorque que não sabe o seu nome, Peter enfrenta uma ameaça nova enquanto passa por uma transformação física inesperada. O primeiro trailer, lançado em Março, tornou-se o mais visualizado de sempre num único dia — e a Sony vai esta noite mostrar footage inédito exclusivamente para os exibidores. Sadie Sink está confirmada num papel significativo, e Zendaya regressa com presença reduzida. A Sony vai também actualizar o estado de Spider-Man: Beyond the Spider-Verse, o aguardado terceiro capítulo animado previsto para Junho de 2027.

Amanhã é a vez da Warner Bros., com um cardápio que inclui Supergirl — a estreia de Milly Alcock no papel da prima do Superman, prevista para Junho —, Mortal Kombat II com Karl Urban como Johnny Cage, e clips de Dune: Parte Três, cujos bilhetes IMAX 70mm esgotaram em minutos quando foram colocados à venda a semana passada. A Warner tem também a exibição de Godzilla Minus Zero, a sequela do vencedor do Óscar de Melhores Efeitos Visuais, com o realizador Takashi Yamazaki presente em pessoa na sua estreia no evento.

Quarta-feira traz a Universal, que vai mostrar The Odyssey de Christopher Nolan — previsto para Julho, com Matt Damon como Ulisses, Tom Holland como Telémaco e Anne Hathaway como Penélope. A Focus Features vai apresentar também vários títulos do calendário de outono. À noite, a Amazon MGM — que chegou ao CinemaCon a celebrar o êxito de Project Hail Mary, com 500 milhões de dólares em bilheteiras mundiais — vai muito provavelmente datar o próximo filme de James Bond, embora o nome do novo 007 dificilmente seja revelado. “Estamos em Las Vegas”, brincou o Hollywood Reporter. “Pode acontecer qualquer coisa.”

Quinta-feira é o dia da Disney — e o dia de Avengers: Doomsday. O filme que vai reunir praticamente todo o MCU, com Robert Downey Jr. de regresso como Doutor Destino, está previsto para 18 de Dezembro — na mesma data de Dune 3. Os exibidores esperam footage, um poster, qualquer coisa que confirme que o maior duelo de bilheteiras do ano está mesmo a acontecer. A Disney vai apresentar também Toy Story 5Moana em live-action e The Mandalorian & Grogu, o primeiro filme de Star Wars em salas de cinema em anos.

Esta semana em Las Vegas não é para o público. É para os donos das salas de cinema, que precisam de saber o que vai estar em cartaz nos próximos dois anos para decidir onde investir. Mas o que os estúdios mostrarem vai inevitavelmente circular pela internet — e vai moldar as expectativas do segundo semestre de 2026 de uma forma que nenhuma campanha de marketing consegue replicar.

Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

Ralph Fiennes acredita que o “navio já partiu” para repetir Voldemort na série da HBO, mas sugere Tilda Swinton

Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

Se há série europeia que nos faz questionar onde termina a justiça e começa a vingança, essa série é Anónimo. Depois de uma primeira temporada que conquistou público nos Países Baixos e rapidamente se tornou um fenómeno de culto nos canais TVCine, a produção holandesa regressa para uma segunda temporada ainda mais tensa, sombria e perigosa.

Estreia a 14 de abril, às 22h10, no TVCine Edition.

Do anonimato à liderança

Na primeira temporada, acompanhámos Jurre e Saar — um casal comum, aparentemente igual a tantos outros — a tomar decisões extremas para enfrentar o crime organizado. Agora, em Anónimo T2, a luta deixa de ser a dois. O casal assume a liderança de Anónimo, uma rede crescente de cidadãos anónimos (nunca tão bem nomeada) que se recusa a aceitar a impunidade do crime.

Mas o sucesso tem um preço. E quanto maior a visibilidade, maior o alvo nas costas.

O regresso de uma velha ameaça

O grande trunfo narrativo desta nova temporada é o regresso de Chris Cabo, um criminoso movido a vingança. A sua presença coloca Jurre e Saar sob uma pressão implacável — tanto na rua, onde lideram acções cada vez mais arriscadas, como em casa, onde tentam desesperadamente manter uma aparência de normalidade.

É essa dualidade que torna Anónimo tão fascinante. Não é apenas um thriller de ação urbana (ambientado numa Roterdão cinematográfica e contemporânea). É um estudo sobre o desgaste moral de quem decide fazer justiça com as próprias mãos.

Criador e elenco de peso

Criada por Diederik Van Rooijen (um nome de referência no suspense europeu), a série conta com as interpretações intensas de Jeroen Spitzenberger e Anniek Pheifer. Em oito episódios, a segunda temporada aprofunda os conflitos familiares, os dilemas éticos e a linha quase invisível entre herói e fora-da-lei.

Onde e quando ver

  • Estreia: 14 de abril, terça-feira, 22h10
  • Onde: TVCine Edition (e também no TVCine+)
  • Novos episódios: todas as terças-feiras, às 22h10

Se gosta de séries como The Bureau ou Gomorrah, mas sente falta de um olhar europeu mais intimista sobre o crime e a justiça — Anónimo T2 vai segurá-lo no sofá. E não o vai largar.

“Que filme extraordinário”: Spielberg e Paul Thomas Anderson conversam sobre One Battle After Another

No dia da estreia do novo filme de PTA, os dois realizadores sentaram-se para falar da adaptação de Vineland, de Thomas Pynchon, e da forma como a paternidade moldou a visão do cineasta.

O que acontece quando dois dos maiores realizadores da atualidade se sentam para conversar sobre cinema? No caso de Steven Spielberg e Paul Thomas Anderson, o resultado é um raro vislumbre do processo criativo de um dos autores mais venerados da sua geração.

Durante a première de One Battle After Another — o mais recente filme de Anderson, que adapta o romance Vineland (1990), de Thomas Pynchon — Spielberg não poupou elogios ao colega:

“Que filme extraordinário, meu Deus. Há mais ação na primeira hora deste filme do que em todos os outros filmes que já realizaste juntos. Tudo isto é realmente impressionante. É uma mistura de coisas tão bizarras e ao mesmo tempo tão atuais que acredito que se tenham tornado ainda mais relevantes do que quando terminaste o argumento e reuniste o teu elenco e equipa.”

Spielberg perguntou então a Anderson o que o tinha levado a adaptar o livro de Pynchon. A resposta do realizador revela um fascínio antigo e uma relação complicada com o processo de adaptação:

“O cerne da história é fantástico. É um ex-revolucionário que acaba nos bosques a criar uma filha, e o passado vai voltar para o assombrar. Há também um triângulo amoroso semelhante nessa história. E eu adorava aquele livro. Adorava-o tanto que pensei em adaptá-lo. Mas o problema de adorar tanto um livro quando se vai adaptá-lo é que é preciso ser muito mais duro com ele. É preciso não ser suave. Por isso, lutei durante anos para tentar adaptá-lo.”

Anderson revela que o caminho encontrado passou por combinar elementos do livro com outras histórias que foi desenvolvendo:

“Quando tive muitas outras peças, outras histórias, comecei a combiná-las. Mantive as coisas de que mais gostava no livro, e o que mais gostava era a história entre pai e filha. Acho que, mesmo antes de ter filhos, já sentia uma ligação com a forma como aquele pai se sentia em relação à sua filha. E essa ligação só se tornou mais profunda e mais forte à medida que tive filhos e compreendi aquilo sobre que ele estava a escrever dessa maneira.”

O realizador conclui com uma reflexão sobre a liberdade criativa necessária para adaptar uma obra amada:

“Estou a tentar tirar do livro aquilo de que preciso e seguir o meu próprio caminho, deixando que siga direções que parecem querer seguir.”

One Battle After Another promete ser mais um capítulo ousado na filmografia de Paul Thomas Anderson, mantendo a relação com Pynchon — cujas obras são consideradas de difícil adaptação — mas seguindo uma rota pessoal que, segundo Spielberg, resultou num “filme extraordinário” que já nasce como um dos mais comentados do ano.

Steven Spielberg quase realizou um dos melhores filmes de Christopher Nolan

O realizador de Lincoln passou um ano a desenvolver Interstellar, mas o projeto acabou por lhe escapar. Anos mais tarde, o próprio Spielberg admitiu: a versão de Nolan “é muito melhor”.

Grandes filmes de estúdio raramente nascem na forma que o público acaba por ver. Mesmo os êxitos mais associados a um realizador passam anos a ser ajustados e a evoluir nos bastidores, trocando de estúdios, de argumentos e, por vezes, de cineastas antes de as câmaras começarem a rodar. Foi precisamente isso que aconteceu com Interstellar (2014), hoje indissociável de Christopher Nolan, mas que esteve muito perto de ser realizado por Steven Spielberg.

De acordo com uma nova entrevista à revista Empire, o projeto começou em 2006, nas mãos da produtora Lynda Obst e do físico teórico Kip Thorne. Spielberg foi a primeira escolha para realizar. Em 2007, Jonathan Nolan — irmão de Christopher — foi contratado para escrever o primeiro argumento, o que coloca os irmãos Nolan na génese do filme muito antes do que muitos fãs imaginam.

Spielberg terá passado cerca de um ano a desenvolver a épica de ficção científica antes de o projeto lhe escapar. A passagem de testemunho não terá sido resultado de um qualquer rompimento criativo, mas antes de questões de calendário e logística de estúdio. A DreamWorks mudou o seu acordo de distribuição da Paramount — que detinha os direitos de Interstellar — para a Disney em 2009, e a atenção de Spielberg desviou-se para outros filmes, como Lincoln (2012) e War Horse (2011). Com isso, o projeto perdeu o fôlego sob a sua liderança.

Foi então que a porta se abriu para Christopher Nolan. E a transição aconteceu de forma natural: Jonathan Nolan sugeriu o irmão para o lugar. Christopher pegou no argumento de Jonathan e combinou-o com algumas das suas próprias ideias “mal amanhadas” sobre viagens no tempo. É fácil perceber porque é que o material o atraiu. Mesmo na sua forma mais inicial, Interstellar já estava construído à volta do tipo de ficção científica em grande escala que convida à ambição formal.

Nas palavras do próprio Spielberg:

“Eu contratei o Jonah, irmão do Chris Nolan, para escrever o primeiro e o segundo rascunho para mim, mas não pegou. O Jonah disse-me: ‘Se chegar a um ponto em que decidas não fazer este filme, posso dizer-te quem o vai agarrar. Ele já me está a chatear com isso. E esse é o meu irmão Chris.'”

O que torna esta história especialmente interessante é o quão diferente parece ter sido a versão de Spielberg. Os primeiros detalhes do argumento sugerem um filme mais abertamente político, incluindo um elemento de corrida espacial em que a China já teria chegado primeiro às estrelas. Essa abordagem aproximaria o filme de uma ficção científica geopolítica, em vez da versão mais intimista e emocional que chegou às salas.

A relação central também terá mudado significativamente durante o desenvolvimento. A versão de Spielberg terá apostado mais forte no romance entre Cooper (Matthew McConaughey) e Amelia Brand (Anne Hathaway), enquanto o filme final de Nolan colocou o peso emocional no vínculo entre Cooper e a sua filha, Murphy. Essa mudança definiu, em grande medida, o resultado final. Interstellar continua a lidar com ideias cósmicas e teoria densa, mas a sua clareza emocional vem dessa ligação entre pai e filha.

Houve ainda outra grande diferença tonal. A abordagem de Spielberg terá explorado mais o território do primeiro contacto com vida extraterrestre, enquanto Nolan reformulou os misteriosos “outros” como versões futuras da própria humanidade. Essa decisão deu a Interstellar uma forma filosófica muito diferente, mantendo a história focada no tempo, no legado e na sobrevivência, em vez de a transformar numa narrativa mais convencional de encontro com alienígenas.

Spielberg tem sido, desde então, generoso sobre a versão que o público recebeu. Afirmou que o filme é “muito melhor” nas mãos de Nolan do que seria nas suas, e elogiou o resultado final como um clássico moderno da ficção científica.

E embora isto possa ser verdade, é difícil não olhar para as estrelas e imaginar como seria o Interstellar de Steven Spielberg.

Ser “estrela de cinema” é sinónimo de ser mau actor? Talvez estejamos a olhar para eles mal

Há uma ideia feita de que os grandes nomes de Hollywood brilham mais pelo carisma do que pelo talento. Mas será justa? O Clube de Cinema defende o contrário: a maioria das verdadeiras estrelas também são boas — e às vezes excelentes — atrizes e atores.

É comum ouvir-se que os movie stars — aqueles nomes que, por si só, enchem salas e geram expetativa — são, muitas vezes, atores limitados. Que o seu sucesso assenta mais na aura, na imagem ou na sorte do que propriamente na qualidade interpretativa. Mas será esta a realidade ou apenas um preconceito?

Antes de mais, importa definir o que se entende por “estrela de cinema”. Não falamos do ator da moda ou daquele que protagoniza um êxito ocasional. Falamos de figuras maiores do que a vida, supernovas que comandam a atenção, forças carismáticas da natureza cuja presença muitas vezes ofusca os próprios filmes em que participam. São famosas, acima de tudo, por serem quem são.

E, neste lote restrito, a maioria são, na verdade, muito boas atrizes e atores.

Pensemos em nomes como Harrison Ford, Robert Redford, Tom Cruise, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Nicole Kidman, Tom Hanks, Angelina Jolie, Denzel Washington, George Clooney, Julia Roberts, Charlize Theron, Will Smith, Matt Damon, Robert Downey Jr. ou Jennifer Lawrence. Todas elas pertencem a essa elite. E, sim, umas são melhores do que outras, mas todas são, no mínimo, “boas” no que fazem.

Claro que há exceções. Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone foram dois dos maiores ícones do seu tempo, mas nunca foram particularmente dotados como intérpretes — ainda que Stallone tenha surpreendido pela positiva em Creed (2015), revelando novos registos. Dwayne Johnson herdou o manto dos dois e, embora não vá ganhar um Óscar tão cedo, é tão bom ator quanto o cinema de ação exige que ele seja.

Talvez estas estrelas e o seu talento sejam dados como garantidos. E poucos exemplos ilustram melhor esse descuido do que Tom Cruise.

Ignorem-se os brilhantes, as controvérsias e os acrobacismos impossíveis. Tom Cruise é um ator extraordinário. Sempre foi. Ao longo de uma carreira de três décadas, Cruise provou ser tão bom quanto qualquer outro da sua geração.

Basta percorrer o seu currículo para encontrar atuações de altíssimo nível em praticamente todos os géneros:

  • Drama — Magnolia (1999)
  • Comédia — Tropic Thunder (2008)
  • Ação — Edge of Tomorrow (2014)
  • Ficção Científica — Minority Report (2002)
  • Crime — Collateral (2004)
  • Guerra — Nascido a 4 de Julho (1989)
  • Épico/Época — O Último Samurai (2003)

E no topo de tudo, Jerry Maguire (1996), onde Cruise oferece uma das melhores interpretações de sempre num papel principal. Tom Cruise, o ator, não recebe o crédito que merece. E isso vale para muitas outras estrelas.

Talvez por isso surja a pergunta: “Que estrelas de Hollywood são atrizes ou atores decentes ou mesmo bons?” A resposta, para quem olha com atenção, é simples: quase todas.

Ralph Fiennes acredita que o “navio já partiu” para repetir Voldemort na série da HBO, mas sugere Tilda Swinton

“Acho que ela seria fantástica”, diz o ator britânico, que admite que o tempo para o seu regresso já passou.

Ralph Fiennes, o icónico intérprete de Lord Voldemort na saga cinematográfica Harry Potter, revelou que o “navio já partiu” no que diz respeito a uma possível reprisação do papel na nova série da HBO. Durante uma participação no programa The Claudia Winkleman Show, exibido na sexta-feira à noite, o ator foi questionado sobre os rumores que envolvem a produção e quem poderá dar vida ao Senhor das Trevas na versão televisiva.

“Lembro-me de me terem perguntado, depois de termos filmado toda a série de filmes, se eu reprisaria o papel — e isto foi há alguns anos. Eu disse: ‘Sim, adorava'”, confessou Fiennes. “Mas depois nada aconteceu e acho que esse navio já partiu.”

No entanto, o ator deixou no ar uma sugestão entusiástica: “Mas digo-vos uma coisa: a Tilda Swinton foi mencionada algures como possível candidata, e acho que ela seria fantástica.”

O nome de Swinton tem sido apontado nos círculos de rumor como uma das opções para interpretar Voldemort, ao lado de Cillian Murphy. Contudo, o ator de Oppenheimer e Peaky Blinders já veio desmentir essas especulações.

“Não sei nada disso”, afirmou Murphy no podcast Happy Sad Confused, de Josh Horowitz. “Além disso, é muito difícil seguir qualquer coisa que Ralph Fiennes faça. Ele é uma lenda absoluta da representação, por isso boa sorte para quem quer que vá calçar esses sapatos.”

Curiosamente, Fiennes já tinha manifestado o seu apoio a Murphy para o papel, em dezembro de 2024, durante uma conversa com Andy Cohen no Watch What Happens Live: “O Cillian é um ator fantástico. É uma sugestão maravilhosa. Eu seria totalmente a favor do Cillian. Sim.”

A primeira temporada da série Harry Potter da HBO tem estreia prevista para este Natal, e as expetativas são altíssimas. A nova adaptação promete explorar os livros de J.K. Rowling com maior profundidade narrativa, algo que um formato seriado permite ao contrário da saga de cinema.

Resta agora saber se os fãs verão Tilda Swinton empunhar a varinha de teixo e penas de fénix — ou se o papel ficará para outro nome. Uma coisa é certa: a bênção de Ralph Fiennes já foi dada.

Hunger Games: Sunrise on the Reaping revela primeiras imagens e elenco de luxo

Elle Fanning, Kieran Culkin e Ralph Fiennes lideram a nova prequela da saga, que chega aos cinemas em novembro.

A Lionsgate revelou esta sexta-feira as primeiras imagens de The Hunger Games: Sunrise on the Reaping, o mais recente capítulo da saga baseada nos livros de Suzanne Collins. O teaser, aguardado com enorme expetativa pelos fãs da franquia, confirma um elenco de luxo e promete revisitar o universo distópico de Panem com novas — e velhas — figuras emblemáticas.

Entre os nomes revelados no vídeo estão Elle Fanning como Effie Trinket, Kieran Culkin como Caesar Flickerman, Jesse Plemons como Plutarch Heavensbee, Kelvin Harrison Jr. como Beetee Latier, Ralph Fiennes como o Presidente Coriolanus Snow, Lili Taylor como Mags Flanagan, Joseph Zada como Haymitch Abernathy e Maya Hawke como Wiress.

O realizador Francis Lawrence — que já dirigiu vários títulos da saga — regressa atrás das câmaras, desta vez com um argumento de Billy Ray, adaptado do romance homónimo de Suzanne Collins. O filme chega às salas de cinema a 20 de novembro, consolidando-se como a mais recente adição a uma franquia que ultrapassou os 3,3 mil milhões de dólares em bilheteira mundial.

O elenco inclui ainda Glenn Close, Mckenna Grace, Billy Porter, Ben Wang, Whitney Peak e Iris Apatow, num leque de nomes que promete elevar ainda mais a fasquia da série.

Sunrise on the Reaping decorre na manhã da ceifa para os 50.º Jogos da Fome, 24 anos antes dos eventos do primeiro livro, publicado em 2008. A história centra-se em Haymitch Abernathy (interpretado por Joseph Zada), numa altura em que Panem ainda se ressente das cicatrizes da guerra e o Capitólio reforça o seu domínio.

Em novembro do ano passado, o The Hollywood Reporter avançou que Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson vão voltar a interpretar os seus papéis como Katniss Everdeen e Peeta Mellark, respetivamente. A última vez que os dois atores integraram a saga foi em The Hunger Games: Mockingjay — Parte 2 (2015), que terminava com o casal já casado e com filhos. Jennifer Lawrence foi recentemente nomeada para um Globo de Ouro pelo seu papel em Die My Love, enquanto Hutcherson protagonizou Five Nights at Freddy’s 2.

O novo filme é uma sequela direta de The Hunger Games: The Ballad of Songbirds & Snakes (2023), protagonizado por Rachel Zegler, Tom Blyth e Hunter Schafer. A produção fica a cargo de Nina Jacobson e Brad Simpson, da Color Force, com Cameron MacConomy como produtor executivo.

As primeiras reações ao teaser sugerem um tom mais sombrio e maduro, alinhado com o momento político e emocional dos 50.º Jogos da Fome — os chamados “Jogos do Centésimo Massacre”, que na história da saga ficaram conhecidos pelo dobro do número de tributos e por um vencedor inesperado.

Até novembro, que a sorte esteja sempre do vosso lado.

“Estamos a juntar a banda outra vez”: David E. Kelley dá novidades sobre a 3.ª temporada de Big Little Lies

A aguardada terceira temporada do fenómeno da HBO continua a ganhar forma, com o criador da série a prometer um regresso em grande.

David E. Kelley, o criador de Big Little Lies e membro do Television Academy Hall of Fame, concedeu uma pequena — mas animadora — atualização sobre o estado da tão desejada terceira temporada da série da HBO. Numa entrevista recente à revista People, Kelley revelou que, embora não esteja “autorizado” a adiantar pormenores específicos, os fãs podem esperar um reencontro com as mães da pacata comunidade à beira-mar.

“Estamos a juntar a banda outra vez. E deve ser uma boa corrida”, afirmou o argumentista e produtor, vencedor de 11 prémios Emmy.

Em setembro do ano passado, o Deadline avançou em exclusivo que a terceira temporada seria escrita e produzida por Francesca Sloane, cocriadora, produtora executiva e showrunner de Mr. & Mrs. Smith. A contratação de Sloane insere-se num contrato exclusivo de dois anos com a HBO, representando um avanço significativo para a produção, que continua em desenvolvimento.

Esta novagem surge depois de Casey Bloys, presidente e CEO da HBO e HBO Max Content, ter afirmado, em 2024, que a equipa aguardava pelo livro sequela da autora Liane Moriarty antes de avançar com a nova temporada. A continuação do romance que inspirou a série chega às livrarias a 25 de agosto deste ano e apresenta um salto temporal de dez anos, encontrando as protagonistas como mães de adolescentes.

“Desde o início, por causa da série, falava-se em escrever uma sequela, mas eu nunca estive interessada imediatamente porque se submete as personagens a tanta coisa que não me fazia sentido escrever algo que se seguisse diretamente”, explicou Moriarty ao USA Today. “Um salto temporal sempre fez sentido para mim.”

A série, que acompanha um quinteto de mulheres em Monterey, Califórnia, envolvidas numa investigação de homicídio, foi um fenómeno de crítica e público. A primeira temporada conquistou oito dos 16 Emmy a que estava nomeada.

O elenco original — composto por Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Zoë Kravitz, Laura Dern e Shailene Woodley — é dado como certo para o regresso, bem como nomes como Alexander Skarsgård, Adam Scott, James Tupper e Jeffrey Nordling. Meryl Streep juntou-se ao elenco na segunda temporada.

Enquanto os fãs aguardam por mais novidades sobre o regresso de Monterey, Kelley prepara a estreia de Margo’s Got Money Troubles, uma nova série para a Apple TV, com Elle Fanning, Michelle Pfeiffer e Nick Offerman, que chega às plataformas a 15 de abril.

Euphoria Estreou — e as Críticas Dividem-se Entre o Western Deslumbrante e o Guião Perdido

A terceira e última temporada de Euphoria chegou ontem à HBO — e as críticas que se seguiram à estreia confirmaram aquilo que os fãs mais pessimistas temiam e os mais esperançosos recusavam acreditar: a série voltou, está tecnicamente extraordinária, Zendaya está extraordinária, e Sam Levinson continua a ser o maior obstáculo ao pleno potencial da série que criou.

Os primeiros três episódios — disponibilizados à imprensa antes da estreia — mostram uma Euphoria que se reinventou de forma radical. A série é agora, declaradamente, um western. A nova temporada passa-se maioritariamente no deserto californiano e no México, com Rue a fazer contrabando de droga pela fronteira enquanto paga uma dívida à traficante Laurie. A banda sonora de Hans Zimmer, que substituiu Labrinth nesta temporada, soa a Ennio Morricone. A fotografia de Marcell Rév, rodada em película de 65mm, é de uma beleza cinemática que justificaria uma ida ao cinema mesmo sem qualquer história. A mudança de escala — do liceu de subúrbio para paisagens áridas de proporções épicas — é deliberada e, visualmente, avassaladora.

Mas é precisamente essa mudança que divide a crítica. Sem o ambiente do liceu, sem a pressão da adolescência como recipiente narrativo, Euphoria revela as suas fragilidades mais antigas: as personagens secundárias nunca tiveram a profundidade que a série lhes atribuía, e a saída do contexto escolar torna isso mais visível do que nunca. A Variety chamou ao resultado “fan fiction entretida mas desordenada”. O Hollywood Reporter ficou na dúvida entre “provocador” e “explorador”, concluindo que “grandes momentos e momentos tawdry continuam em competição.” O IndieWire foi mais directo: “Nunca foi tão espiritualmente oco.” No extremo oposto, a Decider elogiou a temporada como “um salto criativo enorme” para Levinson. O Rotten Tomatoes marca 63% de aprovação crítica — o mais baixo das três temporadas.

O que parece consensual entre os críticos é que Zendaya transcende o material que lhe é dado — e que a temporada, mesmo nos seus momentos mais fracos, nunca é entediante. É o tipo de série que pode estar a falhar por razões articuláveis e ainda assim ser impossível de parar de ver. Sam Levinson, que apresentou a temporada na estreia em Hollywood como a última da série — dedicando-a aos falecidos Angus Cloud e Eric Dane, e ao produtor Kevin Turen —, parece ter consciência de que está a fechar um capítulo que já devia ter fechado há dois anos. A questão é se consegue encontrar, nos episódios finais, o nível de Close que a segunda temporada atingiu no seu desenlace.

Os restantes cinco episódios vão ser o veredito definitivo. Por agora, Euphoria é uma série que ainda sabe criar imagens inesquecíveis — mas que perdeu a certeza sobre o que quer dizer com elas.

Lukas Dhont Entregou Coward à Última Hora — e Cannes Aceitou-o Imediatamente

Há uma história dentro da história da selecção de Cannes 2026 que vale a pena contar. Quando Thierry Frémaux anunciou Coward, o novo filme do belga Lukas Dhont, acrescentou um detalhe que fez a sala sorrir: os programadores do festival tinham visto o filme apenas na véspera do anúncio. Dhont entregou-o literalmente à última hora — e foi aceite imediatamente. É a forma mais eloquente de descrever o estatuto que o realizador de Girl e Close conquistou na Croisette em apenas dois filmes.

Coward é o terceiro longa-metragem de Dhont, e o primeiro passado fora do presente. O filme decorre durante a Primeira Guerra Mundial, nas trincheiras belgas perto de Ypres — e foi parcialmente rodado nos campos de batalha reais onde, entre 1914 e 1918, morreram centenas de milhares de jovens soldados. Pierre, um jovem soldado belga, debate-se com o significado da coragem e da cobardia quando, por detrás das linhas da frente, encontra Francis, um homem encarregado de encontrar formas de elevar o moral das tropas. É uma história sobre amor e morte, sobre o que se constrói e o que se destrói, sobre os que foram mandados lutar e os que tentaram fugir a qualquer custo.

Dhont, que tem 34 anos, descreveu o projecto como “o mais ambicioso” da sua carreira — e tendo em conta que Close foi um dos filmes mais emocionalmente devastadores de 2022, a afirmação não é de tomar levianamente. A colaboração com o co-escritor Angelo Tijssens, que assinou os seus dois filmes anteriores, mantém-se, assim como a produção sob a Reunion, a produtora que o realizador criou com o irmão Michiel.

Os dois primeiros filmes de Dhont foram muito mais do que sucessos de festival. Girl, que ganhou a Caméra d’Or em 2018, foi uma meditação sobre identidade e corpo que gerou debate em toda a Europa. Close, que ganhou o Grand Prix em 2022 e foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, explorou a amizade masculina entre dois adolescentes com uma delicadeza e uma profundidade raramente vistas no cinema contemporâneo. A pergunta que se coloca naturalmente é: o que faz Dhont com a guerra? O que faz este realizador da intimidade, do toque e do silêncio com um cenário de violência colectiva?

A resposta chega a 12 de Maio. Mas o simples facto de Cannes ter aceite o filme sem o ver até ao dia anterior diz tudo sobre a confiança que o festival deposita num realizador que, em apenas duas obras, se tornou num dos nomes mais esperados do cinema europeu.

Zvyagintsev Regressa a Cannes Depois de Nove Anos com Minotaur — Filmado no Exílio, Passado na Rússia

Há realizadores cuja ausência pesa. Andrey Zvyagintsev é um deles. Desde Loveless, em 2017, o realizador russo não tinha rodado um longa-metragem — não por falta de projecto, mas por uma sequência de acontecimentos que seria difícil de inventar: uma batalha quase fatal contra a COVID-19 em 2021, que o deixou em coma induzido durante semanas e danificou 92% da capacidade pulmonar, seguida de onze meses de hospitalização; a invasão russa da Ucrânia em 2022, que o forçou a deixar Moscovo e a estabelecer-se em França como exilado; e o colapso de um projecto sobre um oligarca russo que não conseguiu financiamento.

Minotaur nasceu das cinzas de tudo isso. É o sexto longa-metragem de Zvyagintsev, rodado em Riga, na Letónia, mas ambientado na Rússia contemporânea — numa cidade que o realizador filmou de forma tão deliberadamente universal que, segundo ele próprio, “só os proprietários dos espaços a vão reconhecer.” A premissa é aparentemente clássica: Gleb, um empresário bem-sucedido, está prestes a despedir os seus trabalhadores quando descobre que a mulher o está a trair. O colapso pessoal e o colapso profissional chegam em simultâneo e alimentam-se mutuamente numa espiral que o filme descreve como “uma fábula política entre o thriller policial e a tragédia clássica.”

A referência ao Minotauro é propositada e múltipla. O monstro do labirinto — metade homem, metade touro, condenado pela sua própria natureza a uma existência de violência e enclausuramento — é uma metáfora que Zvyagintsev aplica tanto ao personagem como ao país que deixou para trás. Um homem poderoso preso numa estrutura que ele próprio ajudou a construir, incapaz de sair do labirinto sem se destruir. Não é preciso muito esforço de imaginação para perceber o que o realizador está a dizer sobre a Rússia de Putin — e a coragem de o dizer, mesmo a partir do exílio, é em si mesma parte do significado do filme.

Zvyagintsev regressa ao festival que o coroou duas vezes: Leviathan ganhou o Prémio do Guião em 2014, Loveless o Prémio do Júri em 2017. O cinegrafista Mikhail Krichman e o cenógrafo Andrey Ponkratov, seus colaboradores de longa data, voltaram para este projecto — o que dá ao filme uma continuidade visual com o resto da obra, mesmo que as circunstâncias da produção sejam radicalmente diferentes. A Mubi adquiriu já os direitos de distribuição para a América do Norte, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Áustria e América Latina — um sinal claro de que a plataforma acredita ter em mãos um dos títulos mais importantes do ano.

O regresso de Zvyagintsev a Cannes não é apenas o regresso de um realizador. É o regresso de uma voz que se recusou a ser silenciada — pela doença, pelo exílio e pelo regime que o expulsou. Minotaur estreia a 12 de Maio.

O Regresso de Tommy Shelby Não é Como Esperavas — Mas Continua a Ser Imperdível

Quando uma série como Peaky Blinders se transforma num fenómeno global, qualquer regresso ao seu universo carrega um peso quase impossível de suportar. Peaky Blinders: O Homem Imortal, o aguardado filme que dá continuidade à história criada por Steven Knight, chega à Netflix com essa responsabilidade — e com ambições claras de elevar a saga a um novo patamar.

E há um detalhe importante que reforça essa ambição: ao contrário do que seria expectável para um projecto associado a uma plataforma de streaming, o filme teve estreia em salas de cinema nos Estados Unidos e no Reino Unido antes de chegar ao catálogo da Netflix — um sinal claro de confiança no seu potencial e na força da marca Peaky Blinders.

Mas será que consegue?

Um império construído nas sombras… e no pós-guerra

Para perceber o impacto deste filme, é essencial regressar às origens. Peaky Blinders nasceu como uma série profundamente enraizada na realidade histórica da Birmingham do pós-Primeira Guerra Mundial. A família Shelby, liderada por Tommy, representava uma geração marcada pelo trauma, pela violência e por uma ambição desmedida de ascensão social.

Tommy Shelby — interpretado por Cillian Murphy — nunca foi apenas um gangster. É um estratega, um sobrevivente, um homem permanentemente em guerra consigo próprio. Ao longo das temporadas, vimos a sua transformação de líder de rua para figura com influência política e económica, sempre com um pé no caos e outro no controlo absoluto.

O Homem Imortal retoma essa linha, colocando Tommy novamente no centro de um mundo que nunca deixa de o puxar para a escuridão.

Um filme mais estilizado… talvez demais

Uma das primeiras coisas que salta à vista neste filme é a sua estética. Se a série sempre teve uma identidade visual forte — com slow motion, fumo, e uma banda sonora anacrónica — aqui essa abordagem é levada ao extremo.

O resultado é um filme visualmente impactante, mas que, em vários momentos, se aproxima mais de um teledisco estilizado do que de uma narrativa clássica. A forma sobrepõe-se, por vezes, ao conteúdo, criando uma distância emocional que não existia com tanta intensidade na série.

Curiosamente, é precisamente na música que o filme encontra um dos seus pontos mais fortes. A selecção sonora mantém-se inspirada, reforçando o tom moderno e quase intemporal da história. É um paradoxo interessante: o mesmo elemento que contribui para o excesso visual é também aquele que sustenta grande parte da sua energia.

Tommy Shelby acima de tudo… talvez em demasia

Se há algo que define O Homem Imortal, é o foco quase absoluto em Tommy Shelby.

Por um lado, isso faz sentido. Cillian Murphy continua a oferecer uma interpretação magnética, carregando o filme com uma intensidade rara. Cada olhar, cada silêncio, cada decisão tem peso. É impossível desviar os olhos.

Mas esse foco tem um custo.

Personagens que sempre foram essenciais no universo Peaky Blinders acabam por surgir mais esvaziadas, com menos espaço para respirar e evoluir. A dinâmica familiar — um dos pilares da série — perde alguma da sua força, tornando o filme menos equilibrado do que seria desejável.

Um sucesso… apesar das reservas

Apesar destas reservas, há um facto incontornável: Peaky Blinders: O Homem Imortal está a ser um sucesso na Netflix.

A curiosidade em torno do regresso deste universo, aliada à força da marca e ao carisma de Tommy Shelby, garantem uma adesão massiva por parte do público. E, sejamos justos, há muito aqui que continua a funcionar.

A tensão, o ambiente, a construção do mundo — tudo isso mantém a identidade que tornou Peaky Blinders especial. O filme pode não atingir o equilíbrio narrativo da série, mas continua a oferecer momentos de grande impacto.

Vale a pena?

Sim — sem hesitação.

Mas com uma nota importante: este não é exactamente o Peaky Blinders que conhecíamos.

É uma versão mais estilizada, mais centrada, mais intensa… e, por isso mesmo, menos colectiva. Um filme que aposta tudo na força do seu protagonista, mesmo que isso signifique perder alguma da riqueza do conjunto.

No fim, O Homem Imortal não é perfeito — mas continua a ser obrigatório. Nem que seja para voltarmos a entrar naquele mundo onde estilo, violência e ambição se cruzam como poucos conseguem fazer.

E porque, no fundo, ver Tommy Shelby outra vez… continua a valer a pena.

Especial “Cineastas em Foco” no TVCine: cinema com assinatura de autor

11 de abril, a partir das 16h20, no TVCine Edition e TVCine+

Abril é mês de celebrar o cinema de autor no TVCine. Num especial intitulado “Cineastas em Foco”, o canal reúne cinco realizadores de eleição — Costa-Gavras, Paul Thomas Anderson, Hal Hartley, Sharunas Bartas e Christian Petzold — numa maratona de filmes que privilegia a identidade estética, a narrativa singular e o olhar sobre as fragilidades humanas.

O programa arranca às 16h20 com “O Último Suspiro” (2024), do franco-grego Costa-Gavras, figura maior do cinema político europeu. Num registo contido e rigoroso, o realizador aborda o fim da vida com uma intensidade que cruza o ético e o emocional.

Às 18h00, é a vez de “Punch-Drunk Love — Embriagado de Amor” (2002), de Paul Thomas Anderson, vencedor este ano do Óscar de Melhor Realizador por Batalha Atrás de Batalha. Com Adam Sandler numa performance surpreendente, o filme mistura romance e ansiedade numa linguagem única, que lhe valeu o prémio de Melhor Realização em Cannes.

Segue-se, às 19h35“Onde Aterrar” (2025), do independente norte-americano Hal Hartley. Fiel ao seu estilo minimalista e aos diálogos afiados, Hartley constrói um universo de ironia e distanciamento, onde personagens desencontradas buscam sentido no quotidiano.

A programação prossegue às 20h50 com “Laguna” (2025), do lituano Sharunas Bartas. Filme contemplativo, quase sem palavras, acompanha a viagem de um pai e uma filha na costa do Pacífico mexicano, onde a paisagem e o silêncio se tornam protagonistas da solidão humana.

O especial encerra às 22h30 com “Miroirs No. 3” (2025), de Christian Petzold, nome incontornável da Escola de Berlim. Com a sua habitual elegância e subtileza, Petzold cruza memória, identidade e relações humanas num filme que promete ficar na retina.

Imperdível para quem aprecia um cinema que se assume como assinatura e não como produto.

The Boys: O Criador Revela Por Que a Morte que Abre a Temporada Final Foi “Uma Decisão Muito Difícil”

Atenção: este artigo contém spoilers da estreia da quinta temporada de The Boys.

A quinta e última temporada de The Boys chegou ontem à Prime Video — e começou exactamente como a série sempre prometeu terminar: sem piedade, sem aviso e sem rede de segurança. A morte que abre o primeiro episódio — que já está a fazer circular a internet em modo de choque colectivo — foi descrita pelo criador Eric Kripke como “uma decisão realmente difícil” que demorou muito tempo a tomar.

“Foi uma decisão muito difícil”, disse Kripke numa entrevista ao Deadline. “Mas queríamos que a temporada final tivesse peso real desde o primeiro minuto. Que as pessoas percebessem, logo no arranque, que desta vez ninguém está a salvo.” A frase resume seis anos de uma série que nunca tratou as suas personagens como propriedade protegida — e que sempre esteve disposta a destruir o que construiu para provar um ponto sobre o mundo em que vivemos.

Kripke revelou também que há conversas internas activas sobre um possível spin-off centrado num dos membros do elenco principal, cujo nome não quis revelar por razões óbvias de spoiler. A franquia The Boys já tem o spin-off Gen V, centrado numa universidade de super-heróis em formação, e o The Boys: Mexico, em desenvolvimento. A hipótese de expandir ainda mais o universo com uma série centrada numa personagem da série-mãe é um sinal de que a Amazon não tenciona deixar este mundo morrer com a temporada final.

A série, criada por Kripke e produzida por Seth Rogen e Evan Goldberg a partir das BD de Garth Ennis, foi ao longo de cinco temporadas muito mais do que uma paródia de super-heróis. Foi um comentário político em tempo real, um espelho desconfortável da América contemporânea e, paradoxalmente, uma série com um coração enorme escondido sob litros de sangue artificial e cinismo bem calibrado. Karl Urban como Butcher, Antony Starr como Homelander, Jack Quaid como Hughie e todo o elenco souberam sempre que estavam a fazer algo diferente — e isso vê-se em cada episódio.

Para os fãs portugueses, que acompanharam a série desde o início e que fizeram de Homelander uma das referências culturais da sua geração, este é o fim de uma era. Os episódios são lançados semanalmente na Prime Video. Bom é saber que ainda há algumas semanas de The Boys pela frente — mesmo que a conta decrescente já tenha começado.

Soderbergh Vai Usar “Muita IA” no Próximo Filme — com Wagner Moura e uma Guerra que Ninguém Filmou

James Gunn Procura a Vilã do Próximo Superman — e Adria Arjona é a Favorita

O Filme Que Mudou o Cinema Está no Streaming — e Continua a Ser uma Experiência Única

Extraction 3 é Oficial: Hemsworth, Idris Elba e Golshifteh Farahani Regressam — Rodagens em Junho

Soderbergh Vai Usar “Muita IA” no Próximo Filme — com Wagner Moura e uma Guerra que Ninguém Filmou

Há realizadores que resistem à inteligência artificial como se fosse uma ameaça existencial. Steven Soderbergh não é um deles. Numa entrevista à Filmmaker Magazine, o realizador de TrafficErin Brockovich e Contágio revelou que o seu próximo filme de ficção — sobre a Guerra Hispano-Americana de 1898, com Wagner Moura no papel principal — vai recorrer extensivamente à IA para recriar batalhas navais, cenários históricos e toda a logística visual de um conflito do séc. XIX que nunca foi filmado com esta ambição.

“É uma história muito boa e ninguém a fez ainda”, disse Soderbergh. “Todos os dias que passam ela torna-se mais oportuna.” A afirmação não é despropositada: a Guerra Hispano-Americana foi o conflito que transformou os Estados Unidos numa potência imperial — a guerra em que Cuba ganhou a independência de Espanha com ajuda americana, e em que as Filipinas, Porto Rico e Guam passaram para soberania dos EUA em circunstâncias que continuam a ser discutidas. Num momento em que o debate sobre imperialismo, poder e influência americana está mais activo do que nunca, a escolha do tema tem uma camada política que Soderbergh claramente reconhece.

Wagner Moura está confirmado no elenco. O actor brasileiro, conhecido internacionalmente pelo papel de Pablo Escobar em Narcos e mais recentemente pela sua nomeação ao Óscar de Melhor Actor pelo papel em The Secret Agent, traz ao projecto exatamente o tipo de gravidade e ambiguidade moral que uma história destas exige. Soderbergh ainda está a montar o elenco — “preciso de mais algumas pessoas” — e tem dois estúdios interessados, mas diz que o orçamento final depende de quem mais consegue atrair. “Se conseguir juntar o elenco certo, isso vai torná-lo num evento, e as pessoas vão sentir que têm de o ver no cinema em vez de esperar dois meses até chegar ao streaming.”

A frase é, em si mesma, um diagnóstico da indústria. Soderbergh, que conhece Hollywood melhor do que a maioria, está a descrever exactamente o problema central do cinema comercial em 2026: a única razão pela qual as pessoas ainda saem de casa para ir ao cinema é o sentido de urgência — e esse sentido de urgência só existe quando o elenco é suficientemente poderoso para criar o momento.

A IA, neste contexto, não é uma substituição do talento humano mas uma ferramenta de produção que permite a Soderbergh fazer um filme de guerra de grande escala com um orçamento controlado. Está a usar a mesma tecnologia no seu documentário sobre John Lennon e Yoko Ono — John Lennon: The Last Interview, que será exibido em Cannes este mês como sessão especial —, para criar “imagens surrealistas que ocupam um espaço onírico, não um espaço literal.” “Precisas de um doutoramento em literatura para lhe dizer o que fazer”, admite. “Mas como qualquer outra ferramenta tecnológica, exige supervisão humana muito próxima.”

James Gunn Procura a Vilã do Próximo Superman — e Adria Arjona é a Favorita

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James Gunn Procura a Vilã do Próximo Superman — e Adria Arjona é a Favorita

O universo DC de James Gunn está a ganhar velocidade. Com o primeiro Superman a ter faturado 618 milhões de dólares globalmente em 2025, a sequela — Superman: Man of Tomorrow, prevista para Julho de 2027 — está em preparação activa em Atlanta, e esta semana realizaram-se os testes para a personagem feminina mais disputada do filme: Maxima, uma rainha alienígena de Almerac que nos BD já foi vilã, aliada e interesse amoroso do Homem de Aço.

As finalistas são quatro, segundo o Hollywood Reporter: Adria Arjona, Eva De Dominici, Sydney Chandler e Grace Van Patten. Testes foram realizados esta semana em Atlanta, e Arjona é apontada como a favorita. A actriz guatemalteca-porto-riquenha tornou-se num dos nomes mais solicitados da indústria após o seu trabalho em Andor — a série de Star Wars da Disney+ onde interpretou Bix Caleen com uma mestria que deixou muita gente com vontade de ver mais. Tem também um papel de destaque em Hit Man, o filme de Glen Powell que foi um dos êxitos de crítica de 2024. Entraria no universo DC com o tipo de personagem que ela própria escolheria: poderosa, moralmente ambígua e com uma história que vai muito além do estereótipo de “vilã alienígena”.

As restantes finalistas têm currículos igualmente interessantes. Sydney Chandler destacou-se como protagonista de Alien: Earth, a série da Disney+ que foi uma das estreias mais elogiadas do ano passado. Grace Van Patten construiu uma reputação de actriz de séries de culto com Tell Me Lies. Eva De Dominici tem um papel na comédia Balls Up, de Peter Farrelly, que estreia na Prime Video este mês.

A selecção final não foi ainda anunciada, mas o próprio Gunn entrou em cena nas redes sociais para desmentir uma lista anterior publicada pelo Deadline, que incluía nomes que a DC Studios considerou incorrectos — um episódio que transformou o que seria um rumor de casting numa notícia de topo durante algumas horas. Gunn escreveu no Threads que se a Deadline tivesse confirmado os nomes com o seu estúdio, “teríamos dito que era disparate” — uma forma de dizer que a sua equipa não é fonte, mas também não se cala quando os factos são errados.

Man of Tomorrow traz de volta David Corenswet como Superman, Rachel Brosnahan como Lois Lane, Nicholas Hoult como Lex Luthor e Lars Eidinger como Brainiac. Sara Sampaio — actriz e modelo portuguesa — mantém o papel de Eve Teschmacher que estreou no primeiro filme. O universo DC de Gunn está a ser construído peça a peça, com uma consistência e uma visão editorial que a maioria dos fãs reconhece como muito diferente do caos que marcou os anos anteriores sob Zack Snyder.

O Filme Que Mudou o Cinema Está no Streaming — e Continua a Ser uma Experiência Única
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O Filme Que Mudou o Cinema Está no Streaming — e Continua a Ser uma Experiência Única

Há filmes que marcam uma época… e depois há aqueles raros que redefinem completamente a forma como o cinema é feito. Avatar, de James Cameron, pertence claramente à segunda categoria. Mais de uma década após a sua estreia original, continua a ser uma obra de referência — e está disponível no Disney+ para uma nova geração (e para quem quiser redescobrir tudo de novo).

Um mundo que parecia impossível… até existir

Quando Avatar chegou aos cinemas em 2009, o impacto foi imediato. Pandora não era apenas um cenário — era um mundo vivo, respirável, quase tangível. As florestas bioluminescentes, as montanhas flutuantes e as criaturas exóticas criaram um universo visual que rapidamente se tornou icónico.

A história segue Jake Sully, um ex-marine que, através de um programa científico, passa a habitar um corpo Na’vi — os habitantes nativos de Pandora. Aquilo que começa como uma missão transforma-se numa jornada de descoberta, conflito e, inevitavelmente, escolha.

Revolução técnica… mas também emocional

Muito se falou — e com razão — da revolução tecnológica que Avatar trouxe. O uso avançado de captura de movimento e o 3D imersivo elevaram o cinema a um novo patamar. Mas reduzir o filme apenas à tecnologia é ignorar o que realmente o sustenta.

No centro da narrativa está um conflito clássico, mas eficaz: natureza versus exploração, identidade versus dever, pertença versus poder. Jake, interpretado por Sam Worthington, é o veículo através do qual o espectador entra neste mundo — mas é Neytiri, vivida por Zoe Saldaña, que lhe dá alma.

Há também uma clara dimensão política e ambiental que continua, hoje, mais актуal do que nunca. A exploração de recursos, a destruição de ecossistemas e o choque entre culturas são temas que ressoam muito para além da ficção.

O fenómeno que dominou o mundo

Durante anos, Avatar foi o filme mais visto de sempre, dominando o box office global com números históricos. Mais do que um sucesso comercial, tornou-se um verdadeiro fenómeno cultural.

O seu impacto foi tal que influenciou não só o cinema, mas também a forma como os estúdios passaram a olhar para o potencial das grandes produções. Pandora abriu caminho para uma nova era de blockbusters — mais ambiciosos, mais imersivos e tecnologicamente mais avançados.

Ver hoje… continua a valer a pena?

A resposta curta: sim, sem qualquer dúvida.

Mesmo passados tantos anos, Avatar mantém uma capacidade rara de deslumbrar. Em casa, perde-se inevitavelmente alguma da escala da experiência cinematográfica original — mas ganha-se a possibilidade de revisitar detalhes, emoções e nuances que talvez tenham passado despercebidos.

E com as sequelas já a expandirem este universo, regressar ao primeiro filme é quase essencial para compreender a dimensão total da história que James Cameron começou a contar.

No fim, Avatar continua a ser aquilo que sempre foi: um espectáculo visual impressionante… mas também uma história surpreendentemente humana.


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Contagem de palavras: 612

Extraction 3 é Oficial: Hemsworth, Idris Elba e Golshifteh Farahani Regressam — Rodagens em Junho

Tyler Rake não morre. É uma regra não escrita do universo Extraction — e a Netflix confirmou ontem, de forma oficial e sem rodeios, que a regra se mantém. Extraction 3 está confirmado, com Chris Hemsworth de volta ao papel do mercenário mais resistente do streaming, Idris Elba e Golshifteh Farahani de regresso ao elenco, e rodagens previstas para arrancar em Junho na Austrália e em vários locais da Europa.

A saga começou em 2020 com um timing perfeito e inesperado: o primeiro Extraction estreou durante o confinamento pandémico e tornou-se o filme mais visto da história da Netflix naquele momento, com mais de 99 milhões de visualizações nas primeiras quatro semanas. Hemsworth interpretava Tyler Rake, um mercenário australiano contratado para resgatar o filho sequestrado de um senhor do crime em Bangladesh — e a missão corria, previsível e magnificamente, muito mal. O filme foi um fenómeno global precisamente porque chegou quando toda a gente estava em casa e precisava de adrenalina pura. O segundo filme, em 2023, confirmou que não foi sorte: Extraction 2 foi ainda melhor recebido pela crítica, mais ambicioso no alcance, e voltou ao topo das tabelas da plataforma em todo o mundo, incluindo em Portugal.

Sam Hargrave, o antigo coordenador de acrobacias que se tornou realizador e que assinou os dois primeiros filmes, regressa à cadeira de realizador para o terceiro. É uma escolha que diz tudo sobre a confiança da Netflix e da AGBO — a produtora dos irmãos Russo — no que está a ser construído. A principal novidade nos bastidores é o guionista: David Weil, conhecido por Hunters (Prime Video) e pela série Citadel (Prime Video), substitui Joe Russo, que escreveu os dois primeiros filmes mas se mantém como produtor. A mudança de pena pode trazer uma camada narrativa diferente — Weil tem uma voz mais literária e mais orientada para personagens do que para pura mecânica de acção.

O enredo é mantido em segredo. O que se sabe é que Idris Elba, que fez um cameo no final de Extraction 2 como o misterioso Alcott — o homem que tira Rake da prisão em troca de um favor —, tem agora um papel mais substancial. A pergunta que ficou no ar no final do segundo filme — quem é o chefe de Alcott, e o que quer ele de Tyler Rake? — deverá ser respondida neste terceiro capítulo. Golshifteh Farahani, a actriz iraniana que interpreta Nik Khan, parceira e aliada de Rake, foi dos pontos altos do segundo filme e regressa de forma confirmada.

As rodagens arrancam em Junho, maioritariamente em Sydney, na Austrália — onde Hemsworth vive —, com produção adicional em locais europeus ainda não revelados. O actor termina primeiro o thriller policial Kockroach, com Taron Egerton e Zazie Beetz, que começa a rodar este mês. Extraction 3 deverá estrear na Netflix em 2027.

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Cannes 2026 Revela a Selecção: Almodóvar, Farhadi, Koreeda e Hamaguchi em Competição — Hollywood Quase Ausente

Todos os anos, em Abril, Paris para durante uma manhã para ouvir Thierry Frémaux anunciar os nomes que vão disputar a Palma de Ouro. É um ritual que define o calendário do cinema de autor para o resto do ano — e a edição de 2026, revelada hoje, tem uma característica que vai gerar conversa durante semanas: Hollywood está praticamente ausente da competição. O cinema internacional tomou a Croisette.

A 79.ª edição do Festival de Cannes, que decorre de 12 a 23 de Maio, tem em competição alguns dos nomes mais respeitados do cinema mundial contemporâneo. Pedro Almodóvar leva Bitter Christmas — já exibido em Espanha, agora em estreia internacional —, numa nova incursão num universo de emoções intensas que o manchego domina como ninguém. Asghar Farhadi, o realizador iraniano de A Separação e O Vendedor, apresenta Parallel Tales, filmado em francês. Hirokazu Koreeda, o japonês que ganhou a Palma de Ouro em 2018 com Assunto de Família, está em competição com Sheep in the Box, descrito como um drama de ficção científica próxima sobre um casal que acolhe um androide como filho — uma escolha que, vindo de Koreeda, promete ser muito mais sobre amor e solidão do que sobre tecnologia. Ryûsuke Hamaguchi, cujo Drive My Car ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional em 2022, regressa à Croisette com All of a Sudden, uma co-produção franco-japonesa com Virginie Efira como directora de um lar de idosos que vê a vida transformada pelo encontro com um dramaturgo japonês em fase terminal, interpretado por Tao Okamoto.

A lista não fica por aqui. Cristian Mungiu, o romeno que ganhou a Palma de Ouro em 2007 com 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, apresenta Fjord, o seu primeiro filme em inglês, com Sebastian Stan e Renate Reinsve — a actriz norueguesa de A Pior Pessoa do Mundo — como um casal religioso que se muda para uma aldeia remota na Noruega. O belga Lukas Dhont, que revelou ao mundo o prodígio emocional de Close em 2022, está em competição com Coward, um drama passado na Primeira Guerra Mundial sobre o que significa ser herói ou cobarde — filmado parcialmente nos campos de batalha reais perto de Ypres, na Bélgica, e entregue à organização do festival apenas ontem à noite, segundo Frémaux. O polaco Paweł Pawlikowski, realizador de Ida e Cold War, apresenta Fatherland, com Sandra Hüller. O sul-coreano Na Hong-jin, cujo The Wailing se tornou um clássico instantâneo do terror asiático em 2016, regressa a Cannes pela primeira vez em dez anos com Hope, um thriller com Michael Fassbender, Alicia Vikander, Hoyeon e Taylor Russell — um elenco de fazer dobrar os joelhos.

A presença americana é, por contraste, quase simbólica. Ira Sachs é o único realizador dos Estados Unidos em competição, com The Man I Love, uma fantasia musical passada no Nova Iorque dos anos 80 durante a crise da SIDA, com Rami Makel no papel principal. É um filme deliberadamente contra-corrente — pequeno, íntimo, político — numa selecção que claramente decidiu ignorar o calendário de Hollywood e apostar no cinema que não chega às multisalas.

Fora de competição, há presença assinalável: Steven Soderbergh apresenta John Lennon: The Last Interview, o seu documentário sobre o casal mais icónico do rock, que usa inteligência artificial para criar imagens surrealistas a partir de uma entrevista de três horas gravada poucas horas antes do assassinato de Lennon em 1980. Ron Howard apresenta Avedon, um documentário sobre o fotógrafo Richard Avedon. Nicolas Winding Refn regressa com Her Private Hell, com Charles Melton e Sophie Thatcher. Quentin Dupieux, o realizador de Rubber e Mandibules, traz Full Phil com Kristen Stewart e Woody Harrelson às sessões de meia-noite. A cerimónia de abertura, a 12 de Maio, fica a cargo de The Electric Kiss de Pierre Salvadori. O júri é presidido por Park Chan-wook, realizador de Oldboy e A Criada.

Como prémios honorários, Barbra Streisand e Peter Jackson recebem cada um uma Palma de Ouro honorária — duas personalidades que raramente são associadas ao mesmo festival, o que diz muito sobre a vontade de Cannes em celebrar o cinema em toda a sua diversidade.

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Há Um Dia em Abril em Que o Cinema Vai Ter Assinatura — e Não Vais Querer Perdê-lo

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Há decisões no universo televisivo que dizem mais sobre o presente do que sobre o futuro. A substituição do canal Biggs pela nova VinTV é uma delas — e revela, sem rodeios, uma mudança profunda nos hábitos de consumo de várias gerações.

A Dreamia, joint-venture entre a NOS e a AMC Networks International Southern Europe, decidiu encerrar um dos seus canais mais associados ao público jovem. No lugar do Biggs surge agora a VinTV, um canal assumidamente dirigido a espectadores com mais de 45 anos, numa aposta clara na nostalgia e na fidelidade à televisão tradicional.

A decisão, já aprovada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, não surge do nada. O Biggs tem vindo a perder relevância de forma consistente ao longo dos últimos anos. Aquilo que começou, em 2009, como Panda Biggs — um canal pensado para crianças — foi evoluindo, adaptando-se a diferentes faixas etárias, numa tentativa contínua de acompanhar o crescimento do seu público.

Mas o problema não estava apenas no posicionamento. Estava no próprio público.

Nos últimos anos, a migração dos mais jovens para plataformas de streaming tornou-se inevitável. O consumo deixou de estar preso à grelha televisiva e passou a ser imediato, personalizado e, acima de tudo, digital. A televisão linear perdeu terreno — e o Biggs sentiu isso de forma particularmente dura.

Os números ajudam a perceber a dimensão da mudança: menos de 7% da audiência do canal corresponde a espectadores com menos de 14 anos. No segmento dos 15 aos 24 anos, a presença também é residual. Em contraste, mais de 40% da audiência já tem mais de 45 anos.

Ou seja, o canal já não era, na prática, aquilo que dizia ser.

É neste contexto que surge a VinTV — não como uma reinvenção, mas como uma formalização de uma realidade que já existia. A aposta passa por conteúdos clássicos, com forte carga nostálgica, centrados sobretudo nas décadas de 80 e 90. Séries como O Príncipe de Bel-AirBeverly Hills 90210ER – Serviço de Urgência ou até produções nacionais como Morangos com Açúcar prometem ocupar a grelha e recuperar memórias de uma geração que cresceu com estes títulos.

Mas há aqui um detalhe interessante: a Dreamia não quer apenas falar para um público mais velho. Quer também captar uma audiência mais jovem através do chamado “vintage-cool” — essa tendência crescente de redescoberta cultural por parte de millennials e até da Geração Z.

É uma estratégia que mistura pragmatismo com alguma ambição. Por um lado, aposta-se num público que ainda vê televisão de forma tradicional. Por outro, tenta-se transformar a nostalgia em produto transversal.

A VinTV não é, aliás, um conceito totalmente novo. O canal já existe em Espanha desde 2025, integrado no portefólio da AMC Networks, o que demonstra que esta mudança faz parte de uma estratégia mais ampla e não de uma decisão isolada para o mercado português.

No fundo, o desaparecimento do Biggs simboliza algo maior: o fim de uma era em que a televisão conseguia falar directamente com os mais jovens. Hoje, essa batalha foi perdida para o streaming.

E talvez a verdadeira questão seja esta: não é a televisão que está a mudar de público — é o público que deixou de ver televisão.

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