
Num género muitas vezes dominado por protagonistas masculinos, A Working Man chega para abanar as convenções dos filmes de ação. E se Jason Statham continua a ser o rosto impassível da vingança implacável, Arianna Rivas é a revelação que rouba os holofotes — punho cerrado, algemas nos pulsos e a ferocidade de quem recusa ser uma vítima.
ver também : “The Woman in the Yard”: A Nova Aposta de Terror da Blumhouse Que Pode Salvar 2025
“Senti-me libertada. Senti-me poderosa, senti-me forte, senti-me radiante”, declarou Rivas à Variety, sobre o momento em que combate lado a lado com Statham na reta final do filme.
Realizado por David Ayer e coescrito por Sylvester Stallone, A Working Man é mais do que outro thriller testosterónico. Aqui, a suposta “donzela em perigo” transforma-se numa guerreira decidida, mesmo quando o plano de filmagens muda em cima da hora.
Statham em modo martelo, Rivas como lâmina afiada
No filme, Levon Cade (Statham) é um ex-militar que troca o campo de batalha por uma vida pacata na construção civil. Mas quando Jenny (Rivas), a filha adolescente do seu chefe, é raptada por uma rede de tráfico humano, Levon regressa ao campo de batalha — agora urbano.
O que ninguém esperava era que a jovem Jenny recusasse ficar no papel de espectadora: no clímax, Rivas e Statham combatem juntos, com sangue, suor e cumplicidade.
“Eles olham um para o outro e é como se dissessem: ‘Não foste só tu a proteger-me. Eu também te protegi a ti’”, revela Eddie J. Fernandez, coordenador de duplos e também ator no filme.
Uma revelação em ascensão
Apesar de jovem, Rivas entrou no projeto com uma mentalidade determinada. Fã de clássicos de ação, não hesitou quando viu o nome de Stallone no e-mail: “Foi como um sinal. Sempre adorei a história dele com o Rocky — se ele conseguiu, eu também consigo”.
O resultado? Quatro meses intensivos de treino físico, coreografias e quedas, sempre com antecedência nos ensaios. Fernandez destaca: “Ela é bonita, talentosa, jovem e destemida. Dizia-lhe para estar no ginásio a uma hora e ela já lá estava a aquecer antes do tempo.”
Técnica, emoção… e improviso
Curiosamente, a sequência mais marcante de Rivas no filme quase não existia da forma como a vemos. Por limitações no calendário de filmagens, a produção teve de reinventar o confronto final entre Jenny e a vilã Artemis (Eve Mauro), onde Rivas combate de mãos algemadas acima da cabeça.
“Foi a cena mais difícil. Sentia-me uma peixe fora de água. Tínhamos ensaiado uma luta durante quatro meses… e no fim mudámos tudo em 24 horas. Mas foi incrível quando conseguimos”, partilhou a atriz.
Ainda assim, o momento sobreviveu graças à química entre os dois protagonistas e à emoção crua que transparece no ecrã. “Estavam os dois exaustos, mas davam tudo. Foi mágico vê-los olhar um para o outro naquela cena”, acrescenta Fernandez.
Representação feminina que não precisa de permissão
O mais importante? Rivas não está ali para ser salva. Está ali para salvar. Para lutar. Para marcar a diferença.
“Só ver o Jason lançar um murro já era uma aula de representação”, admite a atriz. “Como é que se faz parecer forte sem realmente magoar alguém? Onde é que está o peso? Fiquei fascinada.”
Essa curiosidade e entrega refletem-se numa performance que não só desafia as normas dos filmes de ação, mas também aponta para um futuro onde as mulheres não são apenas secundárias — são parte essencial da pancadaria, da narrativa e da vitória.
ver também: Warfare: Alex Garland regressa com o seu filme mais brutal e intenso desde Ex Machina
No comment yet, add your voice below!