“Unabomber” torna-se o filme mais visto do mundo na Netflix, apesar das críticas dececionantes

Estreou no fim de semana passado na Netflix “Unabomber”, o filme biográfico sobre Ted Kaczynski protagonizado por Jacob Tremblay e Russell Crowe, e os números não deixam margem para dúvidas: tornou-se rapidamente o título mais visto a nível mundial na plataforma, confirmando o apetite do público por este tipo de true crime biográfico, independentemente daquilo que a crítica especializada teve para dizer sobre o resultado final.

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E o que a crítica teve para dizer não foi famoso: no Rotten Tomatoes, o filme fixou-se nos 31% de aprovação, um dos números mais baixos de toda a carreira recente de Russell Crowe, com adjetivos pouco lisonjeiros como “problemático” e uma “mistura batida” a aparecerem repetidamente nas análises. Dito isto, quase todas as críticas fazem questão de destacar as interpretações principais como o ponto mais forte do filme, com Crowe a capturar com eficácia a arrogância intelectual da sua personagem, o psicólogo de Harvard Henry Murray, e Tremblay a mostrar de forma convincente a frustração e a deterioração gradual de um jovem Kaczynski.

A estrutura do filme, realizado por Janus Metz Pedersen e escrito por Sam Chalsen e Nelson Greaves, alterna entre duas linhas temporais: os anos de Kaczynski em Harvard no final da década de 1950, onde é sujeito às já hoje amplamente documentadas e controversas experiências psicológicas do professor Murray, e a caça ao homem nos anos 90, com Shailene Woodley no papel de uma agente do FBI encarregada de capturar o terrorista que aterrorizou os Estados Unidos durante quase duas décadas com uma campanha de encomendas-bomba. O problema mais apontado pela crítica está precisamente na falta de diálogo real entre estas duas linhas temporais: a secção de Harvard é descrita como a mais interessante e original, enquanto a caça ao homem nos anos 90 é tratada como material de thriller mais convencional, sem que as duas partes se enriqueçam mutuamente da forma que a estrutura parecia prometer.

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Esta desconexão entre receção crítica e sucesso de audiência não é propriamente inédita no panorama do streaming, onde os números de visualizações e as cotações da crítica especializada seguem cada vez mais frequentemente caminhos completamente distintos, algo que a própria Netflix já várias vezes veio a demonstrar com outros títulos de true crime biográfico que a crítica recebeu com frieza mas que se tornaram, ainda assim, sucessos indiscutíveis em termos de audiência.

Para o público interessado na história real de Kaczynski, e não tanto nas notas da crítica, “Unabomber” continua ainda assim a oferecer, segundo o consenso quase geral, duas interpretações principais que valem a pena por si só, mesmo que o conjunto final não convença tanto quanto poderia.

“The Last First: Winter K2” leva a Apple TV+ a tragédia real da escalada de inverno mais perigosa do mundo

Estreia a 2 de outubro, em exibição global na Apple TV+, “The Last First: Winter K2”, um documentário que reconstrói uma das tragédias mais marcantes do montanhismo de alta montanha recente: a tentativa de alcançar, pela primeira vez, o cume do K2 em pleno inverno, condições em que a montanha se torna ainda mais implacável do que já é habitualmente.

“Dear You” T2 estreia no Prime Video, com um misterioso “corvo” a complicar tudo para Alma

O filme, realizado por Amir Bar-Lev, um dos nomes mais respeitados do documentário americano contemporâneo, acompanha a expedição de 2021 liderada pelo islandês John Snorri Sigurjónsson, ao lado do veterano paquistanês Ali Sadpara e do seu filho, Sajid Sadpara. Na tentativa de escalada sem oxigénio suplementar, em condições de frio extremo, Sigurjónsson e Ali Sadpara acabariam por morrer na montanha, com os seus corpos só recuperados meses mais tarde; Sajid Sadpara, o filho, foi o único sobrevivente da tentativa de cume desse grupo. É esta história, com todo o peso emocional e humano que carrega, que o documentário se propõe a contar, sem sensacionalismo, mas também sem evitar a dimensão trágica dos acontecimentos.

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Para além da reconstituição do que aconteceu a esta expedição específica, o documentário aproveita para olhar de forma mais ampla para a indústria do montanhismo extremo e para a forma como essa cultura tem vindo a mudar nos últimos anos: os próprios montanhistas descobrem-se a partilhar a already perigosa ascensão com “influencers” da escalada acompanhados das suas próprias equipas de filmagem, com clientes de expedições comerciais, e com uma equipa nepalesa que já não está disposta a limitar-se a um papel de apoio na conquista de glória alheia, um retrato que sugere tensões cada vez maiores dentro de um desporto que se tornou, nas últimas décadas, também um negócio.

Mike Leigh vence a Concha de Ouro em San Sebastián com “Tender Loving Care”, num possível ponto final de carreira

“The Last First: Winter K2” tinha sido originalmente comprado pela Apple depois de uma estreia no Festival de Sundance, um percurso habitual para documentários deste calibre antes de encontrarem casa numa grande plataforma de streaming. Bar-Lev já tem um historial consistente de documentários que combinam grande escala visual com histórias humanas complexas, e este projeto promete manter essa mesma ambição, aplicada agora a um dos ambientes mais hostis do planeta.

Para os interessados em montanhismo, mas também para quem simplesmente aprecia bom documentário centrado em histórias humanas extremas, esta é uma das estreias mais aguardadas do início de outubro na Apple TV+, com um trailer já divulgado que tem sido descrito como intenso e de visionamento emocionalmente exigente.

“Dear You” T2 estreia no Prime Video, com um misterioso “corvo” a complicar tudo para Alma

Estreou esta semana no Prime Video a segunda temporada de “Dear You”, a série francesa que se tornou um pequeno fenómeno de streaming depois da estreia da primeira temporada em fevereiro de 2025, chegando rapidamente ao número 1 da plataforma e conquistando o público habitual de comédia romântica com um formato pouco convencional: 15 episódios de apenas 20 minutos cada, uma duração que, segundo vários relatos, incentivou o público a maratonar a temporada inteira de uma só vez.

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A história segue Alma, uma jovem parisiense responsável pelas relações com clientes num hotel de luxo, cuja vida amorosa vai definhando entre as exigências extravagantes de hóspedes endinheirados e as relações cada vez mais complicadas com colegas e amigos. Nesta segunda temporada, depois das revelações que encerraram a primeira, Alma acredita estar finalmente em condições de conduzir a sua relação com Alex numa nova direção. Mas o regresso ao hotel torna-se rapidamente mais complicado do que esperava, com a chegada de um novo chefe particularmente exigente e um escândalo que ameaça a reputação de um jovem empresário próximo de Alma. Para tornar tudo ainda mais confuso, a jovem começa a receber mensagens misteriosas de um remetente conhecido apenas como “o corvo”, uma nova camada de mistério que promete complicar ainda mais uma temporada já de si carregada de reviravoltas emocionais.

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Carla Poquin, Louka Meliava e Terence Telle (este último também conhecido do público francês por “Ici tout commence”) regressam nos papéis de Alma, Naïm e Alex respetivamente, e o elenco ganha três novas adições nesta temporada: Thaïs Vauquières, Camille Pham e Constantin Vidal. Os dez novos episódios ficaram disponíveis de uma só vez, mantendo a lógica de consumo rápido que já tinha sido um dos fatores de sucesso da temporada anterior.

Criada por Aurélie Belko, Julie-Albertine Simonney, Sébastien Le Délézir e Niels Rahou, com realização de Julien Carpentier, “Dear You” tem-se afirmado como uma das apostas mais bem-sucedidas da produção francesa original do Prime Video no género de comédia romântica ligeira, um território que a plataforma tem cultivado com atenção crescente à produção europeia local, à semelhança do que já vinha fazendo noutros mercados.

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Para quem gosta de séries de fácil consumo, com episódios curtos e uma dose generosa de intriga romântica, esta segunda temporada chega numa altura perfeita para maratonar num só fim de semana, seguindo a mesma fórmula que já tinha conquistado o público na primeira ronda.

“Backrooms” chega à HBO Max: o fenómeno de terror que se tornou o filme mais rentável de sempre da A24

Chegou esta semana à HBO Max “Backrooms”, o fenómeno de terror da A24 que, ao longo do ano, se tornou a produção mais rentável de sempre do estúdio independente, superando largamente qualquer expectativa inicial para um projeto nascido, literalmente, de uma série de curtas-metragens virais no YouTube.

Realizado por Kane Parsons, que tinha apenas 20 anos na altura da estreia, tornando-se o realizador mais jovem de sempre a liderar os tops de bilheteira norte-americanos (superando o recorde anterior, detido desde 2012 por Josh Trank com “Chronicle”, então com 27 anos), “Backrooms” segue um comerciante de mobiliário de uma pequena cidade que descobre, na cave da sua loja, um portal para uma dimensão paralela labiríntica e aterradora, um conceito extraído diretamente da mitologia de internet conhecida como “the Backrooms”, que já circulava há anos em fóruns e vídeos amadores antes de chegar a este tratamento profissional. O elenco reúne Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell.

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Os números de bilheteira justificam por si só o estatuto de fenómeno: com um orçamento de apenas 10 milhões de dólares, “Backrooms” abriu com 81 milhões de dólares só no mercado doméstico (118 milhões a nível mundial logo no fim de semana de estreia), mais do triplo do recorde anterior da A24, que pertencia a “Civil War” com 25,5 milhões. A carreira total do filme fechou nos 402,5 milhões de dólares em todo o mundo, tornando-o, sem margem para dúvidas, a produção mais rentável de toda a história do estúdio.

O filme já tinha ficado disponível para compra e aluguer digital em julho, mas a chegada agora à HBO Max, através do acordo de exclusividade de streaming que a A24 mantém com a plataforma, marca o momento em que passa a estar acessível a qualquer assinante sem custo adicional, o que deverá gerar uma nova vaga de visionamentos e conversa em torno do filme, meses depois do frenesim inicial nas salas de cinema.

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Para lá dos números, “Backrooms” tornou-se também um caso de estudo interessante sobre como um conceito nascido inteiramente da cultura de internet, sem qualquer ligação a propriedade intelectual pré-existente ou a uma franquia estabelecida, pode transformar-se num sucesso comercial de escala verdadeiramente massiva quando encontra o tratamento certo e o estúdio certo para o abraçar, algo que a A24 tem vindo a demonstrar ser particularmente hábil a fazer nos últimos anos.

Mike Leigh vence a Concha de Ouro em San Sebastián com “Tender Loving Care”, num possível ponto final de carreira

O Festival de San Sebastián encerrou a sua 74ª edição a 26 de setembro com a Concha de Ouro de Melhor Filme entregue a “Tender Loving Care”, do veterano realizador britânico Mike Leigh, que venceu ainda o prémio de Melhor Argumento pelo mesmo filme. O prémio de Melhor Interpretação Principal foi para Kate O’Flynn, também por este filme, partilhado com Asta Kamma August, por “Growth of the Soil”, de Hans Petter Moland, produção que arrecadou ainda o prémio de Melhor Fotografia para o diretor de fotografia Oskar Dahlsbakken. Já a Concha de Prata de Melhor Realização foi para a sueca Amanda Kernell, por “Brace Your Heart”.

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“Tender Loving Care” é um drama intimista centrado em quatro personagens: as amigas Amy e Rosie, e os pais já idosos de Amy, com o elenco a incluir Marion Bailey, Paul Jesson e Alice Bailey Johnson além da já mencionada Kate O’Flynn. É um retrato dos cuidados familiares e sociais que se prestam entre gerações, um território temático que já não é novo na obra de Leigh, mas que aqui ganha um peso adicional dado o contexto pessoal em que o filme chega ao público: o próprio realizador, hoje com 83 anos, afirmou que este será “muito provavelmente” o seu último filme, devido a desafios físicos relacionados com a sua saúde.

O filme teve a sua estreia mundial no Festival de Telluride, a 4 de setembro, tendo passado depois pela secção Special Presentations do TIFF antes de chegar a San Sebastián para fechar o festival com este reconhecimento maior. Este percurso por três dos festivais mais respeitados do calendário de outono sublinha o peso que a obra de Leigh continua a ter junto da crítica internacional, mais de cinco décadas depois de ter começado a fazer cinema, com títulos incontornáveis como “Segredos e Mentiras” (vencedor da Palma de Ouro em 1996) e “Vera Drake” (Leão de Ouro em Veneza, em 2004) no currículo.

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Este desfecho em San Sebastián junta-se, na mesma edição, à dupla vitória de “La Bola Negra” nos prémios de público (já aqui noticiada separadamente), confirmando uma 74ª edição particularmente rica em títulos que conquistaram tanto o júri especializado como o público em geral, um equilíbrio nem sempre fácil de alcançar num só festival.

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Se de facto se confirmar como o encerramento da carreira de um dos realizadores mais influentes do cinema britânico das últimas décadas, “Tender Loving Care” ganha um significado adicional que extravasa em muito o prémio recebido, tornando-se também uma espécie de testamento artístico de um cineasta conhecido pela sua abordagem única de trabalho com atores, construída sempre através de longos períodos de improvisação e ensaio antes de qualquer filmagem.

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Tínhamos apontado aqui “I Play Rocky” como o grande favorito ao People’s Choice Award do TIFF, mas o público de Toronto decidiu de forma diferente: o prémio foi para “La Bola Negra” (“The Black Ball”), de Javier Calvo e Javier Ambrossi, a dupla espanhola conhecida como Los Javis, deixando a biografia de Sylvester Stallone e “Being Heumann”, de Siân Heder, no lugar de finalistas. E a história não ficou por aí: dias depois, o mesmo filme venceu também o Prémio do Público em San Sebastián, com uma pontuação recorde de 9,40, a nota mais alta de sempre atribuída a um filme espanhol nesta categoria, um feito que vem acompanhado de um prémio de 50 mil euros para a distribuidora.

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Esta dupla vitória confirma uma trajetória que já vinha a construir-se desde a estreia mundial em Cannes, onde “La Bola Negra” recebeu uma ovação em pé de 16 a 20 minutos (consoante a fonte), uma das mais longas do festival este ano, com Penélope Cruz, presente na sessão apesar do seu papel reduzido no filme, visivelmente emocionada perante a reação da plateia.

O filme é uma épica queer que atravessa 85 anos de história espanhola, inspirada num fragmento inacabado do poeta e dramaturgo Federico García Lorca. A estrutura narrativa alterna entre 1933 (a época do próprio Lorca), 1962 (a Espanha do pós-guerra civil, sob a ditadura franquista) e o presente, usando personagens masculinas interligadas ao longo destas três linhas temporais para explorar temas de desejo, herança e sobrevivência ao longo de quase um século de história espanhola. O elenco reúne, além de Cruz, nomes como Miguel Bernardeau, o cantor Guitarricadelafuente e Glenn Close, uma combinação pouco habitual de estrelas espanholas e internacionais para um projeto desta ambição.

Este Top 10 da Netflix Tem 7 Línguas Diferentes

A Netflix, que já tinha travado uma verdadeira guerra de licitações por este filme logo a seguir a Cannes, detém os direitos para os Estados Unidos e prepara uma estratégia de distribuição híbrida: uma exibição exclusiva nos cinemas de 47 dias a partir de 16 de outubro, antes da estreia na própria plataforma a 2 de dezembro, um modelo pensado precisamente para capitalizar ao máximo no boca-a-boca gerado por este percurso extraordinário de festivais.

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Com dois dos prémios de público mais importantes do calendário de outono já conquistados, e uma campanha de Cannes que já se tinha tornado viral pela duração da ovação, “La Bola Negra” surge agora como um dos nomes mais falados da temporada de prémios que se aproxima, com Los Javis a confirmarem-se como uma das vozes mais ousadas e ambiciosas do cinema espanhol contemporâneo.

Faltam poucos dias: candidaturas ao Montanha Pico Festival e aos Prémios Audiovisuais Açorianos encerram a 1 de outubro

Fica o lembrete para quem ainda não submeteu o seu trabalho: encerram já esta quinta-feira, dia 1 de outubro, as candidaturas de filmes para a competição da 13ª edição do Montanha Pico Festival, bem como as candidaturas aos Prémios Audiovisuais Açorianos (PAA), que este ano se realizam pela primeira vez integrados no próprio festival, através do Encontro Audiovisual Açoriano, de periodicidade bienal.

Como o próprio diretor artístico do festival, Terry Costa, resume, “são duas oportunidades no sector audiovisual que ainda estão abertas”. Para a competição do festival, são bem-vindos filmes de qualquer parte do mundo que abordem a temática ou o cenário montanhoso, sem restrições geográficas. Já os PAA seguem um critério diferente, especificamente açoriano mas muito mais abrangente em termos de formato: aceitam-se candidaturas de produtores, cineastas, empresas de audiovisual ou dos próprios artistas, cobrindo videoclipes musicais, publicidade comercial, institucional ou empresarial, documentários e obras de ficção, sem outro requisito geográfico além da ligação aos Açores. As submissões podem ser feitas via correio eletrónico para [email protected] ou, no caso específico de filmes para o festival, através da plataforma internacional FilmFreeWay.

Este prazo chega numa altura em que o programa da 13ª edição, que decorre entre 8 e 29 de janeiro de 2027 na ilha do Pico, já conta com várias confirmações de peso anunciadas nas últimas semanas: a sessão de abertura, a 8 de janeiro no Auditório da Madalena, está entregue ao cineasta João Botelho, que apresenta pessoalmente “As Meninas Exemplares”, enquanto “Honeyjoon”, o filme americano de Lilian T. Mehrel filmado integralmente em São Miguel, tem também exibição confirmada logo na noite de abertura, pela primeira vez em sessão dupla. A esta lista junta-se agora “The Love That Remains”, do islandês Hlynur Pálmason, grande vencedor dos Edda Awards deste ano, com exibição marcada para 9 de janeiro.

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Para quem ainda pondera submeter um trabalho, vale a pena recordar que tanto o festival como os PAA representam, segundo o próprio diretor artístico, duas das poucas janelas de visibilidade e reconhecimento formal disponíveis atualmente para a produção audiovisual feita nos Açores, desde os formatos mais comerciais até à ficção e ao documentário de autor, o que reforça a importância de não deixar passar o prazo desta quinta-feira.

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Para mais informações e futuras confirmações de programação, o site oficial do festival e a respetiva página de Facebook continuam a ser as fontes de referência mais atualizadas.

Este Top 10 da Netflix Tem 7 Línguas Diferentes

O Top 10 de séries da Netflix desta semana fala sete línguas diferentes: turco, italiano, holandês, polaco, português do Brasil, espanhol e inglês. Num top dominado durante anos por produções americanas, a lista de hoje é um retrato de como a Netflix já constrói êxitos globais a partir de qualquer parte do mundo.

1. Monster: The Lizzie Borden Story

Quarta temporada da antologia “Monster”, de Ryan Murphy e Ian Brennan, com Ella Beatty no papel de Lizzie Borden, acusada e absolvida em 1892 do assassinato a machadadas dos pais em Fall River, Massachusetts. É a primeira vez que a antologia dedica uma temporada a uma assassina mulher. Reuniu doze milhões e cem mil visualizações nos primeiros quatro dias, tornando-se de imediato o título mais visto da plataforma.

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2. Not a Stranger

Thriller psicológico turco, realizado por Mert Baykal, com Elçin Sangu, Melis Sezen e Ozan Dolunay. Uma mãe recente que tenta voltar à pintura contrata uma ama enigmática, cuja chegada revela um caso antigo entre ela e o marido. É o número um mundial em vinte países, incluindo Turquia, Argentina, Egito, Marrocos, Panamá e Venezuela.

3. Crew Girl

Série adolescente canadiana sobre desporto, com oito episódios, à volta de Teagan Tao, uma remadora de dezasseis anos que muda de costa depois de um escândalo de família e, sem equipa feminina de remo na nova escola, se torna timoneira da equipa masculina, notoriamente caótica. Já foi renovada para uma segunda temporada.

4. Minerva Academy

Drama de mistério italiano com oito episódios, filmado em Nápoles e arredores, sobre um cadete de um liceu militar que procura respostas para o desaparecimento de um amigo, entre disciplina, rivalidade e pressão familiar.

5. The Gentlemen

Série britânica de Guy Ritchie, spin-off do universo do filme homónimo, já com noventa e dois dias consecutivos no Top 10, de longe o título mais duradouro desta lista.

6. The Perfect Lie

Drama holandês em sete episódios, baseado no romance de Saskia Noort, sobre quatro casais aparentemente perfeitos obrigados a repensar tudo o que julgavam saber uns dos outros depois de um incêndio fatal. Já apontada como a melhor série holandesa de 2026.

7. Habeas Corpus

Primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix, com Marjorie Estiano e Any Gabrielly, sobre uma professora de direito que lidera um grupo de revisão de condenações injustas, inspirado no trabalho real da Innocence Project Brasil.

8. The Doll

Minissérie histórica polaca, adaptada do romance de Bolesław Prus, sobre um comerciante que fica obcecado por uma aristocrata fria, num retrato das divisões sociais da Polónia sob domínio russo.

9. Physical 100: Mexico

Segunda adaptação nacional do formato sul-coreano de competição física, depois da versão italiana, reunindo cem concorrentes mexicanos, entre lutadores de luta livre, olímpicos e atletas de crossfit, lançada a coincidir com o Dia da Independência do México.

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10. Wonka’s The Golden Ticket

Reality show baseado em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, com doze concorrentes a competir por um prémio avaliado em três milhões de dólares, numa réplica gigante da fábrica construída na Austrália. A voz de Willy Wonka foi recriada por inteligência artificial a partir da de Gene Wilder, com autorização do espólio do ator, uma escolha que dividiu a crítica.

O Pódio Mudou Todo… Mas 7 dos 10 Filmes São os Mesmos de Há 2 Semanas

O pódio do Top 10 de filmes da Netflix mudou por completo esta semana, com três estreias a ocupar os três primeiros lugares. Mas a partir do quarto lugar, a lista é praticamente a mesma que esta redação assinalou há duas semanas: sete dos dez filmes já lá estavam, só com mais dias de chart.

1. Best of the Best

Comédia de dança realizada por Prashanth Venkataramanujam e escrita com Hasan Minhaj, que também integra o elenco. Segue duas melhores amigas, Maya e Anjali, que se juntam à equipa de dança de fusão bollywood da UCLA e descobrem que o caminho até ao campeonato nacional é muito mais implacável do que imaginavam. Inspirado nas competições universitárias que os próprios argumentistas frequentaram em jovens. Recebeu críticas globalmente positivas, embora alguma imprensa aponte tropeços no ritmo da história.

2. Superman

O regresso do Homem de Aço aos cinemas, realizado por James Gunn, com David Corenswet no papel principal, ao lado de Rachel Brosnahan como Lois Lane e Nicholas Hoult como Lex Luthor. Kal-El vê-se envolvido num conflito internacional entre dois países, ao mesmo tempo que tenta equilibrar a herança kryptoniana com a vida humana na Terra. Estreou nos cinemas em julho de 2025 e chegou agora ao catálogo da Netflix em Portugal.

3. The Judge

Drama judicial de 2014, com Robert Downey Jr. e Robert Duvall. Um advogado de defesa bem-sucedido de Chicago regressa à cidade natal depois da morte da mãe, para descobrir que o pai, um juiz respeitado, é suspeito de homicídio, um caso que obriga pai e filho a confrontarem uma relação há muito desgastada.

4. The Whisper Man

Thriller policial com Robert De Niro e Adam Scott, sobre um pai e um filho ligados à investigação de um serial killer, catorze dias depois da estreia continua no top.

5. The Secret Woman

Thriller dinamarquês sobre uma mulher confrontada com uma identidade que não reconhece, e uma vida inteira de que não se lembra.

6. Why Did I Get Married Again?

Terceiro filme da franquia de comédia de Tyler Perry, com o elenco original reunido para um casamento em Lake Como, quase vinte anos depois do filme que deu início à saga.

7. Despicable Me 4

Quarto filme da saga de animação “Gru”, um dos títulos mais recorrentes do catálogo desde a estreia na plataforma.

8. The Little Things

Thriller policial de 2021 com Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto, sobre a investigação de uma série de homicídios em Los Angeles nos anos noventa.

9. Go Team!

Comédia negra espanhola sobre um retiro de team building numa fábrica de queijo em dificuldades, que acaba por revelar despedimentos em massa.

10. Novocaine

Comédia de ação com Jack Quaid no papel de um bancário incapaz de sentir dor, que usa essa condição como arma para tentar salvar a pessoa por quem está apaixonado.

“Assalto a Apollo” estreia no TVCine: o spin-off de Gerard Butler regressa com um vírus mortal e mais escala de ação

Estreia dia 29 de setembro, no TVCine Edition e no TVCine+, “Assalto a Apollo”, a segunda temporada do spin-off televisivo criado a partir da saga de ação protagonizada por Gerard Butler nos cinemas (“Olympus Has Fallen”, “London Has Fallen” e “Angel Has Fallen”). Os novos episódios chegam semanalmente às terças-feiras, às 22h10.

A série dá continuidade a “Assalto a Paris” (título original “Paris Has Fallen”), que introduziu a dupla central desta versão televisiva da franquia: Zara Taylor, agente do MI6, e Vincent Taleb, ex-agente da proteção francesa, interpretados respetivamente por Ritu Arya (conhecida de “The Umbrella Academy”) e Tewfik Jallab (de “Spiral”). Nesta nova missão, que os leva da costa da Líbia às ruas de Madrid, um sequestro transforma-se numa conspiração muito mais vasta e obscura, obrigando a dupla a enfrentar mercenários implacáveis, os seus próprios traumas por resolver, e um vilão particularmente ameaçador, o líder mercenário Yuri Mishkin, enquanto um vírus mortal ameaça alastrar-se por toda a Europa.

A criação da série está a cargo de Howard Overman, argumentista com um currículo já reconhecido em séries como “Misfits” e “War of the Worlds”, e a produção é assinada pela Studiocanal, um selo que tem vindo a apostar consistentemente nesta reformulação televisiva da saga cinematográfica de Butler, com produção de valores elevados que procura replicar a espetacularidade dos filmes originais dentro do formato serializado. Segundo relatos da imprensa francesa, onde a série já estreou em setembro no Canal+, esta segunda temporada representa uma escalada clara de ambição em relação à anterior: mais cenas de ação em grande escala, incluindo a queda de um avião no Mediterrâneo e um cerco nas montanhas galesas, um salto de escala que os próprios responsáveis descrevem como a temporada mais intensa da franquia até à data.

Vale, no entanto, ser transparente quanto à receção crítica na França: as primeiras críticas após a estreia em Canal+ foram distintamente mistas, com pelo menos uma análise a descrever a temporada como uma deceção, apontando para uma interpretação pouco convincente, um argumento com fragilidades e efeitos especiais aquém do que seria de esperar de uma produção com esta ambição visual. Isto não invalida, porém, o apelo do género para os fãs da fórmula puramente escapista da saga “Has Fallen”, que continua a ter uma base de público fiel tanto no cinema como agora em formato de série.

Um dado que talvez interesse aos fãs mais entusiastas: já está confirmada e em produção uma terceira temporada, “Shadow Has Fallen”, desta vez centrada na África Austral e com a guerra cibernética como ameaça central, somando ao elenco nomes como Iwan Rheon (de “Game of Thrones”) e Brendan Coyle (de “Downton Abbey”), sinal de que a Studiocanal está a apostar de forma continuada nesta expansão televisiva da franquia, independentemente da receção mais dividida por parte da crítica.

O Realizador Mais Violento de Hollywood Fez um Filme Tipo Disney (e Tem 96%)

David Ayer passou a carreira a filmar violência urbana e caos policial, de “Fury” a “Suicide Squad”. Em “Heart of the Beast”, muda de registo por completo: um veterano das forças especiais e o seu cão, perdidos no Alasca, num filme que a crítica já comparou a um clássico da Disney. Não é a única surpresa da semana: o Matthew McConaughey regressa à representação depois de cinco anos de pausa, e escolheu para isso não um blockbuster, mas um pequeno filme sobre mel e rivalidades no interior do Oklahoma, com argumento escrito pelo próprio realizador de “John Wick” para outra das estreias.

Heart of the Beast

Thriller de sobrevivência realizado por David Ayer, com Brad Pitt, J. K. Simmons e Anna Lambe. Um antigo soldado das Forças Especiais fica preso na selva do Alasca depois de um acidente de avião, e tenta sobreviver com a ajuda do cão de combate que o acompanhava. Pitt e Ayer produzem o filme em conjunto, na segunda colaboração dos dois depois de “Fury” (2014), mas desta vez a crítica destaca precisamente o contraste: um realizador conhecido pelo niilismo urbano a assinar algo próximo, em forma e espírito, de um filme de aventura familiar à antiga, quase um regresso ao cinema de sobrevivência clássico que já não se faz tanto. É já o filme mais bem cotado de toda a carreira de Ayer: 96% no Rotten Tomatoes e 70 no Metacritic. Distribuído pela NOS Audiovisuais.

Os Rivais de Amziah King (The Rivals of Amziah King)

Thriller policial realizado por Andrew Patterson, com Matthew McConaughey, Kurt Russell e Angelina LookingGlass. Nas zonas rurais do Oklahoma, um apicultor carismático que também lidera uma banda de bluegrass vê o regresso da filha adotiva ameaçado pela concorrência implacável do negócio de mel. É o filme que trouxe McConaughey de volta à representação depois de cinco anos afastado das câmaras, escolhido deliberadamente pelo ator como um projeto pequeno e pessoal, em vez de um regresso em grande escala. Estreou no SXSW em 2025 e a crítica descreve-o como um “género indefinível”, um cruzamento entre western, thriller e drama musical que a Roger Ebert.com já chamou de “novo clássico americano”. Tem 97% no Rotten Tomatoes e 8,0 no IMDb, a nota mais alta de toda esta lista de estreias.

A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta (Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom)

Terceiro filme de animação em stop-motion da Aardman sobre a Ovelha Choné, realizado por Matthew Walker e Steve Cox. O Halloween na quinta de Mossy Bottom corre mal quando o fazendeiro desaparece e um misterioso monstro peludo começa a rondar a zona, depois de uma troca de poções que o transforma, sem que ninguém saiba, num Pé Grande à solta. Já estreou no Reino Unido a 18 de setembro, onde a crítica o descreveu como “um regalo antecipado de Halloween”, ideal para ver em família antes da própria época assombrada chegar a Portugal. Tem 98% no Rotten Tomatoes e 80 no Metacritic, a nota mais alta de toda a trilogia da Ovelha Choné. Distribuído pela NOS Audiovisuais.

Normal

Thriller de ação e crime realizado por Ben Wheatley, escrito por Derek Kolstad, o argumentista responsável pela saga “John Wick”, com Bob Odenkirk, Henry Winkler e Lena Headey. Um xerife interino de uma cidade tranquila do Minnesota vê-se no meio de um submundo criminoso perigoso depois de um assalto a banco. Já tinha estreado nos Estados Unidos em abril, e chega a Portugal cinco meses depois, com a crítica a destacar sobretudo o registo divertido de Odenkirk e a violência exagerada, quase caricatural, da encenação de Wheatley, uma combinação que promete aos fãs de ação a mesma adrenalina estilizada de “John Wick”, mas com humor mais seco. Tem 79% no Rotten Tomatoes e 6,6 no IMDb. Distribuído pela NOS Audiovisuais.

Natal Amargo (Amarga Navidad)

Melodrama psicológico realizado por Pedro Almodóvar, o vigésimo quarto filme da carreira do realizador, com Bárbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo, Patrick Criado, Milena Smit e Quim Gutiérrez. Uma diretora de publicidade refugia-se no trabalho depois da morte da mãe, numa história que se cruza com a de um cineasta em crise criativa, que começa a escrever um guião inspirado numa tragédia real e a transformar a protagonista, aos poucos, num reflexo de si próprio. Estreou no Festival de Cannes e chegou às salas espanholas em março, um dos títulos mais aguardados do ano para os fãs do realizador de “Dor e Glória” e “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”. Tem 91% no Rotten Tomatoes, 69 no Metacritic e 6,4 no IMDb. Distribuído pela Pris Audiovisuais.

Adolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma (Teenage Sex and Death at Camp Miasma)

Comédia de terror satírica realizada por Jane Schoenbrun, com Hannah Einbinder e Gillian Anderson. Uma argumentista é contratada para reviver uma franquia de terror decadente e viaja até um acampamento de verão abandonado para encontrar a atriz reclusa que interpretou a final girl do filme original. Abriu a secção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2026, o lugar de honra reservado aos filmes mais aguardados fora da competição principal, e venceu ali a Palma Queer. Por trás da paródia ao slasher, Schoenbrun usa o género para falar de disforia de género e de reconciliação com o próprio corpo, e o filme foi alargando salas nos Estados Unidos, semana após semana, justamente por causa do boca a boca. Tem 94% no Rotten Tomatoes, com estatuto de “Certified Fresh”. Distribuído pela No Comboio.

TVCine dedica um fim de semana inteiro a Éric Rohmer: 16 filmes para descobrir o mestre do intimismo francês

Nota rápida antes de mais: esta retrospetiva decorreu já ao longo deste fim de semana, sábado e domingo, no TVCine Edition, com a última sessão de hoje, “Encontros de Paris”, ainda por exibir às 22h. Mas vale a pena escrever sobre ela por dois motivos: quem tiver o TVCine+ pode ainda hoje apanhar essa última exibição, e a boa notícia é que a obra de Rohmer permanece disponível no streaming do serviço, na secção “Grandes Realizadores”, para quem quiser recuperar em catálogo o que perdeu na emissão linear.

Éric Rohmer (1920-2010), nascido Maurice Schérer, é uma das figuras mais singulares e paradoxalmente discretas da Nouvelle Vague francesa. Ao contrário de contemporâneos como Godard ou Truffaut, com quem partilhou as páginas dos Cahiers du Cinéma (que chegou a dirigir entre 1957 e 1963, depois de ter sido um dos fundadores da publicação que lhe deu origem, ainda com o nome de La Gazette du Cinéma), Rohmer construiu uma carreira avessa ao escândalo e ao gesto formal espetacular, preferindo um cinema de diálogo, de moral quotidiana e de pequenas decisões que definem vidas inteiras. Foi essa discrição, aliás, que o tornou uma figura quase mítica: chegou a dar informações contraditórias sobre a própria biografia, incluindo datas e locais de nascimento distintos consoante a fonte, como se preferisse manter para si o mistério que tão habilmente retirava das suas personagens.

A retrospetiva do TVCine percorre praticamente toda a sua filmografia, começando pelo primeiro longa-metragem, “O Signo do Leão” (1962), e avançando pelos dois grandes ciclos que viriam a definir a sua obra: os “Seis Contos Morais”, de que fazem parte “A Colecionadora”, “A Minha Noite em Casa de Maud” e “O Joelho de Claire”, filmes que exploram a tensão entre desejo, tentação e autocontrolo moral através de protagonistas que passam mais tempo a racionalizar as suas paixões do que a agir sobre elas; e as “Comédias e Provérbios”, de que se destacam “A Mulher do Aviador”, “O Bom Casamento”, “Paulina na Praia” e “Noites de Lua Cheia”, ciclo em que Rohmer aprofunda ainda mais o retrato de personagens femininas complexas em busca de autonomia sentimental.

Um dos pontos altos da seleção é, sem dúvida, “O Raio Verde” (1986), vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza (e ainda do Prémio FIPRESCI nesse mesmo ano), um retrato de solidão estival filmado quase inteiramente em 16mm e construído sobre diálogo largamente improvisado, uma das obras-primas incontestáveis do ciclo “Comédias e Provérbios”. A retrospetiva inclui ainda incursões fora do registo mais habitual do realizador, como a adaptação medieval “Perceval, O Galês” (1978), inspirada em Chrétien de Troyes, e “A Marquesa d’O” (1979), adaptação do escritor alemão Heinrich von Kleist, ambas a provar que Rohmer, apesar de indelevelmente associado ao retrato do amor contemporâneo francês, também sabia arriscar-se em território literário e histórico bem mais distante da sua zona de conforto habitual.

Para quem nunca viu um filme de Rohmer, este é o momento ideal para uma introdução em grande escala a um cineasta cuja influência se sente hoje, de forma direta ou indireta, em praticamente todo o cinema independente contemporâneo centrado em diálogo e relações humanas complexas, de Hong Sang-soo a Mia Hansen-Løve, passando por Richard Linklater.

“De Gaulle: Resistência” chega aos cinemas portugueses depois de uma ovação em pé em Cannes

Estreia a 8 de outubro nos cinemas portugueses “De Gaulle: Resistência”, a primeira parte de um díptico épico francês sobre os anos decisivos de Charles de Gaulle durante a Segunda Guerra Mundial, realizado por Antonin Baudry e apresentado, fora de competição, no Festival de Cannes deste ano, onde foi amplamente descrito como um dos grandes êxitos populares da edição.

O Realizador Mais Violento de Hollywood Fez um Filme Tipo Disney (e Tem 96%)

O filme arranca em junho de 1940, no momento em que a França se desmorona perante o avanço alemão e assina o armistício que a Baudry retrata como a rendição de uma nação inteira. É nesse contexto de colapso quase total que De Gaulle, então um general praticamente desconhecido do grande público, foge para Londres recusando-se a aceitar a derrota, decidido a convencer o mundo de que a batalha por França está longe de terminada. Sem exército, sem apoio político significativo e sem qualquer garantia de sucesso, o general vai encontrando, pouco a pouco, o apoio de resistentes, estudantes e soldados dispostos a arriscar tudo pela causa, tanto em Inglaterra como em território francês e nas colónias africanas, um percurso construído sobre convicção quase irracional mais do que sobre qualquer vantagem estratégica real.

Simon Abkarian interpreta De Gaulle, e a sua prestação recebeu uma ovação em pé na apresentação em Cannes, com a crítica internacional a elogiar a forma como o ator captura as contradições emocionais por trás do mito, evitando cair na imitação mecânica do gesto e da voz que se tornaram tão associados à figura histórica. Simon Russell Beale, conhecido do público de “A Morte de Estaline”, interpreta Winston Churchill, e o elenco de apoio inclui ainda Niels Schneider, Thierry Lhermitte e Lambert Wilson. A produção é assinada por Antonin Baudry, antigo diplomata francês que já se tinha estreado na realização com “O Chamamento do Lobo” (2018), e que aqui assume uma escala de produção claramente inspirada na tradição clássica do cinema histórico de Hollywood, com uma ambição visual pouco comum na produção francesa recente.

Vale referir que este é apenas o primeiro de dois filmes: a segunda parte, intitulada “Liberté”, já estreou em França a seguir a esta primeira parte, cobrindo o período entre 1940 e 1944, sem confirmação ainda de data de chegada aos cinemas portugueses. As duas partes formam, em conjunto, aquilo que a crítica internacional já apelidou de “finalmente, um verdadeiro épico histórico francês”, um género que a produção nacional gaulesa raramente arrisca à escala em que este projeto o faz.

“Outlander: Blood of My Blood” T2 estreia hoje: a Rebelião Jacobita começa a sério no prequel da saga

Com distribuição confirmada pela NOS Audiovisuais, “De Gaulle: Resistência” chega a Portugal como uma das apostas mais ambiciosas do cinema histórico europeu deste ano, e uma oportunidade para o público português conhecer, num registo de grande espetáculo, um dos episódios fundacionais da história francesa do século XX.

“Outlander: Blood of My Blood” T2 estreia hoje: a Rebelião Jacobita começa a sério no prequel da saga

Estreia hoje, dia 18 de setembro, na Starz, a segunda temporada de “Outlander: Blood of My Blood”, o primeiro spin-off/prequela da saga “Outlander”, que continua a explorar as histórias de amor que deram origem aos pais dos protagonistas mais conhecidos da franquia original, Claire e Jamie Fraser. Tal como a temporada anterior, esta nova fornada tem 10 episódios, com o primeiro, intitulado “Remembrance Day”, já a assinalar uma mudança de tom significativa em relação à primeira temporada.

Wagner Moura Aparece 2 Vezes no Top 10 da HBO Max (De Formas Opostas)

A série mantém a estrutura de linha temporal dupla que já tinha caracterizado a primeira temporada: por um lado, acompanha-se Ellen MacKenzie (Harriet Slater) e Brian Fraser (Jamie Roy) na Escócia do século XVIII, os pais de Jamie; por outro, segue-se Julia Moriston (Hermione Corfield) e Henry Beauchamp (Jeremy Irvine) na Inglaterra da Primeira Guerra Mundial, os pais de Claire. É precisamente esta segunda linha temporal, a da guerra, que dá o mote ao arranque da nova temporada: segundo a sinopse oficial do primeiro episódio, as fogueiras já foram acesas pelas Terras Altas, amantes são forçados a separar-se, e o apelo às armas traz de volta amigos e inimigos, com a Rebelião Jacobita a começar verdadeiramente a tomar forma.

O elenco de apoio inclui ainda Tony Curran no papel de Lord Lovat, avô de Jamie Fraser, além de Rory Alexander como uma versão jovem de Murtagh Fitzgibbons Fraser e Séamus McLean Ross e Sam Retford como os irmãos Colum e Dougal MacKenzie, figuras que os fãs de longa data da série original conhecem bem já em idade adulta. A primeira temporada, estreada em agosto de 2025, foi renovada para esta segunda logo antes da estreia, sinal da confiança da Starz no potencial do projeto enquanto expansão natural de uma das franquias mais fiéis e duradouras da televisão, agora com mais de uma década de existência.

Para os fãs portugueses da saga original, “Outlander” tem historicamente encontrado casa em plataformas como a SkyShowtime, que desde 2022 distribui em Portugal grande parte do catálogo Universal, Paramount e Sky Studios, embora a disponibilidade específica desta segunda temporada do prequel em serviços portugueses deva ser confirmada junto de cada plataforma à medida que a estreia avança.

“MobLand” T2 estreia hoje no Sky Showtime, com Tom Hardy de volta apesar da polémica nos bastidores

Com o argumento a aproximar-se agora de um dos momentos mais determinantes da história escocesa moderna, esta segunda temporada promete finalmente ligar de forma mais direta os fios que os fãs da série original já conhecem de cor àquilo que só até agora se tinha sugerido nos bastidores emocionais das gerações anteriores.

Wagner Moura Aparece 2 Vezes no Top 10 da HBO Max (De Formas Opostas)

Wagner Moura ocupa duas posições do Top 10 de filmes da HBO Max esta semana, mas em papéis opostos: em “The Secret Agent” é o protagonista perseguido pela ditadura brasileira, e em “Marighella” está do outro lado da câmara, como realizador, sobre exatamente o mesmo tema. A lista traz ainda um pequeno reencontro com a atualidade: “Practical Magic”, o original de 1998, está de volta ao top na mesma semana em que a sequela, “Magia e Sedução: Segredos de Família”, estreou nos cinemas portugueses.

1. Supergirl

Filme do universo DC realizado por Craig Gillespie, com Milly Alcock no papel de Kara Zor-El, prima do Superman, ao lado de David Corenswet, Jason Momoa e Matthias Schoenaerts. Apesar de uma receção crítica fraca e de uma passagem discreta pelas salas, tornou-se o título mais visto da semana desde a estreia em streaming, a 10 de setembro.

2. The Secret Agent (O Agente Secreto)

Thriller político realizado por Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura no papel de Armando, um antigo professor a fugir da perseguição durante a ditadura militar brasileira. Venceu os prémios de Melhor Realizador e Melhor Ator em Cannes 2025, e reuniu quatro nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator.

3. Karate Kid: Legends

Sexto filme da saga “Karate Kid”, com Jackie Chan e Ralph Macchio a reencontrarem-se no ecrã, ao lado do novo protagonista Ben Wang. Realizado por Jonathan Entwistle, chegou às salas em maio de 2025, no primeiro regresso da franquia ao cinema desde 2010.

4. Band of Brothers: Legacy

Documentário realizado por Chase Millsap, produzido pela Playtone de Tom Hanks, a assinalar os vinte e cinco anos da minissérie “Band of Brothers”. Reúne imagens de arquivo inéditas e novas entrevistas com o elenco, incluindo Damian Lewis, Ron Livingston e David Schwimmer.

5. Bring Her Back

Filme de terror da A24, realizado pelos irmãos Danny e Michael Philippou, autores de “Talk to Me”. Com Sally Hawkins no papel de uma mãe adotiva com um ritual sinistro para trazer de volta a filha morta, é considerado o melhor filme de terror da produtora em 2025.

6. I Know What You Did Last Summer

Reboot do clássico de terror adolescente, realizado por Jennifer Kaytin Robinson, com Madelyn Cline e Chase Sui Wonders, e o regresso de Freddie Prinze Jr. e Jennifer Love Hewitt aos papéis originais. A ação decorre vinte e sete anos depois dos assassinatos do filme original.

7. Practical Magic

O filme original de 1998, com Sandra Bullock e Nicole Kidman no papel das irmãs Owens, está de volta ao Top 10 precisamente na semana em que a sequela, “Magia e Sedução: Segredos de Família”, estreou nos cinemas portugueses.

8. Our Friend

Drama biográfico de 2019, realizado por Gabriela Cowperthwaite, com Jason Segel, Dakota Johnson e Casey Affleck, baseado num artigo real da revista Esquire sobre um amigo que pausa a própria vida para apoiar um casal a braços com uma doença terminal.

9. Mother Mary

Drama psicológico da A24, escrito e realizado por David Lowery, com Anne Hathaway no papel de uma estrela pop em crise às vésperas de um regresso aos palcos, e Michaela Coel como a antiga colaboradora e amante com quem se reencontra.

10. Marighella

Estreia de Wagner Moura como realizador, com Seu Jorge no papel de Carlos Marighella, guerrilheiro e um dos principais opositores à ditadura militar brasileira. Baseado na biografia de Mário Magalhães, aplaudido de pé na estreia mundial no Festival de Berlim de 2019.

“MobLand” T2 estreia hoje no Sky Showtime, com Tom Hardy de volta apesar da polémica nos bastidores

Estreia hoje, dia 18 de setembro, a segunda temporada de “MobLand” no Sky Showtime, um dos maiores êxitos recentes da plataforma e mais uma prova da mão firme de Guy Ritchie, criador da série, no género do crime britânico com produção de prestígio. Os novos episódios chegam semanalmente às sextas-feiras, com final de temporada previsto para 20 de novembro, mantendo o formato de 10 episódios já usado na primeira temporada.

Netflix estreia duas apostas internacionais no mesmo dia: Taiwan e Japão em destaque com “The Fixers” e “Plastic Beauty”

“MobLand” estreou em março de 2025 e foi, praticamente de imediato, um fenómeno para os padrões do Paramount+: a estreia bateu o recorde da plataforma para o maior lançamento global de uma série, com 2,2 milhões de espectadores só no primeiro dia, acumulando depois mais de 26 milhões de visualizações ao longo da primeira temporada, além de uma cotação sólida de 77% no Rotten Tomatoes. A história acompanha Harry Da Souza (Tom Hardy), o fixer de confiança da família Harrigan, um império do crime liderado pelo patriarca Conrad (Pierce Brosnan) e pela matriarca Maeve (Helen Mirren). Nesta segunda temporada, a família enfrenta novas ameaças, com rivalidades externas a juntarem-se a tensões cada vez mais visíveis dentro da própria estrutura de poder interna.

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Vale a pena, no entanto, contextualizar esta estreia com algo que marcou a produção da temporada nos últimos meses: surgiram relatos, avançados inicialmente pela imprensa norte-americana, de tensões consideráveis nos bastidores envolvendo Tom Hardy, incluindo alegadas chegadas tardias ao set, longos períodos fechado no seu camarim enquanto a restante equipa aguardava, e desentendimentos com produtores sobre alterações não aprovadas ao guião. Chegou a especular-se sobre um possível afastamento do ator da série. A situação, porém, evoluiu de forma distinta: Pierce Brosnan e Helen Mirren vieram publicamente defender o colega de elenco face às acusações, e a própria Paramount confirmou entretanto que Hardy não só continua na série como já está confirmado para a terceira temporada, entretanto também já encomendada, um sinal de que, apesar do episódio, a confiança da plataforma na fórmula (e no ator) permanece intacta.

Este tipo de atrito nos bastidores, ainda que desconfortável, não é propriamente incomum em produções deste calibre e orçamento, e raramente compromete o produto final tal como chega ao espectador. Para os fãs da série, o que importa de facto é que a equipa central se mantém unida à frente das câmaras, e que Ritchie continua a explorar com sucesso este território de crime familiar de alta produção, uma área onde já provou dominar a fórmula tanto em cinema como em televisão.

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Com a Paramount+ a apostar forte na continuidade da franquia, e uma terceira temporada já confirmada antes mesmo da estreia desta segunda, “MobLand” consolida-se como um dos pilares do catálogo original da plataforma para os próximos anos.

Netflix estreia duas apostas internacionais no mesmo dia: Taiwan e Japão em destaque com “The Fixers” e “Plastic Beauty”

A 17 de setembro, a Netflix lançou simultaneamente duas séries de produção asiática original, mais um sinal do investimento continuado da plataforma em conteúdo internacional fora do eixo tradicional de produção americana e europeia. Taiwan e Japão são, desta vez, os territórios em destaque, com duas propostas de género bastante diferentes entre si.

The Fixers

Produção taiwanesa com 10 episódios, “The Fixers” segue um ex-gangster falido que é recrutado para uma organização secreta que opera a partir de um templo centenário em Taiwan. Aí, é emparelhado com um herdeiro político privilegiado, e juntos os dois ficam encarregados de resolver os problemas mais sujos de clientes de ambos os lados da lei, sejam eles criminosos, políticos ou elites empresariais incapazes de lidar sozinhos com as suas próprias complicações. A combinação entre o protagonista caído em desgraça e o parceiro bem-nascido e inexperiente promete gerar a fricção de personagens que costuma sustentar este tipo de série de crime com tempero de comédia, um género que a Netflix tem cultivado com sucesso assinalável em produções asiáticas dos últimos anos, seguindo a esteira de êxitos anteriores da plataforma na região.

Guy Ritchie reúne Cumberbatch, Rosamund Pike e Anthony Hopkins no primeiro teaser de “Wife & Dog”

Plastic Beauty

Já “Plastic Beauty”, produção japonesa protagonizada por Mayu Matsuoka e Riisa Naka, segue Fumi, uma talentosa cirurgiã de urgências que é empurrada, não inteiramente por vontade própria, para o mundo da medicina estética. A série usa esse ponto de partida para explorar o choque de valores entre duas visões antagónicas da cirurgia: a de Fumi, que a entende como ferramenta exclusivamente destinada a tratar problemas médicos concretos, e a de uma médica-celebridade estabelecida no meio da estética, cuja relação com Fumi acaba por expor a ganância e o desejo escondidos por trás do glamour da indústria da beleza. É um tema que, sem surpresa, ressoa com conversas muito atuais sobre padrões de beleza inatingíveis e a normalização da cirurgia estética, incluindo no próprio Japão, onde a pressão social em torno da aparência tem sido cada vez mais discutida publicamente nos últimos anos.

Zoë Kravitz caça Nicholas Hoult num assalto transmitido em direto: segundo trailer de “How to Rob a Bank” já disponível

Tomadas em conjunto, as duas estreias ilustram bem a estratégia da Netflix de diversificar geograficamente o seu catálogo, apostando em mercados como Taiwan e Japão não apenas para consumo doméstico local, mas como produtos pensados para circulação global dentro da plataforma, à boleia do sucesso que fenómenos coreanos e japoneses anteriores já demonstraram ser possível conquistar junto de audiências ocidentais. Ambas as séries estão já disponíveis para visualização em Portugal.

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Guy Ritchie reúne Cumberbatch, Rosamund Pike e Anthony Hopkins no primeiro teaser de “Wife & Dog”

A Black Bear Pictures divulgou esta semana o primeiro teaser de “Wife & Dog”, o novo thriller escrito e realizado por Guy Ritchie, que volta a explorar o território da aristocracia britânica e das suas rivalidades internas, um terreno que já lhe tinha rendido bons resultados critícos e comerciais com “The Gentlemen”.

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A história segue a família Fairbank, cuja ganância desenfreada numa disputa de sucessão desencadeia uma perigosa cadeia de traições e assassinatos dentro do mundo requintado e implacável da aristocracia britânica. O teaser, com narração de Anthony Hopkins, mostra vislumbres rápidos do filme: Rosamund Pike sentada a um jantar formal luxuoso, um corpo que dá à costa como ponto de partida do mistério, e tanto Pike como Benedict Cumberbatch com expressões de tensão evidente, este último envolvido numa luta física particularmente brutal antes de puxar o gatilho de uma arma. É um teaser que promete um tom sombrio e um ritmo elegante, consistente com a assinatura visual de Ritchie nos últimos anos.

O elenco é um dos mais fortes reunidos recentemente para um projeto do género: além de Cumberbatch, Pike e Hopkins, o filme conta ainda com Cosmo Jarvis, James Norton e Paddy Considine, um conjunto de nomes que por si só já garante peso dramático suficiente para sustentar uma trama de traições familiares e jogos de poder.

“A Revolta”: Andrew Garfield lidera a rebelião medieval de Paul Greengrass, mas o filme já tropeçou nos Estados Unidos

Há, no entanto, uma nota importante a fazer sobre o calendário: “Wife & Dog” deveria originalmente estrear ainda este ano, mas viu a sua data de lançamento adiada para 19 de fevereiro de 2027. Adiamentos deste tipo são relativamente comuns quando os estúdios decidem reposicionar estrategicamente um filme longe da concorrência mais direta da temporada de prémios de inverno, ou quando ainda decorrem ajustes finais em pós-produção, mas nenhum motivo específico foi avançado publicamente para este caso em particular.

Para os fãs de Ritchie, este anúncio chega numa altura em que o realizador continua num dos momentos mais produtivos da sua carreira, tendo já renovado “The Gentlemen” para uma segunda temporada na Netflix (já aqui noticiada anteriormente), e reforça a sua reputação recente como um dos nomes mais fiáveis do género de thriller britânico com elenco de estrelas, um nicho que soube conquistar e cultivar sistematicamente na última década.

“Transformers: O Filme” celebra 40 anos com reedição nos cinemas, mas Portugal pode ficar de fora da festa

Com quase cinco meses ainda pela frente até à estreia, é natural esperar mais material promocional nos próximos tempos, incluindo muito provavelmente um trailer completo que aprofunde melhor a intriga por trás desta guerra de sucessão familiar.

Zoë Kravitz caça Nicholas Hoult num assalto transmitido em direto: segundo trailer de “How to Rob a Bank” já disponível

Foi divulgado esta semana o segundo trailer de “How to Rob a Bank”, a nova comédia de ação de David Leitch, o realizador responsável por êxitos do género como “Bullet Train”, “Deadpool 2” e “The Fall Guy”, conhecido pela sua capacidade de equilibrar humor, espetáculo físico e um ritmo vertiginoso, marca que volta a ser evidente neste novo material promocional.

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O filme segue um grupo de assaltantes de bancos com uma particularidade muito da era das redes sociais: filmam os próprios assaltos e transmitem-nos em direto na internet. A ideia, segundo a premissa do filme, nasce de uma motivação que se pretende quase de crítica social, os membros do grupo dizem fazê-lo para expor aquilo que consideram a corrupção do sistema financeiro, mas a exposição mediática que ganham rapidamente os transforma em fenómeno viral, atraindo tanto seguidores entusiasmados como as atenções muito menos simpáticas de um agente veterano do FBI e de uma tenaz engenheira informática decidida a identificar cada um dos membros do bando.

Nicholas Hoult interpreta Ryan, e Zoë Kravitz dá corpo a Reagan Gardner, a personagem que no trailer surge a perseguir de perto o grupo liderado por Hoult. O elenco alargado é um dos grandes trunfos do projeto: Anna Sawai, Rhenzy Feliz, Christian Slater, Pete Davidson, John C. Reilly, Michael Gandolfini, Sam Lerner e Tati Gabrielle completam um grupo de intérpretes suficientemente vasto para sugerir uma comédia coral cheia de personagens memoráveis, à semelhança do que Leitch já tinha conseguido em projetos anteriores.

“Monster: A História de Lizzie Borden” já está na Netflix, e a crítica rendeu-se a Ella Beatty

O filme tinha inicialmente uma data de estreia diferente, mas acabou por ser reagendado para 13 de novembro de 2026 nos Estados Unidos, um adiamento relativamente comum em produções deste porte quando o estúdio decide reposicionar estrategicamente o lançamento no calendário de outono, longe de concorrência direta demasiado forte. O primeiro trailer, lançado em junho, já tinha gerado bastante entusiasmo online pela química aparente entre Hoult e Kravitz e pelo tom irreverente da premissa; este segundo trailer aprofunda mais a mecânica do enredo e apresenta com mais destaque as personagens de apoio, sinal de que o marketing do filme está a entrar agora na fase de construção de expectativa mais intensa antes da estreia.

“A Revolta”: Andrew Garfield lidera a rebelião medieval de Paul Greengrass, mas o filme já tropeçou nos Estados Unidos

Ainda não há data de estreia confirmada para Portugal, mas dada a dimensão do elenco e o histórico comercial de Leitch nos últimos anos, é expectável que o filme chegue às salas portuguesas num calendário próximo do lançamento americano.

“Transformers: O Filme” celebra 40 anos com reedição nos cinemas, mas Portugal pode ficar de fora da festa

Esta semana assinala-se um marco de nostalgia para gerações de fãs dos Transformers: “The Transformers: The Movie”, o clássico animado de 1986, regressa às salas de cinema em versão restaurada em 4K, para celebrar os seus 40 anos, através de uma parceria entre a Hasbro e a distribuidora Fathom Entertainment. As exibições especiais decorrem entre 17 e 22 de setembro, coincidindo simbolicamente com o “Transformers Day”, e surgem no mesmo mês em que já tínhamos noticiado aqui o especial de sagas animadas que inclui “Transformers: O Início”, o que torna esta semana particularmente boa para os fãs da franquia acompanharem toda a linha do tempo, do Cybertron das origens ao clássico oitentista que grande parte do público mais veterano viu pela primeira vez em criança.

Os Emmys de 2026 já têm vencedores: “Widow’s Bay” bate recorde, Matthew Rhys faz história dupla

O filme de 1986 é hoje recordado com carinho por várias razões, entre as quais um elenco de vozes lendário que incluía Orson Welles, na sua última interpretação antes de morrer, e Leonard Nimoy, além de uma banda sonora de rock de arena muito representativa da estética da década. A reedição não se limita a mostrar o filme original remasterizado: cada sessão inclui ainda a estreia mundial de “Optimus Prime: Awakening”, uma curta-metragem inédita em animação CG criada especificamente para este evento, funcionando como uma espécie de presente extra para quem decidir voltar às salas só para reviver este clássico. Este ano, a reedição inclui ainda uma cena pós-créditos totalmente nova, ausente da versão original de 1986.

“A Revolta”: Andrew Garfield lidera a rebelião medieval de Paul Greengrass, mas o filme já tropeçou nos Estados Unidos

Fica, no entanto, um esclarecimento importante para o público português: a expansão internacional confirmada desta reedição, para já, cobre mercados como o Reino Unido, a Irlanda, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, o México e a Alemanha, além, claro, dos Estados Unidos, mas não há, até ao momento, confirmação de que Portugal esteja incluído neste calendário de exibições especiais. Vale a pena, por isso, os fãs portugueses mais entusiasmados acompanharem os anúncios das salas de cinema locais nos próximos dias, mas sem garantias de que esta onda de nostalgia particular chegue, pelo menos nesta fase, às salas portuguesas.

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Ainda assim, a notícia serve como bom pretexto para revisitar a genuína importância histórica deste filme dentro da cultura pop: “The Transformers: The Movie” foi, na sua época, um dos primeiros longas de animação a assumir riscos narrativos pouco habituais em produtos dirigidos nominalmente a um público infantil, incluindo a morte de personagens centrais da série original, uma decisão que gerou traumas de infância que ainda hoje são recordados (e usados como piada) por fãs de longa data, e que a Hasbro tem vindo a explorar comercialmente através da chamada “Apology Tour”, uma iniciativa humorística de todo o ano dedicada a esse trauma coletivo geracional.

San Sebastián arranca hoje: Fatih Akin abre o festival com um romance sobrenatural, Naomi Watts e Werner Herzog recebem os Prémios Donostia

Com “Transformers: O Início” já em exibição no especial de sagas da TVCine Action e este clássico de 1986 de volta às luzes da ribalta internacional, a franquia continua a mostrar uma capacidade rara de equilibrar nostalgia e reinvenção em simultâneo.