Críticas

Crítica – La Vie d’Adèle

CRÍTICA:

“La Vie d’Adèle” foi o filme, lançado em 2013, que mais curiosidade me suscitou. Depois de vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, a visualização deste filme tornou-se obrigatória para mim e as expectativas aumentaram consideravelmente. Após 179 minutos (sim, são cerca de 3 horas de filme), posso dizer que as minhas expectativas foram mais que consumadas.

La Vie d'Adèle

O azul é de facto uma cor tórrida nesta controversa obra de Abdellatif Kechiche. Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma jovem de apenas 15 anos de idade que vai-se descobrindo bem como à sua sexualidade gradualmente, primeiro com um rapaz da sua escola, com quem namora mas que rapidamente descobre que não a satisfaz, e, posteriormente, com Emma (Léa Seydoux), uma estudante de Belas Artes que se destaca pelo seu curto cabelo azul.

É-nos muito difícil saber até que ponto estamos perante uma opção sexual da jovem Adèle ou se assistimos a uma grande confusão emocional, normal da idade, de uma rapariga muito frágil e dependente. Esta confusão é tanto ou mais notada quanto a sua bissexualidade se vai manifestando mais intensamente. Adèle vive uma enorme contradição interior e a sua carência emocional e afectiva parece fazer com que a sua relação com Emma, uma rapariga mais velha e muito mais segura de si, surja quase como um abuso.

O grande ponto forte do filme é sem dúvida alguma a mestria com que o realizador Abdellatif Kechiche filma as cenas intimas entre as duas jovens. A química entre Adèle e Emma é absurdamente maravilhosa, os corpos desejam-se e completam-se de uma forma nunca antes vista no cinema, existindo, no entanto, uma relação de poder entre ambas quase perversa e na qual Adèle surge como uma vítima. Outro fantástico aspecto do filme é o modo como a relação entre as duas se desenvolve, é poético e uma grande ode ao amor.

Quanto às interpretações, Adèle Exarchopoulos está absolutamente irrepreensível, um papel notável que, certamente, abrirá portas para que esta jovem actriz francesa possa brilhar em futuros projectos. Léa Seydoux, como actriz mais experiente que é, acrescentou de uma forma sublime uma certa maturidade à obra, com uma interpretação, também ela, de elevada qualidade. Sinto que estes dois personagens mereciam um grupo de actores secundários de maior qualidade, há alguns momentos que, apesar de ser compreensível a sua intrusão, destoam da coesão da narrativa principal, como na cena homofóbica das colegas de Adèle.

É certo e sabido que serão muitas as críticas a esta obra, mas uma coisa é garantida, goste-se ou não se goste, “La Vie d’Adèle” é um filme controverso e um dos melhores (senão o melhor) filmes de 2013.

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A química presente entre Adèle e Emma.
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O grupo de actores secundários algo débeis.
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TRAILER:

POSTER:

Poster do filme La Vie d'Adèle

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