Críticas

Crítica – Her

CRÍTICA:

Numa fase em que começamos a questionar-nos sobre o tipo de pessoas em que estamos a tornar-nos com toda esta tecnologia que nos rodeia, “Her” torna-se um filme extremamente pertinente e interessante. De certa forma não estamos a falar de um filme futurista, muito pelo contrário, estamos a falar de um filme muito actual, pois já lidamos com muitos dos automatismos que ele nos apresenta, embora estejamos ainda bastante longe, penso eu, de dar vida a inteligência artificial e a sistemas operativos capazes de se questionar sobre aquilo que os rodeia, sistemas operativos com intuição e acima de tudo com sentimentos.

Her

Uma coisa não podemos negar, o ser humano está cada vez mais dependente da tecnologia e, como consequência, está a fechar-se dentro de si próprio e a criar uma tremenda falta de capacidade para se relacionar devida e correctamente com os seus amigos, familiares e principalmente companheiros. Por muito que muitos se recusem a ver esta dura realidade, a prova disto é que vivemos numa era em que as pessoas são despedidas por e-mail e em que um casal de namorados prefere conversar pelo Facebook em vez de pessoalmente com a sua cara metade.

“Her”, ainda que de uma forma leve e engraçada, expõe todas estas tendências da sociedade e reflecte sobre a dificuldade que o ser humano têm para desenvolver laços sólidos com outras pessoas, escondendo a sua inaptidão social por detrás das tecnologias. Mas que não se julgue que o novo filme de Spike Jonze é um filme que se limita a criticar esta nova fase da sociedade. “Her”, valida também esta dependência excessiva das tecnologias na medida em que mostra como a tecnologia pode ser usada como um último recurso, ajudando o ser humano a descobrir o seu caminho e a ser feliz.

Theodore (Joaquin Phoenix) é um homem solitário e extremamente deprimido que ainda não conseguiu recuperar do choque oriundo do processo de divórcio por que está a passar. Apesar de ser bem-sucedido no emprego e de ter uma excelente amiga em Amy (Amy Adams), Theodore parece desorientado. Tudo isto se altera quando decide instalar no seu computador um sistema operativo de última geração. Este sistema operativo (com a voz sexy de Scarlett Johansson) assume a forma de uma pessoa bastante real e que parece compreender Theodore melhor que ninguém. É desta forma que a vida triste, solitária e monótona de Theodore é fortemente abalada, especialmente quando ele se torna demasiado próximo da inteligência artificial que dá pelo nome de Samantha.

Ao seu estilo, Spike Jonze, apresenta-nos um filme completamente bizarro e bastante melancólico, mas ao mesmo tempo agradável e comovente. Enquanto assistimos a este filme, os altos e baixos são constantes, tão depressa nos sentimos bem como completamente desgostosos. “Her” é reflexivo e enigmático, mas é também meigo, divertido e visualmente lindíssimo, havendo um pouco de tudo para agradar todos os gostos. Além de ser um filme praticamente suportado a solo por Joaquin Phoenix, o filme nunca se torna aborrecido, sendo de salientar a suave realização de Jonze, como também o seu magnífico argumento e a notável interpretação de Phoenix. Outro aspecto a realçar são as actrizes secundárias Amy Adams e Rooney Mara, que, apesar do pouco surgirem no grande ecrã, são suficientemente simpáticas para deixaram a sua marca. Por fim, Scarlett Johansson, que só com os dotes vocais cria uma personagem tão real e maravilhosa que quase a conseguimos ver em carne e osso.

“Her” é, definitivamente, um dos grandes filmes de 2013 e uma das obras cinematográficas mais cativantes e belas dos últimos anos, sendo, de uma forma estranha, um dos filmes mais românticos de sempre.

TRAILER:

POSTER:

Poster do filme Her

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