Críticas

Crítica – Blue Jasmine

CRÍTICA:

São poucos os realizadores a nível mundial que trabalham tanto quanto Woody Allen, que praticamente todos os anos presenteia os seus fãs com um novo filme. Outro factor que é importante realçar é a qualidade constante presente nos filmes de Woody Allen, em toda a sua filmografia são poucos os filmes que não foram elogiados pela crítica e/ou vencedores de inúmeros prémios. Allen nos últimos dois anos presenteou-nos com duas obras cinematográficas de elevada qualidade, em 2011 o brilhante “Midnight in Paris” e em 2012 o agradável “To Rome with Love”.

Blue Jasmine

Por todos os factores que mencionei, as minhas expectativas em relação ao novo “Blue Jasmine” eram bastante elevadas e para minha surpresa essas expectativas foram largamente superadas por esta dramática jovial, onde são poucos os aspectos negativos a apontar a um argumento de elevada qualidade com anotações impressionantes, coordenados e controlados magistralmente pelo veterano Woody Allen.

“Blue Jasmine” deve uma grande parte do seu sublime e estimulante encanto à brilhante interpretação da carismática Cate Blanchett. Os dotes artísticos da actriz são conhecidos por todos, mas há muito que não a víamos ter uma performance tão forte e marcante como a que tem neste filme, onde rouba por completo toda a atenção para si, numa interpretação de inegável qualidade no papel da protagonista Jasmine, uma mulher completamente perdida, confusa e muito instável que ficou sem nada depois de se divorciar de Hal (Alec Baldwin), um homem rico que a habituou a uma vida cheia de mordomias e luxos. A única opção de Jasmine é ir viver para São Francisco, num pequeno apartamento que pertence à sua irmã Ginger (Sally Hawkins), irmã com quem Jasmine tem uma relação distante e pouco afectuosa. A habituação de Jasmine à sua nova e triste realidade é muito complicada e bastante demorada, apesar de tudo, ela consegue arranjar um emprego como recepcionista num consultório de dentista. O novo emprego de Jasmine não se revela nada fácil e as suas crises de ansiedade tornam-se cada vez mais frequentes e mais difíceis de controlar. Uma tentativa de sedução por parte do seu patrão ditam a saída de Jasmine do seu novo emprego, que a deixa, uma vez mais, sem nada.

A sorte de Jasmine parece mudar quando, numa festa, conhece Dwight (Peter Sarsgaard), um jovem diplomata que lhe pode devolver a vida de luxos que perdeu e que tanto deseja recuperar. É nesta fase, fase que poderia recuperar a sua vida, que a insanidade de Jasmine é mais notória e que ela não se quer aperceber que a vida não segue o rumo que ela deseja e que as mentiras têm, geralmente, perna curta. Além da relação entre Jasmine e Dwight crescer muito rapidamente e o amor parecer estar no ar, as constantes mentiras de Jasmine sobre o seu passado ditam o fracasso da relação.

No fundo, “Blue Jasmine” é uma história muito pessoal e humana sobre o preço das mentiras e das ilusões, que no caso de Jasmine levam a inúmeros disfarces emocionais e simulações existenciais que apenas alimentam os seus sonhos e as suas fantasias por mais algum tempo, o que leva a que esta cínica e lunática protagonista não se aperceba que está a destruir a sua própria vida e a dos que a rodeiam que, por sua vez, não se apercebem dos efeitos negativos que a influência de Jasmine tem nas suas vidas e decisões.

É fenomenal ver como o mestre Woody Allen constrói e logo de seguida destrói a existência, as emoções e as relações de Jasmine, uma personagem que, na minha opinião, é uma das mais belas criações do realizador. Jasmine é sem dúvida alguma uma personagem em quem Woody Allen depositou muito de si, muito da sua personalidade e que usa para, ao mesmo tempo, criticar fortemente a mentalidade dos descabidos indivíduos da classe alta, que não se habituaram ao rumo dos novos tempos e que continuam a alimentar sonhos impossíveis e a viver acima das suas posses.

Concluindo, Woody Allen tem aqui um dos melhores filmes de toda a sua carreira, sendo apenas superado, na minha modesta opinião, por alguns dos seus clássicos, como “Annie Hall” e “Manhattan”, como também pelo recente “Match Point”.

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A fantástica interpretação de Cate Blanchett.
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Nada.
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TRAILER:

POSTER:

Poster do filme Blue Jasmine

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